Força-tarefa aposta em avaliação médica para tirar Bolsonaro da Papudinha

Uma desesperada canção de amor, coisa rara na poesia de Olavo Bilac

Reconheçamos que o Brasil é um dos... Olavo Bilac - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta carioca Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918), que era republicano e nacionalista, no soneto “Longe de Ti” assume seu lado romântico, mas não deixa de falar em pátria, em exílio e em linguagem natal.

LONGE DE TI
Olavo Bilac

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente…

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente…

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Piada do Ano! Depois do escândalo, Lula “desiste” de defender Dias Toffoli

Tribuna da Internet | Sempre generoso, Toffoli suspende multa de R$ 10,3  bilhões que a J&F devia pagar

Charge do Kacio (Arquivo Google|)

Catia Seabra
Folha

O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master. O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.

Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.

NOVA CONVERSA – Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito —eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.

Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.

Mas o presidente está incomodado com o desgaste institucional ao Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada.

COMBATER FRAUDES – A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou Lula na sexta-feira (23).

Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.

LIGAÇÕES COM PT – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.

Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.

A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses do Master.

TOFFOLI RESISTE – O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em casos de autodeclaração.

Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos depois.

O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.

 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Decepções de Lula com Toffoli? Nem tanto, nem tanto… É preciso lembrar que Toffoli foi o articular da manobra para tirar Lula da cadeia em 2019, transformando o Brasil no único país na ONU que deixa solto qualquer criminoso que não tenha sido condenado em quarta instância. A preocupação de Lula é Piada do Ano. O presidente não deu uma palavra sobre os desmandos de Toffoli. Somente agora resolveu se “manifestar” através de amestrados, quando está claro que o ministro Toffoli não passa de mais um petista corrupto e safado, que não vai escapar do impeachment. (C.N.)  

Michelle desafia a família e reposiciona Tarcísio na disputa presidencial

Haddad e o peso das escolhas no xadrez eleitoral de São Paulo

Fernando Haddad e Alckmin são os principais nomes no estado

Pedro do Coutto

A declaração do ministro da Educação, Camilo Santana, ao jornal O Globo recoloca Fernando Haddad no centro do tabuleiro político de 2026 e revela, com rara franqueza, como decisões eleitorais raramente são apenas individuais.

Ao afirmar que o ministro da Fazenda “não pode se dar ao luxo de tomar uma decisão individual”, Camilo explicita uma lógica antiga, mas muitas vezes disfarçada, da política partidária: em momentos estratégicos, o projeto coletivo tende a se sobrepor às vontades pessoais.

POSTO-CHAVE – Haddad, que já disputou a Prefeitura de São Paulo, o governo estadual e a Presidência da República, ocupa hoje um posto-chave no governo Lula. À frente da Fazenda, tornou-se uma das figuras centrais da sustentação econômica e política do terceiro mandato presidencial. Justamente por isso, sua eventual candidatura ao governo paulista ganha contornos que vão além de uma simples escolha de carreira.

Para o PT, São Paulo continua sendo o maior desafio eleitoral e simbólico do país. Trata-se do principal colégio eleitoral, do estado mais rico e da vitrine política onde a direita consolidou força nas últimas eleições. Camilo Santana vocaliza um sentimento que não é isolado dentro do partido: sem Haddad, o PT carece de um nome com densidade eleitoral, reconhecimento nacional e capacidade de enfrentar um adversário forte, como o atual governador Tarcísio de Freitas.

A fala do ministro da Educação não soa como imposição, mas como alerta. Ela sugere que, num cenário de sucessão presidencial e de disputa estadual simultânea, cada movimento precisa ser calculado de forma integrada, pensando no efeito cascata que uma candidatura competitiva em São Paulo pode ter sobre o projeto nacional.

ARGUMENTO – Do lado de Haddad, há um argumento legítimo e compreensível. Após anos de disputas duras, derrotas apertadas e enorme exposição política, o ministro sinaliza preferência por contribuir de outra forma: ajudando a estruturar um projeto de país, fortalecendo a agenda econômica e atuando como formulador estratégico. É a postura de quem enxerga a política para além do calendário eleitoral imediato. Ainda assim, como a própria fala de Camilo indica, a política raramente respeita apenas o tempo e o desejo individuais.

