Desvairado, Donald Trump parece estar declarando guerra aos Estados Unidos

Donald Trump tries to get his felony charges dismissed | Latest US politics  news from The Economist

Donald Trump demonstra ser diabolicamente perigoso

Ruy Castro
Folha

Em “Doze Homens e uma Sentença” (1957), filme de Sidney Lumet, um jurado (Henry Fonda) consegue reverter a decisão de seus dez colegas dispostos a condenar um jovem acusado de matar o pai. Fonda, o jurado nº 8, não está convencido da culpa do rapaz e apresenta objeções que vão dobrando, uma a uma, a certeza de cada um.

No fim, todos votam pela absolvição do garoto. São 95 minutos num cenário único, a sala de reunião do júri, e uma esgrima de diálogos em busca da verdade e da justiça.

UM SR. XERIFE – Em “Matar ou Morrer” (1952), de Fred Zinnemann, um xerife (Will Kane, interpretado por Gary Cooper) é avisado pelo telégrafo de que um assassino que ele prendeu anos antes foi posto em liberdade e cavalga rumo à cidade, com mais três pistoleiros, para se vingar.

Serão quatro contra um. Kane, a quem a cidade devia a paz em que vivia, pede ajuda aos cidadãos e todos têm motivo para recusar. Deixado sozinho, ele encara e mata os quatro (um deles, com a ajuda de sua noiva quaker Grace Kelly),

Quando a cidade vai festejá-lo, Kane tira a estrelinha do colete, atira-a ao chão e vai embora.

EVOLUCIONISMO – Em “O Vento Será Tua Herança” (1960), de Stanley Kramer, um advogado (Spencer Tracy) enfrenta uma cidadezinha maciçamente evangélica e criacionista decidida a silenciar um jovem professor adepto da ciência e do evolucionismo. O filme mostra o julgamento, um duelo de argumentos entre Tracy e outro poderoso advogado (Fredric March) sobre Darwin e a Bíblia — o darwinismo era então crime no estado. O professor acaba condenado, mas a uma multa ridícula, que não o impedirá de lecionar.

Eram esses os EUA que, apesar de todas as sujeiras em política internacional, éramos levados a admirar. O país em que, pela bravura e correção, um indivíduo conseguia se impor a uma maioria hostil. Hoje é o contrário: um ferrabrás se impõe pelo poder e hostiliza e esmaga a maioria. Donald Trump parece estar declarando guerra aos próprios EUA.

E os americanos já não têm um Henry Fonda, um Gary Cooper e um Spencer Tracy que os defendam.

Um vestido muito especial, que virou personagem da poesia de Adélia Prado

Amor pra mim é ser capaz de permitir... Adélia Prado - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas lembra da paixão, que virou um ritual, quando usou “O Vestido” que a faz amante.

O VESTIDO
Adélia Prado

No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.  

Senado retoma atividades prometendo devassar a corrupção no Banco Master

Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge #bancomaster #fragadesenhos #humor #stf | Instagram

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

A colunista Denise Rothenburg informa no Correio Braziliense de hoje, domingo, que o senador Renan Calheiros vai jogar pesado com “o pântano mal cheiroso do Master”. Como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), uma das mais importantes do Senado, Calheiros quer investigar quem eram os agentes públicos que ajudaram a fraude, a maior do país.

 Como acentuei no meu artigo sobre a cachorrada do Master, teremos grandes emoções pela frente, porque as CPIs do INSS e do Crime Organizado também decidiram buscar a verdade sobre o Master, que compromete não somente Toffoli, mas também Alexandre de Moraes.

A VOLTA DE ALICE – Pele branca, cabelos encaracolados, vestidinho sujo, olhos espantados, 4 anos de idade, Alice conviveu com trevas da mata por dois intermináveis dias. Autista, sem fala, longe dos remédios fortes e do carinho da família, a doce menina Alice sobreviveu porque foi acolhida por anjos e passarinhos.

O Brasil orou por Alice. A fibra da solidariedade é forte e cativante. Dentro da noite fria e longa, o choro saia fraco. Apenas para a mãe dela, chorosa e aliviada   Karine, Alice contará o que passou. 

Alice foi encontrada deitada, sonolenta, entre folhas e gravetos caídos do céu especialmente para cuidar dela. 

No vácuo dos governadores, vices chegam ao comando sem capital político

Romeo Zema sinaliza que disputará o Planalto

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Com dois terços dos governadores impedidos de tentar reeleição, o ano eleitoral começa desafiador para os vices, em geral ainda desconhecidos pelo eleitorado, que planejam candidaturas ao Executivo estadual e pretendem ampliar sua visibilidade até outubro. Levantamento da consultoria Bites feito a pedido do O Globo revela que, por enquanto, a posição de número dois nos estados não se reflete em uma base consistente de seguidores nas redes sociais.

