Em busca de votos, governo Lula bate recorde e libera mais R$ 1,5 bilhão em emendas

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Augusto Tenório
Brasília

O governo Lula (PT) pagou R$ 1,5 bilhão em emendas parlamentares até a primeira semana de fevereiro, maior valor liberado no mesmo período em série histórica iniciada em 2016.

O pagamento recorde se dá no ano de eleições no país e sob a promessa do Planalto de acelerar a liberação dos recursos indicados por deputados e senadores. A verba ainda supera o dobro dos R$ 634,53 milhões pagos no último ano —os valores são atualizados pela inflação. Até então, o maior volume da série tinha sido em 2021, quando cerca de R$ 770 milhões foram desembolsados.

RECLAMAÇÕES – O levantamento considerou dados do painel Siga Brasil, portal da Consultoria de Orçamentos do Senado, sobre valores pagos em emendas de 1º de janeiro a 6 de fevereiro. Toda a verba desembolsada no período é de indicações apresentadas em anos anteriores e que estavam inscritas em restos a pagar. Integrantes do governo afirmam que a liberação recorde é resultado de um esforço para melhorar a relação com o Congresso Nacional. No ano passado, a gestão petista foi alvo de reclamações na própria base pela baixa execução dos recursos do Legislativo.

A situação do governo só melhorou após o Planalto prometer que executaria as emendas de 2025 até dezembro. Cerca de 97% do valor foi empenhado, o que acelerou para 2026 o pagamento das indicações do ano anterior. O ritmo da liberação das emendas também é influenciado por fatores como o cronograma de execução de uma obra —conforme ela avança, mais verba é liberada para quitar o que já foi erguido. Além disso, diversos repasses se tornaram alvos de ações no STF (Supremo Tribunal Federal), nos últimos anos, e só foram autorizados com a apresentação de dados mais transparentes e planos de trabalhos.

Para este ano, com eleições em outubro, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) determina que o governo federal pague 65% das emendas individuais e de bancadas estaduais até o fim de junho. Foi uma maneira que os congressistas encontraram para obrigar o Planalto a irrigar suas bases antes do pleito.

A CONTRAGOSTO – No caso de uma emenda destinada a uma obra cuja liberação tenha ocorrido antes do período eleitoral, o Executivo pode continuar pagando mesmo depois, por já ter iniciado o processo. A inclusão do dispositivo no Orçamento deste ano aconteceu a contragosto do governo Lula. Mas o calendário de pagamento de emendas acabou mantido diante do desejo do Planalto de evitar deflagrar uma nova crise com o Congresso.

Desde 2015, parlamentares promoveram profundas mudanças, inclusive na Constituição, para ampliar o controle e volume das emendas. Hoje, são impositivas, ou seja, de pagamento obrigatório, as indicações individuais e das bancadas estaduais. O avanço do Congresso sobre o Orçamento se escancarou a partir de 2020, quando houve um salto de R$ 18,3 bilhões para R$ 48,6 bilhões em emendas empenhadas, considerando valores atualizados pela inflação. A alta foi puxada pelas chamadas emendas do relator, que o STF declararia inconstitucional em 2022.

O aumento das emendas também amplia o estoque de valores empenhados e que precisam ser quitados nos anos seguintes. O Orçamento de 2026 tem mais de R$ 35,4 bilhões em verbas nessa situação, chamadas de restos a pagar. Nos últimos anos, o governo ainda encontrou maiores obstáculos para acelerar a liberação das verbas nos primeiros meses, pois o Congresso levou mais tempo para aprovar o Orçamento, limitando o valor que poderia ser inicialmente gasto. O Orçamento de 2026 passou em dezembro no Legislativo, enquanto a lei do ano anterior só foi aprovada no fim de março.

Em janeiro, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que o governo cumpriria a determinação de acelerar o pagamento de emendas antes do período eleitoral. “Nós concordamos em ter esse dispositivo de pagamento das emendas impositivas que sejam de transferência fundo a fundo até junho”, afirmou a articuladora política de Lula.

Apesar disso, o Planalto ainda não começou a liberação das emendas de 2026. Até o dia 6 de fevereiro, o governo se dedicou a escoar as transferências travadas em anos anteriores. Cerca de R$ 1 bilhão do valor quitado é de emendas de 2025, R$ 180 milhões são 2024 e R$ 103 milhões foram indicados em 2023.

As emendas consumiram cerca de 22% do orçamento discricionário de 2025. Trata-se da verba que não está carimbada por obrigações, como pagamento de salários, e pode ser aplicada em investimentos e no custeio de políticas públicas. No caso do Ministério do Turismo, quase 80% do recurso discricionário foi executado por emendas.

Em 2026, as emendas ainda devem responder por mais de um terço da verba de cinco ministérios, sendo que o controle chega a 68,7% dos recursos discricionários do Turismo.

Divisão no Senado isola direção do PP e politiza ainda mais o caso Dias Toffoli

Escolas de samba criaram a Ópera do Sonho-Folia no carnaval brasileiro

Carnaval 2026: veja a programação dos desfiles no Rio de Janeiro (Riotur/Marco Antônio Cavalcanti)Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, nos poemas “Samba Nna Escola” e “Zeca-José”, inspira-se nas lembranças históricas do carnaval carioca.

