Blitz ordenada por Moraes não pode encobrir o foco nas mazelas da família

Alexandre de Moraes não vai rever ordens | Blog da Denise

Charge do Kleber (Correio Braziliense)

Mario Sabino
Metrópoles

A blitz que Alexandre de Moraes promove para investigar a quebra de sigilo fiscal de ministros do STF e familiares já deu resultado, como mostraram meus colegas de Metrópoles. A PF esteve em campo em plena terça-feira de carnaval para executar o cardápio de sempre de medidas cautelares contra quatro servidores suspeitos.

De acordo com a coluna de Andreza Matais, “as investigações indicam que um dos acessos sem autorização aos dados de Viviane Barci de Moraes teria sido feito por um servidor do Serpro (empresa de tecnologia do governo federal) cedido à Receita.

DOIS ALVOS – A mulher de Moraes não foi o único alvo. A coluna apurou que o filho de outro ministro do Supremo também teve a declaração de Imposto de Renda devassada sem autorização judicial”.

O colunista Igor Gadelha publica que, no total, Alexandre de Moraes determinou a quebra do sigilo de quatro servidores para saber se eles receberam dinheiro em troca de vazamento de dados.

Quebra ilegal de sigilos bancário e fiscal é grave, não pode acontecer com ninguém, seja nos altos ou nos baixos da pirâmide social, mas há um ponto a considerar: sigilo não pode servir de escudo para práticas que colidam com a ética ou, no limite, com a lei.

R$ 129 MILHÕES – Moraes ficou fulo porque o país inteiro soube que o escritório da sua mulher advogada assinou um contrato assombroso e inexplicável de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, responsável pela maior fraude financeira da história brasileira e com quem o ministro compartilhou charutos cubanos e garrafas de vinho de milhares de reais na casa do banqueiro em Brasília, conforme revelou a coluna de Andreza Matais.

Fomos informados também que, graças ao contrato firmado com o seu escritório, Viviane Barci de Moraes teve uma evolução patrimonial extraordinária de um ano para outro, passado a ser dona de uma fortuna pessoal de quase R$ 80 milhões.

Esse tipo de informação não deveria vir a público por meio de expedientes ilegais, repita-se. Deveria ser divulgada pelos próprios envolvidos, se eles não tivessem nada a esconder.

SEM SIGILO – Uma república é o regime da res publica, termo em latim que significa “coisa pública”. Como tal, nada que possa afetar o seu funcionamento deveria ser mantido invisível ao escrutínio popular. Ao contrário do que acreditam os detentores do poder brasileiro, portanto, eles deveriam manter a sua vida financeira transparente, bem como a dos seus familiares, de modo a que não lhes pesasse nenhuma suspeita de recebimento de dinheiro indevido.

A visão patrimonialista que nos acompanha desde a época colonial, no entanto, continua a prevalecer por meio da apropriação indébita do Estado, da confusão entre público e privado, das práticas clientelistas, dos personalismos, das arbitrariedades na administração pública e na aplicação da lei.

Espera-se, ao menos, que os resultados da blitz ordenada por Moraes não sirvam para encobrir, na imprensa, o enorme problema que o país enfrenta na cúpula do Judiciário. Até porque os taxistas certamente não perderão o foco, como sabe Cármen Lúcia.

5 thoughts on “Blitz ordenada por Moraes não pode encobrir o foco nas mazelas da família

  1. Ministros do STF reclamam de Moraes ter feito pedido de rastreamento à RF

    Ministros do STF reclamam do procedimento adotado por Moraes de pedir à Receita Federal um rastreamento nos seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de dados de cerca de cem pessoas, incluindo ministros da Corte e seus familiares.

    Um integrante do Supremo disse em caráter reservado que somente o presidente do tribunal, Edson Fachin, poderia fazer esse tipo de pedido, a partir de requerimento da PGR. Outros dois ministros afirmam o mesmo.

    Nesta terça-feira, 17, a Polícia Federal realizou uma operação por ordem do STF para instruir a investigação sobre eventuais vazamentos de dados de ministros e seus parentes. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

    Também foram determinadas medidas cautelares — como o monitoramento por tornozeleira eletrônica e o cancelamento de passaportes. O caso tramita sob sigilo e o STF não forneceu informações sobre a operação.

    A suspeita de vazamentos de informações sigilosas veio à tona a partir das investigações das fraudes no Banco Master. Uma ala do STF suspeita que a PF investigou ministros do tribunal de forma ilegal.

    A desconfiança ganhou força depois que, na semana passada, a PF enviou ao Supremo um relatório de 200 páginas sobre eventual envolvimento de Toffoli com os negócios de Vorkaro.

    (…)

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 17/02/2026 | 11h01 Por Carolina Brígido

  2. Operação da PF irrita ala do STF e desperta desconfiança sobre Moraes

    A devassa que a Polícia Federal realizou sobre funcionários da Receita acusados de vazar informações sigilosas de parentes de ministros do STF, nesta terça-feira, acendeu um alerta entre os próprios colegas de Moraes, que determinou a ação.

    Dois ministros ouvidos sob reserva consideram a ação “absurda” e enxergam indícios de abuso de autoridade. No Supremo pegou mal o fato de Moraes não ter sequer comunicado aos colegas que havia uma suspeita de acesso indevido aos seus sigilos fiscais.

    Um magistrado disse ter manifestado seu descontentamento a Edson Fachin, presidente do STF.

    O fato de Moraes ter pedido à Receita que verifique se houve acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas foi encarado internamente como uma tentativa do ministro de fazer uma “fishing expedition”, ou pesca probatória, que é como o jargão jurídico define a prática ilegal de fazer buscas genéricas, sem objetivo determinado, para tentar encontrar provas de crimes.

    Essa era uma acusação comumente feita à força-tarefa da Lava Jato e que agora se repete à boca pequena no Supremo.

    Esses colegas temem que Moraes use os dados sobre ministros e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.

    Toffoli teria gravado encontro e feito um vazamento seletivo

    Ainda está fresco na mente dos togados o vazamento da reunião secreta que terminou com Toffoli renunciando à relatoria do caso Master, depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter entregue ao presidente do STF um relatório listando motivos para a sua suspeição – como o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

    Detalhes da reunião, incluindo trechos literais das falas de alguns magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, e levaram os colegas a desconfiar que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo, privilegiando os trechos das conversas que o favoreciam.

    Toffoli nega qualquer gravação, mas isso não diminuiu a tensão interna, pelo contrário.

    Para alguns colegas de Supremo, com a ação de terça, Moraes teme o “efeito Orloff”, como se, ao olhar para Toffoli, ele ouvisse a voz da antiga propaganda em que um sujeito diz ao outro: “eu sou você amanhã”. E isso é tudo o que ele não quer.

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 18/02/2026 02h25 Por Malu Gaspar

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