Apreensão de R$ 430 mil com Sóstenes mostra a que ponto caiu a política

Sem carisma e sem Centrão: Flávio Bolsonaro não conseguirá empolgar a direita

Flávio não conseguiria transferência automática de votos

Deu na CNN

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada na última terça-feira (16) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o senador Flávio Bolsonaro (PL) e os governadores Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, em ambos os turnos de uma eventual eleição presidencial em 2026.

Segundo o analista Pedro Venceslau, no CNN 360°, os resultados indicam que o filho do ex-presidente não conseguiria transferência automática de votos, por falta de carisma e de apoio do Centrão. O levantamento foi realizado entre 11 e 14 de dezembro, período que já captou o anúncio de Flávio Bolsonaro como possível representante do bolsonarismo na próxima corrida eleitoral.

REJEIÇÃO – “Provavelmente o Flávio Bolsonaro já começa batendo no teto e tem uma rejeição imensa, carrega toda a rejeição ao Bolsonaro, ao bolsonarismo, sem ter o carisma do pai para enfrentar uma candidatura presidencial”, avaliou Venceslau.

O analista comparou a situação com o que ocorreu em 2018, quando Lula estava preso e transferiu seus votos para Fernando Haddad. No entanto, ressaltou que as circunstâncias são diferentes, pois naquela época Lula tinha domínio completo sobre o campo da esquerda, sem adversários no horizonte, o que facilitou a transferência de votos.

DESVANTAGEM –  Além da falta de carisma, outro fator que prejudica as chances de Flávio Bolsonaro é a ausência de apoio do Centrão. “Não tem o carisma do pai e também não tem as conexões do pai e não tem o apoio do Centrão. Porque o Centrão sabe observar os ventos. O Centrão é muito sensível à chamada expectativa de poder”, explicou Venceslau.

De acordo com o analista, o governador Tarcísio de Freitas seria visto pelo Centrão como uma opção mais viável para representar a oposição em 2026. Com menor rejeição que qualquer membro da família Bolsonaro e sem casos de corrupção em seu histórico, Tarcísio poderia crescer nas pesquisas com tempo de exposição, estrutura eleitoral e tempo de TV proporcionados pelo Centrão.

“Na leitura do Centrão, apesar de todas as pesquisas, quem tem a expectativa de poder na oposição é o Tarcísio de Freitas”, afirmou o analista. Ele destacou que Tarcísio já contaria com o maior colégio eleitoral do país (São Paulo) e não possui “telhado de vidro” que possa ser usado como munição contra ele em uma campanha presidencial.

Moraes errou grotescamente e agora Bolsonaro poderá recorrer de novo

Moraes autoriza PF a ouvir Bolsonaro sobre material do Alvorada

Como afirmamos aqui, Moraes teve de reabrir o processo

Carlos Newton

Quando o relator Alexandre de Moraes anunciou no dia 25 de novembro que o processo contra Bolsonaro e o núcleo central do golpe “já estava concluído e com trânsito em julgado”, apenas a Tribuna da Internet protestou, afirmando que se tratava de uma impossibilidade jurídica.

Diante do silêncio de toda a imprensa e de todos os juristas de notório saber ou de nenhum saber, com absoluta exclusividade a Tribuna da Internet apontou esse novo erro grotesco de Moraes.

ATROPELAMENTO – Na ânsia de condenar Jair Bolsonaro e seus principais auxiliares, na verdade o relator do Inquérito do Fim do Mundo saiu atropelando o que viu pela frente – normas processuais, leis e até a Constituição.

Se lembrasse as apresentações do genial Abelardo Barbosa, certamente o apressadíssimo ministro do Supremo Tribunal Federal saberia que todo processo judicial é igual ao programa do Chacrinha e “só acaba quando termina”.

Por óbvio, nenhum processo pode ser declarado “concluído e com trânsito em julgado” quando ainda há petições a serem respondidas e recursos com prazos para apresentação.

