Restrições de Moraes isolam Bolsonaro e ampliam poder de Michelle nos bastidores

Moraes restringiu visitas a familiares e advogados

Luísa Marzullo
O Globo

A limitação de visitas imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que concedeu a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro esvaziou a capacidade de articulação do ex-presidente em um momento essencial para as negociações, na avaliação de aliados. A preocupação se dá porque a medida foi fixada por 90 dias, prazo que se estende até final de junho, a menos de um mês das convenções partidárias.

No mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador do Rio Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico e o tornou inelegível até 2030. Ele almejava concorrer ao Senado em outubro, e as conversas sobre a substituição terão uma participação menos efetiva de Bolsonaro.

RISCO DE INFECÇÃO – A restrição foi justificada pelo risco de infecção após a pneumonia e pela necessidade de manter um “ambiente controlado”. Na prática, porém, faz com que o ex-presidente deixe de receber presencialmente deputados, senadores e emissários partidários que levavam diagnósticos eleitorais e saíam com encaminhamentos fechados sobre disputas estaduais. Bolsonaro estava especialmente interessado na construção de candidaturas ao Senado, segundo aliados.

Na Papudinha, esse circuito chegou a reunir ao menos 40 visitantes fora do núcleo familiar. Passaram pela unidade nomes como Tarcísio de Freitas, Rogério Marinho (PL-RN), Wilder Morais (PL-GO), além de deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG), Hélio Lopes (PL-RJ) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

Em reunião de cerca de duas horas, por exemplo, Marinho levou a Bolsonaro um mapa detalhado dos estados e saiu com orientações objetivas: priorizar São Paulo e Minas para evitar divisão da direita no Senado e segurar o avanço de candidaturas paralelas; no Paraná, evitar a dispersão, movimento que resultou na filiação do senador Sergio Moro ao PL, pré-candidato ao governo, e na composição com o ex-deputado Deltan Dallagnol ao Senado.

SONDAGEM – Em outro movimento, emissários do PL levaram ao ex-presidente a sondagem sobre Romeu Zema como possível vice e saíram com sinal verde para insistir na aproximação, mesmo com a resistência pública do governador. O mesmo ocorreu em São Paulo, onde Bolsonaro reforçou a necessidade de manter o controle sobre a segunda vaga ao Senado como ativo estratégico do partido.

Advogados e auxiliares levavam pesquisas internas, impasses locais e retornavam com orientação direta do ex-presidente sobre quem avançar, quem segurar e onde evitar divisão.

AUTORIZAÇÃO – A mudança de ambiente desmonta esse modelo. Na domiciliar, só têm acesso livre quem mora com Bolsonaro, como Michelle. Outras visitas dependem de autorização judicial e, na prática, foram desestimuladas. O resultado é que o ex-presidente deixa de arbitrar presencialmente esses impasses e passa a depender de relatos filtrados.

Hoje, esse núcleo se resume basicamente à ex-primeira-dama e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), autorizado a visitá-lo diariamente por cerca de 30 minutos, por integrar a equipe de defesa. A diferença é que, enquanto Michelle concentra o convívio cotidiano, Flávio segue em ritmo intenso de pré-campanha, com viagens e agendas fora de Brasília, o que reduz sua presença física.

CONTROLE – Esse desequilíbrio amplia o peso de Michelle. É ela quem passa a concentrar o fluxo diário de informações e, na prática, definir quem fala e o que chega ao ex-presidente. Aliados relatam que pedidos de interlocução já começaram a ser redirecionados a ela.

O redesenho ocorre em meio a divergências já abertas com o núcleo político de Flávio, principalmente sobre decisões em curso nos estados. No Ceará, por exemplo, Flávio atua por uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), enquanto Michelle defende a manutenção da candidatura do senador Eduardo Girão (Novo).

Miinistros do STF, que reduziram alguns penduricalhos, receberam além do teto

Supersalários foram pagos devido a ganhos retroativos

Luany Galdeano
Arthur Guimarães de Oliveira
Idiana Tomazelli
Folha

Seis dos 10 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) receberam verbas acima do teto remuneratório do funcionalismo enquanto já ocupavam cargos na corte, que agora é palco de decisões contrárias ao pagamento de supersalários.

Entre os que embolsaram valores acima do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil, estão Flávio Dino e Gilmar Mendes, autores de liminares que barraram supersalários na administração pública federal, estadual e municipal. Também receberam verbas extras em seus contracheques os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Desde 2019, os adicionais recebidos pelos ministros alcançaram R$ 2,8 milhões, em valores correntes.

LEVANTAMENTO – A Folha fez o levantamento a partir de bases de dados do Poder Judiciário, do Ministério Público e da AGU (Advocacia-Geral da União), que paga a seus integrantes honorários de sucumbência —remuneração recebida por advogados da parte vencedora em um processo judicial e que, na administração pública, são comparados a uma espécie de bônus para os servidores da carreira.

Moraes foi quem recebeu os maiores valores ao longo do período analisado. O ministro, que trabalhou como promotor de Justiça de 1991 a 2002, recebeu ao todo mais de R$ 1 milhão líquido do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) de 2019 a 2026.

Os ministros foram procurados por email e telefone via assessoria de imprensa do STF, mas não retornaram aos questionamentos da reportagem.

EXISTEM ADICIONAIS –  A ministra Cármen Lúcia e o presidente da corte, Edson Fachin, foram procuradores de estado, e Dias Toffoli, advogado-geral da União. A reportagem não identificou penduricalhos pagos aos ministros no período analisado. Cristiano Zanin nunca foi concursado, portanto não teria direito a esses adicionais.

 Os ministros receberam supersalários devido a ganhos retroativos, um dos principais penduricalhos que engordam os contracheques dos magistrados. São conhecidos entre os servidores como “puxadinhos”: os órgãos criam algum benefício adicional a ser pago a seus integrantes e adotam o entendimento de que ele retroage até determinada data do passado, gerando faturas de milhares de reais devidas a um único servidor.

Em fevereiro, uma liminar de Dino barrou verbas pagas acima do teto constitucional e proibiu novas leis que criassem penduricalhos. Outra decisão no STF, esta de Gilmar Mendes, suspendeu os penduricalhos previstos em leis estaduais para integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

VERBAS RETROATIVAS – Dino recebeu valores acima do teto já no cargo na Suprema Corte. Em dezembro de 2024, o ministro, vinculado ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), ganhou quase R$ 30 mil líquidos apenas em valores referentes a verbas retroativas —referentes a direitos não usufruídos enquanto ainda era juiz federal, como férias e folgas —além do salário. Ou seja, naquele mês, Dino recebeu R$ 55 mil líquidos, somando-se a remuneração como integrante do STF.

Além disso, o ministro recebeu supersalários enquanto ainda era governador do Maranhão. Em dezembro de 2020, ganhou R$ 106 mil líquidos, também por causa dos retroativos.

GILMAR BENEFICIADO – Já o decano da corte, Gilmar Mendes, embolsou mais de R$ 880 mil pagos pelo MPF (Ministério Público Federal) desde 2019.

O ministro atuou como procurador da República de 1985 a 1988. Depois, foi cedido para outros órgãos, mas continuou vinculado ao MPF até 2002. No fim de fevereiro, Gilmar liberou, por 45 dias, o pagamento de penduricalhos retroativos reconhecidos administrativamente e já programados para o período. O julgamento final sobre o tema, para tratar das liminares de Dino e do decano do STF, deve ocorrer na próxima quarta (25).

