“Oh tristeza, me desculpe, estou de malas prontas, vamos viajar…”

Paulo César Pinheiro - discografia de A a Z | Templo Cultural Delfos

Paulo César Pinheiro compôs mais de 2 mil canções

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro é considerado um dos maiores autores da canção popular do Brasil, cuja obra ultrapassa 2 mil músicas compostas, entre as quais, “Viagem”, considerada uma das mais belas músicas brasileiras, uma parceria com o grande violonista João de Aquino (1945/2022)

Vale ressaltar, que Paulo César Pinheiro escreveu a belíssima letra de “Viagem” aos 14 anos de idade. Letra esta, onde o poeta pede licença à tristeza, porque irá viajar com a poesia que veio ao seu encontro. A música foi gravada por Marisa Gata Mansa, em 1972, produção independente.

VIAGEM
João de Aquino e Paulo César Pinheiro

Oh tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar.

Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fim do mar.

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas vai escondida
Querendo brincar.

Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol.

Oh poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar.

Ou talvez até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite
Cujo o nome é raio, é raio de luar.

Reflexões sobre Cristo como  profeta e como um ser divino

PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: OUVIR JESUS

A existência de Jesus Cristo é mais do que comprovada

Reinaldo José de Almeida
Folha

Existem algumas ideias fixas que às vezes eu chamo carinhosamente de “criacionismo de ateu”: crenças sem base factual que acabam soando muito sedutoras para pessoas supostamente sem dogmas. Uma delas, que já abordei anos atrás nesta coluna, é a de que não existiria natureza humana e tudo seria “construção social”.

E há outra que sempre volta para me perseguir quando escrevo sobre história das religiões. Trata-se da tese de que Jesus de Nazaré nunca teria existido. Éuma crença quase tão pseudocientífica quanto afirmar que as pirâmides foram feitas por ETs.

PRESSUPOSTOS – Primeiro, a comparação com ideias do tipo “alienígenas do passado” se explica pelo fato de que é praticamente impossível encontrar historiadores e arqueólogos sérios que defendam a tese do “Cristo mítico”.

O mesmo vale para publicações em periódicos acadêmicos com revisão por pares –o processo no qual a comunidade acadêmica avalia um novo estudo antes de ele ser divulgado.

O que é curioso nesse caso é o proverbial uso de dois pesos e duas medidas. Algumas das pessoas que não dão crédito ao negacionismo da crise climática –porque, afinal, sabem que as raras pessoas com credenciais científicas que negam o problema em geral não são climatologistas, nunca publicaram em nenhum periódico sério sobre o tema

DINHEIRO NA MÃO – Essas pessoas têm motivações ideológico-financeiras para o negacionismo ou tudo isso junto, e acabam dando crédito aos “miticistas”, que seguem o mesmo figurino.

Os consensos científicos modernos existem por um bom motivo. E eles quase sempre mudam quando há boas evidências em favor de alterá-los, o que não está sendo o caso aqui.

E não há nenhuma explicação convincente para a suposta invenção de um Messias judeu se a ideia era converter justamente os não judeus para uma nova religião.

ABISMO ÓBVIO – Há ainda outro problema de base nessa história. Trata-se da mania demasiado humana de se aferrar a qualquer argumento que seja útil para o seu lado, por mais frágil que seja.

A questão, porém, é que falta enxergar o abismo óbvio que existe entre aceitar a existência da figura histórica de Jesus de Nazaré – um profeta da Galileia crucificado pelos romanos lá pelo ano 30 d.C.– e acreditar no Senhor divino anunciado por uma das muitas denominações cristãs por aí.

É claro que o consenso histórico sobre Jesus se refere à primeira figura, do profeta da Galiléia, e não à segunda.

SEM PROVAS – Os debates entre historiadores sobre os detalhes mais ou menos prováveis da vida da primeira figura são ferozes e ainda indecisos (assim como os debates sobre Alexandre, ou Nero, ou qualquer outra figura da Antiguidade).

Mas nenhum desses debates jamais será suficiente para “provar” que o Nazareno operava milagres ou ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, como diz o Credo, simplesmente porque eventos desse tipo não são verificáveis por meio do método científico e só podem ser aceitos por meio da fé.

Fica aqui a dica, portanto, aos amigos ateus e agnósticos: os argumentos em favor da descrença já são bastante fortes. Não é preciso fazer birra contra o consenso histórico só por causa do que foi feito do legado de um pobre galileu. Feliz Natal a todos!

Bolsonaro banca candidatura de Flávio, mas gesto irrita aliados e a própria família

Em carta, Bolsonaro confirma pré-candidatura de Flávio

Malu Gaspar
O Globo

A carta de Jair Bolsonaro escrita à mão na prisão e divulgada por Flávio na tarde desta quinta-feira (25), reafirmando a candidatura do filho à presidência da República em 2026, irritou alguns dos aliados mais próximos do ex-presidente – incluindo a ex-primeira-dama Michelle.

“Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, para a missão de resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim”, diz Bolsonaro na carta..

“EGOÍSMO” – Segundo alguns desses aliados, a iniciativa de Flávio seria fruto de “egoísmo” por ocorrer no momento em que o pai passa por uma cirurgia e enfrenta problemas de saúde – como o soluço persistente, para o qual ele deve sofrer outra operação.

No início da semana, Bolsonaro chegou a anunciar que daria uma entrevista ao portal Metrópoles, mas depois desistiu alegando questões de saúde. A entrevista foi articulada por Flávio e tinha a mesma finalidade, depois cumprida pela carta: reafirmar sua candidatura. Mas, de acordo com aliados próximos, Michelle fez com que a operação fosse abortada.

Os dois episódios mostram que a decisão de Bolsonaro, embora vá ser cumprida enquanto estiver valendo, não pacificou o clã e nem encerrou a discussão na direita sobre a viabilidade e conveniência da candidatura de Flávio. Tudo indica que a tensão interna deve continuar, e por bastante tempo.