IMPOSSIBILIDADE – Portanto, Alexandre de Moraes criou uma impossibilidade processual, ao tentar fechar um processo antes de estar concluído. Jamais poderia fazê-lo, porque havia petições da defesa do tenente-coronel Mauro Cid e ainda faltavam nove dias para encerrar o prazo de apresentação dos embargos infringentes.

Os advogados de Bolsonaro apresentaram esses embargos no dia 28 de novembro, portanto, dentro do prazo legal de 15 dias. Outras defesas tiveram o mesmo cuidado.

Em tradução simultânea, no caso, quem perdeu o prazo para julgar os embargos foi o relator Moraes, que tinha 15 dias para fazê-lo, mas se esgotaram dia 13, no sábado da semana passada, porque no STF os prazos são corridos, sem interrupção em sábados, domingos e feriados.

VERGONHA – Moraes agora deveria admitir mais este erro e pedir desculpas a quem foi prejudicado por seu ato intempestivo. No jornalismo, a gente diz: “Desculpem a nossa falha”.

O fato é que o intransigente ministro do Supremo jamais pede desculpas e agora passou pela vergonha de ter de despachar num processo “já concluído e com trânsito em julgado”. É a Piada do Século no meio jurídico.

O importante é que cabe agravo à decisão que Moraes tomou nesta sexta-feira, sem analisar os argumentos dos advogados e sem julgar o mérito do pedido, apenas baseado no precedente aprovado no julgamento de Maluf em 2008, que não tem força de jurisprudência nem de súmula vinculante. Ou seja, pode ser juridicamente contestado.

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P.S. 1
Como se vê, os advogados de defesa de Bolsonaro e dos outros réus do núcleo central ainda podem apresentar recurso, segundo o artigo 335, parágrafo 2º: “Da decisão que não admitir os embargos, caberá agravo, em cinco dias, para o órgão competente para o julgamento do recurso”.

P.S. 2Portanto, conforme a Tribuna da Imprensa informou aqui, com absoluta exclusividade, o processo não terminou e os advogados de defesa têm chances de reverter a condenação de Bolsonaro e dos demais réus, devido aos abusos e aos cerceamentos de defesa cometidos por Alexandre de Moraes. Desta vez, na Segunda Turma, o relator escolhido é Luiz Fux, que votou na Primeira Turma a favor de Bolsonaro. Podem comprar pipocas. (C.N.)

Não dá para esconder que o Brasil é um país injusto, imundo e cretino

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge: Salário x Fim do mês

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante) l

Vicente Limongi Netto

Orçamento para 2026 será de 6.5 trilhões de reais. Para as emendas parlamentares dos gulosos e esfomeados engomados serão destinados 61 bilhões de reais. Já o salário mínimo, para milhões de brasileiros que ralam e insistem em sobreviver, com famílias e dívidas, aumentará míseros 165 reais. Passará a ser 1.621 reais. 

Diante do quadro desigual e injusto, não há como esconder que o Brasil é mesmo um país injusto, imundo e cretino.

AMOR NATALINO – Sensibilizada com o natal, a Tv-Globo tem divulgado fotos de famílias brasileiras. Unidas e felizes. Aparecem na tela geralmente depois da anual e tradicional mensagem de boas festas da emissora.  Este ano a Globo incluiu familiares das atrizes e atores, além de jornalistas e narradores esportivos.

Aproveitando a boa sacada de amor no coração, a Globo, atendendo a pedidos, também começará a mostrar fotos e imagens de amigos inseparáveis. De uma vida inteira.

Como por exemplo, Arthur Lira comemorando com Renan Calheiros e Glauber Braga; Lula e Bolsonaro, vestidos de Papai Noel, juntos, distribuindo brinquedos na acolhedora Vila da Penha.

E MAIS – Hugo Motta com Ramagem e Eduardo Bolsonaro; Ministros Toffoli e Alexandre de Moraes, com a mulher, brindando a chegada do ano novo com o chefão do Banco Master.

