Oposição tenta esticar CPI do INSS para desgastar Lula, mas Alcolumbre resiste

Flávio tenta reeditar “manual Bolsonaro”, mas enfrenta rejeição e limites digitais

Flávio Bolsonaro tenta repetir a estratégia do pai

Camila Turtelli
Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta na tentativa de replicar o “manual Bolsonaro” na corrida pelo Palácio do Planalto, mas esbarra em obstáculos como o alcance mais limitado nas redes sociais na comparação com o pai, um controle maior pela Justiça Eleitoral do conteúdo que circula nas plataformas e a rejeição acentuada. O parlamentar tem reciclado promessas feitas pelo ex-presidente, que não foram cumpridas.

A estratégia leva em consideração pilares da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro em 2018, quando rompeu padrões no marketing político, e parte do que ocorreu na tentativa fracassada de reeleição quatro anos depois. Compõem a lista a comunicação direta pelas redes sociais, estímulo a doações pulverizadas, mobilização de rua e uso de símbolos voltados ao eleitorado conservador e religioso.

CORREÇÃO DE ERROS – A diferença, segundo aliados, está na tentativa de profissionalizar o plano e corrigir erros identificados nos últimos ciclos eleitorais, como falhas de coordenação, falta de foco no Nordeste e lacunas no discurso econômico.

Em 2018, com pouco tempo na televisão, Bolsonaro concentrou a campanha nas redes sociais, especialmente no WhatsApp. O ambiente de baixa regulação das plataformas digitais e a rejeição à política tradicional funcionaram como catalisadores. Já em 2022, no exercício do cargo, o bolsonarismo adaptou a estratégia: parte da mobilização migrou para o Telegram, as transmissões ao vivo se tornaram rotina e os atos de rua, especialmente as motociatas, ganharam força.

LIVES – É esse repertório que Flávio tenta reencenar. Ele intensificou as lives no YouTube, inspiradas no formato adotado pelo pai durante o mandato, como instrumento para falar diretamente com apoiadores. Nos bastidores, a tática é tratada como uma atualização do “manual Bolsonaro”.

— Quando voltar de viagem, vou sentar com Rogério Marinho (senador e coordenador da pré-campanha) para bolar as estratégias daqui para frente. Nosso primeiro evento deve ser em São Paulo — disse Flávio ao GLOBO.

No giro pelo exterior, Flávio passou por Israel, onde foi batizado no rio Jordão. A viagem incluiu participação na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, com presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Aliados descrevem a iniciativa como tentativa de reforçar a identidade religiosa do pré-candidato, dialogar com o eleitorado evangélico e sinalizar alinhamento com uma agenda internacional da direita.

NOVA TENTATIVA –  Flávio tem resgatado promessas feitas por Bolsonaro em 2018, mas que ele não entregou durante seu governo. Entre elas, a transferência da embaixada brasileira de Israel de Tel Aviv para Jerusalém, possibilidade que gerou reações diplomáticas; a redução da maioridade penal; e a ampliação do “excludente de ilicitude”.

Apesar do esforço para imprimir ritmo e ampliar a agenda, aliados reconhecem entraves relevantes — um deles é a estrutura digital. Enquanto Bolsonaro mantém cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram, Flávio tem pouco mais de 8 milhões, e Lula, 14,4 milhões. A avaliação interna é que a força orgânica do bolsonarismo, sozinha, não sustenta uma campanha nacional competitiva.

NORMAS PARA 2026 – Além disso, a Justiça Eleitoral apertou as regras já na última campanha presidencial, com a retirada de uma série de conteúdos do ar, e agora debate as normas para 2026, incluindo diretrizes para o uso de inteligência artificial.

Flávio também enfrenta dificuldades para montar palanques estaduais robustos e busca um marqueteiro capaz de reduzir sua rejeição. Pesquisa Genial/Quaest deste mês indicou que o índice dos que dizem não votar nele de jeito nenhum caiu de 60% para 55%, mas segue acima do registrado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto por setores da direita como alternativa mais competitiva.

— Nós vamos potencializar os acertos, que foram muitos, e tentar não repetir os erros, por menores que tenham sido. A eleição de 2022 foi decidida por menos de dois pontos percentuais. Temos um laboratório recente — afirmou Marinho.

Fachin anuncia Cármen Lúcia como relatora do Código de Ética no STF

Fachin afirmou que documento é compromisso de sua gestão

Márcio Falcão
Fernanda Vivas
G1

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (2) que o momento do país e da Corte é de “ponderações e autocorreção” e reafirmou que a elaboração de um Código de Ética para o tribunal é um compromisso da sua gestão. Fachin vem defendendo a criação do Código de Ética nos últimos dias, após críticas no meio político e na sociedade sobre a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF, à frente das investigações de fraudes do Banco Master.

Um Código de Ética é um documento formal que reúne os princípios, valores e normas de conduta que devem guiar o comportamento de todos os membros de uma instituição. O presidente do tribunal deu as declarações na sessão de abertura do ano no STF, que contou com as presenças dos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT); do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

PRONUNCIAMENTO – Também estiveram presentes outros ministros da Corte; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti; e ministros do governo. No seu pronunciamento, Fachin afirmou que, nos momentos críticos do país, como o de defesa das urnas e do processo eleitoral, o STF “atuou para impedir erosões constitucionais”.

