Um instigante retrato campestre, na visão do poeta Carlos Pena Filho

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960) através do visual de uma planície, com apenas um passarinho, uma mulher e um homem, consegue pintar um instigante “Retrato Campestre”.

RETRATO CAMPESTRE
Carlos Pena Filho

Havia na planície um passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.
E era só. Nenhum deles tinha nada
com o homem deitado no caminho.

O vento veio e pôs em desalinho
a cabeleira da mulher sentada
e despertou o homem lá na estrada
e fez canto nascer no passarinho.

O homem levantou-se e veio, olhando
a cabeleira da mulher voando
na calma da planície desolada.

Mas logo regressou ao seu caminho
deixando atrás um quieto passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.   

Cúpula do Congresso entra em campo para evitar cassação de senador bolsonarista no TSE

Brasil mantém pior posição histórica em ranking global de percepção da corrupção

O poder em campanha: quando o governo antecipa as urnas

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Sem Código de Ética, sobram para o STF a omissão, o escracho e o cinismo cívico

Código de Ética para o STF | Ó popular

Carga reproduzida do Arquivo Google

Marcus André Melo
Folha

As menções a impeachments e renúncias de juízes de Supremas Cortes dispararam — e com razão. Tais eventos são certamente, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de manipulação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecer um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Os líderes populistas tendem a atacar ou manipular instituições independentes da República, como cortes superiores e bancos centrais.

EFEITO MENEM – A Argentina possui longa tradição de disciplinas no Judiciário, mas, no ciclo democrático iniciado em 1983, a primeira manifestação relevante ocorreu no governo Carlos Menem (1989-1999).

Menem justificou sua intervenção candidatamente: “Por que eu vou ser o único presidente da Argentina a não ter a sua própria corte?” Em seguida, aumentou o número de ministros de cinco para nove, o que lhe permitiu nomear quatro novos magistrados, dentre eles parceiros e copartidários desqualificados.

A recompensa da corte entrou em parafuso. Quando outro peronista, Néstor Kirchner, chegou ao poder, acusou o tribunal de estar acovardado e politicamente capturado e decidiu destituir os nomeados por Menem. No Senado, o assalto institucional foi liderado por Cristina Kirchner. ]

MUITOS ESCRACHOS – Paralelamente, uma militância peronista com especificação de numerosos escrachos, inclusive diante das residências dos juízes. As políticas de pressão e denúncias de corrupção resultaram na renúncia de dois magistrados e na abertura de processos de impeachment contra outros dois. Um deles também renunciou; o outro, Moliné O’Connor, resistiu e acabou impedido.

O episódio argentino ilustra como a manipulação institucional iniciada por Menem produziu uma contrarreação populista sob os Kirchners, gerando uma espiral autodestrutiva marcada por escrachos violentos, perseguições e reformas extremadas. A pergunta feita é: O que garante que dinâmica semelhante não possa ocorrer no Brasil?

No Chile, há dois casos instrutivos: um juiz foi impedido de fornecer informações privilegiadas à filha em um litígio imobiliário sob seu relatoria, e uma juíza foi destituída pelo próprio corte por tráfico de influência na instituição e conclusão com um advogado.

JUÍZA DEMITIDA – No Chile, o Congresso deflagrou um processo de impeachment, mas a corte, percebendo a ameaça à sua privacidade e integridade institucional, destituiu a magistrada antes mesmo da conclusão do processo, que acabou resultando apenas na sanção adicional de suspensão do exercício de funções públicas.

O desenho institucional facilitou essa resposta: no Chile, na Alemanha e no Canadá, juízes das supremas cortes podem ser destituídos tanto pelo Parlamento quanto pela própria corte. Na Itália, França e Espanha, o controle é predominantemente interno. No Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, a destituição ocorre exclusivamente via impeachment.

REAÇÃO SOCIAL – A nossa situação é gravíssima. Ao fim e ao cabo, o que irá importar é a força da ocorrência social à espiral de manipulação institucional.

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, como o Supremo Tribunal Federal, a solução via eleições deixa de ser opção, como já mostrei aqui.

