Somente a privatização poderá  acabar com a péssima prestação dos serviços dos correios.

Charge do Izânio (Arquivo Google)

Jorge Béja

Me lembro que no passado o sonho de todo pai era que a filha e/ou o filho fosse trabalhar no Banco do Brasil, no BEG (Banco do Estado da Guanabara) ou nos Correios (antigamente chamava-se Departamento Nacional dos Correios e Telégrafos, depois Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos-ECT).

Ou que a filha se casasse com um funcionário de uma dessas três entidades. Mas o tempo áureo dessas empresas acabou. Salva-se, talvez, apenas o Banco do Brasil. Mesmo assim, com reservas.

NINGUÉM AGUENTA – O presidente Bolsonaro decidiu privatizar a ECT. Então, que concretize a privatização. Porque assim como está ninguém aguenta. Olhem só o que está acontecendo comigo. Um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio me perguntou se eu tinha cópia de um processo que ele julgou, quando era juiz de primeira instância, e condenou a Companhia de Cigarro Souza Cruz ao pagamento de indenização à família de um fumante que morreu vítima do tabaco. Respondi que sim. Então, o desembargador me pediu se eu poderia enviar cópia para ele. Claro que sim, respondi. E enviei,

Coloquei num envelope 150 cópias e no dia 19/07/2021, às 10:33, enderecei para a residência dele em Icaraí, Niterói, por meio de Sedex, com Aviso de Recebimento (AR), com entrega prevista para o dia seguinte. 20.

Como a agência central do Rio estava de portas fechadas há semanas e semanas, consegui postar numa agência perto da Praça XV. A distância do Centro do Rio ao Centro de Niterói é de 15 quilômetros apenas. Mas errei no endereço.

UM ERRO TOLO – Coloquei como sendo número par o prédio em que o destinatário reside na Praia de Icaraí, que só tem lado ímpar e numeração ímpar. O erro constou no envelope e no Cartão AR (Aviso de Recebimento). Mas não errei o meu endereço, que é o do remetente. No verso do envelope e no cartão AR meu endereço está corretíssimo. E o endereço onde moro, no bairro da Tijuca, fica muito perto do sede central da ECT no Rio, um prédio enorme que fica da Avenida Presidente Vargas.

Acontece que até hoje, 28 de Julho de 2021, não recebi de volta o envelope com a documentação que tinha remetido ao desembargador. E pelo rastreamento autêntico que vai a seguir –e que peço ao nosso editor que estampe tal e qual aparece na tela da internet –, se constata a desídia, a falta de vergonha, o desprezo que a ECT dispensa aos consumidores.

Registra o rastreamento até mesmo um absurdo, uma mentira: que no dia 27.7.21 o agente-ECT-Sedex “saiu para entrega ao remetente, mas entrega não realizada porque na ECT não houve expediente”. O que falta mais para entregar a ECT à iniciativa privada?

27/07/2021
18:05
Empresa sem expediente – Entrega não realizada
Entrega deverá ocorrer no próximo dia útil
27/07/2021
14:43
Objeto saiu para entrega ao remetente
27/07/2021
05:25
RIO DE JANEIRO / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ para Unidade de Distribuição em RIO DE JANEIRO / RJ
22/07/2021
18:00
NITEROI / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Unidade de Distribuição em NITEROI / RJ para Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ
22/07/2021
05:44
RIO DE JANEIRO / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ para Unidade de Distribuição em NITEROI / RJ
20/07/2021
18:11
NITEROI / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Unidade de Distribuição em NITEROI / RJ para Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ
20/07/2021
15:39
Endereço incorreto – Entrega não realizada
Objeto será devolvido ao remetente
20/07/2021
11:44
Objeto saiu para entrega ao destinatário
20/07/2021
01:03
RIO DE JANEIRO / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ para Unidade de Distribuição em NITEROI / RJ
19/07/2021
17:27
Rio De Janeiro / RJ
Objeto em trânsito – por favor aguarde
de Agência dos Correios em Rio De Janeiro / RJ para Unidade de Tratamento em RIO DE JANEIRO / RJ
19/07/2021
10:33
Objeto postado

 

23 thoughts on “Somente a privatização poderá  acabar com a péssima prestação dos serviços dos correios.

  1. Trabalho com os Correios,muito.
    Assim como milhares de donos de “lojinhas’.
    O serviço é muito melhor que os concorrentes pois faz entregas em todos os lugares do Brasil,diferente dos outros, por um preço muuuuuito mais barato.
    A privatização certamente quebrará milhares pelo Brasil, já que o mercado consumidor mais rico concentra-se em determinadas regiões, essas hoje facilmente alcançadas via o digital.
    Honra seja feita, estão de olho justamente no crescimento das vendas on-line, pois os Correios são a forma de logística mais barata utilizada.
    Além de ser uma empresa que dá lucro.
    Privatizar os Correios,seria em minha modesta opinião,como privatizar os Bombeiros.
    Em uma operação dessa magnitude, é natural haver dificuldades e erros esses somente se multiplicarão se entregues a quem somente visa o lucro.
    Não devemos julgar o todo baseado em experiências pessoais, fica estranho, um que de egoísmo,falta total de empatia,infantilidade e soberba.