Na avaliação dele, o Brasil tem lições de democracia para oferecer, porque “preservou suas eleições sem ruptura e com respeito à Constituição”. “Sem embargo desses reconhecimentos, o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção. É hora de um reencontro com o sentido essencial da República, da tripartição real de Poderes e da convivência harmônica e independente, com equilíbrio institucional. Somos todos chamados a essa arena”, disse o presidente do STF.

DEBATE – Fachin disse que, sob sua presidência, a Corte vai realizar um “debate sobre integridade e transparência” e anunciou que Cármen Lúcia será a relatora da proposta de Código de Ética para o STF. “No plano interno, destaca-se a promoção do debate institucional sobre integridade e transparência; agradeço, de público, como já fiz diretamente a todos os integrantes deste Tribunal, a eminente ministra Cármen Lúcia por ter aceitado a relatoria da proposta de um Código de Ética, compromisso de minha gestão para o STF. Vamos caminhar juntos na construção do consenso no âmbito deste colegiado”, acrescentou Fachin.

O presidente do STF afirmou que a Constituição determina a prestação de contas e que há “respostas ainda a serem dadas”. “Em termos mais amplos, o desafio é reconhecer o protagonismo do sistema político nas funções que são dele. Saber induzir, pelo exemplo e pela decisão, a melhoria das instituições. Saber ser forte o suficiente para não precisar fazer tudo”, declarou.

“Seguirei buscando dar à sociedade brasileira segurança jurídica com legitimidade. Reafirmo o compromisso com a adoção de um Código de Ética para o Tribunal”, frisou Fachin. O ministro disse também que “momentos de adversidade exigem mais do que discursos”. Afirmou ainda que “unidade” não significa “unanimidade” e que “não é a concordância em todas as questões”. “Ademais, o todo não se confunde com a parte. O que nos une é o compromisso com a instituição”, disse.

ENCONTRO – Ainda no discurso que leu, Fachin afirmou que o Brasil tem “um encontro com a sua melhoria institucional” e que o sistema representativo “precisa recuperar sua capacidade de processar as demandas da sociedade”. “Temos instituições de controle que precisam funcionar melhor. Temos uma cultura política que ainda não consolidou plenamente os valores republicanos. E temos, sobretudo, uma dívida histórica com os excluídos”, afirmou.

O presidente do STF dedicou parte do discurso à necessidade de enfrentamento ao crime organizado, com “respostas céleres” no combate a facções. Ele anunciou que será apresentado no mês que vem um painel nacional sobre a criminalidade organizada. “O papel do Supremo e de todo o Judiciário na Segurança Pública é o de fixar jurisprudência criminal que permita eficiente funcionamento da Justiça Penal, e julgar com celeridade os casos que o Ministério Público apresenta”, disse Fachin.

ELEIÇÕES E FAKE NEWS –  O magistrado também afirmou que o Poder Judiciário busca a realização de “eleições livres, seguras e limpas” e atuará para coibir “abusos e informações falsas”. Em 2026, os eleitores vão às urnas escolher presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. “Em ano eleitoral, a Justiça deve manter-se equidistante das posições políticas, sejam quais forem”, disse.

Em seu pronunciamento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que, apesar de percalços e mal-entendidos, o STF terá a “a confiança” como resultado ao agir com altivez e dedicação. “O ano judiciário se mostra de realçado interesse para o desenvolvimento civilizacional do país e para a autoridade concreta dos direitos fundamentais”, afirmou. 

Moraes manda Roberto Jefferson cumprir pena e impõe silêncio total ao ex-deputado

Ex-deputado foi condenado a 9 anos de prisão

Felipe de Paula
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, não acolheu os recursos da defesa do ex-deputado Roberto Jefferson e determinou, nesta segunda-feira, 2, o início do cumprimento da pena definitiva imposta ao político. Apesar de a condenação prever regime fechado, Moraes autorizou que Jefferson cumpra a pena em prisão domiciliar, em razão de seu estado de saúde, mantendo as medidas cautelares já em vigor.

Jefferson foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por incentivar a população a invadir o Senado e a “praticar vias de fato” contra senadores, além de defender a explosão do prédio do Tribunal Superior Eleitoral. Em dezembro de 2024, ele foi condenado a 9 anos, 1 mês e 5 dias de prisão pelos crimes de atentado ao exercício dos Poderes, calúnia, homofobia e incitação ao crime.

RESISTÊNCIA – Ao longo das investigações, o ex-deputado chegou a ser preso preventivamente. Em uma ocasião em que foi determinada sua recondução à prisão, Jefferson resistiu à ordem do STF e atacou policiais federais com granadas e disparos de fuzil. Ele resistiu por mais de oito horas contra a corporação.

Na decisão desta segunda-feira, 2, Moraes autorizou a permanência do ex-parlamentar em prisão domiciliar e determinou a manutenção das medidas cautelares impostas em maio do ano passado, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a suspensão do passaporte, a proibição de deixar o País e a vedação ao uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

Jefferson também está proibido de conceder entrevistas a qualquer meio de comunicação, nacional ou internacional, e de receber visitas, com exceção de advogados e familiares.