Quando a autocontenção via Código de Ética é ilusória, sobram escracho, a anomia social e o cinismo cívico avassalador.

Lula negocia alianças, busca neutralizar centrão e enfraquecer Flávio Bolsonaro

Não existem santos no STF, porém há ministros mais sujos do que os outros

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no  escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carlos Newton

É claro que não existem santos aqui na Terra, embora ainda possamos encontrar pessoas tacitamente santificadas, como madre Teresa de Calcutá ou irmã Dulce. Aliás, é bom lembrar que o próprio Papa Francisco, um ser humano verdadeiramente extraordinário, também se confessava pecador.

Na Suprema Corte brasileira, por exemplo, não há santos de nenhuma espécie, devido ao forte espírito corporativista, que fez ministros como Carmén Lúcia e Luiz Fux votarem a favor de 17 anos e outras punições em multa para pessoas de bem, sem maus antecedentes, que apenas invadiram prédios públicos e maioria delas nem participou de depredações.

ALGUMAS EXCEÇÕES – Nesse erro judiciário brutal, que condenou 1,5 mil brasileiros por ”terrorismo” e por “formação de quadrilha armada”, apesar de nem se conhecerem e de jamais terem empunhado armas, apenas dois ministros votaram contra essas penas exageradas e desumanas – Nunes Marques e André Mendonça.

Não se pode dizer que sejam “santos”, mas estão num patamar de imparcialidade superior a outros ministros, sem a menor dúvida.

Nunes mentiu ao apresentar sua biografia, dizendo ter feito mestrado na Universidade Autônoma de Lisboa e doutorado e pós-graduação na Universidade de Salamanca, na Espanha, sem ter saído do Brasil. Foi aberta uma ação contra ele, com Rosa Weber como relatora, mas o corporativismo falou mais alto. André Mendonça, que é pastor da Igreja Evangélica também diz ter feito mestrado e doutorado em Salamanca, parece que está na moda…

SÓ PECADORES – O atual presidente, Édson Fachin também exibe um telhado de vidro, visto que fez mestrado e doutorado em São Paulo ao mesmo tempo que cumpria jornada de 40 horas como servidor público no Paraná. É o que está escrito em seu currículo no portal do STF. Foi ele quem inventou a “incompetência territorial absoluta” para soltar Lula em 2019. Em todos os demais países, a incompetência territorial é sempre relativa.

Flávio Dino estava se saindo bem no Supremo, mas votou pela blindagem das autoridades dos três poderes e não podemos esquecer que se trata daquele ministro da Justiça que sumiu com as gravações do prédio ao lado do Congresso, que poderiam provar a inocência de muitos dos 1,5 mil falsos terroristas.

Quanto a Luiz Fux, seu problema é o amor extremado aos rebentos. Colocou a filha Marianna no Tribunal de Justiça do RJ em 2016 e resolveu também a vida do filho Rodrigo. Antes de o pai assumir no STF, o número de processos do escritório do filho era baixo (cerca de 5). Hoje, o volume saltou para mais de 500 processos (algumas fontes mencionam 544), abrangendo o STF e 0 STJ.

ZANIN NA CORTE – Cristiano Zanin fez carreira no escritório do sogro, Roberto Teixeira, que foi protetor do Lula sindicalista, quando ele era conhecido pelo codinome “Barba” na Polícia Federal, ao atuar como informante do regime militar, sob as ordens do delegado Romeu Tuma. Zanin “libertou” Lula, mediante a cumplicidade de Fachin e da maioria, foi nomeado para o STF e logo em seguida entrou na Justiça contra o sogro, exigindo mais honorários…

Quanto aos outros três – Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, nem é preciso fazer comentários. O noticiário dos jornais fala por si. E a imprensa é a voz do povo.

Assim, neste carnaval o Supremo vai desfilar dividido em vários blocos. Um deles, formado por Fachin e Cármen, defende o Código de Ética. Outro bloco, com Gilmar, Toffoli e Moraes, é contra. Os restantes compõem um terceiro bloco, e ninguém sabe o que eles pretendem. Este é o quadro atual, longe da apoteose.

