
Senador identificou segmentos onde pode ampliar votos
Luísa Marzullo
O Globo
A pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana e a nova pesquisa Quaest, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente numericamente do presidente Lula da Silva, levaram a pré-campanha do senador a traçar os próximos passos. A ideia agora é mirar em eleitorado em que o pré-candidato sofre mais resistências, como entre mulheres e na região Nordeste.
Considerando o eleitorado geral, no Datafolha Flávio tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do atual presidente. Os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem melhor desempenho entre os mais ricos, com 49% no topo da renda e também avança na classe média, com 41% entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos. É justamente nesse grupo, visto como decisivo em disputas de segundo turno, que a campanha enxerga um dos motores do crescimento recente.
RECORTE RELIGIOSO – O padrão também se repete no recorte religioso. Mantendo uma tendência observada desde 2018, o senador lidera entre evangélicos — segmento que representa 29% da amostra — com 49% das intenções de voto, contra 25% de Lula. Já entre católicos, que somam 49% dos entrevistados, o cenário se inverte: o petista aparece com 43%, enquanto Flávio marca 30%.
Regionalmente, o desempenho mais forte no Sul e Sudeste reforça territórios onde a direita já tem estrutura consolidada, mas também expõe o principal gargalo da campanha: o Norte e o Nordeste, onde Lula mantém vantagem.
É a partir desse diagnóstico que a campanha redesenha a estratégia. Nos bastidores, a avaliação é de que o avanço atual ainda está concentrado e não se sustenta sem ampliar a base em segmentos mais resistentes — especialmente mulheres e eleitores do Nordeste, onde o petista chega a 55%. A ordem agora é “furar a bolha”.
COTIDIANO DO ELEITOR – Para isso, o entorno de Flávio passou a estruturar um discurso mais ancorado no cotidiano do eleitor, dando menos peso ao tom de confronto. Temas como endividamento das famílias, custo de vida, dificuldade de acesso a alimentos e segurança pública foram alçados ao centro da pré-campanha. A ideia é usar esses assuntos como ponte para dialogar com eleitor de renda mais baixa.
Na semana passada, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Flávio afirmou que respeita a comunidade LGBTQIA+, em um movimento interpretado por aliados como parte desse esforço de moderação e ampliação de diálogo com públicos onde enfrenta maior rejeição.
Entre mulheres, público em que o bolsonarismo historicamente enfrenta maior rejeição, a estratégia é ajustar o tom e priorizar temas ligados à segurança e à rotina doméstica, com foco em violência urbana e proteção familiar. A avaliação interna é de que esse eleitorado reage menos a embates ideológicos e mais a questões concretas do dia a dia, o que levou a campanha a recalibrar a comunicação.
CONTATO DIRETO – Já no Nordeste, a estratégia é combinar presença territorial com agenda simbólica. A orientação é ampliar viagens, intensificar agendas de rua e inserir o candidato em eventos populares, com maior capacidade de contato direto com o eleitor e menor mediação política.
Um dos coordenadores da campanha na região, o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, tem defendido a participação de Flávio em circuitos tradicionais como forma de reduzir a rejeição. “Eu vou propor que ele vá às festas juninas. Pernambuco, Alagoas, são muito fortes. É uma oportunidade para um contato mais próximo”, disse.
Há ainda previsão de uma agenda no Ceará neste mês, embora sem data definida. O impasse está ligado a uma tentativa de articulação local: aliados trabalham para viabilizar uma aproximação com Ciro Gomes (PSDB), movimento que enfrenta resistência dentro do partido do ex-ministro e é tratado com cautela pelo entorno do senador.
CRÍTICAS – No ano passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a fazer críticas públicas a Ciro e desidratou uma aproximação que vinha sendo ensaiada. Agora, interlocutores de Flávio tentam reabrir o canal, mas avaliam que ainda não chegou o timing da visita.
A avaliação interna é de que o senador ainda opera com potencial não totalmente explorado. As viagens pelo país passaram a ser tratadas como eixo da estratégia, tanto para reduzir rejeição quanto para sustentar o discurso de viabilidade eleitoral em negociações com partidos de centro e centro-direita.
“O resultado mostra mais os erros do Lula do que acertos do Flávio. Agora ele precisa organizar tudo e começar a campanha de verdade”, disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
“A maior força política do Brasil hoje é o antipetismo.”
A polarização continua só que de outra forma: com Barba de um lado, e o Antipetismo, de outro.
Se a galera da direita se unisse daria pra ganhar no primeiro turno.