Fachin entre dois fogos: o esforço silencioso para desarmar crises institucionais

Para oposicionistas, chegou a hora de pedir impeachment de Moraes

Oposição entra com novo pedido de impeachment de Moraes | CNN 360°

Damara Alves (Republicanos) entrou com pedido no Senado

Vicente Limongi Netto

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta vendaval pior do que inferno astral. Vem recebendo saraivadas no lombo de todos os lados, vindas de todas as direções. Precisa, urgente, pensar em boas respostas à opinião pública.

Sem dissimulações ou clichês surrados, com esclarecimentos firmes, claros e convincentes – se existirem, é claro.

SR. XANDÃO… – Moraes, o senhor Xandão, é sisudo, de raros sorrisos. Prende, solta, libera para exames, aumenta penas, libera e exige uso de tornozeleira eletrônica. Raramente, como agora com o ex-presidente Bolsonaro, libera visitas médicas e operações, sem antes passar pelo crivo da Procuradoria-Geral da República e da Policia Federal.

De alguns dias para cá, o quadro clínico mudou de figura. O enfermo é Moraes. O tormento mudou de lado.

Moraes, que era um xerife e durão, passou a ser acusado de tramas estranhas e escabrosas com a mulher dele, advogada, ambos envolvidos com o nefasto e mal cheiroso, Banco Master.

BATATA ASSANDO – Moraes certamente está ansioso para colocar os dois pés no Ano Novo, num glorioso 2026 de eleições majoritárias. Na qualidade de vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Moraes acredita que vai baixar a poeira em torno do nome dele, nas perguntas sem respostas do lamaçal do Master.

Enquanto 2026 não chega, vai assando a batata do Xandão. Era em fogo brando. Agora é fervendo. Toda a mídia – impressa, eletrônica e virtual – insiste em tirar o couro de Moraes para fazer cuíca neste carnaval. Raros espaços de notícias ou de comentaristas livram a casa de Moraes.

Em recesso de fim de ano, o Congresso poupa um pouco Moraes do noticiário ruim. Aparentemente alivia o sufoco.  Mas a iniciativa do senador do MDB, Alessandro Vieira, pretendendo colher assinaturas para o impeachment de Moraes, causa pânico entre governistas e enche de satisfação os corações oposicionistas.

CPI NO SENADO – Os bolsonaristas já estão preparados para a guerra. Com sangue nos olhos e faca nos dentes, prontos para tirar as tripas de Alexandre de Moraes e pendurar nas janelas da Suprema Corte.

Por sua vez, gênios da lâmpada estragada do Planalto, como o senador Jacques Wagner, estão correndo da copa para a cozinha, tentando demover o jovem senador Vieira da pretensão.

Mas os sanguinários do PL não concordam com penas que consideram injustas e longas de Moraes para golpistas do 8 de janeiro. Para eles, a vingança chegou. E a senadora Damara Alves (Republicanos.DF) já entrou com o pedido de impeachment.

Disputa de Lula e Flávio reedita a guerra de rejeições de 2022

Flávio Bolsonaro aparece 15 pontos atrás de Lula nas intenções de voto para  2026

Lula adora as pesquisas que incentivam Flávio Bolsonaro

Ana Luiza Albuquerque
Folha

Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantiver sua candidatura ao Planalto em 2026, irá reeditar com o presidente Lula (PT) a guerra de rejeições da corrida eleitoral de 2022, avaliam políticos e estrategistas de campanha.

Na última eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PL) saiu derrotado. E agora Flávio já tenta mudar o roteiro se apresentando como uma versão moderada do pai.

EM SEGUNDO = Publicada na semana passada, a mais recente pesquisa Genial/Quaest animou bolsonaristas por mostrar Flávio logo atrás de Lula em intenções de voto no primeiro turno.

No cenário com Tarcísio de Freitas (Republicanos), presidenciável preferido do centrão, o governador de São Paulo sai com 10%, enquanto Flávio aparece com 23%, e Lula, com 41%.

O levantamento, porém, mostra um dado crucial que pesa contra o filho de Bolsonaro: 60% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio. É a maior rejeição entre todos os cotados —Lula tem 54%, Tarcísio, 47%, Ratinho Júnior (PSD), 39%, Ronaldo Caiado (União Brasil), 40%, e Romeu Zema (Novo), 35%.

DIFICULDADE – Integrantes do PL admitem à reportagem que, se confirmada a rejeição na faixa de 60% nas próximas pesquisas, será muito difícil o senador se tornar viável.

Pesquisa Datafolha realizada de 2 a 4 de dezembro, anterior ao anúncio de Flávio, mostrava Lula com uma rejeição de 44%, superior à do senador, que tinha 38%, e à de Tarcísio, com 20%.

O potencial de rejeição ao sobrenome Bolsonaro é um empecilho para partidos do centrão abraçarem Flávio ao Planalto. Líderes do grupo indicavam preferir uma opção mais palatável, que unisse o centro e a direita.

BOM PARA LULA – Professor de comunicação política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Beto Vasques afirma esperar uma eleição de rejeições, decidida por diferença de poucos pontos percentuais.

“Por ser o Flávio, talvez possa até abrir mais espaço para o Lula. Ele tem a parte ruim do Bolsonaro e não tem a parte boa, o apelo popular de líder de massas”, diz Vasques, que acumula algumas campanhas eleitorais em sua trajetória.

Para ele, o desafio de Flávio é muito grande porque, para aumentar a rejeição de Lula, seria preciso atacá-lo. Fazendo isso, porém, o filho de Jair poderia ser mais rejeitado. Terceirizar os ataques, diz o professor, não teria o mesmo efeito sobre a popularidade do petista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como afirmamos aqui na Tribuna da internet, agora vão abundar as pesquisas inflando a candidatura de Flávio Bolsonaro, colocando o Zero Um sempre à frente de Tarcísio de Freitas, para afastar o opositor que Lula mais teme. E ainda há quem acredite nessas pesquisas. (C.N.)

Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

Atingidos diretamente pelo agravamento da polarização, causado pelo radicalismo que o ministro Alexandre de Moraes adotou na investigação e no julgamento do 8 de Janeiro e do complô golpista, os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram o pior Natal de todos os tempos.

O STF tornou-se o prato principal das queixas, reclamações e ataques desferidos na internet e nas redes sociais, apesar de estar sendo poupado pela grande imprensa, que sempre enaltecia a atuação dos ministros contra o bolsonarismo, mas agora teve de se curvar diante do envolvimento de Moraes no escândalo do Banco Master.

SEM PRESTÍGIO – Na verdade, a mídia já não tem o mesmo prestígio e sofre críticas pesadas pela servidão que demonstra em relação ao governo, porque todos os veículos, sem exceção, tornaram-se cada vez mais dependentes das verbas políticas de publicidade, que inclusive estão sendo aumentadas devido ao ano eleitoral.

O problema é que está cada vez difícil enganar a opinião pública. Não adianta a grande imprensa querer conduzir os acontecimentos, porque a verdade acaba aparecendo.

Vejam o caso de Alexandre de Moraes, indevidamente transformado em herói nacional e salvador da democracia. De repente, um jornalista (Lauro Jardim, de O Globo) quebrou o muro de silêncio e trouxe à luz o espantoso contrato de R$ 129,6 milhões entre a mulher de Moraes e o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro.

SIGILO INÚTIL – Não adianta que o amigo Dias Toffoli saia em socorro, coloque em sigilo as investigações e tranque em seu gabinete todos os documentos do inquérito. Logo haverá um vazamento, e assim sucessivamente.

Os sete ministros que deram força para transformar Moraes no mito Xandão agora estão assustados. O prestígio do ministro-relator-vítima-julgador-revisor-etc. diminui a cada dia. Como diz o jornalista Mario Sabino, de Metrópoles, os brasileiros têm 129 milhões de motivos para não esquecer quem é Moraes.

E os sete ministros, que desde 2019 vêm apoiando as perversidades de Xandão tão entusiasticamente, agora têm de se afastar dele, para preservar as próprias biografias.

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P.S. –
Nada como um dia atrás do outro, diz o ditado popular. Os julgamentos do 8 de Janeiro e do golpe que não houve foram atrocidades jurídicas, vão pesar para sempre na mente dos ministros que ainda tiverem alguma
consciência. Porém, nunca é tarde para se recuperar. Se daqui para a frente os ministros respeitarem as leis e a Constituição, já estará de bom tamanho. E a opinião pública saberá entender. (C.N.) 

Jesus é objeto de fé, mas também um campo acadêmico de estudos

Jesus Cristo Abençoando Uma Multidão De Seguidores Sob O Céu Dramático Foto  de Stock - Imagem de divino, dourado: 368876770

Ninguém ousa duvidar da existência de Jesus Cristo

Luiz Felipe Pondé
Folha

Jesus existiu? Essa pergunta, hoje, não é só ultrapassada, ela é cafona. Até o século 19, existiam autores que tentaram pôr em dúvida a existência histórica de Jesus Cristo, mas, hoje, ninguém sério mais faz isso.

Claro que uma coisa é você saber que houve um judeu chamado Jesus no período do segundo templo de Jerusalém, no qual a Israel antiga estava sob o domínio romano. Outra é você crer que ele ressuscitou. Este relato já não faz parte do conjunto de evidências que sustentam a existência histórica de Jesus de Nazaré.

VER PARA CRER – Por outro lado, narrativas como aquela em que o discípulo cético Tomé pede a Jesus que mostre a ele suas chagas para que ele as toque, a fim de provar que Jesus havia voltado da morte com seu próprio corpo, é orgânica com o conjunto de crenças judaicas da época.

Para os judeus, vencer a morte era voltar dela com o corpo —e não apenas vagar por aí como uma alma penada. Espíritos de mortos vagando no mundo tinham em toda esquina. Quem criou essa narrativa conhecia esse conjunto de crenças da época.

Assim, a fortuna crítica sobre Jesus é vastíssima e de alto nível.

VÁRIOS SENTIDOS – Para quem estuda religiões, é sabido que o substantivo “religião” tem vários sentidos. Por exemplo, religião é uma coisa para uma senhorinha católica que reza o terço e vai à missa. É outra coisa para o rabino estudioso e responsável pela vida espiritual de uma comunidade judaica. E ainda outra para um estudioso do fenômeno histórico que costumamos chamar de religião para facilitar o entendimento entre nós.

Em português, temos alguns volumes excelentes sobre Jesus como personagem histórico e o seu contexto social, político e espiritual.

VELHO TESTAMENTO – O livro “Jesus Fora do Novo Testamento: Uma Introdução às Evidências Primitivas” de Robert R. Van Voorst, da editora Biblioteca Teológica, é rico no tratamento do personagem histórico Jesus a partir de fontes clássicas, judaicas, canônicas e pós-canônicas.

O livro “Jesus”, do historiador israelense David Flusser, pela editora Perspectiva, é indispensável. Entre outras características, um dos eixos argumentativos centrais é a constatação de que o que está descrito nos evangelhos sinóticos —Marcos, Mateus e Lucas.

A descrição é historicamente consistente com a época, seja em suas estruturas de poder dentro da sociedade israelita de então, seja no tocante ao ensino de um judeu típico da sua época, como era Jesus.

JUDEU LIBERAL – Aquele mais tarde chamado de “O Cristo” —o ungido—, ao contrário do que muita gente pensou e pensa por aí, era um judeu “liberal” que nunca pensou em inventar nenhuma religião nova.

Vale lembrar que, naquele tempo, o judaísmo era uma religião como qualquer outra. Isto é, qualquer um poderia se tornar judeu sem toda a questão da linhagem matrilinear tão conhecida atualmente. A rigor, a ideia de partida era trazer novos convertidos para o messias judeu recém-chegado.

