Moraes autoriza regime semiaberto a Walter Delgatti, o hacker que invadiu o CNJ

Vitória de ‘O Agente Secreto’ mobiliza a esquerda e constrange a direita

A degradação (de Lima Barreto ao Master) expõe também o TCU

TCU abre a caixa preta do Banco Central e a reação foi imediata. A  investigação sobre a liquidação do Banco Master expôs decisões bilionárias  tomadas sem explicações claras, mesmo com propostas de

Reprodução do Instagram

Marcus André Melo
Folha

O vale tudo pós-Lava Jato explica muita coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados

Em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes.

Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado “Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos” —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto.

CORRUPÇÃO ETERNA – O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.

Ruy Barbosa, em seu parecer sobre a criação do Tribunal de Contas da União, já advertia para o risco de que a instituição se transformasse em um “ornato aparatoso e inútil”, um verdadeiro “Tribunal de Faz-de-Conta”.

O célebre jurista não poderia imaginar que o perigo seria ainda maior: o de os tribunais de contas se tornarem engrenagens auxiliares de uma trama protetiva de esquemas ilícitos de grande envergadura.

TERRA ARRASADA – A sensação contemporânea é a de terra arrasada. Até a Polícia Federal, que ainda figurava como baluarte de credibilidade, começa a ser atingida. Praticamente todos os atores institucionais encontram-se sob suspeita.

O affair Master abalou profundamente a reputação do Supremo —e não apenas a de dois de seus ministros. A CPI do INSS e os esquemas de blindagem por ela revelados agravaram ainda mais o desgaste do governo e do Legislativo como um todo.

O presidente do Senado enfrenta denúncias, o vice-líder do governo foi alvo de busca e apreensão, e as investigações alcançam o círculo familiar do presidente da República. A exposição de milícias digitais em processos envolvendo corrupção tampouco é novidade absoluta —basta lembrar o episódio dos “blogs sujos”—, embora antes sua atuação estivesse mais circunscrita ao terreno político-partidário.

PÓS-LAVA JATO – Como chegamos até aqui? A estrutura de incentivos mudou com o vale tudo pós-Lava Jato. Mas nada disso seria exatamente inédito se estivéssemos falando apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados.

A maior empreiteira do país mantinha um departamento inteiro de “operações estruturadas”, dedicado exclusivamente ao pagamento sistemático de propinas a milhares de agentes públicos.

A J&F, em escala semelhante, distribuiu cerca de R$ 500 milhões a quase 2.000 atores políticos. O manual é conhecido, o roteiro é repetido, os personagens apenas trocam de figurino.

HÁ NOVIDADES – O que é efetivamente novo são dois elementos. Primeiro, as denúncias envolvendo membros das instituições superiores da República, como o STF e os tribunais de contas.

Segundo, a crescente conexão desses esquemas com o crime organizado —fenômeno já conhecido no plano subnacional, notadamente no Rio de Janeiro, mas que agora alcança o centro do sistema. Não por acaso, um conselheiro de Tribunal de Contas daquele estado encontra-se hoje atrás das grades.

A sociedade e a imprensa estão fortemente polarizadas, o que cria limitações importantes para o exercício de alguma forma de accountability social. A única reação a este estado de coisas veio da imprensa. Ou mais propriamente de jornalistas individuais. Lima Barreto vive.

Entre o STF e o Lago Sul: a ‘prisão domiciliar’ improvisada do banqueiro fraudador

“É tarde, eu já vou indo, preciso ir embora, até manhã”, cantava Luiz Vieira

Morre Luiz Vieira, autor de 'Menino Passarinho' | VEJA

Luiz Vieira, um violeiro que encantava o Brasil

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (1928 – 2020). na “letra de Menino de Braçanã”, fala sobre sua adolescência no interior, quando saia para se encontrar com os amigos e tinha de regressar. A música “Menino de Braçanã” foi o primeiro sucesso de Luiz Vieira, que a gravou, em 1954, pela Todamérica.