O embate, portanto, não é pessoal, mas simbólico. De um lado, a ideia de missão: quando o partido entende que determinado quadro é essencial para uma disputa-chave. De outro, a noção de limite: até onde se pode exigir que um líder sacrifique seus planos em nome de uma estratégia maior. Essa tensão ajuda a explicar por que a decisão de Haddad será uma das mais observadas dos próximos meses, não apenas em São Paulo, mas em Brasília.

No fundo, o recado de Camilo Santana traduz uma máxima conhecida nos bastidores do poder: em certos momentos da história política, não escolher também é escolher. E, para o PT, deixar São Paulo sem um nome competitivo pode significar abrir mão de um espaço decisivo na narrativa e no equilíbrio de forças de 2026. Haddad sabe disso. O partido também. Resta saber qual peso falará mais alto quando chegar a hora da definição.

Fraudes no Master comprovam que BC e CVM não fiscalizam praticamente nada

Banco Master: Entenda por que ministro do STF decretou sigilo elevado no processo de Daniel Vorcaro - Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Vorcaro criou facilmente uma superpirâmide financeira

Pablo Giovanni
Metrópoles

Com a liquidação do Will Bank, esta é a sétima intervenção do Banco Central no escopo do caso Master, hoje investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

As liquidações efetivadas pelo BC tiveram início em novembro do ano passado, quando as principais instituições do Banco Master, controladas pelo empresário Daniel Vorcaro, sofreram intervenção.

PRIMEIRO ALVO – No mesmo dia, o banco Letsbank, que era comandado pelo empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, também foi liquidado. O empresário consta entre os alvos de busca e apreensão no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero, cumprida pela PF dia 14 de janeiro.

Dentro do conglomerado Master, as instituições individuais ligadas a Vorcaro são apenas três: o próprio Master, o Letsbank e o Will Bank. Com a intervenção nas três, todas as instituições diretamente ligadas ao empresário estão em processo de liquidação.

Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial das instituições do grupo Master: Banco Master S/A; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A.; Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo S.A.

OUTRAS LIQUIDAÇÕES – Já em 15 de janeiro, o BC liquidou a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Por último, o BC decretou a liquidação da Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, popularmente conhecida como Will Bank.

Além das instituições ligadas a Vorcaro, como as próprias instituições do Master e bancos relacionados, a corretora Reag foi liquidada extrajudicialmente por ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

ELO COM O PCC – Dentro das investigações da Polícia Federal, os fundos da corretora Reag têm ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em operação deflagrada ainda em 2025. O fundador da instituição é João Carlos Mansur, também alvo da PF no âmbito da Compliance Zero.

Em apenas cinco anos, de 2020 a 2025, o patrimônio sob gestão da Reag se multiplicou por quase 14 vezes: passou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões. As apurações também apontam que a corretora pode ter sido utilizada para inflar ou ocultar riscos do Master, para facilitar uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), vetada pelo BC.

Fundos ligados à própria corretora adotaram, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sigilo sobre suas carteiras, omitindo o detalhamento dos ativos por prazo de seis meses, conforme mostrou o Metrópoles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma coisa é certa nesse vespeiro – a fiscalização exercida pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários está deixando muito a desejar. Em tradução simultânea, BC e CVM não estão controlando nada. Mesmo assim, até agora não se viu nenhuma autoridade defendendo nem propondo mais rigor na fiscalização. Por que será? Ora, é porque nasce um otário a cada 30 segundos. (C.N.)

Kassab e Ratinho Jr. veem brecha entre Flávio e Tarcísio, mas acordos travam avanço

Master usou credibilidade e audiência da Globo e de Huck para atrair clientes

É real oficial: as willimpíadas vão começar! A partir do próximo domingo, no Domingão com Huck, 200 participantes do Brasil inteiro, vão viver a chance de uma vida: disputar R$ 1 MILHÃO

Luciano Huck se tornou “embaixador” dos fraudadores

Carlos Newton

Sem deixar de reconhecer a relevância da divulgação do escândalo do banco Master por todos os meios de comunicação, devassando suas relações nada republicanas com autoridades de diversos níveis, incluindo os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, é forçoso reconhecer que a bilionária fraude financeira ganhou maior dimensão com a cobertura do Jornal Nacional, que vinha se omitindo.

Curiosamente, até agora a imprensa não se preocupou em divulgar que uma instituição financeira fraudulenta como o Master, que acarretou prejuízo de mais de R$ 50 bilhões a milhões de clientes, incluindo cidadãos de parcos recursos, ter sido parceira de programas de grande audiência da Rede Globo, especialmente o Domingão com Huck.

