Bolsonaro pede que ex-ministro Adolfo Sachsida passe a integrar sua defesa

Ratinho Junior antecipa discurso presidencial e mira 2026

Jorge de Lima buscava no exemplo de Homero o significado das dores do mundo

Enio Lins - Salve Jorge! Vamos nos vestir com as armas de Jorge

Jorge de Lima, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, médico, pintor, tradutor, biógrafo, ensaísta, romancista e poeta alagoano Jorge Mateus de Lima (1893-1953), no soneto “Dor do Mundo”, demonstra que embora não goste, aceita a provação de suas dores.

DOR DO MUNDO
Jorge de Lima

Apenas eu te aceito, não te quero
nem te amo, dor do mundo. Há honraria
que nos abate como um punho fero,
mas aceitamos com sobrançaria.

A um vate grego certo rei severo
vazou-lhe os olhos para não fugir.
Ó dor do mundo, eu vivo como Homero,
aceito a provação que me surgir.

Homero, a tua história sinto-a; e urdo
o teu destino, o meu e o de teu rei.
Mas só teus olhos nossos passos guiam,
e inda tens vozes para o mundo surdo,
e luz para os outros cegos, luz que herdei
com a aceitação dos olhos que não viam.

Vice-líder do PL denuncia Moraes ao Conselho Nacional de Justiça

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Felipe Salgado
Folha

Vice-líder do PL, o deputado Sanderson (PL) protocolou uma representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando a apuração de condutas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O documento, endereçado ao Corregedor-Geral de Justiça, Mauro Campbell Marques, baseia-se em reportagens sobre supostas interações do magistrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

PRESSÃO TOTAL – De acordo com o ofício, Moraes teria mantido contatos telefônicos e ao menos um encontro presencial com Galípolo para tratar da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que dependia de aval regulador.

O parlamentar cita que técnicos do Banco Central perceberam as interações como “atípicas e incomuns”, o que levou a cúpula da autarquia a documentar formalmente todas as comunicações para resguardar sua autonomia técnica.

O texto aponta ainda que o escritório Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro, mantinha contrato de prestação de serviços com o Banco Master.

ATUAÇÃO INFORMAL – O deputado alega a possibilidade de “atuação informal”, uma vez que o Banco Central e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) informaram não ter recebido petições formais ou pedidos de audiência protocolados pelo referido escritório.

A fundamentação do pedido menciona que o Banco Central identificou fraudes de aproximadamente R$ 12,2 bilhões no Banco Master, culminando na decretação de sua liquidação extrajudicial e na prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro.

A representação requer que o CNJ promova uma apuração independente sobre possíveis violações dos deveres funcionais de imparcialidade, prudência e reserva.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O deputado pensa que está no melhor dos mundos e o Conselho Nacional de Justiça irá abrir investigação. Ledo engano. O propósito do Conselho é exatamente o contrário – com a maior rapidez, colocará o pedido numa gaveta e esquecerá o indigesto. É melhor o deputado agir na área do Congresso, onde há perspectiva de apuração, através de CPI, já praticamente aprovada. (C.N.)

A fila anda e ministro do TCU também pressiona o BC para favorecer o Master

TCU determina inspeção no BC sobre liquidação do Master

Roseann Kennedy
Estadão

O Tribunal de Contas da União (TCU) mandou instaurar, nesta sexta-feira, 2, uma inspeção no Banco Central para avaliar a liquidação do Banco Master. O despacho foi assinado pelo presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo.

Segundo ele, a medida é um rito do processo conduzido pela unidade técnica do tribunal, por solicitação do relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus.

NA ROTINA – “Faz parte do rito e segue os prazos, após o Banco Central enviar as primeiras informações ao TCU. A inspeção vai permitir à unidade técnica ter acesso a documentos que embasaram a liquidação do banco”, afirmou à Coluna do Estadão.

A decisão, entretanto, ocorre em pleno período de recesso da Corte, causando mais um estranhamento em relação a pressão do TCU sobre o BC no caso Master.

Segundo apurou a Coluna, Jhonatan de Jesus havia reclamado ao presidente do TCU sobre o teor da nota técnica enviada pelo Banco Central ao tribunal.

