Lula perde pontos e votos ao ofender Bolsonaro, que está com doença grave  

Ao lado de Lula, Eduardo Paes anuncia Ozempic na rede pública do Rio

Discurso de Lula em hospital foi uma aula de truculência

Vicente Limongi Netto

O povo não aguenta mais agressões verbais ou físicas entre políticos. São todos crescidos. Educação vem do berço. Não se vende em feiras nem farmácias.  Os ouvidos e a paciência do eleitor não merecem ser atropelados por   destrambelhos de linguagem de homens públicos.

O  brasileiro espera que políticos se espelhem no bom senso, nos fatos relevantes que interessam a população. Nas firmes argumentações que levem a qualidade dos debates. O eleitor em sua maioria, cansou de políticos grosseiros que dão patadas no vento.

Lula usou a cerimônia de reforma de uma hospital para ofender um rival com doença grave. Até o local era inadequado.

LULA OFENSIVO – Nessa linha, Lula, com voz tremula e irritado, em solenidade no Rio de Janeiro, pegou pesado nas críticas e insultos ao ex-presidente Bolsonaro. Abriu as cortinas das eleições de outubro com um arsenal primoroso de deselegância e estupidez.

Veterano em política e campanhas eleitorais, Lula deveria saber que não se tripudia em adversário doente e hospitalizado. Com quadro clínico merecedor de cuidados. Não importa que o adversário doente seja um ex-chefe da nação que em muitas ocasiões deslustrou o mandato. Que debochou da importância das vacinas, que dava coices em jornalistas e que tentou desacreditar as urnas eleitorais.

Lula precisa deixar de lado o ex-presidente Bolsonaro. Anda tenso e irritado com as pesquisas dando conta que Flávio Bolsonaro caminha nos seus calcanhares. Que passe a atacar e enfrentar, então, com energia e coragem, o filho senador do mito de araque. Mas com as boas armas da política. Mostrando as realizações dos governos petistas em benefício da coletividade. Basta de baixarias, de jogo sujo e intrigas de porta de botequim.

Vácuo diplomático entre Lula e Trump fortalece linha dura dos Estados Unidos

Encontro em Washington permanece sem data definida

Túlio Amâncio
G1

A demora para a realização de uma reunião presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente prevista para meados de março, reduziu o espaço de interlocução direta entre os dois presidentes, segundo avaliam diplomatas.

Na análise de integrantes do Itamaraty, o distanciamento fez a “química esfriar” e abriu espaço para que a ala ideológica do governo norte-americano voltasse a ganhar força. Lula pretendia fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Trump. A ideia inicial era que o encontro em Washington ocorresse neste mês de março, mas agora tudo mudou.

SEGURANÇA PÚBLICA – Funcionários do governo Trump afirmam, sob reserva, que nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil — que chegou a pedir para visitar Jair Bolsonaro — estão conseguindo emplacar pautas dentro do governo americano. Diante do fracasso do tarifaço, essa ala passou a investir com mais intensidade no tema da segurança pública.

No governo brasileiro, a avaliação é de que é preciso reagir. Integrantes do Planalto dizem estar incomodados com a narrativa que vem ganhando força nas redes sociais de que o governo defenderia facções criminosas como o PCC e o CV.

Em caráter reservado, diplomatas mencionam o temor de que os Estados Unidos utilizem o combate ao narcotráfico e a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região.

A preocupação é, principalmente, a tentativa norte-americana de interferir em assuntos de soberania nacional. Assim, a área de comunicação prepara uma mobilização nas redes sociais — novamente com o mote da soberania — para explicar de forma didática como esse debate pode afetar a soberania nacional.

André Mendonça rebateu a defesa de Vorcaro e apontou provas robustas

Uma bailarina que dança na caixinha de música, girando, girando…

Feliz Aniversário Fatima Guedes! 💕 Hoje é dia de festa por aqui, nossa  querida Fatima comemora mais um ano de vida, que seja repleto de muita  música, hoje e sempre! Deixe sua

Fátima Guedes inspirou-se na bailarina

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, na letra de “A Bailarina”, retrata os segredos e os valores familiares que a menina da caixa de música guarda através de gerações. Essa música foi gravada por Fátima Guedes no LP Lápis de Cor, em 1981, pela EMI-Odeon.

