Justiça da Espanha dá uma lição ao Brasil sobre liberdade de expressão

Fui vítima de uma perseguição doentia”, diz Oswaldo Eustáquio | VEJA

Espanha considera Oswaldo Eustáquio vítima de perseguição

Fernando Schüler
Estadão

Quem me acompanha, por aqui, sabe do meu gosto pelo acontecimento. Pelos fatos, eles mesmos, e o que eles podem nos ensinar. Nossa era é de excesso retórico. Dizem que há perto de 200 zettabytes de informação, rodando o planeta, nesta entrada de 2026, contra pouco mais de um zettabyte, década e meia atrás. Vem daí a força do acontecimento.

Quando Voltaire quis mostrar os males do fanatismo religioso na França, no século XVIII, nada foi tão poderoso quanto mostrar a inocência de Jean Calas, condenado e martirizado pela horda de fanáticos, em Toulouse, por um crime que não havia cometido.

MESMO PRINCÍPIO – O Brasil de hoje é seguramente menos dramático do que a França de Voltaire, mas vale o mesmíssimo princípio. Se alguém quiser entender a debacle do nosso estado de direito, observe aquela prisão de meio ano, ou mais, de Filipe Martins, por uma tentativa de fuga que sabidamente não existiu.

Se quer saber um pouco sobre a loucura` da censura prévia, pergunte por que Luciano Hang foi censurado por mais de dois anos, ou quem sabe o professor Marcos Cintra ou o PCO.

Tente sair, por um momento que seja, do reino da retórica fácil, e pergunte sobre os fatos. Não digo que seja fácil, em especial para os apaixonados. Mas é possível.

EXEMPLO ESPANHOL – Ainda agora tivemos um caso revelador. Foi a negativa da Espanha de extraditar Oswaldo Eustáquio. Para quem não se lembra, Eustáquio é um jornalista paranaense censurado pelo nosso STF, preso e tudo mais, e que se refugiou na Espanha.

Seu processo correu, o Brasil gastou um bom dinheiro tentando provar ao Tributal espanhol que ele era um criminoso, mas não conseguiu. Agora, na decisão final, a Espanha diz que parte relevante das posições de Eustáquio estão protegidas “pelo direito fundamental à liberdade de expressão”.

Diz também que ele exerce a profissão de jornalista, e que uma extradição representaria um sério risco de que sua situação se “agravasse por causa de suas opiniões políticas”.

TRADUZINDO – Na prática, o que o Tribunal espanhol está dizendo é que aquele País não criminaliza a opinião política, como o Brasil está fazendo. O problema disso tudo é simples: na Constituição brasileira também não existe “delito de opinião”.

E é isto que torna este caso particularmente vergonhoso, para o Brasil. Ao longo dos últimos anos, escutamos que a liberdade de expressão era “uma coisa dos americanos, com sua Primeira Emenda”.

Pois bem: não é. A Espanha, um país europeu, é que está nos oferecendo uma lição.

RUMO DO JORNALISMO – Nas últimas semanas, tenho lido sobre a retomada do “jornalismo investigativo”, ou ao menos do “jornalismo crítico”, no Brasil.

Haveria um certo cansaço com a lógica da exceção e do abuso de poder, agora inclusive por questões éticas, e seria a hora de dar um basta e se retomar algum respeito pelo direito e pela ética, no País.

Confesso meu ceticismo. Nosso jornalismo silenciou durante anos, em casos como o de Eustáquio. Agora temos que escutar de um alto tribunal espanhol o que não tivemos coragem de dizer a nós mesmos, nos anos recentes. Oxalá, dessa vez, sejamos capazes de prestar alguma atenção.

Hoje é o Dia dos Santos Reis, quando se encerra a festa da Folia de Reis

Folia de Reis, tradição da antiguidade que faz parte da história brasileira

Folia de Reis, uma tradição que ainda resiste no interior

Paulo Peres
Poemas & Canções

A Folia de Reis faz parte do Natal no folclore brasileiro, a festa popular se inicia na noite de 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Festa de Reis. A letra desta folia pertence ao folclore da cidade de Urucaia, MG.