Também o deputado petista Paulo Pimenta com o deputado Zé Trovão, do PL, que Pimenta costuma chamar de “Zé Chuvinha”, os dois brindando com champanhe o sucesso da CPMI do INSS que envolve Lulinha.

Por fim, Silas Malafaia presenteando o ministro Alexandre de Moraes com uma Bíblia, depois de chamar Xandão de “falastrão que engana o povo”.

Pressionado, Hugo Motta enfrenta crise de autoridade e tenta recompor poder na Câmara

Silêncio da PGR diante de decisões de Toffoli tensiona investigação do Banco Master

PGR diz que não se manifestou, porque o processo é sigiloso

Malu Gaspar
O Globo

Um detalhe tem chamado a atenção dos envolvidos nas investigações sobre a fraude do Banco Master: o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as decisões do relator Dias Toffoli no caso. Além de avocar para si a condução do caso, Toffoli ainda reforçou o sigilo das investigações, o que provocou mal-estar tanto na Polícia Federal (PF) como no Ministério Público. Mas, apesar de o próprio Toffoli ter pedido à PGR para se manifestar no caso, o procurador-geral, Paulo Gonet, segue inerte.

“O silêncio de Gonet é eloquente”, diz um subprocurador-geral da República ouvido reservadamente. Gonet tem como marca centralizar os processos e agir lentamente. Nesse caso, já faz alguns dias que ele recebeu o processo para manifestação (como o processo tramita sob sigilo máximo, não é possível saber exatamente quando isso ocorreu).

CAUTELA – “No melhor cenário, Gonet pode estar igual ao PM do esquadrão antibomba que age bem cautelosamente para fazer a coisa certa”, diz o subprocurador. Procurada, a assessoria da PGR informou que “não vai se manifestar porque o processo é sigiloso”.

Tanto Toffoli quanto Gonet já participaram de eventos com patrocínio do Banco Master. Em abril do ano passado, os dois compareceram ao I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado por uma empresária bolsonarista que já criticou “cidadãos de toga” e o “canetaço” do Supremo Tribunal Federal.

Além de Toffoli e Gonet, também participaram do evento os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes – cuja mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada pelo Master com a previsão de pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme revelou o blog.

VOTAÇÃO APERTADA – Em novembro, Gonet ganhou mais dois anos à frente da PGR na votação mais apertada no Senado Federal de um procurador-geral da República desde a redemocratização – foram 45 votos favoráveis (apenas quatro a mais que os exigidos pela Constituição) e 26 contra. O resultado ficou abaixo da projeção do relator da indicação de Gonet, senador Omar Aziz (PSD-AM), de 48 a 52 votos favoráveis.

Na última segunda-feira, Toffoli autorizou a retomada da investigação sobre as fraudes do Banco Master, determinando que as oitivas da PF com os investigados ocorressem “por videoconferência ou presencialmente em uma das salas de audiência localizadas nesta Suprema Corte, devendo ser gravadas e acompanhadas pelos magistrados auxiliares” de seu gabinete.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, tudo dominado. (C.N.)

A ofensiva conservadora pela impunidade

Entre a Colmeia e o exílio: extradição de Zambelli ganha novo capítulo em Roma

Confronto entre o Congresso e o STF paralisa sabatina de Jorge Messias

No Natal, Manuel Bandeira sempre se sentia como se ainda fosse menino

Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos,... Manuel Bandeira - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no poema “Versos de Natal”, evoca a passagem do tempo numa dimensão em que o adulto ainda permanece menino.

VERSOS DE NATAL
Manuel Bandeira

Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta

PL de Bolsonaro veta alianças com a esquerda e fecha questão para 2026

É preciso facilitar o impeachment de presidente e ministros do STF

Moraes e Bolsonaro chegam à sua hora da verdade - 08/02/2024 - Poder - Folha

Impeachment de Bolsonaro e Moraes foram engavetados

Hélio Schwartsman
Folha

Sistemas de freios e contrapesos precisam ter roldanas grandes e pequenas. Sempre que se dá poder a uma autoridade, é necessário também criar um mecanismo para evitar que ela abuse desse poder. É nesse contexto que se inscreve o impeachment.