A BAILARINA
Fátima Guedes

Gira a bailarina
Na caixa de música
Lívida menina
Rodando, rodando…
Num pequeno círculo
De ouro e de espelho
Escrava do delicado
Mecanismo

Pálida e suave
Em seu bailado frívolo
Quantas vidas passa
Dançando, dançando…
Com a orgulhosa pose
De uma estirpe distante
Finita num infinito
Narcisismo

Roda a bailarina
A sua sina
De tonta
Guardiã de jóias e segredos
De família
Com a roupinha de balé
Com a sapatilha
Relíquia de passar
De mãe pra filha

Ela se persegue
Em seu passeio lúdico
Presa na caixinha
Girando, girando, girando…

Tebet confirma candidatura ao Senado por SP e sai do ministério até o fim do mês

Vorcaro se enfurece, xinga políticos e esmurra a parede! Será verdade?

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. # vorcaro #danielvorcaro #bancomaster #toffoli #stf #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Ivan Longo
Fórum

Daniel Vorcaro surtou. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta sexta-feira (13) decidiu mantê-lo na prisão, o dono do Banco Master, revoltado, esmurrou a parede de sua cela na Penitenciária Federal de Brasília, machucou as mãos e precisou de atendimento médico. As informações são de Robson Bonin, da revista Veja.

Segundo interlocutores de Vorcaro, o banqueiro, durante seu surto, teria ainda gritado nomes de políticos e autoridades com quem tinha “relações financeiras” e que não estariam atuando para tirá-lo da cadeia.

EM DESESPERO – O dono do Banco Master entrou em desespero ao saber da decisão do STF. Mais cedo, a Segunda Turma da Corte formou maioria para confirmar a manutenção da prisão preventiva do banqueiro. Até o momento, acompanharam o voto do relator, ministro André Mendonça, para manter Vorcaro preso, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Falta votar o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, trocou de advogado e prepara uma negociação de delação premiada. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Dessa maneira, o advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, que fazia a defesa de Vorcaro, alegou “motivos pessoais” e deixou o caso. Quem assume é o advogado José Luis Oliveira Lima.

NOVO ADVOGADO – Oliveira Lima conduziu delações premiadas, entre elas a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Ele também atuou na defesa do ex-ministro José Dirceu na época do “mensalão”, em 2012. Também representou o general Braga Netto no processo por tentativa de golpe de Estado. Além disso, Oliveira Lima atuava para o Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central.

De acordo com informações da jornalista Mônica Bergamo, Daniel Vorcaro esperava a decisão da Segunda Turma do STF sobre a sua prisão — que optou por mantê-lo preso — para decidir sobre a delação premiada.

Assim, com a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, o banqueiro deve iniciar negociações para uma delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A matéria é assustadora, por vários motivos. Mostra que Vorcaro já conseguiu subornar algum funcionário do presídio, porque está isolado na cela e não teria como receber notícias do exterior. E o pior é o exterior receber informações internas que somente seriam do conhecimento dos guardas penitenciários. Em resumo, pode ser uma fake news da melhor categoria, que a Veja não confirmou, antes de publicar. Porém, se for verdade, significa que a esculhambação reina até nos presídios de segurança máxima, cuja segurança é mínima. (C.N.).

Era previsível, e a crise do petróleo volta ao centro da política mundial

Fechamento do Estreito de Ormuz reacendeu preocupações

Pedro do Coutto

A política internacional tem o hábito de reapresentar velhos conflitos sob novas circunstâncias. Em diferentes momentos da história recente, crises energéticas serviram como gatilho para tensões militares, disputas diplomáticas e turbulências econômicas globais.

A nova escalada de tensão no Oriente Médio recoloca esse fenômeno no centro do debate internacional. A ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz por lideranças iranianas reacendeu preocupações que, durante anos, pareciam ter sido parcialmente atenuadas pela narrativa da transição energética: a dependência estrutural do mundo em relação ao petróleo.

ROTA ESTRATÉGICA – O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Localizado entre Irã e Omã, esse corredor estreito conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e funciona como principal passagem para o petróleo produzido em alguns dos maiores exportadores globais. Estimativas indicam que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo atravessa diariamente essa rota. Em termos práticos, isso significa que aproximadamente 20 milhões de barris circulam pelo estreito todos os dias, um volume capaz de influenciar diretamente o equilíbrio energético mundial.

A possibilidade de bloqueio da passagem por forças iranianas não é um episódio isolado, mas parte de um histórico de tensões que envolve disputas regionais, rivalidades geopolíticas e a presença militar de grandes potências. Desde a Revolução Islâmica de 1979 — evento conhecido como a Revolução Iraniana — o Irã mantém uma relação complexa com os Estados Unidos e seus aliados ocidentais. O estreito tornou-se, ao longo das décadas, um ponto sensível dessa disputa estratégica.

AMEAÇA – Qualquer ameaça de interrupção do fluxo de petróleo imediatamente mobiliza a atenção das principais potências militares, especialmente dos Estados Unidos, que historicamente mantêm presença naval na região para garantir a segurança das rotas marítimas.

