
PF aguarda exames para fechar inquérito
Eduardo Gonçalves
O Globo
Após a realização de cinco perícias, o inquérito sobre a morte do empresário Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” e considerado operador do banqueiro Daniel Vorcaro, tende a concluir que ele de fato atentou contra a própria vida na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte e depois morreu devido ao tempo em que ficou sem oxigenação no cérebro. A PF ainda tenta identificar um dos interlocutores para quem ele ligou após ser preso e aguarda a chegada de dois exames para finalizar a investigação.
A morte completa um mês nesta segunda-feira. Ao longo deste período, cinco exames foram realizados e pelo menos cinco pessoas que tiveram algum contato pessoal ou por telefone com o preso foram ouvidas. As conclusões do inquérito devem ser entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste mês.
CONCLUSÃO – Três desses laudos produzidos pela perícia da Polícia Federal já foram concluídos — um sobre o local de crime; outro sobre as roupas que o preso utilizava e outro no celular fornecido por agentes para que ele pudesse se comunicar com os seus familiares, direito garantido pela Constituição a presos provisórios.
Neste terceiro laudo, a PF detectou que Mourão tentou ligar diversas vezes para a mãe, a irmã e uma terceira pessoa que não foi identificada pela corporação. A PF segue investigando para descobrir o contato. Na análise das roupas, não foi verificada a presença de nenhum vestígio de droga.
Já nas imagens das câmeras de segurança da carceragem, escrutinadas pela PF, é possível ver que ele estava sozinho na cela e foi atendido pelos agentes que acompanhavam a sua custódia.
LAUDOS PENDENTES – A PF ainda não recebeu dois exames considerados cruciais para o desfecho da investigação — o laudo toxicológico, que verifica o sangue e a urina do preso; e o laudo necroscópico, que aponta a causa da morte e se havia ou não marca de alguma agressão no corpo. Os dois estão sob encargo de médicos do Instituto Médico Legal (IML), vinculado à Polícia Civil de Minas Gerais e não à PF.
Segundo a PF, os médicos legistas pediram na semana passada o compartilhamento do circuito de câmeras da carceragem para finalizar o laudo de necropsia. André Mendonça deve decidir se aprova ou não a troca de informações.
CRONOLOGIA – Por volta das 6 horas do dia 4 de março, agentes da Polícia Federal bateram na porta de Mourão para cumprir a ordem de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão ordenados pelo Supremo. As ações se davam na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada naquele dia, que se destina a apurar os crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
Na residência, os agentes deram voz de prisão a Mourão e apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro. Se ele não tivesse morrido, ele responderia a um outro processo por porte ilegal de arma de fogo.
Por volta das 9h, ele foi levado à cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte. Nesse momento, como é praxe com alvos da corporação, ele passou por uma revista completa, na qual precisou deixar o cinto, relógio e cadarço. Às 12 horas, Mourão foi encaminhado à sala de interrogatórios, onde ficou por cerca de duas horas. Na cela, Mourão aparentava estar inquieto. Por volta das 15h20, ele tentou se matar.
INTERVALO DE TEMPO – Passaram-se cerca de dez minutos até que os agentes da PF percebessem o incidente e iniciassem a tentativa de reanimá-lo com massagem cardíaca e ventilação. Ao constatar a gravidade da situação, eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou por volta das 16h15.
Mourão foi levado ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi internado às 17h56. Dois dias depois, a defesa dele confirmou o falecimento do preso após o “encerramento do protocolo de morte encefálica”.
Procurada, a defesa de Mourão não quis se manifestar. Nos bastidores, os advogados e familiares dele vão esperar a conclusão do inquérito da PF para decidir se pedem uma investigação paralela sobre a morte dele ou se movem alguma ação de indenização contra o Estado.
Tem que acreditar muito em Papai Noel para acreditar no história do suicídio do Sicário.
ALÔ CENTRAL DOS UNIVERSITÁRIOS:
Alguém pode responder as questões abaixo,
1) Como um preso de alta relevância, sob custódia direta da Polícia Federal e com suposto monitoramento intenso, conseguiu se enforcar (usando a própria camiseta) dentro da cela, aparentemente sem ser impedido imediatamente?
2) Por que a equipe de socorro demorou cerca de 10 minutos para chegar à cela (conforme relatos da PF), tempo suficiente para causar morte encefálica irreversível?
3) As câmeras de segurança da Superintendência da PF em BH registraram todo o episódio (como a PF informou ao STF). Por que as imagens completas não foram divulgadas publicamente, e o que exatamente elas mostram?
4)Sicário era considerado testemunha-chave das fraudes, intimidações e operações do esquema do Banco Master. Quem se beneficia diretamente com o silêncio dele, e por que o “suicídio” ocorreu horas após a prisão, antes mesmo da audiência de custódia?
5) Houve falha grave no protocolo de vigilância de presos com risco de suicídio? Ele foi avaliado psicologicamente ao ser detido, ou a PF assumiu que não havia risco?
6) A investigação interna da PF (inquérito aberto no dia seguinte) é suficiente? Como sugerido por juristas como Pedro Serrano, não seria necessário uma apuração independente, com peritos externos e acompanhamento do MPF?
7) O corpo foi enviado ao IML e houve autópsia independente? O enterro ocorreu, quem compareceu e por que o caso praticamente desapareceu da mídia poucas semanas depois?
8) Sicário tinha informações explosivas sobre nomes, conexões e detalhes da maior fraude financeira investigada no Brasil. Essas informações foram preservadas ou se perderam com a morte dele?
9) A PF confirmou que ele tentou o suicídio duas vezes na mesma cela. Isso indica falha de segurança repetida ou algo ainda mais grave na custódia?
A pergunta mais intrigante é a de número 7.
Será que o sujeito evaporou?
E os repórteres, focas e etc… que adoram um furo, não procuraram saber onde foi o enterro pra ir entrevistar a família e conferir se o sicario estava mesmo no caixão?
Diante dessa dúvida, a justiça não vai pedir a exumação do corpo?
Algo paira no ar…
JÁ DICE TROCENTAS VEZES AQUI NA TI, isto não vai dar em nada e já estão despoluindo o esgoto a todo vapor.
Pobre Brasil!
José Luis