Ele surgiu na Inglaterra do século 14 como um procedimento puramente penal, ganhou feições políticas na Constituição americana de 1787 e dali saltou para integrar a paisagem institucional de várias nações presidencialistas.

COM BONS OLHOS – Correndo o risco de proclamar o óbvio, eu diria que impeachments não podem ser nem tão fáceis que anulem o poder conferido a autoridades, nem tão difíceis que as tornem politicamente irresponsáveis.

Vejo com bons olhos, portanto, as alterações que o Congresso ensaia introduzir na caquética lei 1.079, de 1950, que regula a matéria, com o intuito de facilitar um pouco o processo.

O fato de o Brasil ter mantido Jair Bolsonaro no poder mesmo quando ficou claro que ele não tinha condições de exercê-lo custou-nos dezenas de milhares de vidas na pandemia, uma tentativa de golpe de Estado e vários anos de desarranjo político.

ENGAVETAMENTO – Um dos elementos que bloqueou um possível impeachment de Bolsonaro foi o então presidente da Câmara, Arthur Lira, que não deu nenhum encaminhamento aos mais de cem pedidos de destituição que foram apresentados.

Como eles não eram nem aceitos, o que deflagraria o processo, nem arquivados, o que permitiria ao plenário votar para reverter a decisão, ficavam numa espécie de limbo legal.

É nisso que os parlamentares querem mexer. A ideia é dar ao presidente um prazo para decidir. Se não o fizer, caberá a uma maioria de deputados (fala-se em dois terços) optar pelo arquivamento ou pela abertura do processo.

É assim que precisa ser. Na lógica dos freios e contrapesos, não faz nenhum sentido dar a um único dos 513 deputados o poder irrecorrível de decidir se o presidente da República será ou não processado. Adaptações com esse mesmo espírito precisam ser feitas para os outros cargos que podem gerar impeachment.

Presente de Natal! Fux substitui Moraes e deve libertar Bolsonaro

Ministro Fux se torna alvo de colunistas do jornal O Globo | Brasil |  Pleno.News

Luiz Fux foi escolhido relator dos recursos de Bolsonaro

Deu no MSN

A disputa jurídica envolvendo Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo explosivo nesta semana. O ministro Luiz Fux foi sorteado como relator do Habeas Corpus que busca retirar o ex-presidente da prisão, e a decisão colocou Brasília em estado de alerta máximo. Nos bastidores, aliados e adversários já tratam a mudança como um possível divisor de águas no cenário político nacional.

O Habeas Corpus apresentado pela defesa é considerado a última cartada para tentar reverter a situação do ex-presidente, que enfrenta acusações pesadas e um ambiente jurídico desfavorável.

RIGOR TÉCNICO – Com Fux no comando do caso, cresce a expectativa sobre o rigor técnico que o ministro costuma aplicar em processos de grande repercussão — o que pode tanto favorecer quanto prejudicar Bolsonaro.

Segundo fontes próximas ao STF, a análise deve ser minuciosa e levar em conta não apenas os fundamentos jurídicos, mas também a repercussão institucional.

A Corte vive um momento sensível e qualquer decisão relacionada ao ex-presidente é capaz de gerar impactos imediatos nas ruas, nas redes sociais e no Congresso.

PRESSÃO MÁXIMA – Enquanto isso, grupos políticos alinhados a Bolsonaro já intensificaram mobilizações digitais pedindo celeridade na análise do pedido. Do outro lado, movimentos contrários alertam para o risco de “judicialização excessiva” e afirmam que o caso exige prudência máxima devido ao peso político envolvido.

Dentro do Supremo, a movimentação é discreta, mas intensa. Fux deve analisar documentos, manifestações da defesa e pareceres técnicos antes de decidir sobre eventuais medidas liminares.

Especialistas em direito constitucional lembram que o ministro tem histórico de decisões firmes, sobretudo quando há risco de instabilidade institucional.

PRÓXIMOS DIAS – A expectativa agora recai sobre os próximos dias, que podem definir o rumo da crise política mais comentada do país. Uma decisão favorável pode reacender a militância bolsonarista e provocar novos desdobramentos no tabuleiro do poder.

Já uma negativa consolidaria o isolamento jurídico do ex-presidente e abriria espaço para novas ações da Procuradoria. Brasília, mais uma vez, segura a respiração diante do que pode ser o capítulo mais tenso do ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme noticiou insistentemente a Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, a ação que condenou Bolsonaro e demais acusados de golpe será revista pela Segunda Turma do STF. O presente de Natal para Bolsonaro foi a escolha de Fux como relator no sorteio eletrônico. Como se sabe, ele foi único voto a favor da absolvição de Bolsonaro e outros. Na Segunda Turma, ele contará com apoio de Nunes Marques e André Mendonça, que são a favor da libertação do ex-presidente e enfrentarão Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Na verdade, mudou tudo. O Supremo sai da Era Moraes para entrar na Era Fux, em que a lei será mais respeitada do que interpretada. Gilmar Mendes e Dias Toffoli entrarão em desespero. Comprem muitas pipocas.  (C.N.)

O tabuleiro eleitoral de 2026, com o peso da cassação de Eduardo Bolsonaro

Ética e isenção no Supremo é pauta da direita, que a esquerda despreza

Tribuna da Internet | Para derrotar a direita, o Supremo quer punir  'intenção' como se fosse 'tentativa'

Charge do Duke (Itatiaia)

Diogo Schelp
Estadão

Milhares de pessoas foram às ruas de diversas capitais no domingo passado, dia 14, convocadas por organizações de esquerda. A maior fonte de indignação dos manifestantes, conforme expresso nas faixas e nos cartazes, era o Congresso Nacional — principalmente por causa do PL da Dosimetria, cujo intuito é reduzir o tempo de cadeia de Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado.

Foram atos mais minguados do que os de 21 de setembro passado, contra a infame PEC da Blindagem, que pretendia proteger deputados e senadores de processos.

SOBRAM MOTIVOS – Não têm faltado na nossa República razões para a revolta da população. As notícias das últimas semanas foram especialmente ultrajantes.

Esquemas bilionários para distribuição de emendas parlamentares, acordos para livrar deputados da cassação e chantagens da cúpula do Senado contra o Poder Executivo, entre outros temas, estavam na pauta dos manifestantes. “Congresso inimigo do povo” era o slogan preferido.

Algumas personalidades até mencionaram, em discursos e em postagens de convocação nas redes sociais, outra reivindicação urgente: mais ética e transparência na atuação do Supremo Tribunal Federal.

HÁ ESCÂNDALOS – Mas foi pouco, muito pouco, diante dos escândalos que vêm afetando a corte máxima do País. São histórias como a do ministro que resolveu impedir os cidadãos de solicitar o impeachment de membros do STF, voltando atrás apenas depois de uma promessa do Legislativo de discutir uma mudança na lei para atender sua exigência.

Ou do juiz supremo que, de maneira voluntariosa, interveio em uma investigação sobre fraudes financeiras, favorecendo com sigilo e outras perfumarias um banqueiro cujo advogado viaja de jatinho com esse mesmo ministro.

E de outro todo-poderoso integrante do STF, cuja esposa advogada tem contratos milionários com o tal banqueiro. Se não há nada de errado com essas relações pessoais e financeiras, o que custa prestar contas sobre elas?

ESQUERDA IGNORA – O campo da esquerda, com notórias exceções, prefere ignorar ou até mesmo justificar esses conflitos de interesse.

Tudo por causa da lógica binária da polarização: se o STF colocou Bolsonaro e outros golpistas na cadeia, deve ser aplaudido cegamente até a morte — …da democracia, se for preciso.

Além disso, identificar abusos de ministros da corte é uma pauta da direita. E se é assim, só pode estar errada. Ora, que estupidez. Uma Justiça ética e transparente deveria ser uma agenda suprapartidária.

Moraes barra os embargos infringentes de Bolsonaro, mas ainda cabe recurso

Moraes fecha porta para embargos infringentes

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta sexta-feira um novo recurso apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra sua condenação na trama golpista. Moraes considerou que a defesa de Bolsonaro não poderia apresentar mais essa contestação e não conheceu o pedido, ou seja, nem chegou a analisar o mérito.

A mesma decisão foi tomada em recursos do mesmo tipo apresentados pelos advogados do ex-ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). As defesas dos três apresentaram os chamados embargos infringentes, tipo de recurso utilizado para contestar decisões não unânimes. Entretanto, Moraes argumentou que eles não poderiam ter utilizado esse instrumento.

ENTENDIMENTO – O ministro argumentou que o entendimento atual do STF é de que os embargos infringentes só podem ser apresentados contra decisões de uma turma se tiverem ocorrido dois votos pela absolvição do réu. No caso do julgamento da trama golpista, só houve um, do ministro Luiz Fux.

Bolsonaro, Heleno e outros cinco réus estão cumprindo suas penas desde o fim de novembro, por determinação de Moraes. As defesas questionaram, no entanto, o fato de ele ter determinado a medida antes mesmo da apresentação dos embargos infringentes. Para o ministro, contudo, isso foi possível porque esse entendimento já existe no STF há sete anos e novos recursos seriam “meramente protelatórios”.

CARÁTER PROTELATÓRIO – “Importante ressaltar que esse entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido da exigência de 2 (dois) votos absolutórios próprios, é pacífico há mais de 7 (sete) anos, tornando manifesta a inadmissibilidade dos embargos e revelando o caráter meramente protelatório dos infringentes, de maneira a autorizar a decretação imediata do trânsito em julgado”, argumentou Moraes.

Ramagem é o único dos réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista que não está cumprindo pena. Ele está nos Estados Unidos e teve a prisão preventiva decretada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme cansamos de avisar aqui na Tribuna da Internet, o processo contra Bolsonaro e os golpistas ainda não terminou. Embora a reportagem não mencione, cabe recurso contra a decisão do relator Moraes, porque o “entendimento” atual do Supremo é apenas um precedente e não tem força de jurisprudência nem de súmula vinculante, ao contrário do que Moraes tenta dar a entender. Segundo o Regimento do Supremo, pode ser apresentado agravo ao presidente da Segunda Turma, Nunes Marques, que ainda nem assumiu, porque o Judiciário entrou em recesso nesta sexta-feira, dia 19. Como os advogados de Bolsonaro são muito fracos  e já mostraram que desconhecem o Regimento do Supremo, ninguém sabe se apresentarão esse agravo, para ser julgado em janeiro, quando acabar o recesso. Depois, vamos escrever sobre isso, dando mais detalhes sobre as normas legais que os advogados de Bolsonaro precisam conhecer, para não serem embromados por Alexandre de Moraes. (C.N.)

É sempre uma alegria ouvir falar do Lulinha, aquele filho fenômeno

Lulinha se embolou e pisou na bola...

Charge do Kacio (Metrópoles)

Mario Sabino
Metrópoles

É sempre uma alegria ouvir falar de Lulinha, o filho mais velho do companheiro Lula. Ele surgiu para o mundo lá se vão vinte anos, quando eu era redator-chefe da Veja. Era outro mundo, mas Lulinha continua o mesmo. O nome do filho mais velho do presidente da República apareceu no âmbito das investigações sobre as fraudes perpetradas no INSS contra aposentados e pensionistas.

Uma testemunha na investigação disse à PF que Lulinha teria recebido do Careca do INSS o equivalente a R$ 25 milhões, além de uma mesada de R$ 300 mil. O rapaz nega tudo e avisou que vai processar quem o acusa.

PRIMEIRA CLASSE – A testemunha também afirmou à PF que Careca e Lulinha viajavam juntos às expensas do fraudador. Há prova de que ambos estavam na primeira classe de um avião da Latam que os levou de São Paulo para Lisboa, em 8 de novembro do ano passado, como publicou o colega André Shalders, da coluna de Andreza Matais.

Eu disse que Lulinha continua o mesmo, porque há sempre quem insista em associá-lo ao recebimento de boladas formidáveis, não exatamente fruto de trabalho árduo.

Ele surgiu para o mundo depois que a Veja revelou, em 2005, que Lulinha, monitor de zoológico até dois anos antes, era sócio de uma empresa de produção de conteúdos de jogos eletrônicos, a Gamecorp, que havia levado uma baba de dinheiro da Telemar/Oi, concessionária de telefonia pública.

132 MILHÕES – Entre investimentos, contratos de serviços e de publicidade, a Telemar/Oi repassou, entre 2004 e 2016, R$ 132 milhões ao que se tornou o grupo Gamecorp/Gol. Essa dinheirama teria sido transferida a uma empresa de porte idêntico cujo sócio não fosse filho de Lula?

Desde o início, levantou-se a desconfiança de que tudo era pagamento por vantagens regulatórias, como a aprovação da fusão da Oi com a Brasil Telecom, que viria a ocorrer em 2008. Em outras palavras, remuneração por tráfico de influência. Mas nada ficou provado na base do batom na cueca, com o perdão do meu francês.

Em 2019, Lulinha também seria investigado pela Lava Jato, como suposto financiador de reformas no famoso sítio de Atibaia. O caso acabou arquivado.

LULA TELEFONOU – A História é uma Istória, como dizia Millôr Fernandes, e antes de publicarmos a primeira reportagem sobre o incrível sucesso do filho do presidente, Lula telefonou para a Veja, pedindo para que não a chamássemos na capa da revista, porque a sua mulher, Marisa, morreria de desgosto. Fizemos esse favor.

Lulinha, no entanto, continuou na mira dos repórteres da Veja. Pouco tempo depois, a sucursal de Brasília descobriu que o filho do presidente mantinha parceria com um lobista brasiliense. Ao ser comunicado sobre a nossa apuração, o Palácio do Planalto tanto fez para que a revista não publicasse a segunda reportagem sobre Lulinha, que ela permaneceu engavetada durante meses.

Até que Lula deu uma entrevista à Folha. Indagado pelos repórteres do jornal sobre a carreira empresarial fulgurante do filho mais velho, o presidente disse que não tinha culpa de Lulinha ser um “Ronaldinho dos negócios”.

UM PROBLEMÃO – A declaração que soou cínica foi a gota d’água para que nós, editores da revista, finalmente publicássemos, no final de 2006, em plena campanha presidencial, a reportagem sobre a parceria de Lulinha com o lobista.

Dessa vez, na capa. Roberto Civita, dono da Veja, chegou a ter fibrilação cardíaca, já antecipando o problemão que isso causaria.

De fato, entre outras delicadezas endereçadas a nós, a Veja foi acusada de ter publicado a reportagem para tentar evitar a reeleição de Lula. A verdade é que só não o fizemos antes porque o próprio Lula fez pressão para que a segurássemos.

OUTRA VEZ – Agora, temos Lulinha no noticiário outra vez. Mas a alegria que ele costuma nos proporcionar será ainda mais efêmera, porque o jornalismo mudou para pior e o rapaz mudou-se para Madri, em meados deste ano, a pretexto de prestar consultorias para empresas espanholas.

A História é uma istória, e até hoje há quem acredite ser verdadeira a anedota de que Ruy Barbosa deu aulas de inglês em Londres.

Ramagem ataca Hugo Motta e acusa a Câmara de agir sob influência de Moraes

‘O herói Bolsonaro morreu, mas o bolsonarismo não’, diz professor da USP

PL da Dosimetria : Lula promete veto e aliados sugerem que o faça no 8/1