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P.S.
– Se os dez ministros desfilarem juntos, estarão formando o mais completo Bloco do Sujo da História do Carnaval Brasileiro. Nem precisam de fantasias. (C.N.)

Rodrigo Pacheco articula saída do PSD e deve se filiar ao União Brasil

Migração é atribuída a uma articulação tocada por Alcolumbre

Rafaela Gama
O Globo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) deverá deixar o PSD e se filiar ao União Brasil nas próximas semanas. A articulação acontece em meio à constatação de que o parlamentar não deverá permanecer no mesmo grupo político que o vice-governador Matheus Simões (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O parlamentar também tem sido descrito como o candidato ideal do presidente Lula (PT) para disputar o Executivo estadual, mas tem deixado a decisão sobre o caminho que deve seguir neste ano em aberto.

Prevista para acontecer após o carnaval, a migração do senador para o União é atribuída a uma articulação tocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Segundo interlocutores, ele disponibilizou a estrutura da sigla para que o aliado fortaleça a bancada do partido no Congresso ou concorra ao governo. O cargo em que ele deverá concorrer depende de uma decisão pessoal que deverá ser tomada pelo próprio senador, afirmam aliados. Além disso, nas próximas semanas, o comando do diretório em Minas também deverá ser transferido para o deputado Rodrigo de Castro (União), também aliado próximo de Pacheco.

“INSUSTENTÁVEL” – A migração do senador era esperada desde o ano passado, quando a permanência de Pacheco no PSD se tornou “insustentável” após a filiação e o lançamento de Simões para concorrer ao governo do estado. O vice-governador foi escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), que se coloca como pré-candidato à presidência e adversário de Lula. Dentro do União, interlocutores afirmam que Pacheco poderá se manter alinhado ao projeto político do petista, que já expressou em mais de uma ocasião que gostaria de tê-lo na disputa pelo comando do estado.

Em meio à indefinição sobre a posição de Pacheco dentro da chapa majoritária, há alas do PT que têm defendido um plano B, que envolve o apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). A construção da aliança chegou a ser confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, em uma publicação feita nas redes sociais sobre um encontro entre ele e Edinho Silva, que comanda o diretório nacional do PT.

Na legenda do post, além de dizer que havia “reafirmado a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula”, Lupi escreveu que recebeu “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”. “Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos“, acrescentou.

NOTA – Em seguida, no entanto, o diretório do PT divulgou uma nota dizendo que a reunião aconteceu entre os dirigentes partidários para “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, mas “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”.

“As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, encerrou o comunicado. O atrito provocou reação de Kalil, que fez um post em seu perfil no X no qual escreveu que “eleição é um saco”. “No meu palanque só sobe quem eu quiser”, acrescentou.

Entre Alckmin, Haddad e o MDB, PT empurra com a barriga a definição da chapa

Lula se divide entre o discurso da justiça social e a conta dos privilégios

Lula enfrentará dilema diante de  penduricalhos 

Dora Kramer
Folha

O presidente da República tem pela frente uma escolha difícil. Quando o pacote de privilégios aprovado no Congresso Nacional chegar à sua mesa para sanção ou veto, ele precisará decidir entre se indispor com o Legislativo, além de boa parte do funcionalismo, e ficar mal na foto eleitoral.

A dificuldade maior nem é essa. Antes disso, será necessário explicar a presença do PT e companhia no acordo que viabilizou uma votação simbólica —sem a identificação do voto— de surpresa, no meio da tarde do segundo dia do novo ano legislativo, e que, entre outras desigualdades, cria penduricalhos salariais e institui a escala 3×1 de trabalho para uma casta de servidores públicos.

CONTENÇÃO DE PRIVILÉGIOS – Isso enquanto Executivo e Legislativo fazem cara de paisagem à tramitação de uma proposta de reforma administrativa que busca conter privilégios, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende o fim dos supersalários e o governo faz da escala de cinco dias de trabalho por dois de folga para o setor privado uma bandeira de campanha.