WILL BANK – Como se sabe, além do Master, o Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecido por Will Bank, de propriedade do mesmo grupo golpista, que não se sabe como pôde implementar tão vultoso ataque ao sistema financeiro nacional sem despertar a menor reação preventiva, em anos, por parte dos órgãos responsáveis por sua fiscalização, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

De acordo com o Banco Central, só a financeira Will tem um passivo de R$ 7 bilhões em transações correntes com a bandeira Mastercard.

Em 2025, foi anunciado que Luciano Huck e seu “Domingão” eram os novos parceiros do Will Bank, cujo CEO, Felipe Felix, afirmou: “Por ser um dos principais nomes da televisão brasileira e estar à frente de um programa no horário nobre de domingo, com um grande alcance, vimos uma sinergia importante em trazer o Huck para ser nosso embaixador. Juntos, queremos descobrir histórias e valorizar ainda mais nossos clientes que estão por todo o Brasil”.

HUCK NA PARADA – Como “embaixador” dos picaretas, Luciano Huck não deixou por menos e destacou: “O Will Bank é meu novo banco. Um parceiro que escolhi para estar ao meu lado nos próximos anos ele já está pelos quatro cantos do Brasil, sempre com novidades incríveis e em constante evolução. Estou feliz demais e quero que meu público possa embarcar nessa com a gente”. 

Como o Will Bank foi liquidado, se você é uma das vítimas desse vultoso calote, procure o Fundo Garantidor de Crédito ou, em último caso, o Ministério Público que deve processar os culpados por propaganda enganosa, segundo o Código de Defesa do Consumidor.

Em lugar algum do planeta alguém acreditaria que um cidadão desconhecido de 42 anos, chamado Daniel Vorcaro, de um dia para outro poderia abrir um banco e aplicar uma rasteira em mais de 10 milhões de clientes, causando prejuízo de dez bilhões de dólares, sem deixar vestígio algum para ser contido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Luciano Huck ficou mal nesse episódio, usando sua imagem para que seus admiradores fossem enganados por uma verdadeira quadrilha financeira. O mais incrível é que uma pessoa como Huck não selecione melhor seus parceiros nos negócios e ainda viva espalhando que pretende ser presidente da República. Recentemente, voltou a falar no assunto, sabe-se lá com que objetivo. (C.N.)

Malafaia sabe que os chefões da Faria Lima rejeitam a candidatura de Flávio

Malafaia: Tarcísio não se arrepende de nada do que falou na Paulista

Malafaia quer convencer Tarcísio a disputar contra Lula

Roberto Nascimento     

O pastor Silas Malafaia já sentiu o vapor do vento, vindo pelos lados do Centrão e da Avenida Faria Lima, endereço dos maiores empresários paulistas, que já se decidiram pela chapa com o governador paulista Tarcísio de Freitas, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

Jair Bolsonaro se insurgiu contra a decisão da direita empresarial e o pragmatismo do Centrão; resolveu impor o nome do filho Zero Um para herdar o legado do bolsonarismo.

SEM CONDIÇÕES – Ocorre, porém, que Bolsonaro foi abatido em pleno voo e está preso. Portanto, ficou sem condições políticas para impor ao sistema o nome do filho Flávio, que não tem carisma para empolgar o eleitorado.

A direita sabe que aquelas condições políticas que levaram Bolsonaro ao poder não existem neste 2026. Pelo contrário, a tentativa de golpe de estado assustou aos empresários, que preferem um cenário de estabilidade democrática, ideal para o ambiente de negócios.

É por isso que Silas Malafaia há muito tempo vem costeando o alambrado para pular do sítio bolsonarista e entrar no terreno com a grama fresca e abundante da candidatura Tarcísio, antevendo a perda de capilaridade eleitoral de Bolsonaro.

FICAR NA MUDA – Mas o que angustia o pastor Malafaia é a indecisão do governador paulista. Segundo o líder evangélico, Tarcísio deveria ficar na muda. igual passarinho, e não falar em reeleição para não queimar o filme.

Assim, quando a direita que manda der a ordem, indicando Tarcísio como candidato, haverá melhores condições. Esse recado será dado até abril, quando termina o prazo para os governadores deixarem o governo para se tornarem candidatos a presidente, deputado ou senador.