  2. Antes privatizar a Petrobras, a Caixa Economica Federal, o Banco do Brasil a privatizar os Correios. En effet la poste a généré un bénéfice de 1,5 milliard en 2020.

  3. Os correios ainda prestam um bom serviço. Para mim, sempre cumpriram a entrega de encomendas. Hoje os serviços da empresa encareceram bastante. Se for privatizado, os serviços ficarão ainda mais onerosos ao cidadão.

    • José Vidal, os Correios e Telégrafos remontam ao Império. É uma relíquia histórica. Dá pena ver como está a empresa. Veja a cronologia do itinerário da encomenda que postei.

      Paguei caro o Sedex. Postei dia 19 e a garantia de entrega para o dia seguinte, 20. Como errei o nº do prédio, a encomenda (um envelope com 150 xerox) voltou de Niterói para o Rio para me ser devolvida. Mas não foi. Voltou novamente para Niterói.

      Aí Niterói devolve novamente para o Rio visto que o nº do edifício na Praia de Icaraí escrevi errado.

      Então a ECT deveria imediatamente me devolver o envelope nno endereço que consta no verso (Remetente).

      Demorou muito a fazer isto. Quando fez, no dia 27, consta que o carteiro saiu para entrega. Mas não entregou pela falta de expediente. Como pode alegar falta de expediente se o carteiro saiu da sede da ECT para me entregar o envelope? Então tinha expediente. E mais: dia 27 foi terça-feira (ontem), dia normal.

  4. Boa noite , leitores (as):

    Senhor Jorge Béja , acontece que existe uma ” DELIBERAÇÃO CRIMINOSA E ODIENTA ” , para deteriorar a qualidade dos serviços públicos no Brasil , pois ás pessoas eleitas , indicam pessoas de ” MÁ-ÍNDOLE E DESONESTAS ” da própria sociedade civil , como auxiliares e ministros para gerir e administrar as empresas públicas e estatais , com o propósito de privatiza-las á qualquer custo e preço , tais como , reduzir investimentos ou até mesmo cortar recursos p/investimentos , portanto esta mais do que provado que só é privatizado o ” COFRE E A CAIXA REGISTRADORA ” , das empresas estatais e públicas , e a qualidade dos serviços e custos só pioram asfixiando ainda mais economicamente o povo , com o agravante que essas empresa são privatizadas sem se faça , um levantamento patrimonial e real delas , que serão ” DILAPIDADOS E ROUBADOS ” , por quem for/foi premiado .
    Por qual cargas d’água até hoje , não se fala em auditar as empresas que foram privatizadas ?

  5. Boa noite , leitores (as):

    Rue des Sablons , então porque não ” FECHAR O CONGRESSO NACIONAL ” e prender seus membros, pois boa parte de seus são extremamente nocivos ao Brasil e a seu povo ?

  6. Boa noite , leitores (as):

    Rue des Sablons , então porque não ” FECHAR O CONGRESSO NACIONAL ” e prender seus membros, pois boa parte de seus membros são ” LESA-PÁTRIA ” e extremamente nocivos ao Brasil e a seu povo ?

  7. Quanta ingenuidade acreditar que a privatização de QUALQUER empresa/serviço melhora a qualidade no atendimento.

    Usar UM caso específico como exemplo da necessidade de privatizar uma empresa como os Correios…

    Se fosse esperar pela iniciativa privada para ter a estrada de ferro Atlântico/Pacífico até hoje o povo norte-americano não a teria.

    Idem a Transiberiana.

    Idem o metrô de Londres.

    Idem todos os metrôs em todo o mundo.

    O esquema da iniciativa privada é a EXPLORAÇÃO. Exploração no sentido mais abrangente da palavra.

    • Obs. Esqueci a Corrida Espacial: depois do voo histórico de Gagárin, há décadas e décadas – sem contar as missões Apollo -, só este ano a iniciativa privada “entrou em órbita”.

  8. Tem certeza, caro Dr. Jorge Béja?

    Quem vai querer prestar os serviços do Oiapoque ao Chuí (hein???) Pode nos dizer?

    A mesma coisa afirmo com relação às Lotéricas, Caixa Econômica… e sem ainda considerar que muito mal iriam receber quem recebe auxílio social e entra na fila todo maltrapilho.

    • Já que poucos tiveram coragem de criticar o Dr. Beja; vou dar meu “apoio” para incentivar os defensores da teta publica a se manifestarem.

      O Correio deveria é ser dado aos seus funcionários.
      Os funcionários ficam com a empresa (de porteira fechada). E a gente se livra de ficar com o prejuízo da privatização. Imagine a felicidade desses trabalhadores ao saberem que vão ser donos da empresa que eles consideram tão maravilhosa.

  9. Nos EUA o serviço postal é público. Questão de segurança nacional.
    Também é estatal, nos EUA, a geração de energia nuclear e por hidrelétricas.
    Na Europa, muitos países que privatizaram, décadas atrás, nos últimos anos vem reestatizando, especialmente serviços de fornecimento de água e coleta de esgoto, assim como em alguns casos o fornecimento de gás e energia.
    Parece que o único exemplo de privatizações que de alguma forma realmente deu mais certo, não se tendo notícia de reestatização, é de transmissão de comunicação de telefonia móvel.