Historicamente, vale acrescentar que Braçanã é um lugar situado no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, onde Luiz Vieira morou algum tempo, na infância. Antigamente, as terras para serem vendidas eram medidas através de braçadas, isto é, a pessoa abria os braços e, consequentemente, contava uma, duas, cem, mil braçadas etc.  Entretanto, se alguém desconfiasse que a medida não estava correta, dizia que a terra parecia ter sido medida pelos braços de uma anã, surgindo, daí, o nome Braçanã.

MENINO DE BRAÇANÃ
Luiz Vieira

É tarde, eu já vou indo
Preciso ir embora, té amanhã.
Mamãe quando eu saí disse
Filhinho não demora em Braçanã.
Se eu demoro mamãezinha 
Tá a me esperar
Prá me castigar.   
Tá doido moço
Num faço isso, não.
Vou-me embora,
vou sem medo dessa escuridão.
Quem anda com Deus
Não tem medo de assombração
e eu ando com Jesus Cristo
No meu coração

Ataque ao Banco Central no caso Master expõe a República viciada

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #bancomaster #master #moraes #stf #banco #brasil #Natal #papainoel  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Andreazza
Estadão

O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente até entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. Mas a autoridade financeira não está entre os investigados.

DESONESTIDADE – É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco, porque haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

O Banco Central – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB.

Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou. Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

OBRA E GRAÇA – Paulo Henrique Costa não terá se tornado presidente do BRB por graça do Espírito Santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é – não pode passar por – observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco.

Não é crível que Costa tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a tentativa de criminalização do BC.

FORA DA MIRA – Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Cláudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade.

Não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo.

TAMBÉM ALCOLUMBRE – O mesmo raciocínio serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do Supremo – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC.

E sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

Sem acesso à Casa Branca, Flávio Bolsonaro volta frustrado dos EUA

Flávio queria registro ao lado de Marco Rubio, mas não conseguiu

Gabriel Sabóia
O Globo

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca.

Ao lado de um dos seus irmãos mais novos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Flávio tentou um registro ao lado do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. A invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, entretanto, impossibilitaram o objetivo bolsonarista.

ALINHAMENTO – O encontro tinha por objetivo posicionar ao eleitorado bolsonarista um alinhamento do filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro com o governo americano e, com isso, frear qualquer insurgência de outro nome do campo da direita. Além disso, o registro com Rubio mostraria que a família Bolsonaro ainda goza de prestígio junto ao primeiro escalão do governo Trump, apesar da recente aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa, entretanto, não teria soado bem entre nomes do Centrão, que ainda enxergam o apoio a Flávio com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada “irreversível”, diante das últimas pesquisas de intenção de votos.

Na interpretação caciques de partidos de centro ouvidos pelo O Globo, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista” e mostraria que a família ainda flerta com o radicalismo simbolizado pela atuação de Eduardo. Teria partido do filho 03 de Bolsonaro os contatos, que se encerraram no dia 3, após a divulgação da operação militar em território venezuelano.

“ROADSHOW” – A ideia de Flávio é voltar aos Estados Unidos até abril, quando deve fazer uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, o senador pretende se posicionar mais ao centro e, de acordo com interlocutores, planeja convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para viajar com ela. Desta forma, ele imagina que conseguiria se posicionar como nome de centro-direita.

Dias antes, Flávio passou a virada de ano em evento organizado pelo pastor André Valadão para brasileiros que moram em Orlando. Oficialmente, a ida aos Estados Unidos se tratou de uma “viagem em família para visitar o irmão”. Flávio retornará ao Brasil nos próximos dias.

RECIBO DE BOLSONARO –  Durante a viagem, Flávio ainda transmitiu a Eduardo um recado dado pelo pai, que encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Em uma conversa reservada de aproximadamente uma hora, o senador teria passado ao irmão orientações sobre a postura que deve ser adotada de agora em diante: sem confrontos com membros do Centrão e falas que exponham discordâncias com nomes do PL, a exemplo do que já ocorreu anteriormente, quando Eduardo brigou publicamente com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

A orientação dada por Bolsonaro para que os filhos demonstrassem união em torno do nome de Flávio, levada ao pé da letra, também se transformou em problema. Em uma transmissão, Flávio definiu Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e disse ser uma honra poder contar com ele para o Itamaraty, caso seja eleito. A fala gerou mal-estar entre os membros do Centrão e Flávio já fez chegar a eles o recado de que tinha a intenção apenas de mostrar o alinhamento familiar.

