Kast se Inspira em Pinochet, Trump e Bukele, numa nova guinada sul-americana

Vitória de Kast no Chile impulsiona extrema direita

Bernardo Mello Franco
O Globo

O sorriso de Augusto Pinochet voltou às ruas de Santiago no último domingo. Eleitores de José Antonio Kast exibiram retratos do ditador para comemorar a vitória do ultradireitista na eleição do Chile.

O novo presidente nunca disfarçou a admiração pelo velho general. Votou contra o retorno à democracia no plebiscito de 1988 e prometeu tirar da cadeia militares condenados por crimes contra a humanidade. “Se estivesse vivo, Pinochet votaria em mim”, garantiu Kast, na primeira campanha ao Palácio de La Moneda. Na terceira tentativa, ele chegou lá. Foi eleito com 58% dos votos em disputa com a comunista Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric.

ALTERNÂNCIA – Desde o fim da ditadura, o Chile alternava entre governos de centro-esquerda e centro-direita. Agora terá o primeiro líder que defende e cultua o passado autoritário.

Ultraconservador e pai de nove filhos, Kast se apresenta como um católico fervoroso. Já prometeu proibir a pílula do dia seguinte e limitar as hipóteses de aborto permitidas por lei. Na economia, reza pela cartilha do mercado: privatizações, corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas e ambientais.

O presidente eleito é filho de um alemão que pertenceu ao Partido Nazista e lutou no Exército de Hitler. Seu irmão mais velho foi ministro e comandou o Banco Central na ditadura pinochetista.

SÍMBOLO – Há seis anos, Kast fundou o Partido Republicano, com logotipo copiado da sigla de extrema direita francesa Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen. Depois adotou um novo símbolo inspirado no escudo do Capitão América.

Para vencer em 2025, o chileno suavizou a retórica conservadora e evitou temas como aborto e casamento homoafetivo. Preferiu apostar no discurso linha dura sobre imigração e segurança pública. Inspirado em Donald Trump e Nayib Bukele, prometeu militarizar as fronteiras, deportar estrangeiros sem documentos e endurecer regras nos presídios.

No segundo turno, recebeu a visita do ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, cujo governo é acusado de desrespeitar direitos humanos, perseguir opositores e fazer acordo com gangues para reduzir as taxas de homicídios.

ATAQUE – A vitória de Kast era esperada, mas não deixou de ser má notícia para o governo brasileiro. O chileno já atacou Lula e mantém laços com a família Bolsonaro. Seu triunfo reforça a guinada da América do Sul à ultradireita, iniciada na Argentina, e amplia a influência de Trump na região.

Na primeira viagem após a eleição, Kast visitou a Casa Rosada e segurou a motosserra dourada de Javier Milei. Depois disse apoiar uma intervenção militar dos Estados Unidos no continente, a pretexto de derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

A semana indicou que o tom menos beligerante da campanha foi só estratégia de marketing. Mas quem comprou a tese do Kast moderado não deve se incomodar com a volta das fotos de Pinochet.

Confirmado! Moraes procurou o BC quatro vezes em defesa do Master

Alexandre de Moraes buscou Galípolo para interceder pelo Banco Master no  BC, diz jornal

Gabriel Galípolo, do BC, está disposto a “entregar” Moraes

Malu Gaspar
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.

Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro.

AMIGO DO BANQUEIRO – Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos.

Pediu, ainda, que o BC aprovasse o negócio com o BRB, que tinha sido anunciado em março, mas estava pendente de autorização da autarquia. Naquele momento, já se sabia em Brasília que havia um racha entre diretores do BC sobre decretar ou não intervenção no Master.

Galípolo, então, respondeu a Moraes que os técnicos do BC tinham descoberto as fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB.

TEVE DE RECUAR – Diante da informação, segundo os relatos, o ministro teria reconhecido que, se a fraude ficasse comprovada, o negócio não teria mesmo como ser aprovado.

Em 18 de novembro, enquanto a Polícia Federal prendia Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com as fraudes, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Procurados, nem Moraes nem o presidente do BC quiseram comentar.

SUPERCONTRATO – Conforme informou o blog, o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos a partir de janeiro de 2024, que renderia R$ 129,6 milhões no total.

O documento estipulava que a missão do Barci de Moraes Associados era representar os interesses do Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Congresso Nacional.

Mas, segundo informação prestada via Lei de Acesso à Informação pelo Cade e pelo BC, nenhuma das instituições recebeu qualquer pedido de reuniões, petições ou quaisquer documentos do escritório em favor do banco de Vorcaro.

TOFFOLI INTERVÉM – Na última quarta-feira (17), duas semanas depois de decidir que a competência para investigar o Master é do Supremo, avocar para si o processo e ainda decretar sigilo total no caso, Toffoli deu à PF 30 dias para fazer as oitivas, sempre sob o acompanhamento dos juízes auxiliares de seu gabinete.

Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma tensão entre os técnicos do BC sobre a possibilidade de serem chamados a depor, por temerem sofrer algum tipo de intimidação.

Conforme já publicamos, esses mesmos técnicos informaram aos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal que nunca tinham sofrido tanta pressão política em favor de um único banco como no caso do Master.

“EM ESPECIAL” – Por isso, na entrevista coletiva de final de ano concedida nesta quinta-feira na sede do Banco Central, Galípolo aproveitou uma pergunta sobre o Master para dizer que ele “em especial” está à disposição do Supremo para prestar todos os esclarecimentos sobre a investigação da autarquia sobre a fraude nos créditos repassados ao BRB.

“Eu, em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, disse Galípolo.

Em outro trecho encaixado propositalmente na fala sobre o Master, Galípolo afirmou que todas as movimentações no caso estão registradas.

PROVAS ABUNDANTES – “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado” .

A ideia, de acordo com fontes que discutiram isso internamente com a cúpula do BC, foi mostrar que a instituição se blindou das pressões registrando todos os movimentos, não só dos técnicos mas também de outros interessados no caso do Master — como por exemplo os políticos.

A interlocutores do governo e do mercado, Galipolo também admitiu ter sofrido pressão, mas afirmou que sempre teve o apoio do presidente Lula para não interromper a apuração.

TCU SE METE… – Na sexta-feira (19), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus entrou no caso para determinar que o Banco Central (BC) envie esclarecimentos sobre o processo de liquidação do Banco Master. A instituição tem até a terça (23) para remeter os documentos ao TCU.

A decisão se deu por medida cautelar do ministro, no âmbito do processo que investiga uma possível omissão do BC em relação a operações do Banco Master.

A medida, porém, causou estranheza, já que o TCU não tem atribuição para atuar em discussões sobre transações entre instituições privadas do sistema financeiro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parabéns à jornalista Malu Gaspar, que corajosamente está mostrando quem é Alexandre de Moraes, o falso puritano que gosta de proteger criminosos da pior espécie, como Daniel Vorcaro. Daqui para a frente, Moraes deixará de ser Xandão e passará a ser Xandinho... (C.N

Ex-presidentes do STF defendem código de conduta e pressionam Corte por transparência

Apesar de divergências internas, STF não deve barrar PL que reduz pena de Bolsonaro

Anjos morenos sobrevoam o mar, no Natal abrasileirado de Murilo Mendes

Me insinuarei nos quatro cantos do... Murilo Mendes - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O notário e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975), no poema “Natal”, destaca o abrasileiramento do tema, com a presença de “anjos morenos” e a busca da paz de espírito anunciada pelo nascimento de Jesus.

NATAL
Murilo Mendes

Meu outro eu angustiado
desloca o curso dos astros,
atravessa os espaços de fogo
e toca a orla do manto divino.
O ser dos seres envia seu Filho
para mim, para os outros que
O pedem e para os que O esquecem.

Uma criança dançando segura
uma esfera azul com a cruz:
Vêm adorá-la brancos, pretos,
portugueses, turcos, alemães,
russos, chineses, banhistas, beatas,
cachorros e bandas de música.
A presença da criança transmite
aos homens uma paz inefável
que eles comunicam nos seus lares
a todos os amigos e parentes.

Anjos morenos sobrevoam o mar, }
os morros e arranha-céus,
desenrolando, em combinação
com a rosa-dos-ventos,
grandes letreiros onde se lê:
GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS
E PAZ NA TERRA
AOS HOMENS DE BOA VONTADE. 

Pagar boleto é peça-chave no estudo de qualquer sociologia materialista

ustração em técnica vetorial, com traço preto sobre fundo bege com textura de papel, em linguagem estilizada. À esquerda, há o contorno em traço de uma cabeça humana vista de perfil, voltada para a direita. No interior da cabeça, na região do cérebro, há um QR code quadrado em preto e branco. À direita da imagem, aparece o contorno , no mesmo traço, de um corpo humano visto de frente, sem cabeça, até a cintura. Quando no centro do tórax desse corpo, onde fica o coração, há outro QR code quadrado em preto e branco. As duas figuras estão lado a lado.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Dependendo de qual lugar você ocupa na cadeia alimentar, sua percepção de realidade pode mudar completamente. Trata-se aqui de um enunciado metodológico, ou, até mesmo, epistemológico, derivado de um marxismo um tanto selvagem. “Disclaimer”: óbvio que seu lugar na cadeia alimentar não esgota as causas ou fundamentos totais da sua percepção da realidade.

O que vale aqui como infraestrutura é a potência — alguém chique diria potência spinoziana — que brota do fato de você não acordar de manhã preocupado com pagamento dos boletos. Assim, o boleto é uma peça-chave de qualquer sociologia materialista.