A importância econômica dessa passagem explica o nível de preocupação internacional. Segundo dados amplamente citados por organismos internacionais, nenhuma outra rota marítima concentra tamanho volume de transporte de petróleo. Uma interrupção prolongada poderia gerar efeitos em cascata na economia global: aumento do preço dos combustíveis, pressão inflacionária, encarecimento do transporte internacional e impactos sobre cadeias produtivas em diversos países.

O mercado de petróleo reage rapidamente a qualquer sinal de instabilidade na região. Mesmo ameaças ou declarações políticas podem provocar oscilações significativas nos preços do barril. Analistas frequentemente lembram que o setor energético opera sob forte influência de expectativas.

ELEVAÇÃO DOS PREÇOS – Quando investidores percebem risco de interrupção no fornecimento, os preços tendem a subir mesmo antes de qualquer bloqueio real ocorrer. Foi exatamente essa dinâmica que marcou as grandes crises do petróleo da década de 1970, quando decisões políticas e conflitos regionais provocaram choques que alteraram profundamente o equilíbrio econômico mundial.

Nesse cenário, a presença militar americana no Golfo Pérsico continua sendo um elemento central. A Marinha dos Estados Unidos mantém historicamente frotas na região com a missão de garantir a livre navegação e proteger o fluxo de petróleo destinado aos mercados internacionais. Essa estratégia faz parte de uma arquitetura de segurança construída ao longo de décadas para assegurar a estabilidade do abastecimento global.

Mas o impacto dessa tensão não se limita ao plano geopolítico. Ele se projeta diretamente sobre economias nacionais, especialmente aquelas fortemente dependentes de importações de combustíveis. Em momentos de alta nos preços internacionais, governos são frequentemente pressionados a adotar medidas para conter o impacto inflacionário. Combustíveis mais caros elevam custos de transporte, pressionam preços de alimentos e afetam praticamente toda a cadeia produtiva.

EFEITOS IMEDIATOS – No caso brasileiro, essa dinâmica costuma ter efeitos imediatos. O Brasil é produtor relevante de petróleo, especialmente após a expansão da exploração no pré-sal, mas ainda permanece sensível às oscilações do mercado internacional. O preço do diesel, por exemplo, exerce forte influência sobre o transporte de mercadorias e, consequentemente, sobre o custo de vida da população.

Governos frequentemente recorrem a instrumentos fiscais para amortecer esse impacto. Reduções temporárias de impostos sobre combustíveis ou mecanismos de estabilização de preços tornam-se ferramentas para conter a inflação em momentos de crise energética global. Essas decisões, contudo, costumam envolver dilemas complexos: aliviar o impacto imediato sobre os consumidores pode significar pressão adicional sobre as contas públicas.

Além do impacto econômico, crises energéticas frequentemente influenciam o ambiente político interno. A alta dos combustíveis costuma se transformar em tema central de debates eleitorais, mobilizando partidos, governos e opositores. Em diversos países, aumentos abruptos nos preços de energia já provocaram protestos, mudanças de políticas públicas e até instabilidade política.

REFLEXOS – Esse cenário revela uma característica fundamental da política internacional contemporânea: a interdependência entre crises globais e decisões domésticas. Um conflito localizado no Oriente Médio pode desencadear efeitos que se espalham rapidamente pelo sistema econômico mundial, influenciando desde o preço do combustível nos postos até o cálculo político de governos em diferentes continentes.

Apesar do avanço das fontes renováveis e das discussões sobre descarbonização da economia, o petróleo continua ocupando posição central no funcionamento do sistema econômico global. Navios que sustentam o comércio internacional dependem de combustíveis fósseis para cruzar oceanos. Aviões que conectam continentes utilizam derivados do petróleo. Fertilizantes essenciais à produção agrícola também estão profundamente ligados à indústria petroquímica.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – Por essa razão, qualquer ameaça às rotas de abastecimento continua sendo tratada como um problema estratégico de alcance global. O mundo pode estar caminhando para uma transição energética, mas essa transformação ocorre de forma gradual. Enquanto a infraestrutura econômica continuar dependente de combustíveis fósseis, crises envolvendo o petróleo permanecerão capazes de provocar efeitos profundos sobre a política internacional.

No fim das contas, episódios como a atual tensão em torno do Estreito de Ormuz lembram que a geopolítica da energia ainda molda grande parte das relações internacionais. Mesmo em uma era marcada por inteligência artificial, economia digital e novas tecnologias, o acesso a recursos estratégicos continua sendo um dos pilares do poder global.