    Mas aqui no Brasil tem um cem número de pessoas que veem a privatização como solução para problemas de gestão que, na verdade, são resultado de indicações políticas para os cargos dessas empresas públicas, autarquias (e um pouco menor em sociedades de economia mista onde a participação pública é minoritária apenas com direito de voto e de veto).

    • Nos USA ninguém assalta o correio; porque em toda residência tem um cidadão armado para defender o funcionário que entrega a correspondência.

      No Rio de Janeiro, é essa farra do crime; e os funcionários dos correios não entregam as correspondências, porque só os bandidos podem andar armados.

      A diferença do Brasil e do USA, não é o correio; e sim o povo desarmado. Nos USA não tem nem cerca (portão) nas residências.

  10. Escrevo seguidamente de madrugada porque descansei o tempo que os médicos determinaram, e não porque eu teria invertido o dia pela noite.

    Observando as postagens da TI e comentários, me deparei com críticas à opinião do eminente dr.Béja, que alega a possibilidade de os Correios voltarem a ser eficientes como no passado, se privatizados.
    Sinceridade, franqueza, fundamentou-se sobre a sua ideia.

    Apesar de alguns se dizerem democratas neste blog, no entanto querem sempre que seus pensamentos e intenções prevaleçam, então alguns textos foram injustos e, até certo ponto, faltaram com respeito ao ilustre advogado e articulista, além de ser um grande amigo que temos na TI por conta das centenas de postagens esclarecedoras a respeito da matéria Direito, sua especialidade.

    Dito isso, trazer à discussão exemplos de outros países é descontextualizar o assunto, pois seria fragmentá-lo. O comentarista que discorda do que disse o dr.Béja pode se debruçar sobre apenas um aspecto dos Correios para fortalecer a sua posição, impedindo que a visão conceitual a respeito do serviço prestado pela estatal seja analisado convenientemente.

    De modo a colocar algumas colocações feitas em seus lugares corretos ou eliminá-las porque absurdas e desconexas, evidentemente que fui pesquisar para postar verdades a respeito da privatização dos Correios, pois se trata de um tema que não se pode deixar de lado qualquer detalhe, pelo contrário, precisam ser ampliados para a devida compreensão de todos neste blog.

    Quanto ao comentário que enaltece as entregas às casas americanas:
    “seus proprietários têm armas para defender o funcionário que entrega a correspondência”;
    “No Rio de Janeiro … os funcionários dos correios não entregam as correspondências, porque só os bandidos podem andar armados. A diferença do Brasil e do USA, não é o correio; e sim o povo desarmado. Nos USA não tem nem cerca (portão) nas residências.”

    As exposições de motivos que mostram os porquês de os americanos terem um serviço melhor que o nosso é risível, para eu não dizer que atesta o limite da mente de uma pessoa que não sabe o que diz mas, mesmo assim, quer dar o seu palpite, independente do ridículo demonstrado.

    Esqueceu de mencionar o expositor, como faz o entregador quando sai da casa da pessoa que o protege na entrega?
    De que forma ele percorre o seu trajeto desarmado, se não terá o protetor que está em casa?
    Se somente os bandidos andam armados no Brasil, a questão não se trata dos Correios, mas de segurança pública, logo, problema que o governo também negligencia e nada se importa sobre a vida do cidadão!

    Na verdade, o contestador e animador de comentaristas que discordaram do dr.Béja, deixou de tecer uma palavra que fosse a privatização da estatal brasileira.
    Admite ou não?
    Simplesmente criticou o articulista pelo prazer que tem neste seu serviço na TI, razão pela qual seus registros são desconsiderados até por aqueles que “apoiou” e que não aceitam a privatização dos Correios.

    • Você deve ser leonino. Além de ter preguiça de ler o que outros escrevem antes de sair xingando; você tem que ser leonino. Conheço vários leoninos inteligentes. mas, só a combinação leonino/preguiça, pode explicar a sua natureza.

      No meu comentário, fui claro; apoiei o articulista Jorge Beja; disse que seria ainda melhor dar os correios para os funcionários; ou seja, uma privatização com justiça para os funcionários, e a gente (povo) se livraria de uma parte dos parasitas funcionários públicos; pois lembro que na privatização norma; os amigos do FHC ficam com a empresa, e o povo continua pagando os salários dos funcionários públicos da empresa que acabou. E nessa sua cabeça você viu eu criticando o articulista; só mesmo sendo um leonino preguiçoso.

      Em democracia sua opinião se perde no vento; por isso você apoia o comunismo; a única forma de sua opinião ter valor, é você conseguir suprimir todas as outras.

      • A cada dia que passa, e as tuas idiotice e imbecilidades aumentam, o que é preocupante!

        Já nem sabes mais o que escreves, pois as tuas palavras são ininteligíveis até prá ti mesmo.

        Assim escreveste:
        ‘No meu comentário, fui claro; apoiei o articulista Jorge Beja; disse que seria ainda melhor dar os correios para os funcionários;”

        Vejamos como foi o teu “apoio” ao dr.Béja:

        “Já que poucos tiveram coragem de criticar o Dr. Beja; vou dar meu “apoio” para incentivar os defensores da teta publica a se manifestarem.”

        Apoiaste os que criticaram o articulista, pois está claro, e não o dr.Béja, que também não resta dúvida alguma.

        Tolice final:
        Não foste a favor da privatização:
        “O Correio deveria é ser dado aos seus funcionários.!

        Isso se chama DOAÇÃO, e não se ventilou essa hipótese, até porque jamais seria passível de discussão.

        • Essa foi a isca. Eu dou meu apoio “ao articulista Beja”; e você (e os demais defensores da teta publica), ao ver que eu apoiei o Dr. Beja (e a privatização), ai, para me perseguir e me xingar; vem se manifestar contra a privatização.

          Entao na sua cabeça, privatizar a empresa, e o povo ficar pagando os funcionários públicos, pode. Mas dar a empresa para os parasitas não pode.

          Mas você é leonino.

  11. Os resultados da pesquisa foram estes:

    https://canaltech.com.br/governo/privatizacao-dos-correios-entenda-o-que-vai-acontecer-155561/

    “Desde a eleição de Jair Bolsonaro para presidente, uma dos promessas de campanha mais comentadas em todo lugar é a privatização dos Correios. Existe um otimismo muito grande com essa possibilidade, tanto do público consumidor quanto do e-commerce, mas há uma pergunta importante que devemos fazer: esse otimismo todo é mesmo justificado?

    Isso porque, ultimamente, as discussões sobre a privatização dos Correios têm tomado um rumo quase que “mágico”: as pessoas olham para o céu com os olhos emocionados e esperançosos, como se privatizar a empresa de entregas e correspondências fosse resolver todos os problemas logísticos do país, porque os Correios seriam o símbolo de toda a corrupção e mal uso do dinheiro estatal.

    Logicamente, a história não é assim tão simples: o problema da logística brasileira não será resolvido de forma tão rápida, e nem toda a culpa dessa problema é exatamente da empresa. Por isso, o Canaltech conversou com funcionários dos Correios, economistas e representantes da área de e-commerce para compreender melhor a posição em que os Correios se encontram hoje, quais os desafios existentes para sua privatização e como esse processo deverá afetar lojistas e consumidores que necessitam enviar e receber suas mercadorias.

    Quando os Correios serão privatizados?

    Essa é a pergunta que não quer calar. Apesar de alguns defensores da privatização — inclusive dentro do próprio governo — falarem como se isso pudesse acontecer da noite para o dia, a verdade é que não há uma data para quando essa privatização realmente ocorra.

    Isso acontece porque privatizar uma empresa não é igual a vender um produto usado em algum grupo do WhatsApp, onde você só precisa avisar as pessoas que tem interesse em vender seu produto e estabelecer um preço. Por se tratar de uma empresa pública, e não de uma propriedade privada, o processo de venda e transição é um bem mais complicado.

    Primeiro, é preciso efetuar estudos sobre se a privatização realmente será algo vantajoso para todas as partes. Isso quer dizer que, antes de colocar a empresa à venda, é preciso provar:
    A) que tirá-la das mãos do governo e passá-la para a iniciativa privada fará com que ela opere de maneira mais saudável;
    B) que haverá redução dos gastos do governo para aquele setor;
    C) que o serviço oferecido para a população seja de qualidade igual ou superior.

    Atualmente, é nesta fase de estudos que se encontra o processo de privatização, e por enquanto ainda não existe uma data para a divulgação das conclusões. Assim, como não existe um prazo combinado para que isso seja concluído, não é honesto ficar falando que a privatização está “demorando demais” para sair, já que em nenhum momento foi definido uma data limite, o vulgo “deadline”.

    Então com a conclusão do estudo, os Correios serão vendidos?

    Não necessariamente. Os estudos efetuados durante o processo de privatização de uma estatal não possuem o objetivo apenas de viabilizar a venda da empresa, mas de entender como ela funciona, qual as suas maiores dificuldades, o ritmo de crescimento dela para os próximos anos, e então pensar na forma de desestatização que pode mais fazer sentido para aquela empresa em específico.

    Isso porque a privatização não é o único caminho de desestatização de uma empresa. Ao invés de optar pela venda total da companhia, o estudo da privatização pode mostrar que o melhor caminho é um modelo de gestão mista (onde o governo continua com parte da empresa, mas todo o gerenciamento da operação dela fica a cargo da iniciativa privada) ou então manter a companhia como estatal, mas abrir o capital dela e vender ações na bolsa de valores (que seria um modelo parecido com o utilizado hoje no Banco do Brasil).

    Mas, mesmo que se decida pela privatização total, ainda será necessário obter aprovação do Congresso para que a empresa seja mesmo colocada à venda. Os Correios são uma das empresas estatais protegidas pela Constituição, e por isso seria necessário modificar a Constituição do país para que a venda seja concretizada. E essa proteção tem relação com uma história que gera bastante confusão na população.

    É porque os Correios têm o monopólio da entrega?