Francamente, Luiz Inácio da Silva (PT) estará diante de um dilema e tanto. Ou bem sanciona a manobra de privilégios, jogando fora o discurso da justiça social, ou veta a pilantragem e quebra o acordo de boa vizinhança que incluiu a oferenda de um instituto federal de educação na cidade de Patos (PB), administrada pelo pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

BOQUINHAS – Será uma boa oportunidade para Lula desvendar ao público o real significado do slogan “Congresso inimigo do povo”. Até lá, fica a seguinte impressão: o dito serve para afetar antagonismo nos palanques e exortar as plateias a escolher parlamentares fiéis ao governo. Mas não é para ser levado a sério quando o pragmatismo manda que se alimentem as boquinhas.

Seja qual for a saída encontrada por Lula, uma coisa é certa: nem ele nem os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado deram a menor pelota ao que ouviram no dia anterior do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre a urgência da autocorreção dos Poderes. Não entenderam nada.

Pesquisa aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro e de nomes do PSD no 1º turno

Quando a IA entra na cabine de votação: chatbots já influenciam escolhas eleitorais no mundo

Charge do Mário Adolfo (Dito & Feito)

Deu no G1

No mundo todo, uma boa parte do eleitorado está disposta a se informar sobre candidatos e até seguir indicações feitas por chatbots como o ChatGPT e o Gemini, uma questão que preocupa especialistas e desafia reguladores eleitorais.

Exemplos não faltam. Na Holanda, que realizou eleições em outubro de 2025, uma pesquisa conduzida pela Universidade de Amsterdã concluiu que 10% dos eleitores estavam propensos a seguir as recomendações dos chatbots sobre em quem votar. Outros 13% foram evasivos, sugerindo que talvez pudessem acompanhar a sugestão.

TENDÊNCIA – Essa tendência se mostrou ainda mais forte entre os jovens. Entre os entrevistados de 18 a 34 anos, 17% disseram estar propensos a votar seguindo a recomendação, enquanto 18,5% disseram talvez. Já entre os eleitores acima de 55 anos, apenas 6% se disseram dispostos a seguir a sugestão.

No Chile, que também realizou eleições no fim do ano passado, uma pesquisa apontou um cenário ainda mais avançado de influência dos chatbots na eleição. Segundo o estudo, 27% dos eleitores abordaram o pleito nas plataformas, o que chegou a 44% em grupos de maior poder econômico. Em 2024, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) conduziu uma pesquisa com 2.400 eleitores, que conversaram com chatbots a dois meses das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Apoiadores de Donald Trump que conversaram com um modelo de inteligência artificial (IA) favorável a Kamala Harris tornaram-se ligeiramente mais propensos a apoiá-la, deslocando-se 3,9 pontos em direção a Harris, numa escala de 100 pontos. Esse efeito foi cerca de quatro vezes maior do que o impacto medido de anúncios políticos nas eleições de 2016 e 2020, segundo o estudo. Já o modelo de IA favorável a Trump moveu apoiadores de Harris 2,3 pontos em direção a ele.

RESPOSTAS ERRADAS –  E há outros aspectos. Na pesquisa feita na Holanda, a grande maioria das sugestões dadas pelos chatbots focou em apenas dois partidos, pouco importando a pergunta feita. Numa das plataformas, 80% das recomendações apontaram para um ou o outro.

Um deles foi o Partido pela Liberdade (PPV), cujo líder, Geert Wilders é uma figura frequente na imprensa, especialmente pelos posicionamentos polêmicos em temas sobre o islã. A outra sigla foi GroenLinks–PvdA, ligado à causa verde no país.

Os pesquisadores disseram não saber por que isso aconteceu. “Não sabemos como esses chatbots funcionam”, diz Claes Vreese, professor de inteligência artificial e Sociedade da Universidade de Amsterdã. Além disso, quando os chatbots foram utilizados para responder quais posicionamentos cada partido na Holanda possuía, algumas respostas foram incorretas, aponta Vreese.

PROGRAMAÇÃO – No estudo de 2024 do MIT, o ChatGPT 3.5 apresentou 30% de informações políticas incorretas, enquanto a versão 4 reduziu a percentagem para 14%. O diretor-executivo do ITS Rio, Fabro Steibel, aponta que não é grande surpresa certo volume de informações incorretas, uma vez que, ao serem questionados, os chatbots são programados para oferecer algum tipo de resposta, ainda que possa não ser a mais acurada.