Especialistas destacam importância da comunicação digital nas campanhas, mas ressaltam, porém, a possibilidade de crescimento destes nomes com a proximidade do pleito e a exposição junto ao governador ou figuras nacionais até a data de ida às urnas. Uma alavanca para o crescimento da figura dos vices é a desincompatibilização dos governadores, até abril, para disputarem novos cargos nesta eleição.

CANDIDATURAS – Como mostrou O Globo, 11 dos 18 chefes do Executivo estadual sem possibilidade de reeleição sinalizam candidaturas ao Senado, enquanto outros três se colocam como nomes à Presidência. Os vices poderão, nesses casos, ocupar a cadeira principal durante o período eleitoral e capitalizar politicamente a posição para maior projeção.

O levantamento da Bites considerou os 18 estados com governadores sem possibilidade de uma nova disputa pelo cargo e São Paulo, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem destino político ainda indefinido diante da possibilidade de disputar o Planalto. Os dados indicam que o ineditismo da maioria dos vices na posição de cabeça de chapa em eleições majoritárias anteriores compromete a visibilidade deles perante a população.

— O vácuo das grandes lideranças estaduais após a saída dos governadores é reflexo da alta taxa de reeleição há quatro anos. Foram 18, oito a mais do que em 2018. Entre abril e dezembro deste ano, veremos estados sendo comandados por nomes desconhecidos e que vão precisar, a qualquer custo, aumentar sua projeção tanto política quanto digital para continuar no poder, disputando uma reeleição — diz André Eler, diretor-técnico da Bites.

DIFERENTES PERFIS –  É neste contexto que o desconhecimento nas redes pode comprometer as campanhas. A exceção apontada no levantamento é a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que supera o governador Ibaneis Rocha (MDB) no número de seguidores nas principais plataformas. Uma das razões do impulsionamento dela foi a atuação à frente do Palácio Buriti durante os desdobramentos do 8 de Janeiro, enquanto o titular estava afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de omissão perante os atos golpistas na sede dos três Poderes.

Ibaneis é um dos governadores que deixarão o cargo até abril e abrirão espaço para o vice assumir o posto. Além dele, devem ser candidatos ao Senado os governadores Eduardo Leite (PSD-RS), Gladson Cameli (PP-AC), Wilson Lima (União-AM), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB), Antonio Denarium (PP-RR), Mauro Mendes (União-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES).

COTADOS – Também cotados para disputar o Senado, Cláudio Castro (PL-RJ) e Fátima Bezerra (PT-RN) vivem situações excepcionais. A ausência de um vice-governador no Rio e o anúncio no Rio Grande do Norte de que o número dois do estado se desincompatibilizará para disputar o cargo de deputado estadual levarão, em ambos os casos, a eleições indiretas. O cenário, que traz desafios a Castro e Bezerra, culminará na escolha pelo Legislativo dos nomes que estarão à frente de um “governo-tampão” até a posse do escolhido pela população ano que vem.

Já Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, sinalizam que disputarão o Planalto. Assim, abrirão espaço para os vices — da lista, devem disputar o comando da máquina estadual Mateus Simões (PSD-MG) e Daniel Vilela (MDB-GO). No Paraná, o aliado que receberá aval de Ratinho não está definido.

Há ainda casos de governadores que descartam deixar o Executivo, abrindo mão de candidaturas, para não darem palanque aos vices. Entre os motivos estão a “quebra de confiança” e o desejo por apoiar um outro nome na corrida eleitoral. São os casos de Paulo Dantas (MDB-AL), Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Carlos Brandão (PSB-MA) e Marcos Rocha (União-RO).

ALINHAMENTO – Para o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e PUC-Rio, o destaque do vice no ambiente digital conta na disputa eleitoral, mas o alinhamento com quem deixou o cargo ou com um grupo que disputa a Presidência pesa mais na campanha.

— Podemos ter um “novo” governador sem força no digital, mas alinhado politicamente com uma candidatura nacional. Isso conta e muito porque o presidenciável vai trabalhar para que a máquina e seus aliados atuem a favor de determinada candidatura. — diz o também pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia — Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem). — A comunicação digital é relevante porque ajuda a reverberar e criar ondas de opinião contra ou a favor, mas devemos lembrar que a eleição no Brasil ainda é fortemente determinada por fatores extra digital.