CRER NA VIDA – Refiro-me aqui à potência para crer na vida. Há um otimismo que nasce da condição social e econômica. Há, claro, ricos deprimidos e otimistas pobres, como muitos evangélicos. Mas algum bolchevique raiz poderia chegar a propor que ricos deprimidos deveriam pagar um imposto específico elevado por poluir o ar social com um negativismo que deveria ser privilégio dos mais vulneráveis.

Num mundo bolchevique ideal não haveria depressão, mas, se houvesse, nunca seria direito de um rico ser deprimido. Ricos têm a obrigação de passar boas energias para o mundo. Deveriam pagar imposto sobre a contaminação social com suas emoções negativas indevidas.

Mas é bonito ver como alguns milionários creem na vida, no Brasil e na humanidade. Encanta-me a leveza com a qual discutem grandes problemas da humanidade, sempre com um sorriso na face e a crença inabalável no futuro da humanidade, do Brasil e do mundo, diria mesmo, da galáxia. Do ponto de vista bolchevique, seria proibido um rico falar de ética.

STATUS SOCIAL – Acho que um grande pecado da esquerda das últimas décadas foi se acostumar a comer em restaurantes étnicos estilo Nova York. Melando-se com o molho que indica status social. No caso dessa cidade, agora governada por um socialista populista mentiroso, como todo populista, que encantou hordas de idiotas, o fundamental para reduzir o custo dos restaurantes que a esquerda frequenta são os imigrantes ilegais.

“Não existe gente ilegal” é um desses slogans de revolucionários de butique, como se dizia. O grande segredo da xenofobia da direita com imigrantes ilegais é a sensação de que eles roubam seus postos de trabalho porque recebem muito menos do que os trabalhadores legais.

O grande segredo da defesa dos imigrantes ilegais por parte dos descolados é que estes não perdem empregos para aqueles. De novo, exemplo de materialismo social selvagem, mas nem por isso menos consistente.

CADEIA ALIMENTAR – Uma lei nesse assunto é que o seu lugar na cadeia alimentar determina sua percepção, cognição, episteme, afetos, tudo. Mesmo que não 100%, diria muito mais do que metade, talvez, dois terços? Sobra pouco. O sujeito é imensamente condicionado pelo lugar que ocupa na cadeia alimentar.

Santo Agostinho inventou a discussão sobre o livre arbítrio. É livre ou não é? Para ele, a discussão circulava ao redor da herança do pecado. Após a constatação de determinantes materialistas, entendemos que, no lugar do mal surgido do pecado original, ficou o mal surgido pela necessidade constante de grana para os boletos.

Na miséria que caracteriza o mundo atual, o boleto é uma entidade metafísica. Substância universal simples que determina toda a dinâmica ontológica. Uma espécie de pequeno primeiro motor infernal da ordem social e afetiva cotidiana. Claro que há pessoas que escapam desse determinismo, simplesmente porque são irresponsáveis e passam para os outros a pressão dos boletos. Toda família tem alguém assim, não é verdade?

CULPA DOS BOLETOS – Claro que não pensamos nisso o tempo todo, só se você estiver muito esmagado na cadeia alimentar. Existem os mentirosos de governos que dizem resolver isso distribuindo dinheiro para os esmagados, mas a principal função disso é angariar votos. Não há virtude possível na política quando você precisa angariar votos. Impasse estrutural da democracia. O boleto é o que faz as pessoas comuns colaborarem com regimes autoritários quando não são aderentes ao regime em si.

A pergunta que não quer calar —é possível escapar dessa dinâmica social? Sem muito dinheiro ou irresponsabilidade moral? Difícil. Isso quer dizer que a resposta filosófica para uma questão banal como essa é assim miseravelmente incapaz? Sim, é.

Quase todas as grandes questões da vida são insolúveis, o que fazemos é lidar com elas, minimizando seus efeitos mais deletérios, tentando escapar das suas armadilhas. A lucidez aqui é saber que a leveza fácil sempre custa muito dinheiro. O dinheiro é feliz. Mas o peso da ansiedade financeira é a lei para quase todos nós.

Direita reage e transforma Havaianas em símbolo da disputa ideológica

Eduardo e Nikolas enxergaram suposto viés ideológico

Deu no O Globo

O novo comercial da Havaianas, estrelado pela Fernanda Torres, gerou polêmica com políticos brasileiros de direita. Na propaganda, a atriz afirma aos espectadores que não deseja que eles comecem o próximo ano “com o pé direito”. O jogo de palavras com a conhecida expressão popular significou, para Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), entre outros, uma indireta ao espectro político da direita.

“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama”,  diz Fernanda, no comercial.

BOICOTE – O Globo procurou a Alpargatas, controladora da marca Havaianas, mas ainda não obteve resposta sobre a polêmica. Depois da divulgação do comercial, políticos de direita pediram um boicote à marca. Cassado por ultrapassar o limite de faltas na Câmara dos Deputados, o ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro jogou um par de chinelos no lixo para mostrar aos seguidores a indignação com a propaganda.