Neste sentido, informações sobre nomes com maior expressão na política, como ex-presidentes, tendem a serem melhor abastecidas, o que pode não ser o caso, por exemplo, para novas candidaturas legislativas. Os resultados dos estudos preocuparam os especialistas. “Em eleições acirradas, esse tipo de conteúdo pode influenciar os resultados”, afirma Vreese.

USO COMUM –  Apesar de considerar que não é uma boa ideia ter um chatbot como conselheiro político, o especialista holandês avalia que o uso político se tornará comum à medida em que os chatbots fizeram cada vez mais parte do cotidiano. Eles já são usados até como terapeutas por algumas pessoas. “É parte do processo eleitoral agora.”

Steibel concorda. “Os chatbots hoje são lugares de confiança, como bares e igrejas”, diz. Nesse sentido, é de se esperar também que políticos usem essas ferramentas para tentar favorecer suas candidaturas. “Haverá uma corrida pela atenção do eleitor, e essa é mais uma ferramenta. Faz parte do jogo. Mas chamará a atenção se houver viés ideológico”, avalia.

E NO BRASIL ?  Uma pesquisa recente do instituto Ipsos mostrou que 79% dos usuários de inteligência artificial no país a usam para aprendizado, incluindo sobre política e economia, superando o uso para entretenimento.

A DW Brasil testou alguns dos principais chatbots sobre as eleições de 2026 no Brasil. ChatGPT, Gemini e Grok foram questionados sobre quais seriam as melhores opções de voto para presidente, governador e senador em São Paulo a partir de três perfis de eleitor: um conservador, um preocupado com questões socioeconômicas e um anti-política.

O contexto político oferecido por cada chatbot variou pouco, mas o grau de intervenção foi bem distinto. No geral, o ChatGPT se limitou a descrever principais posições políticas e a mencionar os candidatos melhor posicionados nas pesquisas eleitorais. Gemini e Grok foram mais incisivos, apontando diretamente quais seriam as melhores opções de voto para o eleitor.

DISTORÇÕES –  No Brasil, a Justiça Eleitoral dispõe de instrumentos para enfrentar distorções no ambiente digital, inclusive por chatbots e outras ferramentas de inteligência artificial, diz o especialista Delmiro Dantas Campos Neto, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).

Resoluções tratando de temas como uso de deepfakes e remoção de conteúdos desinformativos, além da necessidade de transparência no uso da IA, foram adotadas nos últimos anos no país, destaca. Porém, plataformas que disponibilizam conteúdo personalizado e que não fica à disposição de todos, como no caso de uma postagem em redes sociais, desafiam as atuais normativas.

IGUALDADE DE CONDIÇÕES – O papel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não é controlar conteúdo, mas garantir a igualdade de condições entre os candidatos, argumenta Fabro Steibel. Durante o período eleitoral, o caminho deverá ser o de tratar o tema diretamente com as plataformas, diz Neide Cardoso de Oliveira, coordenadora do grupo sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições do Ministério Público Federal (MPF).

O artigo 19 do Marco Civil da internet, que trata da responsabilidade dos provedores de serviços pela moderação de conteúdo traz uma série de obrigações para as plataformas nesse sentido, reforça. Um ponto que poderá ser alvo de observação são as fontes que alimentarão as respostas dos chats ao longo do período, avalia a coordenadora.

Ética no Supremo é um chamado à ordem em meio ao vazio institucional

Uma tese poética sobre a própria Poesia, na inspiração de Carmen Cardin

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, artista plástica e poetisa Carmen Cardin, garimpeira das palavras e pós graduada em sonhos, ao escrever um de seus poemas, “Tese”, comete a ousadia de tentar limitar em escassas palavras a universalidade da mitológica criatura que – entre outras – eventualmente reside na alma de todo ser: O Poeta. E Carmen Cardin se saiu bem.

TESE
Carmen Cardin

Não ouse pensar que O Poeta
É um bêbado, andarilho sem rumo
Ele é, do vernáculo, o atleta
A fantasia de uso e consumo.