SOMBRA DOS PADRINHOS –  Cientista político da UnB, Murilo Medeiros cita como desafio aos vices o fato de que herdam a máquina, mas não necessariamente o capital político do titular. O pesquisador afirma que o resultado é um paradoxo: ao mesmo tempo em que se beneficiam do bônus da continuidade nos meses pré-eleitorais, eles governam sem identidade própria e dependem intensamente do endosso de seus padrinhos políticos para transferência de votos e legitimidade:

— Vice-governadores costumam ganhar tração apenas com o início do calendário eleitoral, quando passam a contar com maior exposição institucional, propaganda e agenda oficial convertida em vitrine política. Do ponto de vista eleitoral, esse cenário tende a produzir campanhas menos programáticas e mais personalistas, reforçando uma lógica de poder baseada na tutela política e no apadrinhamento eleitoral.

Sem trabalho, sem leitura: relatório detalha custódia de Bolsonaro na Papudinha

Caminhada, atendimento médico e 12 dias sem ler livro

Mariana Muniz
O Globo

Um relatório encaminhado pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O documento abrange os dias 15 a 27 de janeiro de 2026 e reúne, de forma cronológica, registros sobre atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e demais procedimentos realizados pela PM.

De acordo com o relatório, Bolsonaro não participou de atividades de remição de pena por leitura em nenhum dos dias analisados, apesar de ter feito o pedido para participar do programa. Em todos os registros diários, a PMDF assinala que “não houve” leitura com fins de remição, assim como não foram realizadas atividades laborais durante o período de custódia.

ATENDIMENTO MÉDICO – Bolsonaro está preso na Papudinha desde 15 de janeiro, onde cumpre a pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O documento aponta que o ex-presidente recebeu atendimentos médicos praticamente diários, realizados tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal quanto por médicos particulares. Segundo a observação final do relatório, as consultas consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais e acompanhamento preventivo do estado geral de saúde do custodiado.

Também foram registradas sessões de fisioterapia em diversos dias, além de atividades físicas supervisionadas, principalmente caminhadas, realizadas em horários determinados. Em alguns dias, Bolsonaro chegou a realizar mais de um período de caminhada; em outros, não houve atividade física registrada, conforme os controles da unidade.

VISITAS – A rotina descrita inclui ainda a presença frequente de advogados, com atendimentos que variaram de poucos minutos a mais de duas horas, além de visitas familiares. O relatório registra encontros com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o vereador Carlos Bolsonaro, em datas e horários previamente definidos. Houve também registro pontual de assistência religiosa, com a presença de pastor em dois dias distintos. Já atividades como trabalho interno ou participação em programas educacionais não constam no período analisado.

O relatório foi elaborado em cumprimento a determinação de Moraes. No documento, a Polícia Militar afirma que todos os procedimentos seguiram as normas legais, administrativas e operacionais, e destaca que a unidade permanece à disposição da Corte para eventuais esclarecimentos adicionais sobre a custódia do ex-presidente.

O escândalo do Banco Master e a falha grotesca da governança e da fiscalização

TJ vai julgar uma ação milionária que opõe Zanin ao sogro por lucros de escritório

Depoimento de Vorcaro foi um primor em matéria de desfaçatez e enrolação

Banco Master: o que Daniel Vorcaro disse à Polícia Federal — e quais as contradições - BBC News Brasil

Vorcaro foi desmentido por Ailton Aquino, diretor do BC

Thais Carrança
BBC News Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou na quinta-feira (29/1) o sigilo dos depoimentos à Polícia Federal do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino.

Os depoimentos foram colhidos em dezembro de 2025, pouco antes de uma acareação entre os executivos, também determinada por Toffoli, no âmbito da investigação da venda pelo Master ao BRB de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas pelo BC.

CARTEIRAS FALSAS – Segundo as investigações, o Master teria adquirido carteiras de crédito da Tirreno, empresa criada em dezembro de 2024, que passou a revender carteiras ao Master já em janeiro de 2025, totalizando R$ 6,7 bilhões, mesmo sem ter então qualquer movimentação financeira comprovada.

Essas carteiras foram em seguida revendidas pelo Master ao BRB, mesmo sem o banco de Vorcaro ter realizado o desembolso à Tirreno pela compra dos ativos.

Em meio ao escândalo, que contou ainda como uma tentativa de compra do Master pelo BRB, o banco de Vorcaro foi liquidado pelo BC em 18 de novembro de 2025.

CONTRADIÇÕES – Em seu depoimento, Vorcaro disse que o BRB teria ciência de que as carteiras de crédito revendidas eram originadas por terceiros, o que foi negado pelo ex-presidente do BRB na acareação.

“A gente anunciou que faria a venda de originadores terceiros. A gente chegou a conversar que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria originada de terceiros, não mais originação própria”, afirmou Vorcaro.

O ex-presidente do BRB disse que acreditava que as carteiras eram do Master. “No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB]”, disse Paulo Henrique Costa.