FOLIA DE REIS

Porta aberta, luz acesa,
Recebei com alegria
A visita dos Reis Magos
Com sua nobre folia

Lá vai a garça voando,
Lá no céu bateu as asas
Vai voando e vai dizendo
Viva o dono desta casa

Entra, entra, minha bandeira,
Por essa porta adentro
Vai fazer sua visita
À senhora lá de dentro

Os três reis quando saíram
Cantando sua folia
Eles cantavam de noite
E de dia recolhia

Quando era boca da noite
A estrela aparecia
Os três reis se alevantava
Em seu caminho seguia

Foram saudar o Deus Menino
Que nasceu pro nosso bem
Ô bendito louvado seja,
Para todo sempre Amém   

Socorro ao Master já previa cortar a ajuda em caso de investigação

Regulação das fintechs coíbe fraudes trabalhistas e financeiras | Sindicato dos Bancários

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Adriana Fernandes
Folha

A linha emergencial de empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para o Master honrar os pagamentos dos CDBs (Certificado de Depósitos Bancários) continha uma cláusula para suspender o socorro de liquidez no caso de o banco de Daniel Vorcaro ser alvo de operação da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal.

Confidencial, a cláusula foi feita pelo Fundo após reportagem da Folha revelar que a PF havia aberto inquérito, no final de setembro, com base em documentação que sustentou a decisão do Banco Central para rejeitar a operação de compra do banco Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília).

A investigação apontou indícios de fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB.

CLÁUSULA NOVA – O dispositivo de proteção contratual foi incluído na documentação da renovação da linha de assistência de liquidez de curto prazo, que estava em andamento desde maio do ano passado.

O documento deixa claro que a cláusula seria acionada no caso de envolvimento não só do Master, como também de “qualquer das sociedades integrantes do conglomerado do banco ou de qualquer dos fiadores”.

Incluía também a previsão de interrupção do socorro na hipótese de instauração e andamento do procedimento investigativo “ou medida correlata que pudesse configurar ou conduzir ao descumprimento das condições de concessão da linha de empréstimo”.

GRAVE CRISE – O socorro inicial do FGC foi aprovado em maio, menos de três meses depois de o BRB anunciar ao mercado o interesse em adquirir o Master..

No pedido ao fundo, o Master alegou que enfrentava uma grave crise de liquidez para pagar os CDBs que estavam vencendo. A admissão formal de falta de liquidez, o termo técnico que designa o caixa vazio do banco, aparece no contrato firmado pelo FGC com o Master.

O Master requisitou recursos de emergência ao FGC por meio de um instrumento particular de liquidez de curto prazo para honrar seus compromissos e recebeu, em uma primeira parcela, R$ 4,3 bilhões.

PRÉ-FALIDO – O reconhecimento de falta de liquidez e a cláusula confidencial desmontam a tese de que, não fosse a decisão do Banco Central de liquidar a instituição, os pagamentos pelo Master seriam retomados, na avaliação de investigadores ouvidos pela Folha. A liquidação foi comunicada ao mercado pelo BC na manhã de 18 de novembro.

O inquérito da PF estava sob sigilo e só foi efetivamente conhecido com a prisão de Vorcaro na noite do dia 17 de novembro. O episódio acionaria a cláusula confidencial e interromperia os repasses do FGC ao Master. Como a liquidação foi decretada pelo BC, a cláusula não chegou a ser acionada.

Na visão de investigadores, caso a liquidação não fosse decretada, o banco ficaria imediatamente sem recursos para bancar a própria dívida, pois não poderia mais contar com o FGC. E acabaria liquidado por não conseguir honrar os pagamentos dos CDBs.

ESTADO TERMINAL – O banco de Vorcaro só estava sobrevivendo graças ao suporte do FGC, o fundo bancado por aportes das instituições financeiras para ressarcir investidores em caso de quebra de um banco.

Desde o início do processo de avaliação do negócio do Master com o BRB, os maiores bancos foram resistentes ao socorro do Master pelo FGC, prevendo que o rombo seria muito grande e drenaria recursos do fundo, o que acabou acontecendo.