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SAMBA NA ESCOLA

Paulo Peres

Grandes sociedades, ranchos, blocos e cordões
Através da organização, tal realeza dos salões…
Criaram as Escolas de samba no Rio de Janeiro,
Ópera do sonho-folia do carnaval brasileiro.

Deixa Falar, primeira escola fundada
No Estácio, local de bamba, abençoada
Pelo samba de afro-baiana origem
E tempero carioca, democratizou a imagem.

Na Praça Onze, casa da Tia Ciata,
O batuque, compasso 2/4, reuniu a nata
Da malandragem, hoje, sambistas geniais.

O surdo e o tamborim rítmaram os usuais
Instrumentos e cantos; tal marcação harmonia
Fez do samba uma escola desfilando poesia.

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ZECA-JOSÉ
Paulo Peres

Viva o Zé Pereira
Viva o carnaval
Batucada feiticeira
Na folia imperial

Na memória do Brasil
Festas vindas de Portugal
Zé Pereira substituiu
O Entrudo inicial

A história transformou
Zé Pereira em José
Zeca então referendou
Seu destino (vai-e-tem)

Tal Zeca pedreiro
E José batuqueiro
Ele vai vivendo
E filhos nascendo

Tijolo em tijolo
Sonhando subir
O samba é o consolo
Prá vida cutir

Acorda o sentido
No passar repetido
Da escola de samba,
Brasileiro bamba

No trem é pingente
É Zeca pedreiro
No samba é expoente
É José batuqueiro

Vai fantasiado de fome
E de medo
Procura o seu nome
No meio do enredo

“Vazamento” da reunião do Supremo escancarou o baixo nível dos ministros

VAZAMENTO DE REUNIÃO E SAÍDA DE RELATORIA ELEVAM TENSÃO NO STF - Sem  Fronteiras TV

Toffoli conseguiu apoio e solidariedade de sete ministros

Roberto Nascimento

O surpreendente vazamento do teor da reunião secreta do plenário do Supremo Tribunal Federal, na última quinta-feira, teve uma importância muito especial porque escancarou duas realidades que vêm sendo criticadas nos últimos anos – o danoso corporativismo que impera numa instituição que deveria operar exclusividade com base na lei, doa a quem doer, e o incrível baixo nível dos ministros, revelado por suas afirmações sem o menor sentido.

O ministro Flávio Dino, por exemplo, que foi aprovado em primeiro lugar no concurso para juiz federal em 1994, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e deveria ostentar notável saber, disse que Toffoli tinha “fé pública”.

PÉROLA RARA – Esta afirmação de Dino foi uma pérola rara, porque os atos de qualquer magistrado só têm fé pública quando são corretos, dentro da lei e da ética, sem prova em contrário, o que decididamente não é o caso de Dias Toffoli, cuja fé pública foi inteiramente destroçada pelas 200 páginas do relatório da Polícia Federal.

Outros sete ministros – incluindo Toffoli, é claro – concordaram com essa posição corporativista de Dino, e até consideraram um lixo jurídico o criterioso relatório da Polícia Federa, que passou a ser linchado pelos defensores de Toffoli.

Assim, essa reunião pouco secreta e nada republicana não teve serventia para debelar a crise suprema e apenas registrou  a renúncia de Toffoli ao cargo de relator do Caso Master, atendendo a pedidos.

A CRISE AUMENTA – Com a divulgação de importantes trechos da reunião, o desgaste do Supremo só fez aumentar e já começou também o vazamento de transcrições das reveladoras conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos e autoridades da República.

O resultado dessas decisões teratológicas explícitas, nessa reunião que ia ser secreta, deram mídia para o pastor Silas Malafaia convocar mais um comício em São Paulo, no dia 1º de março. O pastor vai bater duro em Dias Toffoli e Alexandre de Morais, para pedir impeachment dos ministros, pressionando Davi Alcolumbre, presidente do Senado, a abrir os processos.

Por fim, o Brasil está vivendo uma crise anunciada e sem precedentes, mas devemos lembrar que a luz do sol e a transparência são os maiores aliados da democracia, enquanto o sigilo e a censura, ao contrário, são a base de toda ditadura.

Carnaval vira batalha eleitoral: oposição mira inelegibilidade de Lula

Oposição disse que entrará com processo no TSE

Sarah Teófilo
O Globo

A oposição partiu para o ataque após o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio de Janeiro e ironizou a oposição, especialmente o bolsonarismo. O partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do petista.

O senador afirmou nas redes sociais que a ação contra “os crimes do PT na Sapucaí” será protocolada rapidamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No domingo, o senador declarou que o presidente utilizou dinheiro público para fazer campanha antecipada durante o carnaval e comparou o episódio à decisão que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível.

AÇÃO INVESTIGATIVA – O partido Novo informou, na manhã desta segunda-feira, que ingressará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) assim que houver o registro formal de candidatura de Lula. A legenda já protocolou representação no TSE e informou que também há medidas em curso no Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, houve “propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público”. “Não estamos diante de um debate político, mas de um fato jurídico. Houve propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público. A consequência prevista na lei é clara e rigorosa”, afirmou em nota.

Para o partido, o desfile da Acadêmicos de Niterói caracterizou abuso de poder político e econômico ao utilizar recursos públicos para promover a imagem de Lula em contexto pré-eleitoral. A legenda sustenta que o evento deixou de representar uma manifestação cultural espontânea e assumiu contornos de promoção eleitoral.