COM IBANEIS – Em seu depoimento, Vorcaro admitiu ter participado de mais de uma reunião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciada em 28 de março de 2025. “Conversei [com Ibaneis] em algumas poucas oportunidades, sim”, disse o banqueiro.

A delegada então questionou se Ibaneis frequentava a casa de Vorcaro. “Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais, todas.”

Vorcaro negou  que “amigos políticos” tenham intervindo para tentar viabilizar a operação. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, ironizou.

CRISE DE LIQUIDEZ – O banqueiro reconheceu ainda que o Master enfrentava uma crise de liquidez e que o negócio do banco era baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), espécie de seguro que protege investimentos em casos de falência bancária.

“Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro”, disse.

“E essa crise de liquidez, há de se ressaltar, e está no próprio relatório do Banco Central, foi criada por duas coisas, por mudança de regulação com a pressão dos grandes bancos, que mudaram por duas vezes a regra do FGC, porque o mercado se julga dono ali do fundo que é criado justamente para criar competição no mercado”, criticou.

BASEADO DO FGC – “Essa mudança pressionou a captação do banco, porque todo o plano de negócio desde 2018, que a gente entregou para o Banco Central, ele era baseado no FGC. O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo”, completou.

Ainda segundo Vorcaro, no momento da venda das carteiras de crédito problemáticas do BRB, a compra e revenda de ativos havia se tornado a principal fonte de captação do banco, representando de 70% a 80% de seu negócio, diante da impossibilidade de captar através da emissão de títulos em plataformas de investimento, em meio à crise de confiança que já rondava o banco.

“Nos últimos trimestres, a originação e cessão de ativos tinha se tornado a principal fonte de captação do banco, porque foI fechada as fontes originais de captação, que eram as plataformas. No momento do anúncio do BRB, inclusive, elas fecham-se por completo”, disse.

ATIVOS NO EXTERIOR – Após inicialmente desconversar quando questionado sobre se mantém ativos no exterior, Vorcaro admitiu possuir “algumas contas correntes” fora do país, além da holding (empresa controladora) do banco, nas Ilhas Cayman.

“Talvez eu tenha sido uma das pessoas mais escrutinadas no Brasil antes dessa operação”, disse quando primeiro questionado sobre se tem ativos no exterior.

“Tenho todos os meus bens declarados, impostos altíssimos pagos ao longo do tempo, porque já existia esse escrutínio por parte do próprio Banco Central, que acompanha não só o banco, como a minha vida já há alguns anos.”

ESQUECIMENTOS – Depois, novamente questionado pela PF sobre bens no exterior, ele deu mais detalhes: “Eu não consigo me recordar de todas as contas que eu possuo. Eu possuo a holding do banco, que era proprietária do banco, nas Ilhas Cayman. Tinha sido estruturada lá. E algumas contas correntes. Não me recordo de outra coisa.”

Mas Vorcaro negou ter uma mansão em Miami (conforme noticiado pela imprensa à época de sua prisão), dizendo apenas locar um imóvel na cidade da Flórida.

“Apesar da mídia ter anunciado, não tem [casa em Miami]. Tenho locação de um imóvel lá.”

CRÍTICAS AO BC – Em dversos pontos de seu depoimento, Vorcaro criticou a atuação do BC com relação ao Master, dizendo não ter recebido comunicações de irregularidades, multas ou outras penalidades entre o questionamento das operações de venda de carteiras ao BRB em março de 2025 e sua prisão em novembro daquele ano.

“O Banco Central me notifica em março e de repente em 17 de novembro sou preso, sem nenhuma outra pergunta depois de março. É a dúvida que fica para mim, porque o Banco Central não só sabia como acompanhou esse processo da aquisição da Tirreno, da venda para o BRB, das trocas que foram feitas, do desfazimento e não conclusão da operação”, afirmou.

MAIS DESCULPAS – Ele também disse que havia pessoas dentro do BC que eram contrárias a uma solução de mercado (isto é, a venda do banco ou de seus ativos a investidores) para os problemas do Master e que isso teria resultado na liquidação da instituição, o que, segundo ele, prejudicou todo o sistema financeiro.

“Dentro do Banco Central, existiam pessoas que queriam uma solução de mercado, e existiam outras pessoas, departamentos, que queriam que acontecesse o que aconteceu [a liquidação do banco] e acabaram vencendo”, afirmou.

“Acho que essa é a grande questão. Então, talvez o Banco Central como um todo, na minha opinião, não falhou, mas eu acho que algumas áreas e algumas pessoas falharam muito, não só comigo, mas com o sistema financeiro”, criticou.

VENDA DE CARTEIRAS – Vorcaro admitiu ainda ter revendido as carteiras de crédito ao BRB sem ter a documentação completa sobre os ativos.