Assessor acusa Palácio Guanabara de vínculos com crime e é exonerado após podcast

Avanço das investigações da PF impede qualquer tentativa de “blindar” Vorcaro

🌞Bom dia! Confira a charge da edição desta sexta-feira (29/8) do Correio Braziliense, por Kleber Sales.

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Malu Gaspar
O Globo

Desde que a bomba do caso do Banco Master voltou a estourar no colo do Supremo Tribunal Federal (STF), com a descoberta de que Daniel Vorcaro enviou mensagens a Alexandre de Moraes no dia da prisão perguntando se ele “conseguiu bloquear”, os ministros parecem perdidos, sem saber o que fazer.

Pelos relatos de quem frequenta os corredores e gabinetes, quem não está perplexo está furioso. Estão tão acostumados a pairar acima de tudo e todos no ecossistema de Brasília que se mostram sem repertório para lidar com uma premissa básica da democracia: têm obrigação de prestar contas à sociedade.

CÓDIGO BAND-AID – A crise se agravou tanto que o Código de Ética defendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, hoje teria o efeito de um band-aid cobrindo uma fratura exposta. E, ainda assim, a proposta não andou um milímetro desde que a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora.

A única reação ensaiada até agora veio da ala furiosa da Corte, que passou a cobrar do governo Lula uma grande operação abafa a partir da interferência na Polícia Federal (PF). O núcleo que orbita em torno de Moraes e de Dias Toffoli se julga abandonado pelo Palácio do Planalto.

Afinal, o Supremo Futebol Clube vem matando no peito todas as bolas tortas que o governo não consegue defender no Congresso. Por esse argumento, o mínimo que Lula poderia fazer é anular a PF em nome dessa aliança.

IMAGEM ABALADA – Achar que Lula vai intervir é uma visão ao mesmo tempo alienada e ingênua. Alienada, porque faz questão de ignorar a dimensão que o caso ganhou e quanto o Supremo está machucado pela crise.

Na falta de sensibilidade política, já começam a surgir indicadores como a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostrando que 35% dos que tomaram conhecimento do escândalo o associam ao STF, e 70% desse universo considera que a imagem do Supremo está abalada.

O mesmo levantamento aponta que 44% dizem que a chance de votar num candidato a senador nas próximas eleições aumentará caso ele apoie o impeachment de ministros. Os pesquiseiros do Planalto e do bolsonarismo já perceberam essa tendência, daí por que não faz sentido para Lula se afundar junto com o Supremo.

INGENUIDADE – Nesse contexto, é de uma suprema ingenuidade imaginar que o presidente, que já largou pelo caminho aliados de uma vida, vá se sacrificar agora por causa das lambanças de Toffoli e Moraes.

Também surpreende a suposição de que a troca do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — que, apesar do relatório sobre Toffoli, sempre se portou como aliado de Moraes —, vá anular o trabalho de dezenas de delegados e agentes. Taí algo que nem Jair Bolsonaro conseguiu, mesmo tentando muito. Além disso, a esta altura da investigação seria inútil.

Embora ainda falte muita coisa para vir à tona, o número de versões do celular de Vorcaro nas mãos de investigadores já é grande o suficiente para que não se possa mais eliminá-las completamente.

MENDONÇA NO COMANDO – Ao substituir Toffoli na relatoria do caso, o ministro André Mendonça ainda estabeleceu contato direto com os delegados e os proibiu de passar informações a superiores hierárquicos.

Pelo jeito, já andava de pé atrás com os uísques caros que Andrei tomou em Londres em abril de 2024 com Moraes, Paulo Gonet e Ricardo Lewandowski, entre dezenas de outros figurões — tudo bancado por Vorcaro.

Isolado no Supremo desde que assumiu o cargo, Mendonça foi o único a votar pela suspeição de Moraes para julgar a trama golpista. É cedo para dizer se abrirá alguma investigação contra o colega de Corte, mas não para constatar que, se em algum momento houve alguma chance de enterrar a apuração, ela já ficou no passado.

CENTRÃO NA MIRA – Para completar o quadro, os documentos com os sigilos fiscais do Master, da Reag e de Vorcaro que vêm desembarcando nas CPIs do INSS e do Crime Organizado já começam a vir à tona, colocando em xeque as lideranças do Centrão.

O primeiro a ser alvejado foi ACM Neto (União Brasil), que os repórteres do Globo descobriram ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag via empresa de consultoria.

Ninguém tem dúvida de que vem muito mais por aí. Não foi por outra razão que os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados adotaram nesta semana o regime de sessões semipresenciais, evitando debates no plenário e driblando a pressão para decidir sobre os pedidos de CPI sobre a mesa.

ANARQUIA DO SISTEMA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), querem mais é serem esquecidos, enquanto tentam achar uma forma de não serem tragados pelo escândalo. É o máximo que podem fazer no momento pelo STF.