Na hora certa, as cartas de quem realmente manda no Brasil vão chegar ao hóspede da Papudinha. Os chefões da Faria Lima não querem o filho Flávio como candidato da direita e serão respeitados.

Dias Toffoli e o risco de contaminação institucional no caso Master

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Vera Magalhães
O Globo

Desde que assumiu o caso, Toffoli tomou uma série de decisões no mínimo controversas para centralizar as investigações no STF: suspendeu apurações em curso na primeira instância, impôs sigilos amplos, questionados por investigadores, e restringiu o acesso do Ministério Público a elementos relevantes. Também determinou limites estritos à coleta de depoimentos.

Isoladamente, essas decisões podem ser enquadradas no guarda-chuva de um princípio famoso e sempre moldável ao gosto do freguês: o garantismo penal. Em conjunto, porém, produziram falta de transparência e, por vezes, constrangimento a quem agiu para investigar e conter os gravíssimos indícios de que foram praticados desvios em série nas transações do Master.

RESORT – Tal histórico ganhou gravidade com as sucessivas revelações sobre o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Reportagens mostraram que o empreendimento teve como acionistas irmãos e um primo de Toffoli e que foi vendido a um fundo de investimento ligado ao Master, controlado por Daniel Vorcaro. Os familiares do ministro negam participação no negócio. A cunhada Cássia Pires Toffoli, em cujo endereço está registrada a empresa que chegou a ser dona de um terço do empreendimento, negou qualquer ligação da família com a venda do Tayayá.

Quando o relator mantém vínculos diretos ou indiretos relevantes com partes de um processo, a dúvida sobre sua isenção deixa de ser periférica e passa a contaminar o caso. No Supremo, onde não existe instância revisora, a exigência de imparcialidade deve ser ainda mais rigorosa. A legitimidade da Corte não depende apenas da convicção subjetiva de seus ministros, mas da confiança pública de que não julgam casos em que tenham interesses diretos ou colaterais.

Há saídas jurídicas claras. A mais imediata seria a redistribuição da relatoria a outro ministro, solução já adotada em diversas situações análogas. Outra alternativa que vem sendo estudada seria o próprio Toffoli remeter de volta o caso à primeira instância, sobretudo diante da ausência de prerrogativa de foro que justifique sua permanência no STF e do próprio entendimento recente da Corte.

SEM SUSTENTAÇÃO – O que não se sustenta é a manutenção do status atual, reforçando a percepção de que o Supremo reluta em agir quando o problema envolve um de seus integrantes. Lembrando que o caso também resvalou em Alexandre de Moraes, cuja mulher detém um contrato com o Master.

Nesse cenário, chama a atenção a postura da Procuradoria-Geral da República. Apesar dos indícios cumulativos de conflitos de interesse e decisões controversas, Paulo Gonet tem sido condescendente e reiteradamente dado o sinal de que está tudo certo. A leniência contrasta com a assertividade demonstrada pelo órgão sob Gonet noutros episódios sensíveis, alguns envolvendo o próprio STF e seus ministros. Pesos e medidas diferentes contribuem para a sensação de que os mecanismos de controle institucional falham quando atingem o topo do sistema.

Afastar Toffoli da relatoria do caso Master não é punição nem juízo antecipado de culpa. É medida de prudência. Ao permitir que o ministro permaneça no comando do processo, o STF aceita que a suspeição se projete sobre suas decisões. E, nesse ponto, o dano já deixou de ser individual. É coletivo.

Defesa de Zambelli reage a negativas da Justiça italiana e pede troca de magistrados

Direita está dividida, mas ainda é cedo para considerar Lula reeleito

Tribuna da Internet | Tendência da política é caminhar para centro-direita em 2026

Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada.

Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.

A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril.

TARCÍSIO É OPÇÃO – Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.

O que é preciso saber é se a teimosia do ex-presidente Bolsonaro o impedirá de mudar de ideia, mesmo com uma derrota provável prevista pelas pesquisas. Perder com Flávio seria melhor que vencer com Tarcísio, como ele parece pensar agora, ou a vontade de ser libertado falará mais alto?

Com Lula reeleito, não haverá indulto, ou graça, ou outra medida qualquer que o beneficie. Com Tarcísio, mesmo com toda a desconfiança, é provável que saia alguma coisa, embora a liderança da direita no Brasil passe de mãos.

EM DECLÍNIO – Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político. Prosseguindo candidato, Flávio poderá unir a centro-direita num segundo turno contra Lula?

Primeiro, tem de chegar ao segundo turno, o que pode ser dificultado por uma candidatura do PSD como a do governador Ratinho Junior, do Paraná. Se o candidato for Tarcísio, a direita estará unida desde o primeiro turno. Se for Flávio, estará dividida. A divisão dos dois ajudará Lula, mas dificilmente o presidente atual venceria no primeiro turno.

Qualquer dos dois que chegue ao segundo turno unirá a direita, mas um sobrenome desses não levará o apoio do centro. Podem aumentar os votos nulos e em branco, mas pode ocorrer novamente o mesmo que na eleição mais recente: os votos do centro elegerão Lula, ainda que com pequena vantagem. Talvez a vantagem se amplie, depois do que aconteceu no governo Bolsonaro.

HAVERÁ MUDANÇAS – As placas tectônicas da política estão se movimentando, alguns dos governadores que se lançaram candidato não se apresentarão. Ronaldo Caiado, de Goiás, deverá disputar o Senado; Romeu Zema deverá ser candidato a vice de Ratinho, enquanto o Centrão tenta emplacar a vice de Flávio Bolsonaro.

Para garantir um Bolsonaro na chapa, Tarcísio se aproxima da ex-primeira-dama Michelle, que aparentemente tem mais votos que Flávio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não disputará contra Tarcísio nem Ratinho, que é de seu partido.

A esquerda, aparentemente hegemônica na eleição presidencial, tem dificuldades para montar seus palanques nos principais estados. Tirando o Rio, onde apoiará o prefeito Eduardo Paes, o PT não tem candidaturas fortes em São Paulo ou em Minas — são os três estados que costumam indicar a vitória presidencial. Especialmente em Minas. Nunca nos tempos recentes foi eleito um presidente que perdeu lá.

DESESPERO DO PT – A invenção de uma candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para o governo de São Paulo não passa de desespero político do PT, num estado em que o atual governador é candidato favorito à reeleição e pode ainda ser o candidato da direita à Presidência.

Em Minas, Zema é a maior força política, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco não parece ter fôlego político suficiente para alavancar Lula.

As peças começam a ser movidas no tabuleiro. A partir de 4 de abril começa o jogo para valer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Belíssima análise de Merval Pereira, que aborda as diversas hipóteses de candidaturas. Se Flávio Bolsonaro insistir na pretensão, as chances de Lula ser reeleito aumentam bastante. (C.N.)

STF não aceita críticas e usa “defesa da democracia” para ficar intocável

O festival de absurdos que assola o Supremo - 18/01/2026 - Lygia Maria -  Folha

Os ministros jovens são os mais gananciosos e ambiciosos

Roseann Kennedy
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre as críticas à condução do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Master. Mas surpreendeu até o ambiente jurídico e acadêmico com o tom adotado.

A despeito de uma série de episódios que põem em suspeição o trabalho de Toffoli, o chefe do Judiciário considerou a atuação do magistrado regular. Até aí, o texto segue um script institucional. Estranho seria se Fachin ratificasse, numa nota pública, críticas aos pares.

DISCURSO FÁCIL – Mas o ministro vai além e cede à tentação de adotar o discurso fácil de que atacar o Supremo é ameaçar a democracia.

“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, disse.

A retórica adotada por Fachin foi válida no passado recente e necessária para enfrentar os golpistas que defenderam a destituição da Corte. Foi usada à exaustão pelo seu ex-presidente Luís Roberto Barroso, todas as vezes que atos no STF eram alvo da censura pública. No entanto, esse discurso não tem nenhuma relação com o caso atual.

COBRANÇAS VÁLIDAS – O Supremo não está sob ataque ou ameaça. Apenas enfrenta cobranças para que cumpra os deveres de transparência e correição de seus membros, da mesma forma que exige de seus jurisdicionados.

Toffoli viajou de jatinho particular com um advogado do banco de Daniel Vorcaro; seus familiares fizeram transações comerciais com um fundo ligado à Reag, gestora investigada por suas relações com o Master e numa operação sobre o PCC, dentre outras revelações que surgem a cada dia.

Fazer uma apreciação ética desses fatos é o que ajudaria o Supremo a manter sua integridade e a legitimidade democrática.

Então, embora Edson Fachin também diga que “a crítica é legítima e mesmo necessária”, o que vemos é o Supremo apelando ao discurso de defesa da democracia como escudo para manter seus supremos integrantes intocáveis.