Bloqueio faz defesas de Trump e Rumble tentarem “notificar” Moraes por e-mail 

Moraes dá um 'block' em Musk no X: justiça com um toque de ironia | Jornal  de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Rafaela Gama e Luis Felipe Azevedo
O Globo  

A defesa do Rumble e da Trump Media & Technology Group protocolou nesta segunda-feira na Justiça Federal americana um pedido para a notificação por e-mail do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados argumentam que o caminho formal para entrar em contato com o magistrado foi “bloqueado” no Brasil.

A ação a qual Moraes responde nos Estados Unidos segue travada desde o meio do ano passado por falta de intimação do ministro. Procurado, o STF não respondeu ao Globo até a publicação da reportagem.

BARRAR MORAES – No processo em questão, duas empresas de tecnologia americanas, a Trump Media — dona da rede social Truth Social — e a Rumble acionaram a Justiça Federal da Flórida para barrar ordens de Moraes para a remoção de perfis de bolsonaristas nas respectivas plataformas.

No desenrolar do caso, outras partes se juntaram na acusação e provocaram o tribunal com pedidos de investigação contra o magistrado com base na Lei Magnitsky, aplicada no fim de julho pelo governo Trump e suspensa em dezembro.

A defesa das empresas argumenta, no entanto, que a ação está parada há seis meses porque, “em vez de executar a citação como um ato ministerial, as autoridades brasileiras interpuseram camadas adicionais de revisão e solicitaram a opinião do Ministério Público, incluindo o sigilo dos autos de citação e recomendações sigilosas que instavam o bloqueio total da citação em defesa da soberania nacional”.

CITAR POR E-MAIL – Em função disso, a solicitação protocolada hoje afirma que “não há perspectiva para que o magistrado seja notificado num prazo razoável” e pede para que um novo contato seja feito pelo e-mail de Moraes.

Como mostrou o Globo, o local indicado no pedido original de intimação havia sido o endereço residencial de Moraes, no Jardim Europa, em São Paulo.

Os advogados também argumentaram que o ministro também usou o e-mail para “enviar ordens extrajudiciais para obrigar a Rumble a bloquear contas, fornecer dados de usuários protegidos nos EUA e nomear um agente para notificação no Brasil — tudo sob ameaça”.

STJ BLOQUEIA – No documento, eles também afirmaram que, no ano passado, buscaram contato com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconhecido como a autoridade responsável por aprovar formalmente pedidos advindos de cortes internacionais.

Em resposta, o STJ solicitou pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advogacia-Geral da União (AGU) que, de acordo com a defesa da empresas americanas, “paralisou o processo, sem prazo definido e sem garantia de que a citação será efetuada”.

Procurado pelo Globo, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes no STF não se manifestou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes não se manifestou nem vai se manifestar nunca. Corajoso aqui no Brasil, onde só anda cercado de seguranças, o todo-poderoso Xandão treme de medo da Justiça norte-americana. Pensou (?) que poderia enviar ordens restritivas a serem cumpridas nos Estados Unidos, como censura a blogueiros bolsonaristas, mas quebrou a cara. Espalhou ordens de prisão pelo mundo, por meio da Interpol, mas nenhuma delas foi cumprida. Por isso, ele foge de ser citado pela Justiça dos EUA. A coragem era aparente. Apenas isso. (C.N.)

Em ano eleitoral, deputados da Alesp ampliam verba para autopromoção na TV

STM analisa expulsão de Bolsonaro e generais por crimes contra a democracia

Fachin diz que crítica não ameaça a democracia e defende autocorreção do STF

Desejos e fantasias de um poeta que amava o que a vida tem de melhor

Affonso Romano de Sant'Anna | Impressões do Brasil | TV Brasil | Cidadania

Affonso Romano, um grande poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna (1937-2025) descreve os seus “Desejos”, em que alguns versos são bastante atuais.

DESEJOS
Affonso Romano de Sant’Anna

Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.

Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
– Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não: – Os preços do mercado estão um horror!

Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
– As formigas neste inverno estão dando tempo às flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.

Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações dos pássaros,
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.

Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.

Presidente do Instituto dos Advogados avisa que código de ética é muito pouco

Diagnóstico de Diogo Melo parte de estudo do IASP

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

Um código de conduta para o STF (Supremo Tribunal Federal) é um passo, mas não resolve o problema, afirma Diogo Melo, presidente do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), em entrevista à Folha. “É preciso mudanças estruturais.”

Melo defende uma nova reforma do Judiciário e propõe intervenções no plano legislativo, inclusive na Constituição: adicionar a transparência como um princípio republicano, criar um filtro de acesso para partidos proporem ações e fixar prazos para decisões individuais serem apreciadas pelos colegas.

ESTUDO – Tudo parte de um estudo de título autoexplicativo desenvolvido ao longo de um ano pelo instituto com o apoio da Associação Brasileira de Jurimetria —”O Supremo em Perspectiva: Diagnóstico das Disfunções”, ao qual a reportagem teve acesso. O trabalho aponta vícios da corte como o caso de decisões individuais que se sobrepõem à ideia de um tribunal colegiado e o ativismo judicial, que, por sugestão de Miguel Reale, um dos autores do texto, preferem chamar de jurisprudência criativa.