Diante da situação, é impossível não se lembrar do diálogo com a namorada em que Vorcaro diz ser “a anarquia do sistema”. A partir de agora, é cada um por si. Quem não entender isso se afundará ainda mais rápido.

Voto de Gilmar vai “ensinar” como anular caso Master e soltar Vorcaro

Tribuna da Internet | Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será decidido na gestão de Gilmar

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já mostramos aqui na Tribuna da Internet que libertar o banqueiro Daniel Vorcaro será um achincalhe nacional, para manchar de vez a imagem do Supremo. É certo que ainda existe quem alimente essa expectativa sinistra, por acreditar que Gilmar Mendes vai conseguir derrubar, um a um, os argumentos de André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques para manter o banqueiro Daniel Vorcaro num presídio de segurança máxima.

Realmente, este é o principal objetivo do decano do Supremo, que prometeu passar o fim de semana estudando detidamente os votos a favor de manter Vorcaro sob segurança máxima, dados nesta sexta-feira pelos outros ministros da Segunda Turma, que Gilmar preside.

PLANO DE GILMAR – No Supremo, já se tem uma ideia sobre as diretrizes de Gilmar, que vem costurando uma tese sobre os vazamentos de informações de inquéritos. A seu ver, a exposição pública “constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade”

Antes de iniciado o julgamento do pedido para libertar Daniel Vorcaro, sob alegação de que ele não oferece risco à sociedade nem tem como prejudicar as investigações ou desfazer provas, Gilmar Mendes já tinha esboçado na rede social X um caminho para anular o caso Master.

“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, enfatizou o ministro por meio do antigo Twitter.

FORA DA LEI – Segundo essa tese, o vazamento de mensagens desrespeita a legislação e pode dar margem à anulação do processo envolvendo Daniel Vorcaro.

“Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, parece ainda mais grave a divulgação de tais diálogos, denotando a urgência de refletir sobre como a intimidade feminina é, historicamente, o alvo preferencial de tentativas de desmoralização e controle”, acrescentou ele, sobre as conversas de Vorcaro com a namorada.

“Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”, argumenta o polêmico ministro.

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P.S. –
Em tradução simultânea, o que Gilmar Mendes pretende é instituir uma nova prática de impunidade, e nem interessa a gravidade do crime. Toda vez em que houver vazamento, a investigação será anulada, algo que não existe no Direito Universal. Ou seja, mais uma “inovação” brasileira que nenhum país do mundo adota, como a proibição de prender criminoso após condenação em segunda instância, adotada em 2019 com entusiástica defesa de Gilmar Mendes, feita sob medida para libertar Lula, já condenado em três instâncias, sempre por unanimidade. (C.N.)

Ministros do STF apenas cumpriram a lei; seria revoltante libertar Vorcaro

Tribuna da Internet | Supremo precisa de autocrítica, para evitar novos conflitos de competência

Charge do Bessinha (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Mantendo preso o facínora e canalha Daniel Vorcaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriram a lei. Não fizeram mais do que obrigação. Mas, também, contribuem para resgatar um pouco a credibilidade da Suprema Corte junto aos brasileiros. Não podem afrouxar. Ceder a pressões inconfessáveis de abutres engomados.

Porque ultimamente o STF anda mais por baixo do que tapete de porão”, diria o sábio Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Que, aliás, no Brasil surrealista atual, escreveria diversas obras do “Febeapá, festival de besteira que assola o país”. 

Desde que Vorcaro foi preso pela segunda vez, a imprensa começou a especular e torcer pela delação premiada do patife. Recordo e reitero que no meu artigo de 30 de janeiro, aqui na tribuna, pontuei: “O script final e mais aguardado é a delação premiada”. 

RÍGIDO E PONTUAL – A boa coluna do Estadão do dia 9 de março revelou que o corregedor nacional de Justiça, o rígido ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)  Mauro Campbell, ordenou que Tribunais de Justiça de 9 Estados “adotem medidas para combater a ocultação de dívidas de consultas públicas do mercado de crédito”.

A decisão de Campbell atinge os tribunais de Justiça de São Paulo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Alagoas, Ceará, Amazonas e Pará. 

TORPEZA – A lista de 50 nomes pré-convocados de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo não tem o nome do cerebral meia Paulo Henrique Ganso. Inacreditável e torpe absurdo. A medonha lista tem nomes de jogadores que não engraxam as chuteiras de Ganso. Atletas que não sabem pensar. Jogadores que não dão um passe certo de 5 metros. 

