Socorro dos bancos aos Correios e o custo silencioso da socialização de prejuízos

Supremo sofre graves críticas porque foi “sequestrado” por alguns ministros

Tribuna da Internet | ONG denuncia Toffoli na OEA por desmontar o combate à corrupção

Charge do Kacio (Metrópoles)

William Waack
Estadão

Na atual paisagem política parece ultrapassado o ponto a partir do qual o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia recuperar imagem e autoridade. Não aquela garantida pela Constituição, mas a autoridade moral e política. Do ponto de vista jurídico continuará tomando decisões que serão cumpridas – o que está em jogo é respeito em sentido amplo.

A principal causa disto é o colegiado ter se deixado levar, por falta de liderança interna, para a condição de espécie de grêmio referendando comportamentos de indivíduos.

IMAGEM NEGATIVA – Nunca foi positivo para qualquer instituição alguma em qualquer parte quando um de seus integrantes vira a “imagem” dela.

Pois ocorrem comportamentos individuais reprováveis do ponto de vista político, ético ou mesmo jurídico ocorrem. O problema é quando são entendidos como “da instituição”. É o que está acontecendo agora.

A “personalização” do STF já vem desde o julgamento do Mensalão, quando embates acalorados entre ministros viraram enredo televisivo. Mas ocorriam dentro do mérito de um só episódio, o do julgamento de acusados de corrupção.

PÓS ZAVASCKI – Outro marco importante para ilustrar essa linha do tempo ocorreu pouco depois da morte de um de seus integrantes, Teori Zavascki.

O País suspendeu a respiração aguardando o resultado do sorteio que indicaria quem ocuparia o seu lugar, pois dependeriam do nome sorteado os destinos da Lava Jato. De novo a instituição parecia pendurada numa individualidade, embora dentro ainda de contexto jurídico.

Sim, é necessário admitir que, por força de circunstâncias políticas abrangentes, o STF mergulhou na luta entre correntes antagônicas, e que sua atuação nunca seria vista senão como política – uma complexa relação de causa e efeito cuja simplificação só torna difícil compreender todo seu alcance.

CASO MORAES – Mas o que está em jogo agora tem outra natureza. É a noção de que indivíduos que “personificam” a conduta da instituição utilizaram seus incontroláveis poderes para interferir em escândalo financeiro de proporções ainda não totalmente conhecidas.

E deixaram a impressão de que o fizeram não para “salvar” a própria instituição e a democracia, mas por interesses próprios.

A lição é bem antiga: indivíduos não personificam interesse público, seja na esfera da política propriamente dita e muito menos na esfera da norma jurídica.

STF SEQUESTRADO – No caso do Supremo, o principal bem de interesse público a ser preservado é a própria norma, que não pode estar sob o arbítrio de indivíduos. Muito menos quando, na prática, “sequestraram” a instituição,

Trazer o Supremo Tribunal Federal de volta para um “berço” no momento é pura ilusão. A crise política e institucional brasileira passou do ponto de retorno.

Vamos para águas nunca dantes navegadas, esperando um timoneiro.

Nikolas divulga informação falsa sobre “nova” taxação do governo Lula e é desmentido

Toffoli, Gilmar e Gonet fazem papel vergonhoso ao defenderem Moraes

Ronaldo Caiado concede título de cidadão goiano a Gilmar Mendes, Toffoli e Gonet - Portal de Prefeitura

Gilmar, Toffoli e Gonet parecem não ter medo do ridículo

Carlos Newton

É impressionante o sentimento de impunidade que determinados ministros do Supremo ostentam. Para eles, nada interessa, a não ser a autoproteção mútua, que cultivam acima da lei, da ordem e da ética, como se fossem donos do país, com poderes ilimitados.

A situação torna-se tão embaraçosa que até transmite o que se chama de “vergonha vicária”, ou seja, o constrangimento que as pessoas sentem pelos atos alheios, um sentimento internacionalmente conhecido pela expressão alemã “fremdscham”.

VERGONHA ALHEIA – O termo refere-se ao mal estar que uma pessoa sente ao testemunhar ações humilhantes, inapropriadas ou embaraçosas de outras pessoas, mesmo que ela própria não esteja diretamente envolvida na situação.

Assim, “fremdscham” é um tipo de empatia negativa, em que a pessoa se coloca no lugar do autor da gafe e se sente envergonhada com isso.

É assim que me sinto quando deparo com as notícias sobre a entusiástica defesa dos malfeitos do casal Alexandre e Viviane de Moraes. Realmente, os ministros Gilmar e Toffoli, assim como o procurador Gonet, mostram que não têm pudor nem temem o ridículo, quando saem em defesa de procedimentos inadequados, vergonhosos, aéticos e ilegais digamos assim, numa classificação em ordem de grandeza.

CONFIANÇA ABSOLUTA – Gilmar Mendes convocou a imprensa para declarar ter “absoluta confiança em relação” ao proceder de Moraes, que chegou a ligar seis vezes, num só dia, para o presidente do Banco Central, e só parou a pressão quando foi convencido por Galípolo sobre os graves crimes cometidos por Vorcaro e sua quadrilha. Aí jogou a toalha.

Toffoli agiu acintosamente, decretando sigilo, impondo prazo às investigações e convocando a acareação de três personagens dessa criminosa novela – Daniel Vorcaro, do Master, e Paulo Henrique Rocha, do BRB, que estão sob investigação, e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, que tentava encontrar uma solução sem liquidar o banco. 

Por coincidência, os três eram favoráveis à venda ruinosa do Master para o BRB. E Toffoli então convocou a “acareação”, na esperança de encontrar uma brecha para reabrir o destroçado banco de Vorcaro.

SONHO MEU – O presidente do STF, Edson Fachin, atacado de “súbita vergonha vicária”, desfez a falsa acareação e a transformou em depoimentos, realizados nesta terça-feira e que serão juntados aos autos.

No meio da confusão, surgiu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para fazer papel extremamente vergonhoso. Mandou arquivar a investigação, dizendo que não vê “nenhum problema” em nada do que foi publicado, alegando também que a “narrativa” da pressão de Moraes permaneceu no “campo das suposições”.

Gonet também não viu “qualquer ilicitude” no contrato firmado com o Banco Master pela advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, no total de R$ 129,6 milhões, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. –
Gilmar, Toffoli e Gonet vão se arrepender dessa insana defesa de atos indefensáveis do ministro Moraes. A investigação não vai parar, porque ela provém do Banco Central e a Policia Federal está acumulando provas de crimes financeiros. Além disso, existe outro Poder, o Legislativo, que já está por aqui com o Supremo, vai convocar uma CPI e depois abrir processo de impeachment de Moraes. Aliás, os parlamentares têm 129 milhões de motivos para tanto, como diz o jornalista Mario Sabino. (C.N.)

Juiz e delegada se desentendem por causa de perguntas feitas por Toffoli

ONG na mira de Toffoli é crítica a decisões do ministro - 05/02/2024 -  Poder - Folha

Toffoli desrespeitou a delegada e mandou suas perguntas

Alvaro Gribel e Aguirre Talento
Estadão

A audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 30, sobre investigações de irregularidades no Banco Master começou com duas discordâncias entre a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo e o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek, sobre a condução do processo.

Primeiro, Palazzo queria fazer a acareação (confronto de versões), porque essa era a determinação oficial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso, para a sessão desta terça.

SEM DESPACHO – Apesar de a assessoria do STF ter informado que ele havia mudado de ideia, permitindo os depoimentos e deixando a decisão sobre a acareação a cargo da delegada, não houve despacho nesse sentido e, por isso, Palazzo quis seguir o que valia do ponto de vista oficial.

Foi então que Adamek ligou para Toffoli, e o ministro determinou, por telefone, que os depoimentos fossem tomados antes.

Depois, Adamek entregou a Palazzo uma lista de perguntas que deveriam ser feitas pela delegada – o que fez com que ambos elevassem o tom do desentendimento. Ela afirmou que caberia à PF conduzir o interrogatório, e não ao STF.

DELE PRÓPRIO – Adamek, então, ligou novamente para Toffoli, que ordenou que as perguntas fossem feitas como se fossem dele próprio.

De acordo com interlocutores do STF, o juiz auxiliar entregou as perguntas à delegada dizendo que seria uma “sugestão” para o interrogatório dela, mas não interferiu nas perguntas feitas por ela.

Na visão de pessoas envolvidas no processo, as perguntas de Toffoli configuram uma inversão da ordem jurídica, já que o próprio ministro passou a conduzir as investigações, passando por cima da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

NOVIDADE – O procedimento adotado por Toffoli não é comum em apurações criminais na fase de inquérito. No STF, no entanto, o ministro Alexandre de Moraes foi criticado por agir como juiz e investigador. A mesma crítica tem sido feita a Toffoli no caso Master.

Como revelou o jornal O Globo e confirmou o Estadão, na lista de perguntas ao banqueiro Daniel Vorcaro estavam questionamentos sobre o que ele havia achado da atuação do próprio BC sobre a liquidação do Master.

Interlocutores do ministro Dias Toffoli, porém, afirmam que foi a própria delegada quem tomou a iniciativa de perguntar ao banqueiro sobre a atuação do Banco Central no processo de investigação do Master.

OUTROS DEPOIMENTOS – Depois de Vorcaro, deram seus depoimentos o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, foi deixado para falar por último

O BC chegou a pedir ao STF para que ele falasse por videoconferência, mas o pedido foi negado pela Corte, sob justificativa que Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, falariam presencialmente.

STF investiga uso de rede social por Filipe Martins e ameaça prisão preventiva

Martins é suspeito de buscar perfis no LinkedIn

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira que a defesa do ex-assessor presidencial Filipe Martins explique, em 24 horas, um suposto uso da rede social LinkedIn por ele. Moraes afirmou que pode decretar a prisão preventiva de Martins, já que ele está proibido de usar plataformas digitais.

No sábado, Martins passou a ficar em prisão domiciliar, em caráter preventivo, por decisão de Moraes. O ministro apontou o risco de fuga, após condenação no STF, e também determinou a medida para outras nove pessoas consideradas culpadas pela trama golpista.

REDE SOCIAL – Em despacho nesta terça, o ministro afirmou que “foi juntado aos autos notícia de que o réu condenado teria utilizado a rede social LinkedIn para a busca de perfis de terceiros”. Moraes, então, abriu prazo para que os advogados de Martins “prestem esclarecimentos sobre as informações juntadas aos autos, sob pena de decretação da prisão preventiva do réu”.

Entre as obrigações impostas a Martins está a “proibição de utilização de redes sociais próprias ou por terceira pessoa”. O ex-assessor presidencial foi condenado pela Primeira Turma do STF, há duas semanas, a 21 anos de prisão.

Os ministros consideraram que ele elaborou a minuta de um decreto com medidas para reverter o resultado da eleição presidencial de 2022. O documento foi apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos comandantes das Forças Armadas.

Racha na direita em Santa Catarina abre brecha inédita para avanço do PT

Caso Master: investigações da PF estão avançando no Amapá e RJ

CHARGE ▫ Confira a charge do cartunista Mariosan desta quinta-feira (20). # Charge #OPopular #LeiaAgora

Charge do Mariosan (O Popular)

Lauro Jardim

A Polícia Federal, por meio de suas superintendências regionais, está avançando nas investigações das traquinagens entre o Master e os fundos de previdência do Rio de Janeiro e do Amapá.

No total, esses fundos investiram cerca de R$ 1,5 bilhão no banco.

A propósito, as investigações da CPI do INSS sobre o envolvimento de Lulinha com o Careca do INSS também seguem de vento em popa.

GILMAR DEFENDE – Apenas um ministro do STF até agora veio a público defender Alexandre de Moraes das revelações que se sucedem nas últimas semanas.

Trata-se de Gilmar Mendes, que disse ter “absoluta confiança em relação” a Moraes e que não vê “nenhum problema” em nada do que foi publicado.

Uma declaração favorável, sem dúvida, ainda que sem a veemência costumeira de Gilmar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na semana passada, Gilmar convidou um grupo de jornalistas amestrados e armou um café da manhã suntuoso, para dizer que Alexandre de Moraes não fez nada de errado e o contrato de R$ 129,6 milhões está absolutamente dentro da normalidade. Detalhe curioso: nenhum dos jornalistas riu e todos levaram Gilmar a sério, embora ele próprio seja uma colossal Piada do Ano. (C.N.)