A versão final da pesquisa deve ser entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, em fevereiro. O lançamento do livro para a comunidade jurídica está previsto para ocorrer em 25 de fevereiro. “Hoje, com o Supremo estando diante dessa profunda crise de estabilização, de autocontenção, acredito que a reforma deveria começar por ele. É uma recomendação ética e moral de começar a fazer o trabalho de casa, dentro da própria comunidade jurídica.”

A conclusão do trabalho coincide com a pressão sobre o STF pela adoção de um código de conduta. A ideia ganhou força após decisões controversas e revelações de vínculos de ministros e parentes com o caso Master.

PROPOSTA – Na segunda-feira (26), a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) encaminhou ao STF uma proposta de texto com diretrizes para maior transparência, restrições sobre conflito de interesse e regras para uma quarentena após a saída do cargo.

Tanto o presidente da seccional paulista da Ordem, Leonardo Sica, quanto o presidente do IASP também são signatários de um documento da Fundação FHC que defende a criação de um código pelo tribunal.

Segundo Melo, atuar de maneira não transparente sobre casos específicos, como o do Master, valendo-se do sigilo ou barrando a fiscalização por parte da sociedade, não é uma postura adequada de uma corte constitucional.

PARTE DO PROBLEMA – O presidente do IASP defende a iniciativa da OAB-SP, mas diz que essa é apenas parte do problema. “Temos que ir além, pensar de maneira estrutural. Se um Poder não cumpre um preceito constitucional de transparência, será que não teríamos consequências mais graves?.”

“A necessidade não é só reformar A ou B. Nós não podemos transparecer a sensação de que um código de conduta vai resolver todos os problemas”, diz.

Melo também ressoa um alerta do presidente do Supremo em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: “Se ele [o Supremo] continuar agindo dessa maneira, nesse ponto tenho que concordar com o ministro Fachin, as reformas podem ser mais drásticas, e isso pode gerar uma instabilidade ainda maior”.

Fictor, que ia “comprar” Master, está pré-falida e negociação era apenas conversa fiada

O Grupo Fictor protocolou no último domingo (1º de fevereiro) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo para suas controladas Fictor Holding e Fictor Invest, alegando umaDiego Felix e Paulo Ricardo Martins
Folha

A holding financeira Fictor protocolou neste domingo (1) um pedido de recuperação judicial no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). De acordo com a empresa, a dívida soma R$ 4 bilhões. No pedido, a empresa solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias.

Segundo a Fictor, isso reduziria o risco de “corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.

GRUPO EMPRESARIAL – A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo, fundado em 2007, diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O pedido de recuperação judicial atinge a Fictor Holding e a Fictor Invest, empresas que formam o braço financeiro do grupo. Segundo a companhia, a maior parte dos credores é composta por sócios participantes dos negócios oferecidos.

“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, diz a Fictor em comunicado nesta segunda (2).

EVITAR PROBLEMAS – Subsidiárias do grupo, como a Fictor Alimentos S.A. (empresa listada na B3), devem seguir com suas rotinas, contratos e projetos normalmente. Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, do Dasa Advogados, o objetivo da recuperação é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas de um processo recuperacional, impossibilitando as atividades do grupo como um todo.

Em novembro do ano passado, o Banco Master chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. Isso aconteceu um dia antes de o banco ter sua liquidação anunciada. A operação acabou barrada pelo Banco Central.

Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

INADIMPLENTE – A companhia Fictor vinha recebendo uma série de questionamentos judiciais nas últimas semanas por problemas de pagamento de dividendos de clientes.

No último dia 27, o Tribunal de Justiça de SP já havia determinado o bloqueio de R$ 150 milhões da conta da Fictor, após um cliente que faz a intermediação de pagamentos com cartões de crédito empresariais alegar que a companhia retirou dinheiro de uma conta de garantia.

Pelas regras do contrato, a Fictor era obrigada a manter R$ 150 milhões nesta conta como forma de evitar riscos de inadimplência.

SIGILO JUDICIAL – A operadora de meios de pagamentos, que foi mantida sob sigilo judicial, dizia temer que a crise gerada com a liquidez do Banco Master tivesse criado algum problema de liquidez na Fictor.

Neste cenário, que foi reconhecido pela Justiça ao aceitar o pedido de bloqueio judicial das contas, a Fictor poderia ter adquirido ações do banco de Daniel Vorcaro antes da conclusão do negócio, causando problemas na liquidez. Contraditoriamente, na época da negociação com o Master, a Fictor injetaria mais de R$ 3 bilhões na operação.

Antes de acionar a Justiça para paralisar processos judiciais, a empresa dizia passar por um período atípico, mas negava um cenário de insolvência maior.

CULPA DO MASTER? – No último dia 14, a Fictor afirmou que os pagamentos de investidores seriam regularizados até 12 de fevereiro e explicou ter ficado um pouco mais exposta após a tentativa de compra do Master.

Esse cenário teria resultado em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, agravado por ajustes em relações com fornecedores estratégicos, mas que não decorre de problemas estruturais, como uma situação de insolvência, por exemplo.