Mas a defesa de Vorcaro tem insistido na tese falaciosa de que houve uma coordenação da Polícia Federal com o BC para prender o banqueiro, o que teria atrapalhado a venda do banco para a Fictor Holding Financeira. A única defesa dos advogados é dizer que a liquidação foi precipitada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Belíssima e elucidadora matéria de Adriana Fernandes. Desfaz a balela de classificar como erro a liquidação do banco. No mercado, todos sabiam que o Master estava quebrado, porque o rendimento dos CDBs que oferecia era tão alto que seria impossível pagá-lo. Mesmo assim, no Supremo, no Governo, no Congresso e no TCU, ainda há quem defenda o banqueiro fraudador, certamente por conta de 30 dinheiros, como diz a Bíblia Sagrada. (C.N.)

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Vital do Rego neutralizou a manobra em favor do Master

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual nas relações entre os três Poderes da República, que estão cada vez mais apodrecidas. Basta analisar a postura de Jhonatan de Jesus, um ex-deputado de trajetória controversa, digamos assim, e que em 2023 chegou ao Tribunal de Contas da União por indicação do todo-poderoso deputado Arthur Lira, então presidente da Câmara.

Não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, esse ministro Jhonatan de Jesus se julgou no direito de questionar a atuação do Banco Central no intrincadíssimo caso do Master, criando uma tremenda confusão.

PARCIALIDADE – Em pleno recesso, quando o TCU nem está funcionando, a voracidade com que o ministro tenta desmoralizar a atuação do Banco Central é altamente significativa., pois ele se comporta como se fosse advogado do Banco Master.

Exibe uma postura tendenciosa, parcial e indigna, porque nem ele nem qualquer outro ministro do TCU tem informações sobre o caso, porque a liquidação extrajudicial do Master corre em absoluto sigilo.

Mesmo assim, o irrefreável ministro Jhonatan de Jesus se acha no direito de criticar o Banco Central e exigir informações que não podem lhe ser oferecidas, segundo as normas que regem o funcionamento do BC.

INFORMAÇÕES – Na semana passada, o arrojado ministro do TCU abandonou o recesso para exigir que o BC lhe desse explicações sobre a liquidação do Master, embora o caso esteja sob sigilo processual.

Foi atendido pela diretoria do Banco Central, que lhe enviou uma Nota Técnica de 18 páginas, relatando as falcatruas cometidas, a gestão ruinosa, a iliquidez e a possibilidade de aumentar o prejuízo, calculado em cerca de R$ 40 bilhões, que atingirá fundos de pensão e investidores de toda espécie. Mas o ministro o TCU  não ficou nada satisfeito.

“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, protestou Jhonatan de Jesus.

DISSE JHONATAN – “A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destacou o ministro, que então determinou uma “inspeção técnica” do TCU no Banco Central, vejam a que ponto chega a insensatez dessa gente.

A situação ficou tão constrangedora que o presidente do TCU, Vital do Rego, foi obrigado a intervir. Com muita diplomacia, confirmou o pedido de inspeção feito por Jhonatan, porque assim o assunto passa automaticamente para a área técnica do TCU e o ministro-relator não terá condições de seguir atacando o Banco Central.

Portanto, a decisão de Vital do Rego favorece o BC, que já avisou que os técnicos do tribunal passarão pelo rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária.

Os técnicos do TCU deverão assinar  termos de confidencialidade, para terem suas consultas analisadas e respondidas pelo Banco Central, quando for o caso, porque o TCU não tem poderes para intervir em casos de liquidação ainda em andamento.

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P.S.
– Com impressionante habilidade, Vital do Rego neutralizou Jhonatan de Jesus, que não poderá ficar dando palpites sobre assunto que está na área técnica do TCU. Isso enfraquece o lobby montado pelo banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que ficou preso durante apenas uma semana e foi libertado pelo ministro Dias Toffoli, que também tenta reverter a liquidação do banco. Mas quem se interessa? (C.N.)

