
Charge do Nando Motta (Brasil 247)
Carlos Newton
Ao longo dos últimos anos, nenhuma autoridade mereceu tão elevada cobertura da mídia como o ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o inquérito, relatou e julgou no Supremo os crimes relacionados com a trama golpista de 8 de janeiro de 2023. Seu nome foi destaque na imprensa internacional e até na Casa Branca, que o puniu por meio da Lei Magnitsky, em sanção depois revista.
Nas duas últimas semanas, o ministro voltou a ser notícia em todos os blogs, sites, jornais, emissoras de rádio e de televisão, mas desta vez o acusado é ele.
APOIO À VENDA – Segundo os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, o ministro Moraes, fora de suas funções institucionais, teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diversas vezes, para demonstrar seu apoio ao empresário Daniel Vorcaro no caso da venda do falido Banco Master ao BRB – Banco Regional de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal.
O Master, com golpes de gestão temerária, inescrupulosamente acarretou prejuízo a milhares de investidores, deixando rombo de R$ 19 bilhões a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito.
A desastrada e ilegal intervenção do ministro Moraes junto ao BC não surtiu efeito, e a instituição de Vorcaro foi liquidada pela autarquia federal. Seus controladores foram presos e depois liberados sob vigilância da Polícia Federal e do Poder Judiciário (prisão domiciliar).
SUPERCONTRATO – Nesse contexto, a situação ética e disciplinar de Moraes, se é que algum ministro do STF está sujeito a alguma lei, complicou-se de vez quando os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, corajosamente revelaram que o interesse do juiz no Master incluía a prestação de assessoria completa a um banqueiro sem escrúpulos.
O contrato com o Master foi celebrado em janeiro de 2024 pela mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129,6 milhões, em prestações de R$ 3,6 milhões.
No escritório de advocacia da família, Viviane e seus dois filhos deveriam, entre outras missões profissionais, defender os interesses do banco Master junto ao Banco Central, CADE, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário etc.
QUATRO LINHAS – O contrato é missão impossível para um escritório com tão poucos e jovens advogados, carentes de maior experiência. A não ser que forças extrajudiciais estivessem atuando fora das quatro linhas.
Tão graves, inimagináveis e comprometedoras atitudes, relacionadas a insuportáveis pressões que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teria sofrido por parte de Moraes, sem dúvida, denigrem a imagem da STF e de seus membros.
Essas demolidoras reportagens jamais teriam sido publicadas com autorização do diretor-presidente de O Globo, o empresário João Roberto Marinho, que dirige toda a Organização Globo. Ou seja, mais do que indícios, O Globo deve ter as provas. Então, por que não as divulga para que o caso tenha logo um desfecho e não se eternize essa desmoralização do STF?
P.S. – Se os jornalistas não tivessem as provas, já teriam sido demitidos de O Globo, que não compra briga com autoridade sob hipótese alguma. Amanhã, voltaremos a esse palpitante assunto. (C.N.)
Se os jornalistas tivessem perdido totalmente o juízo, estariam com prisão preventiva decretada pelo primeiro ministro.
Investigações em série
Além de fraude com BRB, Banco Master é alvo de várias investigações
Casos na Justiça e na CVM tratam de fundos previdenciários, consignado, tentativa de inflar patrimônio e oferta de ações
O Banco Master tem outros obstáculos para contornar na Justiça além da investigação sobre a tentativa frustrada de venda para o BRB, inquérito que está no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
Na semana que vem, uma acareação vai reunir o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, em uma determinação considerada inusual por especialistas.
Apesar das preocupações sobre os rumos que o caso do BRB pode tomar, há vários outros processos tramitando na Justiça e casos sendo analisados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado, em andamento.
Em Brasília, outro braço de apuração envolve créditos consignados. Um procedimento preliminar do Ministério Público Federal do DF mira supostas falhas do INSS na autorização e fiscalização das instituições financeiras que oferecem o produto.
Após o início da apuração, o INSS não renovou o acordo com o Master, mas interlocutores a par do caso dizem que o MPF deve mirar a regulação da modalidade do cartão de crédito consignado. Diversas instituições financeiras oferecem o produto, que já foi ofertado pelo Master também por meio do Credcesta, que já não é mais gerido pelo banco de Vorcaro.
Reclamações sobre problemas no crédito consignado e outras queixas, como supostas cláusulas abusivas, são tratadas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio de clientes do Master.
Outro flanco são aportes feitos por fundos de previdência, que precisarão brigar na Justiça junto a outros credores para reaver o dinheiro. Levantamento do Globo mostrou que 18 fundos de estados e municípios repassaram R$ 1,87 bilhão ao Master em letras financeiras, papéis que não têm o respaldo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
(…)
O Globo, Economia, 27/12/2025 04h00 – Brasília e Rio
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/12/27/investigacoes-em-serie-alem-de-fraude-com-brb-banco-master-e-alvo-de-varias-investigacoes-veja-quais.ghtml
É precipitada a acareação com BC no caso Master
Decisão de Toffoli antes do Ano Novo e à revelia da PGR reforça sensação de pressão para intimidar a autoridade monetária
Tem gerado incômodo e estranheza a pressão sobre os técnicos do Banco Central (BC) que determinaram a liquidação extrajudicial do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Depois de um pedido de esclarecimentos do Tribunal de Contas da União (TCU) — organismo do Legislativo sem poder de supervisão sobre a autoridade monetária —, o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para a próxima terça-feira uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos (Aquino não é investigado).
O BC suspendeu em setembro uma operação de venda do Master ao BRB cercada de suspeitas. Em novembro, decretou a liquidação extrajudicial do banco diante de evidências eloquentes de irregularidades, estimadas em pelo menos R$ 12,2 bilhões.
De acordo com a versão que circula nos meios jurídicos, o objetivo alegado para promover uma acareação às vésperas do Ano Novo é ouvir se houve demora ao decretar a liquidação e entender a fiscalização do Master para apontar responsáveis por eventuais falhas.
A convocação de Toffoli foi tomada “de ofício”, sem pedido formal da Procuradoria-Geral da República, e mantida apesar de o próprio procurador-geral, Paulo Gonet, ter manifestado incômodo e pedido a suspensão da acareação, por considerá-la “prematura”.
Tomada depois de um despacho do ministro do TCU Jhonatan de Jesus questionando a atuação do BC na liquidação, ela reforça o sentimento de que há pressões para intimidar os técnicos da autoridade monetária.
É verdade que, no entender de juristas, há base legal na acareação. “O magistrado é o destinatário final da prova e pode determinar diligências quando entende que os elementos reunidos não são suficientes para esclarecer os fatos”, diz Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense.
Mas ele próprio afirma que há controvérsia, pois não há denúncia aceita, nem ação penal em curso. Na atual fase, o papel do juiz, segundo Sampaio, é controlar a legalidade dos atos investigativos, e não assumir a liderança da investigação.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia se colocado à disposição dos investigadores e afirmou ter documentado cada reunião, mensagem e passo tomado ao longo da fiscalização do Master. Não há dificuldade em obter todas essas informações. Nem motivo aparente para convocar uma acareação de modo tão açodado.
Assim que assumiu o caso Master no Supremo no início de dezembro, Toffoli decretou nível altíssimo de sigilo no processo, outra decisão que semeou toda sorte de especulação. Ao manter o sigilo sobre o processo, só alimenta as dúvidas.
Para completar, depois do despacho inédito do ministro Jhonatan de Jesus com exigências sobre a fundamentação da liquidação e sua tramitação no BC, o TCU também impôs sigilo ao processo do Master.
A missão do BC não é salvar banqueiros encrencados, mas garantir a estabilidade do sistema financeiro. Depois de um mês, já ficou claro que a liquidação do Master não representou risco sistêmico e que o BC cumpriu seu dever.
Não se pode dizer o mesmo do TCU ou do Supremo. Em vez de tanto sigilo, investigações sobre suspeitas tão graves precisam correr com a mais absoluta transparência.
O Globo, Opinião, 27/12/2025 00h10 Por Editorial
Porque só o Moraes?
E os outros?
Será que se rezar pra pneus, as provas aparecem.
Dizem que o santo Michelin, é milagreiro… rsrs
Querem trucidar o ministro de qualquer jeito.
Querem a volta da ditadura!
Ingratos!
Deixa estar, se o golpista sair da jaula, terão o que eles querem.
Resumindo: nada vai acontecer, porque tem muitos parlamentares com o rabo preso e mais sujos que pau de galinheiro.
O Wonka que se cuide, será o primeiro… se o Gilmar Mendes levantar a bunda e ameaçar tirar o processo do Flávio Rachadinha, o próprio rachador, estancara esse imbróglio.
Já melou a lava toga lá atrás, agora, fará o mesmo, ainda mais que o idiota sonha (?) em ser Presidente desta M.
Um abraço,
José Luis
Demorou , mas a pergunta crucial surgiu no tema acima , quanto a provas e conteúdos dos encontros e conversas entre os agentes públicos em questão , lembro-me duma situação que houve aqui em Manaus – Am. , de um certo empresário local que negociou e trouxe legalmente para o Brasil via Amazonas o refrigerante ” Mexicano Tampico ” , que caiu na graça do povo e desbancou os tradicionais refrigerantes locais , sendo que ao exporta-lo para outros estados , caiu-lhes na cabeça uma verdadeira tempestades de denúncias difamatórias , mentirosas através dos grandes órgãos de imprensa nacional , patrocinadas pelos concorrentes e fabricantes brasileiros e estrangeiros no Brasil etc… até inviabilizar a manutenção do contrato de importação do refrigerante Tampico , que na verdade é muito superior em qualidade , que a maioria dos refrigerantes tradicionais fabricados e vendidos no Brasil .