Correios lideram ranking de ações no TST em meio a rombo bilionário

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Eduardo Barretto
Estadão

Com um rombo bilionário, os Correios são a empresa com o maior volume de novos processos no Tribunal Superior do Trabalho (TST) nos últimos dois anos, com cerca de 18 mil ações.

A estatal, que busca R$ 8 bilhões para fechar as contas mesmo após pegar R$ 12 bilhões emprestados, pode ter de arcar com ainda mais despesas, a depender das decisões da instância máxima da Justiça trabalhista. Procurada, a companhia afirmou: “Conforme previsto no plano de reestruturação, os Correios estão aprimorando os controles e critérios relacionados aos passivos judiciais”.

PROCESSOS – Entre janeiro e outubro de 2025, os Correios integraram 8,5 mil novos processos trabalhistas no TST, segundo um levantamento da Coluna do Estadão. Desse total, 5,6 mil foram apresentados pela própria estatal contra decisões de instâncias inferiores, e 2,9 mil foram movidos por trabalhadores contra a empresa. Ao longo de 2024, outras 9,3 mil ações na Corte citam os Correios.

A lista das empresas com mais processos no TST em 2024 e 2025 é completada por Bradesco, Petrobras, Santander e Itaú Unibanco. Veja o ranking: Correios (17,8 mil ações) ; Bradesco (15,4 mil ações) ; Petrobras (14,2 mil ações); Santander (12,7 mil ações) ; Itaú Unibanco (10,9 mil ações).

Nessa segunda-feira, 29, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse que o plano de reestruturação da companhia prevê captar R$ 20 bilhões e que ainda há necessidade de um aporte de R$ 8 bilhões para fechar a conta. Segundo ele, ainda será definido se essa captação terá participação do Tesouro Nacional.

EMPRÉSTIMO – A estatal assinou, na última sexta-feira, um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O financiamento terá prazo de pagamento de 15 anos, com taxa de juros próxima à Selic. A operação recebeu aval do Tesouro Nacional há pouco mais de uma semana, após uma tentativa frustrada de aprovação no início de dezembro.

Com prejuízo acumulado superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 e déficits recorrentes desde 2022, os Correios buscam reequilibrar suas contas. Outra aposta da empresa para reduzir o rombo é um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que será aberto em janeiro de 2026. A estatal projeta uma adesão de até 15 mil empregados e uma economia anual de R$ 2,1 bilhões.

Surgem novos pedidos para investigar Moraes e votar impeachment

JC - JC - Charges

Charge do Thiago Lucas (JC-PE)

Rafael Moraes Moura
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada no último domingo (28) pelo vereador Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba, para apurar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a favor dos interesses do Banco Master.

O pedido de abertura de inquérito vai ser examinado pela equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconduzido ao cargo neste ano com o apoio de Moraes.

“SUPOSIÇÕES” – Um pedido similar, apresentado pelo advogado Enio Martins Murad, já foi arquivado no último sábado (27) por Gonet, sob a alegação de que a “narrativa” da pressão de Moraes permaneceu no “campo das suposições”.

Gonet também não viu “qualquer ilicitude” no contrato firmado pela advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos.

Em outra frente de pressão, um grupo de parlamentares da oposição, capitaneados pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto (PL-PB), protocolou nesta segunda-feira (29) um novo pedido de impeachment contra Moraes no Senado Federal.

FAZENDO PRESSÃO – Tanto o pedido de abertura de inquérito de Kilter como o de impeachment de Moraes vieram à tona após o blog revelar que Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para tratar do Banco Master.

Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Segundo o Estadão, Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo num mesmo dia para falar sobre a venda do Banco Master ao BRB, que acabou sendo barrada pelo Banco Central em setembro deste ano.

INTENSIDADE – Para o vereador, as reportagens expõem a “intensidade da pressão exercida pelo ministro sobre a autoridade monetária”.

Moraes nega que tenha atuado a favor dos interesses de Vorcaro e afirma que as conversas com o Banco Central giraram em torno das sanções da Lei Magnitsky, espécie de “pena de morte financeira” adotada pelo governo Trump contra Moraes em julho deste ano como forma de pressionar o Supremo a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.

