Procurador Gonet teve de “interpretar” Galípolo para “inocentar” Moraes

Paulo Gonet toma posse como PGR: o que é e quanto ganha o procurador-geral

Gonet inventou uma “afirmação” que Galípolo jamais fez

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais surrealista e o escândalo do Banco Master provocou o rompimento da represa dos bons costumes, digamos assim, para que tudo passe a ser permitido, pois as autoridades não demonstram mais o recato que seria de se esperar.

Vejam o exemplo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao arquivar o pedido para investigação do ministro Alexandre de Moraes, por supostas pressões sobre o Banco Central em defesa do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do Master.

JUSTIFICATIVAS? – Sem a menor dúvida, merecem análise os argumentos usados pelo chefe da Procuradoria-Geral da República para determinar o arquivamento do pedido para investigar Moraes.

Logo de cara, Gonet decidiu que há uma “absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação” de uma pressão sobre o BC. E acrescentou:

“Tanto o representado (Alexandre de Moraes) quanto o Presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo) negaram, de forma peremptória e convergente, a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master”, afirmou o procurador-geral, em sua decisão.

NÃO DEU ATENÇÃO – Como se vê, o procurador-geral não prestou a necessária atenção às notas de Moraes e de Galípolo a respeito do rumoroso e vergonhoso caso.

Na verdade, apenas Moraes desmentiu ter feito pressões, dizendo que as duas vezes em que convocou Galípolo foi para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. Mas o presidente do Banco Central jamais negou ter sofrido pressões de Moraes:

“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”, diz a nota, em que Galípolo absolutamente não nega “de forma peremptória e convergente a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master”, ao contrário do que disse Gonet.

INTERPRETAÇÃO – Como é moda hoje no Supremo, o procurador Gonet não se preocupou com o que realmente está escrito na nota do BC. O chefe do Ministério Público simplesmente “interpretou” a nota de Galípolo, utilizando em seu parecer uma negativa “peremptória e convergente”, que o presidente do BC em nenhum momento pronunciou.

Não satisfeito, Gonet fez outra interpretação, ao se referir ao contrato do Master com Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo:

“Não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância”, alegando que não cabe ao STF “a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando resguardados pela autonomia intrínseca à atividade liberal da advocacia”. Francamente, é demais…

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P.S.
Em tradução simultânea, o Supremo e a Procuradoria -Geral da República fazem interpretações neste nível, de atribuir a uma autoridade uma declaração que ela absolutamente não fez, e as outras autoridades acham que isso é normal. Mas a realidade é bem diferente. No momento, o futuro de Moraes depende de Galípolo. Daqui a pouco, passa a depender também do Congresso, onde já há número para a CPI que inevitavelmente chamará Galípolo para depor, e ele terá de dizer o que houve, ou se desmoralizará. Comprem pipocas. (C.N.)

16 thoughts on “Procurador Gonet teve de “interpretar” Galípolo para “inocentar” Moraes

  1. Condena. Manda condenar. Prende. Manda prender.

    Para deter o Poder que Xande hoje detém, talvez só mesmo sendo respaldado pelas FFAA.

    Só a parceria com Barba provavelmente não seria suficiente.

    Acorda, Brasil! Presta atenção!

    • Resta a pergunta: Quem é o poderoso preposto que alçou e permite todos esses libertinos atropelos inconstitucionais e para quem servirão como desmoralizante nacional em mundial desastrado epílogo?
      Quem é o portador da batuta, nessa desafinada orquestra?

    • Antônio Rocha, há muitos mistérios, que talvez escapem a compreensão humana.
      O cérebro é uma caixa de surpresas.
      Se as sinapses cerebrais fossem desvendadas, seriam usadas para o controle da sociedade. Acho, que por esse motivo, continuam sendo um terrível mistério.

      Poucos conseguem atingir o patamar da mediunidade, a previsão do que está por vir.

  2. “Abrolhos!” – És obrigado a votar, mas não és obrigado a votar em quem quer que seja, portanto não seja sado-masoquista, dando aval à um sistema corrupto, que “alçará” tão somente os seus “fiéis” e “abismais” discipulos, tidos e havidos como “algozes da humanidade”.

    ” Não votar”

    “Não votar é muito fácil. Há muitas maneiras de não votar…
    Contar para pessoas que você não vota não é tão fácil.