O Poeta tem o compromisso sério
De profetizar em tom etéreo
De filosofar além do erudito.
O Poeta é a chave do cofre.
O servo à mercê da paixão.
O indecifrável verbo,
Que encarnou-se e está escrito.

O Cavalheiro que conduz, extraordinário,
As rédeas do Sonho, o lendário,
Adorado e odiado ser trovador.
O Poeta é aquele que, alheio a tudo,
Grita com o coração n’um canto mudo,
Sofre com a emoção do mundo, a dor!

Não ouse pensar que O Poeta
Imagina, pretensioso, ser Deus…
Ele é, apenas, a certeira seta
Que atinge o alvo dos sonhos seus!

Ala do STM discute adiar decisão sobre expulsão de Bolsonaro e generais

Supremo continua provocando o país com suas decisões para blindar ministros

Mario Sabino
Metrópoles

Sob os auspícios de Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal validou o aumento de penas em um terço por crimes contra a honra cometidos contra funcionários públicos no exercício das suas funções.

Isso significa que, perante a lei, os crimes de calúnia, injúria e difamação são considerados ofensas maiores se dirigidas, por exemplo, aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo, incluídos entre outros agentes do Estado.

TODOS SÃO IGUAIS? – É evidente absurdo lógico quando se leva em conta que, de acordo com a Constituição, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, a não ser quando se trata de preservar os mais fracos, nunca os mais fortes.

A pretexto de proteger o serviço público, a maioria dos ministros do STF continua firme, portanto, na sua investida contra a liberdade de expressão, iniciada desde que eles se arrogaram o papel de únicos defensores da democracia, na base do prende e arrebenta.

O ministro Edson Fachin, atual presidente do Supremo, foi um dos votos vencidos.

TUDO ERRADO – De acordo com Fachin, o aumento das penas se choca com a ordem democrática e contraria a jurisprudência do próprio STF em relação ao direito à crítica e ao assédio judicial a jornalistas.

Para o presidente do STF, o direito à crítica contundente a agentes públicos deve ser garantido por eles estarem sujeitos ao maior escrutínio da sociedade. A crítica contundente é até mesmo indispensável ao controle democrático do poder, de acordo com o ministro.

Só que os democratas do STF não querem saber de controle nenhum. Para eles, qualquer controle é ameaça intolerável.

DESIGUALDADE – A validação da norma absurda ultrapassa as circunstâncias desta nossa quadra temporal e se inscreve na tradição brasileira de hierarquia, personalismo e desigualdade social.

Tradição que encontra a sua tradução mais sucinta na frase “você sabe com quem está falando?”, como apontou o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro”.

Ela expressa o polo autoritário da sociedade nacional, que se contrapõe ao polo amigável, do “jeitinho”, que iguala falsamente os brasileiros de todas as extrações.

HIERARQUIA OPRESSORA – O “você sabe com quem está falando?” surge quando tentamos evocar a impessoalidade igualitária nas relações cotidianas e nos deparamos com a realidade de uma sociedade regida por uma hierarquia opressora, que se reproduz de alto a baixo, do grande ao pequeno poder, na sua escala de classes e funções.

Ao validar o aumento das penas por crimes contra honra de funcionários públicos, entre os quais presidentes de poderes, o STF gritou um “você sabe com quem está falando?” a todos os cidadãos que ainda nutrem a ilusão de viver sob uma democracia plena, não em um regime em que uns são mais iguais do que os outros.

Palestras e poder marcam o debate ético que ronda o Supremo Tribunal Federal

Eventos sem transparência expõem a crise no Supremo

Pedro do Coutto

No centro de um debate que agita o coração das instituições brasileiras está uma questão que, à primeira vista, parece técnica — mas que toca na essência da confiança pública no sistema de Justiça: a relação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e palestras financiadas por empresas com interesses junto ao governo.

O jornalista Elio Gaspari, em artigo publicado nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, chama a atenção para o fato de que nem todas as palestras são iguais e que esse fenômeno não deve ser visto de forma ingênua pelo público ou pela própria Corte. Gaspari parte de uma observação aparentemente simples: alguns eventos em que magistrados são convidados para falar podem ultrapassar a fronteira da mera participação intelectual e se aproximar, alerta ele, de uma forma sutil de influência ou simpatia favorecida por quem tem interesses diretos no ambiente jurídico e político.