Sobre a tentativa frustrada de compra do Master, a Fictor disse que teve sua reputação atingida por “especulações de mercado”, gerando um volume de “notícias negativas” que atingiram a liquidez do grupo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma farsa que está sendo revelada. Detalhe: a suposta compra do banco Master não abalou em nada a credibilidade da holding Fictor. Pelo contrário, ao ameaçar comprar o Master, gastando R$ 3 bilhões, ficou parecendo que a holding estava bem financeiramente, embora já estivesse à beira da falência. Em suma, essas explicações são apenas conversa fiada desses espertalhões do mercado financeiro, que se reproduzem como coelhos. (C.N.) 

Resort da família Toffoli é uma prova irrefutável da corrupção no Supremo

Vídeo mostra Toffoli recebendo André Esteves e empresário que o levou ao  Peru no Resort Tayayá

De copo na mão, Toffoli recebe André Esteves no seu resort

Deu no g1

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concentrou irregularmente as ações no caso do Banco Master após puxar para sua relatoria, em dezembro de 2025, todas as investigações do tema em todas as instâncias da Justiça.

Desde então, medidas tomadas por Toffoli no caso, consideradas incomuns, geraram críticas no mundo político e jurídico.

Entre decisões de Toffoli que geraram polêmica no caso Master estão: restringir acesso da PF a celulares apreendidos nas operações policiais; impor sigilo às investigações; e acareação entre técnicos do Banco Central, que decretou a liquidação do Master, e executivos do banco de Vorcaro, antes mesmo de prestarem depoimentos.

RESORT DA FAMÍLIA – Além disso, nos últimos dias, foi revelado que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro em um resort na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná. A transação foi divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pela TV Globo e pela “Folha de S. Paulo”.

A Polícia Federal investiga, na Operação Compliance Zero, suspeitas de operações financeiras ilegais do Banco Master.

Uma das principais irregularidades apontadas pela PF é que o banco emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.

MUITAS FRAUDES – Para reforçar uma aparente liquidez, o Master aplicou parte do dinheiro dos CDBs em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso na operação. Depois, foi solto pelo TRF-1, mas sob a condição de usar tornozeleira eletrônica e comparecer periodicamente à Justiça, enquanto durarem as investigações.

O resort no Paraná se chama Tayayá. José Eugênio e Jose Carlos, irmãos de Toffoli, foram sócios do empreendimento entre dezembro 2020 e fevereiro de 2025. A participação deles se deu assim: José Eugênio e José Carlos, que é padre, adquiriram suas cotas no Tayayá por meio da Maridt Participações, uma empresa deles dois, que foi registrada na Receita Federal com um capital social de míseros R$ 150.

PRIMO DE TOFFOLI – Os negócios foram feitos com as empresas Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort, e ambas fundadas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani.

Na Junta Comercial do Paraná, consta apenas que houve a compra das cotas no Tayayá. Não consta o valor que os irmãos de Toffoli pagaram.

No caso da aquisição de cotas da DGEP, o registro na Junta informa que a operação se deu por “compensação de crédito detido por ela [Maridt Participações] contra a Sociedade [do resort]”. Ou seja, é como se o resort tivesse, na ocasião, créditos com a Maridt, que foram compensados por meio da participação no empreendimento.

LIGADA AO MASTER – Onde entra a ligação com o caso Master? Bem, a Reag é uma operadora de fundos investigados no caso Master. As autoridades suspeitam que ela e o Banco Master montaram um esquema de operações combinadas que circularam dinheiro entre fundos previamente organizados para dar lucro artificialmente.

A Reag usou um fundo — chamado Arleen — para comprar dos irmãos de Toffoli participação na Tayayá e na DGEP. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao todo, o fundo Arleen investiu R$ 20 milhões na Tayayá e a na DGEP Empreendimentos

O fundo Arleen ainda não é investigado pela Carbono Oculto e também não é citado nas investigações sobre o Banco Master.

BUSCA E APREENSÃO – Em agosto do ano passado, a Reag também foi alvo de busca e apreensão em uma mega operação — a Carbono Oculto — contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC.

TUDO OBCURO – O Arleen comprou parte das cotas dos irmãos de Toffoli no resort em setembro de 2021. Nesse negócio, o fundo Arleen pagou mais de R$ 3 três milhões por metade da participação dos irmãos nas empresas. Como o valor que os irmãoS pagaram em sua participação não consta nos documentos da Junta Comercial, não é possível saber se eles obtiveram lucro.

Os irmãos ainda ficaram com uma fração de participação no resort. Assim, o fundo Arleen e a família Toffoli permaneceram como sócios do Tayayá de setembro de 2021 até o ano passado.

A família Toffoli vendeu a participação na sociedade em fevereiro de 2025.O fundo Arleen deixou a sociedade em julho de 2025.

EMPRESA CASEIRA – O endereço da Maridt, empresa dos irmãos do ministro, que consta na Junta Comercial de São Paulo, é o da casa de José Eugênio Toffoli. O “Estado de S. Paulo” foi até o local e comprovou que ele ainda mora lá com a esposa, Cássia Pires Toffoli, disse ao jornal que nunca soube que a casa foi sede da Maridt e que não tem conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, ela afirmou no vídeo.