A idade não é justificativa inteligente nem aceitável para Ganso ficar fora da lista. A CBF deveria chamar a atenção de Ancelotti para a injustificável tolice e agressão ao bom futebol de Ganso.

CORRERIA – Por fim, muito alarde dos filhos e seguidores, correria danada para o hospital, mas os médicos informam que Bolsonaro passa bem e está consciente.

Mas a coisa está feia. É a terceira pneumonia dele em apenas oito meses. E haja antibióticos.

Flávio Bolsonaro aposta em memes e pautas identitárias para ampliar eleitorado

Piada do Ano! Para expulsar conselheiro de Trump, o Itamaraty alegou informações falsas

Bolsonaro é internado na UTI com broncopneumonia aguda, dizem médicos

Mendonça, Fux e Marques mantêm Vorcaro sob “segurança máxima”

Ministro Nunes Marques será relator em ação contra Eduardo Bolsonaro no STF

Nunes Marques não titubeou e deu o voto decisivo: 3 a 0

Felipe de Paula e Fausto Macedo
Estadão

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta, 13, para manter a prisão preventiva do banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, relator do inquérito na Corte, abriu a votação às 11h e foi acompanhado integralmente pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Resta o voto de Gilmar Mendes.

RISCO CONCRETO -Ao votar pela confirmação do decreto de prisão de Vorcaro, o ministro Mendonça enfatizou seus motivos. “Nessa perspectiva, destaco que os crimes investigados envolvem valores bilionários e têm impacto potencial no sistema financeiro nacional”, disse,acrescentando:

“Há, sob outro prisma, evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. E existem forte indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações.”

Ele destacou que o banqueiro e seus aliados continuaram a operar mesmo depois de a PF ter deflagrado a primeira fase da Compliance Zero. “No que diz respeito ao elemento da contemporaneidade, as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes.”

FALTA GILMAR – Luiz Fux e Nunes Marques seguiram o voto do relator, e a questão já está decidida, ou seja, Vorcaro continuará preso em regime de segurança máxima,

O ministro Gilmar Mendes não quis votar e anunciou que somente se manifestará na semana que vem. Segundo membros de sua equipe, ele disse que vai ler os votos dos colegas, para pensar sobre o voto dele.

Antes do julgamento, a especulação era de que Gilmar votaria a favor da libertação de Daniel Vorcaro, e havia dúvidas sobre o voto de Nunes, que preferiu apoiar o relator.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Soltar Vorcaro seria um achincalhe nacional e mancharia de vez a imagem do Supremo. Mas tudo indica que Gilmar vai tentar demolir, um a um, os argumentos de Mendonça, mas não adiantará nada na prática e ficará claro de que lado Gilmar está, se é que ainda exista alguém que alimente essa dúvida. (C.N.)

Briga entre Lula e Trump? Era só o que faltava para complicar a vida do Brasil

Lula X Trump - Por Jeff Castro

Charge do Jeff Castro (Arquivo Google)

Mônica Bergamo
Folha

O presidente Lula decidiu vetar a entrada do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, no Brasil depois de ver a extensa lista de autoridades brasileiras que seguem proibidos de entrar nos EUA. O cancelamento de vistos pelo governo americano atinge magistrados como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, e integrantes do governo, como os ministros Alexandre Padilha e Jorge Messias.

Ativista de ultradireita, Darren Beattie foi nomeado pelo governo dos EUA para o cargo de Conselheiro Sênior de Política para o país.

OBSERVADOR ELEITORAL – Próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o conselheiro Beattie pediu para visitar Jair Bolsonaro na prisão e tentava agendar encontros com diversas autoridades, inclusive com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Sua intenção era acompanhar o processo eleitoral do Brasil— o que foi visto como ingerência indevida pelo Itamaraty.

Beattie é crítico do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, a quem já acusou de ser o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, e que tem tentado restringir a liberdade de expressão nos EUA.

LULA REAGE – O presidente brasileiro citou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como exemplo de autoridades punidas pelo governo Trump com a suspensão.

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula, durante a reinauguração do setor de trauma do Hospital federal do Andaraí.

O número de atingidos pela decisão do norte-americano, no entanto, ultrapassa as duas dezenas.

BARRADOS NOS EUA – Estão com o visto cancelado brasileiros, punidos pelo governo Trump no âmbito do Supremo: o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes; Luís Roberto Barroso (aposentado), e os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin.

Também estão barrados o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Benedito Gonçalves, aquele que tem um filho que vive exibindo enriquecimento ilícito no exterior; Airton Vieira juiz auxiliar do STF que chefia a equipe de Alexandre de Moraes; Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor judicial de Moraes; Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral de Moraes; e José Levi, ex-procurador-geral da República.