Outro fator importante é que o termo “o Cristo”, ou “o ungido”, era uma categoria política. Por isso, os romanos olhavam com desconfiança —ungido era o rei de Israel, visto naquele momento como um possível inimigo do imperador.

REI DOS JUDEUS – Não foi à toa que colocaram na cruz, em forma de deboche, que Jesus era o rei dos judeus.

Outro título, esse escrito por especialistas do Brasil na área, é o volume “Jesus de Nazaré: Uma Outra História”, da editora Anna Blume, com apoio da Fapesp, organizado por André Leonardo Chevitarese, Gabrielle Cornelli e Mônica Selvatici. Distante de qualquer tratamento teológico ou movido pela fé, a coletânea traz um olhar “outro”, ou mesmo “estranho”, para o personagem histórico antigo, o “homem divino da Galileia”.

JESUS HISTÓRICO – Um volume essencial que temos traduzido no Brasil é “O Jesus Histórico: Um Manual”, organizado por Gerd Theissen e Annette Merz, pela editora Loyola. Este volume enfrenta todos os campos de estudos acadêmicos sobre a figura histórica de Jesus: as fontes cristãs e não cristãs, a avaliação dessas fontes, o contexto da época, as relações políticas, as diversas figuras do Cristo, o messias judeu para alguns, herege para outros, o curador de doenças e milagreiro, o profeta, o líder político, o rebelde, o mestre de sabedoria, o Jesus histórico como fonte da cristologia nos primórdios do cristianismo.

Há estudos também da igreja primitiva em tradução no Brasil, como os três volumes magistrais de James D. G. Dunn, “O Cristianismo em seus Começos”, pela editora Paulus.

Enfim, Jesus não é só um objeto de fé, ele é um campo acadêmico de estudos de peso, que exige uma vasta erudição e muito folego. Um campo atravessado por polêmicas ricas, estimulantes e intermináveis.

Michelle cita “traições” em meio à confirmação de Flávio como pré-candidato

Michelle falou em necessidade de renovação

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

Emulando o rito de pronunciamento oficial do Presidente da República na noite de Natal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (24) um discurso que tratou da necessidade de renovação e citou “traições, ainda que venham das pessoas mais próximas”.

Horas depois, na manhã desta quinta-feira (25), um dos enteados de Michelle, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confirmou o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à sua pré-candidatura à Presidência.

“PESSOAS DE BEM” – O discurso de Michelle se deu no mesmo horário do pronunciamento de Natal do presidente Lula (PT). Enquanto o do petista foi precedido pela chamada de “forma-se, nesse momento, a Rede Nacional de Rádio e Televisão para o pronunciamento do Presidente da República”, o de Michelle emulou: “forma-se, agora, a rede nacional de pessoas de bem que vão transformar vidas e edificar a nação”.

Lula falou em um ano difícil, mas em que “todos que torceram ou jogaram contra o Brasil acabaram perdendo”, mensagem que pode fazer referência, entre outras possibilidades, ao discurso que recupera a vitória da democracia sobre golpistas condenados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle também aludiu ao tema, citando uma família desprezada, em cenário de frieza e “maldade de algumas pessoas”, em referência ao nascimento de Jesus. Ela falou em necessidade de “nascer de novo” e de renovação de sonhos.

TEOR RELIGIOSO – A mensagem da ex-primeira-dama foi marcada pelo teor religioso, de imagens de pessoas com deficiência, uma das frentes de atuação da ex-primeira-dama, e de manifestantes bolsonaristas.

A participação de Jair Bolsonaro no vídeo foi mais comedida, com inserção em uma primeira tomada ao lado de Michelle e em quadro do ex-presidente feito pelo artista Romero Britto. Bolsonaro também apareceu em cenas no hospital, narradas pela ex-primeira-dama como momento de provação, quando ela chora.

No final, o político é citado brevemente como líder e é recuperado como o “galego” de Michelle, em referência a suas características físicas, discurso com foco na estética muitas vezes relegado às mulheres na política e comum nas falas públicas da ex-primeira-dama sobre o marido.

TRAIÇÕES – Ela também falou sobre o próximo ano, de eleições presidenciais, como “muito importante para o país” e citou “traições, ainda que venham das pessoas mais próximas”.

“O ano que em breve se iniciará é muito importante para o nosso país e principalmente para o futuro das nossas famílias. Não se deixem abater pelas maldades, perseverem apesar das traições, ainda que venham das pessoas mais próximas. Sigam em frente deixando de lado as decepções e creiam sempre que tudo, absolutamente tudo, está no comando do nosso amado Deus”, afirmou.

A ex-primeira-dama não cita no vídeo nenhum dos enteados, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo pai para concorrer à Presidência, uma vez que Jair está preso e inelegível.

CARTA – Nesta quinta-feira, Flávio leu uma carta assinada pelo pai, que está no hospital para fazer uma cirurgia, na qual o ex-presidente confirma a indicação do filho como pré-candidato. No texto, o ex-presidente fala em “continuidade” e cita batalhas que estaria enfrentando, como mostrou a Folha. “Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, diz Bolsonaro na carta.

A carta é tornada pública depois de o ex-presidente desmarcar uma entrevista ao portal Metrópoles, que aconteceria no dia 23 de dezembro, e na qual poderia reforçar o apoio a Flávio. Segundo a colunista Mônica Bergamo, a entrevista foi cancelada em razão de resistência no entorno do político, incluindo de Michelle.

Ela e enteados vivenciaram recentemente celeuma pública diante de decisões do PL sobre as eleições de 2026, a exemplo da possibilidade de apoio a Ciro Gomes (PSDB) para concorrer ao governo do Ceará. A ex-primeira-dama já foi aventada para concorrer em uma chapa presidencial no lugar do marido, mas atualmente é um dos nomes previstos para concorrer ao Senado.