CASSAÇÃO – Na AIJE, o Novo pretende requerer a cassação do registro de candidatura e a declaração de inelegibilidade do presidente, com fundamento em abuso de poder político e econômico. Em nota, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) afirmou que o desfile “ultrapassou os limites do debate cultural” e ingressou em “grave preocupação institucional”. Segundo ele, houve exaltação direta de liderança política em ano eleitoral.

Zucco também criticou alegorias que, segundo ele, ridicularizaram adversários políticos e atingiram valores cristãos. O parlamentar afirmou que serão analisadas medidas junto à Justiça Eleitoral e outras instâncias de controle para apurar eventual propaganda extemporânea, abuso de meios de comunicação e possíveis violações a direitos fundamentais, além de providências relacionadas à proteção da liberdade religiosa.

EXALTAÇÃO – Pelo X, Lula disse apenas que esteve na Marquês de Sapucaí e acompanhou o desfile de quatro escolas, após passar pelo carnaval de Recife e Salvador. Ao exaltar as festividades de forma mais ampla, Lula tenta construir uma distância regulamentar dos questionamentos sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói.

“O Rio é uma referência mundial de Carnaval e de turismo. A Marquês de Sapucaí mostra ao planeta a força das nossas escolas de samba, a criatividade do nosso povo e a capacidade que o Brasil tem de transformar cultura em desenvolvimento, emprego e renda. Tenho muito orgulho de ver o Brasil brilhando assim para o mundo inteiro”, escreveu.

Na quinta-feira da semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedidos de liminar em duas representações por propaganda eleitoral antecipada apresentadas pelos partidos Novo e Missão sobre o desfile da escola de Niterói. Os ministros acompanharam o entendimento da relatora, ministra Estela Aranha, que afirmou não haver clareza prévia sobre violação da lei e que eventuais abusos deveriam ser apurados posteriormente, de acordo com a legislação. “Não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada, nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade”, afirmou a ministra na ocasião

Alckmin na vice: a peça de equilíbrio que Lula dificilmente deveria trocar

Manter Alckmin é seguir uma estatégia que deu certo

Pedro do Coutto

Há momentos na política em que a escolha de um vice-presidente ultrapassa a formalidade institucional e se transforma em símbolo de equilíbrio, moderação e estratégia eleitoral. Foi exatamente isso que representou a presença de Geraldo Alckmin na chapa de Lula da Silva em 2022. E, à luz do cenário atual, é pouco plausível imaginar que Lula cogite abrir mão dessa parceria para a disputa pela reeleição.

A política brasileira é feita de gestos que comunicam mais do que discursos. Ao escolher Alckmin como vice, Lula não apenas ampliou sua base eleitoral no principal colégio do país, São Paulo, como também enviou um recado de conciliação institucional e de compromisso com a governabilidade. O ex-governador paulista representou, para parcelas decisivas do eleitorado, uma garantia de moderação e previsibilidade — atributos que, em eleições polarizadas, costumam pesar mais do que promessas grandiosas.

CONQUISTA CONSTRUÍDA – A margem estreita da vitória em 2022 reforça essa leitura. Não se tratou de um triunfo avassalador, mas de uma conquista construída voto a voto, com alianças cuidadosamente calibradas. Nesse contexto, Alckmin foi mais que um complemento: foi um fator de estabilidade. Sua presença ajudou a reduzir resistências históricas ao petismo em setores do centro político e do empresariado, contribuindo para ampliar a aceitação da chapa em um momento de forte divisão nacional.

No exercício do cargo, o comportamento do vice-presidente tem sido, em linhas gerais, discreto e institucionalmente correto. Em um sistema político frequentemente marcado por disputas internas e protagonismos concorrentes, a lealdade política se converte em ativo raro. Alckmin tem operado como articulador silencioso, evitando ruídos e reforçando a imagem de coesão do governo — algo que, para um presidente que busca a reeleição, vale tanto quanto um pacote de votos adicionais.

A hipótese de substituí-lo, portanto, carece de lógica política consistente. Trocar um vice consolidado, que agrega eleitorado e transmite confiança, por uma aposta incerta seria assumir um risco desnecessário. Em campanhas presidenciais, a escolha do companheiro de chapa não é exercício de vaidade, mas cálculo pragmático: quem soma mais e quem reduz rejeições. Nesse quesito, Alckmin já foi testado nas urnas e no governo.

DESAFIO – Além disso, eventuais movimentos dentro do lulismo por um novo nome enfrentariam um desafio óbvio: encontrar alguém com capacidade equivalente de dialogar com o centro político, com experiência administrativa reconhecida e com histórico de fidelidade institucional. Não se trata apenas de somar votos, mas de preservar uma narrativa de equilíbrio que foi fundamental para a vitória anterior e que segue relevante diante de um eleitorado ainda polarizado.

Em política, mudanças estratégicas costumam ocorrer quando há desgaste ou perda de eficácia de uma fórmula vitoriosa. Não parece ser o caso. Ao contrário, a manutenção de Alckmin reforça a ideia de continuidade responsável e estabilidade política — valores que, em tempos de incerteza econômica e institucional, tendem a ser valorizados por parcelas significativas da sociedade.

DÚVIDAS – Assim, a eventual substituição do vice não apenas deixaria de agregar vantagens concretas como poderia gerar dúvidas desnecessárias sobre os rumos da candidatura. Em disputas apertadas, a confiança do eleitor é um capital precioso, e romper com uma parceria que já demonstrou eficiência poderia abrir flancos onde hoje há solidez.

