
Senador fez acenos a Caiado, Zema e Ratinho
Luis Felipe Azevedo
O Globo
Dois dias após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Papudinha, o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado que uma união da direita em um mesmo palanque contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorrerá “no tempo certo”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar também criticou a prisão do pai e o governo petista.
O senador defendeu um palanque presidencial liderado por ele e com a presença de familiares e lideranças da direita que se colocam como pré-candidatos ou são especulados para o Planalto. Flávio cita a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO).
MESMO PALANQUE – “Enquanto não é possível (a liberdade de Bolsonaro), você não gostaria de presenciar o momento em que eu, Tarcísio, Michelle, Ratinho, Zema, Caiado e tantas outras lideranças de direita estivéssemos juntos, no mesmo palanque, pela mesma causa, para resgatar o Brasil das garras do governo atual? Calma, que isso vai acontecer no tempo certo”, disse Flávio.
O senador também elogiou Michelle e Tarcísio na publicação: “Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes? Não caia em pilha errada (…) O Tarcísio é um aliado fundamental, a Michelle tem um papel importantíssimo”.
Por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi levado para o 19º Batalhão da PM-DF, onde já estão o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O local ganhou o apelido de “Papudinha” por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.
DIREITA FRAGMENTADA – Como mostrou o O Globo, o anúncio de que Flávio foi escolhido pelo pai como pré-candidato à Presidência mexeu no tabuleiro político planejado pelos presidentes de partidos de Centrão. Se for mesmo definido como candidato ao Planalto, os palanques estaduais serão fortemente afetados.
Em outras frentes, o pré-candidato do PL tem acumulado reveses envolvendo aliados da direita que poderiam contribuir com seu projeto nacional. Antes apontado por partidos do Centrão como opção presidencial, Tarcísio, por exemplo, tem dado um apoio tímido ao senador. Soma-se a isso um aceno feito por Michelle ao governador nas redes sociais e a recusa do governador de Zema em retirar sua pré-candidatura para apoiar a de Flávio e ser seu vice.
Trabalhando com o cenário em que o governador de São Paulo seria o candidato do bolsonarismo, já havia negociações para aproximar de Tarcísio até setores que hoje estão distantes da direita, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD, que deve ser candidato a governador.
NEGOCIAÇÕES – Também havia negociações para que o PSD desse palanque para o bolsonarismo em outros estados, como Minas Gerais, com o vice-governador Matheus Simões, e no Maranhão, com Eduardo Braide. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, agora deve recalcular a rota e esses candidatos não devem dar palanque para Flávio.
A tendência é que eles não se posicionem ou que apoiem a candidatura de Ratinho em 2026. O mesmo cenário de dificuldade deve se reproduzir no União Brasil e no PP, que devem formar uma federação.
PESQUISA RECENTE – Ainda que a mais recente Pesquisa Quaest tenha dado impulso para a pré-candidatura de Flávio, dirigentes do Centrão resistem a embarcar no projeto eleitoral
Em um cenário de primeiro turno, Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 23% de Flávio Bolsonaro e 9% de Tarcísio. No mesmo levantamento, em um cenário de segundo turno, o petista pontuaria 45% contra 38% de Flávio. No cenário em que a disputa é com Tarcísio, Lula teria com 44% contra 39% do governador de São Paulo.
Dirigentes partidários dizem que é cedo para medir o potencial eleitoral do senador e que ele precisará mostrar viabilidade política. Com a decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho, os partidos do Centrão têm avaliado diferentes caminhos e não há ainda uma decisão unificada entre eles.
“No tempo certo” realmente haverá uma união da direita …em torno do nome de Tarcísio com Michele de vice muito provavelmente. A união que certamente haverá “no tempo certo” será do Brasil contra o sobrenome Bolsonaro como ocorreu em 2022. O Brasil preferiu colocar um condenado à repetir um Bolsonaro no poder. Flávio nao será presidente para o bem do Brasil. Deveria estar em cana pelas rachadinhas. É tóxico devido ao sobrenome e ainda tem muito telhado de vidro. Ladrao.
Porém, a fila não andou em SP
Com a óbvia indicação de Flávio Rachadinha, pelo pai, para ser o candidato da extrema-direita à Presidência, o governador Tarcínico (que ambicionava ter apoio do ex-mito), deverá concorrer mesmo à reeleição em SP.
E, com isso, o prefeito paulistano Nunes, que esperava ser candidato a governador de SP, por não poder ser reeleito para a prefeitura, ficou a ‘ver navios’.
Kassab, que também tinha pretensão de se candidatar a governador de SP, ao perceber que ‘desse mato não sai coelho’, largou o governo Tarcínico, do qual era secretário, e se juntou à turma do Ratinho, que poderá ser candidato a presidente.
Um balaio de gato (e rato).
Eleição presidencial deste ano
Pesquisas eleitorais recentes expõem uma direita dividida entre a competitividade institucional e o peso do bolsonarismo
O contraste é eloquente: enquanto Flávio Rachadinha ocupa redes sociais e espaços na mídia como candidato declarado, o empacado Tarcínico segue preterido pelo do ex-mito, de quem é mais um fantoche.
Flávio vai se consolidando como principal adversário de Barba no campo da direita.
Esse avanço não decorre de trajetória própria nem de um projeto nacional consistente, mas, em grande medida, da incorporação quase automática do eleitorado fiel ao ex-mito.
Ratinho Junior, que acaba de se apresentar como pré-candidato à Presidência, já aparece como o terceiro nome mais competitivo da direita, depois de Flávio e Tarcínico.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 18/01/2026 | 03h00 Por Editorial
Senhor JOSE PEREZ , lembra-se de qual juiz do STF Gilmar Mendes , quem impediu a cassação do mandato e prisão do agora senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , numa barganha entre o então presidente Jair Bolsonaro e alguns juízes do STF envolvidos na trama , para soltar e reabilitar politicamente o Lula , sendo que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou de dar na época uma resposta ” PLAUSIVEL ” , quando foi instado a se explicar , quanto ao seu envolvimento nas ditas rachadinhas , sendo que esse é seu jeito de fugir das perguntas ” indigestas e incriminatórias , com o agravante de que o então juiz Marcelo Bretas responsável pelas ” investigações e processos ” , foi quem terminou sendo degolado pelos juízes do STF Gilmar Mendes e demais juízes do STF envolvidos seus carrascos , e protetores ” dos gangster Bolsonaros ” e seus comparsas .