Pelas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que vai começar o ano com o pé direito, mas não será de Havaianas.

“Eu achava que isso aqui era um símbolo nacional. Já vi muito gringo com essa bandeirinha do Brasil no pé, só que eu me enganei”,  disse Eduardo, antes de qualificar Fernanda Torres como alguém “declaradamente de esquerda”. Já Nikolas fez um trocadilho com o slogan da marca. “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, escreveu o deputado federal.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEmbora Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, aparentemente sem qualquer ocupação nesta semana natalina, tenham tentado transformar o trocadilho da Havaianas em mais uma “batalha ideológica”, a reação deles revela mais sobre sua necessidade permanente de fabricar crises do que sobre o conteúdo real da propaganda; ao invés de discutir pautas relevantes, como políticas públicas ou demandas sociais, optaram por elevar uma peça publicitária a símbolo de perseguição política, agindo de forma teatral e oportunista para mobilizar suas bases e gerar engajamento.

Jogar chinelos no lixo e convocar boicotes por um jogo de palavras expõe a superficialidade do debate que promovem: é um cálculo político centrado em indignação artificial e distração, que reduz a esfera pública a memes, ressentimentos e gestos simbólicos vazios — um reflexo de lideranças mais interessadas em palco do que em substância. (M.C.)

Hugo Motta e o preço político de acabar desagrando todos

Charge do Aroeira (Metrópoles)

Pedro do Coutto

A ascensão de Hugo Motta à Presidência da Câmara foi inicialmente recebida como a chegada de um articulador moderado, capaz de negociar com diferentes correntes e atenuar a escalada de polarização que marca o Legislativo desde antes de sua eleição.

Jovem, pragmático e com trânsito no Centrão, Motta tentou se projetar como uma figura de equilíbrio em um ambiente no qual a barganha política assume dimensão central e onde governabilidade depende, cada vez mais, de uma coreografia delicada entre interesses partidários, pressões regionais e expectativas do Executivo. No entanto, o que parecia ser uma estratégia de equilíbrio se transformou em um jogo de alto risco.

CRÍTICAS – Ao buscar uma posição equidistante entre campos ideológicos e lideranças poderosas, o deputado passou a enfrentar críticas da esquerda, que o acusa de leniência em pautas conservadoras, e da direita, que o vê como alguém incapaz de defender com firmeza agendas caras ao bloco oposicionista.

Essa sensação de isolamento político simbólico intensifica-se diante da evidente distância em relação ao seu antecessor, Arthur Lira, cuja habilidade em comandar o Centrão e influenciar votações com mão firme criou um modelo difícil de replicar.

O peso dessa comparação é inevitável em Brasília: enquanto Lira se consolidou como peça-chave de negociação durante o governo Bolsonaro e manteve protagonismo na transição para a nova gestão, Motta tenta provar que equilíbrio não é sinônimo de fraqueza, mas ainda não convenceu atores centrais do tabuleiro.

DILEMA – A crítica irônica publicada em O Globo traduz com precisão esse dilema: ao tentar não ser alvo de ataques diretos nem da esquerda nem da direita, Motta encontrou uma posição desconfortável, pois os dois espectros passaram a vê-lo como alguém sem assertividade suficiente.

Em um Congresso onde o diálogo é necessário, mas onde a ambiguidade costuma ser interpretada como ausência de liderança, o presidente da Câmara convive com uma crescente percepção de que tenta agradar a todos e, na prática, agrada a poucos.

A crise de representatividade dentro do próprio Centrão torna-se ainda mais evidente à medida que a base governista cobra avanços legislativos, a oposição denuncia supostos favorecimentos e a sociedade civil acompanha votações com crescente desconfiança sobre interesses por trás das articulações.

NEUTRALIDADE – O resultado é um cenário no qual Motta se torna protagonista não por dominar a cena, mas justamente por representar o risco de uma neutralidade que não encontra eco num país politicamente fragmentado.

O desafio que se coloca adiante é simples de formular e complexo de executar: ou o presidente da Câmara transforma sua busca por equilíbrio em liderança concreta, assumindo pautas com clareza e construindo alianças sólidas, ou continuará sendo percebido como um dirigente que tenta equilibrar-se numa corda bamba sem rede de proteção — e sem plateia disposta a aplaudir sua travessia.

Natal é tempo de compaixão e de reflexão sobre as dores do mundo

G1 - Solidariedade de Natal está ligada à pressão social, diz psicóloga do  AM - notícias em AmazonasVicente Limongi Netto

A alma da jornalista Ana Dubeux é florida. Em gestos e atitudes. Exorta união de bons corações, clama por mais amor. Em seu artigo de domingo, “Paz para quem faz”, a diretora de redação do Correio Braziliense é enfática:

“Amarga é a vida de quem espalha mentiras para se promover e busca a glória a partir da queda dos outros”.