E tudo enrolado e na quinta-feira passada, reportagem do jornal “O Globo” revelou que o STF pagou 128 dias de diárias (R$ 460 mil) a seguranças de Toffoli, em viagens durante feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort Tayahá, entre 2022 e 2025.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUm excelente resumo das ligações do Banco Master com a família do ministro Dias Toffoli, que inclui um padre muito piedoso, aquele que costuma rezar missas no resort em datas festivas, enquanto a família acende uma vela a Deus e outra ao diabo, como se dizia antigamente, e Toffoi recebe visitantes bilionários, como o banqueiro André Esteves (BTG), aquele que chegou a ser preso na Lava Jato, quando ainda se combatia corrupção no Brasil. (C.N.)

Centro procura isolar o PL em Santa Catarina e desafia influência de Bolsonaro

Aproximação com o MDB gerou incômodo entre bolsonaristas

Yago Godoy
O Globo

Insatisfações acumuladas com o governador Jorginho Mello e com Carlos Bolsonaro, que concorrerá ao Senado por Santa Catarina, vêm levando partidos de centro a tentarem isolar o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, na eleição estadual. O MDB, que anunciou na última semana a sua saída da base de Jorginho após ser preterido no posto de vice, costura uma aliança com PSD, União Brasil e PP — este último busca apoio para a candidatura do senador Esperidião Amin, que disputa espaço com Carlos.

Líderes locais dessas quatro siglas se reuniram para discutir o cenário eleitoral, após Jorginho anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu candidato a vice. “A opção do governador é uma escolha dele. Nós devemos ter um projeto próprio, e lá na frente vamos decidir um caminho. Essa união (entre os partidos) não pode ser descartada”, disse o presidente do diretório catarinense do MDB, Carlos Chiodini.

PRETERIDO – Chiodini, que era antes o mais cotado para estar na chapa de Jorginho, deixou o cargo de secretário estadual de Agricultura após ser preterido pelo governador. O MDB também orientou que seus filiados entreguem outros cargos no governo.

A aliança com União, PP e PSD mira na capilaridade dessas siglas. Juntos, os quatro partidos de centro controlam 174 das 295 prefeituras catarinenses. Caso ocorra, a aliança apoiará a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo catarinense. Líder estadual do PSD, Eron Giordani afirma que há “portas abertas” para um acordo.

“Faremos o movimento necessário para a eleição, na construção de um projeto alternativo para Santa Catarina. A escolha de Jorginho traz mais prejuízos do que benefícios para ele”, declarou Giordani, em alusão à exclusão do MDB na chapa do PL.

IRRITAÇÃO – A federação União-PP, que se irritou com o recuo de Jorginho na promessa de apoiar a reeleição de Amin ao Senado, vem se mostrando disposta a apoiar o prefeito de Chapecó. “Se ele não mantiver esse compromisso com o senador Esperidião, nós iremos caminhar com o PSD, isso é fato”, afirmou o deputado federal Fabio Schiochet (União-SC).

O parlamentar calcula ainda que uma candidatura de Rodrigues, por ser do PSD, teria mais capacidade de aglutinar apoios no segundo turno do que um candidato do PL. “Se levar para o segundo turno, o voto da esquerda vai para quem aqui em Santa Catarina? Vai para o 22 (Jorginho) ou vai para o 55 (João)? Acho que é mais fácil votar no 55 do que no 22”, avalia Schiochet.

A formação de uma aliança com esses quatro partidos, por outro lado, tende a abrir caminho de vez para a candidatura da deputada federal Carol de Toni (PL) ao Senado na chapa de Jorginho, disputando a segunda cadeira ao lado de Carlos. Antes, quando havia um impasse sobre a chance de o governador apoiar a reeleição de Amin, Carol chegou a ser sondada para se filiar ao Novo.

QUEBRA DE ACORDO –  Em outubro do ano passado, em entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Jorginho havia afirmado que sua chapa seria formada em conjunto com o MDB. A escolha por Adriano Silva, do partido Novo, para o posto de vice pegou de surpresa os representantes estaduais.

“A vice será do MDB, já está tudo encaminhado. Não tem muito estresse. É só esperar um pouquinho. Vamos cuidar do estado de Santa Catarina”, disse o governador na ocasião. Interlocutores relatam que, ao longo do ano, enquanto a aproximação da gestão com o MDB seguia enfrentando resistência dentro do PL, o desempenho eleitoral de Adriano atraiu atenção. Em 2024, ele foi reeleito no primeiro turno com 78% dos votos à prefeitura de Joinville, a maior cidade do estado.

Em fevereiro de 2025, a aproximação com o MDB gerou incômodo entre bolsonaristas correligionários de Jorginho. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o “critério” usado para a escolha teria sido “votar mais com o governo Lula”.

O projeto de Kassab para romper a bolha da polarização, que ninguém aguenta mais

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Pedro do Coutto

Gilberto Kassab voltou a se movimentar com a habilidade que o caracteriza nos bastidores da política brasileira. Diante de um cenário eleitoral cada vez mais marcado pela polarização entre o presidente Lula da Silva e o bolsonarismo, hoje personificado por Flávio Bolsonaro, o presidente do PSD tenta desenhar uma saída que vá além desse confronto binário que domina o debate público.