Em novembro de 2020, mesmo mês em que tomou posse como ministro do STF, Kassio Nunes Marques recebeu mais de R$ 277 mil também do TRF-1, onde foi juiz federal de segunda instância.

HONORÁRIOS – Mendonça, por sua vez, foi nomeado ministro do STF em dezembro de 2021. Ainda assim, ele recebeu R$ 175,3 mil, em valores nominais, desde janeiro de 2022. O maior valor foi pago em janeiro de 2025, quando o ministro recebeu R$ 154,8 mil em honorários retroativos, segundo dados do Portal da Transparência.

Moraes, que recebeu os maiores valores no período analisado, hoje é relator de dois recursos em tramitação no Supremo sobre simetria entre o Ministério Público e o Judiciário.

No começo do mês, Moraes mandou os Tribunais Regionais Federais e do Trabalho e os Tribunais de Justiça do país informarem quais são os penduricalhos pagos por equiparação ao Ministério Público ou a outra carreira nos últimos dez anos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNesta quarta-feira o Supremo enfim julgou os penduricalhos, numa decisão meia-sola. Vetou alguns deles, porém manteve outros e a desigualdade salarial continuará sendo uma regra no Brasil. (C.N.)

Os sete recados do STF ao Congresso na decisão que travou a CPI do INSS

Tribuna da Internet | Superpoderes do Supremo minam sua legitimidade, e  está difícil controlá-los

Charge do Mariano (Charge Online)

Carolina Brígido
Estadão

No julgamento que derrubou a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar os trabalhos da CPI do INSS, os ministros embutiram em seus votos recados para o Congresso Nacional. Deixaram, também, mensagens para os próprios colegas, com pistas sobre decisões que devem ser tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um futuro não muito distante.

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1 – LIMITES PARA AS CPIS –
Ministros que formaram a maioria deixaram claro que as CPIs têm poderes limitados. Ao apontarem que o STF pode atender as minorias apenas para a criação de comissões, e não para a prorrogação, os ministros dizem que estão atentos aos limites de prazo das investigações parlamentares e também ao fato determinado. No caso específico, foi enfatizado que a CPI do INSS passou a tratar de outros temas – inclusive do escândalo do Banco Master. Houve crítica generalizada ao vazamento de mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Gilmar Mendes sugeriu inclusive a reforma na legislação sobre CPIs para determinar limites para as investigações

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2 – DIVISÃO DOS PODERES –
Em meio a embates com o Congresso Nacional, o STF sinalizou que existe autocontenção do Judiciário a ponto de não interpretar questões regimentais do Legislativo.

É esse o recado do Supremo ao dizer que a duração das CPIs fica a cargo dos parlamentares.

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3 – FRAUDES DO INSS –
Na decisão, ministros afirmaram que são graves as fraudes ao INSS, mas elas já estão sendo investigados em inquérito aberto no STF. No tribunal, a preferência é que o caso corra no Judiciário e não no Legislativo, para evitar o uso político das investigações em ano eleitoral – inclusive com eventual apuração de menções a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Nos bastidores, há temor de que novos vazamentos atinjam políticos e ministros do Supremo.

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4 – APOIO A MORAES E TOFFOLI – 
O encerramento da CPI do INSS protege Moraes e Toffoli, já que a comissão poderia apurar eventual envolvimento dos ministros no caso Banco Master dentro da comissão – que não tem esse assunto no seu escopo inicial. A proteção aos dois ministros veio por meio dos votos da maioria.


5 – O
SIGILO DE LULINHA – O resultado do julgamento desta quinta-feira, 26, abre caminho para que seja confirmada a decisão de Flávio Dino de anular quebras de sigilo em bloco aprovadas pela CPI. Entre os alvos dos parlamentares, estava o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na decisão, Dino argumentou que não se pode quebrar sigilos de forma indiscriminada, sem justificar individualmente cada medida.

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6 – INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – 
Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino mencionaram o perigo de haver uma investigação com prazo indeterminado. Para Dino, esse tipo de procedimento é típico de regimes autoritários e dão margem para a pescaria probatória – ou seja, uma investigação sem fato determinado com o intuito de encontrar provas de forma aleatória. Gilmar recomendou que se tranque “inquéritos eternos”. Não se sabe se o recado foi para o ministro Alexandre de Moraes, que é relator do inquérito das fake news desde 2019. Sabe-se, no entanto, que dentro e fora do Supremo há críticas contundentes à forma como as apurações são conduzidas nesse caso.

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7 – A DERROTA DE MENDONÇA – 
A votação desta quinta-feira sugere que o maior aliado de Mendonça no STF não é Kassio Nunes Marques, que chegou ao tribunal também por nomeação de Jair Bolsonaro, mas Luiz Fux. O único ministro a concordar com a tese de Mendonça foi Fux. Para a dupla, os direitos das minorias devem ser respeitados não apenas na criação de uma CPI, mas na prorrogação dela. Fux tem sido um aliado de primeira hora de Mendonça em votações da Segunda Turma. Ele foi o primeiro a concordar com o colega na decisão de mandar prender Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em suma, a Ditadura do Judiciário veio para ficar e não aceita a independência harmônica dos três Poderes, criada pela genialidade de Montesquieu. Simples assim. (C.N.)

Vorcaro teve acesso a dados sigilosos do MPF dias após alerta do Banco Central

Sicário enviou a Vorcaro apurações sigilosas

Rafael Moraes Moura
O Globo

Pivô das investigações de uma fraude bilionária, o executivo Daniel Vorcaro teve acesso a procedimentos que tramitavam sob sigilo no Ministério Público Federal (MPF) apenas nove dias depois de o Banco Central alertar os investigadores sobre indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional praticados pelo Banco Master.

Em 24 de julho de 2025, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário”, encaminhou para o celular do banqueiro três procedimentos sigilosos do MPF – inclusive o que apurava irregularidades na compra do Master pelo BRB e levaria Vorcaro a ser detido por policiais federais antes de embarcar num jatinho no aeroporto internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025.

ALERTA – Em 15 de julho de 2025, ou seja, nove dias antes de Sicário enviar os arquivos para Vorcaro em formato PDF, o Banco Central alertou o MPF que havia constatado a “cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Banco Master”, o que configuraria crime contra o sistema financeiro nacional.

O comunicado é previsto em uma lei de 2001, sancionada por Fernando Henrique Cardoso, que prevê que o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem informar ao Ministério Público se verificarem a “ocorrência de crime definido em lei como de ação pública, ou indícios da prática de tais crimes”, como foi o caso.

O sistema do MPF foi acessado indevidamente em 23 de julho de 2025. No dia seguinte, Sicário enviou os arquivos a Vorcaro. De acordo com investigadores, o banqueiro e seus comparsas buscavam as seguintes palavras-chave nos procedimentos sigilosos: “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, apontado pela PF como sócio oculto do banco do executivo.

ACESSO INDEVIDO –  A proximidade das datas entre o alerta do BC ao MPF, em 15 de julho, e o vazamento, em 24 de julho, chama a atenção já que a apuração do caso Master revelou que Vorcaro teve acesso indevido a informações do sistema do MPF, da própria Polícia Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

Sicário foi apontado pela PF como o responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e monitoramento de pessoas consideradas adversárias de Vorcaro, além da “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”, como a remoção de postagens em redes sociais.