Por fim, os seguintes membros do governo: Alexandre Padilha (ministro da Saúde, que tem restrições de locomoção no país), mulher e filha; Jorge Messias (advogado-geral da União); e Mozart Júlio Tabosa Sales (secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O mais patético foi que Moraes autorizou a visita do conselheiro a Bolsonaro, depois foi forçado por Lula a cancelar. E o resultado de tudo isso é que a situação do país só vai piorar com essa briga entre Lula e Trump, dois personagens egocêntricos e desprovidos de caráter. O mundo hoje parece viver numa Idade das Trevas. (C.N.)

Um poema de amor, com Lya Luft mostrando como lutar contra a solidão

30 ideias de Lia Luft para salvar hoje | pensamentos, citações, palavras e  muito maisPaulo Peres
Poemas & Canções 

A professora, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft (1938-2021) era conhecida por suas reflexões profundas sobre as relações humanas, a família e a passagem do tempo. No poema “Canção Pensativa”, sente passar por um momento de solidão, mas sabe que tem de voltar à realidade e buscar um novo amor.

CANÇÃO PENSATIVA
Lya Luft

Um toque da solidão, e um dedo
severo me traz à realidade: não depender
dos meus amores, não me enfeitar
demais com sua graça, mas ver
que cada um de nós é um coração sozinho.

Cada um de nós perenemente
é um espelho a se mirar, sabendo
que mesmo se nesse leito frio e branco
um outro amor quer derramar-se em nós,
entre gélido cristal e alma ardente
levantam-se paredes para sempre.

(E para sempre
a amante solidão nos chama e abraça.)

Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva petróleo a US$ 101 e cria risco político para Lula

Alta do petróleo após conflito pressiona inflação

Poliana Santos
CNN

Há mais de uma semana, os Estados Unidos e Israel atacam o Irã, ampliando o conflito no Oriente Médio. Os desdobramentos da crise, que ocorre a sete meses das eleições presidenciais brasileiras, podem impactar diretamente o cenário político de 2026, a depender da duração e da intensidade da guerra.

“Todo conflito de grandes proporções impacta o cenário doméstico de qualquer país”, afirmou o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino. “No momento, observamos impacto econômico, principalmente na questão do petróleo, o que deve desequilibrar a narrativa do governo Lula”.

PREÇO DO BARRIL – Os preços do petróleo acumulam alta assustadora. Nesta quinta-feira, o Brent,  referência global da commodity,  chegou a US$ 191,75 o barril, resultado da interrupção no fornecimento de combustíveis provocada pela guerra. “Se a alta recente do Brent se provar persistente, um aumento no preço da gasolina será inevitável”, escreveu o economista-chefe da XP, Caio Megale, em relatório divulgado em março.

Caso o petróleo permaneça elevado ao longo de 2026, os custos tendem a se difundir pelas cadeias produtivas de bens industriais, alimentos e serviços, encarecendo o custo de vida da população. Segundo especialistas, os mais afetados seriam os brasileiros de baixa renda, base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

CUSTO DE VIDA – Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP, avalia que a inflação pressionada pode afetar a percepção da população: “Isso seria muito ruim para o eleitor que recebe Bolsa Família, que recebe até dois salários mínimos, para o qual o custo de vida seria o mais afetado e que é a grande base social e eleitoral do Lula. Acho que Lula dificilmente escapará do efeito disso”.

Do lado da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como forte candidato nas pesquisas, deve explorar o tema para atacar o governo. Até aqui, o Planalto tem destacado indicadores econômicos positivos e trabalhado em pautas populares, como a escala 6×1. Mas, segundo Consentino, “mexer com o petróleo em um momento como esse certamente pode bagunçar esses indicadores”.

Já Caio Megale observa que, no curto prazo, a arrecadação tributária segue forte e a alta do petróleo pode até gerar receita adicional. “O recente salto nos preços do petróleo em resposta ao conflito no Irã, de aproximadamente 60 para 80 dólares por barril, pode gerar uma receita líquida adicional de R$ 21,4 bilhões em 2026. Contudo, o cenário de aumento da dívida pública persiste, e os riscos fiscais podem crescer à medida que a eleição se aproxima”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO governo suspendeu os impostos federais sobre o diesel, mas os Estados não poderão eliminar o imposto, porque estão financeiramente quebrados. O diesel é a grande carência nacional, devido à inexplicável falta de refinarias. Aliás, essa escassez é programada, para manter a importação desse combustível, maior alimentador da eterna corrupção na Petrobras, que a Lava Jato ia combater, mas foi liquidada pelo Supremo antes de limpar à política externa da estatal. A crise reflete a falta de planejamento do governo, que não acelerou o programa do biodiesel e abandonou o exitoso Proálcool. Hoje, os Estados Unidos plantam muita cana e produzem mais álcool que o Brasil, que está importando o produto, algo que devia nos encher de vergonha. Ah, Brasil, com esses governantes, você só pode crescer à noite, quando eles estão dormindo… (C.N.)