    Sim e não.
    Tecnicamente, os Correios não possuem monopólio sobre a entrega de produtos, como pode ser constatado pelas dezenas de transportadoras privadas que você pode contratar sempre que faz uma compra pela internet. Mas há, sim, um monopólio que pertence aos Correios.

    Esse monopólio é, no caso, o das correspondências, e é justamente ele que é protegido pela Constituição. Isso quer dizer que, ainda que qualquer pessoa possa montar sua empresa para fazer entregas de produtos, apenas os Correios podem trabalhar com a entrega de cartas e telegramas.

    Um dos motivos para a existência desse monopólio é a questão da segurança nacional. Apesar do envio e recebimento de cartas ser cada vez mais raro entre a população, a prática ainda é muito utilizada para a comunicação de detentos com suas famílias e para o envio de documentos entre diferentes bases militares. E é justamente por conta desse último que a Constituição protege o monopólio dos Correios para o envio de correspondências, e o motivo pelo qual diversos países desistiram de privatizar seu serviço estatal de entregas.

    Essa preocupação acontece porque, ao deixar que uma empresa privada fique responsável pelas correspondências militares de um país, o risco de que esses documentos sejam interceptados por outras nações é maior do que quando esta é uma operação estatal. Afinal, uma empresa privada tem como principal preocupação o lucro, e se outras nações oferecerem dinheiro para ter acesso às correspondências enviadas pelo Departamento de Defesa, há uma boa chance de que essa proposta seja aceita.

    A questão da segurança nas comunicações militares é o principal motivo para que os Estados Unidos não tenham privatizado completamente o serviço postal, e provavelmente será um dos argumentos mais fortes de defesa entre aqueles que se opõem à ideia da privatização.

    Mas os Correios são uma empresa deficiente?

    Essa é uma afirmação que depende muito do seu ponto de vista: do lado do consumidor ou do lojista, dá pra se afirmar que, sim, os Correios podem parecer um serviço deficiente, já que não são incomuns os casos de mercadorias enviadas para agências erradas, com entrega atrasadas ou mesmo que se perdem no processo e nunca chegam ao seu destino. Agora, se você for perguntar para alguém que trabalha nos Correios, essa pessoa irá te dizer que a operação está até mais eficiente do que deveria.
    Qual o contraponto?

    Segundo nos revelou uma fonte interna dos Correios, que trabalha na região litorânea do estado de São Paulo e que pediu para não ser identificada, desde meados de 2010 não são efetuados concursos públicos para a empresa, o que significa que já faz quase dez anos que não há novas contratações de funcionários.

    Ao mesmo tempo, a utilização dos Correios aumentou muito nesse período, principalmente por conta do setor de e-commerce. Entre 2009 e 2018, o faturamento do setor subiu de R$ 10,6 bilhões ao ano para R$ 53,2 bilhões ao ano — um crescimento de 402% no período. E, ainda que todo esse fluxo de vendas não seja enviado pelos Correios, a maioria é (principalmente pelo preço dos envios), o que acabou sobrecarregando a empresa, que precisaria contratar mais funcionários para dar conta deste crescimento, mas que não o faz desde meados de 2010.

    Mas se os Correios são tão eficientes, por que eles ficam “mentindo que passaram em casa”?

    Uma das maiores reclamações das pessoas que fazem compras online é a de que, na hora que entram no site dos Correios para checar o código de rastreio, se deparam com uma mensagem de “Tentativa de entrega falhou – destinatário ausente”, mesmo que tenham ficado o dia inteiro em casa ou que morem em condomínios com portaria 24h que pode receber a encomenda.

    A fonte explica que esse é um problema não apenas dos Correios, mas de segurança pública. Ele afirma que, por volta de 2013, começou uma onda de assaltos muito grandes a carteiros em algumas regiões do país. Alguns chegaram a ser assaltados mais de quarenta vezes no exercício da profissão, e em alguns lugares simplesmente não havia mais como os Correios chegarem, pois se tentassem fazer entregas todos os dias, todos os dias seriam assaltados.

    Esses lugares onde os assaltos são mais frequentes ficaram conhecidos internamente como “áreas de risco”, e os próprios carteiros passaram a se recusar a fazer entregas nessas regiões, temendo por suas vidas, já que esses assaltos geralmente são feitos à mão armada. Ao contrário do que se possa achar, essas áreas de risco não estão exatamente vinculadas a bairros específicos, mas também às rotas que possuem locais de pouca movimentação e que tornam os carteiros alvos fáceis para assaltos. Assim, mesmo que ao falar de “área de risco” faça com que a maioria das pessoas pensem em favelas ou bairros periféricos mais pobres, existem muitos bairros de classe média e até mesmo alguns condomínios que são considerados como áreas de risco para entregas, pois o trajeto até esses lugares é bastante perigoso para os carteiros.