JUSTIFICATIVA – Em resposta à Corte de Contas, o BC apresentou um documento de 18 páginas relatando o que foi determinante para ordenar o encerramento das atividades do Banco Master.

O BC afirmou que a liquidação do Banco Master se deu em razão de uma “profunda e crônica crise de liquidez” da instituição e de um “grave e reiterado descumprimento de normas que disciplinam sua atividade” por parte da empresa de Daniel Vorcaro.

O documento salienta que recursos do Master foram “reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas”. O objetivo seria dar aparência formal a transações com a mesma origem e o mesmo beneficiário final – o próprio Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As autoridades que tentam defender Vorcaro e o Master, como os ministros Dias Toffoli (STF) e Jhonatan de Jesus,estão fazendo o investimento errado. Os crimes financeiros cometidos através do Master foram acintosos demais. O que se pode criticar é o fato de o Banco Central ter demorado demais a reprimi-los, pois a podridão começou quando Roberto Campos Neto ainda era presidente do BC. Quanto ao novo ministro do TCU, é bom lembrar que ele, quando era deputado, foi investigado por suspeita de fazer parte da organização criminosa ligada ao senador Chico Rodrigues, do União Brasil. Mas quem se interessa? (C.N.) 

A dança das cadeiras na Esplanada e o teste de maturidade do governo Lula

Mesmo favorito, Lula expõe fragilidades nos Correios, INSS, contas públicas etc.

Trump diz que EUA fizeram ataque de grande escala na Venezuela e anuncia captura de Maduro

Procurador Gonet teve de “interpretar” Galípolo para “inocentar” Moraes

Paulo Gonet toma posse como PGR: o que é e quanto ganha o procurador-geral

Gonet inventou uma “afirmação” que Galípolo jamais fez

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais surrealista e o escândalo do Banco Master provocou o rompimento da represa dos bons costumes, digamos assim, para que tudo passe a ser permitido, pois as autoridades não demonstram mais o recato que seria de se esperar.

Vejam o exemplo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao arquivar o pedido para investigação do ministro Alexandre de Moraes, por supostas pressões sobre o Banco Central em defesa do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do Master.

JUSTIFICATIVAS? – Sem a menor dúvida, merecem análise os argumentos usados pelo chefe da Procuradoria-Geral da República para determinar o arquivamento do pedido para investigar Moraes.

Logo de cara, Gonet decidiu que há uma “absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação” de uma pressão sobre o BC. E acrescentou:

“Tanto o representado (Alexandre de Moraes) quanto o Presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo) negaram, de forma peremptória e convergente, a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master”, afirmou o procurador-geral, em sua decisão.

NÃO DEU ATENÇÃO – Como se vê, o procurador-geral não prestou a necessária atenção às notas de Moraes e de Galípolo a respeito do rumoroso e vergonhoso caso.

Na verdade, apenas Moraes desmentiu ter feito pressões, dizendo que as duas vezes em que convocou Galípolo foi para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. Mas o presidente do Banco Central jamais negou ter sofrido pressões de Moraes:

“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”, diz a nota, em que Galípolo absolutamente não nega “de forma peremptória e convergente a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master”, ao contrário do que disse Gonet.

INTERPRETAÇÃO – Como é moda hoje no Supremo, o procurador Gonet não se preocupou com o que realmente está escrito na nota do BC. O chefe do Ministério Público simplesmente “interpretou” a nota de Galípolo, utilizando em seu parecer uma negativa “peremptória e convergente”, que o presidente do BC em nenhum momento pronunciou.

Não satisfeito, Gonet fez outra interpretação, ao se referir ao contrato do Master com Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo:

“Não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância”, alegando que não cabe ao STF “a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando resguardados pela autonomia intrínseca à atividade liberal da advocacia”. Francamente, é demais…

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P.S.
Em tradução simultânea, o Supremo e a Procuradoria -Geral da República fazem interpretações neste nível, de atribuir a uma autoridade uma declaração que ela absolutamente não fez, e as outras autoridades acham que isso é normal. Mas a realidade é bem diferente. No momento, o futuro de Moraes depende de Galípolo. Daqui a pouco, passa a depender também do Congresso, onde já há número para a CPI que inevitavelmente chamará Galípolo para depor, e ele terá de dizer o que houve, ou se desmoralizará. Comprem pipocas. (C.N.)