Senador quer convocar CPI sobre banco Master e mulher de Moraes

STF se tornou a “primeira casa legislativa”, dispara senador Alessandro  Vieira

Alessandro Vieira vai colher assinaturas para pedir a CPI

Adriana Victorino
Estadão

O senador Alessandro Vieira (MDB) afirmou que vai coletar assinaturas, após o recesso parlamentar, para a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias envolvendo um contrato entre o Banco Master e o escritório da família do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Segundo o parlamentar, o acordo, estimado em R$ 129,6 milhões, estaria “fora dos padrões da advocacia” e envolve ainda suspeitas de “atuação direta do magistrado” em favor da instituição financeira. Procurado, Supremo Tribunal Federal não retornou.

DIZ VIEIRA – “Após o recesso vou coletar as assinaturas para investigação de notícias sobre um contrato entre o banco Master e o escritório da família do ministro Moraes, de 129,6 milhões de reais, fora do padrão da advocacia, além desta notícia de atuação direta do ministro em favor do banco”, escreveu Vieira em publicação no X (antigo Twitter).

Ao Estadão, o senador destacou que as informações são “gravíssimas” e exigem investigação. “É necessário apurar a veracidade, pois caso confirmadas são absolutamente incompatíveis com a magistratura”, afirmou.

O senador compartilhou a denúncia da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a jornalista, Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para fazer pressão em favor do Banco Master. A colunista afirma ter ouvido seis fontes sobre o episódio.

FAZENDO PRESSÃO – De acordo com a colunista, foram feitos três contatos por telefones e um encontro teria se dado presencialmente com Galípolo. Em um deles, o ministro teria pedido que o Banco Central aprovasse o negócio a compra do Master pelo BRB.

Na ocasião, a venda havia sido anunciada pelas instituições, mas estava pendente de autorização da autoridade monetária.

Nem o ministro Alexandre de Moraes nem o presidente do Banco Central, Gabriel Galípodo, se manifestaram sobre as afirmações.

SUPERCONTRATO – Ainda de acordo com a apuração, o Banco Master firmou contrato com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, prevendo que o escritório da família atuasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Congresso Nacional e a outras instituições.

 O contrato foi assinado em janeiro do ano passado e estabelecia pagamento de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos. Caso fosse cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129,6 milhões até o início de 2027.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso por 11 dias em novembro. Ele foi solto, com uso de tornozeleira eletrônica, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

TOFFOLI EM CENA – Daniel  Vorcaro e outros quatro executivos são investigados pela Polícia Federla por crimes financeiros na gestão do Banco Master.

Na última semana, o ministro Dias Toffoli determinou a retomada das investigações que miram um esquema de fraude financeira no Master.

No despacho, ele pediu que a realização de oitivas de executivos do Banco e de dirigentes do Banco Central, além de liberar que o delegado responsável pelo caso requisite medidas como quebras de sigilo fiscal e telemático dos réus mediante justificativa. Antes, Toffoli já havia avocado o caso para o STF e determinado sigilo no processo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Toffoli entrou em cena para acudir Moraes, decretou sigilo, interrompeu a investigação, mas teve de recuar. Suas decisões chegam a ser grotescas. Toffoli mandou retirar da CPI do INSS os dados bancários e fiscais de Daniel Vorcaro. Determinou que informações oriundas das quebras de sigilos solicitadas pela CPI deverão ficar sob cuidados de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Na ocasião, o presidente da CPI, Carlos Viana, afirmou que a decisão de Toffoli era ‘grave’, ‘estranha’ e enfraquece a investigação, vejam a que ponto chegamos. (C.N.)

Assessor de Michelle Bolsonaro alimenta dúvidas sobre apoio a Flávio em 2026

Moraes precisa sofrer uma punição mais rigorosa, como impeachment?

Dez partidos se manifestam contra pedido de impeachment de Moraes e fazem defesa da democracia - Jornal O Globo

Moraes é um juiz que pode ser comprado a prestações?

Fabiano Lana
Estadão

As pessoas são complexas, dúbias, contraditórias, incompreensíveis. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes não foge à regra. O mesmo juiz que foi audacioso o suficiente para colocar na prisão um ex-presidente e militares de alta patente por tentativa de golpe de Estado, agora não consegue explicar uma série de histórias cabeludíssimas envolvendo um banco liquidado após um desfalque de bilhões de Reais.

Existe o dito popular de que “quem cala consente”. Mas passam-se os dias e nada de Alexandre de Moraes explicar por que sua esposa tinha um contrato com tal banco, o Master, que lhe rendia, em tese, R$ 3,6 milhões por mês até chegar a R$ 129.6 milhões.

MUITO ESTRANHO – Nesse caso, nem ilegal era, mas bastante estranho. Poucos dias depois, a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revela que a esposa deveria defender interesses do banco junto ao Banco Central, porém por lá nunca foi vista e nunca apresentou qualquer petição.

No meio a tantos silêncios, passam-se mais uns dias e a mesma jornalista descobre que quem poderia trabalhar para a esposa, nos casos advocatícios, era o próprio Alexandre de Moraes.

O ministro teria pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, para que o banco encrencado fosse vendido para o BRB, do governo de Brasília.

PANCADARIA – Os juristas nos precisam explicar se isso tudo é papel de ministro do STF, ou não. Por ora, é um jab no queixo do magistrado atrás do outro, que até agora segue impassível. Pelo menos, ao que sabemos, Moraes desistiu da pressão ao ser informado de que as fraudes envolvendo o banco chegariam a R$ 12,2 bilhões.

O primeiro escândalo disso tudo, que foi a presença de outro ministro do STF, Dias Toffoli, em jatinho particular, junto com advogado do Banco Master, para uma atividade de entretenimento – um jogo de futebol no exterior –, acabou por se tornar pequeno frente a onda que vinha em direção em seu colega.

E olha que Dias Toffoli avocou para si todo o processo, além de decretar sigilo nas investigações. Há também até mesmo uma ação do Tribunal de Contas da União que se move para investigar o próprio BC. Ou seja, tudo com cara de que “o sistema se protege”.