    O problema é que essa classificação de risco não é algo oficial e, por isso, não existe no sistema de rastreamento uma opção de “entrega não efetuada por endereço estar em área de risco”. Por isso, na hora de atualizar o status do rastreamento, as pessoas que vivem nessas áreas verão a mensagem de “destinatário ausente” e o endereço da agência na qual a mercadoria pode ser retirada (normalmente é a agência mais próxima do endereço de entrega). Essa é uma “gambiarra” usada pelos funcionários simplesmente porque não existe a opção de colocar no rastreio que o carteiro não conseguiu efetuar a entrega por causa do risco de assalto.

    Mas o que explica a agência de Curitiba, que está com minha encomenda parada há meses?

    Esse é um problema comum para qualquer um que compra produtos no exterior: em poucos dias, o rastreio mostra que o seu produto já está no Brasil, mas aí ele chega na agência de Curitiba e fica meses parado lá. Apesar de para quem olha o rastreio parecer que esse é uma sacanagem dos Correios, assim como no caso das “áreas de risco” a culpa da empresa de entregas é não saber se comunicar com seus clientes.

    Isso acontece porque, quando um produto chega no Brasil vindo do exterior, antes de ter a entrega liberada, ele precisa passar pela alfândega da Polícia Federal, que é quem vai garantir que o produto não se trata de contrabando e foi comprado de maneira legal, com todos os impostos pagos.
    E onde é que fica a alfândega brasileira? Pois é, em Curitiba.

    Assim, quando o rastreio de uma compra internacional mostra que o produto está travado em Curitiba, não é que os Correios jogaram a sua encomenda no canto do prédio e se esqueceram dela. É porque, na verdade, sua encomenda ainda nem chegou nas mãos dos Correios, mas está parada na alfândega para inspeção pela Polícia Federal. Mas, como o sistema dos Correios não possui um status que identifique que a mercadoria se encontra em posse da PF, os operadores marcam com que o produto está em Curitiba por ser o mais próximo da condição real dele.

    Assim, podemos dizer que as duas maiores reclamações que os usuários têm sobre os Correios — o fato de não fazer entregas no endereço e das mercadorias ficarem paradas em Curitiba — ocorrem por motivos externos à estatal, que é culpada por possuir um sistema de atualização do rastreamento muito ineficiente e não se esforçar em melhorá-lo para passar a informação correta para a população.

    Mesmo assim, privatizar deve diminuir o número de greves?

    Não necessariamente. Primeiro, é importante entender que greves são um direito constitucional concedido a qualquer trabalhador, seja ele do setor público ou do setor privado. Essa garantia existe porque a greve é a única ferramenta que o trabalhador possui para obrigar os donos da empresa (ou no caso de companhias estatais, o próprio Estado) a negociar de igual para igual na busca por condições de trabalho que sejam satisfatórias para todas as partes.

    Por isso, uma privatização não quer dizer que, em um passe de mágica, não existirá mais greves nos Correios. Caso os trabalhadores continuem operando em condições adversas, essas greves podem continuar acontecendo, e aí é preciso entender quais são as condições que os trabalhadores dos Correios têm enfrentado nos últimos anos.

    A fonte revela que, desde 2009 ou 2010, nenhum trabalhador dos Correios recebe qualquer tipo de aumento — nem mesmo o equivalente à inflação do ano, que é obrigatório por lei para todas as categorias. Ou, pelo menos até este ano, era: no mês de setembro, foi aprovado o fim da obrigatoriedade de dar pelo menos o reajuste da inflação para todo o funcionalismo público, e há um projeto de lei que faz com que a mesma regra seja adotada para todos os trabalhadores do país, com o objetivo de se “congelar” o valor do salário mínimo e garantir maior rentabilidade aos cofres públicos às custas de uma diminuição no poder de compra do trabalhador como forma de tentar conter a crise.

    E esse seria o principal motivo das greves praticamente anuais da empresa: chega a época de negociar o aumento do ano, a diretoria da empresa fala que é zero, e os funcionários fazem greve para tentar conseguir pelo menos um valor relativo à inflação. Essas greves acabaram não garantindo nenhum reajuste nos salários — que, ainda de acordo com a fonte, para carteiros está congelado desde 2009/2010 no valor de R$ 1.500. Durante as décadas de 1990 e 2000, o que a empresa fez é, ao invés de garantir aumento de salário, trocar a falta de aumento por benefícios. Foram nessas negociações que os funcionários melhoraram a cobertura do plano de saúde, conseguiram um valor maior para o vale alimentação, além de quem tem filhos pequenos ganhar um bom valor de auxílio creche.

    E aí chegamos na grande briga recente entre funcionários e administração dos Correios. Desde meados de 2010, as administrações dos Correios não apenas continuaram a propor um reajuste de absolutamente nada, como também defende extinguir alguns dos benefícios conseguidos nos anos anteriores sob a justificativa de que eles eram absurdos — e ignorando todo o contexto de que esses benefícios só estavam acima do normal de outras empresas pelo fato de que nos eles foram oferecidos como alternativa ao reajuste obrigatório dos salários.

    Mas então, por que privatizar?

    Antes de nos acusarem de “comunistas”, é preciso deixar claro que a privatização dos Correios pode sim ser uma forma de melhorar os serviços da empresa se for feita com todos os estudos e cuidados necessários para uma operação tão complicada, e não é à toa que diversos setores do mercado — principalmente aqueles que trabalham com vendas online — estão bastante otimistas quanto a essa privatização.

