Paraguai retoma a energia de Itaipu e prejudica o Brasil para servir a Trump

Usina Hidrelétrica de Itaipu – Wikipédia, a enciclopédia livre

Energia de Itaipu vai servir às big techs dos Estados Unidos

Deu no Plantão News

Se você achava que a maior preocupação para a economia brasileira em 2026 seriam as oscilações tradicionais do dólar ou a inflação dos supermercados, é hora de redirecionar a sua atenção para a fronteira oeste do país. Algo monumental e potencialmente catastrófico está acontecendo nas águas do Rio Paraná, especificamente na Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Durante cinco décadas, essa gigante de concreto e aço foi o símbolo da cooperação sul-americana e, mais importante, a garantia de que o Brasil teria energia barata e abundante para crescer. Mas esse tempo acabou.

EFEITO TRUMP – O Brasil está, metaforicamente e na prática comercial, “perdendo” Itaipu para os Estados Unidos. E não estamos falando de soldados americanos ocupando a usina, mas de algo muito mais sutil e letal para o nosso bolso: a lei da oferta e da procura em um mundo sedento por eletricidade.

Para entender a gravidade da situação, precisamos olhar para o passado. Em 1973, o Tratado de Itaipu estabeleceu que Brasil e Paraguai dividiriam a energia produzida meio a meio. Como o Paraguai é um país com uma demanda energética muito menor, eles nunca usaram a sua metade inteira.

O “pulo do gato” para o Brasil sempre foi a cláusula que obrigava o vizinho a vender o seu excedente exclusivamente para nós, e o melhor: a preço de custo, sem margem de lucro comercial. Foi esse acordo que permitiu ao Brasil manter as luzes acesas e as indústrias rodando a um custo competitivo por 50 anos. Contudo, em 2023, o cenário mudou.

NOVA REALIDADE – Com a renegociação do anexo C do tratado e as novas diretrizes estabelecidas entre 2024 e 2026, o Paraguai conquistou a “alforria” energética: o direito de vender sua energia no mercado livre.

É aqui que entram os Estados Unidos, não como uma nação invasora, mas como o cliente VIP que chega pagando em dólar e à vista. O mundo vive uma revolução tecnológica sem precedentes, impulsionada pela Inteligência Artificial e pelo processamento de dados massivo.

As chamadas “Big Techs” — empresas como Microsoft, Google e Amazon — estão em uma corrida frenética para construir data centers cada vez mais potentes. O problema? Esses centros de dados consomem uma quantidade absurda de energia. E não serve qualquer energia. A energia solar e a eólica, embora limpas, são intermitentes (o sol não brilha à noite, o vento não sopra sempre). Para rodar servidores que não podem desligar nunca, essas empresas precisam de “energia de base”, constante e confiável. Exatamente o que uma hidrelétrica como Itaipu oferece.

PARAÍSO TECH – O Paraguai, astutamente, percebeu essa mina de ouro. Em vez de continuar vendendo o excedente para o Brasil a preços módicos, o governo paraguaio transformou o país em um paraíso para investimentos tecnológicos.

Eles estão atraindo essas corporações transnacionais para instalarem suas infraestruturas em solo paraguaio, alimentadas diretamente pela energia que antes fluía para as casas e fábricas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O resultado é uma drenagem de recursos.

A energia está lá, as turbinas continuam girando, mas os elétrons agora têm outro destino: a mineração de criptomoedas e o processamento de IA para o Vale do Silício.

BRASIL OMISSO – O impacto para o Brasil é imediato e severo. Itaipu responde por cerca de 20% de toda a energia consumida no território nacional, sendo vital para o Sul e Sudeste. Sem a garantia desse excedente barato, o Operador Nacional do Sistema (ONS) se vê em uma encruzilhada.

Para compensar a energia que o Paraguai deixou de enviar, o Brasil é forçado a acionar suas usinas termelétricas. O problema é que essas usinas funcionam queimando combustíveis fósseis, o que não só é péssimo para o meio ambiente, mas é terrivelmente caro. É aí que entra o “efeito cascata” na economia doméstica.

Quando o custo de geração sobe, a conta chega para você na forma das temidas “bandeiras tarifárias”. A conta de luz fica mais cara, o que já é ruim o suficiente. Mas o buraco é mais embaixo. A indústria brasileira, que depende de eletricidade para produzir tudo, desde alimentos até carros, vê seus custos de produção dispararem.

CUSTO BRASIL – Para não ter prejuízo, as fábricas repassam esse custo para os produtos. Resultado: inflação generalizada. O pão fica mais caro, o serviço fica mais caro, o custo de vida no Brasil aumenta, tudo porque perdemos a exclusividade sobre a energia de Itaipu.

Além do desastre econômico, há uma perda geopolítica humilhante. Historicamente, o Brasil usava a dependência econômica do Paraguai em relação a Itaipu como uma ferramenta de “soft power”. Tínhamos uma influência política enorme em Assunção porque éramos o único cliente do seu principal produto de exportação.