Vorcaro também tinha relação próxima com o ex-chefe adjunto do departamento de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana. Os dois foram afastados de suas funções no mês passado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

GRUPO DE WHATSAPP – Belline e Paulo Sérgio tinham um grupo de WhatsApp com Vorcaro para a discussão de estratégias relativas a temas de interesse do Banco Master, em que compartilhavam documentos, informações e pedidos de apoio.

De acordo com a PF, a dupla atuava como “uma espécie de empregado/consultor” de Vorcaro, função incompatível para servidores públicos que eram responsáveis pela supervisão do sistema financeiro e deveriam manter uma postura imparcial.

A relação completa dos alertas feitos pelo BC ao Ministério Público Federal sobre “condutas passíveis de tipificação criminal” no Master foi tornada pública na última terça-feira (24) pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que retirou o sigilo de processos que tramitam no Tribunal de Contas da União (TCU) e apuram irregularidades no banco de Vorcaro, além da atuação da autoridade monetária.

DESVIO DE RECURSOS – Em 17 de novembro de 2025, mesmo dia em que Vorcaro foi preso, o BC fez uma nova comunicação ao MPF, desta vez sobre indícios de crimes de “desvio de recursos e gestão fraudulenta mediante operações de crédito e aquisição de ativos com interposição de extensa cadeia de fundos de investimento”.

Um terceiro alerta foi encaminhado pela autoridade monetária aos procuradores oito dias depois, em 25 de novembro de 2025, quando o Master já tinha sido liquidado pelo BC.

RECICLAGEM – “As evidências colhidas sugerem que os recursos provenientes do Banco Master foram reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas, de modo a conferir aparência formal de autonomia às transações, embora mantivessem a mesma origem e o mesmo beneficiário econômico final”, informou o Banco Central ao TCU, ao prestar esclarecimentos sobre a sua atuação no episódio.

“Tal dinâmica, além de violar princípios de transparência e segregação fiduciária, pode configurar fraude na gestão e simulação de operações financeiras, nos termos da legislação penal aplicável.” Procurada, a defesa de Vorcaro não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e aproxima retorno ao Brasil

Moraes determinou que Zambelli seja custodiada na Colmeia

Deu no O Globo

A Justiça italiana decidiu, na última quinta-feira (26), aceitar o pedido apresentado pelo governo brasileiro de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A decisão ainda precisará ser referendada pelo Ministério da Justiça italiano.

Em dezembro do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que Zambelli seja custodiada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia, caso volte ao Brasil.

RECURSO – Ao O Globo, a defesa de Zambelli afirmou que já está preparando um recurso a ser apresentado à Corte de Cassação, o equivalente na Itália ao STF brasileiro. Os advogados têm 15 dias para elaborarem o pedido.

Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira sentença, que impôs 10 anos de prisão à ex-parlamentar, foi determinada pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi condenada a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Tal sentença, por sua vez, está ligada ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo, com arma em punho, às vésperas das eleições de 2022.

COMO É A COLMEIA –  Localizada no Distrito Federal, a PFDF é um estabelecimento prisional de segurança média destinado a mulheres que cumprem pena em regime fechado, semiaberto e também a presas provisórias que aguardam julgamento. Em situações excepcionais, mediante autorização da Vara de Execuções Penais (VEP), a unidade abriga custodiadas federais.

Em dezembro, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF), cerca de 800 mulheres cumpriam pena no local. A estrutura é organizada em blocos e alas distintas, separando internas conforme o regime de cumprimento da pena, concessão de benefícios externos, vulnerabilidades e necessidades assistenciais, com o objetivo declarado de preservar a integridade física e moral das custodiadas.

A penitenciária conta com salas de aula para alfabetização, ensino fundamental e médio, bibliotecas e oficinas de trabalho. Há cursos profissionalizantes oferecidos em parceria com instituições como Senac, Senai e Instituto Federal de Brasília (IFB), além de atividades produtivas que possibilitam a remição de pena.

ACOLHIMENTO – A Colmeia dispõe de atendimento médico com ginecologia, clínica geral, psiquiatria, psicologia e odontologia, além de assistência pediátrica. Os recém-ingressos passam por uma equipe multiprofissional de acolhimento vinculada à Secretaria de Saúde do DF.

A unidade também mantém alas específicas para gestantes e lactantes, permitindo que mães permaneçam com seus bebês por, ao menos, seis meses. Segundo o governo do DF, as internas recebem enxoval, itens de higiene e acompanhamento pré-natal, com encaminhamento à rede hospitalar em casos de gravidez de risco.

EQUIPAMENTOS –  Na área de segurança, o presídio utiliza equipamentos de body scan e scanners de objetos, além de outros sistemas eletrônicos de monitoramento. De acordo com a Vara de Execuções Penais, nunca houve registro de rebelião na PFDF, e os policiais penais são servidores concursados, submetidos a investigação social e formação específica.

Entre as internas da Colmeia estão mulheres condenadas por crimes que chocaram o Distrito Federal e o país. É o caso de Rosana Auri da Silva Candido e Kacyla Priscyla Santiago Damasceno, condenadas a um total de 129 anos de prisão pela morte do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, em 2015.

O crime, marcado por extrema violência, teve grande repercussão nacional e é frequentemente citado como exemplo da gravidade de casos abrigados na penitenciária. A extremista Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, também foi conduzida à cadeia, suspeita de apoio a atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.

DENÚNCIAS – Apesar da estrutura descrita nos relatórios oficiais, a Penitenciária Feminina do DF também acumula denúncias. Em 2024, uma petição foi protocolada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) relatando supostas práticas de tortura, transfobia e maus-tratos contra presos trans na Colmeia.

O documento descreve episódios ocorridos entre 2019 e 2023, como incitação a ataques por outras internas, agressões verbais, privação de atendimento jurídico e fornecimento de alimentos estragados. As denúncias citam a atuação de agentes penais e o suposto conhecimento da então direção da unidade.

As informações detalhadas sobre a Colmeia, incluindo fotos, descrição da infraestrutura e das rotinas de segurança, foram enviadas pelo STF à Justiça italiana para demonstrar em que condições Carla Zambelli ficaria presa no Brasil.

Brasil será um dos países mais respeitados no mundo do crime organizado, diz Lula

Agência - BOM MOMENTO | O presidente Lula afirmou, nesta quinta-feira (15),  durante a posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington  Lima e Silva, que a política de segurançaDeu na IstoÉ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cometeu uma gafe na terça-feira, 24, ao sancionar o projeto de lei conhecido como “Lei Antifacção”, que cria um marco legal para o combate ao crime organizado no Brasil. Durante a cerimônia, o petista afirmou que a nova legislação é importante “para que o Brasil seja um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado”.

Em outro momento, Lula também parabenizou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e os demais parlamentares envolvidos na aprovação da lei.

OUTRAS MANCADAS – Essa não é a primeira vez que o petista tem uma fala controversa. No fim de 2025, ele disse que traficantes eram vítimas de usuários de drogas. Em seguida, o mandatário usou as redes sociais para esclarecer o ocorrido: “Fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado”.

Após aprovação final do texto pela Câmara dos Deputados no fim de fevereiro, a nova lei foi sancionada pelo presidente Lula e considera facção criminosa toda organização criminosa ou grupo de três ou mais pessoas que empregue violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades. O enquadramento vale ainda quando atacarem serviços, infraestrutura ou equipamentos essenciais.