PRESSÃO – Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.

Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar “injustas” as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação do americano com Lula, o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O caso Banco Master : regulação, política e confiança pública

TCU pode investigar a legalidade dos atos praticados

Pedro do Coutto

Na semana que se inicia, o que parecia um embate técnico entre instituições brasileiras ganhou contornos mais amplos — e potencialmente mais profundos — no tabuleiro institucional e político do país. O processo a respeito da liquidação do Banco Master — uma instituição de porte mediano que veio crescendo rapidamente nos últimos anos — caminha agora para um momento decisivo nos tribunais e levanta questões que vão muito além da regulação bancária e da legalidade da intervenção do Estado na economia.

O caso começou, em novembro de 2025, com a decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em meio a alegações de sérios problemas de liquidez e violações normativas que comprometeriam a solidez da instituição. Na mesma ocasião, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi detido pela Polícia Federal no contexto de uma investigação mais ampla — a chamada Operação Compliance Zero — que apura irregularidades na emissão de títulos e possíveis fraudes.

COMPETÊNCIA – O Tribunal de Contas da União (TCU), instância que não tem poder de reverter a liquidação, entrou em cena para examinar se o BC agiu dentro dos parâmetros legais e procedimentais esperados de uma autoridade reguladora de um sistema financeiro. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, sinalizou com clareza: o tribunal não tem competência para desfazer a liquidação decretada pelo Banco Central, mas pode investigar a legalidade dos atos praticados, revisando os “atos motivacionais” que embasaram a medida.

O teor desta investigação tornou-se um foco político significativo porque revela tensões entre a autonomia do Banco Central — defendida por setores da comunidade financeira e por grande parte do próprio TCU — e o escrutínio externo que se instaura num momento de fragilidade institucional. Enquanto técnicos do tribunal, em análise preliminar, já indicaram que o BC atuou de forma adequada, cabendo apenas esclarecer fundamentos e motivos formais, outro ministro do TCU chegou a propor medidas cautelares que limitassem a venda de ativos do banco em liquidação, gerando reação e discussão sobre os limites e procedimentos de atuação da Corte.

CONFIANÇA –  A repercussão desse episódio vai além do campo jurídico-técnico e toca no âmago da confiança no sistema financeiro e na estabilidade das regras do jogo institucional no Brasil. Para milhões de investidores que aplicaram seus recursos no Master, muitos deles na expectativa de receber valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — um mecanismo crucial de proteção a depositantes e investidores —, a forma como o caso é resolvido afetará não apenas a restituição de bilhões de reais, mas também a percepção sobre a eficácia e os limites da regulação no país.

Além disso, a sucessão de decisões técnicas e as declarações de lideranças envolvidas refletem um momento em que instituições clássicas — como o Banco Central e o TCU — se veem pressionadas a justificar, com transparência, suas ações não apenas perante o direito, mas perante a opinião pública. Esse tipo de escrutínio é saudável em democracias maduras, mas também exige responsabilidade institucional para que o debate não se transforme em um jogo de forças que fragilize o próprio sistema financeiro ou a confiança do mercado.

PONTO DE INFLEXÃO – O comentário do jornalista Elio Gaspari, ao destacar que o TCU “sabe como e onde intervir” com base em informações internas do Banco Master, é um sinal de como a imprensa especializada percebe a complexidade deste caso: não apenas como um litígio técnico, mas como um ponto de inflexão que expõe falhas, desafios e responsabilidades nas práticas de supervisão financeira.

No fundo, o que está em jogo não é apenas um banco, nem apenas a aplicação de regras contábeis ou jurídicas: é a confiança de investidores, a credibilidade de órgãos regulatórios e a clareza com que o Brasil lida com casos complexos de intervenção no mercado financeiro. Em um cenário em que instituições como a Suprema Corte e o TCU estão chamadas a balizar decisões em temas sensíveis, este episódio pode marcar um precedente para os limites entre autonomia regulatória, controle externo e o papel político de decisões econômicas que impactam a vida de milhões de brasileiros.