A ideia, revelada e analisada em reportagem de O Globo, parte do diagnóstico de que há um cansaço difuso no eleitorado com a lógica do “nós contra eles”, embora esse sentimento ainda não tenha se traduzido, até aqui, em uma alternativa eleitoral consistente.

A polarização, vale ressaltar, não é fruto de uma invenção retórica nem de uma distorção artificial do debate político. Ela é consequência direta de processos sociais, econômicos e culturais que reorganizaram o eleitorado brasileiro ao longo dos últimos anos. Hoje, dois blocos estão claramente constituídos, com identidades, lideranças e narrativas próprias.

VIGOR ELEITORAL – De um lado, Lula representa não apenas um governo em exercício, mas um campo político com forte enraizamento social, histórico eleitoral e capacidade de mobilização. De outro, o bolsonarismo, mesmo sem Jair Bolsonaro na linha de frente, mantém vigor eleitoral e encontra em Flávio Bolsonaro um nome com potencial real de chegar ao segundo turno, segundo as pesquisas mais recentes.

É nesse ambiente que Kassab tenta “furar a bolha”. Sua aposta passa pela construção de um campo mais amplo, capaz de atrair eleitores que rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo, mas que, paradoxalmente, acabam votando em um dos dois polos quando chega a hora decisiva. O PSD, partido que Kassab transformou em uma das legendas mais capilarizadas do país, surge como instrumento dessa estratégia. Com governadores, prefeitos, forte presença no Congresso e trânsito em diferentes espectros ideológicos, o partido tenta se apresentar como uma força de equilíbrio em meio ao conflito permanente.

O problema é que a história recente da política brasileira não tem sido generosa com a chamada terceira via. Desde 2018, diversas tentativas de construir uma candidatura fora dos polos fracassaram, seja por falta de densidade eleitoral, seja pela incapacidade de se diferenciar de forma clara num ambiente dominado por paixões políticas.

ESPAÇO POLÍTICO – Kassab sabe disso. Tanto que seu movimento é menos de enfrentamento direto à polarização e mais de criação paciente de um espaço político que possa, em algum momento, se tornar competitivo. Trata-se menos de um projeto imediato e mais de uma construção gradual, que depende de condições externas difíceis de controlar.

Outro fator que pesa contra esse plano é o desempenho de Flávio Bolsonaro. Ao herdar parte significativa do capital político do bolsonarismo, ele reduz ainda mais o espaço para candidaturas intermediárias. Se a disputa se encaminhar, como indicam os números atuais, para um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, qualquer alternativa fora desse eixo tende a ser engolida pela lógica do voto útil. Essa dinâmica, recorrente nas eleições presidenciais, transforma o primeiro turno em uma espécie de triagem, na qual apenas os dois campos mais fortes sobrevivem.

CÁLCULO POLÍTICO –  Ainda assim, Kassab insiste. Não por ingenuidade, mas por cálculo político. Ele aposta que a fadiga da polarização pode crescer ao longo do tempo e que crises, desgastes de governo ou mudanças no humor do eleitorado podem abrir brechas inesperadas. Ao tentar organizar esse espaço desde já, o PSD se posiciona para aproveitar qualquer fissura que surja no confronto entre Lula e o bolsonarismo. É uma estratégia de longo prazo, que exige paciência, disciplina e, sobretudo, leitura precisa do momento político.

No fim das contas, o plano de Kassab revela mais sobre os limites da política brasileira atual do que sobre suas possibilidades imediatas. A polarização segue sendo a força dominante, estruturando discursos, alianças e escolhas eleitorais. Rompê-la não é simples nem rápido. Mas, em política, sobreviver também é saber esperar. E Kassab, veterano como poucos, parece disposto a jogar esse jogo longo, mesmo sabendo que o tabuleiro, por enquanto, continua claramente dividido em dois lados.

Ministros não sabem como impedir a crescente desmoralização do Supremo

O péssimo exemplo, de sempre, do Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Desde sua criação, em 1829, quando se chamava Supremo Tribunal de Justiça, a principal corte brasileira jamais teve sua imagem tão esculhambada, com ministros envolvidos em corrupção explícita ou implícita, na qual incorreram em função do cargo. Realmente, nunca se viu nada igual.

É claro que já houve outras crises graves, mas quase todas ocorreram por motivos políticos, durante regimes de exceção, quando a democracia sofreu fortes abalos e o Supremo tentava resistir à opressão, que é o contrário do que acontece agora, quando muitos ministros se tornaram agentes opressores.

PRISÃO DE HELIO– Uma das crises mais interessantes ocorreu pouco antes da ditadura militar de 1964. O presidente João Goulart sentiu-se ofendido por um artigo de Helio Fernandes na Tribuna da Imprensa e abriu processo contra ele, pedindo que fosse condenado à prisão.

A causa teve enorme repercussão e foi julgada no Supremo em 1963, numa sessão histórica, com a plateia lotada e muita gente de pé, pois os julgamentos eram públicos, qualquer um podia assistir.

Houve empate, o que aumentou ainda mais o suspense, e o presidente Ribeiro da Costa deu o chamado voto de Minerva e então desempatou, absolvendo o jornalista, numa cena emocionante, em que foi ovacionado pelo público, numa grande confusão cívica, digamos assim.