IMPEACHMENT – O que era delírio de militante bolsonarista de padaria passa a ser uma hipótese possível a depender do andar dos acontecimentos: uma punição rigorosa ao ministro, no limite o impeachment.

Mas desta vez por uma razão que estava fora do radar, no caso, tráfico de influência, para ser (bastante) leve.

Alexandre de Moraes agora precisa se explicar. Até pela questão política e moral de dar uma satisfação por quem o defendeu em todo o processo que levou à prisão de Bolsonaro.

FALSO HERÓI- O ministro Alexandre de Moraes  aceitou o papel de herói que tanto lhe atribuíram. Agora, precisa explicar que não é também um vilão.

Digamos que há um elefante muito grande dentro da loja de louças para que ninguém se pronuncie. Neste momento, até mesmo exigir “código de ética” se tornou algo ineficaz, muito brando.

Cadê as respostas às perguntas que não param de chegar e serem expressas em intensidade cada vez mais fortes?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jornalista Fabiano Lana está no caminho certo. A tal nota esclarecedora de Moraes não esclareceu nada, apenas complicou a vida dele, que não vai ser nada fácil em 2026. Comprem pipocas. (C.N.)

Presidente do BC mandou vários recados ao ministro Toffoli no Supremo

Entenda as missões e desafios de Galípolo na presidência do Banco Central | Jornal da CBN | cbn

Galípolo disse aos jornalistas que tudo está documentado

Malu Gaspar
O Globo

Na entrevista coletiva de final de ano concedida nesta quinta-feira passada na sede do Banco Central (BC), o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, aproveitou uma pergunta sobre o Banco Master para mandar um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Dias Toffoli, que avocou para si o inquérito sobre o caso e decretou sigilo total.

Na última quarta (17), Toffoli deu à Polícia Federal (PF) 30 dias para fazer as oitivas do caso, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete. Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão nos bastidores do BC entre os técnicos sobre a possibilidade de serem chamados a depor.

PRESSÃO POLÍTICA – Conforme já publicamos, esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público Federal e da PF que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.

Com a notícia de que Toffoli ordenou as oitivas, vários deles passaram a temer que os depoimentos sirvam como uma forma de intimidação – até porque no BC a confiança na disposição do ministro Toffoli para fazer a investigação avançar é praticamente nula.

ARTICULAÇÃO – Galípolo, porém, tem tentado articular com o Supremo para que seja ele o único representante do BC a ser ouvido no inquérito.

Daí porque, durante a entrevista, depois de dizer que o BC está à disposição do STF, ele emendou: “Eu em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação. “

Outro trecho da fala encaixada propositalmente na resposta de Galípolo foi o trecho em que ele diz que todas as movimentações no caso estão registradas.

PROVAS ABUNDANTES – “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”, revelou o presidente do BC, ante de o escândalo vir a público.

A ideia, de acordo com fontes que discutiram isso internamente com a cúpula do banco, foi mostrar que o BC se blindou das pressões registrando todos os movimentos, não só dos técnicos mas também de outros interessados no caso do Master — especialmente os políticos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É preciso acreditar que o Banco Central documentou tudo, conforme Galípolo revelou, perante grande número de jornalistas. Isso significa que podem ser facilmente checadas todas as informações do ministro Moraes, e o cheiro de podre se espalha cada vez mais intenso na Praça dos Três Poderes. (C.N.)

Um poema em homenagem à Folia de Reis, que vai até 6 de janeiro

IDe+ - Como a “Folia de Reis” é celebrada no Brasil?

Os três Reis Magos são o destaque da Folia de Reis

Carlos Newton

Os poetas cariocas Paulo Peres e Chico Pereira escreveram este poema em parceria, inspirados no Natal do folclore brasileiro, mas precisamente, na Folia de Reis, que se inicia na noite de 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Festa de Reis. O poema foi musicado por Amarildo Silva, do grupo Cambada Mineira.

FÉ E CANTORIA
Amarildo Silva, Paulo Peres e Chico Pereira

Somos três Reis à sua porta
Pedindo licença para entrar
nossa visita importa
o nascimento louvar
Do Mestre Menino-Deus
através desta folia
dogmas cristãos meus
feitos de fé e cantoria

De longe escuto o teu tambor
uma luz forte anuncia o Salvador
o estandarte vem na frente
guiado pela estrela do Oriente
Mão calejada, pé-rachado
e a voz que sai esgoelada
Rei Herodes se disfarça de palhaço
Abro a porta, janela enfeitada
Uma oração singela é ofertada
O mestre, a farda, ladainha
Oração, chegada e despedida

Baltazar, Belchior e Gaspar
Reis da Folia
Nossa casa é uma casa de alegria
E gostaríamos de agradecer
Através desta folia
Aos santos reis magos
Por não deixarem esmorecer
A caminhada até Jesus
Pela fé no menino Jesus…
Nossa casa é uma casa de alegria
Sempre aberta para esta folia
Oração, fé e cantoria.

O tempo passa, mas o dia-a-dia do brasileiro permanece insuportável

Londrina debate a eliminação da violência contra mulheres - Blog Londrina

Reprodução do blog Londrina

Vicente Limongi Netto

O ódio e o rancor afastam, cada vez mais, as pessoas da boa e saudável convivência diária. A fúria e a violência alcançaram proporções inacreditáveis. As cenas e imagens de truculência, covardia e estupidez dominam o noticiário.

O diálogo e a paciência foram desprezados. A sensibilidade e a sensatez deram lugar aos berros, ameaças e agressões. Maus policiais são ferozes inimigos da população.  O trânsito, cada vez mais caótico e assassino.

MARCAS REGISTRADAS – A irresponsabilidade e a imprudência de motoristas insanos são frequentes. Tornaram-se marcas registradas.

Aumenta, assustadoramente, a estatística de canalhas que matam mulheres indefesas na frente dos familiares. Falta amor nos corações. A loucura assusta e amedronta os mais velhos, também vítimas da covardia e da brutalidade.

 A quadra atual assusta e penaliza aqueles que trabalham e gostam de viver em paz.  O sorriso, o abraço e a solidariedade precisam voltar a iluminar corações e almas.

BOAS LIÇÕES – Lia Dinorah, excelente colunista do Jornal do Brasília, entrou de recesso com bela mensagem aos leitores. Entre outras verdades, Lia salientou:

“Aprendemos que desaparecer um pouco também é um gesto de amor. Que silenciar não é fraqueza. Que se recolher, às vezes, é a forma mais honesta de se preservar. Não é egoísmo. É sobrevivência que amadurece em autocuidado”.

Em discurso de Natal, Lula antecipa bandeiras da campanha de 2026

A inflação que fecha na conta, mas não fecha no bolso do trabalhador

Charge do André Félix (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

O governo anuncia, com otimismo, que a inflação deve encerrar o ano em 4,4% e projeta um cenário ainda mais benigno para 2026. No papel, o número soa como alívio. Na vida real, porém, ele encontra resistência.

É difícil aceitar essa taxa como tradução fiel do que ocorreu ao longo do ano, quando os preços — sobretudo dos alimentos — subiram muito além do que a média oficial sugere. A sensação cotidiana é a de que o custo de vida avançou mais rápido do que as estatísticas conseguem captar.

DESCOMPASSO – Parte desse descompasso está na forma como a inflação é medida. No caso dos alimentos, o levantamento considera, em muitos casos, os preços mínimos praticados no mercado, e não a média efetivamente paga pelo consumidor. Essa diferença técnica, legítima do ponto de vista metodológico, produz um efeito político e social relevante: a inflação pode parecer controlada nos indicadores, enquanto continua pressionando o orçamento das famílias, especialmente das que gastam a maior parte da renda com itens básicos.

Não se trata de negar que houve algum arrefecimento em determinados momentos. De fato, o aumento não foi explosivo. Mas também está longe de ter sido irrelevante. O problema é que, quando se anuncia uma compensação ou uma desaceleração, o consumidor percebe que, no dia seguinte, os preços continuam subindo — ou, no mínimo, não recuam. A inflação sentida é cumulativa, persistente e pouco sensível às boas notícias oficiais.

DESCONFIANÇA – Esse desalinhamento entre números e percepção corrói a confiança. A política econômica pode até cumprir a meta, mas a legitimidade dessa conquista depende de algo mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: fazer com que o cidadão comum reconheça o resultado no supermercado, na feira, no restaurante popular. Quando isso não acontece, o discurso técnico soa distante, quase abstrato.

Há ainda um elemento estrutural que não pode ser ignorado. Mesmo variações aparentemente pequenas pesam mais sobre quem tem menos. Um aumento modesto nos alimentos tem impacto desproporcional sobre as famílias de baixa renda, para as quais a comida não é um item entre outros, mas o centro do orçamento doméstico. A média estatística dilui essas desigualdades; o cotidiano, não.

DESAFIO – Projetar uma inflação menor em 2026 é desejável e necessário. Mas o desafio real não é apenas cumprir um número dentro da meta. É alinhar a política de preços, a comunicação governamental e a experiência concreta da população. Sem isso, a inflação continuará sendo, ao mesmo tempo, um sucesso técnico e um fracasso perceptivo.

No fim das contas, controlar a inflação não pode ser apenas um exercício contábil. Precisa ser, sobretudo, um compromisso com a vida real — aquela que não fecha balanço, mas precisa fechar o mês.

Melhor negócio atualmente no Brasil é ser “dono” de partido político

UMA CHARGE CADA VEZ MAIS ATUAL…

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Roberto Nascimento

Há muitos exemplos da desagregação política de importantes nações, quando perdem o líder que as conduzia. Basta lembrar o marechal Josip Tito e o caso da Iugoslávia, um país que simplesmente não existe mais.

Quando ele morreu, a unidade nacional foi rompida. Houve uma guerra civil violenta. Surgiram, então, sete países independentes: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia do Norte, Montenegro, Sérvia e, parcialmente reconhecido, o Kosovo.

AQUI NO BRASIL – O PTB era fortíssimo com Getúlio. Sem ele o Partido foi minguando, depois fundiu-se com o Patriota e hoje não existe mais.

A UDN era Carlos Lacerda. Sem ele, até tentaram recriá-la, mas fracassou.

0 MDB perdeu força política com a morte do líder Ulysses Guimarães. E o PSDB virou um partido nanico, com a aposentadoria de FHC e a morte de Franco Montoro e Mario Covas.

SALADA PODRE – Hoje existe uma salada partidária sem ideologia e sem projeto de país, que servem apenas para enriquecer os donos dos partidos.

O MDB livrou de Michel Temer, o chefe do chamado quadrilhão, mas outros partidos estão dominados, como o PL de Valdemar Costa Neto, o PP de Ciro Nogueira, o PSD recriado por Gilberto Kassab, o União Brasil de Antônio Rueda e o Republicanos de Marcos Pereira, que representa Edir Macedo, da Igreja Univeral.

CENTRÃO – Essa fragmentação partidária, reunida sob o codinome de Centrão, não tem como dar certo para o país.

No entanto, no que se relaciona à vida financeira desses dirigentes partidários, eles estão no melhor dos mundos, como diria Voltaire.

O país que se dane, o que eles querem é o dinheiro do Fundo Partidário, do Fundo Eleitoral e das emendas parlamentares.  Ser dono de partido, com ou sem mandato parlamentar, é um verdadeiro negócio da China.

Brasil assume o cuidado como política pública, mas desafio será sair do papel

Brasil assume o cuidado como política pública

Bianca Santana
Folha

“A prestação de cuidados é fundamental para o bem-estar humano, social, econômico e ambiental e para o desenvolvimento sustentável. O trabalho de prestação de cuidados, remunerado e não remunerado, é essencial para todas as outras atividades.” Este é um trecho da Resolução da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre Trabalho Decente e a Economia do Cuidado, adotada em 2024.