Ouvido em audiência de custódia, na abertura do processo, Maduro se declara “inocente”

Charge do JCaesar: 5 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Vicente Limongi Netto

O ditador Nicolas Maduro foi ouvido em “audiência de custódia” em Nova York. Fico com urticária quando ouço falar da pomposa expressão. O presidente venezuelano se declarou inocente, na primeira etapa de um processo judicial em território americano, que deve se prolongar por meses. 

Se o procedimento jurídico norte-americano for semelhante ao brasileiro, que passa a mão na cabeça de  assassinos, estupradores,  pedófilos e corruptos, geralmente punidos com multas, serviços comunitários,  ou são considerados inocentes,  equivale dizer que o facínora Maduro vai ser punido com passeio na Disney, com  ingressos para jogos da Copa do Mundo, tour na Casa Branca, com Trump de guia turístico.

E finalmente, quando já estiver enfastiado com a comida norte-americana, Maduro então  retorna a Venezuela com atestado de bons antecedentes, como  puro e imaculado cidadão. 

Sistema financeiro reage a inspeção do TCU e sai em defesa da independência do BC

Entidades reiteraram que depositam plena confiança no BC

Alexandro Martello
G1

Onze entidades do setor financeiro, bancário, de meios de pagamento e do mercado de capitais divulgaram nesta segunda-feira (5) nota de apoio aos processos de supervisão conduzidos pelo Banco Central, assim como à independência da autoridade monetária.

Neste início de ano, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, determinou uma inspeção técnica em documentos referentes ao banco Master em poder do Banco Central. A determinação do presidente do tribunal já vai ser cumprida logo, apesar de o tribunal ainda estar em recesso.

PLENA CONFIANÇA – Sem citar o caso do banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, as entidades signatárias do manifesto, que representam 757 Instituições Financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas, reiteraram que depositam plena confiança nas decisões técnicas do BC nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização.

Também defenderam que é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro; o Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.

Entre as entidades que assinaram o manifesto, estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

SOB RISCO – Antes de ser liquidado no ano passado pelo BC, o banco Master já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

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Na ONU, Brasil rejeita ação militar dos EUA na Venezuela e critica lógica da força

Embaixador Sérgio Danese afirmou que ação abre precedentes

Deu no G1

O Brasil condenou nesta segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.

Danese afirmou que esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.” “O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.

ALINHAMENTO – A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz. “O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela. Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

ESCOLHA PELA PAZ –  Sérgio Danese ainda ressaltou que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência”, argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional. “Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”, afirmou.

Corina, líder da oposição, pede que a Venezuela seja devolvida ao seu povo

O que María Corina Machado disse a VEJA sobre uso da força para derrubar  chavismo | VEJA

Corina tenta evitar que os americanos “colonizem” o país

José Carlos Werneck

À luz dos preceitos do Direito Internacional, a única solução para a situação da Venezuela é a posse imediata de Edmundo González Urrutia, candidato escolhido pelos eleitores e que teve sua ascensão ao poder impedida pelo ditador Nicolás Maduro.

E esse é, também, o pensamento da líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, em seu primeiro pronunciamento oficial, após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.

DIZ CORINA – A líder oposicionista reivindicou que Edmundo González Urrutia, adversário de Maduro nas eleições de 2024, assuma o poder em Caracas “imediatamente”.

Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, publicou uma nota no início da tarde deste sábado, horas após o anúncio da ação americana pelo presidente dos EUA, Donald Trump, celebrando a chegada da “hora da liberdade”.

“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X”.

VITÓRIA FORJADA – Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista.

Apesar da vitória forjada de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, demonstrando robustamente que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.

Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos.

ESTÁ ASILADO – Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro saiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.

Em seu comunicado, demonstrando confiança numa possível posse do parceiro de chapa, María Corina pediu aos venezuelanos que se preparem para “implementar” algo que prometeu comunicar “em breve” por meio de seus canais oficiais.

“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós”, afirmou a líder oposicionista.