Até Zema tem chance contra Lula
Eleitor farto do PT não depende do ex-mito para derrotar Lula
Datafolha indica que Lula pode perder no 2º turno até para candidatos hoje aparentemente inviáveis, revelando que eleitor farto do PT não depende do ex-mito para derrotá-lo
A mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto à Presidência mostrou que o presidente Lula aparece em dificuldade no 2º turno contra todos os adversários testados – do hoje favorito Flávio ao possível Caiado e até ao improvável Zema. Em todos os casos há empate técnico, dentro da margem de erro.
Isso significa não só que Lula está em apuros, como também – e talvez principalmente – que o eleitorado farto do PT não depende de um ex-mito para derrotar Lula.
Outros candidatos, muito mais bem preparados que Flávio para exercer a Presidência, conseguem excelente desempenho no segundo turno. E todos eles têm a vantagem de ter baixa rejeição, ao contrário de Flávio, um senador medíocre que vai precisar dar muitas explicações sobre rachadinhas e milicianos ao longo da campanha, além de carregar o legado pavoroso do pai, que inclui tentativa de golpe e condução irresponsável do País na pandemia de covid-19.
Por tudo isso, levar Flávio ao segundo turno, como “poste” do ex-mito, pode até mesmo aumentar as chances de Lula se reeleger, o que seria desastroso para o País.
No campo petista, é devastadora a dimensão da rejeição a Lula e ao seu governo, além do mau humor de parcela significativa do eleitorado diante de um possível quarto mandato. Quando confrontado com qualquer alternativa minimamente viável, mesmo incipiente, o presidente vê seu desempenho travado.
Na prática, o Datafolha indica que praticamente metade dos brasileiros não deseja estender o mandato de Lula e está disposta a votar em quem surgir para enfrentá-lo.
Diante disso, pouco importa, num primeiro momento, a densidade eleitoral do adversário. Num segundo turno, quando o voto passa a ser a escolha entre dois polos, até candidaturas hoje frágeis podem se tornar competitivas. Não por força própria, mas pela rejeição a Lula.
Esse fenômeno é parte do desgaste acumulado do governo. Como este jornal vem sublinhando, trata-se de uma administração marcada por mediocridade na entrega, incapacidade de produzir resultados consistentes e uma dependência excessiva de fórmulas já testadas – e esgotadas.
A economia não se traduz em melhora perceptível no cotidiano, programas e políticas sociais se concentram em modelos do passado, o estatismo lulopetista é visto como inadequado para os anseios de autonomia e progresso dos cidadãos e a condução política permanece refém de um modelo concentrado de exercício do poder, voltado à companheirada e pouco permeável a forças políticas mais amplas.
Sem esquecer o vício incorrigível de Lula e do PT de operar sob a lógica da divisão da sociedade.
Há também um elemento menos conjuntural e mais profundo: a fadiga de material. Após décadas no centro da vida política nacional, o lulopetismo dá sinais de envelhecimento. Suas ideias, antes mobilizadoras, hoje soam repetitivas.
Seu modelo de Estado encontra resistência num país que se transformou social e economicamente. Isso ajuda a explicar por que Lula, mesmo na Presidência, não consegue converter sua posição em vantagem eleitoral sólida.
O antipetismo está fortemente arraigado no eleitorado. Ou seja, todos os candidatos de oposição obviamente precisam explorar essa realidade. No entanto, trata-se de condição necessária, mas não suficiente: quem quiser ter sucesso na eleição precisa ir além do discurso contra o PT e Lula.
Aqueles que apresentarem propostas concretas para melhorar estruturalmente a vida dos brasileiros, convidando o eleitor a pensar não no presente, mas no futuro, podem ir além da polarização e conquistar corações e mentes hoje capturados pelo bolsonarismo, que nada tem a propor a não ser o velho reacionarismo do patriarca.
O Brasil não pode perder a chance de sair desta mediocridade que drena as energias dos cidadãos sem nos levar a lugar algum.
Está levando, sim, ao buraco.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 15/04/2026 | 03h00 Por Editorial
“Outros candidatos, muito mais bem preparados que Flávio para exercer a Presidência, conseguem excelente desempenho no segundo turno.
E todos eles têm a vantagem de ter baixa rejeição, ao contrário de Flávio, um senador medíocre que vai precisar dar muitas explicações sobre rachadinhas e milicianos ao longo da campanha, além de carregar o legado pavoroso do pai, que inclui tentativa de golpe e condução irresponsável do País na pandemia de covid-19.”
O que significa ‘fazer o diabo’?
Elementar meus caros Watsons, é isso o que o PT faz.
Entre tantas diatribes agora deu de bater palma para o Papa. Jogaram a morte de Marielle nas costa de Bolsonaro, deu no deu, e o que fizeram? Ficam com cara de cachorro que caga no altar mor da basílica. a moralidade deles é como o hímem complacente. E qualquer dificuldade vão ao STF pra ganhar no tapetão.