Deputado do dinheiro no saco tenta desmoralizar a Caixa e a Mega Sena

Explicação de Sóstenes não fica de pé, aponta editorial do Estadão | Brasil  247

Eram mais de R$ 400 mil e não cabiam dentro da cueca…

Vicente Limongi Netto

O deputado Sóstenes Cavalcante(PL-RL) é um poço amargo de rancor e sandices (Correio Braziliense –   coluna Denise Rothenburg – 02/01). Sujeito   arrogante, petulante e falastrão. Sóstenes não argumenta, vocifera. Esmerado em berrar na televisão.

Como tantos outros políticos adoradores do quanto pior, melhor, Sóstenes gosta de ser pingente de fatos consumados e esclarecidos. Vai na onda cretina de acusar sem provas.  

MEGA DA VIRADA – Sóstenes entra no ano novo aprontando, acusando, avacalhando as letras das notícias.  Insinua que tem algo estranho na mudança da data do sorteio da Mega da Virada. Sóstenes quer aparecer, seja lá como for, mesmo pisando no bom senso.

Como frisou Denise Rothenburg, o pastor Sóstenes precisa sair do pódio da bazofia e explicar direitinho a procedência dos mais de 400 mil reais, em dinheiro vivo, encontrados na casa dele, no final de 2025, dentro de um saco plástico, porque parece que não coube na cueca.

UM ARTIGO – Dia 28 de dezembro a valorosa Tribuna da Internet publicou meu artigo, “Brasil já se livrou de Bolsonaro e não precisa eleger o filho dele”.

Nada melhor, mais digno e respeitado para meu coração do que o endosso do acadêmico da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ignácio de Loyola Brandão:

Vicente, 

Este texto tem de percorrer o Brasil, os partidos políticos, as academias, as universidades, igrejas, templos, terreiros, bares, prostíbulos, ongs, redes sociais,  estádios, ginásios, sindicatos, associações, entidades, shows que existir  de lugar onde um, dois, três, milhões se reúnam.

Feliz ano que se repete.

Ignácio

Tarcísio abre ano eleitoral com vídeo de “fora PT” após elogios da The Economist

PF determina retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de policial federal

Eduardo teve mandato de deputado cassado em dezembro

Ricardo Della Coletta
Folha

A Polícia Federal determinou que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reassuma as funções de escrivão da corporação. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perdeu o cargo de parlamentar no final de dezembro por excesso de faltas na Câmara.

O ato ordenando que Eduardo retome as atividades na delegação da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ) foi publicado no “Diário Oficial” da União desta sexta-feira (2), assinado pelo diretor de gestão de pessoas da PF substituto, Licinio Nunes de Moraes Netto. A publicação informa ainda que “a ausência injustificada poderá ensejar a adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis”.

CASSAÇÃO – O filho de Bolsonaro assumiu seu primeiro mandato de deputado federal em 2015. Eduardo foi cassado por decisão da Mesa Diretora da Câmara em 18 de dezembro, no mesmo dia em que o órgão decretou a perda do mandato de Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Repubilcanos-PB), Eduardo ultrapassou essa marca.

Em setembro, Motta chegou a barrar uma manobra do PL para driblar as faltas de Eduardo. O deputado foi indicado líder da minoria, já que os líderes não precisam justificar suas ausências, mas a designação não foi aceita pelo presidente da Casa.

CAMPANHA – Eduardo viajou para os EUA em março, de onde comandou uma campanha para que o presidente americano, Donald Trump, determinasse punições a autoridades brasileiras, além de ter articulado o tarifaço contra produtos brasileiros, com o objetivo de livrar o pai da prisão. Ele diz que viajou ao exterior por sofrer perseguição no Brasil. Por causa da sua atuação no exterior, Eduardo se tornou réu no STF sob acusação de coação.

Apesar do esforço do filho, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista e está preso na sede da PF em Brasília. Além do mais, os EUA retiraram as sanções da Lei Magnitsky aplicadas contra o ministro Alexandre de Moraes, o que também enfraqueceu a posição política do deputado.