SEM BENEFÍCIOS – A norma também estabelece que lideranças conectadas a esses crimes deixam de ter benefícios como anistia e indulto, fiança ou liberdade condicional. A progressão de pena fica mais restrita. Em alguns casos, exige-se até 85% do cumprimento em regime fechado.

Os líderes de facções cumprirão pena ou prisão preventiva em presídios de segurança máxima.

A norma também retira o direito de voto nas eleições daqueles detentos que, mesmo sem condenação definitiva, estejam comprovadamente associados a organizações criminosas. E estabelece mecanismos de apreensão de bens ligados ao crime organizado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Duas gafes medonhas por dia. E assim Lula ganha o troféu Piada do Ano com nove meses de antecedência, tipo gestação concebida em uísque escocês, porque se trata de um socialista refinado. E bota refino nisso!!! (C.N.)

Diante de empresários chineses, Lula critica o hábito de comer carne de cães…

Presidente Lula provocou risos ao falar sobre gastos com pets no Brasil — Foto: Reprodução/CanalGov

Todos caíram na risada com a gafe diplomática de Lula

Kellen Barreto
g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou, nesta quinta-feira (26), risos dos presentes no evento de reinauguração do parque fabril da montadora de veículos Caoa em Anápolis (GO) ao falar sobre o aumento dos cuidados e gastos com cachorros no Brasil.

O petista disse que as famílias brasileiras têm tido, cada vez mais, despesas com pets, que incluem clínicas veterinárias, tratamento dentário e banhos semanais.

CACHORRADA – Ao se dirigir a Zhu Huarong, representante de uma fábrica chinesa de automóveis presente ao evento, Lula afirmou que, no Brasil, as pessoas gostam muito de cachorros e disse que os chineses não devem ter “esse problema” de gastos com pets.

“Meu caro Zhu, na China não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro”, disse Lula, arrancando risos da plateia.

Em algumas regiões da China, há uma tradição de consumo de carne de cachorros, sobretudo, em um determinado período do ano. Controversa, a prática tem recebido a oposição da própria população chinesa e, em algumas localidades, tem sido coibida ou desestimulada.

DAVA DE MAMAR – “Eu tive cachorro a vida inteira, só para vocês terem ideia, quando eu casei com a Marisa, eu fui morar numa casa de 33 metros quadrados. Eu, a mãe da Marisa, a Marisa, três filhos e duas cachorras. Eu tive uma dálmata que teve 11 filhotes, e tinha que dar mamadeira para os filhotes porque as tetinhas dela não davam para amamentar tudo. Eu levantava de noite para dar”, prosseguiu Lula.

“Mas, agora, quem tem um cachorrinho tem que levar no dentista para cuidar da boca dele, ninguém aceita que se dê mais resto de comida para o cachorro. Agora não. Agora, os cachorrinhos têm que dormir com a gente. Tem que tá limpinho, dar banho uma vez por semana, levar no veterinário. E tudo isso é um sequestro do nosso salário. E a gente só se dá conta no final do mês”, completou o petista.

Lula fez as falas sobre cachorros quando falava sobre o aumento do consumo das famílias brasileiras. E disse também que o governo tem tomado medidas para evitar que a irresponsabilidade da guerra no Irã cause impactos aos bolsos dos brasileiros.

GUERRA DISTANTE – “Não é possível. O Irã está a 15 mil quilômetros de distância do Brasil. Por que que tem que fazer guerra lá e sobrar para nós? Eu não tenho nada a ver com a guerra no Irã, mas vai sobrar para nós, porque o Brasil importa 30% de óleo diesel”, disse.

O presidente destacou a iniciativa do governo de zerar tributos federais sobre o diesel e cobrir parte dos preços para evitar a elevação do valor do combustível na bomba.

Mas disse que, mesmo com o aumento da fiscalização, “tem malandro no posto aumentando o preço da gasolina e do etanol, que não têm nada a ver com a guerra no Irã, e tem gente aumentando o diesel, mesmo com a gente dando subsídio para não aumentar”.

Lula afirmou que a Polícia Federal e os Procons estão nas ruas para pegar “todas as pessoas que tiram proveito” e prejudicam caminhoneiros e consumidores. “Estamos trabalhando para ver se minimizamos o sofrimento das pessoas”, concluiu.

MELHOR PARCEIRO – Também no discurso durante o evento, Lula disse que a China é o “melhor parceiro” do Brasil.

A declaração foi dada em um momento de tensões na relação bilateral de Brasil e Estados Unidos, país que vê a China como adversário político-econômico.

“Se tiver no Brasil mais empresários na qualidade de vocês, tão jovens e tão comprometidos, e ainda arrumaram um sócio chinês para trazer tecnologia, certamente não teríamos problemas. Vim aqui para dar parabéns. A China é hoje o melhor parceiro do Brasil”, afirmou o presidente, dirigindo-se a Zhu Huarong.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caminhando para os 81 anos, Lula começa a misturar estações e mostra que está perdendo a noção das coisas. Diante de importantes empresários da China, que vieram para inaugurar a fábrica, ele conseguiu desfiar essa coleção de bobagens. Fica claro que está na hora de parar, mas não pode e tem de seguir em frente, porque a sobrevivência do PT depende dele, exclusivamente dele. Sem Lula, o PT não existe. (C.N.)

Leite insiste e critica: “ Há três candidaturas da direita mais radicalizada na eleição”

Eduardo Leite diz ser o único presidenciável de centro no PSD e que continuará no governo do RS se não for o escolhido - Rádio Pampa

Leite ainda sonha em ser candidato pela centro-esquerda

Yago Godoy
O Globo

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou nesta quarta-feira que o PSD deveria lançar uma candidatura de centro à Presidência da República. Segundo o gestor gaúcho, a sigla precisa imprimir sua identidade na política nacional, o que poderia ser conquistado com sua candidatura, definida por ele como distante da radicalização entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após a desistência do paranaense Ratinho Junior, Leite tem como adversário interno o govenador de Goiás, Ronaldo Caiado, nome de direita e alinhado a interesses bolsonaristas, com forte discurso focado na segurança pública.

DISSE LEITE — “Quero muito que a gente possa ter a opção da candidatura de centro, e não simplesmente uma candidatura na esquerda e três candidaturas do lado da direita mais radicalizada” — afirmou Leite, em entrevista concedida à CNN. “Quero ser líder de um projeto que traz o Brasil de volta ao bom senso e ao senso comum. Não há oposição entre ser firme contra o crime ou ser sensível socialmente” — completou.

Leite argumentou que, por ser a primeira vez em que o PSD irá lançar uma candidatura ao Palácio do Planalto, o partido presidido por Gilberto Kassab terá sua identidade reconhecida a partir deste pleito.

Leite reuniu-se nesta quarta-feira com Kassab, em São Paulo, e ouviu que tanto ele quanto Caiado, tido como favorito, seguem cotados para enfrentar Lula em outubro.

IDENTIDADE DO PSD — “Essa primeira candidatura do PSD, no meu entendimento, vai ser definidora da identidade que o partido deseja imprimir na política nacional. E eu entendo que é muito importante que a gente possa colocar o PSD como a real alternativa à polarização” — explicou o governador gaúcho.

Para conquistar o objetivo, Leite defendeu que o nome lançado pelo partido deve “conversar com quem se identifica com a direita”, como em pautas de segurança pública, mas sem perder diálogo com a esquerda, que possui “preocupação com proteção social e a diversidade”.

Em agosto do ano passado, em debate promovido pelo Globo, Caiado chegou a dizer que seu primeiro em um eventual mandato seria a concessão de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

FICA NO CARGO – Caso não seja o escolhido, Leite declarou que irá permanecer no cargo até dezembro. A decisão impacta em sua sucessão no estado, lançada a partir da pré-candidatura do vice-governador Gabriel de Souza (MDB), que enfrenta dificuldades por falta de tração em meio à disputa com outros nomes mais consolidados, como o deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL) e, à esquerda, dos ex-deputados estaduais Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT) — todos aparecem com vantagem sobre Souza nas pesquisas de intenção de voto.

Após a reunião privada realizada na noite de ontem, Kassab afirmou que o partido terá um nome definido para disputar a Presidência até a próxima terça-feira (31)..

— Eu não diria que o PSD é a terceira via. O Brasil precisa de uma alternativa. Não é possível que a gente tenha só duas candidaturas que já tiveram essa oportunidade e que não deram para o Brasil as respostas que o Brasil precisava — declarou Kassab.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jogo já está jogado. Nesta terça-feira, o ex-senador e ex-governador catarinense Jorge Bornhausen disse que o PSD definiu “por unanimidade” a escolha de Caiado. Leite está perdendo tempo e fará muita falta no Senado e na política nacional. (C.N.)

Os anjos reacionários, na visão anárquica do poeta Oswald de Andrade

Tese sobre Oswald de Andrade premiada na USP é lançada em livro – Jornal da  USP

Oswald foi um dos líderes da Semana da Arte Moderna

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta paulista José Oswald de Souza Andrade (1890-1954), foi um dos organizadores da famosa Semana da Arte Moderna. Era inovador e revolucionário em suas poesias, sempre com um toque de anarquia, como se constata no enlouquecido poema “A Família do Burrinho”, em que se inspira na Sagrada Família..

A FAMÍLIA DO BURRINHO
Oswald de Andrade

– Vamos Joseph fugir
– Para onde Maria ir
Joseph (jocoso) – Shall go to Jundi-aí ai!
– Depressa! Sela o Mangarito
Vamos com o vento Sul.
Onde serei cesariada?
– Não presepe
– Tenho medo da vaca
– Não chores darling (terno) Sweepstake de Deus!
Maria – Caí na ilegalidade,
Porque modéstia à parte
Trago uma trindade no ventre.
Nesse tempo não havia ainda as irmãs Dione.
Algumas palavras de inglês conhecendo
A família sagrada partiu,
Sem saudades levar,
Para as bandas do mar
Vermelho.
Na poeira da madrugada
Cruzou um olival
O escaravelho.
– Quantas dracmas serão precisas?,
Exclamou o castiço esposo.
Para esta viagem em torno da lei do mundo
Estamos no século III ou IV da fundação
De Roma.
E só tenho “argent de poche”.
– Não vá faltar Joseph
– Na verdade Deus ajuda…
(os ricos)
– Sonhei que os serafins
Estão bordando uma estrela surda
Para Herodes não ver.
Quero reis magos,
Trenzinho e monjolo
E o retrato de Shirley Temple,
Porque o menino vem
Este mundo salvar.
O vento distribuía algodão pelos açudes
Joseph espancou o burrinho
E riu:
– Belo mundo ele vem salvar!
(Já havia naquele tempo
Pouco leite para os bebês)
– Se faltar numerário
Eu carrego na centena do Mangarito
E dou um viva ao faraó Hitler…
(Antes que ele faça comigo
O Progrom que fez com Moisés)
– Oportunista! gritou uma nuvem.
Joseph fingiu que não ouvia
– A vida é um buraco
Enquanto não vier Maria
A socialização
Dos meios de produção.
– Besta! gritou um anjo.
São José seguiu pensando
Que os anjos geralmente são reacionários

Eduardo Bolsonaro acusa Moraes de bloquear contas e “asfixiar” sua família

Senado aprova reajustes e novos cargos no Judiciário com impacto bilionário até 2028

Todo enrolado no caso do banco Master, Ibaneis Rocha deixa Brasília abandonada

Quase oito anos de governo e Ibaneis Rocha deixa o Palácio do Buriti com a  sensação de que algo ficou mal explicado. O balanço do período, visto com  certo distanciamento, é um

Charge reproduzida do Diário de Ceilândia

Vicente Limongi Netto

Todo enrolado no caso do Master, socorrido pelo Banco Regional de Brasília, cujo presidente foi por ele nomeado, além dos contratos milionários com seu escritório de advocacia, administrado pelo filho, o patético governador Ibaneis Rocha agora dedica todo o tempo útil à sua defesa e à campanha para o Senado.

Com isso, a administração da Brasília ficou abandonada. Em vez de abrir novas frentes de obras, para impressionar o eleitor, o desgoverno do caolho deveria priorizar a finalização das obras existentes.

AO ABANDONO – A população corre o risco de várias obras de infraestrutura urbana serem paralisadas.

O vazio administrativo é brutal.  O cidadão brasiliense já pode verificar interrupções de obras em diferentes pontos. Uma lástima!

O saudoso, eterno e amado Juscelino Kubitschek protesta do céu.  O pior é que a lesma piauiense ameaça deslustrar o Senado.  E o busto de Ruy Barbosa no plenário da Câmara Alta fecha os olhos. De tanta vergonha. 

Guerra despropositada, opinião pública e o velho dilema americano

Trump envia sinais contraditórios ao mundo

Pedro do Coutto

Enquanto cerca de 61% dos americanos rejeitam a guerra contra o Irã, o presidente Donald Trump envia sinais contraditórios ao mundo: fala em negociação, acena com planos de paz, mas amplia a presença militar no terreno. O movimento não é novo na história dos Estados Unidos — mas o contexto atual revela algo mais profundo do que uma simples estratégia de pressão diplomática. Trata-se de um desalinhamento crescente entre governo e sociedade, entre discurso e prática, entre poder e legitimidade.

Pesquisas recentes indicam que a maioria da população considera que a ação militar foi excessiva ou mal conduzida, além de temer seus impactos diretos — especialmente econômicos e de segurança. Cerca de 61% desaprovam os ataques, e uma parcela significativa acredita que o conflito pode tornar o país menos seguro . Outros levantamentos reforçam essa tendência: mais da metade dos americanos se opõe à intervenção militar, e quase três quartos rejeitam a hipótese de envio de tropas terrestres . A resistência não é apenas ideológica — é histórica.

EXPERIÊNCIAS – Há um eco evidente de lições históricas como a Guerra da Coreia e, sobretudo, a Guerra do Vietnã. Em ambos os casos, o apoio inicial à intervenção foi sendo corroído à medida que os custos humanos, políticos e econômicos se tornaram visíveis. O padrão se repete: entrada baseada em justificativas estratégicas, dificuldade de definição de objetivos claros, prolongamento do conflito e, por fim, desgaste interno.

No caso atual, o problema central parece ser a ausência de uma narrativa convincente. Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores não acredita que o governo tenha explicado de forma clara as razões para a ação militar . Em política externa, especialmente em cenários de guerra, legitimidade não é apenas uma questão internacional — é, antes de tudo, doméstica. Sem ela, qualquer operação tende a se tornar politicamente insustentável.

AMBIGUIDADE – Ao mesmo tempo, a estratégia de Washington revela uma ambiguidade clássica: negociar sob pressão militar. A Casa Branca sinaliza abertura a acordos, enquanto amplia sua capacidade de dissuasão no terreno. Esse tipo de postura, historicamente, busca forçar concessões do adversário, mas carrega um risco evidente: ser percebido como incoerente ou pouco confiável. Do lado iraniano, a reação já indica ceticismo em relação às intenções americanas, interpretando os gestos diplomáticos como táticos, não genuínos .

Internamente, o custo político cresce. A elevação dos preços de energia, a incerteza sobre a duração do conflito e o temor de escalada ampliam o desgaste do governo. A história americana mostra que guerras distantes geograficamente podem se tornar profundamente próximas quando atingem o bolso e a segurança do cidadão comum. Foi assim no Vietnã. Foi assim no Iraque. E os sinais atuais apontam para uma repetição desse ciclo.

DILEMA – Mais do que um erro tático, o que se observa é um padrão estrutural: a dificuldade dos Estados Unidos em traduzir superioridade militar em estabilidade política duradoura no Oriente Médio. A tecnologia evoluiu, os métodos mudaram, mas o dilema permanece. Intervir é relativamente fácil; controlar as consequências é outra história.

No fundo, a questão que se impõe não é apenas se a guerra é justificável, mas se ela é sustentável — politicamente, economicamente e socialmente. E, sobretudo, se há coerência entre os objetivos declarados e as ações executadas.

A opinião pública americana parece já ter dado sua resposta. Resta saber se Washington está disposto a ouvi-la — ou se, mais uma vez, insistirá em repetir os erros do passado.

Blindagem em Brasília trava CPI do INSS e protege caso Master

Fim de carreira! Pesquisa mostra Lula rejeitado por 61% e aprovado por apenas 31%

TRF4 rejeita por unanimidade recursos de Lula e de Cunha contra condenações

Lula radicalizou o discurso, mas a estratégia está falhando

Jonathan Karter
Poder360

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, chega a pouco mais de 6 meses do 1º turno da eleição presidencial desaprovado por 61% dos brasileiros e aprovado por apenss 31%. É a maior taxa já registrada desde março de 2024 – quando a pesquisa começou a ser feita com duas perguntas binárias: se o eleitor aprova ou desaprova tanto o desempenho pessoal do presidente como o do governo.

A avaliação que os eleitores fazem do petista é pior do que a que fazem do governo como um todo. No caso da administração federal, 57% desaprovam e 37% aprovam. Os dados são de pesquisa do PoderData realizada de 21 a 23 de março de 2026.

EM QUEDA LIVRE – As curvas do infográfico do histórico da avaliação do desempenho de Lula mostram que, em 2 anos, de março de 2024 a março de 2026, a percepção da população sobre o trabalho do presidente se deteriorou. À época, o gap entre os que aprovavam e desaprovavam Lula era de 11 pontos. Agora, essa diferença quase triplicou: são 30 pontos.

A avaliação do governo como um todo também oscilou desfavoravelmente ao petista, mas menos do que no caso do desempenho pessoal do presidente. A aprovação da administração federal está no menor patamar desde o início do mandato e a desaprovação subiu 6 pontos percentuais desde setembro de 2025.

Infográfico mostra que o governo é mais bem avaliado do que o presidente Lula (PT)BOCA DE JACARÉ – A chamada boca do jacaré – a diferença entre os que aprovam e desaprovam a atual gestão de Lula – está bem aberta: 20 pontos percentuais separam as duas curvas, de aprovação e de rejeição ao governo petista.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 21 a 23 de março de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 132 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A pesquisa pegou o Planalto de surpresa, porque nas últimas semanas Lula radicalizou ao máximo o discurso, na tentativa de recuperar a popularidade, mas essa estratégica não está dando resultados. Os números demonstram claramente uma fortíssima rejeição a Lula, que tem de ser revertida de qualquer jeito, caso contrário ele perderá a eleição no segundo turno, seja para Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite, Romeu Zema ou qualquer outro que se defrontar com o petista, que está entrando em visível final de carreira. (C.N.)

Promiscuidade indica que delação de Vorcaro poderá se tornar uma farsa brutal

Moraes e PF antecipam conclusão ao atrelar atentado ao 8/1 - 17/11/2024 - Poder - Folha

Andrei (investigador) e Moraes (investigado) na mesma mesa

 

Carlos Newton

A colaboração premiada, prevista na Lei 12.850/2013, nasceu como instrumento de revelação da verdade. Mas não foi isso que ocorreu na operação Lava Jato. Foi  anulada uma quantidade enorme de delações e os colaboradores passaram a gozar de impunidade junto com os delatados. No final do filme, todos escaparam.

José Luís Oliveira Lima, o experiente advogado de Daniel Vorcaro. conhece bem essa realidade, pois coordenou a delação de Leo Pinheiro, que comandava a OAS. O empreiteiro delatou nada menos que Lula, mas anos depois confessou que era tudo mentira.

TOFFOLI, TAMBÉM – O mesmo empreiteiro Léo Pinheiro já havia delatado o Ministro Dias Toffoli e deve ter se retratado nisso também, porque não gerou investigação alguma.

Agora. Vorcaro promete delatar prefeitos, governadores, deputados, senadores, dirigentes do Banco Central, e provavelmente vai entregar até seus sócios e secretárias. O difícil mesmo será vermos Vorcaro delatar ministros do Supremo Tribunal Federal perante o procurador-geral da República e o diretor da Polícia Federal.

Em recente festividade, na comemoração do aniversário do ministro aposentado Luís Roberto Barroso, em sua residência, em Brasília, lá estavam Alexandre de Moraes e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues,  na mesma mesa, junto com o deputado Hugo Motta e o senador Rodrigo Pacheco, como se o ministro do STF não tivesse relação alguma com as investigações em curso pela PF. 

MINISTROS INTOCÁVEIS – Não é fácil realmente o papel do advogado de Vorcaro. Melhor delatar o Congresso Nacional inteiro e deixar ministros do STF de fora. A delação garante o direito de retomar para casa e uma substancial redução da pena.

Provavelmente nenhuma autoridade estará preocupada com questões patrimoniais secundárias, como a devolução dos recursos desviados. Dirão que é um problema cível, enquanto a delação seria apenas criminal.

O fato concreto é que não se pode descartar que Vorcaro ainda saia bilionário desse imbróglio. E quem sabe tenha participação em direitos na venda de informação para produzir alguma série para a Netflix, onde as festas, orgias, sexo, drogas e rock and roll farão muito sucesso.

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P.S.
  – Sinceramente, Luís Roberto Barroso prestou um tremendo desserviço ao país. Como se atreveu a convidar para a mesma festa o investigador e o investigado? Por que colocá-los na mesma mesa? Essa promiscuidade é altamente lamentável e perigosa, pois demonstra que a delação de Vorcaro pode ser uma farsa monumental. O festivo episódio indica que as autoridades carecem de dignidade, de dedicação à lei e de respeito ao interesse público. É única leitura que se pode fazer desse tipo de episódio. (C.N.)

Lula vai se reunir com Alcolumbre para enviar indicação de Messias ao STF

Lula e Alcolumbre devem se reunir nesta quinta-feira

Victoria Azevedo
Luísa Marzullo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a aliados nos últimos dias que deverá enviar ao Congresso Nacional nos próximos dias a mensagem com a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com aliados do petista, há uma expectativa de que ele se reúna na quinta-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar do tema.

De acordo com relatos, um grupo de ministros do governo e lideranças do Congresso se reuniu com Lula nesta semana e tratou desse assunto, entre outras questões do cenário político. Um dos presentes afirma que eles levaram ao presidente a preocupação com o tensionamento entre Planalto e Alcolumbre e afirmaram que era momento para que isso fosse resolvido, diante da preocupação de o STF ficar com um ministro a menos em meio ao avanço das investigações do caso Banco Master.

MENSAGEM AO CONGRESSO – Esse político diz que um dos presentes afirmou a Lula no encontro que era preciso o presidente tirar esse problema do colo dele e enviar a mensagem ao Congresso, ainda que o cenário não esteja confortável para Messias. Alcolumbre foi informado dessa conversa.

Parlamentares da base dizem acreditar que, apesar de resistências pontuais, o nome de Messias é viável e deve avançar no Senado, desde que o governo atue para garantir um ambiente político favorável à sabatina e à votação em plenário. A leitura predominante é que Lula busca evitar novos ruídos e assegurar uma aprovação sem sobressaltos.

ARTICULAÇÃO –  Ainda não há clareza, no entanto, de quando essa sabatina será marcada. Alcolumbre já havia indicado a integrantes do governo que deixaria esse processo para acontecer somente após as eleições, em outubro. Um aliado do presidente do Senado, no entanto, diz que há um movimento para tentar convencer o senador do contrário, já que o Congresso deverá ficar esvaziado a partir de junho por causa do processo eleitoral.

Apesar de governistas falaram em um clima mais favorável a Messias hoje no Senado de quando ele foi anunciado no ano passado, aliados mais próximos de Alcolumbre falam o contrário: eles dizem que há uma insatisfação da cúpula da Casa com a atuação da Polícia Federal e dizem enxergar influência do Planalto e de Lula no avanço de investigações que miram parlamentares. Interlocutores do governo federal no Congresso, por sua vez, dizem apostar nessa conversa de Lula e Alcolumbre para melhorar o ambiente para o chefe da AGU.

Nos bastidores, aliados do presidente também afirmam que o envio da indicação neste momento funciona como um gesto político ao Senado — inclusive ao próprio Alcolumbre — ao permitir que a Casa exerça seu papel constitucional na análise do nome, mesmo diante do risco de rejeição. A avaliação é que, ao formalizar a indicação, Lula divide a responsabilidade pela decisão e ajuda a reduzir a tensão acumulada nos últimos meses.

ANÚNCIO HÁ QUATRO MESES –  Lula anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em 20 de novembro, contrariando Alcolumbre e a cúpula do Senado, que apostavam no nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto –o senador foi um dos principais pontos de governabilidade do Executivo no Congresso neste Lula 3.

O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em 10 de dezembro, prazo considerado apertado para governistas. Diante dessa resistência e de um cenário desfavorável para o chefe da AGU, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo.

Alcolumbre e Lula se reuniram em dezembro e deram início a uma reaproximação, após ficarem mais afastados. Aliados dos dois políticos dizem que eles se falaram pelo telefone, mas não tinham se reunido para tratar especificamente de Messias. A previsão é que esse encontro ocorra na quinta, já que o petista está fora de Brasília nesta quarta, cumprindo agendas em São Paulo. Esse encontro, no entanto, já foi adiado outras vezes.

Piada do Ano! Supremo elimina alguns penduricalhos e mantém os principais

Minha charge de hoje na @folhadespaulo

Charge do Jean Galvão (Folha)

Fausto Macedo, Felipe de Paula e Lavínia Kaucz
Estadão

O plenário do Supremo Tribunal Federal determinou, nesta quarta-feira, 25, a extinção de 15 penduricalhos do funcionalismo público, manteve oito verbas indenizatórias e fixou que a soma dessas parcelas não poderá ultrapassar 35% do subsídio bruto, mantido pela Corte em R$ 46.366,19 – teto do funcionalismo pago aos ministros do STF.

As normas compõem um regime de transição que valerá até que o Congresso edite lei para estabelecer quais parcelas indenizatórias serão cabíveis para as carreiras de Estado.

PRÓS E CONTRAS – Os ministros vetaram pagamento em dinheiro de licença-prêmio, licença compensatória por plantão judiciário ou audiência de custódia, mas discretamente mantiveram vivo o maior penduricalho da magistratura e das procuradorias – a conversão em dinheiro das férias ‘vendidas’.

Os magistrados e os promotores e procuradores têm dois meses de férias anuais. Sob alegação de ‘acúmulo’ de trabalho eles desfrutam de apenas um mês de férias. O outro mês é ‘vendido’ à Corte ou ao MP, elevando seus contracheques a até quatro vezes o teto salarial pago ao funcionalismo.

De acordo com os ministros, a proposta feita no voto acarreta uma economia de R$ 566 milhões por mês aos cofres públicos

TEMPO DE SERVIÇO – O Supremo manteve a chamada parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira, que funciona como um adicional por tempo de serviço. Esse valor poderá ser pago tanto para quem está na ativa quanto para aposentados e será calculado em 5% sobre o subsídio a cada cinco anos de atuação em atividade jurídica, podendo chegar ao limite de 35%.

Os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, relatores da proposta do regime de transição, apresentaram um voto conjunto para limitar a proliferação dos adicionais pagos a membros dos Três Poderes. Eles são relatores de diferentes ações que tratam sobre benefícios à magistratura e ao Ministério Público.

De acordo com os relatores, a proposta feita no voto acarreta uma economia de R$ 566 milhões por mês aos cofres públicos (ou R$ 6,8 bilhões ao ano), sendo R$ 326 milhões relacionados aos pagamentos a juízes e R$ 240 milhões em relação aos promotores e procuradores do Ministério Público. A comparação é em relação à média paga aos juízes e procuradores em 2025.

TOTAL TRANSPARÊNCIA? – Os ministros votaram para estabelecer uma remuneração padronizada no Judiciário e no Ministério Público e defenderam “total transparência” sobre os valores pagos a juízes e procuradores.

Segundo o relatório, tribunais, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas, Defensorias e a Advocacia Pública deverão publicar mensalmente, de forma detalhada, os valores recebidos por seus membros, com a discriminação de cada rubrica. Hoje, no entanto, portais de transparência enfrentam instabilidades, dificuldades para o cruzamento de dados e dispersão de informações sobre as remunerações.

A gratificação por acúmulo de função só será paga quando o juiz ou membro do Ministério Público atuar ao mesmo tempo em mais de uma unidade, como duas varas diferentes, juizados especiais ou turmas recursais. O pagamento não será permitido quando o acúmulo envolver atividades normais do cargo, como participação em sessões, julgamentos, comissões internas ou órgãos administrativos dos tribunais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, pode-se dizer que o Supremo não teve coragem nem espírito público para defender a Constituição. O fato é que, para não haver dúvidas, os constituintes fixaram em dois artigos diferentes o rigorosíssimo teto salarial do serviço público. Mas o Supremo, no passar dos anos, foi fingindo não “entender” essa determinação. Hoje, os juízes brasileiros estão entre os mais caros e bem pagos do mundo, com salários e benefícios superiores aos de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e França, chegando a ganhar até seis vezes mais do que autoridades judiciárias máximas em países da Europa, como Portugal, enquanto quase a metade da população continua sem contar com saneamento básico. Ah. Brasil…!!! (C.N.)