“Na verdade, a gente fez uma cessão, como várias outras que a gente tinha feito, que ainda carecia da documentação completa. Mas a gente tinha responsabilidade por qualquer vício formal pela ausência de documento, que, obviamente, quando aconteceu, a gente acabou desfazendo [o negócio]”, disse.

O banqueiro argumentou, porém, que o Master não tinha ciência da falta de documentos ao fazer o negócio com o BRB. “Para ser sincero, quando a gente fez o negócio, ainda não tinha essa ciência da ausência da documentação. Eu fiquei sabendo posteriormente que não tinham vindo todas as documentações e, a partir daí, a gente começa a ir atrás. Porque também não foi uma ausência completa: existiu uma documentação base e tinham coisas que estavam faltando”, completou.

PREJUÍZOS AO BRB – Em diversos pontos do depoimento, Vorcaro argumentou que não teria havido crime na operação de venda das carteiras ao BRB, por ela ter sido desfeita posteriormente, sem prejuízos ao banco público, segundo ele.

“Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo. Nesse caso, o BRB não teve prejuízo, nenhum cliente teve prejuízo e o Banco Master não teve vantagem nesse negócio”, argumentou.

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, lembrou em sua oitiva, no entanto, que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Master pode chegar a quase R$ 5 bilhões.

COBRIR PERDAS – O BC já determinou que o banco do DF faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas. E seriam necessários ainda outros R$ 2,2 bilhões.

Durante o depoimento de Vorcaro, os delegados da PF também questionaram a versão do banqueiro de que a operação não teria existido, por ter sido posteriormente revertida.

“Essas carteiras chegaram a ser vendidas e, por problemas vários, foram trocadas por títulos, por participativos. Outro tipo de ativo. Outro tipo de ativo, com outro tipo de liquidez, muito menor liquidez do que a inicial”, disse um dos delegados.

DEU O GOLPE – “Então, só para deixarmos claro, a operação existiu, o BRB efetivamente deu liquidez ao Master em algum momento com R$12 bilhões e o Master trocou os bens que vendeu ao BRB no meio do caminho e esses bens eram de liquidez distintas”, completou o delegado, mais à frente.

Ao que Vorcaro respondeu: “Distintas e que, no meu entendimento, gerou resultados para o próprio BRB ao longo desse ano.”

Vorcaro também confirmou ter participado diretamente do processo de aprovação da operação de venda de carteiras de terceiros aos BRB. “Eu era o presidente. Então, todas as decisões estratégicas de novos negócios e transações relevantes da instituição dependiam da minha aprovação. Nesse caso específico, sim, era [responsável pela aprovação] pela relevância das transações.”

TUDO NORMAL – Vorcaro afirmou também não ver anormalidade no fato de o Banco de Brasília ter tentado comprar o Master mesmo depois de essa operação ter sido revertida após a constatação de irregularidades.

“Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido, mais de uma vez, carteiras de crédito falsas?”, questionou a delegada Janaína Palazzo, da PF.

“Primeiro, novamente, o banco não vendeu carteiras de crédito falsas para o BRB. E sim, se eu fosse o BRB, compraria. E foi uma pena o negócio ter sido negado. Uma pena para o mercado brasileiro, não só para o BRB”, disse o banqueiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tropeçando na concordância verbal e na realidade dos números, o depoimento de Vorcaro exibe um caso patológico de presunção, desfaçatez e artimanha. Foi desmentido, na acareação, por Aílton Aquino, diretor do BC Se fosse na matriz U.S.A., ele jamais estaria em prisão domiciliar. Aqui na  filial Brasil, porém, se o inquérito continuar nas mãos de Toffoli, será impunidade garantida. (C.N.)

Nesta eleição presidencial, fica muito difícil escolher um candidato “menos ruim”

O voto em branco - Espaço Vital

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não é verdade que exista polarização, com o eleitorado brasileiro dividido ao meio entre lulismo e bolsonarismo. É uma bobagem que não tem nada a ver com a realidade do país. O que há é uma situação tripartite, digamos assim, com o Brasil submetido hoje a três correntes que disputam entre si o poder – os lulistas, os bolsonaristas e os que não suportam mais nem Lula nem Bolsonaro.

Cada uma dessas alas teria cerca de 30% do eleitorado e os restantes 10% seriam formados pelos cidadãos que têm predileções mais estravagantes e não almejam mais nada de concreto, preferem votar nulo ou em branco.

ALÍVIO PARA LULA – No xadrez da sucessão, a desistência de Tarcísio de Freitas foi um alívio para Lula e o PT. Quem possui mais de dois neurônios sabe que a rejeição a Lula não vai diminuir e pode até se acirrar.