FORA DA AGENDA – Os encontros não foram divulgados na agenda oficial de Galípolo nem na de Moraes, que não tem o hábito de divulgar seus compromissos nem informar quem recebe em audiências no gabinete.

Na notícia de fato protocolada no último domingo (28), o vereador Guilherme Kilter sustenta que Moraes se valeu “de sua alta posição e prestígio” para patrocinar interesses privados do Banco Master perante a administração pública, o que configuraria, em tese, o crime de advocacia administrativa.

“Não deveria ser preciso sequer mencionar o quão inapropriado é que um membro do Poder Judiciário agisse de tal maneira, como lobista ou articulador institucional perante uma autarquia do Poder Executivo, como é o Banco Central”, afirma Kilter.

ÉTICA FUNCIONAL – “A concepção por trás da repartição de poderes e da definição de deveres legais e de ética funcional se destina justamente a evitar interferências indevidas entre poderes, o que é completamente o oposto do que ocorre quando um magistrado ingressa em negociações que possuem relação de interesse direto com o sucesso do contrato de sua esposa.”

Kilter também aponta que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, firmou um contrato com o Master que previa a remuneração mensal de R$ 3,6 milhões por 36 meses, a partir do início de 2024.

O contrato de Viviane com o Banco Master, publicado em primeira mão pelo blog, previa a organização de “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo, citando quatro instituições: Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Banco Central e o Cade.

SEM REGISTRO – Em resposta ao blog, Banco Central e Cade informaram que não têm registros da atuação de Viviane a favor do Master desde o início da vigência do contrato com o banco de Vorcaro.

Segundo Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa “jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central”.

Procurada, a assessoria de Vorcaro não se manifestou. O BC confirmou apenas que houve conversas a respeito da aplicação da Lei Magnitsky sobre Alexandre de Moraes, mas não negou que tenha se falado a respeito do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se Viviane Moraes não atuou na aquisição do Master pelo BRB, estava sendo regiamente paga para fazer o quê? Se Bussunda ainda estivesse entre nós, diria: “Fala sério!”. (C.N.)

Nada começa no Ano Novo, e tudo apenas continua, dizia Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (1888–1935) foi um dos mais importantes poetas e escritores da língua portuguesa e uma figura central do modernismo europeu. Sua característica mais marcante foi a criação de heterônimos, assinando seus textos com nomes de personalidades literárias completas, por ele criadas, com biografias, estilos e visões de mundo próprias, que iam além de simples pseudônimos. 

Neste seu poema “Ano Novo”, nada começa no virar do ano, dando um balde de água fria na mente dos sonhadores. Nada começa, apenas continua.

ANO NOVO
Fernando Pessoa

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Trump descartou Bolsonaro porque ele virou perdedor, diz ex-embaixador dos EUA

Gonet mostra que a Procuradoria também submergiu na podridão

Moraes e Gonet - 02/09/2025

Paulo Gonet está limpando as sujeiras de seu amigo Moraes

Vicente Limongi Netto

Brasil rumo ao abismo da podridão. Brasileiros cada vez mais desapontados com as instituições. Poderosos deslustram os cargos. Fica tudo como dantes no quartel de Abrantes. A gentalha mafiosa e desprezível atua nos três poderes da República.

Vestais grávidas de toga passam a mão na cabeça de apaniguados. Com o maior descaramento. Dormem e acordam arrogantes. Amiguinhos e colegas de magistrados podem cometer as maiores barbaridades, que não acontece nada. Elementos nocivos e graúdos são blindados.

CASO MASTER – Imprensa em geral e colunistas respeitados investigaram, apuraram e publicaram matérias arrasadoras relatando negociatas do Banco Master. Muitas das matérias recheadas de graves acusações contra Alexandre de Moraes.

Agora, respeitados profissionais passam como malfeitores. Abissal absurdo. Canalhice que não pode ser admitida nem suportada. É o fim da picada. 

Nessa linha o sabujo procurador-geral da República,  Paulo Gonet, numa avassaladora, serviçal e cretina canetada, pediu a canonização do humilde e puro casal ministro Alexandre de Moraes, envolvidos no processo imundo e nada republicano do Banco Master.