“Samba de Verão”, de Paulo Sérgio e Marcos Valle, fez sucesso no mundo inteiro

Tribuna da Internet | A viola enluarada dos irmãos Valle jamais será  esquecidaPaulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio Kostenbader Valle e Marcos Kostenbader Valle fizeram em parceria “Samba de Verão”, um dos maiores clássicos da Bossa Nova, que se tornou sucesso internacional, com grande número de regravações.  A canção foi gravada originalmente no LP “Braziliance: A música de Marcos Valle”, em 1967, pela Odeon.

A música chegou ao segundo lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, onde teve pelo menos 80 regravações.

SAMBA DE VERÃO
Paulo Sergio Valle e Marcos Valle

Você viu só que amor
Nunca vi coisa assim
E passou, nem parou
Mas olhou só pra mim
Se voltar vou atrás
Vou pedir, vou falar
Vou dizer que o amor
Foi feitinho prá dar

Olha, é como o verão
Quente o coração
Salta de repente
Para ver
A menina que vem

Ela vem sempre tem
Esse mar no olhar
E vai ver, tem que ser
Nunca tem quem amar
Hoje sim, diz que sim
Já cansei de esperar
Nem parei, nem dormi
Só pensando em me dar

Peço, mas você não vem
Bem, Deixo então
Falo só
Digo ao céu
Mas você vem
Deixo então
Falo só
Digo ao céu
Mas você vem

Lula chega a 2026 com pacote eleitoral travado e base instável no Congresso

Se Vorcaro fizer delação premiada, a terra vai estremecer em Brasília

Charge do Aroeira | Metrópoles

Charge do Aroeira (Metrópoles)

Roberto Nascimento

O presidente Edson Fachin está isolado na Côrte Constitucional. O projeto do Código de Conduta, proposto por ele antes do caso do Banco Master, conta com um único apoio – da ministra Carmem Lúcia, que é solteira, não tem irmãos nem filhos advogados.

Logo a seguir, com o escândalo do Marques, a credibilidade do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. no final do ano despencou a quase zero.

APOIO A PARENTES – Mudaram a Lei para permitir que parentes de ministros tivessem autorização para advogar nos Tribunais Superiores nos processos em julgamento. Até Luiz Fux foi a favor, por causa do filho que enriquece advogando nos tribunais superiores.

Somente Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Carmem Lúcia e Rosa Weber votaram contra. É por essa razão que Luiz Fux está calado, com seu boi na sombra. Apenas Carmem Lúcia está fora dessa encrenca.

Agora, os ministros estão envergonhados com o supercontrato da esposa de Alexandre de Moraes para salvar o banco Master, somente Gilmar Mendes veio a público defender Moraes, enquanto Dias Toffoli entrava no esquema, e está trabalhando não somente para o Banco Master, mas também para a J&F, a antiga Friboi.

SONHO INÚTIL – Apesar da repercussão negativa do caso Master, o ministro Toffoli ainda acredita que tem condições de suspender a liquidação do Master, embora o efeito possa ser pior do que uma bomba atômica.

No Judiciário e no Congresso, muitos personagens temem a delação premiada de Vorcaro, alguns estão tremendo de medo.

A credibilidade do Brasil no Fundo Monetário Internacional, por causa de Moraes, Toffoli e de Jhonatan de Jesus, novo ministro do Tribunal de Conta da União, pode prejudicar o grau de investimentos no Brasil. E esse TCU, vale algum tostão furado, a não ser como cabide de emprego de parlamentares aposentados?

UM TURBILHÃO – O país está atônito com os fatos que vem sendo revelados.

Chego a sentir pena do ministro Alexandre de Morais. Ele está completamente desconfortável com tudo isso. Quanto a Dias Toffoli, sua frieza é impressionante. Não liga para nada, porque acha que está acima do bem e do mal.

Fachin está tão isolado, que perdeu as condições de agir no caso Master, enquanto Toffoli decretava segredo em fatos de interesse público e marcava acareação  antes dos depoimentos. Depois recuou, mas manteve as perguntas a Daniel Vorcaro (Banco Master), Paulo Henrique Costa (BRB) e Ailton de Aquino (Banco Central), através da delegada federal Janaina Palazzo.

DELAÇÃO NA MIRA – Tentam uma saída para Daniel Vorcaro, que ameaçou delação premiada e assustou gregos e troianos em Brasília. A delação desse fraudador e corrupto causaria um terremoto na capital da gastança.

Ibaneis Rocha, governador de Brasília, não consegue dormir, de tão preocupado. Cláudio Castro, governador do Rio, teme o fim da sua carreira política e vê sua candidatura ao Senado escapar pelos dedos.

Davi Alcolumbre também está metido nessa, através de seu apaniguado no Amapá, que torrou dinheiro no Master através do Instituto de Previdência. Uma delação pegaria todo mundo.

Entre a queda do ditador e o peso da força: a Venezuela no fio da navalha

América do Sul observa ações de Trump com apreensão

Pedro do Coutto

É difícil — para não dizer impossível — aplaudir a ação militar americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro ao lado de sua esposa. A política internacional raramente oferece escolhas simples, e a Venezuela, hoje, está no centro de um dilema que preocupa não apenas seus cidadãos, mas todo o continente sul-americano.

A captura de Maduro não encerra a crise venezuelana; ao contrário, abre uma fase ainda mais delicada. A pergunta inevitável é: quais serão os próximos passos de Washington? A história recente da política externa dos Estados Unidos recomenda cautela. Intervenções realizadas em nome da democracia frequentemente produziram efeitos colaterais duradouros, instabilidade regional e dependência política.

“ADMNISTRAÇÃO” – O anúncio do presidente Donald Trump de que haverá uma “administração de transição” para conduzir o país rumo a uma solução democrática soa, no mínimo, vago. Não há prazos, não há um desenho institucional claro e tampouco garantias de que essa transição será, de fato, temporária.

O próprio Trump demonstrou incerteza ao falar sobre como essa administração funcionará e por quanto tempo permanecerá. Essa indefinição alimenta o temor de uma ocupação prolongada, ainda que não formal, em um país já devastado por anos de crise. A ausência de um cronograma e de compromissos objetivos com a soberania venezuelana fragiliza o discurso democrático e fortalece a narrativa, tão comum na região, de que a força se sobrepõe ao direito.

Há também o custo humano, frequentemente relativizado nos discursos oficiais. A operação militar que levou à prisão de Maduro deixou cerca de 40 mortos. Não se trata de um “dano colateral” abstrato, mas de vidas interrompidas em um país que já convive com escassez, migração em massa e trauma coletivo. Democracia alguma se constrói sobre cadáveres ignorados, e esse preço pesa sobre qualquer avaliação moral da ação.

PETRÓLEO – O petróleo, por sua vez, surge como um elemento central — talvez decisivo — nesse novo capítulo. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, e Trump foi explícito ao afirmar que empresas americanas terão papel relevante na retomada do setor petrolífero.

Do ponto de vista econômico, é compreensível que os Estados Unidos busquem segurança energética e oportunidades para suas companhias. Do ponto de vista político, porém, isso torna o discurso humanitário mais frágil. Quando a democracia caminha lado a lado com interesses econômicos bilionários, a desconfiança se instala quase automaticamente.

SEM LEGITIMIDADE – O complexo petrolífero venezuelano é extremamente sensível. Qualquer mudança abrupta, sem consenso interno e sem legitimidade reconhecida pela sociedade, pode aprofundar tensões e gerar novos conflitos. A reconstrução institucional do país exige mais do que a substituição de um líder autoritário; requer pactos, inclusão política, eleições confiáveis e, sobretudo, protagonismo dos próprios venezuelanos.

A América do Sul observa esse processo com apreensão. O precedente é perigoso: um ditador cai, mas pela força externa; a promessa democrática existe, mas sem contornos claros; e os interesses estratégicos falam alto desde o primeiro momento. O risco é que a queda de Maduro, em vez de inaugurar uma era de estabilidade, acabe reforçando a lógica da tutela e da dependência.

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