À medida que o processo avança, com reuniões já marcadas entre as altas cúpulas do Banco Central e do TCU, e com prazos para conclusões formais, a sociedade brasileira precisa acompanhar com rigor e senso crítico — não apenas os aspectos técnicos, mas também as implicações para a governança institucional e a percepção de que o Estado e suas instituições podem responder de forma eficaz e transparente às crises.

Irmãos de Toffoli negociaram fatia milionária em resort com fundo ligado ao caso Banco Master

Piada do Ano! Lula e o PT tentam “derrubar” a CPI do Banco Master

Lula intervém e BC veta compra do Banco Master pelo BRB, causando prejuízo a Brasília - Expressão Brasiliense

Charge reproduzida do Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando a gente pensa que já viu tudo em matéria de tentativas de salvar o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, sempre aparece alguma novidade. Desta vez é a notícia de que o presidente Lula da Silva e o PT estão entrando para valer no escândalo do Banco Master e pretendem fazer o possível e o impossível para evitar a criação da CPI no Congresso.

Mas a jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, informa que um dos articuladores da CPI, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) garante que o número de assinaturas cresceu nos últimos dias.

APOIO SUFICIENTE – Até sexta-feira, dia 9, já havia adesão de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente para garantir a instalação, que cumpre a exigência regimental de existir “fato determinado”.

O mais interessante é que os lulistas, como diz Dilma Rousseff, estão fazendo o diabo para boicotar a convocação.  Até agora, segundo o deputado Carlos Jordy, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes da base aliada apoiam a convocação Tabata Amaral (PSB-SP), Duarte Junior (PSB-MA) e Marcos Tavares (PDT-RJ).

Desde o início do escândalo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro que tentará evitar a formação dessa CPI. Mas ele tem um inimigo poderoso Alessandro Vieira (MDB-SE), o senador mais respeitado da atual legislatura, ex-delegado de polícia e que também está colhendo assinaturas.

CHEGOU A HORA – Ao anunciar que buscaria apoio durante o recesso para formar a CPI, Alessandro Vieira se mostrou indignado com os rumos da crise do Banco Master e com a chamada “ditadura do Judiciário”, e desabafou: “Está na hora de ministro de tribunal superior ir para a prisão”.

Nesse clima de ressurreição do combate à corrupção, a Piada do Ano é a posição do Planalto. Sabe-se que Lula e os principais dirigentes de seu partido têm uma certa dificuldade de desenvolver raciocínios. Mesmo assim, causa espanto a estratégia adotada, de torpedear a qualquer custo a formação da CPI do Master.

O mais ridículo é a justificativa do Planalto. Segundo a jornalista Roseann Kennedy, Lula vai alegar que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral. Realmente, uma piada da melhor qualidade.

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P.S.
– O silêncio de Lula e do PT sobre o caso Master é significativo, O máximo que o eterno presidente petista fez até agora foi pedir a seu ministro-marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação. Aliás, Lula deve se preocupar muito, porque o escândalo vai influir na eleição, com toda certeza. (C.N.)

Com recorde de R$ 61 bilhões, emendas ampliam controle do Congresso sobre Orçamento

Empresas da família de Toffoli têm envolvimento com fundos do Master

Drika Arretada - A Notícia como deve ser - Toffoli esqueceu de perguntar se  Moraes pressionou o Banco Central

Charge do Duke (Itatiaia)

Lucas Marchesini e José Marques
Folha

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

CADEIA DE FUNDOS – A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.

 

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.

DEFESA DE VORCARO – Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros.

Disse que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”.

“O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos”, declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.

SOB ENCOMENDA – Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, o fundo tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.

De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.

A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações ilegais.

TOFFOLI EM CENA – O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos.

O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.

Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima a matéria enviada por José Perez. Como se vê, o ministro Toffoli não tem nenhum interesse em defender o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. É tudo em nome da Justiça… (C.N.)

Aos 85 anos, Gérson Nunes ainda dá show em matéria de futebol

Niteroi devia estender um tapete verde para seu maior craque, Gerson Nunes - Coluna do Gilson

Gérson diz que o melhor meia hoje é o ´português Vitinha

Vicente Limongi Netto

Coloque dois craques no celular. Cardápio saboroso. Deuses do futebol presentes. Um jornalista com pena brilhante conversando com um gênio eterno. No cardápio, opiniões qualificadas e respeitadas e sacadas primorosas de quem encantou estádios do Brasil e do mundo.