ARQUIVADOR – Gonet mandou arquivar tudo que existe contra o imaculado xerife Xandão e a mulher dele, advogada Viviane Barci Moraes. 

Gonet não vê pressão de Moraes nem ilegalidade em contrato de esposa, e arquivou a investigação, dizendo que não há como aprofundar as revelações feitas pela imprensa. Mas é claro que há como comprovar, sim.

Tudo indica, nos finalmentes,  que os arquivos da Procuradoria-Geral da República estão podres. Fortes concorrentes  dos  sacos de lixo hospitalar.

Entre a paixão nacional e o vazio fiscal: o Brasil das apostas e seus desafios

Vorcaro reuniu-se com diretor do Banco Central horas antes de ser preso

PGR arquiva representação contra Alexandre de Moraes sobre caso do banco Master

Fachin intervém no caso Master e altera a “acareação” de Toffoli

Quem é quem no gabinete de Edson Fachin, novo presidente do STF - Estadão

Fachin decidiu botar o STF em ordem e desautorizou Toffoli

Carlos Newton

Embora determinados ministros do Supremo se julguem acima da lei e da ordem, tudo tem limites e nesta segunda-feira, dia 29, o presidente Edson Fachin alterou a decisão de Dias Toffoli, que tinha determinado uma acareação entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente afastado do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa (os dois investigados por fraude), e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Ao invés de acareação, que tinha sido uma tremenda mancada de Toffoli, a sessão passou a ser de depoimentos sobre as irregularidades cometidas, que levaram à liquidação do Master, em defesa da economia popular, segundo justificou o Banco Central.

CONCORDÂNCIA – Convocar uma acareação foi uma surpresa, porque esse tipo de providência só é tomado quando existe discordância entre depoimentos. No caso dos convocados por Toffoli, nem existiam depoimentos e, muito menos, controvérsias.

O que havia eram concordâncias, porque os três foram a favor da venda irregular e ruinosa do Master para o estatal BRB.

Justamente por isso, Vorcaro e Costa estão sendo investigados criminalmente, e Aquino está sob suspeita, porque todos demais os diretores do Banco Central foram a favor da liquidação e somente no final ele mesmo viria a apoiar, para haver unanimidade na decisão.

GONET CONTRA – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram contrários à acareação irregular, mas Toffoli manteve a decisão.

A intransigência de Toffoli levantou suspeitas de que estaria interessado em desfazer a liquidação extrajudicial do Master, que vai dar prejuízo de R$ 19 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.

Esse Fundo é particular e foi criado pelo sistema bancário para evitar graves crises financeiras e prejuízos aos pequenos investidores até R$ 250 mil em CDBs e Poupança.

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P.S.
No caso do Master, há investidores que terão altos prejuízos, como o RioPrevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio. E agora, além do ministro Alexandre de Moraes, também Dias Toffoli fica sob suspeita de favorecimento ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Comprem pipocas que o Ano Novo vem aí. (C.N.)

Heloísa Helena volta à Câmara e rejeita alianças: “Não contem comigo para conciliar”

Governo Lula acende alerta para possível ingerência dos EUA na eleição de 2026

Galípolo agora precisa informar o que conversava com Moraes

Quem é Gabriel Galípolo, anunciado por Haddad como secretário-executivo do Ministério da Fazenda em 2023 | G1

Gaíípolo terá de exibir os documentos sobre as pressões

Elio Gaspari
Folha

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está numa sinuca de bico com o caso do banco Master. Se contar tudo o que sabe, muda a essência da relação do BC com bancos a caminho da quebra, mas, em tempos de festas e do Especial de Roberto Carlos, faz um milhão de inimigos.

Até agora, Galípolo não foi convincente sobre o que tratou em seus contatos com o ministro Alexandre de Moraes.

DISSE TUDO – A repórter Malu Gaspar com a palavra: “O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de Janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula, como salvação da democracia”, disse, acrescentando:

“Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Galípolo, na entrevista coletivo de final do ano, disse que sua equipe “documentou tudo”, referindo-se às pressões. Estamos esperando… (C.N.)