    Uma dessas pessoas é Alexandre Davoli, gerente da Frete Fácil Tray, uma plataforma de envio de produtos que utiliza os Correios para suas atividades. Para ele, a privatização dos Correios pode criar um movimento parecido com o que aconteceu com o setor de telefonia, em que a competição criada pelas privatizações fez com que o preço para se adquirir uma linha telefônica ficasse bem mais baixo.

    Ele ainda acredita que a privatização da empresa possa ajudar a diminuir os prazos de entrega e a incidência de erros, mas alerta que para isso será necessário garantir que não se crie um oligopólio no setor, fazendo com que apenas algumas poucas companhias fiquem responsáveis por todo o sistema nacional de entregas. Nesse caso, não haveria uma competição que forçasse as empresas a diminuírem os preços e garantir que haja uma melhora no serviço.

    Então a privatização pode mesmo salvar os Correios?

    Tudo depende de como isso será feito. A realidade é que não há uma solução que irá resolver todos os problemas de logística do país, justamente porque esse é um dos setores mais complexos de serem repassados ao setor privado.

    E, como aponta o economista Renato Chaim, estrategista da Arazul Capital, os Correios hoje são muito mais do que apenas uma empresa de transporte logístico e postal. Por exemplo, ele afirma que é preciso lembrar que, em muitos municípios brasileiros (principalmente aquelas cidades menores no interior), o único banco que existe na cidade é o Banco Postal, onde as pessoas vão às agências dos Correios para pagar suas contas e até mesmo os boletos de suas compras online. Então, se a empresa for privatizada, essas agências passarão a pertencer às companhias que adquiriram os serviços de entrega dos Correios.

    E fica a pergunta: o que acontecerá com o Banco Postal? Será extinguido de vez, o que poderá causar impactos em toda a estrutura econômicas desses municípios, ou será transferido para outros prédios, o que implicaria em um grande custo para um governo que quer privatizar os Correios como forma de diminuir custos?

    Outro problema é a baixíssima capilaridade da empresa: dos 5.571 municípios brasileiros (já contando o Distrito Federa), apenas cerca de 200 deles geram lucros na operação de logística, e todo o restante dá prejuízo — o que quer dizer que os Correios gastam mais para entregar nessas cidades do que o que é arrecadado com a cobrança de frete. A dúvida é: como as empresas privadas assumiriam uma operação dessas garantindo que todos os municípios continuem recebendo suas entregas?

    Atualmente, quando se contrata um frete de transportadora para entregar em áreas de acesso mais difícil e com baixo fluxo de encomendas (como, por exemplo, uma cidade no interior do Mato Grosso que tem cerca de 5 mil habitantes) o que a transportadora faz é carregar a encomenda até seu centro de distribuição mais próximo e, a partir dali, postar o produto nos Correios para que o restante do trajeto seja feito, por essa é a forma que sai bem mais em conta e a empresa não toma prejuízo para fazer a entrega. Então, se os Correios saírem da jogada, outra dúvida que fica é: independente da empresa que assumir, como ela vai fazer para manter uma operação que continue cobrindo todos os municípios do país se cerca de 95% de sua operação não é lucrativa?

    Segundo Renato, esse problema deriva do fato de que muitas vezes aquilo que chamamos de “empresa pública” na verdade deve ser visto como um serviço de necessidade pública, e por isso deve ser considerado como uma área onde o governo deve investir dinheiro para que funcione (assim como se investe em educação e saúde, por exemplo), sem a necessidade de preocupação com lucro. E os Correios fariam parte deste tipo de serviço, mas não necessariamente por conta da parte de entregas — que ele enxerga como algo que poderia muito bem ser feito por empresas privadas sem grandes problemas —, mas pela parte do Banco Postal, que em milhares de municípios do país é o único lugar onde se é possível ter acesso a serviços bancários.

    Mas qual seria, então, a saída?

    Essa é a pergunta de um bilhão de dólares: qual seria a melhor saída para que a privatização dos Correios ocorra sem criar nenhum grande problema para a população?

    Uma solução citada por Renato é a de transformar os Correios em uma empresa de capital misto, assim como é hoje a Petrobrás. Assim, seria possível vender ações minoritárias para companhias privadas que passariam a gerar toda a operação de entregas, mas garantir que o controle majoritário continue com o governo, o que permitiria que iniciativas como o Banco Postal continuassem recebendo recursos públicos e operando nas mesmas agências que existem atualmente, sem qualquer mudança na questão de como os clientes têm acesso a esses serviços.

    Outra possibilidade que está sendo ventilada é a de um desmembramento do Correios Entrega (que é a parte que lida com os serviços de logística usados pelos e-commerces) do restante dos Correios (que continuariam oferecendo os serviços de envio de correspondências e outros que são de de interesse da população, como o Banco Postal). Isso permitiria que o processo de privatização ocorresse de forma mais rápida, pois não seria mais necessária uma mudança na Constituição do país para que ela ocorra, e entregaria para a iniciativa privada apenas a parte que ela tem interesse, que é todo o sistema logístico criado para se efetuar entregas em questão de dias ou até de horas, como os oferecidos nas modalidades Sedex e Sedex 10.

