
PT quer ir além de alianças com diretórios do Nordeste
Clarissa Oliveira
CNN
Com a confirmação da entrada de Ronaldo Caiado na corrida presidencial, o time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai reforçar a aposta nas dissidências do PSD. A escolha por Caiado, confirmada nesta semana, veio acompanhada de um sinal verde para que os diretórios estaduais do partido posicionados à esquerda possam se alinhar à gestão petista na eleição.
Lula, segundo interlocutores ouvidos pela CNN, espera ir além da já esperada aliança com líderes do PSD no Nordeste. Há na campanha petista o entendimento de que mesmo diretórios que não possuem alinhamento histórico com o PT oferecem potencial para um acordo, dado o movimento à direita expresso na candidatura de Caiado.
ANISTIA – Em seu primeiro discurso, Caiado aproximou o discurso do bolsonarismo, prometendo a “anistia ampla, geral e irrestrita” como seu primeiro ato de governo. O gesto foi entendido na campanha petista como uma confirmação de que o governador servirá como linha auxiliar de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
O PT olha com atenção especial para São Paulo. Com o naufrágio da aliança de Gilberto Kassab com Tarcísio de Freitas, há na campanha de Fernando Haddad quem veja um potencial de um acerto no maior colégio eleitoral do país.
O presidente do PT no estado, Kiko Celeguim, chegou a ventilar que Gilberto Kassab poderia ocupar a vice de Lula. Nos bastidores, líderes petistas descartavam essa possibilidade nesse sentido, mas apontavam como viável outra alternativa: convidar Kassab para a vice de Fernando Haddad.
‘Com a entrada de Caiado na disputa, Lula tenta atrair ($) apoio de dissidências do PSD’
O país tem a oportunidade de se livrar de Lula para sempre
Esta será a última eleição de Lula; resta abreviar a nossa agonia em 4 anos
Esta será a última eleição presidencial na qual os brasileiros terão de decidir se votam a favor ou contra Lula.
Há quase 40 anos tem sido assim, inclusive quando os candidatos foram Dilma Rousseff e Fernando Haddad, a primeira preposta do chefão petista, embora com ambições próprias, e o segundo, mero poste, sem outra pretensão a não ser a da vassalagem.
A escolha, assim, será a de prolongar ou não a agonia em mais quatro anos.
Com Lula na Presidência da República, o Brasil perdeu a chance de dar um salto econômico e social que o colocaria no pelotão das nações mais avançadas. Confirmou-se, assim, a máxima segundo a qual o Brasil nunca perdeu a oportunidade de perder oportunidades.
É importante que se repita: todo o progresso obtido nas últimas décadas não foi graças a Lula e ao PT, mas apesar do fardo que os seus governos perdulários, incompetentes, eleitoreiros e corruptos impuseram ao país.
Nem mesmo quando o Brasil surfou no boom das commodities, nos dois primeiros mandatos do chefão petista, aproveitou-se o momento para investir naquilo que faz um país realmente grande: infraestrutura, educação, saúde, produtividade.
Terminamos o primeiro quarto do século XXI com metade da população sem esgoto, com estudantes nas piores colocações nas provas internacionais de desempenho, com um sistema de saúde universal que é extremamente desigual e com trabalhadores cuja ineficiência é produto da sua baixa qualificação, do pouco investimento em tecnologia e inovação, do excesso de burocracia e do protecionismo.
Alguns dirão que a culpa não é exclusiva de Lula e do PT, que estamos falando de vícios e problemas herdados de uma sociedade com origem escravocrata, oligárquica e patrimonialista, que ainda resiste como tal.
Sim, mas a falta de exclusividade não os redime de ser protagonistas de uma esperança de modernidade continuamente frustrada enquanto estiveram no poder. Temos uma esquerda que é cúmplice na exploração da pobreza, na manutenção dos privilégios e na captura do Estado por interesses particulares.
Com Lula na Presidência da República, a sociedade produtiva vive em estado de permanente alerta. Ele e o seu partido acreditam que gasto é vida, que o céu é o limite para o teto de gastos, que alta de inflação é efeito colateral de somenos do crescimento econômico a ser induzido pelo governo, que inchar a máquina pública é combater a injustiça social — e que escorchar empresários e classe média com impostos significa redistribuição de riqueza.
Para Lula e o PT não existe vida fora do Estado, é dele que tudo emana, e é a ele que tudo deve render frutos. A receita petista para o século XXI nasceu no século XIX e fracassou retumbantemente no século XX.
Como Lula não deixará herdeiros à sua altura, resta aos eleitores abreviar essa agonia em quatro anos. Não sou entusiasta de nenhuma candidatura de oposição, mas qualquer um que for eleito em lugar do chefão petista será menos danoso ao Brasil, e tem sido assim desde 1989.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 31/03/2026 18:37 Por Mario Sabino
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