DESIGUALDADES – Ana Dubeux lamenta as brutais desigualdades no mundo atordoado por insegurança, intolerância, má-fé, covardia, hipocrisia, truculência e guerras.

“Se somos dominados pelo dinheiro e pela ganância, viramos uma animação podre, carne e osso, apenas, sem alma ou aprendizado que garanta nossa paz de espírito”, constata Dubeux, que repudia a quadra atual de mesquinharias e desamor:

“Desejo intensamente paz para que, trabalha duro e para quem não desiste mesmo diante dos infortúnios. Não é leve a vida para quem se dispõe a olhar além do próprio umbigo. Mas também é muito gratificante”.

UM POEMA – Para terminar, vamos publicar mais um poema de autoria deste veterano jornalista, calejado pela dureza da realidade do mundo em que vivemos:

###
MOLA DAS PLUMAS
 

Dores do peito
sufocam a garganta
saem pela boca e soluçam
fugindo da infelicidade.

Arrastam bocas e pernas
para o sarau dos bruxos
levantam o ar da escuridão
lavando os olhos sangrando
dos sonâmbulos noturnos
bailando com o suor do vento
.

Casuísmo e conivência no acordo que oficializa a redução das condenações

Erro de Moraes reabriu o processo que poderá até absolver Bolsonaro

Supremo Tribunal Federal

Fux assume lugar de Moraes e terá de arrumar a bagunça

Carlos Newton

Pouquíssimas pessoas têm noção exata sobre o que está acontecendo no Supremo, após o processo sobre golpe de estado ter sido retirado da Primeira Turma e passado para a Segunda Turma, na sexta-feira, dia 19, último dia de funcionamento do Judiciário antes do recesso de Natal.

O recesso judiciário geralmente vai de 20 de dezembro a 6 de janeiro, com suspensão de prazos processuais até 20 de janeiro, mas com retorno gradual e funcionamento em plantão para urgências, sendo que os prazos de férias dos ministros e o expediente normal podem variar um pouco, com retorno pleno em fevereiro. 

OUTRO RECURSO – Quando o Supremo voltar a funcionar, a defesa de Bolsonaro e dos outros réus terá cinco dias para apresentar agravo contra a recusa de examinar embargos infringentes.

Esse agravo será examinado por Luiz Fux, que entrou na Segunda Turma na vaga estrategicamente aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Fux foi escolhido relator pelo sorteio eletrônico e vai ocupar o posto de Alexandre de Moraes, aquele ministro rigorosíssimo, que conduziu a condenação da mulher do batom a 14 anos de cadeia, enquanto sua própria mulher estava recebendo R$ 3,6 milhões mensais para evitar que o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro fosse para a cadeia.

REPRISE AO CONTRÁRIO – Agora vamos assistir à reprise do mesmo filme, só que ao contrário. Ao invés de Moraes condenando, teremos Fux absolvendo, usando os mesmos argumentos que lançou na Primeira Turma.

Em 429 páginas, Fux votou pela absolvição de Jair Bolsonaro, do almirante Almir Garnier, dos generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, e dos delegados federais Anderson Torres e Alexandre Ramagem.

Mas pediu a condenação do delator, tenente-coronel Mauro Cid, e do general Braga Netto, alegando que contra eles realmente havia provas de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

###
P.S.1
Como dizia Machado de Assis, a confusão é geral. Trata-se do processo mais importante e tumultuado da História do Supremo, pessimamente conduzido por Moraes, ao causar essa bagunça toda, que motivou a Lei da Dosimetria e uma crise institucional da maior gravidade.

P.S. 2 – Agora, a imprensa vai acordar e seguir as informações da Tribuna da Internet, que há meses vinha cobrindo o assunto sozinha, porque funciona sob o signo da liberdade e defende a aplicação da lei sempre de forma imparcial, não importa quem esteja no banco dos réus, como ensinavam Ruy Barbosa, Pontes de Miranda e tantos juristas de notável saber. (C.N.)

Candidatura de Moro racha federação e isola PP no Paraná, mas União Brasil insiste

Justiça mantém reparação a Dilma por violações da ditadura: R$ 400 mil e pensão mensal

Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos

Deu no G1

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acolheu o pedido da ex-presidente Dilma Rousseff e manteve a indenização da União por dano moral, relativa à perseguição política durante o regime militar, incluindo prisões ilegais e práticas de tortura física e psicológica, no valor de R$ 400 mil.

Além disso, determinou que ela também receba reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada, considerando o salário médio para o cargo que ocupava antes da prisão. Ainda cabe recurso da decisão.

RESISTÊNCIA – Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos, por atuar em uma organização de resistência ao regime militar. Durante o período em que esteve detida, foi submetida a sessões de tortura.

O TRF-1 informou que ficou evidenciada a submissão de Dilma a reiterados e prolongados atos de perseguição política durante o regime militar, incluindo prisões ilegais e práticas sistemáticas de tortura física e psicológica, perpetradas por agentes estatais, com repercussões permanentes sobre sua integridade física e psíquica, aptas a caracterizar grave violação a direitos fundamentais e a ensejar reparação por danos morais.

OUTRAS INDENIZAÇÕES –  Em maio deste ano, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também aprovou por unanimidade o pedido de Dilma para ser reconhecida como anistiada política, em razão das violações de direitos humanos que sofreu durante a ditadura militar.

Em decorrência do reconhecimento da Comissão de Anistia, também foi determinado que a ex-presidente receba uma indenização, em parcela única, de R$ 100 mil — o teto nesses casos.

A ex-presidente também já recebeu indenização por anistia de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estados em que foi torturada. A soma foi de R$ 72 mil.

Cheiro  de queimado está vindo do Planalto, que tenta blindar Lulinha

Lulinha tinha mesada de R$ 300 mil do “Careca do INSS”, diz testemunha. Relato foi feito à Polícia Federal e obtido pela CPMI do INSS

Charge reproduzida do Instagram

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Na noite de 8 de novembro de 2024, dois passageiros embarcaram no voo JJ-8148 da Latam com destino a Lisboa. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, foi para o assento 6J. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, foi para o assento 3A. A revelação é do repórter André Shalders.

O fato de terem embarcado no mesmo voo para Lisboa meses antes da mudança de Lulinha para Madri não prova coisa alguma. O cheiro de queimado vem da conduta da tropa de choque do Planalto, bloqueando todas as tentativas da CPI do INSS para ouvir Lulinha. Bloquearam até mesmo o acesso à lista de passageiros do voo JJ-8148.

BLINDAGEM – Já haviam bloqueado a tentativa de ouvir o irmão mais velho do presidente, diretor de um sindicato envolvido no roubo de dinheiro dos aposentados. A associação de Lulinha ao Careca do INSS foi feita por Edson Claro, um ex-sócio do empresário, em depoimento à Polícia Federal, revelado pela repórter Mariana Haubert.

Ele citou mesadas, viagens e licitações fraudadas que poderiam ter dado a Lulinha R$ 25 milhões. É muito dinheiro e compromete a credibilidade da denúncia. Protegendo Lulinha, a tropa de choque do Planalto blindou-o. Defesa digna do goleiro Safonov, do PSG. Pareceu uma tática eficaz. Sua vulnerabilidade está na fermentação das pistas.

Trata-se de saber quem é o” filho do rapaz” que teria recebido R$ 300 mil do Careca. Louvando seu governo, Lula disse na quinta-feira que, “se tiver filho meu metido nisso, será investigado”. A Polícia Federal tem mandato para isso e não precisa de autorização do Planalto.

TROPA DE CHOQUE – O caso da CPI do INSS é diferente, os parlamentares têm mandato, mas uma oitiva precisa de autorização da maioria dos integrantes da comissão.

O que se viu nos últimos meses foi a blindagem do filho e do irmão do presidente. Não estava em questão investigá-los ou não, tratava-se apenas de ouvi-los, e a tropa de choque do governo barrou os requerimentos.

Lulinha pode explicar sua presença num voo para Lisboa algumas fileiras atrás do Careca do INSS. Em outubro do ano passado, um mês antes do voo JJ-8148, uma auditoria do INSS já havia apontado que os descontos indevidos nas contas dos aposentados chegavam a R$ 45 milhões.

LULINHA FENÔMENO – No primeiro mandato de Lula, seu filho acabou encrencado com a empresa de telefonia Telemar. Graças a um banqueiro amigo, conseguiu um contrato para sua empresa de vídeos, a Gamecorp. A Telemar investiu R$ 2,5 milhões na Gamecorp, mas ela não prosperou.

Lulinha é biólogo por formação. Antes de se tornar empresário, foi monitor no Jardim Zoológico de São Paulo. Isso tudo aconteceu há quase vinte anos.

Era um tempo em que Geraldo Alckmin, adversário de Lula, chamava-o de “cara de pau”, mas pedia perdão pela “deselegância”.

LUKE SKYWALKER – A crise da quadrilha que roubava o dinheiro dos aposentados do INSS lembra cenas da ida de Luke Skywalker à cantina de Mos Esley, onde estavam os seres mais detestáveis da galáxia.

Roubando a cena, lá está o Careca do INSS, que negociava com maconha medicinal, junto com uma ricaça socialista que foi casada com um delegado da Polícia Federal.

Luke foi salvo por Obi Wan Kenobi, que apareceu no bar com sua espada de laser e salvou o rapaz.

Assessores de Sóstenes e Jordy “movimentaram” R$ 18 milhões

Brasil-Corrupção-2016-Charge-Crise-Charge de Alexandre de Oliveira em  07.09.2016

Charge do Oliveira (Arquivo Google)

Aguirre Talento
Folha

A investigação da Polícia Federal, que mirou nesta sexta-feira, 19, dois deputados federais do PL, apontou movimentações financeiras atípicas em valores milionários de assessores desses parlamentares, que atingiram cerca de R$ 18 milhões.

Um assessor do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) movimentou R$ 11 milhões em débitos e R$ 11 milhões em créditos e seria um dos responsáveis por operar os desvios de recursos da cota parlamentar.

NA LIDERANÇA – Essas expressivas transações financeiras foram do assessor Adailton Oliveira dos Santos, que já esteve lotado no gabinete de Sóstenes e depois foi vinculado à liderança do PL, função atualmente exercida pelo deputado na Câmara.

O deputado negou irregularidades, disse ser alvo de perseguição e criticou dados fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

— “Constatou-se a movimentação total de R$ 11.491.410,77 em créditos e R$ 11.486.754,58 em débitos, com maior concentração nos anos de 2023 e 2024. Parte expressiva dessas transações permanece sem identificação de origem ou destino, especialmente aquelas classificadas como pagamentos diversos e lançamento avisado” – diz a Coaf.

NÃO IDENTIFICADO – E acrescenta a Coaf: “Verificou-se, ainda, que R$ 2.789.526,93 foram remetidos a beneficiários não identificados, sob a rubrica ‘NOME NÃO IDENTIFICADO’.

O conjunto dessas movimentações – marcado por alto volume, repasses ágeis e utilização recorrente de meios eletrônicos de pagamento – mostra-se incompatível com a capacidade econômica declarada do titular, considerando-se seu vínculo funcional e contexto familiar”, diz trecho da investigação.

Na operação, a PF apreendeu R$ 430 mil em um endereço de Sóstenes em Brasília.

DIZ O LÍDER – Segundo o deputado, o dinheiro é proveniente da venda de um imóvel. “Eu acabei não fazendo o depósito, mas faria. Foi um lapso. Ninguém pega dinheiro ilícito e bota dentro de casa”, afirmou.

A PF também apontou que um assessor de Carlos Jordy (PL-RJ) movimentou R$ 5,9 milhões em créditos e o mesmo volume em débitos, valores também considerados incompatíveis com sua capacidade econômica.

Os desvios de recursos ocorriam, de acordo com a investigação, por meio de pagamentos a uma locadora de veículos. Para a PF, essa empresa era uma fachada com o objetivo de devolução de dinheiro pago por meio da cota parlamentar.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA podridão continua a se espalhar nos Três Poderes, que são sustentados pelo suor do trabalhador. Motivo: há incentivos oficiais para desviar recursos públicos. Afinal, se Sérgio Cabral está solto, quem pode ficar na cadeia. (C.N.)

Crise na Rede Sustentabilidade: Marina denuncia autoritarismo e ameaça debandada

Frederick Wassef recebe pena por injúria racial após ofender funcionária em pizzaria

Caso ocorreu em 2020 em um shopping em Brasília

Deu no O Tempo

A Justiça do Distrito Federal condenou, em primeira instância, o advogado Frederick Wassef por injúria racial contra uma funcionária de uma pizzaria localizada em um shopping de Brasília. O fato teria ocorrido em 2020.

A sentença fixou pena de 1 ano e 9 meses de detenção, além de multa, a ser substituída por penas restritivas de direitos, como prestação de serviços à comunidade ou pagamento de valores, que ainda serão definidas na fase de execução. O juiz também determinou o pagamento de indenização por danos morais à vítima. A decisão ainda é passível de recurso.

OFENSAS – De acordo com o processo, a funcionária, uma mulher negra, relatou ter sido ofendida em duas ocasiões pelo advogado. Em um dos episódios, Wassef teria se recusado a ser atendido por ela, feito comentários depreciativos relacionados à cor da pele e, durante a discussão, segurado o braço da atendente e jogado uma caixa de pizza no chão.

Em outro dia, no mesmo estabelecimento, a vítima afirmou ter sido novamente alvo de ofensas, incluindo a palavra “macaca”, após o advogado reclamar da refeição no caixa. Juiz entendeu que fala de Wassef foi racista

DISCRIMINAÇÃO – Na sentença, o magistrado considerou que os depoimentos colhidos e as provas produzidas ao longo do processo demonstraram a intenção ofensiva das falas atribuídas ao réu. Segundo o entendimento do juiz, a expressão utilizada possui caráter discriminatório e é suficiente para caracterizar a prática de injúria racial.

Durante a instrução do processo, Frederick Wassef negou as acusações e afirmou ter sido alvo de uma falsa imputação. Após a condenação, a defesa divulgou nota em que sustenta erro judicial e reafirma a inocência do advogado.

