
Mensagem de Fachin foi um desrespeito à nação
Carlos Newton
O senador Auro Moura Andrade (PSD-SP) era presidente do Congresso em 1964, e foi uma das peças principais do golpe contra o presidente João Goulart (PTB), que surgiu como um movimento civil-militar e somente depois se transformaria numa verdadeira ditadura castrense, com submissão dos líderes civis.
No dia 30 março, o presidente do Congresso participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, um importante ato público contra o governo, e lançou um manifesto à nação para declarar o rompimento entre Legislativo e Executivo, conclamando as Forças Armadas a se unirem em defesa das instituições.
VEIO O GOLPE – O manifesto foi um dos estopins da sublevação, e no dia seguinte o general Olympio Mourão Filho, que comandava o quartel em Juiz de Fora, colocou sua pequena tropa na estrada para o Rio de Janeiro, dando início à revolta.
O presidente João Goulart deixou Brasília para organizar a resistência e ainda estava em exercício do mandato, quando Moura Andrade presidiu uma tumultuada sessão do Congresso e declarou vacante a Presidência da República.
Em seguida, à frente de uma legião de parlamentares, Moura Andrade dirigiu-se ao Palácio do Planalto e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli (PSD), que presidia a Câmara Federal.
O POVO QUER – Moura Andrade, ao justificar seu ato, disse que “o Congresso sempre faz o que o povo quer”. Bem, não há nenhuma novidade nisso. O Congresso é eleito pelo povo, para representá-lo, conforme propôs o Barão de Montesquieu em 1748, ao lançar duas obras fundamentais da política – “O Espírito das Leis” e “A Separação dos Poderes”.
Assim, fazer o que povo deseja é obrigação dos políticos. Mas o presidente do Supremo, Edson Fachin, embora tenha instrução elevada e seja procurador de justiça concursado, não tem noção de política nem de respeito ao povo.
Sua mensagem, sexta-feira, defendendo o corruptíssimo ministro Dias Toffoli e ameaçando a imprensa e as demais instituições, foi um desrespeito à nação como um todo.
HOUVE PRESSÃO – Sabe-se que outros ministros pressionaram Fachin, mas quem preside o Supremo precisa estar imune a influência internas e externas. Além disso, tem obrigação de denunciar quem tentar pressioná-lo.
Fachin e os demais ministros precisam aproveitar este final de semana e pensar, com toda calma, como devem se posicionar sobre os seguidos escândalos que envolvem o Supremo.
O caso é de cortar a própria carne. Os ministros vão seguir apoiando as ilegalidades de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes? Ou irão se posicionar em defesa do interesse público?
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P.S. – O Congresso vai fazer o que povo quer, como diria Moura Andrade. Os ministros Toffoli e Moraes estão no início da fila, mas ainda há vagas para seus cúmplices e admiradores. (C.N.)
Mas só o Fachin e os outros amigos camaradas que vivem aprontando?
Negócio nada ecumênico entre padre e pastor expõem os tentáculos do Banco Master
A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de super luxo.
É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.
O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de super luxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro. (…)
Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 129 milhões não é pouca coisa…
Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono.
O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?
No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.
Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.
E os tentáculos continuam, com as suspeitas de que o governador Ibaneis Rocha tenha acertado com Vorcaro que o BRB, o banco estatal de Brasília, despejasse bilhões na compra de títulos podres de um banco privado, e de que o empresário Nelson Tanure seja “sócio oculto” do Master.
Sem contar a aplicação de quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência, o fundo de previdência dos funcionários do Estado do Rio, num banco já bichado. E pode haver casos em outros estados…
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 24/01/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde
Senhor Carlos Newton , de onde tirastes a afirmação de que os ” Congressistas fazem o que o povo quer ” ?
Pois é público e notório que os Congressistas não estão nem aí , para os interesses e bem estar do povo Brasileiro , mas sim pelos seus próprios umbigos .
Retrato Em Branco e Preto
Tom Jobim
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração