Encontro de Michelle com Moraes antecedeu decisão que transferiu Bolsonaro para a Papudinha

A largada antecipada de 2026 e o xadrez das desincompatibilizações

Ilustração Thiago Lucas (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A política brasileira já vive, na prática, o calendário de 2026. Ainda que a eleição esteja distante no papel, os movimentos de bastidores se intensificam, revelando ambições, testes de lealdade e disputas silenciosas por espaço. Reportagem de O Globo mostra que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atua para se manter na corrida presidencial, disposto, se necessário, a renunciar ao cargo no início de abril do próximo ano para cumprir a regra da desincompatibilização, exigida seis meses antes do pleito de outubro.

A exigência prevista na legislação eleitoral — consolidada na Lei Complementar nº 64/1990 e reiterada pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral — impõe uma escolha clara: ou o poder executivo local, ou a aposta nacional. Ao aceitar esse risco, Tarcísio sinaliza ao mercado político que não quer ser apenas uma alternativa de ocasião, mas um nome disposto a pagar o preço institucional da candidatura.

CONVERGÊNCIA – Ele não está sozinho. Ratinho Júnior, governador do Paraná, já admitiu publicamente aceitar uma candidatura presidencial pelo PSD ou até mesmo ao Planalto, se houver convergência. O cálculo é o mesmo: para disputar, terá de deixar o cargo no mesmo prazo. Em Minas Gerais, Romeu Zema (frequentemente citado como presidenciável no campo liberal) também se enquadra nessa regra, assim como Ronaldo Caiado, em Goiás, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, cujo nome volta e meia ressurge nas rodas políticas como alternativa de centro.

O que une esses governadores não é apenas o calendário, mas a tentativa de ocupar um vácuo político que se abre entre a polarização consolidada e o cansaço do eleitorado. Ao mesmo tempo, o que os separa é a capacidade de transformar viabilidade administrativa em densidade eleitoral — um desafio que o Brasil já viu derrotar muitos “bons gestores” nas urnas.

MICHELLE BOLSONARO – Nesse tabuleiro, outro movimento chama atenção: a crescente presença política de Michelle Bolsonaro. Em reação a críticas do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, ela divulgou carta pública nas redes sociais, rebatendo questionamentos sobre sua atuação. O episódio mais recente ocorreu após Michelle compartilhar um vídeo de Tarcísio de Freitas criticando a política econômica do governo Lula e, simultaneamente, curtir um comentário da primeira-dama paulista sugerindo que o governador deveria ser “o novo rumo do Brasil”.

O gesto, aparentemente trivial no universo das redes sociais, tem peso simbólico. Michelle ocupa hoje um espaço singular no bolsonarismo: não é apenas herdeira de um capital eleitoral expressivo, mas também um termômetro das tensões internas do campo conservador. Ao sinalizar simpatia por Tarcísio, ainda que de forma indireta, ela alimenta especulações sobre alianças futuras e sobre quem poderá herdar, de fato, o espólio político de Jair Bolsonaro.

Ao longo dos últimos meses, esses sinais dispersos compõem um mesmo enredo: a eleição presidencial já começou nos bastidores. Governadores calculam prazos, grupos testam narrativas e lideranças digitais disputam influência. Nada está decidido, mas muita coisa já está em jogo. No Brasil, como a experiência ensina, quem subestima o peso desses movimentos preliminares costuma chegar atrasado à largada.

Empresário ligado ao caso Master preocupa Planalto às vésperas de depoimento à PF

“Guga Lima” teve relação com o núcleo baiano do governo

Caio Junqueira
CNN

O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima”, é o nome hoje que mais preocupa o Palácio do Planalto no caso Master, apurou a CNN Brasil com pessoas próximas ao governo. Ex-sócio de Daniel Vorcaro preso na operação de novembro, mas posteriormente solto, ele irá depor na PF (Polícia Federal) no final de janeiro e há especial atenção no governo federal sobre o que ele irá falar.

Essa relação começou quando o líder do governo Lula no Senado Jaques Wagner (PT-BA) comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, em 2018, durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil. Augusto Lima venceu uma licitação de venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros muito abaixo do mercado e direcionado principalmente a funcionários públicos.

MODELO EXPORTADO – O empreendimento deu certo e o modelo do cartão foi “exportado” para outros estados. Vorcaro viu potencial no negócio e Guga Lima entrou, em 2020, na sociedade do Master levando o CredCesta, que virou um dos principais ativos do banco. A relação de Lima com Vorcaro, porém, nunca foi próxima. Interlocutores de Lima relataram à CNN Brasil que foi o próprio Lima quem pediu para deixar a sociedade no Master, em maio de 2024, porque descobria por terceiros negócios feitos por Vorcaro.

O perfil ostentador de Vorcaro também o incomodava. Augusto Lima é apontado por interlocutores como alguém muito discreto. Ele assumiu o controle do banco Voiter, que, em agosto deste ano, mudou seu nome para Banco Pleno, hoje responsável pela administração do cartão CredCesta.

Fontes que acompanham de perto a investigação, afirmam que é Lima, e não Vorcaro, quem tem potencial de ligar o caso Master ao coração do governo Lula por esse histórico na Bahia. Ressaltam, contudo, que suas relações não são restritas a esse grupo político.

LIGAÇÕES – Ele tem relações também com expoentes da direita baiana, como ACM Neto (União) e o presidente do PL na Bahia, João Roma. Lima, aliás, é casado com Flávia Arruda, ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL), que deixou a política e rompeu com o grupo após não ter tido o apoio da família para se lançar ao Senado pelo Distrito Federal em 2022.

Quem conversou com ele nos últimos dias aponta não haver possibilidade de ele avançar para uma colaboração premiada por não ter o que delatar. Considera-se um injustiçado e entende que o real motivo da operação contra ele foi o incômodo de parte do setor financeiro com o sucesso do CredCesta. Um aliado relatou à CNN Brasil que um banqueiro paulista tentou comprar o negócio e que Guga Lima rejeitou prontamente.

LINHA DE AÇÃO – A estratégia, por ora, será se desvincular de Vorcaro e das eventuais irregularidades feitas pelo Master, tendo por eixo o desligamento da sociedade em maio de 2024, um ano antes, portanto, da tentativa de compra do Master pelo BRB. A CNN Brasil procurou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o secretário de Comunicação da Presidência da República, Sidônio Palmeira, mas eles não se manifestaram.

A equipe de Jacques Wagner encaminhou à CNN Brasil a seguinte mensagem: “A assessoria do senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que o parlamentar conheceu o empresário Augusto Lima em 2017, quando exercia o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Naquele período, uma das atribuições da pasta era conduzir o processo de venda do Supermercado Cesta do Povo, ocasião em que o referido empresário apresentou proposta no processo licitatório e arrematou o ativo”.

Dinheiro vivo, escritura tardia e poder político: as sombras sobre Sóstenes Cavalcante

Ilegalidades de Moraes agravam clima negativo de insegurança jurídica

A charge desta quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025 é de Paulo Sergio. *  As charges não representam necessariamente a posição do iMaranhense. 🔔 l  Veja mais como essa no perfil do

Charge do Paulo Sérgio (Instagram)

Carlos Newton

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que a Tribuna da Internet não está atrelada a nenhum partido político. Portanto,  atua com absoluta independência, sob o signo da liberdade.

Quando denunciamos ilegalidades e desmandos, não nos interessa se os envolvidos são lulistas ou bolsonaristas, muito pelo contrário. Temos até esperança de que seja encontrada uma terceira via, com um candidato (ou candidata) que realmente esteja preparado(a) para conduzir o país.

Da mesma forma, ao abordar os descaminhos do Supremo Tribunal Federal, não nos interessa se o ministro foi indicado pelo presidente A ou B, o que importa é que tenha reputação ilibada, notório saber e se comporte como um magistrado imparcial e competente.  

MORAES, O INSENSATO – Não importa a gravidade dos crimes de que Bolsonaro é acusado nem a irresponsabilidade que possa ter demonstrado no exercício do poder o que importa neste momento é saber se ele está sendo julgado ou trucidado.

Conforme mostramos aqui na Tribuna, o Regimento do Supremo determina que o processo seja redistribuído para outra turma sempre que houver apresentação de embargos infringentes. Art. 76 – Se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra (…).

Portanto, desde o dia 3 de dezembro Moraes estava impedido de atuar nesse processo, que deveria ter sido redistribuído para a Segunda Turma, que funciona como câmara revisora da Primeira Turma, e vice-versa.

ABOMINÁVEL – O descumprimento dessa norma processual mostra que é abominável o comportamento do ministro Moraes na fase final do julgamento de Jair Bolsonaro, usurpando o poder e atuando como relator quando já está impedido.

Esse revezamento entre as Turmas é previsto no Regimento Interno do Supremo, com força de lei, para garantir o cumprimento do Pacto de San José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil em 1992.

O acordo internacional determina que nenhum julgamento, em qualquer instância, pode ficar sem revisão, e o Regimento do STF então adotou esse princípio,  ao determinar que cada Turma seja revisora dos julgamentos da outra, algo que Moraes, ardilosamente, fingiu não entender.

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P.S.  1
O fato concreto é que os seis advogados de Bolsonaro permitiram que Moraes se mantivesse como relator e juiz absoluto, e o ministro ilegalmente rejeitou dois recursos seguidos em decisão liminar, sem encaminhá-los a exame do plenário da Primeira Turma, e a defesa nem esboçou reação.

P.S. 2 –  Os seis advogados que representam o ex-presidente são de uma incompetência fora do normal. Não têm coragem de denunciar as irregularidades de Moraes, não dão uma declaração à imprensa, nada, nada. Comportam-se como se a causa estivesse perdida e encerrada, embora ainda haja excelentes alternativas de defesa. Amanhã, vamos analisar com calma o Jogo dos Sete Erros dos defensores de Bolsonaro. (C.N.)

Lula causa uma tremenda saia justa entre Moraes (STF) e Galípolo (BC)

Moraes: regras do mundo real devem prevalecer também nas redes sociais |  Agência Brasil

Moraes foi à reunião representando o presidente Fachin

Robson Bonin
Veja

Depois de determinar, nesta semana, a abertura de um inquérito para investigar a possível violação de sigilos de ministros do STF e de familiares por órgãos como a Receita Federal e o Coaf, o ministro Alexandre de Moraes teve uma reunião, nesta quinta-feira, com o presidente Lula, o chefe do fisco, o ministro da Fazenda, o chefe da Polícia Federal e outros integrantes do governo.

Segundo as informações fornecidas pelo Planalto, Lula coordenou uma reunião para debater com os presentes “o combate ao crime organizado”.

COMBATE AO CRIME – “Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar ao status de ação do Estado, o combate ao crime organizado”, disse o novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Embora o caso do Banco Master esteja em evidência, por causa da operação da Polícia Federal, o relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, não aparece na lista de participantes da conversa com Lula.

Veja a lista completa de presentes na reunião: vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes; ministro da Fazenda, Fernando Haddad; ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo;  chefe da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues; procurador-geral da República, Paulo Gonet; ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que ficou decidido na reunião? Nada. Foi apenas um ensaio de faz-de-conta, digamos assim. O mais interessante foi a saia justa entre o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro Moraes, que depende do silêncio dele para não sofrer impeachment. Foi a primeira vez que Moraes e Galípolo estiveram juntos na mesma sala, após ter sido surgido o escândalo do contrato de R$ 129,6 milhões e as pressões ao Banco Central. Apenas isso. (C.N.)

Federação de União e PP avança no TSE, mas enfrenta debandadas e disputas locais

Rixas são marcadas por disputas entre pré-candidatos

Lauriberto Pompeu
Camila Turtelli
O Globo

Idealizada pelas cúpulas partidárias para formar a maior força política do país, a federação entre União Brasil e PP caminha para ser formalizada em meio a um processo de desidratação. O movimento expõe as dificuldades de negociações desse porte e serve de alerta a legendas que avaliam alianças como forma de driblar a cláusula de barreira.

União e PP já entregaram o pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para que a federação esteja em vigor na eleição, em 4 de outubro, a solicitação precisa ser aceita até seis meses antes da data. O acordo, porém, acontece em meio a disputas internas em ao menos 13 estados, e parlamentares insatisfeitos já anunciam uma debandada.

EXIGÊNCIAS – Entre as exigências para os partidos que compõem a federação estão seguir a mesma posição em eleições por no mínimo quatro anos e atuar como se fossem uma legenda só no Congresso, compartilhando o mesmo líder partidário.

A estrutura reunirá 108 deputados, a maior configuração da Câmara, e 12 senadores, o que a deixará atrás apenas do PL e do PSD. Juntos, os partidos terão ainda um fundo partidário de R$ 954 milhões, além de seis governadores e 1.343 prefeitos, maior número entre as legendas.

As rixas, no entanto, começam na definição do apoio à Presidência e se espalham para questões locais. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), é pré-candidato ao Planalto, mas seu nome enfrenta resistência no PP — ele e o senador Ciro Nogueira, presidente da legenda, já discutiram publicamente sobre o assunto.

GARANTIAS – Aliados de Caiado afirmam que ele cobra garantias formais de que sua pré-candidatura será considerada dentro da federação e defende que a decisão seja submetida a uma convenção nacional, argumento que passou a alimentar resistências ao acordo em Goiás e em outros estados sob sua influência.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era um nome que unia o apoio da cúpula dos dois partidos, mas diante da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato, a possibilidade de Tarcísio entrar na disputa perdeu força. As legendas ainda calculam como vão se posicionar nacionalmente.

Em dezembro, o presidente do União, Antonio Rueda, publicou uma mensagem defendendo “responsabilidade fiscal e social”, citando os números da federação e dizendo que todos estarão “juntos”. A equação, no entanto, não é tão simples, diante de rachas internos agora somados aos atritos com o PP. Há chance de desfiliações no União como as dos deputados Mendonça Filho (PE), Felipe Francischini (PR) e Alfredo Gaspar (AL).

DIVISÃO DE INFLUÊNCIA – Caso a aliança prospere, Mendonça teria que dividir influência em Pernambuco com o deputado Eduardo da Fonte (PP). No estado, além da disputa por espaço entre as duas legendas, há divergências sobre o palanque de 2026: enquanto setores do PP sinalizam apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), alas do União defendem uma aproximação com o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Aliados de Mendonça afirmam que o grupo não abrirá mão do comando estadual e avaliam que uma federação “imposta” pode levar à saída de parlamentares do partido.

Da mesma forma, o líder do União no Senado, Efraim Filho (PB), resiste a ter que compor com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que integra um grupo político diferente do dele na Paraíba. No estado, o impasse envolve diretamente a disputa pelo governo em 2026, com ambos se colocando como pré-candidatos e sem acordo sobre o critério de escolha do nome da federação.

ESTRATÉGIA – No Rio, a aliança enfrenta dificuldades para definir uma estratégia única. O diretório estadual do União é presidido pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, que passou a conviver com resistências tanto pela falta de consenso sobre uma candidatura própria quanto pelo avanço das articulações em torno do prefeito Eduardo Paes (PSD).

Esse quadro se agravou após Bacellar ter sido preso e, mesmo assim, mantido no comando do diretório estadual com aval de Rueda. Embora tenha sido solto dias depois, o deputado passou a cumprir medidas cautelares, o que fragilizou o partido localmente e ampliou as divisões internas. Paralelamente, o afastamento de Bacellar da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) abriu disputa pelo comando da Casa. Já o PP é comandado no estado pelo deputado federal Doutor Luizinho, que mantém diálogo tanto com Paes quanto com setores do bolsonarismo fluminense, preservando margem de negociação para 2026.

Em São Paulo, o impasse envolve os grupos do ex-presidente da Câmara da capital Milton Leite (União), atual vice-presidente nacional da legenda, e do deputado federal Maurício Neves (PP-SP), presidente da executiva paulista do PP. O comando estadual é estratégico por concentrar o maior volume de recursos e tempo de TV da federação.

DIVERGÊNCIAS –  Há ainda divergências em outros estados. No Paraná, PP e parte do União não concordam com a pré-candidatura do senador Sergio Moro (União) ao governo. Após Ciro Nogueira afirmar que o partido não apoiará Moro, Rueda gravou um vídeo ao lado de ACM Neto reafirmando que a candidatura é “irreversível”, apesar do veto anunciado pelo PP no estado. A tensão foi agravada com a saída do deputado Pedro Lupion, do PP, em movimento avalizado por Tarcísio.

No Amazonas, pesa um conflito interno herdado da fusão entre DEM e PSL: o partido é comandado pelo governador Wilson Lima (União), mas enfrenta resistência do grupo ligado ao deputado Pauderney Avelino, que vê a federação como um movimento de consolidação de poder nas mãos de Lima. Em Minas, o União se aproxima de aliados do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), enquanto o PP mantém diálogo com grupos ligados ao vice-governador Mateus Simões (Novo), dificultando uma costura comum.

Dino proíbe emendas a ONGs ligadas a parentes de parlamentares

Com recorde de requerimentos, CPI do INSS expõe disputa entre governo e oposição

É preciso lembrar: Bolsonaro colhe o que desesperadamente plantou

BOLSONARO NA CADEIA!

Reprodução do Instagram


Vicente Limongi Netto

Horrível precisar sair dos meus afazeres para voltar a falar da melancólica figura de Bolsonaro. O ex-presidente golpista colhe o que miseravelmente plantou. Doente, preso e condenado que virou porta-estandarte de cretinos e demagogos engomados.

Sonham com votos das carpideiras nas eleições. São pingentes fantasiados de indignados e enfurecidos com os dramas e saúde debilitada do ex-presidente. Se fazem de piedosos e preocupados.  Conversa fiada. Deveriam pegar duro nos problemas que realmente importam ao Brasil e aos brasileiros. Foram eleitos com esta finalidade. 

MULHER DE FIBRA – A boa coluna do Estadão (15/01), editada por Roseann Kennedy, anuncia que Roseana Sarney tentará novo mandato de senadora.

Força, energia, vontade de vive são características de vida da deputada, ex-governadora do Maranhão e ex-senadora. Jamais se entrega ao desânimo.

No momento, Roseana passa por rigoroso tratamento de saúde, em São Paulo, mas já preparando sua campanha eleitoral. 

Banco Master: Peritos da PF alertam para risco à investigação após decisão de Toffoli

Charge do Duke (Itatiaia)

Octavio Guedes
G1

Peritos da Polícia Federal (PF) afirmaram que a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o envio das provas da fase mais recente da operação do caso do Banco Master para a Procuradoria-Geral da República (PGR) traz preocupações técnicas para a investigação.

Em nota, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) alerta para a possibilidade de “perda de vestígios relevantes” em razão da ausência do envio dos materiais à perícia criminal. “A postergação do envio ou a realização dos exames fora das unidades oficiais de criminalística, sobretudo em relação a dispositivos eletrônicos, pode levar a perda de vestígios relevantes para a persecução penal, ou mesmo à perda de oportunidades técnicas, por vezes irrepetíveis, como a análise de aparelhos ainda ativos ou recentemente desbloqueados, além de possibilitar eventuais modificações automáticas inerentes ao próprio funcionamento dos sistemas operacionais”, diz a nota.

APREENSÃO – A nota foi divulgada em meio a um vaivém sobre o acesso aos celulares apreendidos na Operação Compliance Zero. Na quarta-feira (14) após a segunda fase da investigação, Toffoli havia determinado que as provas fossem armazenadas e lacradas no próprio STF. Ele dizia que as autoridades competentes iriam periciar, mas não especificava quais nem como.

Depois, ainda na quarta, Toffoli determinou que o material apreendido pela PF ficasse na PGR e não mais no STF, após a PF pedir para Toffoli rever a decisão, apontando risco de frustração da operação caso o material não fosse submetido à perícia e a PGR dar parecer pela revisão da decisão de Toffoli, pedindo que o material ficasse com a polícia.

Nesta quinta-feira (15), Toffoli autorizou a Polícia Federal a periciar os celulares apreendidos. No entanto, restringiu o acesso a 4 peritos da corporação. Além disso, a Procuradoria-Geral da República deverá acompanhar os trabalhos.

O drama do trabalho infantil, na canção de protesto de Luiz Carlos Sá

IMMuB | Compositor - Luiz Carlos Sá

Luiz Carlos Sá, grande compositor carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, integrante do trio Sá, Rodrix e Guarabira, na letra de “Baleiro”, relata a vida de uma família muito pobre, que é ajudada pelo filho vendedor de balas. Essa música foi gravada por Luli no LP Luli, em 1965, pela Philips.

BALEIRO
Luiz Carlos Sá

Olha o baleiro, olha a bala de coco
Todo mundo quer, todo mundo quer

Pai, o seu filho vende bala
Dia e noite não se cala
A pedir para comprar
Olha, é pequeno e não tem bola
É criança sem escola
Onde é que ele vai parar?

Só no baleiro, na bala de coco
Todo mundo quer, todo mundo quer

Seu pai trabalha na obra
Tijolo pra carregar
Sua mãe é lavadeira
Muita roupa pra lavar
Muito irmão fazendo nada
Mas esse quer melhorar
Mas o negócio é que a vida não deixa
E pra não ter mais queixa
tem que trabalhar

Só no baleiro, na bala de coco
Todo mundo quer, todo mundo quer

STF e TCU procuram bloquear PF e BC na guerra do Banco Master

Galípolo se encontra com Andrei Rodrigues na sede da PF

Galípolo (BC) e Andrei (PF) unem forças contra o arbítrio

Mario Sabino
Metrópoles

Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocou uma guerra, como ficou demonstrado nessa quarta-feira: de um lado, temos a dupla dinâmica do Supremo Tribunal Federal e um ministro do Tribunal de Contas da União ou talvez mais de um; de outro, a direção da Polícia Federal e a direção do Banco Central.

Na avacalhação jurídica de ontem, Dias Toffoli atacou abertamente a PF, acusando-a de “inércia” e de “falta de empenho” para realizar a operação que finalmente seria conduzida contra familiares do banqueiro do Master e demais figuras impolutas conectadas aos seus esquemas.

VASTO MATERIAL – Surpresa com o ataque do ministro, visto que não deu razão nenhuma para ser acusada de relapsa na montagem de uma operação que não se faz da noite para o dia, a PF foi a campo e recolheu o vasto material que poderá gerar provas contra Vorcaro e o seu entorno — e mais surpresa ficou quando Dias Toffoli determinou que tudo deveria ficar trancafiado no STF, sem que os policiais pudessem ter acesso ao que apreenderam.

Diante do clamor quase geral, o ministro acabou o dia entregando o material à PGR para que fosse periciado. Mas nada de PF no pedaço, como seria o normal, se este ainda fosse um país cujas autoridades se preocupassem com padrões de normalidade.

A corporação encarregada de investigar crimes não investigará nada, cabendo a investigação à instância acusatória, mais uma inovação saída da cachola de Dias Toffoli.

OCULTAR PROVAS – É possível concluir, assim, que o ministro usou a PF apenas para recolher possíveis provas que estavam espalhadas por aí e guardá-las bem guardadas. Pelo jeito, Dias Toffoli estava com pressa em fazer isso. Se concordou em entregar o material à PGR, foi porque ela seria mais confiável, digamos assim.

Na outra frente do STF, o ministro Alexandre de Moraes abriu de ofício um inquérito sigiloso, como é do seu hábito, para investigar o suposto vazamento de dados financeiros seus e da sua família, bem como de informações relacionadas a Dias Toffoli, da parte da Receita Federal e do Coaf.

Moraes, que não se preocupa em explicar como é que o escritório de advocacia da sua mulher conseguiu firmar um contrato multimilionário com o Banco Master, o que resultou em aumento exponencial do patrimônio pessoal dela, quer saber quem foi que soprou tudo para a imprensa.

RESORT FAMILIAR – Ao que parece, o ministro acha que foram os mesmos beneméritos que repassaram a história da venda do resort Tayayá, no interior do Paraná, que tinha como acionistas os dois irmãos e um primo de Dias Toffoli e um fundo que fazia parte da rede montada por Vorcaro.

O resort passou a ser controlado por um advogado que atua para a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Coincidentemente, Dias Toffoli foi quem suspendeu, em 2023, o pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F com o Ministério Público Federal.

Investigar o Coaf, como fará Moraes no seu novo inquérito sigiloso, é investigar o BC, ao qual o Coaf é vinculado administrativamente, e também a PF, que tem acesso aos dados do conselho encarregado de levantar a bandeira vermelha quando detecta transações suspeitas de lavagem de dinheiro.

UNINDO FORÇAS – Sob fogo cerrado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, recebeu a visita do presidente do BC, o companheiro de trincheira Gabriel Galípolo, na sede da corporação em Brasília.

 

 

Na nota divulgada pela PF, “as autoridades reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro”.

Na realidade, Galípolo foi conversar sobre o imbróglio do Banco Master e reafirmar a aliança do BC com a PF.

AUDITORIA NO BC – Por fim, chegamos ao TCU. Conversinha vai, conversinha vem, o Tribunal de Contas da União fará, sim, uso da sua falta de atribuições para fazer uma auditoria no Banco Central, com o ministro Jhonatan de Jesus empenhado em provar que o Master foi vítima do BC no processo de liquidação.

O BC, porém, não tem medo de briga. Dois dias depois de o (ainda) ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dar o seu respaldo à autoridade monetária, dizendo que o caso Master pode ser a maior fraude bancária da história do país, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust, a gestora que ajudava a inflar os ativos financeiros do banco de Vorcaro — a mesma Reag que administrava o fundo que se tornou sócio dos parentes de Dias Toffoli no resort Tayayá.

Moraes ironiza pressão de aliados e diz que Bolsonaro não cumpre pena em “estadia hoteleira”

Lula na frente, oposição fragmentada e o desafio de unir a direita

Lula segue favorito para as eleições 2026

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do Instituto Quaest, divulgada em reportagem de Caio Sartori e Rafaela Gama em O Globo, ajuda a iluminar, com razoável nitidez, o cenário que começa a se desenhar para a sucessão presidencial. O presidente Lula da Silva segue na dianteira, liderando as intenções de voto tanto no primeiro quanto em eventuais cenários de segundo turno. Não se trata apenas de vantagem numérica, mas de uma posição política consolidada: Lula aparece como o nome mais reconhecido, mais testado eleitoralmente e, sobretudo, aquele que reúne hoje as melhores condições objetivas para disputar a própria reeleição.

No campo da oposição, o dado mais relevante talvez não seja apenas quem aparece em segundo lugar, mas a fragilidade estrutural do conjunto. Flávio Bolsonaro desponta como o nome mais competitivo entre os adversários do presidente, superando outros postulantes ligados ao bolsonarismo ou à direita tradicional. Ainda assim, a distância que o separa de Lula permanece significativa.

MARGEM CONFORTÁVEL – Em cenários simulados, o presidente vence Flávio Bolsonaro com margem confortável, algo em torno de 36% a 23%, enquanto os demais candidatos aparecem com índices ainda mais modestos. Governadores frequentemente citados como alternativas, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema ou Eduardo Leite, não conseguem romper a barreira da baixa projeção nacional, ficando presos a percentuais que, isoladamente, não sustentam uma candidatura presidencial viável.

Há, além disso, um elemento institucional que pesa contra a oposição: o calendário. A Constituição impõe a desincompatibilização dos governadores seis meses antes da eleição, o que significa que qualquer projeto presidencial exigiria renúncia antecipada, risco político e reorganização dos estados. Até agora, nenhum desses atores demonstrou disposição clara para esse movimento.

Tarcísio de Freitas, por exemplo, já sinalizou que não pretende disputar a Presidência, o que torna irrelevantes, do ponto de vista prático, as simulações que o incluem na corrida. O mesmo vale para outros governadores, mais inclinados a preservar seus projetos locais ou a mirar o Senado e a Câmara dos Deputados como caminhos mais seguros para manter capital político.

ALIANÇAS – Nesse contexto, a hipótese frequentemente levantada de uma união absoluta da oposição em torno de Flávio Bolsonaro parece mais teórica do que real. No papel, alianças se desenham com facilidade; na prática, ambições pessoais, divergências regionais e disputas partidárias tornam improvável uma convergência plena.

A transferência automática de votos — como se eleitorado fosse patrimônio negociável — raramente se confirma nas urnas. Cada estado tem sua própria dinâmica, seus próprios conflitos e seus próprios interesses, o que dificulta a construção de um palanque nacional coeso contra um presidente que dispõe da visibilidade, da máquina administrativa e do poder de agenda inerentes ao cargo.

CONTEXTO POLÍTICO – Tudo isso contribui para reforçar a posição de Lula. Não apenas pelos números frios das pesquisas, mas pelo contexto político que os envolve. O presidente tende, como ocorre historicamente com ocupantes do Planalto, a crescer ao longo do processo eleitoral, seja pelo uso estratégico das políticas públicas, seja pela capacidade de dialogar com diferentes segmentos sociais.

As pesquisas sucessivas, consideradas confiáveis quando comparadas a pleitos anteriores, indicam uma estabilidade favorável ao governo, ao mesmo tempo em que expõem a dificuldade da oposição em apresentar um projeto alternativo claro, competitivo e unificado.

FAVORITISMO – Ainda assim, o quadro não está fechado. Campanhas são organismos vivos, sujeitos a crises, rearranjos e mudanças de humor do eleitorado. O que os dados atuais sugerem, contudo, é que Lula entra no jogo como franco favorito, enquanto seus adversários seguem presos a um dilema: disputar entre si ou tentar, sem garantia de sucesso, uma unidade tardia.

Se nada mudar de forma substantiva, a vantagem do presidente tende não apenas a se manter, mas a se ampliar — e a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, hoje ainda hipótese, passa a integrar com mais seriedade o horizonte político brasileiro.

Moraes manda apurar quem revelou contrato de R$ 129 milhões da mulher

Moraes foi descuidado, para se dizer o mínimo

Wálter Maierovitch
UOL

O ministro Alexandre de Moraes — sem corar, pois tem interesse na determinação que tomou — quer cabeças rolando na Receita e na agência de inteligência financeira conhecida por Coaf. A apuração requisitada por Moraes à polícia judiciária objetiva identificar os autores de supostos vazamentos criminosos de dados sigilosos.

Trocado em miúdos: em nome da Justiça, que tem por meta não deixar impunes os crimes e não punir inocentes, Moraes quer identificar e, evidentemente, punir os responsáveis por terem pego a sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com a boca na botija.

ATUAÇÃO LEGÍTIMA – Os dados foram descobertos, em atuação legítima, com amparo constitucional, pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo. Ela revelou detalhes do contrato da mulher de Moraes para a defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.

De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, receberia R$ 129,6 milhões até o início de 2027.

Frise-se, a jornalista não violou nenhum sigilo. Apenas informou, depois de verificar a veracidade do material que lhe chegou. Não houve, por parte de Malu Gaspar, cometimento de crimes.

VIDA SOCIAL – Lauro Jardim chegou a divulgar a presença de Moraes num banquete na suntuosa mansão de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, no final de 2024, mas sem a presença da esposa, Viviane.

Também houve a informação, por Malu Gaspar e a colunista o UOL Daniela Lima, de encontro de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A situação precária do banco Master teria surgido na conversa. Moraes, em nota, sustentou ter conversado apenas sobre as consequências da Lei Magnitsky.

O escritório Barci de Moraes Associados, segundo levantou o jornal Estado de S.Paulo, teve um aumento significativo no número de clientes depois da posse de Moares no STF.

RÉGIA REMUNERAÇÃO – O contrato com dados vazados estabelecia régia remuneração ao escritório da esposa de Moraes, que deveria prestar serviços a cobrir todas as instâncias judiciárias (inclusive o STF) e órgãos da administração pública, direta ou indireta.

O interesse e consequente parcialidade de Moraes são evidentes. O ministro do STF usa o poder do seu cargo em interesse próprio e o camufla como obrigatoriedade de denunciar algo.

A requisição de Moraes tem odor de vingança. Mais ainda, volta-se ao tempo do “você sabe com quem está mexendo?”. Passa a intenção de mostrar musculatura para constranger jornalistas.

SESSÃO REPRISE – E não é a primeira vez: Moraes repete, com relação ao dever de imparcialidade, o grotesco espetáculo no aeroporto romano de Fiumicino.

À época, o ministro movimentou mundos e fundos, sempre no interesse próprio, mas mascarado como uma ofensa à Justiça. Até imagens foram apagadas do original sobre uma falsa agressão ao filho de Moraes.

Diz a lei processual caber ao juiz, no processo onde atua, comunicar ao Ministério Público e à polícia judiciária fatos com suspeita de ilicitude criminal. Moraes não atua no caso Vorcaro. A informatio delicti (notícia de um crime), pelo vazamento de informações sigilosas, era providência que competia à sua esposa, que ficou sob exposição. E também ao Ministério Público e à polícia.

FORA DA LEI – Portanto, não era legítimo, constitucionalmente, Moraes exigir apurações, no interesse familiar. Como ensinou o saudoso constitucionalista e processualista Piero Calamandrei, um dos pais da Constituição italiana de 1948, “se o juiz não tem cuidado, a voz do Direito se esvanece”.

Moraes foi descuidado, para se dizer o mínimo. Cada vez fica mais evidente a necessidade de um código de conduta ética para ministros do STF, com poder sancionatório por órgão competente e de verdadeiro controle externo. Não se está a defender a não apuração de ilícitos criminais. Ressalte-se, apenas, o abuso de poder, em caso de visível interesse do ministro requisitante do inquérito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sensacional o artigo de Wálter Maierovitch, um jurista de verdade, com notório saber e reputação ilibada. (C.N.)

Aliados veem “vitória parcial” e mantêm pressão por prisão domiciliar de Bolsonaro

Moraes usurpou poderes no Supremo para “julgar e condenar” Bolsonaro

Alexandre de Moraes e o golpe, Leite interrompe as férias e outras frases da semana | GZH

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

De início, agradecemos ao jurista carioca João Amaury Belém, amante e estudioso das leis, por ter apontado uma omissão em nosso artigo de quinta-feira, em que abordamos as ilegalidades e os desmandos processuais praticados pelo ministro Alexandre de Moraes na condenação de Bolsonaro e demais réus do 8 de Janeiro.

Conforme já informamos aqui na Tribuna da Internet, e voltamos agora a confirmar, o ministro Alexandre de Moraes e a Primeira Turma estavam fora da Ação Penal 2.668 desde 3 de dezembro, quando a defesa de Bolsonaro apresentou embargos infringentes. Na forma da lei, não poderiam mais atuar no processo.

PACTO DE SAN JOSÉ – Essa troca de turmas é prevista no art. 76 do Regimento, para que seja respeitado o Pacto de San José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil em 1992,  que tem força supraconstitucional. O acordo determina que nenhum julgamento fique sem revisão. No caso do Supremo, cada Turma faz revisão do julgamento da outra, se forem apresentados embargos infringentes.

“Art. 76. Se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra; se do Plenário, serão excluídos da distribuição o Relator e o Revisor.”

Isso significa que houve duplo erro no Supremo Tribunal Federal. O primeiro erro foi cometido pela Secretaria em 3 de dezembro. Ao receber os embargos infringentes apresentados pela defesa de Bolsonaro, a Secretaria deveria ter obedecido ao Regimento e encaminhado os autos da Ação Penal 2.668 para a presidência da Segunda Turma, que indicaria novo relator e providenciaria julgamento do recurso.

MORAES EM AÇÃO – Na verdade, o erro original não tinha sido da Secretaria, mas da defesa de Bolsonaro, que endereçara os embargos nominalmente ao ministro Alexandre de Moraes. E a Secretaria nem percebeu o equívoco processual dos advogados.

E o que fez Moraes? Bem, ao invés de devolver os embargos infringentes à Secretaria, ele resolveu rejeitá-los ilegalmente, em decisão liminar, sem encaminhar o recurso a exame dos outros quatro ministros.

É inacreditável, mas o gravíssimo erro processual não foi percebido pela incompetente e caríssima defesa de Bolsonaro, a cargo de três grandes escritórios, e o falso relator Moraes então seguiu em frente, em sua sanha persecutória.

USURPAÇÃO –  Na verdade, trata-se de uma usurpação de poderes jamais vista na História da Suprema Corte. E a Secretaria errou novamente  nesta segunda-feira, dia 12, quando recebeu o agravo da defesa e encaminhou ao gabinete de Moraes, ao invés de enviar à Segunda Turma.

Em rapidez impressionante, num texto curto e descuidado, com erros de datas e omissões, no dia seguinte o audacioso Moraes seguiu ocupando de maneira irregular a relatoria e rejeitou ilegalmente o agravo da defesa, sempre em decisão liminar, sem ouvir os demais ministros.

Bem, essa é a surpreendente fase atual da Ação Penal 2.668, a mais importante da História Republicana, que todos julgavam haver “transitado em julgado” em 25 de novembro, mas continuou tramitando e ainda cabe recurso, se os advogados de Bolsonaro tiverem um mínimo de competência, mas é  duvidoso que a demonstrem.

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P.S. – Para não dizerem que não falamos de flores, vamos analisar em outra oportunidade o trabalho dos advogados de Bolsonaro, que já embolsaram muitos milhões de reais, sem apresentar serviço para tanto, por desconhecerem a processualística do Supremo. (C.N.)

Emendas, gabinetes e INSS: graves investigações pressionam o Congresso

Campanha de Lula reedita “nós contra eles” e evita o campo minado da segurança

Carro-chefe da camapnha terá o mote do combate aos privilégios

Vera Rosa
Guilherme Caetano
Estadão

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao quarto mandato terá como carro-chefe o mote do combate aos privilégios em nova versão do “nós contra eles”. Embora pesquisas indiquem que a maior preocupação dos eleitores está na segurança pública, trata-se de um campo minado para o governo.

Os adversários de Lula, porém, farão tudo para jogá-lo nesse terreno. Certos de que a estratégia da oposição será por aí, ministros já preparam argumentos para enfrentar o debate da segurança e dirigentes do PT levantam problemas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta seara.

BOLHA BOLSONARISTA – Flávio é o nome anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela trama golpista e hoje preso, para disputar a eleição ao Palácio do Planalto. A cúpula do Centrão, no entanto, avalia que a candidatura de Flávio não vai além da bolha bolsonarista e alimenta a esperança de que Tarcísio possa assumir esse lugar.

A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, esquentou as discussões a respeito da criação de um ministério exclusivo para a segurança pública. Com ou sem essa pasta, porém, o fato é que o governo vem perdendo para a direita a batalha da comunicação sobre o combate à criminalidade. Além disso, a PEC da Segurança enviada na gestão Lewandowski está empacada no Congresso e o projeto de lei antifacção foi desfigurado.

O pacote “povo x privilégios” que Lula pretende vender na campanha, por sua vez, é visto no Planalto como um tema com potencial de atrair trabalhadores que flertam com o bolsonarismo. A lista inclui propostas como mudanças na jornada de trabalho de seis dias com apenas um de folga, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e taxação dos super-ricos.

RESISTÊNCIA  – O problema é que, enquanto três propostas sobre o fim da escala 6×1 tramitam no Congresso, há muita resistência do setor empresarial para a aprovação de um projeto assim, e isso se reflete tanto na Câmara como no Senado.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta construir um acordo para a votação. “Melhorar a vida de quem trabalha, com o fim da escala 6×1, é a próxima meta do governo do presidente Lula, que reduziu o desemprego ao menor índice da história, aumentou o salário e a renda das famílias e isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil”, disse Gleisi à Coluna.

PARECER – O governo não gostou do parecer do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O relatório de Gastão desagradou ao Planalto porque, apesar de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantém a escala de seis dias de trabalho com um de folga.

Articuladora política do Planalto com o Congresso, Gleisi corre contra o tempo nas negociações. Além de “tourear” a oposição ao projeto, a ministra precisa andar rápido porque deixará o governo até o início de abril para se candidatar a novo mandato como deputada federal pelo Paraná. Até agora, no entanto, Lula não escolheu quem irá substituí-la.