SINAL DE ALERTA – Essa distinção — entre uma palestra acadêmica ou institucional e outra organizada por atores com interesses junto ao governo ou a instituições que têm casos no Supremo — funciona como um sinal de alerta ético e institucional, especialmente no momento em que o STF enfrenta um esforço para estabelecer um código de conduta para seus membros.

O debate sobre a criação de um código de ética no STF não é novo, mas ganhou novo fôlego nas últimas semanas. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, vinha tentando promover um encontro para discutir formalmente essa proposta com os ministros, até que o encontro foi recentemente cancelado por conta da agenda dos membros da Corte.

O cancelamento segue a revelação de posições divergentes entre ministros sobre temas ligados à ética, como a possibilidade de juízes receberem remuneração por palestras e de magistrados manterem ações em empresas — um sinal claro de que não há consenso interno sobre como regulamentar essas questões.

FUNDAMENTOS – Para quem defende o código de ética, a argumentação é simples e bastante fundamentada em princípios amplamente reconhecidos na cultura jurídica: integridade, imparcialidade, transparência e confiança pública. Especialistas no meio jurídico, como professores de Direito Constitucional e advogados, têm insistido que regras claras ajudam a evitar “zonas cinzentas” em que a atividade pública interfere com a atuação do magistrado em espaços externos, como eventos pagos por terceiros ou patrocinados por empresas com litígios ativos no STF.

Essa preocupação com a linha tênue entre atuação legítima e conflito de interesse é reforçada por publicações especializadas e por movimentos da sociedade civil que defendem normas de conduta claras para a magistratura. Por outro lado, há ministros e juristas que veem com reservas a necessidade de um código de regras específico para o STF.

Argumenta-se que o ordenamento jurídico brasileiro, incluindo a Constituição e normas existentes como a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, já oferece mecanismos suficientes para disciplinar a conduta de magistrados, e que a adoção de um código pode expor a instituição a pressões políticas ou interpretações adversas num ano eleitoral, quando as instituições ficam sob maior escrutínio público.

INDEPENDÊNCIA – É justamente nesse terreno de debate que as observações de Gaspari ganham força: quando palestras e eventos deixam de ser apenas espaços de troca de ideias e se tornam arenas em que se constrói boa vontade, aproximações de agentes de poder e, potencialmente, relações que podem influenciar percepções e decisões, a sociedade começa a questionar até que ponto a independência do Judiciário está preservada.

Para ele, essa distinção não é um detalhe sem importância, mas uma lente pela qual podemos enxergar a necessidade de reflexão ética profunda, especialmente em uma Corte que desempenha papel central em decisões que afetam toda a sociedade. A discussão sobre o código de ética no STF não é apenas interna nem meramente técnica. Ela reflete um momento em que a sociedade brasileira exige mais transparência e responsabilidade institucional, em que a atuação dos magistrados não deve se limitar ao estrito cumprimento da lei, mas também preservar a legitimidade da própria Justiça aos olhos do público.

As palestras, nesse contexto, deixam de ser eventos isolados para se tornarem símbolos de um debate maior sobre como equilibrar a autoridade institucional com os valores éticos que sustentam um Estado democrático de direito.

Direita disputa aliados-chave enquanto Republicanos e União-PP mantêm Lula no radar

Flávio Dino está só de passagem no Supremo e poderá ser o substituto de Lula no PT

Dino acertou em cheio ao suspender penduricalhos

José Perez

O ministro Flávio Dino está se saindo bem no Supremo e ainda não se meteu em nenhuma irregularidade. Acertou em cheio ao suspender penduricalhos de supersalários. O maior vencimento de servidor público deveria ser de 20 salários mínimos, para diminuir a desigualdade social, e com viés de a diferença ir sendo reduzida no passar do tempo. Ponto final.

Para recrutar novos servidores, apenas uma prova em concurso não basta. Todos deveriam obrigatoriamente passar pelas Escolas de Administração Pública, antes de ingressar no estágio probatório.

