A pergunta certa: por que Toffoli se empenha tanto em salvar o Master?

Toffoli e Banco Master: Sigilo em Processo Revelado

Charge reproduzida do Arquivo Google

Mario Sabino
Metrópoles

Mais do que em qualquer outro aspecto da vida, à exceção da medicina, o que importa no jornalismo é fazer a pergunta certa. E a pergunta certa a ser feita no caso do Banco Master é: por que Dias Toffoli parece empenhado em ajudar Daniel Vorcaro?

Se não, recapitulemos os passos do ministro nesse sentido, e não são poucos.

POBRES PRETEXTOS – Toffoli lançou mão de um pretexto mixuruca oferecido pela defesa do “banqueiro” — uma proposta de negócio imobiliário, encontrada na casa de Vorcaro, em que aparece o nome de um deputado federal — para puxar para a sua alçada no STF as investigações sobre as operações com títulos podres perpetradas pelo banco para obter bilhões de reais junto ao Banco Regional de Brasília (BRB), para o qual Vorcaro queria vender o Master.

Na sequência, no mesmo dia em que viajou a Lima na companhia do advogado de um diretor do Master, Toffoli decretou sigilo completo sobre as investigações e ordenou que nada prosseguisse sem a sua autorização.

Para completar, o ministro inventou uma acareação sem pé nem cabeça, antes que houvesse qualquer depoimento dos envolvidos, entre o investigado Vorcaro, o investigado ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central, que não deveria figurar em investigação nenhuma.

TUDO ERRADO – O espanto aumentou entre os já pasmos espectadores do imbróglio, porque não há nada de remotamente normal em o BC ter de prestar satisfação a um ministro do STF (ou a um ministro do TCU, estranheza adicional nessa história) sobre a liquidação de um banco.

A acareação foi vista pelo BC, pelo setor financeiro, bem como por brasileiros ainda capazes de ligar lé a cré, como intimidação contra a instituição que selou o destino do Master. A avaliação geral é que o ministro estaria fazendo pescaria para achar uma brecha que lhe permitisse anular a liquidação do banco.

Diante da repercussão negativa, com o BC tentando evitar o absurdo de ver um diretor seu colocado no mesmo plano dos investigados, Toffoli mudou de ideia e decidiu que a PF tomaria os depoimentos de todos antes de uma eventual acareação.

DEU CONFUSÃO – O atropelo do ministro é tamanho que houve confusão entre a delegada da PF responsável por conduzi-los e o juiz auxiliar do gabinete de Toffoli destacado para acompanhá-los. Ela ainda achava que a sua tarefa era acarear, porque a PF não foi informada com a devida formalidade da mudança determinada pelo ministro.

Diante do impasse, foi preciso ligar para Toffoli. Resolvido o ponto, o juiz auxiliar repassou à delegada perguntas formuladas pelo ministro.

Houve outro quiproquó, já que juiz não deveria fazer o papel de investigador, e delegados não podem funcionar como bonecos de ventríloquo de ninguém. Ocorreu, então, um segundo telefonema, agora para o diretor-geral da PF.

ESCULHAMBAÇÃO – A saída para mais essa esculhambação do sistema acusatório, teoricamente em vigor no país, foi fazer a ressalva de que as perguntas entregues à delegada pelo juiz auxiliar eram da lavra de Toffoli.

Finalmente tomados, os depoimentos trouxeram o esperado, com Vorcaro dizendo que é a alma mais honesta do Brasil, o ex-presidente do BRB afirmando que não havia nada de errado nos procedimentos que visavam à aquisição do Master, e o diretor do BC dizendo que a liquidação se justificava.

Ao final, houve apenas uma acareação de meia hora entre os dois primeiros, que mostraram ter “percepções distintas sobre os mesmos fatos”, segundo a defesa do ex-presidente do BRB.

PRÓXIMOS PASSOS – Não se sabe quais serão os próximos passos de Toffoli. Ele vai insistir no suposto objetivo de anular a liquidação do Master? Ou vai se concentrar apenas em garantir que um inocentíssimo Vorcaro não seja preso pelas fraudes que o seu banco perpetrou?

De qualquer modo, tais questões são decorrentes da pergunta certa a ser feita: por que Toffoli parece empenhado em ajudar Daniel Vorcaro?

É isso que a opinião tem direito de saber, antes de mais nada.

9 thoughts on “A pergunta certa: por que Toffoli se empenha tanto em salvar o Master?

  1. Repudiavam Paulo Maluf pelo modus operandi “Rouba mas faz” e agora aceitam o quase similar “Rouba, mas faz pouco para que seja possível sobrar um pouco para todos”.

    Shitty country and shitty people.

    • E ai daqueles que não o fizerem ! Jogarão na mídia todos os pejorativos possíveis e imagináveis para destruir a reputação do “independente”. Chamam isso de “narrativa”.

  2. Versão Internet

    Repudiavam Paulo Maluf pelo modus operandi “Rouba, mas faz” e agora aceitam o quase similar “Rouba muito, mas faz pouco para que seja possível sobrar muito para todos os comparsas”.

    Shitty country and shitty people.

    E ai daquele que não o fizer ! Jogarão na mídia todos os pejorativos possíveis e imagináveis para destruir a reputação do “independente”. Chamam isso de “narrativas”.

  3. Neste momento, Dias Toffoli não vão decidir nada. Ele sabe, que o escândalo é gigantesco e a sociedade está contra o cerco do ministro e do Jhonatan de Jesus do TCU, contra o Banco Central.
    O Centrão também pressionando o ministro Jhonatan do TCU, indicado ao cargo por Arthur Lira.

    O caro Master vai ficar em banho Maria, até sair do noticiário, sendo substituído por outro escândalo ou a invasão do Trump tomando a Groelândia ou atacando o México por terra.

    Todos já sabem, que a reversão da Liquidação do Master, se tornou irreversível, porque qual o maluco que vai investir dinheiro nesse banco, depois de vir a público as falcatruas de seu presidente Vorcaro?

    Então, restou ao Daniel Vorcaro, através de seus advogados, regiamente pagos, requerer ao ministro Relator, Dias Toffoli, que suspenda a venda do patrimônio de Daniel Vorcaro para pagar os investidores lesados.e revogar a prisão domiciliar dele, para livre, leve e solto, possa agir nos bastidores e assim recuperar seu patrimônio.
    Essa é a pizza gigante que está no forno para ser assada no momento certo.

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