GANHAR TEMPO – O estrago que Dias Toffoli está causando à Suprema Corte causa incômodo entre outros magistrados. Mas Fachin tenta ganhar tempo para que medidas sejam tomadas – como a votação do código de conduta ou a eventual transferência do caso à 1ª instância – sem significar resposta imediata às pressões externas.

Tão logo Fachin publicou a nota, um ministro me falou: “O Supremo Tribunal Federal não pode desunir-se”.

Porém, enquanto busca-se acalmar ânimos na própria Corte e uma saída honrosa para Toffoli no caso Master, a crise reputacional do Supremo aumenta cada vez mais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Trata-se de pessoas de idade e muita vivência. Os integrantes mais jovens do STF são Moraes (57 anos) e Toffoli (58 anos). Não podem acreditar (?) que desmandos e ilegalidades devam ficar impunes. Como dizia e diz a ministra Eliana Calmon, primeira mulher a integrar o Conselho Nacional de Justiça, “há bandidos de toga”. E isso não pode ser tolerado. Quem não serve tem de sofrer impeachment, na forma da lei. Apenas isso. (C.N.)

MBL fará protesto no carnaval, com desfile do “Bloco do Banco Master”

PROTESTO | O Movimento Brasil Livre (MBL) realizou nesta quinta-feira, 22, uma manifestação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso que envolve o Banco Master. O

Protesto inicial foi realizado nesta quinta, diante do Master

Caio Junqueira
CNN

O MBL (Movimento Brasil Livre) prepara um novo protesto em frente à sede do Banco Master na próxima sexta-feira (30), em São Paulo, e estuda levar às ruas do Carnaval paulistano um “Bloco do Banco Master”.

A decisão ocorreu após o primeiro ato, realizado na noite de quinta-feira (22), que reuniu cerca de 2 mil participantes, segundo o coordenador do grupo, Renan Santos.

VOLTA ÀS RUAS – O dirigente avaliou que a mobilização teve resultado positivo e marcou a volta do movimento às convocações de rua desde 2021.

Ele descreveu o público como heterogêneo e majoritariamente jovem, afirmando que o formato do protesto se diferencia das manifestações de direita que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Segundo Renan Santos, o modelo inaugurado em 2014 pelos protestos de verde e amarelo se esgotou e foi “roubado pelo bolsonarismo”, enquanto atos organizados pela esquerda também não dialogariam com o momento atual.

INDIGNAÇÃO GERAL – O coordenador afirmou que a manifestação desta quinta-feira reuniu pessoas de diferentes espectros políticos — direita, esquerda e centro — mobilizadas pela indignação relacionada ao escândalo envolvendo o banco.

Ele ressaltou que o ato ocorreu sem liderança formal, sem trio elétrico e sem identidade visual específica, e que a nova convocação segue a lógica de protestos espontâneos de 2013.

Com a proximidade do Carnaval, o MBL também trabalha na criação de um “Bloco do Banco Master”, que deve desfilar na avenida Faria Lima e em outros pontos simbólicos da capital paulista, caso a ideia avance.

Um sonho de boa música, com João Nogueira e Nei Lopes, na tradicional gafieira Elite

Aos 83 anos, Nei Lopes continua atuante

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes e seu parceiro João Nogueira (1941/2000) sonharam ter ido a um “Baile no Elite”, tradicional gafieira da Cidade do Rio de Janeiro, onde se apresentava a Orquestra Tabajara. O samba foi gravado por João Nogueira no LP Vida Boêmia, pela Odeon, em 1978.

BAILE NO ELITE

João Nogueira e Nei Lopes

Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçon (Meu Deus do Céu, que baile bom!)
Que coisa bacana, já do Campo de Santana
Ouvir o velho e bom som: trombone, sax e pistom.
O traje era esporte que o calor estava forte
Mas eu fui de jaquetão, pra causar boa impressão
Naquele tempo era o requinte o linho S-120
E eu não gostava de blusão (É uma questão de opinião!)

Passei pela portaria, subi a velha escadaria
E penetrei no salão. Quase morri do coração
Quando dei de cara com a Orquestra Tabajara
E o popular Jamelão, cantando só samba-canção.
Norato e Norega, Macaxeira e Zé Bodega
Nas palhetas e metais (E tinha outros muitos mais)
No clarinete o Severino solava um choro tão divino
Desses que já não tem mais (E ele era ainda bem rapaz!)