Por tudo isso, a leitura mais realista é que Lula não tem incentivos políticos relevantes para alterar a composição de sua chapa. Ao contrário: manter Alckmin ao seu lado parece ser menos uma escolha circunstancial e mais a continuidade de uma engenharia eleitoral que já se provou funcional — e que, até aqui, permanece como uma das bases mais seguras de sua estratégia.

Apesar das “pressões”, relator da CPI vai convocar os irmãos de Dias Toffoli

i7 Notícias - Irmão do ministro Toffoli, padre de Marília é afastado de  paróquia após virar sócio em Resort

Carlão, irmão de Toffoli, é padre e foi afastado da paróquia

João Pedro Bitencourt
Estadão

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) admitiu que sofre pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de políticos, dentro e fora do Congresso, para impedir que a comissão vote a convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli.

A declaração foi dada nesta sexta-feira, 13, em entrevista à GloboNews. Posteriormente, a assessoria do senador Alessandro Vieira afirmou que ele não disse estar sofrendo pressão de ministros do STF, mas apenas reconheceu que há pressão em torno dos trabalhos da CPI.

NO CELULAR – Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master após a Polícia Federal (PF) encontrar menções a ele no celular do dono da instituição, Daniel Vorcaro.

Como revelou o Estadão, a empresa dos irmãos do ministro, da qual Toffoli enfim admitiu que é sócio e vendeu sua fatia no empreendimento no Paraná a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Como mostrou o Estadão, o ministro recebeu dinheiro dessa empresa, que realizou negócios com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro. Toffoli confirmou que é sócio da empresa, mas afirmou que não mantém “relação de amizade” com o banqueiro.

SOFRE PRESSÃO – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) admitiu que sofre pressão para impedir que a CPI do Crime Organizado vote a convocação do ministro Dias Toffoli, do STF.

“Sempre há pressão quando se lida com investigados deste tamanho. São bilhões de reais e figuras muito poderosas nas três esferas do poder”, disse Vieira. “Isso é completamente previsível. Não foi a primeira vez nem será a última.”

Vieira classificou como “vexame” a nota assinada por todos os magistrados do STF em defesa de Toffoli. “Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas, ao mesmo tempo, afirma que ele é imaculado e intocável”, declarou.

BLINDAGEM – O senador também criticou o fato de apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poder autorizar a investigação de ministros da Corte. “Há um paradoxo no Brasil. É uma decisão quase unilateral da PGR e isso limita muito a nossa democracia”, afirmou.

Vieira disse que a expectativa é que a votação da convocação ocorra após o carnaval, em 24 de fevereiro, data marcada para a próxima reunião da CPI. Segundo ele, a decisão de pautar o requerimento foi tomada pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

“Eu vejo a votação como fundamental para darmos um respaldo e uma amplitude para a investigação. Temos quatro grandes escândalos que se entrelaçam: emendas parlamentares, Carbono Oculto, INSS e, agora, o Banco Master”, afirmou.

MULHER DE MORAES – A CPI do Crime Organizado também pretende votar após o carnaval requerimentos de quebra de sigilo e convocação relacionados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

O contrato do escritório com o banco de Daniel Vorcaro, conforme revelou O Globo, poderia chegar a R$ 129,6 milhões se fosse cumprido integralmente.

A CPI também pretende investigar as transações envolvendo o Tayayá Resort, então ligado à empresa Maridt, com participação de donos do Banco Master e dos irmãos de Toffoli.

TUDO ENTRELAÇADO – “Quando você olha mais de perto, percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag etc., e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado”, disse Vieira

Criada em novembro do ano passado, a CPI do Crime Organizado no Senado investiga temas como ocupação de território por facções, lavagem de dinheiro, corrupção e sistema prisional. Para o relator, há conexões que justificam a inclusão do Banco Master no escopo da investigação.

Por sua vez, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) disse que solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a devolução à comissão de todos os documentos referentes às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, 24 de fevereiro é o Dia D do caso Master. Se a CPI conseguir convocar os irmãos de Toffoli, é sinal de que Alcolumbre, Lula e o Supremo estão em minoria na comissão, que então vai dar show, chamando o próprio Vorcaro e a mulher de Moraes. E o país vai parar quando a TV Senado estiver transmitindo ao vivo essa suprema lavagem de roupa suja. (C.N.)

Direita paulista prevê disputa dividida ao Senado com possível candidatura de Haddad

Dirigentes da direita preveem eleição legislativa “dividida”

Vinícius Murad
CNN

A possibilidade de Fernando Haddad (PT) sair candidato ao Senado em São Paulo nas eleições de 2026 repercute entre dirigentes de partidos da centro-direita paulista. Segundo dirigentes que compõem a coalizão que apoia Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pela reeleição ao governo estadual, a tendência é que a eleição seja dividida. O plano do grupo é eleger dois nomes ao Senado neste ano, uma vez que, em 2026, serão duas cadeiras em disputa.

Fontes revelaram à CNN Brasil que o otimismo sobre eleger dois candidatos do grupo “enfraqueceu”. A leitura é pragmática e baseada em pesquisas internas. O nome de Haddad pode performar de forma significativa na região metropolitana da capital, elegendo o ministro da Fazenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e deixando apenas uma cadeira para a direita.