Ex-militar demitido no início do governo Bolsonaro denunciou Filipe Martins a Moraes

CPMI do INSS investiga ligação entre Lulinha e o banco Master

Charge de Clayton. Lulinha acuado pela PF

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Cláudio Humberto
Diário do Poder

Parlamentares da CPMI do INSS suspeitam de ligação do escândalo do Banco Master com o roubo a 9 milhões de aposentados e pensionistas, por meio de descontos associativos não autorizados.

A novidade deve provocar debates sobre a convocação de novos personagens para depor, porque “Lulinha”, filho de Lula (PT), realizou “prospecção de negócios” em Portugal ao lado de empresários envolvidos na compra do banco de Daniel Vorcaro junto a investidores dos Emirados Árabes Unidos.

CONSIGNADOS – Vorcaro e seu banco atraíram as atenções da CPMI em razão da forte participação do Master no bilionário mercado de consignados.

Os parlamentares aprovaram a quebra de sigilos de Vorcaro e do Master, mas o ministro Dias Toffoli proibiu o acesso da CPMI aos documentos.

Para o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), o roubo aos inativos, por meio de consignados não autorizados, pode chegar a R$ 90 bilhões. Para esses políticos desconfiados, não seria surpresa encontrar digitais do Palácio do Planalto no caso do Banco Master.

Flávio e Carlos reagem à decisão de Moraes que manteve prisão de Bolsonaro

Filhos do ex-presidente criticaram decisão do ministro

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O senador e pré-candidato do PL à presidência Flávio Bolsonaro criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro de prisão domiciliar de natureza humanitária. O filho 01 do ex-mandatário alegou que o posicionamento do magistrado nesta quinta-feira foi “cheio de sarcasmo” e destacou a situação de saúde do pai.

“O laudo médico é claro ao indicar que ele precisa de cuidados permanentes, que não podem ser garantidos na prisão. Há, inclusive, risco de AVC em razão das complicações de saúde”, disse Flávio em postagem nas redes sociais. O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro afirmou, por sua vez, que a decisão de Moraes representa uma “injustiça”. “Interromper imediatamente essa perseguição política não é favor, não é concessão e não é ideologia — é dever institucional”, escreveu Carlos.

IDA PARA CASA – A solicitação feita pelos advogados era de que Bolsonaro fosse para casa após a alta hospitalar. O ex-presidente deixou o hospital nesta quinta-feira, após ficar internado desde o último dia 24 para tratar uma hérnia e crises de soluço.

Moraes pontuou que a defesa não trouxe aos autos fatos novos capazes de afastar os fundamentos da decisão anterior, que já havia negado a prisão domiciliar humanitária em 19 de dezembro. Segundo o ministro, não há agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, mas sim um quadro de melhora dos desconfortos relatados, conforme apontado, inclusive, por laudos de seus próprios médicos.

“Há total ausência dos requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar”, frisou o ministro. Moraes argumentou, ainda, que houve “reiterados descumprimentos das medidas cautelares diversas da prisão” e “atos concretos visando a fuga, inclusive com dolosa destruição da tornozeleira eletrônica”, sendo, assim, necessária “a manutenção do cumprimento da pena privativa de liberdade em regime fechado”.

ALEGAÇÃO – A defesa apresentou o pedido na noite de 31 de dezembro, com o argumento de que o ex-presidente deveria permanecer no hospital para evitar sua transferência à Superintendência da Polícia Federal enquanto estava pendente de apreciação o pedido de prisão domiciliar. Os advogados alegaram que o quadro clínico ainda estaria em evolução e exigiria acompanhamento médico contínuo.

“O quadro clínico é de melhora dos desconfortos que estava sentindo, após a realização das cirurgias eletivas”, escreveu Moraes, ao rebater a argumentação apresentada pela defesa.