ADVOGADO DE BOLSONARO – Wassef ficou nacionalmente conhecido por sua atuação como advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de integrantes da família, como o senador Flávio Bolsonaro. Ao longo dos últimos anos, seu nome também apareceu em diferentes episódios de repercussão pública, entre eles o fato de ter abrigado Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado por esquema de rachadinha, em um imóvel de sua propriedade em Atibaia (SP).

Em outra frente, Wassef admitiu ter viajado aos Estados Unidos para recomprar um relógio Rolex desviadas do acervo da União que haviam sido colocadas à venda no exterior, em caso investigado pela Polícia Federal.

O advogado também já foi citado em ocorrências policiais envolvendo denúncias de agressão e comportamento inadequado ao assediar uma mulher em um restaurante em Brasília, episódios que não se confundem com o processo julgado agora. A condenação por injúria racial se refere exclusivamente aos fatos ocorridos na pizzaria em 2020. O processo segue em tramitação, e o advogado poderá recorrer da decisão às instâncias superiores.

Seria interessante adaptar a figura de Papai Noel ao calor do verão brasileiro

Papai Noel de camiseta e boné

Charge do Mendes (Arquivo Google)

Paulo Peres
Poemas & Canções

O arranjador, cantor e compositor paulista Celso Viáfora, na letra de “Papai Noel de Camiseta”, soltou a imaginação para retratar uma realidade que para muita gente não existe. A música foi gravada por Ivan Lins no CD Um Novo Tempo, em 1999, pela Abril Music.

PAPAI NOEL DE CAMISETA
Ivan Lins e Celso Viáfora

Noel irá chegar de camiseta
metido num chinelo e de bermuda jeans
tocando agogô invés de uma sineta
cantando do xará o “Palpite Infeliz”
então, será Natal
A noite vai ser mais feliz

Estenderá uma toalha na sarjeta
em qualquer praça de subúrbio do País
trará cachaça, arroz, feijão, a malagueta
doce de leite, balas de goma e quindins
aí será Natal
A noite vai ser mais feliz

E surgirão blocos mirins
de suas camas de jornal
e dragqueens
os reis magros do carnaval
de pé no chão
os solitários da paixão
um tamborim
alguém trará um violão
um bandolim
e a multidão vai sambar com a batida dos sinos

Ali no morro nascerá mais um menino
e, no primeiro sol, virão os bentevis
Num dia de Natal
a gente pode ser feliz

Após cassação por faltas, Ramagem terá que desocupar o imóvel funcional

Residência permaneceu ativa mesmo após a fuga

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) terá que entregar o seu apartamento funcional após ser cassado pela Mesa Diretora da Câmara na última quinta-feira. O imóvel funcional, localizado na Asa Norte (DF), deverá ser desocupado em até 30 dias.

Ramagem teve o mandato cassado em decorrência da condenação no processo que apura a tentativa de golpe de Estado e após determinação do STF pela cassação por decisão da Mesa da Câmara. “Conforme determina o art. 6º, inciso II, do Ato da Mesa 5/11, o ex-deputado Delegado Ramagem terá 30 dias para desocupar o apartamento funcional, a contar do dia 18 de dezembro”, disse a Câmara ao O Globo.

ATIVO APÓS A FUGA -. Dados disponibilizados pela Casa Legislativa mostram que Ramagem começou a fazer uso do imóvel funcional em 10 de março de 2023. A residência permaneceu ativa mesmo após a fuga do parlamentar aos Estados Unidos às vésperas do fim do julgamento da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente a Câmara possui 447 imóveis funcionais destinados à residência dos parlamentares em exercício. As unidades estão localizadas nas Asas Sul e Norte do Plano Piloto, uma das regiões mais nobres de Brasília.

As regras da Câmara determinam que os imóveis são distribuídos de acordo com uma lista de interessados. Quem ficar sem imóvel pode solicitar o auxílio-moradia, hoje de até R$ 4.253,00 por mês.

ESTRESSE – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a decisão de cassar o mandato de Ramagem foi tomada após a maioria dos líderes partidários se manifestarem contra a possibilidade de elevar um “estresse institucional” com o STF.

Inicialmente a previsão era que a decisão fosse tomada por decisão do plenário da Câmara, mas, após a Casa não ter atingido o número de votos necessários para cassar a deputada Carla Zambelli (PL-SP), o que contrariou decisão do Supremo, foi decidido que o caso de Ramagem não deveria ser submetido a voto.

— A questão do Ramagem, que estava prevista para ir ao plenário, por decisão dos líderes e dos membros da Mesa e para evitar um novo episódio de conflito, de estresse institucional, houve uma decisão aqui capitaneada pelos líderes de que pudéssemos decidir isso pela Mesa — disse Motta, em conversa com a imprensa.

A ilusão da blindagem: Zambelli, Ramagem e a derrota do compadrio no teste da lei