Portanto, o eterno candidato petista desta vez corre grande risco de perder, apesar de suas chances terem aumentado muito com o lançamento de Flávio Bolsonaro (PL). O filho Zero Um já mostrou que entende muito de rachadinhas, jogadas imobiliárias e franquias de chocolate, mas em política ele é um Zero à esquerda.

Outras candidaturas da centro-direita são problemáticas. Os três presidenciáveis do PSD, por exemplo, disputam entre si uma possibilidade remota de vitória – Ratinho Jr. é um ilustre desconhecido em âmbito nacional; Eduardo Leite, ibidem; e Ronaldo Caiado, tribidem. Um deles será candidato pelo PSD, para depois o esperto Gilberto Kassab, como dono do partido, negociar apoio a quem vencer a eleição, circunstância que é sua grande especialidade.

LULA FAVORITO – Em tradução simultânea, Lula é grande favorito, e são altamente suspeitas essas pesquisas que já indicam Flávio Bolsonaro em empate técnico com o petista.

Vejam que determinados institutos não têm medo do ridículo e seguem o lema de ‘missão dada, missão cumprida”, criado pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, aquele que tem um filho eterno desempregado, que nunca trabalhou, mas vive pelo mundo como milionário, exibindo o enriquecimento ilícito sem o menor pudor.

Flávio Bolsonaro também é contemplado com alta rejeição. Neste ponto, ele e Lula se equiparam. Por isso, sempre existe a possibilidade de surgir uma terceira via que possa tirar votos de Flávio e disputar o segundo turno com Lula, que então deixa de ser favorito e passa a ser azarão. Mas ainda é cedo.

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P.S.
1 – Entre as mulheres, as de maior prestígio são Michelle Bolsonaro, que não será candidata à presidência, a senadora Tereza Cristina (PP- MS) e a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB-MS), que está ligada a Lula e também deverá disputar para o Senado. Neste cenário, muitos eleitores preferem votar branco e nulo, ao invés de tentar escolher o menos ruim. É compreensível, não? (C.N.)    

Hugo Motta escala aliado para supervisionar emendas após servidora ser alvo da PF

Líderes políticos e autoridades podem estar envolvidos com o Banco Master

Charge do JCaesar: 29 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (VEJA)

Adriana Fernandes e Bruno Boghossian
Folha

As investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master chegaram a elementos que apontam para o envolvimento de políticos com foro especial, e as apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF (Supremo Tribunal Federal).

Provas coletadas pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contêm referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos feitos à Folha, sob anonimato, por investigadores do caso.

VÁRIOS ACHADOS – Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro. Os investigadores afirmam que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras

No entanto, as referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília).

Essas fraudes sustentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação da PF, em 18 de novembro do ano passado, mesmo dia em que o Master foi liquidado.

REDE DE ALIADOS – Vorcaro ganhou notoriedade em Brasília por ter construído uma rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão na capital.

As conhecidas relações do banqueiro provocam tensão entre autoridades desde que o dono do Master foi alvo da PF. Alguns políticos temem que sejam desvendadas suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro.

As conexões do banqueiro são consideradas tão amplas que provocaram a leitura de que uma investigação profunda seria comparável à operação Lava Jato, que provocou abalos em diversos partidos e levou a uma série de tentativas de abafar as apurações.

APROFUNDAMENTO – A verificação desses indícios será agora aprofundada pelos investigadores para determinar se houve participação de autoridades no esquema de fraudes de Vorcaro. Eles se somarão aos dados já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).

A segunda fase da operação Compliance Zero, realizada em janeiro, ocorreu já por ordem do ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso após provocação da defesa de Vorcaro, que alegou ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que tem foro especial.

A referência a Bacelar, no entanto, não é o alvo das apurações da PF neste novo momento. Mas o material encontrado na operação cita outros políticos, incluindo nomes do Congresso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O vazamento dessas informações para a Folha desperta suspeitas. Os repórteres podem estar sendo usados para justificar a manutenção do inquérito no Supremo, apesar de nenhum detentor de foro privilegiado estar sob investigação. Vamos aguardar para saber que políticos são esses, que, mesmo investigados, não podem ser citados. É muito estranho. (C.N.)

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Um sonho de poeta, em meio ao amor desiludido, na inspiração de Alice Ruiz

Alice Ruiz

A própria Alice Ruiz personifica um sonho de poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

A pubicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz queria que fosse seu um sonho poético, mas acaba levado pelo vento num amor que não se mostra possível.

SONHO DO POETA
Alice Ruiz

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo.
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia,
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino.

Mas vem o vento e leva
as palavras que digo,
minha canção de amigo.
Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.

Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu,
antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.        

Segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais virou dor de cabeça para Lula

Pacheco e Kalil resistem a disputar governo do Estado

Vera Magalhães
O Globo

O presidente Lula continua sem palanque em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país e Estado decisivo nas mais recentes disputas presidenciais. Enquanto a direita fecha as últimas vagas de uma chapa que vai unir aliados do governador Romeu Zema e o bolsonarismo, a centro-esquerda tem dificuldade de encontrar candidatos tanto ao governo quanto ao Senado, atrasando a definição da estratégia de Lula.

O senador Rodrigo Pacheco, depois de ter passado a considerar a hipótese de disputar o governo, teria recuado novamente nos últimos dias. Aliados do ex-presidente do Senado lembram que ele há meses vem manifestando desinteresse em continuar na política partidária, mesmo com a frustração de não ter sido o nome escolhido por Lula para o STF.

BRECHA – Observadores da política mineira viram nas últimas movimentações de Lula no caso Master uma brecha para, caso o ministro Dias Toffoli deixe a corte prematuramente, nova chance se abrir para Pacheco. Mas o mineiro não inclui essa possibilidade na equação quando avalia a possibilidade de seguir disputando eleições.

Outro que chegou a ser cogitado como possível candidato lulista ao governo é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas as últimas sondagens a ele também resultaram em negativas.

CHAPA – Enquanto isso, o vice-governador Mateus Simões, recém-filiado ao PSD para disputar o governo com o apoio de Zema, está prestes a anunciar uma chapa com o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que vem a ser irmão gêmeo do senador Cleitinho e é do Partido Novo, como vice.

Uma das vagas ao Senado na chapa deve ficar para o PL, que deve indicar o deputado Domingos Sávio, e a outra para a federação União-PP, que deve indicar o secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, como candidato.

Perdido em suas contradições, agora o Supremo não sabe o que deve fazer

Supersalários do poder Judiciário custam 12 bilhões ao País. | ASMETRO-SI

Charge reproduzida do Arquivo Google

William Waack
Estadão

O caminho da crise envolvendo o STF é sem volta, mas o problema é que não se tem muita ideia neste momento até onde vai chegar. Em termos políticos foi ultrapassado o ponto no qual uma “gestão de crise reputacional” poderia conter os danos causados à imagem e legitimidade da instituição.

Não custa lembrar os clássicos da sociologia: instituições existem não por terem uma placa com o nome delas pendurada na fachada de um prédio. Existem por se acreditar nelas. E por serem entendidas como impessoais.

SEM CREDIBILIDADE – Aqui está a essência do problemão imediato do STF: sofre com falta de credibilidade por parecer defender os interesses (políticos e financeiros) de alguns de seus integrantes.

A situação não se deve apenas ao escândalo do Master. Simplificando brutalmente, o STF caiu na política e a política tomou conta dele.

Ironicamente, o Supremo virou mais um retrato do contexto político atual: o da falta de lideranças, em todas as esferas, com capacidade efetiva de controle. Não parece haver no momento quem seja capaz de estabelecer consensos dentro do STF sobre como seguir adiante nessa turbulência severa.

DESCONEXÃO TOTAL – Notas oficiais e desmentidos vindos do Supremo nos últimos dias evidenciam desconexão com um aspecto relevante da realidade política. Querem alguns dos ministros e o presidente da casa acreditar que são vítimas de ataques vindos de prejudicados por suas decisões (e o que chamam de “intervenções de ofício”).

A saber: golpistas, bancos descontentes com decisões de ordem tributária, reacionários que não toleram decisões em favor de minorias, jornalistas pagos por algum interesse escuso.

De fato, seria mais “elegante” encarar um embate sobre aborto, marco temporal, regulação de redes sociais, legislação tributária, para citar alguns assuntos. São grandes temas, de alta complexidade e fortes repercussões sociais e econômicas, cujo tratamento por parte do STF em si levanta questões sobre equilíbrio entre os poderes e as normas constitucionais, mas em boa medida estamos num campo de ideias.

CAUSAS REAIS – Mas não são os grandes temas que estão em debate. No foco da presente crise estão contratos de assessoria jurídicas de valores astronômicos firmados por integrantes da corte com instituições acusadas de fraude pelo Banco Central e pela Polícia Federal (os investigadores que uma parte do Supremo tentou transformar em investigados).

No mesmo foco também estão os favores pessoais recebidos por teias de relacionamento perigosas e promíscuas com diversos segmentos da economia.

E há a arrogância trazida pelo exercício de um poder sem controle. Em nome do quê, afinal? De salvar a democracia, dizem, sem medo do ridículo.