Refeito dessa surpresa, me aboletei na mesa
Que eu tinha reservado (Até paguei adiantado)
Manoel, que é dos nossos, trouxe um pires de tremoços
Uma cerveja e um traçado (Pra eu não pegar um resfriado)

Tomei minha Brahma, levantei, tirei a dama
E iniciei meu bailado (No puladinho e no cruzado)
Até Trajano e Mário Jorge que são caras que não fogem
Foram se embora humilhados (Eu estava mesmo endiabrado!)

Quando o astro-rei já raiava e a Tabajara caprichava
Seus acordes finais (Para tristeza dos casais)
Toquei a pequena, feito artista de cinema
Em cenas sentimentais (à luz de um abajur lilás).
Num quarto sem forro, perto do pronto-socorro
Uma sirene me acordou (em estado desesperador)
Me levantei, lavei o rosto, quase morto de desgosto
Pois foi um sonho e se acabou
(O papo é pop e o hip-hop
A Tabajara é muito cara
e o velho tempo já passou!) 

 

Sem plano B, PT aceita sacrificar Haddad para segurar São Paulo e salvar Lula

Negócio nada religioso entre padre e pastor expõe tentáculos do Master

Charge 24/01/2026

Charge de Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de superluxo. É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como num filme de ficção, Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.

FRASE SIMBÓLICA – O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de superluxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro.

Talvez por isso, a frase mais simbólica da confusão e da estranheza venha da própria mulher e Eugênio, Cássia, para o Estadão: “Sócio de resort? Olha a minha casa!”. Uma casa com rachaduras no piso e mofo nas paredes logo na entrada, mas usada como endereço da empresa bilionária dos dois irmãos, que tiveram participação não apenas em um, mas em dois resorts espetaculares.

SINAIS DE POBREZA – Em geral, PF, Coaf e MP seguem “sinais exteriores de riqueza” para investigar alvos de alguma mutreta. Neste caso, dá-se o oposto: o irmão padre e o irmão engenheiro têm de explicar seus sinais exteriores de pobreza – pelo menos para quem teria grana suficiente para ser dono dos tais resorts.

Assim, fica parecendo, para nós, meros mortais, que o verdadeiro dono da empresa e dos hotéis é outro. E quem fica na linha de frente da investigação? O irmão poderoso, das altas rodas de Brasília, ministro Dias Toffoli, que, ora vejam, viaja para a mesma área e justamente quando policiais são enviados para fazer a segurança de “ministro do STF” por lá.

Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 130 milhões não é pouca coisa…

NO CONGRESSO – Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono. O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?

No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.

Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.

Eleição de 2026 está entre a brecha política e o ruído institucional

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A direita brasileira vive um daqueles momentos em que o excesso de movimentos não produz avanço, mas barulho. A reportagem de Camila Turtelli, publicada em O Globo, ajuda a organizar esse quadro ao mostrar como divergências internas — longe de serem episódicas — começam a moldar o tabuleiro de 2026.

O embate ainda difuso entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas abriu uma fresta que Gilberto Kassab e Ratinho Júnior tentam transformar em avenida. O problema é que, no Brasil real, avenidas nacionais quase sempre esbarram em vielas regionais.

ALIANÇAS – Kassab é experiente demais para confundir vácuo com consenso. Ao estimular o projeto presidencial de Ratinho Jr., ele aposta menos em uma ruptura explícita da direita e mais na constatação de que o bolsonarismo, pela primeira vez desde 2018, não apresenta um eixo organizador claro. Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome, mas ainda não demonstrou capacidade de ampliar alianças. Tarcísio, mais competitivo nas pesquisas e com trânsito institucional, segue ambíguo — flerta com o Planalto enquanto reafirma a prioridade na reeleição paulista. Esse compasso de espera cria, sim, uma brecha.

Mas a política raramente se resolve apenas no plano das intenções. O PSD de Kassab é um partido nacionalizado à força de acordos locais. Prefeitos, governadores e bancadas estaduais operam com lógica própria, muitas vezes incompatível com uma candidatura presidencial de oposição. No Rio, na Bahia, no Nordeste em geral, o partido está ancorado em alianças com o governo Lula. Romper esses arranjos teria custo alto — e Kassab não costuma apostar onde o risco supera o retorno.