PRESCRIÇÕES – Na decisão, o ministro também destacou que todas as prescrições médicas indicadas pelos advogados podem ser integralmente cumpridas na Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro cumpre pena. Segundo o despacho, desde o início do cumprimento da sentença foi determinado plantão médico 24 horas por dia, além de acesso integral aos médicos particulares do ex-presidente, aos medicamentos necessários, à fisioterapeuta e à alimentação preparada por familiares.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena em regime inicial fechado. Com a decisão desta quinta-feira, o ministro determinou que, após a liberação médica, o ex-presidente retorne ao cumprimento da pena na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

Um rancho de Ano Novo, na parceria de Edu Lobo e Capinam

Live-show celebra os 80 anos do poeta e compositor baiano José Carlos Capinan - Portal Soteropreta - O portal Afro Cultural de Salvador

Capinam, grande compositor baiano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico, publicitário, teatrólogo, escritor, poeta e letrista baiano José Carlos Capinam, na letra de “Rancho de Ano Novo”, em parceria com Edu Lobo, fala da tristeza da separação de um grande amor com a despedida na chegada do novo ano. A música faz parte do LP Gracinha Leporace, lançado em 1968 pela Philips.

RANCHO DE ANO NOVO
Edu Lobo e Capinam

Meu amor abriu em prantos
debaixo de uma palmeira
Ano Novo vi entrando
vi o rancho na ladeira
Mestre João vinha na frente
levando a sua gente
numa estrada, a madrugada
que demora a vida inteira

No sopro do seu clarim
vinha vindo a madrugada
a pastora Mariana
dava voltas de ciranda
lá vem dona Juliana
carregada de jasmim
de Joana são as tranças
e o amor que levou fim

Lancha nova está no porto, ô.ô
meu amor abriu em prantos, ô.ô
na entrada do Ano-Novo
vou voltar pra te buscar
lá se foi a lancha nova
que do céu caiu no mar

Joana não é nada
Juliana eu vou e juro
não há nada nesse mundo
que me faça demorar
lá se foi a lancha nova
que do céu caiu no mundo
faz um ano, Mariana
que eu não paro de chorar           

Caso Master complica Dias Toffoli, um “abafador-geral” bem trapalhão

Homem de meia-idade com cabelo grisalho e barba curta veste terno azul, camisa branca e gravata azul clara, posicionado à direita da imagem com fundo desfocado em tons de azul e branco.

Toffoli se meteu onde não devia e terá muitos dissabores

Marcos Augusto Gonçalves
Folha

Não se conhecem em detalhes os fatos que estão congelados no grande iceberg do Banco Master sobre o qual está sentado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Os sinais são de que a montanha submersa tem enorme potencial para afundar um Titanic com muitos passageiros do establishment econômico, político e institucional a bordo.

No que tange ao STF, onde o caso, sem motivo convincente foi parar, sabe-se de um vultoso contrato de R$ 129,6 milhões do banco com a família de Alexandre de Moraes, por si rumoroso o suficiente para deixar o tribunal na berlinda.

ABAFADOR-GERAL – Mas não é só isso. Choca, em acréscimo, da parte do candidato a abafador geral Dias Toffoli, o super-sigilo imposto e a trapalhada de ter anunciado uma acareação entre Daniel Vorcaro, dono do banco em liquidação, Pedro Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), possível comprador, e o diretor de fiscalização do BC Ailton de Aquino Santos.

Isso, como já foi repisado, ao apagar do ano, durante festas e recesso de instituições da República. Aos olhos de advogados e juristas respeitáveis, a convocação de Aquino não tinha cabimento fosse para o procedimento do qual Toffoli acabou por recuar em parte, seja para depor à Polícia Federal.

O episódio acabou privilegiando depoimento e acareação de Vorcaro e Pedro Henrique Costa, tendo Aquino prestado esclarecimentos sobre a atuação do BC antes de ser dispensado.

CRIME ORGANIZADO – A novidade em cena é o uso pelo banco de operações com fundos que serviram também a propósitos escusos do crime organizado, conforme se viu na operação Carbono Oculto.

Como publicou esta Folha, um relatório do Banco Central (BC) enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União) apontou indícios de fraude em operações financeiras realizadas em conjunto com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Quem acompanha o mercado diz que é grande o nervosismo. Pudera.

De acordo com o documento, as transações suspeitas somariam R$ 11,5 bilhões e foram consideradas pelo BC como portadoras de “falhas graves”, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.