Toffoli e Master: entre a controvérsia e a possibilidade de remessa à 1ª instância

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

No âmago do sistema judiciário brasileiro, o caso Master — que investiga irregularidades na tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília — se transformou em um dos episódios mais controversos do início de 2026. O ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota pública em que rebate as críticas à sua condução e acena com a possibilidade de que, ao fim das investigações, o caso possa ser remetido à primeira instância da Justiça Federal.

Toffoli começou por reafirmar que sua participação foi definida por sorteio, uma prática padrão para a distribuição de casos dentro do STF. Ele destacou que determinou, em caráter liminar, a remessa do inquérito à Corte em dezembro de 2025, mantendo sigilo e medidas cautelares que já haviam sido decretados pelo juízo de origem. A justificativa oficial é sempre a preservação da integridade das apurações e a proteção do sistema financeiro nacional — um argumento que ressoa fortemente em tempos de incertezas econômicas.

JUSTIÇA DE 1º GRAU – O ponto mais sensível da nota, no entanto, foi justamente a abertura — ainda que cautelosa — para que o processo possa, no futuro, retornar à Justiça de primeiro grau. Conforme o próprio ministro pontuou, “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal.”

Esse trecho é revelador por dois motivos: primeiro, porque reflete a preocupação institucional com possíveis críticas sobre foro privilegiado — um tema permanente na jurisprudência brasileira; segundo, porque indica que Toffoli enxerga na transferência para a primeira instância não uma renúncia, mas uma etapa posterior natural, após o fim formal das diligências da Polícia Federal.

Até aqui, todos os pedidos de nulidade apresentados pelas defesas foram rejeitados, e uma tentativa de acordo com um dos investigados também foi indeferida. Além disso, diligências importantes já foram realizadas, incluindo oitiva de dirigentes do Banco Central e a acareação de depoimentos entre figuras-chave — como o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

TENSÕES – Ainda que a nota seja uma defesa técnica e jurídica, o pano de fundo político é inescapável. O caso Master expôs tensões sobre competência, sigilo e influência institucional em um momento em que a confiança pública nas instituições permanece sob escrutínio, seja por debates recentes sobre prerrogativa de foro, seja por pressões externas que cercam as investigações.

A indicação de que o processo pode, em algum momento, voltar à primeira instância tem o efeito prático de diluir parte da controvérsia — e, ao mesmo tempo, adiar um eventual julgamento final por um prazo considerável, caso a estratégia de investigar profundamente antes de remeter o caso seja mantida.

Aumenta cada vez mais a possibilidade de impeachment dos ministros do STF

Moraes e Toffoli são alvo de 7 novos pedidos de impeachment

Moraes e Toffoli já estão na alça de mira dos senadores

Deu na Veja

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou em entrevista ao Ponto de Vista, programa de VEJA, , que existem “problemas na conduta” de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master. Relator da CPI do Crime Organizado, o parlamentar citou especificamente os ministros Dias Toffoli, relator do processo na Corte, e Alexandre de Moraes.

“Você tem claramente problemas na conduta dos ministros Alexandre e Dias Toffoli – contratos, valores e relações que precisam ser explicadas. E é muito natural que, se for necessário, a gente demande (explicações) do Poder Judiciário e o Poder Judiciário atenda, seguindo a lei”, afirmou.

IMPEACHMENT – Segundo Vieira, caso não haja colaboração por parte da Corte, uma das respostas seria o impeachment de magistrados.

“Se (o Judiciário) não fizer isso, você vai ter um agravamento dessa crise institucional e uma demonstração cabal de que o caminho restante será o impeachment. O que não pode numa democracia de verdade é você ter pessoas que estão acima da lei, que não podem ser investigadas.”

Alessandro Vieira afirmou também que a CPI do Crime Organizado pode investigar os familiares de ministros do STF que mantinham negócios com o banco de Daniel Vorcaro.

INVESTIGAR TUDO – “É muito claro que precisamos de mais informações sobre essa situação onde você tem, aparentemente, uma organização criminosa que comprava acesso privilegiado ao poder – Executivo, Legislativo e Judiciário – usando, entre outras estratégias, contratos com escritórios de advocacia. Então a gente tem que fazer essa investigação com todo o alcance possível”, disse o senador, sem citar a mulher de Alexandre de Moraes e seu contrato de R$ 129 milhões.

Também a CPI do INSS pretende convocar o banqueiro Daniel Vorcaro para prestar depoimento, assim com os demais envolvidos no escândalo do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alessandro Vieira é hoje um dos parlamentares mais influentes e respeitados do Congresso. Com sua formação em Delegado da Polícia Civil, ele não dá moleza para a criminalidade e a corrupção. Quando ele fala em impeachment, é que hoje a possibilidade já existe, não é nenhum sonho. Por isso, Toffoli e Moraes têm tanta dificuldade para conciliar o sono. (C.N.)