    Uma entrevista recente entre um apresentador da BBC e o comediante Russell Brand continha o seguinte:

    BBC: “Como você imagina que as pessoas ganham poder?”

    Brand : “Bem, eu imagino que existem sistemas hierárquicos que foram preservados por gerações …”

    BBC: “Eles conseguem o poder ao serem votados, é assim que eles ganham o poder”

    Brand : “Bem, se você diz …”

    BBC: “Você nem sequer se importa em votar?”

    Brand : “Ha um parâmetro bastante prescritivo que muda dentro do …”

    BBC: “Em uma democracia, é assim que funciona!”.

    Brand : “Bem, eu não acho que esteja funcionando muito bem. Dado que o planeta está sendo destruído. Dado que existe uma disparidade econômica imensa. O que quer dizer? Que não há alternativa? Apenas esse sistema? ”

    BBC: “Não, não estou dizendo isso. Estou dizendo que se você não dá a mínima para a votação, porque deveríamos ouvir o seu ponto de vista político?”

    Há uma mentalidade nestes sistemas chamados democráticos, de que não votar é uma coisa negativa, não um ato de desafio, mas uma falta de vontade de querer representar-se, ou pior, um desejo de menosprezar aquelas pessoas que lutaram para lhe dar o direito de votar.
    Tenho um grande respeito por quem luta pelo que realmente acreditam ser o certo, mesmo que isso possa ser enganoso, mas, no mais selvagem dos sonhos, alguém realmente já lutou pelo simples direito de votar? Claro que não.

    A resposta de Brand para a última pergunta da BBC elucidou isso claramente:

    Brand: “Você não precisa ouvir meu ponto de vista político. Mas não é que não votei por apatia. Eu não vou votar pela absoluta indiferença, cansaço e exaustão das mentiras, traição, engano da classe política, que vem acontecendo há gerações agora.”

    É imperativo revertermos a mensagem de que não votar é uma coisa negativa.
    É um ato de desafio, mas mais do que isso, é uma mensagem clara de que não votar é uma rejeição do sistema existente que não representa, e nunca representou a vontade de pessoas comuns.
    Se votar ou não pode, por si só, fazer a diferença, é inteiramente outra questão.

    E se ninguém votasse?

    Entrei em contato com os escritórios eleitorais nos EUA, no Reino Unido, no Canadá, na Holanda com uma pergunta simples: Existe uma participação mínima de eleitores que deve ser alcançada para que as eleições nacionais sejam válidas, ou seja, abaixo da porcentagem do eleitorado outra eleição deve ser chamada devido à participação insuficiente?

    Em todos os casos, a resposta foi a mesma: não há um número mínimo de pessoas que têm que votar para que uma eleição seja válida.
    Independentemente de quão poucas pessoas votem, presume-se que um governo é representativo do eleitorado.

    A suposição por trás dessa configuração bizarra é que as pessoas tiveram a chance de votar e, se não votaram, então, boa sorte.
    Mas isso é uma besteira, certamente?
    Qualquer governo que pretenda representar as pessoas, mas que não foi votado pela maioria do eleitorado, não pode ter nenhum direito moral de representar esse eleitorado, e muito menos a população inteira.

    Qualquer governo sem mandato não tem escolha senão governar pela força, ou pelo menos enganar em massa. Há uma palavra para isso: regime.

    Então, suponhamos que apenas uma pequena minoria de pessoas vote para o partido ou o indivíduo que tem poder sobre eles …
    Espere, isso já não aconteceu?

    O número total de pessoas que votaram nas eleições presidenciais dos EUA em 2012 foi de 41% da população.
    Em 2012, o presidente Obama foi eleito por apenas 65,9 milhões de pessoas, ou apenas 21% da população dos EUA.

    Quão pouco representativo é isso? No entanto, é inteiramente típico dos sistemas de votação do Ocidente Industrial “democrático” que passa a ilusão de que os governos representam os desejos das pessoas.

    Mas acho que precisamos fazer uma pergunta diferente. E se as pessoas não aceitarem a autoridade do governo?
    Dado que menos de um quarto das pessoas em qualquer nação são representadas pelo “seu” governo e que o “seu” governo está vinculado a um conjunto de regras que colocam o crescimento econômico e a riqueza do capital acima das reais necessidades do planeta e das pessoas que vivem nele, estamos realmente falando sobre algo mais do que a retirada do mandato.

    Não há meio termo – os sistemas não podem ser melhorados, eles nunca existiram para servir as pessoas, eles só existem para servir seus próprios sistemas.