Suspense total! Os dias passam e a delação de Vorcaro ainda está sendo “negociada”

O SISTEMA ESTÁ EM EBULIÇÃO EM BRASÍLIA! ⚖️💣 A manutenção da prisão de Daniel Vorcaro (ex-Banco Master) colocou a República em alerta máximo. O cenário neste mês de março de 2026 é

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Deu na Folha

A informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu fechar com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) um acordo de delação premiada aumentou o clima de tensão em Brasília com possíveis novas revelações sobre o escândalo do Banco Master.

A avaliação na classe política, jurídica e empresarial é a de que as revelações podem provocar danos em todas as vertentes. A eventual delação tem potencial de atingir integrantes do governo Lula (PT), do Congresso, da cúpula dos partidos do centrão, da oposição e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de outras instâncias do Judiciário.

IMPACTO ELEITORAL – Entre os políticos, a principal preocupação é que as investigações invadam o período de campanha e que as repercussões da delação afetem o xadrez eleitoral, com denúncias e operações policiais ao longo do pleito. O ministro André Mendonça, relator do processo no STF, já afirmou a auxiliares que não pretende suspender as apurações durante a eleição.

No Congresso e no Judiciário, há críticas sobre o que veem como vazamentos seletivos de informações por parte da polícia, como forma de ganhar apoio popular para investigar autoridades. Há a percepção de que revelações sobre as festas luxuosas de Vorcaro, com gastos milionários, popularizaram e atraíram atenção para o escândalo, que, até então, era de conhecimento restrito a quem acompanha o mercado financeiro.

Congressistas ouvidos pela Folha preveem que os presidentes dos dois maiores partidos do centrão devem ser atingidos: Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Em conversas com aliados, eles confirmam as relações pessoais com Vorcaro, mas negam transações financeiras.

FOTOS DA FESTAS – O ex-banqueiro participava e patrocinava eventos e festas com autoridades. De acordo com relatos, Nogueira e Rueda defendem em conversas reservadas que a participação em festas não é crime e que todos os políticos desejavam se aproximar de Vorcaro na época. 

Há um receio, no entanto, do vazamento de fotos e conversas pessoais que podem ser exploradas por adversários para constrangê-los na campanha.

Aliados do presidente Lula também buscam blindá-lo e investem no discurso de que foi seu governo que desbaratou esquemas herdados da gestão Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (19), ele disse em discurso: “Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central”.

DIREITA FESTEJA – Entre políticos da direita e bolsonaristas, a negociação para a delação foi comemorada e a esperança é de que sejam atingidos nomes do centrão e da esquerda, mas principalmente ministros do STF. O discurso de membros do PL, por exemplo, é o mesmo que embasou os pedidos de CPI do Master protocolados com objetivo de que tudo deve ser investigado.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, escreveu: “Por favor, Vorcaro, delate todo mundo! Sejam políticos, pastores, empresários, ministros do STF etc. Em nome de Jesus”.

Parte do bolsonarismo ainda desconfia que Vorcaro pode tentar poupar as relações com ministros da Suprema Corte e entregar apenas políticos. Também há receio de que uma delação que implique o STF ou a própria Procuradoria-Geral da República não seja homologada, numa tentativa de blindagem às autoridades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Por enquanto é tudo especulação. Há delações que realmente são amplas e completas, como a dos empreiteiros na Lava Jato. Outras são falsas e incompletas, como as do tenente-coronel Mauro Cid, que teve de fazer 14 depoimentos, para corrigir ou completar declarações anteriores, misturando verdades e mentiras. E ele mentiu e omitiu, porque em nenhum momento revelou a informação de que Bolsonaro tinha desistido do golpe, conforme ficou comprovado com as gravações de conversas de coronéis envolvidos. Mas quem se interessa? Aliás, é preciso reconhecer que não será surpresa se os ministros do Supremo encontrarem uma forma de escapar. (C.N.)

Lulinha era “assessor” da Fictor, a financeira que fingiu “comprar” o banco Master

Tribuna da Internet | CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do  sigilo bancário de Lulinha

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Alexa Salomão
Folha

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, é muito ligado ao empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor, e atuou como consultor do grupo. Nesta quarta-feira (25), Rubini e acionistas da Fictor foram alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes bancárias associadas ao Comando Vermelho.

A relação de Lulinha com a Fictor foi mais próxima em 2024, segundo relato de duas pessoas que trabalharam para empresas do grupo e falaram na condição de não terem o nome citado. Contam que, para não chamar a atenção, Lulinha até restringiu visitas aos escritórios. No entanto, ainda foi visto na empresa no ano passado.

SEM COMENTÁRIOS – Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da Fictor afirmou que esse tema deve ser tratado com Rubini. A assessoria do executivo, por sua vez, disse que ele não vai comentar sobre esse assunto.

Segundo esses executivos, Lulinha foi contratado para fazer a aproximação da Fictor com o governo. Eles também afirmam que foi a partir desse trabalho que Rubini foi indicado para integrar o chamado Conselhão, o Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, um órgão consultivo da Presidência da República.

No entanto, a Secretaria de Relações Institucionais, órgão da Presidência da República, tentou desmentir a informação, dizendo que “Rubini não foi indicado por Fábio Lula da Silva para integrar o Conselhão”.

GANHOU VISIBILIDADE – A relação com o filho do presidente também abriu caminho para Rubini participar do Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics no Senado. Por transitar no mercado financeiro, foi visto como uma pessoa importante para contribuir com temas dessa área.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, criador do Grupo Prerrogativas, que defende o filho do presidente nas investigações sobre fraudes no INSS, confirmou à Folha que Lulinha conhece Rubini, mas negou que ele tenha tido relações de trabalho com a Fictor ou intercedido para que Rubini ocupasse cargos no setor público.

“Essa é mais uma tentativa de colocar Fábio no meio de um escândalo”, afirmou. Carvalho disse ainda que Lulinha vive na Espanha desde 2024.

NO CASO MASTER – Rubini ficou como sócio e no comando da Fictor Invest, braço de investimentos do conglomerado, até abril de 2025 e permaneceu como conselheiro até outubro.

Em novembro, a Fictor anunciou uma tentativa de compra do Banco Master, na véspera de o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez.

Mas o grupo não tinha a menor condição de assumir o Master, pois entrou em recuperação judicial no dia 2 de fevereiro deste ano, declarando dívidas acima de R$ 4,2 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, a República está apodrecida. Onde se lê que o filho do presidente “vive na Espanha”, deve-se ler que ele “está foragido na Espanha”, sob os auspícios dos estelionatários internacionais do grupo OEI, que faturaram cerca de R$ 1 bilhão no Brasil em 2025, prestando “serviços” ao governo de Lula, governadores e prefeitos, como Eduardo Paes, do Rio de Janeiro. Somente na organização da COP30, que foi um fenômeno de desorganização, a OEI levou, limpos, cerca de R$ 400 milhões, sem impostos, por ser uma entidade internacional. A coordenadora da OEI no Brasil é Janja da Silva, e fica tudo em família. Mas quem se interessa? (C.N.)