Palmas para o repórter Marco Paulo Lima (Correio Braziliense – 11/01) pela matéria exclusiva com Gerson Nunes, o inigualável Canhotinha de Ouro do Tri, no México, completando 85 anos de idade.

GRANDES LIÇÕES – Matéria indispensável para a leitura de Carlo Ancelotti.  Para saborear opiniões de quem honrou a amarelinha pentacampeã do mundo.

Opiniões claras, serenas e taxativas de Gerson servem como lições para treinadores, novas gerações de atletas e, também, para jogadores em atividade.

Gerson destaca o português Vitinha, do Paris Saint-Germain como o melhor meia do mundo. Alerta professores de escolinhas, “nunca se estrese com um menino. Não gritem, não xinguem. Não passem do limite. Fui orientado assim e valeu mil por cento para minha carreira”.

TÉCNICA E FORÇA – Gerson não gosta das muitas trocas na seleção. Lamenta que o Brasil não tenha ainda um meio de campo definido. Gerson recorda os tempos e as diferenças: “Perdemos a técnica e entramos na força física. Estamos em um desespero danado”.

A seu ver, mesmo com 60% de forma física, Neymar deve jogar, porque “tecnicamente ele é muito bom”.

A magnífica matéria registra opiniões de personalidades sobre o esmerado futebol de Gerson, como Ruy Castro, Nelson Rodrigues, Zagalo, Pelé, Didi, João Saldanha e Tostão.

DIZIAM DELE – Para Pelé, o maior de todos, Gerson “fazia o jogo ficar fácil. Um dos maiores passadores que vi jogar”.

Nelson Rodriges, gênio da raça, ferrenho  tricolor, por sua vez, sentenciou; “Gerson jogava de cabeça erguida porque usava a cabeça.

Gerson humilhava o adversário. não com dribles mas com inteligência. Mandava sem gritar. Bastava um passe”.

A esquerda morreu — e só a justiça tributária pode ressuscitá-la, diz Jessé Souza

Messias ainda enfrenta dilemas que podem atrapalhar seu futuro no Supremo

PT pressiona PSOL a entrar em federação e expõe disputa pelo rumo da esquerda

Rombo do Master será “coberto” por fundos estatais de previdência

Banqueiros escancaram cobiça pela Previdência | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fábio Pupo
Folha

O governo federal concluiu que estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso tenham prejuízo em investimentos feitos em títulos vendidos pelo Banco Master. Institutos que pagam aposentadorias a servidores aplicaram ao menos R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras do banco, que teve liquidação decretada há menos de dois meses.

A conclusão está em documento formulado pelo Ministério da Previdência Social em resposta a questionamentos feitos pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que requisitou informações sobre o caso do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro).

PREJUÍZO DIRETO – A parlamentar perguntou sobre os riscos aos quais o fundo está exposto e sobre uma eventual moratória do banco. De acordo com o Ministério da Previdência, caso faltem recursos nos institutos estatais de previdência para o pagamento das aposentadorias e pensões em decorrência do caso Master, esses valores serão de responsabilidade dos Tesouros dos respectivos entes federativos.

“Com a liquidação do Banco Master realizada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, caso as contribuições do regime ou recursos por ele acumulados venham a se tornar insuficientes, o ente é o responsável por adimplir com essas obrigações”, afirma a pasta.

A interpretação do governo é que não há necessidade imediata de aporte decorrente do caso Master, mas a lei obriga esse repasse caso faltem recursos no futuro.

TÊM DE COBRIR – A lei nº 9.717/1998 estabelece que União, estados, Distrito Federal e os municípios são responsáveis pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.

Conforme mostrou a Folha, 18 institutos municipais e estaduais investiram em Letras Financeiras do Master nos últimos anos. Entre eles, destacam-se o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões investidos, a Amprev (estado do Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

Além destas, o instituto de previdência do Amazonas fez “aplicações”, assim como a cidade de São Roque, no interior de São Paulo, com 79 mil habitantes, que “investiu” R$ 93 milhões em Letras Financeiras. 