Anos antes, em 2019, o relatório “Prestação de cuidados: trabalho e profissões para o futuro do trabalho digno”, elaborado também pela OIT, havia sistematizado uma definição de cuidados, a partir da literatura sobre o tema: “atividades e relações que implicam a satisfação das necessidades físicas, psicológicas e afetivas de pessoas adultas e crianças, pessoas idosas e jovens, fragilizados e fisicamente aptos.”

PESSOAIS OU INDIRETAS – As atividades de cuidados, conforme o relatório, podem ser pessoais, como amamentar um bebê, cuidar do cônjuge e ensinar crianças pequenas; ou indiretas, como limpeza, cozinha, lavagem de roupas. Essas atividades podem ser remuneradas, realizadas por profissionais de saúde, educação, trabalhadoras domésticas e demais prestadores de serviços. Ou não remuneradas.

De um jeito ou de outro, dois terços dos trabalhos de cuidado, em todo o mundo, são realizados por mulheres. No caso do trabalho doméstico, principalmente por mulheres negras, indígenas e migrantes. Essa carga desproporcional dificulta a inclusão econômica de mulheres e aumenta as disparidades de gênero no mundo do trabalho e na sociedade como um todo.

Para a OIT e seus 187 países-membros, é necessária uma corresponsabilização de Estado, setor privado, famílias e comunidades para corrigir desigualdades tanto na prestação quanto no recebimento de serviços de cuidado. “É necessário agir urgentemente para garantir um trabalho digno na economia do cuidado e para a promover, garantindo o acesso de todas as pessoas aos cuidados”, diz a resolução.

LACUNA – A resolução considera ainda que o rápido envelhecimento da população em parte do mundo aumenta a lacuna entre procura e oferta dos serviços de cuidado, além da necessidade de qualificação profissional de cuidadoras.

Neste contexto global, no último dia 15, o governo federal apresentou o Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida, instrumento para a implementação da Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 15.069, de 2024. O Brasil passa a reconhecer formalmente o direito de cuidar, de ser cuidado e ao autocuidado, assumindo que decisões aparentemente privadas —como onde deixar os filhos, como cuidar de pessoas idosas ou como conciliar trabalho e família—, são, na verdade, questões públicas estruturais.

DESIGUALDADES – O foco explícito no enfrentamento das desigualdades de gênero, raça, classe e território reconhece que o cuidado ainda recai majoritariamente sobre mulheres, especialmente negras.

Com investimento previsto de R$ 24,9 bilhões entre 2024 e 2027, o plano organiza 79 ações em cinco eixos, que vão da criação de novos serviços, ampliação de licenças, reconhecimento e valorização de trabalhadoras domésticas à formação profissional, valorização de saberes e práticas tradicionais e desenvolvimento de estudos e pesquisas.

Agora é necessário o compromisso de estados e municípios com a adesão e a execução do plano, sob o risco de termos mais uma política bem formulada e pouco implementada.

Melhor presente que Bolsonaro recebeu foi enviado por Barroso

Leia a íntegra do discurso de Barroso ao tomar posse no STF

Ao se aposentar, Barroso abriu uma nova chance a Bolsonaro

Carlos Newton

Ao contrário do que se pensa, este não foi o pior Natal que Jair Bolsonaro passou. Em 9 de outubro, bem antes da passagem de Papai Noel, o ex-presidente recebeu um generoso e estratégico presente, ofertado pelo ministro Luís Roberto Barroso ao se aposentar.

Ao abandonar repentinamente o Supremo, sem nenhum motivo relevante, Barroso abriu uma vaga na Segunda Turma, que será responsável pela análise e julgamento do último recurso de Bolsonaro, antes do trânsito em julgado.

SEM ENTENDER – Como Jair Bolsonaro tem claras limitações intelectuais, é possível que até agora ele ainda não tenha percebido o significado da renúncia de Barroso, que é muito complicado. 

Mas o fato concreto é que a saída dele propiciou que Luiz Fux, o único ministro que tentou absolver Bolsonaro na Primeira Turma, pudesse conseguir a transferência para a Segunda Turma. Bastava solicitar e a mudança era automática, não dependia de aprovação do presidente do STF – no caso, Edson Fachin.

Com isso, Bolsonaro passou a ter maioria na Segunda Turma, onde é apoiado por Nunes Marques, André Mendonça e Luiz FUX, ficando contra ele apenas os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, em condição minoritária.

PRESENTE DE NATAL – A saída de Barroso e a transferência de Fux para a Segunda Turma ocorreram bem antes do Natal. Mas o “presentão” a ser recebido por Bolsonaro viria na última sexta-feira, dia 19, quando a Segunda Turma recebeu para julgamento o último recurso (embargos infringentes) e Fux foi escolhido no sorteio eletrônico para ser relator.

Já contando com maioria de 3 a 2 e tendo Fux na relatoria, de uma hora para outra o quadro mudou inteiramente para Jair Bolsonaro e os demais réus do chamado núcleo central, que agora têm chances concretas e positivas de serem absolvidos, depois de já estarem presos, cumprindo pena.

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P.S. 1
A decisão de prender Bolsonaro e os outros réus, inclusive ex-ministros e ex-comandantes militares, foi uma desesperada tentativa do então relator Alexandre de Moraes. Para criar um fato consumado, Moraes os prendeu preventivamente. Depois, para fingir encerrar a questão, declarou o processo “concluído e com trânsito em julgado”, o que seria tecnicamente impossível, porque ainda havia petições a serem respondidas por ele e prazos em aberto para apresentação de recursos.

P.S. 2O resultado da insanidade é que Moraes teve de passar pela vergonha de reabrir o processo já “concluído e com trânsito em julgado”, para receber os recursos de Bolsonaro e dos demais réus, que somente em janeiro ou fevereiro serão julgados pela Segunda Turma, com Fux na função de relator. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)