PL pressiona Ratinho Jr. a desistir do Planalto e ameaça romper com PSD no Paraná

Empate nas pesquisas e a verdadeira batalha desta eleição presidencial

Campo político se reorganiza em torno de uma polarização

Pedro do Coutto

A nova pesquisa divulgada pelo instituto Quaest trouxe um elemento que muda o ritmo da disputa presidencial: um empate técnico entre o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O levantamento indica que ambos aparecem com cerca de 41% das intenções de voto nesse cenário, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O dado, embora ainda distante da eleição, sinaliza que a corrida presidencial caminha para uma disputa altamente competitiva. Pesquisas anteriores mostravam vantagem mais confortável para Lula, mas a diferença foi diminuindo ao longo dos últimos meses, consolidando Flávio como o principal nome da direita na disputa nacional.

CAMPANHAS ELEITORAIS – Mas pesquisas são fotografias de um momento — e não o filme completo da eleição. A história política brasileira mostra que campanhas eleitorais são capazes de alterar percepções públicas, consolidar lideranças ou produzir reviravoltas inesperadas. O empate técnico revelado pela Quaest, portanto, é menos um prognóstico definitivo e mais um sinal de que o campo político começa a se reorganizar em torno de uma polarização que, mais uma vez, opõe lulismo e bolsonarismo.

Para Lula, o desafio central será preservar o eleitorado que o levou de volta ao Planalto e ampliar pontes com o centro político. A estratégia tradicional do petismo costuma combinar duas frentes: a defesa de resultados econômicos e sociais do governo e a tentativa de apresentar o adversário como uma ameaça institucional. Em eleições anteriores, essa narrativa funcionou para mobilizar setores progressistas e parte do eleitorado moderado.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta trilhar um caminho mais complexo. Embora carregue o peso político do sobrenome e do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua campanha busca construir uma imagem menos confrontacional, capaz de dialogar com eleitores que rejeitam a radicalização política. A aposta de aliados é que ele represente uma versão mais moderada do bolsonarismo, mantendo a base conservadora mobilizada sem afastar o eleitor de centro.

MÍDIAS – No entanto, a eleição não será decidida apenas pelas identidades políticas dos candidatos. O terreno decisivo estará nas campanhas — especialmente na capacidade de cada lado de dominar três arenas fundamentais da política contemporânea: televisão, redes sociais e imprensa.

A televisão ainda mantém peso relevante na formação de opinião, sobretudo entre eleitores mais velhos e em regiões onde o acesso à internet é menos intenso. Já as redes sociais se tornaram o espaço privilegiado da disputa narrativa, onde militâncias organizadas, influenciadores e campanhas digitais tentam moldar percepções em tempo real. E os jornais — impressos e digitais — continuam desempenhando um papel importante na agenda pública, pautando debates e revelando fatos que podem influenciar o humor do eleitorado.

Outro fator determinante será a capacidade de cada candidatura de construir alianças políticas nos estados. O Brasil continua sendo um país de dimensões continentais, onde palanques regionais, governadores e lideranças locais desempenham papel decisivo na transferência de votos. Uma campanha nacional sólida exige articulação territorial — algo que historicamente tem peso nas eleições presidenciais.

CONTEXTO ECONÔMICO E SOCIAL – Também não se pode ignorar o impacto do contexto econômico e social. Inflação, emprego, renda e segurança pública costumam influenciar o humor do eleitorado de forma direta. Governos que conseguem transmitir sensação de estabilidade econômica tendem a chegar mais fortes à disputa, enquanto crises ou escândalos políticos podem alterar rapidamente o cenário eleitoral.

Nesse sentido, o empate técnico revelado pela Quaest não significa necessariamente equilíbrio definitivo. Significa, sobretudo, que a eleição entrou em uma fase de disputa aberta. Lula ainda possui a vantagem da incumbência e da visibilidade do cargo, enquanto Flávio Bolsonaro tenta capitalizar o desgaste natural de um governo em exercício e reorganizar a direita em torno de seu nome.

No fundo, a eleição presidencial que se desenha no horizonte parece repetir um padrão já conhecido da política brasileira contemporânea: uma disputa polarizada, intensa e marcada por narrativas fortes. Mas, como sempre acontece em democracias vibrantes, o resultado final dependerá menos das pesquisas de hoje e mais da capacidade de cada campanha de convencer o eleitor de amanhã.