SEM GARANTIA – Diferentemente dos CDBs, que foram vendidos pelo Master no mercado, as Letras Financeiras não são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce investidores ao limite de R$ 250 mil por CPF.

Por isso, os aportes de quase R$ 2 bilhões feitos pelas previdências dos estados e municípios serão contabilizados como dívida durante o processo de liquidação do banco, o que torna a recuperação dos valores incerta.

O governo ressaltou no documento que a União não tem competência legal para intervir na gestão dos fundos nem para punir diretamente gestores locais, e que seu trabalho é limitado à fiscalização do cumprimento das normas gerais.

CONSEQUÊNCIA – A principal sanção disponível é a suspensão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), documento exigido para o recebimento de transferências voluntárias da União e para a contratação de empréstimos com aval federal.

De acordo com o ministério, a ampliação de investimentos em ativos considerados mais arriscados foi identificada ainda em 2024 por meio das análises de risco usadas na supervisão dos regimes previdenciários. 

Ao todo, 29 entes federativos foram selecionados para auditorias por aplicações em Letras Financeiras, seja por meio de intermediários, seja em instituições de menor porte. Dezessete deles tinham investimentos diretos no Banco Master. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estivéssemos sob a democracia que funciona em nossa matriz U.S.A., essa corja de administradores públicos que “aplicaram” no Master já estariam na cadeia, fazendo delação e apontando os governadores e prefeitos que participaram do butim, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial Brazil, não vai acontecer nada a essa gentalha. (C.N.)

Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

Machado de AssisPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Neste soneto, Machado de Assis descobre que a beleza existente nos olhos e no andar de ”Maria” assemelham-se a um pássaro, que a qualquer momento pode voar.

MARIA
Machado de Assis

Maria, há no seu gesto airoso e nobre,
Nos olhos meigos e no andar tão brando,
Um não sei quê suave que descobre,
Que lembra um grande pássaro marchando.

Quero, às vezes, pedir-lhe que desdobre
As asas, mas não peço, reparando
Que, desdobradas, podem ir voando
Levá-la ao teto azul que a terra cobre.

E penso então, e digo então comigo:
“Ao céu que vê passar todas as gentes
Bastem outros primores de valia.

Pássaro ou moça, fique o olhar amigo,
O nobre gesto e as graças excelentes
Da nossa cara e lépida Maria”.

Galípolo e a direção do BC marcam reunião com o presidente do TCU

Avesso a holofotes e leal ao Centrão, Jhonatan de Jesus opera à sua maneira  no TCU | Finanças | Valor Econômico

Jhonatan de Jesus perdeu completamente a dignidade

Deu no Infomoney

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, vai se reunir nesta segunda-feira com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os diretores da autoridade monetária Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo).

O encontro acontece em meio a um imbróglio envolvendo o Banco Master. A reunião está marcada para às 14h e consta na agenda oficial do BC como sendo para tratar de “assuntos institucionais”.

SEM INSPEÇÃO – A conversa vai acontecer na semana seguinte ao ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, suspender a inspeção presencial no Banco Central , determinada por ele para apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro.

Depois, pressionado pelo presidente Vital do Rego,o ministro Jhonatan submeteu o caso ao plenário, em decisão assinada na quinta-feira.

A decisão ocorreu após o Banco Central apresentar um recurso chamado de embargo de declaração, contestando a competência do ministro para autorizar, de forma monocrática, uma inspeção desse porte.

JUSTIFICATIVA – O BC argumenta que tal diligência deveria ser aprovada por um órgão colegiado do TCU. Embora Jhonatan de Jesus tenha defendido que o regimento interno do TCU lhe confere poderes para determinar inspeções necessárias à instrução processual, o ministro optou por conferir efeito suspensivo ao recurso para evitar instabilidade institucional.

Na decisão, o ministro do TCU ressaltou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte”, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância que considera natural para “estabilizar institucionalmente a matéria”.

O caso teve origem em uma representação do Ministério Público junto ao TCU, motivada pela decretação da liquidação extrajudicial do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, fracassou a tentativa do ministro Jhonatan de Jesus salvar o fraudador Daniel Vorcaro. E o escândalo tornou-se ainda mais grave. (C.N.)

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