QUALIFICAÇÃO – A diferença entre o maior e o menor salário do serviço público tem que diminuir, na vigência de planos de carreira. A qualificação precisa ser constante durante toda a carreira do servidor, pois as profissões estão mudando e até se extinguindo numa velocidade grande.

Os eleitores de centro gostam do ministro Flávio Dino por ter posições firmes a favor do interesse público, como combater o orçamento secreto e agora os indecentes penduricalhos.

Vivemos em um país cuja população em sua maioria é pobre, e Dino vem do Maranhão, estado com pior IDH do país. Sabe o que é miséria. A legião de pobres e miseráveis no país é maioria dentre os eleitores e tende a votar na esquerda para manter ou até aumentar os auxílios recebidos. Dino tem ótimas chances na era pós Lula, a meu ver.

SEM SUCESSOR – O atual presidente Lula não criou sucessor por egoísmo e vaidade. Mas sua  substituição está cada vez mais próxima e esta será sua última campanha, por conta da idade avançada.

Flávio Dino joga sempre atento às repercussões dos seus atos junto à opinião pública, já pavimentando o caminho para ser o substituto de Lula no campo da esquerda.

A meu ver, o ex-governador do Maranhão está apenas de passagem no Supremo e tem ótimas chances de prosseguir na carreira política, que hoje encontra-se pausada.

Gilmar, Toffoli e Moraes passaram dos limites e já estão isolados dentro do STF

Na magistratura, não somos livres para dar opinião político-partidária', diz Toffoli - Primeira Hora

Moraes e Toffoli estão perdidos, mas Gilmar sempre escapa

Carlos Newton

É fato público e notório que os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes se julgam donos do Supremo Tribunal Federal. Eles se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita, como se fossem personagens do genial filme de Elio Petri, em que o criminoso é justamente quem deveria fazer cumprir as leis..

Mas não estamos no cinema e a realidade dos fatos mostra que aumenta cada vez mais o clamor da opinião pública contra o comportamento desses audaciosos ministros.

GILMAR LIDERA – Entre os três, até pela diferença de idade, Gilmar Mendes é o mais experiente e ladino. Sua audácia é ilimitada, a ponto de defender o contrato de R$ 129,6 milhões entre o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do grupo Master, e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.

No início de dezembro, já em meio ao escândalo do Banco Master, Gilmar Mendes concedeu uma abusiva medida cautelar na ADPF 1.259/DF, suspendendo dispositivos da Lei 1.079/1950, que regula crimes de responsabilidade de autoridades como o presidente da República, governadores, procurador-geral e ministros do Supremo Tribunal Federal.

O mais incrível é sua interpretação da constitucionalidade do art. 41 da Lei 1.079/1950, estabelecendo que apenas o procurador-geral da República é competente para formular denúncia contra membros do Poder Judiciário pela prática de crimes de responsabilidade.

BLINDAGEM CRIATIVA – Em tradução simultânea, a “interpretação” de Gilmar significa uma criativa blindagem aos ministros do Supremo, para que fiquem bem à vontade.

Quanto a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, trata-se de dois roedores de goela grande. É inacreditável que ainda continuem como ministros do Supremo, depois de tantos exemplos de má conduta e falta de ética.

Toffoli conseguiu se tornar empresário usando dois irmãos e um primo como testas-de-ferro, como se dizia antigamente, ou laranjas, como se diz hoje. Está tudo registrado na Junta Comercial, não há como contestar. O caso de Moraes é pior ainda, porque Toffoli criou um empreendimento, que dá empregos, paga impostos e movimenta a economia. Moraes não tem objetivo algum, salvo o flagrante enriquecimento ilícito, por vender uma “proteção” que não conseguiu entregar.

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P.S. – Agora, futuro do ex-todo-poderoso Xandão agora depende do silêncio constrangedor do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro e do economista Gabriel Galípodo, presidente do Banco Central. Se algum deles abrir a boca, Moraes estará liquidado. Como diz o jornalista Mário Sabino, o ministro tem 129 milhões de motivos para estar encagaçado, como se diz no interior. (C.N.)