TIRAR A TOGA – Em 1966, dois anos após o golpe militar, o ministro Ribeiro da Costa não aceitou pressões do governo ditatorial ao STF e pediu aposentadoria. O presidente Castelo Branco então convidou o deputado Adaucto Lucio Cardoso para a vaga, por ser jurista de reputação ilibada e ter feito oposição a Goulart, inclusive renunciando à presidência da Câmara.

O novo ministro assumiu em 1967, mas nunca se curvou à ditadura e não apoiava os excessos do governo. Ficou no STF por apenas quatro anos. Em março de 1971, quando o plenário julgou constitucional a Lei da Censura Prévia (Decreto-lei nº 1.077), editada pelo governo Médici, Adauto Lúcio Cardoso então manifestou sua indignada repulsa.

Numa sessão absolutamente lotada, pois o julgamento foi acompanhado por dezenas de jornalistas, além de políticos, magistrados e autoridades, ele despiu sua toga, atirou-a sobre a poltrona e abandonou acintosamente o recinto, num fato inédito na história do STF. 

TUDO MUDOU – Desde a redemocratização do país não houve graves crises e tudo mudou. O que há agora é uma degradação como nunca se viu e que somente está acontecendo porque alguns presidentes da Nova República passaram a desconhecer os pré-requisitos de notório saber e reputação ilibada, com o Senado dando força a essa ilegalidade.

É como se tivesse havido uma implacável campanha para desmoralizar a mais importante instituição do país, que tem obrigação de funcionar como poder moderador, para exigir o cumprimento das leis.  

Agora é tudo ao contrário. O Supremo “reinterpreta” leis, como fez ao libertar Lula da Silva em 2019; “inventa“ leis, a exemplo da descondenação do mesmo Lula em 2021, “legaliza” a perseguição política, ao bloquear a liberdade de expressão; tenta “estender o alcance” de leis brasileiras a países estrangeiros; “considera fora da lei” o único esforço válido de luta anticorrupção no país; “pratica a anistia” a corruptos confessos; e “protege ministros” que infringem a ética e a moral.

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P.S.
O Supremo sai do recesso e volta a funcionar hoje, num ambiente insalubre e nojento. No entanto, nada disso estaria acontecendo se fosse respeitada pelo governo e pelo Senado a exigência de reputação ilibada e notável saber na indicação de ministros. Mas quem se interessa? (C.N.)

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Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Roberto Nascimento

A nota explicativa do ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, deixou mais dúvidas do que certezas. Portanto, não teve o condão de cessar as críticas ao Supremo e em particular ao próprio Toffoli. Portanto, o STF permanece sangrando como alvo de críticas nas redes à esquerda e à direita, porque fatos importantes não foram esclarecidos na nota e continuam gerando a suspeição do ministro e a conivência do Supremo

Ou seja, permanecem desconhecidos da opinião pública os fatos e fundamentos que justificaram a decisão de transferir o caso Master para o STF, sem haver fulcro na Constituição.

UMA SURPRESA – Eu jamais poderia imaginar que algum dia viesse a concordar com uma análise feita pela musa das privatizações do governo FHC, a economista Helena Landau, mas ela foi sensacional com seu artigo no Estadão.

A economista descreve as incongruências do ministro Dias Toffoli permanecer na relatoria do Caso Master. E indaga, com veemência: Ele é ou não suspeito? Precisa ou não aceitar seu impedimento? O caso deve ser julgado na primeira Instância ou na última, o STF? São perguntas que estão gritando alto na consciência da sociedade.

Helena Landau observa que a Suprema Corte tem o direito constitucional de errar por último. Portanto, a responsabilidade do colegiado é de extrema relevância.

JUSTIÇA OMISSA – Realmente, quando um ministro erra e o colegiado se omite, passa para o cidadão comum a sensação de que o Judiciário não está cumprindo seu papel de proteção ao Estado de Direito, fica omisso em seu dever de fazer cumprir os preceitos da Constituição.

O pior é que a crise instalada com a relatoria do ministro Toffoli no Caso Master vem precedida de decisões que anularam sentenças da Lava Jato, inclusive de réus confessos e que haviam devolvido de bilhões de reais aos cofres da Petrobrás, libertando e favorecendo diretores e gerentes corruptos, envolvidos na rapina do Petrolão.

Essa impunidade passa também a sensação de que o crime compensa e aí Helena Landau cita o livro: “Como as Democracias Morrem”. Morre um pouquinho mais, segundo a economista, na repercussão de decisões judiciais teratológicas, exóticas, inexplicáveis, absurdas, incríveis, ilógicas, irracionais e por si adiante.

FRACASSO NACIONAL – A economista faz menção também ao livro “Por que as Nações Fracassam”. A meu juízo, isso acontece quando os Três Poderes abandonam a máxima de Montesquieu descrita no seu clássico “O Espírito das Leis”, no qual o francês iluminista cita a independência e a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário, como condição sine qua non para a sobrevivência da democracia.

Portanto, a responsabilidade da Suprema Corte é importantíssima para a estabilidade democrática.

Quando a sociedade perde a confiança em seus ministros, a democracia começa a morrer lentamente, como um câncer que vai corroendo as entranhas da sociedade até envolver e destruir o tecido social, abreviando a morte da democracia e provocando o fracasso da nação. Então, morre a democracia e o país morre junto.