    Nada menos do que a rejeição completa dos sistemas de poder dominantes será suficiente para romper o imenso vazio moral entre o que precisamos como espécie e o que os governos “democráticos” nos impõem. Apenas uma razão entre muitas do porque precisamos começar a minar a “civilização eleitoral industrial.”

    https://originalearthblog.wordpress.com/2013/10/31/what-if-no-one-voted/

    What If…No One Voted?
    October 31, 2013 by farnishk

  3. fira de tópico. Trump diz que capturou Maduro. Será que o regime cairá? Pelas declarações de um general, parece que haverá resistência. E a população venezuelana, aceitará pacificamente a ingerência dos EUA? E os outros países?

  4. O presidente Edson Fachin está isolado na Côrte Constitucional. O projeto do Código de Conduta proposto por Fachin conta com um único apoio da ministra Carmem Lúcia.

    Fachin está tão isolado, que perdeu as condições de agir no caso Master sob o controle do ministro Dias Toffoli, que decretou segredo em fatos de interesse público e marcou acareação entre os fraudadores antes dos depoimentos. Depois recuou, mas manteve as perguntas a Vorcaro, Paulo Roberto Costa e Ailton de Aquino, através da delegada da PF.
    Tentam uma saída para Vorcaro, que ameaçou delação premiada e assustou gregos e troianos em Brasília. A delação desse fraudador e corrupto causaria um terremoto na capital da gastanca. Ibanéis Rocha, governador de Brasília, não consegue dormir, de tão preocupado. Cláudio Castro o governador do Rio, teme o fim da sua carreira política e vê sua candidatura ao Senado escapar pelos dedos.
    Davi Alcolumbre também metido nessa, através de seu apaniguado no Amapá, que torrou dinheiro no Master através do Instituto de Previdência.

    Dias Toffoli do STF e Jonathan de Jesus do TCU fazem uma força gigantesca para reverter a liquidação do Banco Master e colocam a autoridade monetária, o Banco Central no canto do ringue.

    Preservam o criminoso Vorcaro e atacam a instituição de Estado sob o argumento da precipitação.

    A loucura atingiu um patamar perigosíssimo.

    O TCU, essa casa de deputados aposentados deveria ser extinta, porque não serve para nada.

  5. Privatizam tudo no Brasil, mas, protegem o TCU. Bom dia Tarcísio de Freitas, sabujo do Bolsonaro. Um Zé ninguém, que precisa de Bolsonaro para se eleger.

    Quanto ao STF, se tornou urgente o fim das Decisões Monocráticas. O modelo de duas turmas, também deveria acabar. A melhor solução é o Plenário, o voto de todos sobre todos os assuntos e também a eliminação dos Pedidos de Vista, que na prática faz o ministro sentar em cima do processo, inconveniente para quem pede. Uma covardia com a sociedade.

  6. Ilustres partícipes , atentem para essa ” afirmação , crítica e contradição ” do procurador-geral da República , Paulo Gonet frente aos fatos : alegando que não cabe ao STF , ” a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares , especialmente quando resguardados pela autonomia intrínseca à atividade liberal da advocacia”, então com base no dito acima por Gonet , a intromissão do juiz do STF Dias Toffoli e dos agentes do TCU em assuntos do Banco Central junto ao Banco Master , é no mínimo ilegítima e ilegal , com o agravante de que estão interferindo diretamente na autonomia legal do Banco Central , em assuntos que não lhes dizem respeito .

    • Caro José Carlos.
      Os interesses do caso Master, tem apavorado o Congresso, Dias Toffoli, Jhonatan Jesus e Vital do Rego do inútil TCU, boquinha de deputados e senadores e pelo menos dois governadores: Ibanéis Rocha (DF)e Cláudio Castro ( RJ).

      Quem do Rio de Janeiro vai votar para senador no Cláudio Castro depois do rombo do Rio Previdência no Master insolvente?

      Nunca se viu no Brasil, um escândalo de proporções trágicas envolvendo os Três Poderes poderes. O Papel negativo do TCU está no mesmo patamar protagonizado pelo ministro Dias Toffoli, esse sim, merecedor de impeachment. Mas, o Congresso não tem coragem, porque ele é amigo Centrão.

      O Congresso quer Flávio Dino fora, por causa do combate de Dino as falcatruas das Emendas Parlamentares.

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