FORA DO JOGO – A chapa da centro-direita deve ter Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública e deputado federal, ao lado de um nome decidido pelo PL. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), apontado como postulante na disputa, não tende a ser o escolhido, visto que está morando nos Estados Unidos depois de perder o mandato na Câmara. Ele defende o deputado estadual Gil Diniz (PL) como candidato.

Há meses existe um acordo verbal de que os nomes ao Senado seriam Derrite e alguém a ser escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, a insistência de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, por indicar o companheiro de chapa de Tarcísio pode mudar o cenário. A cadeira de vice, que hoje está com o PSD de Gilberto Kassab, ao ir eventualmente para o PL, poderia abrir espaço para que a “segunda candidatura” ao senado vá para o PSD.

Lula ataca a Polícia Federal, porque o celular complica o Planalto e o PT

Photo by Beto Dorigatti (@betodorigatti) · February 1, 2026

Charge do Beto Dorigatti (@betodorigatti)

Carlos Newton

Do alto de sua arrogância de fraudador bilionário, o estelionatário Daniel Vorcaro usou a fortuna que o pai amealhou em Minas Gerais e criou um grupo financeiro na base da multiplicação da lavagem de dinheiro. Assim, um mesmo investimento podia ser replicado diversas vezes, sem levantar suspeitas no Banco Central e na Comissão de Valores Mobiliários.

A principal isca para atrair rentistas foi o oferecimento de juros abusivos em CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), que têm aval do Fundo Garantidor de Crédito), circunstância que tranquiliza o aplicador.  

SEGURANÇA MÁXIMA – Tudo ia bem e parecia ser um crime perfeito, possibilitando que Vorcaro passasse a usar parte dos lucros para investir no suborno de destacadas autoridades da República.

A obsessão do estelionatário era operar em segurança máxima, e assim conseguiu se infiltrar no Supremo, no Planalto e no Congresso. Mas o crime perfeito não existia e os CDBs começaram a vencer, levando Vorcaro a procurar o governador Ibaneis Rocha, para fazer o Banco Regional de Brasília comprar o Master.

Apesar da intervenção do Banco Central e da liquidação extrajudicial do Master, Vorcaro ainda se achava seguro, devido ao enorme rol de autoridades e políticos que subornou.

MALDITO CELULAR – O banqueiro tinha total confiança no caríssimo celular que usava, tido como o mais seguro do mundo, sem possibilidade de sofrer devassa. Realmente deu muito trabalho, mas os peritos da Polícia Federal têm ligação com empresas israelenses criadas por especialistas do serviço secreto Mossad, que derrubam qualquer criptografia.

Deriva daí a irritação do presidente Lula da Silva com o método usado pela PF contra Toffoli no caso Master. O celular de Vorcaro cita ligações com dirigentes petistas e ministro ligados ao Planalto, como Rui Costa, Dias Toffoli. Alexandre Moraes, Ricardo Lewandowski, Guido Mantega, Jaques Wagner e outros mais.

Lula partiu para o ataque criticando a PF por ter investigado Toffoli sem autorização do Supremo. Disse que o assunto deveria ter sido conduzido pela PF de forma institucional, por meio do Ministério da Justiça, a quem a PF é subordinada.

CRÍTICAS À PF – A notícia distribuída à imprensa amestrada diz que Lula criticou a PF por ter cruzado informações, ao invés de fazer um relatório apenas informativo sobre o conteúdo encontrado no celular.

Lula acrescentou que o diretor Andrei Rodrigues deveria ter primeiro submetido o material à Procuradoria-Geral da República, e não ter levado o relatório diretamente ao STF.

Não é preciso ter mais de dois neurônios para perceber que a Polícia Federal não confia no procurador-geral Paulo Gonet, que obedece Lula cegamente e é amigo e ex-sócio de Gilmar Mendes.

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P.S.
Agora, “acabou chorare”, como dizia Bebel Gilberto, aos seis anos, quando os pais moravam no México e ela misturava português e espanhol. Lula pode chorar a vontade, bancar escola de samba para homenageá-lo, mandar a Janja rebolar na avenida, tudo isso será em vão.  O Carnaval acaba logo e a CPI do Crime Organizado vai começar a convocar os suspeitos do caso Master. O tempo não para e conspira contra essa gente que é viciada em desviar dinheiro público, conforme confessou Sérgio Cabral, antes de ser solto para desfrutar o que sobrou do enriquecimento ilícito. (C.N.)

Refletir sobre felicidade, forçosamente, significa encarar também a infelicidade

Ilustração de Ricardo Cammarota está em formato horizontal, proporção aproximada de 13,9 × 9,1 cm. A imagem foi criada manualmente com pincel e nanquim sobre papel, com traços tortuosos, orgânicos e estilizados, e uso intenso de hachuras para construção de volume e textura. A coloração foi aplicada digitalmente. A composição apresenta dois rostos humanos estilizados, sem corpo, posicionados lado a lado e levemente inclinados um em direção ao outro, ocupando quase toda a área da imagem. * O rosto à esquerda, em vermelho-alaranjado, possui contornos grossos em preto, olhos brancos sem pupilas e boca pequena, fechada, em tom lilás. As linhas de expressão são densas e irregulares, e a expressão facial sugere raiva ou tristeza. * O rosto à direita, em lilás, também delineado em preto, apresenta olhos brancos sem pupilas e boca levemente curvada para cima, em tom alaranjado, indicando uma expressão de sorriso. As hachuras acompanham a forma do rosto, criando sensação de relevo e movimento. Os dois rostos se tocam ou quase se encostam na região central, formando uma composição de contraste entre as expressões. O fundo é branco, sem outros elementos visuais.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Para mim, Sigmund Freud disse tudo o que se tem a dizer sobre o dualismo felicidade e infelicidade, de forma sintética, no seu grandioso “Mal-Estar na Civilização”: a felicidade é episódica, e ela não parece fazer parte dos planos da criação.