CONSENSO – Enquanto isso, do lado do bolsonarismo, a falta de unidade vai além da disputa de nomes. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, já disse com todas as letras que o apoio a Flávio Bolsonaro não é consenso na direita. Defende Tarcísio e critica Eduardo Bolsonaro, apontado como fator de ruído e radicalização excessiva. Rogério Marinho, escalado para organizar a campanha de Flávio, tenta profissionalizar o discurso, mas enfrenta a dificuldade clássica de conciliar identidade ideológica com viabilidade eleitoral.

Esse cenário fragmentado se agrava quando o debate político se mistura a uma sucessão de escândalos institucionais. O caso envolvendo o RioPrevidência e os investimentos de quase R$ 1 bilhão no Banco Master — hoje sob investigação da Polícia Federal e do Tribunal de Contas do Estado — é mais um episódio a reforçar a sensação de descontrole. Relatórios técnicos apontam coincidências difíceis de ignorar entre a contratação de dirigentes e o início de aplicações em papéis de baixa liquidez, colocando em risco o pagamento de aposentadorias e pensões de centenas de milhares de servidores.

Não se trata apenas de mais um caso de má gestão ou suspeita de corrupção. O episódio ajuda a explicar por que a opinião pública permanece intranquila e cética. Como já observaram analistas do próprio TCU e estudiosos do sistema previdenciário, fundos públicos são, historicamente, alvos preferenciais de aventuras financeiras travestidas de inovação. Quando isso ocorre em um ambiente político fragmentado, a crise deixa de ser apenas administrativa e se torna também simbólica.

“VAMOS VER” – A direita aposta que, no “vamos ver”, tudo se acomodará. Que divergências se dissolverão diante da necessidade de enfrentar Lula. Pode ser. A política brasileira é pródiga em reagrupamentos de última hora. Mas o momento atual sugere algo diferente: menos capacidade de coordenação, mais conflitos expostos e uma dificuldade crescente de oferecer ao eleitor uma narrativa clara de ordem, competência e futuro.

Entre a brecha aberta pela indefinição presidencial e o peso dos acordos regionais, a oposição parece presa a um paradoxo. Tem espaço para avançar, mas ainda não tem chão firme onde pisar. E, enquanto isso, o país segue assistindo — perplexo — a um vendaval político que mistura ambição, fragmentação e crises que insistem em se repetir.

O mundo segundo Donald Trump: ameaças, pressões e instabilidade

Chapa mais forte para enfrentar Lula seria Tarcísio com Michelle (de vice)

Pesquisa Quaest: Tarcísio e Michelle lideram para substituir Bolsonaro

Uma chapa na medida para impedir a reeleição de Lula

José Perez

Os membros da “famiglia” Bolsonaro preferem perder representados por Flávio, ao invés de vencer sendo liderados por Tarcísio de Freitas. Mas e o Brasil? Ora, o país que se dane! Lula também fez isso em 2018, quando poderia ter apoiado Ciro Gomes, livrando o Brasil de Bolsonaro. Porém, ao invés disso, mandou o “Andrade” (Fernando Haddad) para a derrota, lembram?

Tanto Lula quanto Bolsonaro são despreparados, gananciosos, cretinos e mesquinhos, assim como seus filhos, que tiveram a mesma educação.

POSSIBILIDADES – No tempo certo, pode haver uma união da direita/centro em torno do nome de Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro de vice, muito provavelmente, para garantir os preciosos votos dos evangélicos.

Se isso não acontecer, a união que certamente haverá no tempo certo será do Brasil contra o sobrenome Bolsonaro. como ocorreu em 2022. A maioria dos brasileiros preferiu colocar no poder um corrupto já condenado do que repetir Bolsonaro no poder.

Para o bem do Brasil, Flávio não será presidente. Aliás, deveria estar em cana pelas rachadinhas, pelas fraudes na loja de chocolates e pelas negociatas imobiliárias. Além de ser tóxico devido ao sobrenome, Flávio ainda tem muito telhado de vidro.

CHAPA FORTE – Tarcísio com Michelle de vice é a chapa mais forte para enfrentar Lula. Flávio perde no segundo turno, assim como seu pai, e todos sabem disso. Este é o fato, que não pode ser ignorado.

Por fim, quanto aos escândalos envolvendo o Banco Master e algumas elevadíssimas autoridades da República nos três Poderes, concordo com a opinião do jornalista José Nêumanne Pinto, que afirmou: “Fachin insultou todos os brasileiros de bem”.

E viva a imprensa livre! Sem a liberdade de expressão, não somos nada.