APOIOS COMPROMETEDORES – Sabe-se que o Master, além da imaginação financeira de seu dono, conta com uma ampla rede de apoios comprometedores, envolvendo autoridades de relevo.

Noticiou-se que o governador do Rio, Cláudio Castro, por exemplo, bem como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teriam apoiado a instituição com incentivo a investimentos dos fundos de previdência dos servidores do Rio e do Amapá. No caso do Estado da região Norte, o diretor do fundo seria apadrinhado do senador.

Os dois casos, entre tantos na mesma linha veiculados pela imprensa, talvez sejam apenas a pontinha da ponta do iceberg que já se pode ver.

DELAÇÃO PREMIADA – O grande temor agora é que o imbróglio entre na esfera criminal e acabe por produzir uma delação premiada, o que não seria fogo e sim um incêndio de grandes proporções no parquinho.

O Brasil não dá sossego. O caso Master vai nos acompanhar por bom tempo. Serão grandes as apreensões e variadas as tentativas de manobras num ambiente político cada vez mais delinquencial, que se alastra pelo Congresso e outras instâncias da democracia.

O Titanic continua em rota de colisão com o iceberg. Veremos.

TCU reage nos bastidores a risco de liminar de ministro para ressuscitar o Banco Master

Entre a esperança e a disputa: o importante ano político que se inicia

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

O Ano Novo começa, como quase sempre na política, sob o signo da esperança. Não se trata de um sentimento ingênuo, mas de um motor histórico que move partidos, lideranças e eleitores. Juscelino Kubitschek, um dos presidentes mais emblemáticos da República, sintetizou essa lógica ao afirmar que a política se alimenta, antes de tudo, da expectativa.

É essa projeção do futuro — quase sempre idealizada — que sustenta alianças, campanhas e narrativas, mesmo em contextos de desgaste institucional, crise econômica ou crescente desconfiança da sociedade em relação aos seus representantes. Pesquisas recorrentes conduzidas por instituições como a Fundação Getulio Vargas e o Latinobarómetro demonstram que, ainda quando a confiança nas instituições democráticas sofre abalos, a expectativa de mudança permanece como elemento central de mobilização política.

EVENTOS SIMBÓLICOS – Esse sentimento tende a ganhar força em anos marcados por eventos simbólicos de grande impacto coletivo. O calendário deste ano reúne eleições gerais e Copa do Mundo, combinação que intensifica emoções, desloca atenções e cria um ambiente fértil para disputas narrativas.

A política, longe de ser suspensa nesses momentos, adapta-se ao clima social, buscando dialogar com o humor do eleitorado. Estudos analisados por veículos de referência internacional, como The Economist e Le Monde, apontam que grandes eventos esportivos influenciam o estado de ânimo da população e, em certos contextos, acabam sendo incorporados ao discurso político como metáfora de união, superação ou identidade nacional.

No campo eleitoral, esse cenário amplia tanto as oportunidades quanto os riscos. Governos tendem a ressaltar realizações e promessas de continuidade, enquanto a oposição explora frustrações acumuladas e a demanda por renovação. Relatórios do Tribunal Superior Eleitoral e de organismos internacionais de observação democrática indicam que períodos eleitorais costumam intensificar a polarização, mas também elevam o nível de participação cívica, ainda que marcada por conflitos e discursos mais duros.

ESPAÇO DE CONFRONTO – A arena pública transforma-se, assim, em um espaço de confronto permanente entre diferentes projetos de país, mediado por expectativas muitas vezes infladas. Diante desse contexto, o desafio que se impõe à sociedade vai além da escolha entre candidaturas ou partidos. Trata-se de exercer um olhar crítico capaz de distinguir promessa de projeto, emoção de estratégia, esperança legítima de ilusão conveniente.

A política continuará sendo movida pela expectativa — como ensinou Juscelino Kubitschek —, mas a maturidade democrática exige que ela venha acompanhada de memória histórica, responsabilidade coletiva e vigilância cidadã. Só assim o ano que se inicia poderá ser lembrado não apenas pelo entusiasmo do calendário, mas pela capacidade de transformar esperança em decisões conscientes e duradouras.

Moraes manda prender Filipe Martins após descumprimento de cautelares em caso do golpe