O tema “felicidade” deve ser o topo da lista de vendas em qualquer plataforma de conteúdo no século 21. Chama a atenção o fato que não deixemos claro que o ponto de partida do tema seja o caráter estrutural da infelicidade. O que está em questão aqui, na verdade, é o dualismo felicidade e infelicidade. Falar de uma é, necessariamente, falar da outra.

CIÊNCIA DA FELICIDADE – Se pegarmos, por exemplo, o best-seller americano de Arthur Brooks “The Happiness Files”, ou arquivos da felicidade, de 2021, vemos um exemplo do que hoje se chama “ciência da felicidade”.

A primeira parte do livro mapeia, de forma didática e consistente, as principais causas da infelicidade em nosso ridículo século. Numa tradução selvagem, “Fazendo a gestão de si mesmo” é o título da primeira parte, com fracassos, exaustão, dificuldade de dizer “não”, em que a prática da autocontenção ajuda muitas vezes.

Uma vez tendo as necessidades básicas assistidas, o resto importa pouco ou, ao contrário do que pensavam os românticos e existencialistas, a tão glamourizada autenticidade pode levar você a encher o saco dos outros, mas levar à felicidade é muito pouco provável

E POR AÍ VAI – O autor, sem dúvida, analisa as principais causas que nos atormentam no mundo contemporâneo, passando por temas como redes sociais, polarização, política — territórios que para o autor são uma enorme cilada como esperança de alguma felicidade—, consumo, medo, insegurança social. Se olharmos mais a fundo para esse dualismo, veremos que a filosofia nunca encontrou um grande denominador comum ao refletir sobre ele.

Na Antiguidade, foi muito comum em pensadores como Aristóteles, Epicuro e estoicos entenderem a felicidade como o resultado de uma construção pessoal, na interação com a pólis ou a política — principalmente em Aristóteles. A ideia de esforço contínuo que levaria as pessoas a atingirem um certo controle sobre o desejo —sob o olhar antigo, ao contrário do olhar contemporâneo, um grande amigo da infelicidade.

A felicidade seria uma espécie de “segunda natureza” atingida por meio do esforço da virtude em busca da excelência no exercício das próprias virtudes. Aliás, para muitos, a concepção de virtude em si é a ideia de excelência prática de bons comportamentos.

DESEJO COMEDIDO – No caso do epicurismo é muito clara a busca de um desejo comedido, próximo das necessidades básicas, parceiro da ideia de que prazer é a ausência de dor. No estoicismo, a busca pelo autodomínio é essencial, assim como superar a intenção de controlar o incontrolável, em si a maior parte das coisas na vida. Arriscaria dizer que o estoicismo, nesse caso, faz um enorme contraponto à ideia moderna de que a felicidade é resultado de mecanismos cada vez mais aperfeiçoados de controle das infinitas variáveis que nos assolam.

A filósofa contemporânea Martha Nussbaum, especialista em antiguidade grega e ética trágica, acrescentaria, com razão, a ideia de que a felicidade, como um bem individual e coletivo que é, seria uma frágil realização em meio à fúria da contingência ou, como também se diz em filosofia, da fortuna. Os romanos cultuavam mesmo uma deusa da fortuna, minha deusa predileta.

Agostinho, filósofo já cristão e romano, entendia que o coração humano é, necessariamente, atravessado por uma inquietação herdada do pecado original de Adão e Eva, sendo este um orgulho profundo. Essa forma de soberba seria a tentativa constante de negar nossa insuficiência essencial quando não repousamos em Deus. Dito de forma simples: sem Deus, somos nada. Portanto, sem o transcendente, não há felicidade possível.

EGOÍSMO E CULPA – Essa ideia segue, ainda que de forma muito mais sofisticada, uma noção transversal em muitas religiões históricas, a de que sem o “sagrado todo-poderoso” estamos perdidos, inclusive, devido à pressão que ele exerce sobre nós.

E o que a modernidade tem a dizer sobre esse dualismo? Ah! A modernidade! Essa adolescente arrogante que nos cerca. Felicidade, grosso modo, desde o século 18 europeu, passa a ser um projeto racionalista de engenharia psicológica, social, política e tecnocientífica, ideia esta, aliás, que aparece na obra aqui citada de Arthur Brooks. Os românticos recusarão esse projeto.

Se identificarmos o que deu certo na nossa vida e dos nossos semelhantes, poderíamos atingir a felicidade? Esta seria a aposta da psicologia positiva? A resposta fica para um outro momento.

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Celular revela Vorcaro sendo cobrado para pagar R$ 35 milhões pelo resort

Cartum: Charges | Folha

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Deu na Folha e no Estadão

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se queixou a um interlocutor de cobranças que recebeu para efetuar pagamentos ligados à compra do resort Tayayá, do qual o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli era sócio, por meio da empresa Maridt.

Os diálogos obtidos pela Polícia Federal por meio do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort, segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

CUNHADO OPERADOR – O cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, atuava como seu operador financeiro e foi o responsável por organizar os pagamentos. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel, por mensagem de WhatsApp, qual era a situação dos repasses.

“Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.

Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

NOVA COBRANÇA – Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a tratar das cobranças com o cunhado. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro cita o nome da ex-mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel em diálogos obtidos pela PF com outros interlocutores.

MULHER DE TOFFOLI – O relatório da PF apontaria indícios de que ela atuou em assuntos jurídicos para o Banco Master quando ainda era casada com o ministro do STF. A polícia não teria confirmado a existência de um contrato da ex-mulher de Toffoli com o banco. Procurada na noite deste sábado (14), a advogada não respondeu. Procurado pela reportagem, Vorcaro não comentou o assunto até a publicação deste texto.

Toffoli enviou nota, por meio da assessoria do STF, dizendo que o negócio ocorreu antes de ser relator do processo sobre o Master, que não conhecia o gestor do fundo que adquiriu sua fatia no resort e que não recebeu dinheiro de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel.

“Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”, afirmou o ministro na nota.

FORA DA RELATORIA – A retirada da relatoria do caso Master das mãos do ministro Dias Toffoli teve como um dos pivôs o resort de luxo Tayayá. Foi no espaço localizado em Rio Claro (PR) que o magistrado dividiu, por meio de sua empresa familiar, sociedade com um fundo de investimentos ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Como mostrou a Folha no mês passado, o resort localizado em Rio Claro (PR) era a parte visível de uma parceria que teve início em setembro 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.

O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos apontados pelas autoridades como pertencentes à engenharia financeira de Vorcaro e seus sócios.

FORA DO RESORT – O controlador do fundo Arleen é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, segundo o jornal O Estado de S.Paulo.

A empresa familiar Maridt somente deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

Os irmãos José Eugênio, que é engenheiro, e José Carlos, que atua como padre, levam uma vida sem luxos em Marília (SP), como mostrou a Folha. A Maridt é uma empresa de capital social de ridículos R$ 150 e tem ainda um dos filhos de José Eugênio na diretoria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As investigações estão apenas começando. Daqui para a frente, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes vão ter surpresas diariamente no noticiário dos jornais. Será que vale a pena enriquecer ilicitamente, para depois passar tanta vergonha? Sinceramente, a desfaçatez dessa gente é uma arte, como diria Ataulfo Alves, sempre lembrado aqui na Tribuna. (C.N.)

Olha o bloco do sujo, que não tem fantasia, mas que traz alegria para o povo sambar

20 Anos do Bloco dos Sujos de Olinda

No Brasil inteiro, existem blocos dos sujos no carnaval

Paulo Peres
Poemas & Canções

O coronel do Exército Brasileiro, compositor e letrista carioca Antônio de Pádua Vieira da Costa (1921-1996),  que adotou o nome artístico de Luiz Antônio, e o pianista e compositor maranhense Luís Abdenago dos Reis (1926-1980), conhecido como Luís Reis, são os autores do samba “Bloco do Sujo”, cuja letra expressa as manifestações populares típicas do carnaval de rua, onde o improviso e a desorganização são a tônica.

Um grupo de foliões com fantasias improvisadas, ou mesmo de roupa comum, reúne-se ao som de instrumentos também improvisados e desfilam pelas ruas da cidade, cantando e dançando. Alguns blocos de sujo satirizam a política nacional com faixas e cartazes, sempre em tom de ironia e deboche, com a marca do humor brasileiro.

As Gatas gravaram esse samba, em 1969, após terem vencido o Concurso de Músicas de Carnaval, no ano anterior, na extinta TV Tupi, promovido pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som.

BLOCO DO SUJO
Luiz Antonio e Luis Reis

Olha o bloco do sujo,
Que não tem fantasia,
Mas que traz alegria,
Para o povo sambar.

Olha o bloco do sujo,
Vai batendo na lata,
Alegria barata,
Carnaval é pular.

Olha o bloco do sujo,
Que não tem fantasia,
Mas que traz alegria,
Para o povo sambar,

Olha o bloco do sujo,
Vai batendo na lata,
Alegria barata,
Carnaval é pular.

Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Se não tem tamborim,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Carnaval é assim !…

Caso do Master expõe vínculos evangélicos e será desafio para André Mendonça

Crise de confiança no STF: a erosão institucional e o isolamento político de Toffoli

Toffoli na relatoria era um risco à imagem do tribunal

Pedro do Coutto

A recente sequência de revelações envolvendo o caso do Banco Master, destacada em reportagem do jornal O Globo assinada por Mariana Muniz e Eduardo Gonçalves, reacendeu um debate sensível sobre o funcionamento interno do Supremo Tribunal Federal e, sobretudo, sobre a posição institucional do ministro Dias Toffoli.

O vazamento de diálogos atribuídos a ministros da Corte não apenas provocou desconforto interno, como expôs uma crise de confiança que ultrapassa a esfera jurídica e assume contornos políticos relevantes. Em tribunais constitucionais, decisões formais raramente são neutras em seus significados simbólicos, e a substituição de um relator em um caso de grande repercussão não pode ser tratada como um simples ajuste técnico.

CREDIBILIDADE – Quando a relatoria passa, por decisão unânime, ao ministro André Mendonça, o gesto sinaliza, antes de tudo, a necessidade de preservar a credibilidade institucional da Corte diante de um processo que envolve suspeitas graves e grande exposição pública. A unanimidade na escolha do novo relator indica que o problema deixou de ser individual e passou a ser percebido como um risco à imagem coletiva do tribunal.

Do ponto de vista jurídico, a discussão sobre eventual remessa do caso à primeira instância revela-se pouco consistente. A Constituição brasileira estabelece com clareza que ministros do Supremo não podem ser julgados por juízos inferiores, o que torna incompatível qualquer tentativa de deslocar a competência quando o cerne das investigações envolve um membro da própria Corte.

A substituição do relator não altera essa regra; ao contrário, reforça que o caso permanece no âmbito do Supremo, agora sob nova condução, o que evidencia a gravidade institucional da situação. Nesse contexto, a tensão entre o ministro e a Polícia Federal, em razão de investigações e registros de comunicações, adiciona um componente ainda mais delicado ao episódio, pois coloca em choque duas instituições centrais do Estado e amplia a pressão por respostas claras e juridicamente sólidas.

PALCO DE DISPUTAS – Os vazamentos de bastidores, por sua vez, funcionam como catalisadores da crise. Divergências internas são naturais em qualquer corte colegiada, mas quando conversas e avaliações estratégicas passam a circular publicamente, o tribunal deixa de projetar unidade institucional e passa a ser percebido como palco de disputas políticas internas. Essa dinâmica fragiliza a autoridade da Corte e contribui para o isolamento progressivo do ministro envolvido, cuja permanência passa a ser questionada não apenas sob o prisma jurídico, mas também sob o ângulo da governabilidade interna do tribunal.

A perda de confiança entre pares, ainda que não formalizada em votos ou declarações explícitas, manifesta-se em decisões práticas, como a retirada da relatoria e a condução unânime de novos encaminhamentos processuais.

À medida que o tempo avança e novas informações surgem, consolida-se a percepção de que a crise deixou de ser episódica para se tornar estrutural. O problema central não é apenas a eventual responsabilização individual, mas o impacto sobre a legitimidade do Supremo em um ambiente político já marcado por forte polarização e desconfiança nas instituições.

EQUILÍBRIO – Em situações dessa natureza, a Corte precisa equilibrar dois imperativos: garantir o devido processo legal e, simultaneamente, preservar sua autoridade moral perante a sociedade. O desfecho do caso, portanto, não dirá respeito apenas ao destino pessoal de um ministro, mas à capacidade do Supremo de demonstrar que possui mecanismos internos eficazes para enfrentar suspeitas envolvendo seus próprios membros sem comprometer a estabilidade institucional. 

O episódio revela como crises internas do Judiciário podem rapidamente adquirir dimensão política, influenciando a percepção pública sobre a independência, a coesão e a responsabilidade de uma das instituições mais importantes da República.

Desfile pró-Lula na Sapucaí acende alerta no Planalto e tensão com oposição

Bloco dos Sujos é liderado em Brasília pelos ministros Moraes e Dias Toffoli

Tribuna da Internet | Toffoli deu “presente” a Moraes, mas também ganhou  “presente” de Gonet

Charge reproduzida de Tixanews

Malu Gaspar
O Globo

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, depois que o diretor-geral da PF entregou a Edson Fachin o relatório sobre as conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, na segunda-feira, pavimenta o caminho para a etapa seguinte: o avanço das investigações sobre conexões de Vorcaro e o material apreendido com os executivos do Banco Master sobre Alexandre de Moraes.

A equipe da coluna apurou que Moraes, que tinha relação próxima com Vorcaro, trocava mensagens com o banqueiro e é citado diversas vezes em diálogos do celular do controlador o Master apreendido pela PF, inclusive em conversas sobre pagamentos à mulher do ministro.

R$ 129,6 MILHÕES – Como publicamos em dezembro, a mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato com o Master que previa o pagamento de R$ 129,6 milhões em três anos para a defesa dos interesses do banco em diversos órgãos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Até hoje, porém, não foram encontradas evidências de que ela de fato prestou serviços correspondentes a honorários tão vultosos. Nem Viviane nem o ministro explicaram até hoje a que se refere o contrato.

Sob Toffoli, um relatório com achados sobre Moraes, semelhante ao que foi feito sobre ele mesmo, muito provavelmente acabaria arquivado.

DOBRADINHA – Não é por acaso que Moraes e Toffoli têm feito uma dobradinha em público e nos bastidores do Supremo. Nos últimos dias, o marido de Viviane foi o maior defensor do ministro na Corte, apesar de todas as evidências de que a situação do colega se tornara insustentável.

Na reunião fechada dos ministros que discutiu o caso e acabou com o afastamento de Toffoli do caso, a pedido, Moraes foi quem mais defendeu o colega.

Com a saída de Toffoli da relatoria, a coisa muda de figura. O caso foi distribuído para um novo relator, André Mendonça, por sorteio. Portanto, Moraes tem razões para estar preocupado, porque suas chances de escapar ileso das investigações diminuem a cada dia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Toffoli e Moraes tornaram-se uma espécie de irmãos siameses da impunidade. Ambos são altamente irresponsáveis e levaram o Supremo por caminhos tristonhos, como diria o genal Ary Barroso. Hoje, tanto Toffoli quanto Moraes já podem ser considerados folhas mortas. O futuro dos ex-poderosos ministros não vale uma nota de três dólares. E viva a imprensa livre! (C.N.)