 Agora, com o capital americano inundando o Paraguai, essa dinâmica de poder se inverteu. O Paraguai ganha autonomia e proteção política de Washington. Tentar pressionar o vizinho agora significa comprar briga com os interesses das maiores corporações dos Estados Unidos, algo que o Itamaraty sabe ser um campo minado diplomático.

HAVERÁ APAGÕES – Especialistas em defesa e segurança nacional já soam o alarme para o risco de “apagões estratégicos”. A segurança energética do Brasil ficou vulnerável.

Se houver uma crise hídrica severa — e sabemos que o clima está cada vez mais instável — e o Paraguai tiver contratos firmados com empresas americanas, o Brasil terá pouquíssima margem de manobra para negociar energia de emergência. Estaremos competindo com contratos em dólar de empresas que valem trilhões. A soberania sobre o Rio Paraná, na prática, foi diluída.

Diante desse cenário sombrio, a inércia não é uma opção. O Brasil precisa, urgentemente, de uma nova estratégia. Não adianta adotar uma postura hostil contra o Paraguai; eles estão exercendo seu direito soberano de vender para quem paga mais.

NOVA MATRIZ – A resposta brasileira precisa ser interna e estrutural. Precisamos acelerar drasticamente a diversificação da nossa matriz energética, investindo pesado em fontes alternativas e, principalmente, em eficiência energética para fazer mais com menos.

Além disso, é necessária uma nova diplomacia energética: o Brasil precisa oferecer vantagens competitivas para que essas empresas de tecnologia queiram se instalar aqui, e não apenas no vizinho, integrando o mercado regional em vez de fragmentá-lo.

Estamos vivendo um momento histórico. Em 2026, a “Batalha de Itaipu” não é travada com canhões, mas com contratos e cabos de fibra ótica. O Brasil perdeu a exclusividade, e com ela, a era do conforto energético. Reconhecer essa derrota é o primeiro passo para evitar que o país mergulhe no escuro. Se o governo e a sociedade não acordarem para essa nova realidade imposta pela Nova Ordem Mundial da Energia, as consequências serão sentidas a cada vez que um brasileiro tentar acender um interruptor e descobrir que a luz, literalmente, custa os olhos da cara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviada por Mário Assis Causanilhas, é a mais importante matéria econômica dos últimos tempos. Não está assinada, porque o autor teme retaliações, mas vem sendo reproduzida nas redes sociais, em postagens que defendem os interesses brasileiros. E o que faz o governo Lula da Silva? Nada, embora os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia, Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Esther Dweck (Gestão e Inovação) sejam do Conselho de Itaipu, mas só querem saber de embolsar o jeton de R$ 34 mil por uma reunião mensal. Ah, Brasil… (C.N.)

10 thoughts on “Paraguai retoma a energia de Itaipu e prejudica o Brasil para servir a Trump

  1. O Brasil comprava de energia elétrica da Venezuela (e talvez ainda compre), principalmente para abastecer o estado de Roraima, que não era (e talvez continue não sendo) conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

  2. O Brasil é muito grande para dar importancia à essas tidas minucias. O povo é comprenssivo, tem alma boa e vai pagar de bom grado, já que não existe poder constituido para remendar essas e outras propositais cagadas.
    Quem sabe, quem “jurídicamente” foi e é plantado, para alcançar tais sabotadores epílogos, revolvendo “pedras fundamentais”?

  3. Uma medida necessária e imediata, que depende exclusivamente do governo é permitir a rapidíssima utilização da energia solar em todo o país, sobretudo nas regiões sul e sudeste, acabando, com uma canetada, a cobrança desta taxação esdrúxula sobre as instalações de energia solar “on gride”, um verdadeiro absurdo que afasta os consumidores desta alternativa viável e testada com sucesso.

  4. A manchete da matéria é mentirosa! Quem está prejudicando o Brasil neste caso é o próprio Brasil. Desse a criação de Itaipu a empresa virou um cabidão de emprego nos vários governos. Ministros dos governos e amigos (e amantes) dos ocupantes da cadeira principal da República sempre fizeram parte do Conselho de Itaipu, com salários de mais de R$ 30 mil mensais, PRA NÃO FAZEREM NADA!!! E confiando nesta energia limpa e mais barata, já que o Paraguai era OBRIGADO a vender ao Brasil o excedente de sua energia, nosso país não se preocupou em aumentar as matrizes de geração de energia. Agora, vai disputar com o Estados Unidos a compra desta energia. Daí, já viu, né? Tamu fu…

  5. a saída? a saída todo mundo sabe, energia solar, mas até isso o Brasil coloca impedimentos e taxas sobre tudo, chuva existe sim momentos que falta ela, mas o sol está aqui, dia após dia e sempre mais quente, tirem esses impostos abusivos sobre a energia solar deixem ela mais acessível aí sim vou acreditar que o Brasil quer energia limpa.

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