    Mas, independente do modelo utilizado, uma coisa é praticamente certa: o governo deverá ter que continuar investindo, na forma de subsídios, para que a operação continue funcionando como é hoje. Para Renato, a ideia de que a privatização dos Correios irá tirar das costas do Estado todo o custo que ele possui hoje para se manter operando é um desconhecimento da realidade da operação da empresa no Brasil. Ele defende a privatização como forma de economia, porque o valor investido deverá cair bastante, mas ainda será necessário que o Estado continue bancando parte da operação para que as empresas privadas que assumirem a operação possam continuar entregando para todas as cidades do Brasil, mesmo naquelas onde não há lucro.

    Seria um tipo de operação parecida com o que existe hoje entre prefeituras e empresas de ônibus: mesmo que o transporte de uma cidade seja privado, a prefeitura deve bancar parte dos custos da empresa para garantir que a companhia disponibilize linhas de ônibus para todos os bairros da cidade, e não somente naqueles onde há um maior fluxo de pessoas. Mesmo que essa seja uma privatização que não zere os custos dos cofres públicos, ela ainda é satisfatória, pois bancar parte da operação continua saindo muito mais em conta do que ter que se responsabilizar por toda ela.

    Alexandre relembra da necessidade de, independente da solução adotada, o governo se certificar de que exija da empresa que assumir a operação a se prontificar a continuar atendendo a todas as regiões do país, pois se de repente diversas cidades parassem de ser atendidas, isso poderia gerar um impacto negativo no mercado de e-commerce. Ele lembra ainda que, hoje, existem diversas transportadoras locais que acabam ajudando a suprir uma deficiência dos Correios, mas é necessário que exista uma forma de a mercadoria sair dos grandes centros e chegar a essas empresas para que elas possam cumprir o seu papel.

    Também é necessário saber exatamente o que irá acontecer com os funcionários da empresa após a privatização. Segundo dados enviados pela assessoria dos Correios, a empresa hoje emprega 101 mil funcionários, e será preciso que a companhia que efetue a compra da estatal consiga manter em seus quadros uma boa parte deles, já que simplesmente mandar todos embora junto com o fim da empresa como ela é criaria uma crise social sem precedentes.

    E como a privatização dos Correios deverá afetar a minha vida?

    Independente de você ser um lojista ou apenas alguém que faz suas compras online e depende dos Correios para a entrega, em um primeiro momento a privatização não deverá te afetar em absolutamente nada. Mesmo que haja um otimismo dos lojistas sobre o fato de isso ter o potencial para melhorar preços de fretes e a qualidade do serviço, isso será algo que deverá acontecer entre o médio e o longo prazo, e não da noite para o dia. Então, mesmo que os Correios fossem privatizados hoje, poderia demorar alguns anos para que começássemos a sentir qualquer tipo de benefício que isso fosse trazer.

    Agora, se você mora em regiões mais afastadas dos grandes centros, existem motivos para ficar preocupado com a privatização. Como já explicamos aqui, a operação de entregas é algo lucrativo em apenas algumas poucas centenas de municípios, e é preciso ficar muito atento para que qualquer que seja a empresa privada que adquira a operação dos Correios continue garantindo a entrega em todas as cidades do país, ou então começaremos a voltar a isolar pessoas que, por meio da internet, passaram a ter acesso a itens que antes eram impossíveis de encontrar nas cidades onde residem.

    Outro ponto é que não adianta privatizar os Correios achando que irá resolver literalmente todos os problemas da empresa, principalmente porque, como já explicamos aqui, dois dos maiores problemas existentes hoje nos Correios existem por fatores externos. Então, mesmo com a privatização, se o problema de segurança pública não for solucionado, diversos consumidores continuarão a ter que ir buscar suas encomendas em agências por estarem em áreas de risco, já que os mesmos criminosos que hoje roubam carros dos Correios continuarão roubando o de qualquer empresa que assumir o lugar. E a mesma coisa acontece com o problema de Curitiba: se não houver uma melhoria nos processos da Alfândega da Polícia Federal (seja pela contratação de mais funcionários ou uma desburocratização das operações de importação), as compras internacionais continuarão ficando paradas por meses na sede da capital paranaense, mesmo que nem existam mais os Correios para levar a culpa.

    Alexandre também alerta que, se você tem uma loja que trabalha com vendas online, é importante que desde já comece a se preparar e começar a buscar soluções de logística alternativas aos Correios, para que não seja pego desprevenido com possíveis mudanças nos preços dos fretes. Mesmo que o executivo acredite que a privatização não irá desestabilizar o atual mercado de e-commerce, ele recorda a importância do lojista possuir uma plataforma de vendas com múltiplas integrações e estar atento às tendências do mercado para não ser surpreendido por qualquer mudança na operação.”

  12. Não é tão simples discordar de alguém quanto o tema contiver complexidades, particularidades, peculiaridades.

    Faz-se necessário buscar fundamentos adequados, de modo que não haja a postagem de meros palpites, sendo alguns absolutamente descartáveis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *