Decisão da Assembleia que libertou Picciani, Melo e Albertassi pode ser revertida

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Wagner Montes, de visual novo, presidiu a sessão

Merval Pereira
O Globo

Confirmado o previsível comportamento corporativo e autodefensivo da maioria dos deputados na Assembléia Legislativa do Rio, liberando seus companheiros presos e devolvendo-lhes os mandatos que haviam sido suspensos pela Justiça, resta agora a reação dos diversos órgãos do Judiciário envolvidos para que a moralidade pública seja restabelecida.

O fato, ressaltado por muitos deputados, de que Jorge Picciani é o presidente da Assembléia, Paulo Mello é presidente da Comissão de Orçamento e Edson Albertassi preside a Comissão Constituição e Justiça só diz mal da própria Assembléia, e agrava mais os crimes de que são acusados.

TRF-2 E SUPREMO – O relator do caso no Tribunal Regional Federal-2, Abel Gomes, deve pedir nova convocação da Seção Especializada da corte, para decidir as medidas cabíveis. Também o Supremo Tribunal Federal (STF), se acionado, deve anular a sessão da Alerj, pois a maioria dos ministros está incomodada com o fato de que a decisão do plenário, atribuindo ao Poder Legislativo a palavra final sobre a aplicação de medidas cautelares contra parlamentares, que acabou liberando o senador Aécio Neves, esteja sendo usada em diversas assembléias estaduais para liberar políticos condenados.

O ministro Marco Aurélio Mello já expressou esse descontentamento afirmando que a decisão do Supremo vale apenas para a Câmara e o Senado federais. De maneira geral o sentimento é de que as Assembléias Legislativas estão “extrapolando” a decisão do STF. De fato, parece haver motivos jurídicos de sobra para contestar a decisão da Assembléia Legislativa do Rio.

CUNHO PROCESSUAL –  Cosmo Ferreira, advogado criminal, ex-promotor de Justiça do Rio e ex-procurador regional da República ressalta que medidas cautelares, tais como prisão preventiva e afastamento do cargo, são matérias de cunho processual. O artigo 22 da Constituição Federal, diz que “Compete privativamente à União legislar sobre: I – direito civil, comercial, penal, processual (…)”. “Assim, não cabe às constituições estaduais legislarem sobre o tema, se o fizerem as normas são nulas”.

No caso, diz ele, não tem aplicação o princípio da simetria, como alegaram vários deputados. Portanto, as assembléias legislativas não têm o poder de decidir sobre aquelas medidas impostas pelo Judiciário.

OPINIÃO DE BÉJA – Também o advogado Jorge Béja considera “absolutamente inconstitucional” essa votação que a Assembléia do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou sobre os decretos prisionais que o Tribunal Regional Federal do Rio (TRF-2) impôs ao trio de deputados.

Béja acha que a Procuradoria Regional da República deve voltar ao TRF para invalidar a votação da Alerj e reconduzir ao cárcere os três prisioneiros. Ele explica: quando o artigo 27, parágrafo 1º da Constituição Federal manda aplicar aos deputados estaduais as mesmas regras de inviolabilidade e imunidade de que desfrutam deputados federais e senadores, “não significa dizer que decreto de prisão em flagrante por crime inafiançável de deputado estadual também precisa depois passar pelo crivo da maioria da Assembléia Estadual, para mantê-lo ou cassá-lo”.

BENESSE ODIOSA – Essa benesse constitucional, que Béja considera “odiosa, servil, medonha e nada republicana” é, segundo ele, concedida apenas ao Parlamento federal. Ao garantir aos deputados estaduais as mesmas inviolabilidades e imunidades dos deputados federais e senadores, a Constituição está se referindo às inviolabilidades e imunidades civil e penal “por qualquer de suas opiniões, palavras e votos”, conforme o artigo 53 da Magna Carta.

“Portanto, não é o caso dos gravíssimos crimes que esse trio cometeu, segundo apurado e comprovado pela Procuradoria Regional da República, Polícia Federal e Receita Federal”.

Burzaco, “homem-bomba” da Fifa, incrimina os dirigentes da CBF e a TV Globo

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Burzaco já prestou quatro depoimentos explosivos

Silas Martí
Folha

O homem que desabou em lágrimas no julgamento do escândalo de corrupção da Fifa, em Nova York, já foi uma das figuras mais poderosas do futebol na América do Sul. Na cadeira de testemunha da acusação, onde deu o depoimento mais bombástico do caso até o momento, Alejandro Burzaco chorou ao relatar ameaças de morte que diz ter recebido na Argentina e ao lembrar como sua vida virou do avesso há dois anos.

Ele não esquece o dia no fim de maio de 2015 em que policiais prenderam sete dirigentes do futebol mundial num hotel de luxo em Zurique, na Suíça, detonando a atual investigação da Justiça dos Estados Unidos.

PRISÃO DE MARIN – Burzaco estava no restaurante do Bar au Lac e viu de perto a captura de José Maria Marin, ex-presidente da CBF acusado de receber propina em negociações de contratos da Fifa – um dos três réus desse caso, ao lado do paraguaio Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol, e do peruano Manuel Burga, ex-chefe do futebol de seu país, que ainda se declaram inocentes.

No comando da Torneos y Competencias, empresa de marketing esportivo de Buenos Aires, o empresário argentino disse ter distribuído ao longo das últimas duas décadas pelo menos US$ 160 milhões em propina de grupos de mídia a 30 poderosos da Conmebol, confederação que gerencia o futebol na América do Sul, e dirigentes do esporte, irrigando uma extensa rede de crimes financeiros.

Seus tentáculos tocavam todos com algum poder na indústria do futebol, dos dirigentes da Fifa em Zurique a poderosos da TV no Brasil, no México e nos Estados Unidos, além de políticos da região.

VIDA DE REI – Burzaco, que dava ingressos da Copa do Mundo ao presidente paraguaio e diz ter tentado armar um encontro entre executivos da Fox e Cristina Kirchner, então no comando da Casa Rosada, dizia estar acostumado com um “tratamento presidencial”.

Ele voava de jatinho entre encontros da Fifa, ficava hospedado em hotéis transbordando de estrelas e fechava negociatas de milhões de dólares em jantares no Cipriani, no Copacabana Palace, no Rio, e no Al Hamra, no bairro de Mayfair, em Londres.

Na corte do Brooklyn, Burzaco parecia frio relembrando esses encontros e os cifrões associados a eles, mas também deixou transparecer seu lado mais argentino ao dizer a um dos advogados que o River Plate era o “melhor clube do mundo” e que “Argentina e Brasil” – nesta ordem – tinham as melhores seleções da América do Sul.

MENINO RICO – Muito antes de se apaixonar por futebol e se tornar um dos nomes centrais do desvio de verbas na indústria desse esporte, no entanto, Burzaco já somava poder e dinheiro.

Ele estudou no St. George’s College, um colégio interno para filhos da elite argentina, teve uma ascensão meteórica no Citibank, onde ganhou seus primeiros milhões negociando fusões e aquisições nos anos de privatização de estatais em seu país, e só depois passou a investir em futebol, comprando uma parte da Torneos y Competencias.

Em 2004, o ano em que entrou para a empresa de marketing esportivo que viria a controlar pouco depois, Burzaco já tinha acumulado uma fortuna de US$ 30 milhões.

ASCENSÃO E QUEDA – Mas sua verdadeira ascensão financeira – e entrada no mundo do crime – coincidiu com o momento em que o governo argentino estatizou os direitos de transmissão de futebol no país e escolheu a Torneos como responsável pela negociação deles no exterior.

Enquanto delata seus ex-amigos, Burzaco aguarda uma sentença – ele sabe que pode pegar até 60 anos de prisão. Sua única esperança, ele disse no tribunal, é de um dia poder voltar para casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A cada depoimento de Buzarco, complica-se a situação dos dirigentes da CBF e da TV Globo, que se associaram movidos a propinas, para garantir o monopólio na transmissão dos jogos da seleção brasileira . (C.N.)

Como Jorge Béja previu, o Supremo deverá anular a votação da Assembleia

Charge do Bier (Arquivo Google)

Bernardo Mello Franco
Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) pode anular a votação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que libertou e devolveu o mandato aos três deputados presos pela Operação Cadeia Velha. A corte deve ser acionada para discutir o caso nos próximos dias. Nesta sexta-feira (17), dois ministros indicaram à Folha que a decisão pode ser declarada inconstitucional.

Se isso ocorrer, a sessão será anulada e os deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB fluminense, terão que voltar para a cadeia.

CASO AÉCIO – Ao salvar os peemedebistas, a Assembleia evocou o julgamento do STF que autorizou o Senado a devolver o mandato de Aécio Neves (PSDB-MG), em outubro.

Na ocasião, a corte estabeleceu que Câmara e Senado têm poder para revogar medidas cautelares, como a suspensão da função pública e o recolhimento domiciliar.

O Legislativo fluminense também evocou a Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que nesse ponto segue a Carta federal. O artigo 102 do texto estabelece que o plenário da Casa deve ser consultado para confirmar ou revogar a prisão de deputados estaduais.

SÓ FEDERAIS – Para o ministro Marco Aurélio Mello, a decisão não se aplica a deputados estaduais e vereadores. “O Supremo se pronunciou a partir de norma da Constituição estrita a deputados federais e senadores. Nada além disso”, disse.

O ministro falou com a reportagem horas antes da votação na Assembleia. Ao ser questionado se a sessão poderia ser anulada no STF, ele foi irônico. “Espero que tenham juízo e que isso não chegue ao Supremo”, disse.

PRISÃO – Para o ministro Marco Aurélio, o Supremo terá que julgar se a regra viola a Constituição Federal. Ele lembrou um precedente desfavorável a Picciani: em maio, o STF invalidou normas estaduais que impediam a abertura de ações contra governadores sem aval das Assembleias.

Outro ministro disse, em caráter reservado, que as decisões aprovadas pela Assembleia do Rio nesta sexta-feira têm fortes chances de serem declaradas inconstitucionais.

Nesta sexta, os partidos PSOL e PSL informaram que recorrerão ao Supremo para anular a votação. A Procuradoria Regional da República também vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.

PRECEDENTE – A Assembleia do Rio não é a primeira a evocar o caso Aécio para livrar deputados da prisão. Em Mato Grosso, o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) foi solto por decisão dos colegas. Ele passou 40 dias na cadeia, sob acusação de obstruir a Justiça.

No Rio Grande do Norte, o deputado estadual Ricardo Motta (PSB) teve o mandato devolvido por parlamentares. Ele passou mais de três meses afastado, sob suspeita de desviar verba pública.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Portanto, confirma-se o parecer do jurista Jorge Béja, publicado nesta sexta-feira com exclusividade pela Tribuna da Internet, revelando a inconstitucionalidade do ato que viria a ser tomado pela Assembleia do Rio. (C.N.)

Ex-assessor de Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel, quer fazer delação premiada

O deputado Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel, cujo assessor demonstrou interesse em delatar

O “bunker” dos R$ 51 milhões fora cedido a Lúcio

Deu na Folha

Ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Job Brandão indicou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que tem a intenção de negociar um acordo de delação premiada. Job foi um dos alvos da Polícia Federal em outubro, quando trabalhava como assessor de Lúcio. A suspeita da PF é de que ele atue como “laranja” do deputado federal. A PF identificou fragmentos de digitais de Job no “bunker” em que foram encontrados R$ 51 milhões. Ele já trabalhou também para Geddel.

Nesta sexta-feira (17), a defesa de Job enviou ao ministro Edson Fachin um pedido para revogar sua prisão domiciliar e para retirar a tornozeleira eletrônica. Na petição, manifestou que o ex-assessor tem o “desejo de colaborar com as investigações”.

QUER COLABORAR – “A partir do depoimento de Job Ribeiro Brandão, prestado no dia 14/11/2017, na sede da Polícia Federal em Salvador, verifica-se com clareza solar que o requerente não pretende se furtar à aplicação da lei penal, ao contrário, manifestou, espontaneamente, o desejo de colaborar com as investigações”, escreveram os advogados.

“Destaca-se, ainda, que o requerente efetuou o depósito da fiança no prazo determinado por Vossa Excelência e compareceu regularmente nas ocasiões em que foi intimado a prestar depoimento”, afirmaram.

Segundo a revista “Época”, Job disse no depoimento de terça-feira à PF que, a mando de Geddel, ajudou a picotar e jogar papéis em um vaso sanitário, além de colocar outros documentos em sacos de lixo. Com isso, pretendiam evitar a produção de novas provas em caso de uma operação policial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem diz que os R$ 51 milhões seriam de Geddel, ex-ministro de Lula e Temer e ex-vice-presidente na Caixa Econômica na gestão Dilma Rousseff. Mas o apartamento fora “emprestado” ao irmão Lúcio e há a versão de que o dinheiro seria do “quadrilhão” do PMDB, para ser usado na sucessão presidencial. É isso que o povo quer saber? (C.N.)

Cada um de nós tem a sua terra, na visão poética de Cristina Saraiva

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Cristina Saraiva mostra que ninguém esquece sua terra

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

A produtora, professora de história e compositora (letrista) carioca Cristina Gomes Saraiva discorre, na letra de “Minha Terra”, sobre o que realizou no lugar onde sempre viveu. A música “Minha Terra” foi gravada por Simone Guimarães no CD Aguapé, em 1998, pela Tiê/Cid.

MINHA TERRA
Simone Guimarães e Cristina Saraiva

Foi nessa terra
que vivi a vida inteira
que cravei minha bandeira
que plantei meu coração
no pé da serra
levantei minha tapera
trabalhei toda essa terra
e cuidei da criação
e nessa terra
me casei com minha amada
vi crescer a criançada
ensinei o que aprendi
e na viola, na enxada
meu caminho fiz do nada
fiz sozinho
minha vida construí
mas numa tarde
pelo mês de fevereiro
foi chegando um forasteiro
de gravata e certidão
e sem cuidado
foi dizendo, violeiro
busca outro paradeiro
que comprei todo esse chão
por essa estrada
feita de pedra cortante
de saudade, de instante
vou levando o que sobrou
minha viola
meu facão
minha enxada
a mulher, a criançada
e a fé no Criador

A verdade sobre a Previdência, segundo os números de receita e despesa

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Sérgio Oliveira

Para se saber a verdade sobre a situação da Previdência Social, é preciso analisar os resultados dos últimos anos, porque eles falam por si. Quando há pleno emprego, ou próximo dele, o setor urbano é superavitário, ou seja, a arrecadação paga as despesas com benefícios, e sobra dinheiro, como podemos exemplificar com a sequência de resultados nos últimos anos, em números arredondados:

2011
– arrecadação: R$ 241 bilhões; despesas: R$ 220 bilhões = superávit de R$ 21 bilhões.
2012 – arrecadação: R$ 270 bilhões; despesas: R$ 245 bilhões = superávit de R$ 25 bilhões.
2013 – arrecadação: R$ 301 bilhões; despesas: R$ 277 bilhões = superávit de R$ 24 bilhões.
2014 – arrecadação: R$ 331 bilhões; despesas: R$ 306 bilhões = superávit de R$ 25 bilhões.

Em 2015 também ocorreu superávit, mas num valor bem menor do que os anteriores, pois foi quando começou a atual crise, com o consequente aumento do desemprego: a arrecadação foi R$ 343 bilhões; as despesas totalizaram R$ 338 bilhões e o superávit atingiu apenas R$ 5 bilhões.

SETOR RURAL – No que se refere ao setor rural o resultado é supernegativo, como podemos verificar pelos números de 2011 até 2016, quando a arrecadação não atingiu 10% das despesas, nem mesmo 10% do próprio déficit, em todos eles, como segue:

2011 – arrecadação: R$ 5 bilhões; despesas: R$ 61 bilhões = déficit de R$ 56 bilhões.
2012 – arrecadação: R$ 6 bilhões; despesas: R$ 71 bilhões = déficit de R$ 65 bilhões.
2013 – arrecadação: R$ 6 bilhões; despesas: R$ 80 bilhões = déficit de R$ 74 bilhões.
2014 – arrecadação: R$ 7 bilhões; despesas: R$ 89 bilhões = déficit de R$ 82 bilhões.
2015 – arrecadação: R$ 7, bilhões; despesas: R$ 98bilhões = déficit de R$ 91 bilhões.
2016 – arrecadação: R$ 8 bilhões; despesas: R$ 111 bilhões = déficit de R$ 103 bilhões.

O setor rural, de repente, não deveria ser considerado “previdência social”, mas “assistência social”, já que estes dois itens, juntamente com a “saúde”, formam a Seguridade Social.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Importantíssimas essas informações de Sérgio Oliveira, que dão sequência e confirmam as críticas de José Carlos Werneck, em artigo publicado na manhã de hoje. Mas o governo não quer discutir esses números, porque isso não interessa à bancada ruralista, que ajudou e vai continuar ajudando a manter o mandato do presidente Temer. Há muitas outras coisas a serem discutidas e que estão sendo encobertas, como os prejuízos que a Previdência, a Receita Federal e o FGTS sofrem com o aumento da pejotização e com as distorções na terceirização, em meio à tão festejada reforma trabalhista.  Mas quem se interessa? (C.N.)e

Irmãos Marinho simulam troca de comando na Globo, para não perder concessões

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Decreto de Temer “blindou” os irmãos Marinho

Carlos Newton

Com o desdobramento do escândalo da Fifa na Justiça de Nova York, os irmãos Marinho sabem que vão acabar sendo alcançados  diretamente, ou seja, serão denunciados e responderão a processo. Mesmo que façam como o parceiro J. Hawilla, confessando os crimes e pagando multas milionárias para ressarcir os prejuízos das emissoras prejudicadas, eles ficarão com a ficha suja. Isso significa que, de acordo com as rigorosas leis brasileiras, não poderão mais ser concessionários de emissoras de rádio e de televisão, conforme já informamos aqui no blog, no artigo desta sexta-feira.

Foi justamente por isso que Roberto Irineu e João Roberto Marinho decidiram simular que se afastaram do controle da TV Globo, para garantir que suas concessões não sejam cassadas, na forma da lei.

NA MIRA DO FBI – As investigações do FBI começaram em 2011, abrangendo atos de corrupção cometidos na Fifa desde 1991, ainda na época do brasileiro João Havelange. Foi quando acendeu o sinal vermelho na cúpula da Globo, devido ás negociatas realizadas na Fifa através de seu procurador Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes,  e do parceiro/laranja J. Hawilla, da Traffic.

Quando constatou que seria apanhado, J. Hawilla se adiantou e, em 12 de dezembro de 2014, confessou-se culpado perante a Justiça norte-americana. Assumiu as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça, aceitando restituir US$ 151 milhões, para ressarcir as emissoras prejudicadas nas licitações vencidas por ele. Com patrimônio avaliado em R$ 2 bilhões, Hawilla saiu ileso e sem fazer delação premiada, para alívio da Globo.

DIRETOR DEMITIDO – O chamado Fifagate foi crescendo e em 3 de novembro de 2015 o presidente da CBF, José Maria Marin, foi extraditado para os Estados Unidos, depois de ser preso em Zurique com outros seis dirigentes da Fifa. Por coincidência, é claro, dois dias depois da extradição de Marin, em 5 de novembro de 2015, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, distribuiu comunicado informando o afastamento de Marcelo Campos Pinto da direção da Globo Esportes.

Na mesma época, outra importante iniciativa dos irmãos Marinho foi encaminhar ao governo brasileiro, então presidido por Dilma Rousseff, um requerimento transferindo as ações de Roberto Irineu e João Roberto para seus filhos, que passariam a ser os supostos controladores da Rede Globo de rádio e televisão.

DILMA NÃO ASSINOU – O tempo foi passando e Dilma Rousseff não assinou o decreto transferindo as concessões. Era a época do impeachment e a Globo inicialmente ficou em cima do muro. Mas depois aderiu e passou a participar ativamente do movimento para derrubar a presidente. Coincidência ou não, o fato concreto é que um dos primeiros atos do presidente interino Michel Temer, em junho de 2016, foi a assinatura do decreto solicitado pela Globo.

A volúpia de atender aos irmãos Marinho era tamanha que o decreto saiu mambembe, nem indicava os nomes dos novos sócios controladores da Rede Globo, formada pelas emissoras próprias no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília, além de centenas de afiliadas estaduais e municipais.

No ato assinado por Temer, ficou determinado que as alterações societárias deveriam ser efetivadas e registradas, perante o órgão competente, no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data de publicação, sob pena de  invalidade. E os irmãos Marinho cumpriram essas exigências.

UMA SIMULAÇÃO – Na realidade, nada mudou. O controle acionário da TV Globo continua com os três irmãos Marinho, porque a alteração societária estrategicamente incluiu uma cláusula de “reserva de usufruto vitalício”. Portanto, quem permanece à frente das próximas atrações da Rede Globo não é a nova geração da família Marinho, muito pelo contrário.

Mais de um ano se passou e até agora ninguém sabe o que os herdeiros de Roberto Marinho estão fazendo. Chegou a ser noticiado que o diretor da Globo Esportes, no lugar do denunciado Marcelo Campos Pinto, seria Roberto Marinho Neto, que está perto dos 40 anos e nunca trabalhou em nada, literalmente nada. Mas quem na verdade assumiu foi Pedro Garcia, que desde novembro de 2015 passou a ser responsável pelas negociações com os cartolas do futebol.

Na verdade, os sete filhos dos irmãos Marinho continuarão a ser apenas figurantes de uma novela que pode acabar bem, mas também pode acabar mal. Como dizia o pensador madrilenho Ortega Y Gasset, na vida tudo depende das circunstâncias.

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P.S.
O caso Globo é um assunto emocionante e fantasioso, que mais parece uma novela na vida real. E como a gente sempre trata dele com absoluta exclusividade e tudo é rigorosamente verdadeiro, vamos em frente, e daqui a pouco a gente volta, como dizem os apresentadores dos telejornais. (C.N.)

Luciano Huck prefere o PPS e, se for candidato, terá de deixar a Rede Globo

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Huck disse que já conversou até com Marina Silva

Pedro do Coutto

Reportagem de Raphael Di Cunto, Valor, edição de quinta-feira, revela que o apresentador Luciano Huck manifestou sua preferência por ingressar no PPS, num gesto que decepcionou a expectativa do DEM que havia lhe oferecido legenda. Entretanto,  Huck acentuou que espera o apoio do partido de Rodrigo Maia dentro de uma coligação com o PPS. A possibilidade da articulação, de acordo com Di Cunto, gira em torno de uma candidatura à presidência da República em 2018, mas é possível, penso eu, que Huck termine sendo candidato a deputado federal ou a senador. Nitidamente, o objetivo do PPS e do DEM é unir a popularidade do apresentador à campanha eleitoral do próximo ano.

Entretanto, a questão envolve também sua permanência na Rede Globo. Isso porque em nota divulgada pela Veja que está nas bancas e pela Folha de São Paulo de terça-feira, a Rede Globo afirmou que espera, até o final de dezembro, que os integrantes de seu elenco informem se vão ser ou não candidatos às próximas eleições, ou se pretendem participar de campanhas políticas.

DESLIGAMENTO – Se as respostas forem afirmativas, os componentes do elenco da emissora terão seus vínculos com ela desligados. A Rede Globo acentuou também que a medida já se encontra prevista há vários anos no seu regulamento interno e que, por isso, não está colocando o tema apenas em relação a Luciano Huck.

De qualquer forma, ao manifestar preferência pelo PPS, Huck a meu ver está respondendo indiretamente ao aviso que tacitamente recebeu a partir do momento que foram divulgadas informações sobre o posicionamento da Globo em relação à participação política daqueles que lá trabalham.

É possível que, em consequência da decisão da Globo, Luciano Huck deixe de interessar ao PPS, ao DEM ou a quaisquer outras legendas. Porque uma coisa é apresentar um programa de alta audiência, outra é não mais ocupar o espaço tão importante no sistema de comunicação pública. Mas esta é outra questão, embora faça parte da realidade humana conduzindo a convergência de interesses e objetivos.

CONDICIONANTES – Apesar de tais interesses de convergência serem comuns à natureza humana, as empresas possuem condicionantes próprias que lhe são assegurados pela legislação.

As pesquisas realizadas até agora para Presidente da República apontaram entre 3 a 5% das intenções de voto para Luciano Huck dentro de um questionário no qual seu nome constava. Um índice bastante significativo, sobretudo para quem nunca percorreu os caminhos políticos. Foram pesquisas estimuladas pelo Datafolha e pelo Ibope. Pesquisas estimuladas são aquelas em que os entrevistadores apresentam aos entrevistados uma relação de nomes. Pesquisas espontâneas são aquelas em que os entrevistadores perguntam simplesmente às pessoas entrevistadas a tendência de seu voto.

Nas pesquisas espontâneas, Huck não teve pontos assinalados. Isso é natural. Tanto assim que o Ministro Henrique Meirelles, que já admitiu a possibilidade de vir a ser candidato, na pesquisa espontânea também não saiu do 0%.

HÁ MUDANÇAS – De qualquer forma as declarações de Luciano Huck ao Valor trazem reflexo ao quadro sucessório. Tanto assim que o Ministro Mendonça Filho, titular da Educação, figura entre os políticos do DEM que realizam contatos com Huck convidando-o a ingressar na legenda. Isso não implica num insucesso quanto ao salto do apresentador na esfera política. Tanto assim que Mendonça Filho pretende insistir, sobretudo porque, entre as articulações nos bastidores, foi levantada a hipótese de Luciano Huck ser candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin.

Raphael Di Cunto acrescenta que Huck dialoga também com Marina Silva, da REDE. Além disso, Huck é também cogitado a vice de Bolsonaro pelo PSC.

Todos esses convites e articulações se desenvolvem partindo do princípio de que o apresentador permanecerá nas tela da Globo. Telas que atingem diariamente 100 milhões de brasileiros e brasileiras.

Pré-candidata do PCdoB defende referendo sobre a reforma trabalhista

A deputada (PCdoB-RS) foi a relatora da proposta, que será encaminhada para o Senado

Manuela quer campanha voltada para o futuro

Deu no Estadão

Lançada pré-candidata do PCdoB à Presidência da República em 2018, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila, 36 anos, disse nesta sexta-feira (17) que, caso seja eleita, vai propor um referendo para revogação da reforma trabalhista aprovada pelo governo do presidente Michel Temer. Em discurso durante o 14ª Congresso do partido, ela também afirmou que as eleições do próximo ano não podem ser um debate sobre o passado e que a solução para a crise não virá de um outsider da política.

“Acreditamos que o golpe encerra um ciclo político no País. Por isso, para nós, 2018 não pode ser um momento de debate sobre o passado, mas um momento de construção de saídas e de debate sobre o futuro do País”, declarou Manuela.

SAÍDA POLÍTICA – “Não existem candidaturas outsiders. A saída é política. Por isso, defendemos uma frente ampla”, acrescentou a parlamentar gaúcha.

No discurso, a deputada defendeu uma nova política de juros, câmbio e inflação voltadas para o desenvolvimento do País, “e não dos interesses do rentismo”. Também pregou uma nova política industrial de substituição de importações, principalmente nos setores do petróleo, gás, químico e até do agronegócio. “Devemos pensar em um grande plano de obras públicas nas áreas de infraestrutura e morado”, acrescentou.

Em discurso antes de Manuela, a presidente nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), defendeu a candidatura própria do partido em 2018, mas fez questão de fazer afagos ao PT.

LULA E CIRO – Ao mesmo tempo em que disse que sua legenda “entrou para valer” nas eleições do próximo ano, Luciana Santos defendeu a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser candidato ao Palácio do Planalto. Para a dirigente, a exclusão do petista da disputa do próximo ano “seria a consolidação do golpe”.

“Lula será amigo do PCdoB, assim como também Ciro”, declarou Luciana, em referência ao ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional Ciro Gomes (CE), que já se lançou como pré-candidato pelo PDT a presidente da República no próximo ano. Ciro é esperado em ato político que acontecerá neste sábado durante o Congresso dos comunistas. “O PCdoB não será obstáculo para a unidade”, acrescentou Luciana.

QUEIXAS DE DILMA – Em seu discurso, a dirigente fez críticas à gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, da qual o PCdoB participou. Na avaliação de Luciana, o governo Dilma errou ao “subestimar” a questão nacional e ao não fazer as reformas necessárias para alterar a superestrutura do Estado brasileiro, entre elas, citou a reforma política, dos meios de comunicação e tributária. “Ousamos pouco na política cambial”, acrescentou, ressaltando que esse erro prejudicou a indústria nacional.

A presidente do PCdoB defendeu que o partido não deve se guiar pelo “saudosismo” nem pelo “autoflagelo” em relação aos erros cometidos pelos governos do PT. “Devemos beber na fonte desse legado”, disse. “O PCdoB buscará protagonismo nesta disputa”, acrescentou a dirigente. Para ela, a sigla deve aproveitar a pré-candidatura de Manuela para aumentar as filiações ao partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como sempre acontece, o PCdoB já se prepara para apoiar Lula ou, na ausência dele, Ciro Gomes. A candidatura de Manuela D’Ávila é só para marcar presença e será muito positiva para ele, porque terá visibilidade e poderá conquistar uma cadeira na Câmara Federal ou no Senado, melhorando o visual e o pensamento da bancada esquerdista. (C.N.)

Tribunal reage, bloqueia contas e bens e prorroga a prisão do filho de Picciani

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Álbum de famiglia – um pai que corrompeu seus  filhos

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O desembargador federal Abel Gomes determinou, nesta sexta-feira (dia 17) o bloqueio cautelar de contas e o sequestro/arresto de bens de treze pessoas e trinta e três empresas investigadas na Operação Cadeia Velha. A medida foi tomada em medida cautelar penal, depois de pedido apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), que encaminhou ao relator uma listagem com nomes e valores referentes aos bens das pessoas físicas e jurídicas.

De acordo com o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a ordem do desembargador atinge ativos financeiros e bens móveis e imóveis, incluindo veículos, embarcações e aeronaves, “nos termos requeridos pelo MPF e nos limites dos valores que igualmente constam daquela listagem”. E o relator Abel Gomes também determinou a prorrogação da prisão temporária (por mais cinco dias) de quatro investigados na Operação Cadeia Velha: Felipe Carneiro Monteiro Picciani, Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os deputados do Estado do Rio Janeiro acham que a parada está ganha, mas não é bem. Conforme o jurista Jorge Béja explicou aqui na Tribuna da Internet, cabe recurso ao Supremo para prender de novo Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. É só uma questão de tempo e o Supremo vai começar a corrigir seu erro gravíssimo, referendado pela gaguejante Cármen Lúcia. (C.N.)

 

Deputados soltos deveriam agradecer sua impunidade à ministra Cármen Lúcia

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Os três são ingratos e ainda não agradeceram à ministra

Deu no G1

Os deputados estaduais Edson Albertassi, Jorge Picciani e Paulo Melo, todos do PMDB, foram soltos no fim da tarde desta sexta-feira (17) da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que determinou a prisão dos três parlamentares, informou que não foi notificado oficialmente da soltura e que não houve assinatura do desembargador responsável, Abel Gomes, em nenhum momento.

O trio foi libertado da prisão onde está o ex-governador Sérgio Cabral por volta das 18h, pouco mais de uma hora após o fim da sessão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que decidiu pela libertação, revertendo decisão do Tribunal Regional Federal da última quinta-feira (16). Os deputados deixaram a cadeia em um carro oficial da Alerj.

SOLTURA IMEDIATA – Assim que terminou a votação na Alerj, na qual o plenário decidiu, por 39 votos a 19, revogar a prisão do trio, um funcionário da Casa seguiu para Benfica, já munido de um documento que informava à direção da unidade prisional que Albertassi, Picciani e Melo deveriam ser soltos.

Os três, que foram presos na tarde de quinta-feira (16), passaram menos de 24 horas na cadeia: tão logo os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decretaram as prisões, a Alerj se mobilizou e convocou uma sessão extraordinária para esta sexta (17), unicamente para deliberar sobre a medida.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou ter recebido, no final da tarde desta sexta, resolução da Assembleia Legislativa determinando a soltura dos deputados. A Seap informa ainda que cumpriu a determinação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Reina a esculhambação institucional no país. Os três deputados que ganharam a liberdade hoje, sob o argumento de que a assim reza a Constituição, não são apenas corruptos e vigaristas. A educação que tiveram em suas famílias também foi deficiente. Nenhum deles se lembrou de agradecer à ministra Cármen Lúcia, mandar flores, comprar uma joia na H. Stern, nada, nada. São uns ingratos. (C.N.)

Em muitos estados, o PMDB tem caciques envolvidos em crimes de corrupção

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Paulo de Tarso Lyra e Bernardo Bittar
Correio Braziliense

O PMDB é uma união de caciques regionais, que comandam os respectivos feudos políticos com completa autonomia e que, eventualmente, se reúnem para planejar ações no plano federal. É essa capilaridade que torna o partido essencial para qualquer governo instalado no Palácio do Planalto. Excepcionalmente, o partido vive, agora, seu momento de protagonismo no plano nacional, com Michel Temer. Mas a legenda, que tem a maior bancada da Câmara e do Senado, tem sido alvo da Lava-Jato. Só nesta semana houve operações e prisões no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul. Mas os estragos não ocorreram apenas lá.

O partido está na mira na Bahia, no Ceará, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul, no Pará, em Roraima, em Rondônia, em Goiás, em Alagoas, no Ceará e no Maranhão.

MUITOS ESTRAGOS – É verdade que a Lava-Jato tem provocado estragos em várias legendas. O primeiro a sofrer os impactos da operação foi o PT, culminando com a condenação a nove anos e meio de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença é que, no caso dos petistas, o estrago foi em figuras nacionais. Já no PMDB, embora os investigados também estejam no plano federal, são eles que dão as cartas nos diretórios estaduais.

A situação mais grave, sem dúvida, é no Rio de Janeiro, onde o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso ontem. Também estão presos e condenados o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. E o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, foi denunciado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e só não se tornou réu porque a Câmara rejeitou a denúncia contra ele, o também peemedebista gaúcho Eliseu Padilha e o presidente Michel Temer.

GEDDEL & CIA – A Bahia é outro exemplo. O partido é controlado à mão de ferro no estado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, acusado de, entre outras coisas, de manter um apartamento destinado a guardar R$ 51 milhões em dinheiro vivo. Ele é irmão do deputado Lúcio Vieira Lima. O vácuo no diretório baiano é tão grande que já há quem cogite que o ministro da Secretaria de Governo, o tucano Antonio Imbassahy, deixe o PSDB e filie-se ao PMDB para assumir o controle estadual. Ele nega a intenção e os peemedebistas locais prometem montar barricadas para evitar que isso aconteça.

“O PMDB está parecendo um mingau que estão querendo comer pelas beiradas. Mas não tem problema. Quem estiver no centro desse prato vai conseguir manter o protagonismo da legenda”, desconversa o deputado Carlos Marun (MS). Mas na terça-feira, a 5ª fase da Operação Lama Asfáltica, batizada de Papiros de Lama, decretou a prisão do ex-governador André Pucinelli e do filho dele, Júnior. Ambos foram soltos, mas o escândalo se agravou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desde sua origem, na ditadura militar, o PMDB viveu um antagonismo interno, entre as alas dos adesistas, dos corruptos e dos chamados “autênticos”, que eram liderados por Ulysses Guimarães. O tempo passou e agora, 25 anos depois da morte de Ulysses, só sobraram os “autênticos” Jarbas Vasconcelos e Roberto Requião. O resto, no plano federal, é tudo adesista ou corrupto. Apenas isso. (C.N.)

Raquel Dodge defende no Supremo mais poderes para o Ministério Público  

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Raquel Dodge está enlouquecendo o Planalto…

André de Souza e Daniel Gullino
Globo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que defende uma resolução, aprovada pelo CNMP em agosto, que está sendo questionada no STF, em duas ações diferentes, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

A norma prevê que, dependendo do crime, procuradores e promotores podem celebrar acordos com investigados e arquivar as apurações sem necessidade de pedir autorização à Justiça. A OAB e a AMB afirmaram que o Ministério Público é parte do processo e que, por isso, não teria a mesma imparcialidade de um juiz para ratificar um acordo, e alegaram que as mudanças só poderiam ter sido aprovas pelo Congresso Nacional.

TRANSPARÊNCIA – As duas organizações pediram que o relator do caso, o ministro Ricardo Lewandowski, conceda uma liminar suspendendo os efeitos da resolução. Antes de tomar uma decisão, no entanto, Lewandowski pediu que o CNMP se posicionasse sobre o caso.

No parecer enviado ao STF, o conselheiro Lauro Machado Nogueira afirma que a resolução teve como objetivo “criar critérios transparentes, claros e sujeitos a controle” para a atuação do Ministério Público nas ações penais. De acordo com Nogueira, o fato do MP ser o responsável por promover a ação penal “não significa dizer (…) que esse exercício se mostra inexorável”, principalmente nos casos em que é possível aplicar métodos alternativos.

Para o conselheiro, a norma é uma maneira de diminuir a população carcerária e, por isso, “atende ao que o próprio Supremo Tribunal Federal tem indicado como necessário ao enfrentamento da crise do sistema de justiça criminal brasileiro”.

SEM SIGILO – Outro trecho da resolução criticada pela AMB e pela OAB foi o que diz que “nenhuma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de função pública poderá opor ao Ministério Público, sob qualquer pretexto, a exceção de sigilo, sem prejuízo da subsistência do caráter sigiloso da informação, do registro, do dado ou do documento que lhe seja fornecido”.

O parecer do CNMP ressalta, contudo, que esse trecho foi retirado na íntegra da Lei Complementar 75/1993. “São disposições legislativas que já alcançaram mais de 20 anos de vigência sem que sejam elas imputadas inconstitucionais”.

O conselheiro também ressaltou que, após a posse de Raquel de Dodge na PGR, em setembro, formou-se um grupo de trabalho, que apresentou sugestões e aprimoramentos ao texto. O resulto deve ser discutido na próxima sessão plenária do Conselho.

TIPOS DE CRIMES – A resolução do CNMP limita os tipos de crime em que o acordo pode ser celebrado. Não pode haver violência ou grave ameça, e o dano causado não pode passar dos 20 salários mínimos. Também está impedido de fazer acordo quem já foi condenado à prisão em sentença definitiva ou quem já sofreu nos últimos cinco anos a aplicação de pena alternativa ou multa. Entre as justificativas apresentadas para a edição da resolução estavam o objetivo de “tornar as investigações mais céleres, eficientes, desburocratizadas” e o desperdício de recursos que há na Justiça em razão da “carga desumana de processos”.

De acordo com a norma, o investigado deve confessar o delito, reparar os danos, prestar serviços à comunidade, “renunciar voluntariamente a bens e direitos” e “cumprir outra condição estipulada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal aparentemente praticada”. Todo mês precisará comprovar que está cumprindo o acordo. Em caso de impossibilidade de segui-lo à risca, deverá se justificar. O descumprimento levará à rescisão do acordo e à apresentação de denúncia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDesse jeito, Raquel Dodge vai levar o Planalto à loucura. Temer a nomeou pensando que ela iria boicotar a Lava Jato, está acontecendo exatamente o contrário. É muita ingenuidade que um governante como Temer, desclassificado e corrupto, possa imaginar que pode controlar instituições como a Procuradoria-Geral da República ou a Polícia Federal… Já está na hora de cair na real. (C.N.)

Temer convocou o diretor da PF e o Planalto inventou uma “desculpa” deplorável    

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Andréia Sadi revela em seu blog que o Planalto mentiu

Andréia Sadi

G1 Brasília

O presidente Michel Temer chamou nesta quinta-feira (16) o novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, para um encontro no Palácio do Planalto. Segundo o blog apurou, também foi chamado para o encontro o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha.

O encontro entre Temer e Segóvia, que foi realizado às 13h30, não estava previsto na primeira versão da agenda do presidente, divulgada à imprensa. Somente às 18h15, quase cinco horas após a reunião entre os dois, a Presidência da República divulgou uma nova versão da agenda, informando sobre o encontro.

POSSE DIA 20 – Na semana passada, Segovia foi indicado para o cargo pelo presidente. Ele tomará posse no próximo dia 20, substituindo o antigo diretor-geral da corporação Leandro Daiello, que entrou com pedido de aposentadoria após a troca.

Procurado pelo blog sobre o motivo do encontro e por qual motivo a reunião não estava na agenda, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto disse que “o diretor geral da PF veio ao palácio convidar o presidente para sua posse no dia 20”.

Além disso, afirmou que Gustavo Rocha “despacha todos os dias com o presidente, e estava no gabinete para colher assinaturas para atos oficiais do governo”.

Em nota, a assessoria de imprensa da PF informou que Segóvia “foi entregar pessoalmente um convite para a solenidade da posse ao presidente”. Segundo a assessoria, o assessor Gustavo Rocha “não presenciou” o encontro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, foi uma coincidência o presidente ter convocado a palácio o novo diretor da Polícia Federal, exatamente no dia em que saiu publicada a declaração dele de que vai intensificar as investigações sobre os políticos atualmente protegidos pelo foro privilegiado, desobedecendo frontalmente a orientação do Planalto. No artigo do G1, a excelente repórter Andréia Sadi diz uma coisa e os assessores do Planalto dizem outra. Em quem vocês acreditam? (C.N.)

Vexame: Comissão da Assembleia aprova libertação de Picciani, Melo e Albertassi

Sessão da CCJ é aberta para analisar parecer sobre prisões de deputados da Alerj Foto: Marco Grillo/O GLOBO

Jogo rápido: foram 4 votos a 2, com uma abstenção

Deu em O Globo

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia (Alerj) aprovou, por 4 a 2, além de uma abstenção, parecer que pede a soltura dos três deputados do PMDB presos na Operação Cadeia Velha — Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Votaram pelo parecer que pede a soltura os deputados: o relator Milton Rangel (DEM), Gustavo Tutuca (PMDB), Roseverg Reis (PMDB) e Chiquinho da Mangueira (PODE).

Os deputados Luiz Paulo (PSDB) e Carlos Minc (sem partido) votaram pela manutenção da prisão. Rafael Picciani (PMDB), filho de Jorge Picciani, se absteve.

“PLENO RETORNO” – A proposta de projeto de resolução aprovada pela CCJ e encaminhada ao plenário revoga as prisões de Picciani, Melo e Albertassi, além de determinar o “pleno retorno” aos respectivos mandatos parlamentares. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) determinou que a Alerj não poderia deliberar sobre o afastamento dos mandatos, somente sobre a prisão.

A revogação do mandato é polêmica. Os deputados se baseiam na decisão do Supremo Tribunal Federal no caso do senador Aécio Neves. Na ocasião, o STF decidiu que as casas legislativas também precisariam avaliar medidas cautelares impostas pelo Judiciário a parlamentares, como o afastamento de mandato.

Se a Alerj decidir revogar o afastamento do mandato, o relator do caso no TRF-2 deve pedir nova convocação da Seção Especializada do tribunal para deliberar sobre as medidas cabíveis.

Jair Bolsonaro vem mesmo aí, desempenhando o papel do anti-Lula

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Monica de Bolle
Poder 360

Falta menos de um ano para as eleições de 2018. Não falta quem diga que qualquer análise sobre as perspectivas do ano que vem são ainda prematuras, que as eleições não estão definidas faltando tanto tempo para o pleito. Espero que essas análises estejam corretas, mas temo que a premissa esteja baseada nos dados de eleições passadas que tão pouco parecem ter em comum com o que está por vir em 2018. No último fim de semana, o jornal Folha de São Paulo publicou matéria sobre o apoio que Jair Bolsonaro tem recebido do mercado diante do risco de retorno de Lula à Presidência da República.

É fato que Bolsonaro vem se posicionando como o “anti-Lula”. Além disso, o candidato possui poderoso discurso valorizando a lei e a ordem e sabe apelar para a emoção dos eleitores nos vídeos que veicula nas redes sociais.

UMA BOA ARMA – O apelo emocional é arma para lá de importante na batalha por votos – em 2016, Donald Trump revelou como a arte da retórica inflamada, com ou sem fundamento na realidade, é capaz de superar a racionalidade de qualquer argumento em contrário. A isso soma-se a capacidade de mexer com os valores morais da sociedade e de tocar nas feridas das guerras culturais, hoje em voga no Brasil.

A agenda econômica de Bolsonaro, que, por falta de informação e conhecimento do próprio candidato, parece mistura esquisita de nacional-desenvolvimentismo e liberalismo, com pitadas de repúdio protecionista à China, deve ficar à margem do eleitorado não-participante do mercado.

E o que é possível dizer sobre o papel dos valores morais nas eleições? Artigo acadêmico recente de um jovem professor e economista da Universidade de Harvard destrincha o impacto dos valores morais nas eleições presidenciais americanas. Ao fazê-lo, o estudo conclui que as decisões dos eleitores foram menos motivadas por razões puramente econômicas – a desigualdade, o declínio dos estados do chamado cinturão de ferro, a perda de empregos associada ao encolhimento da indústria tradicional – do que muitos analistas supõem.

VALORES MORAIS – O papel dos valores morais, comumente ignorado pelos economistas, explica parte relevante do comportamento do eleitorado Trumpista. Essencialmente, há dois tipos de considerações morais delineadas por sociólogos e psicólogos que trabalham com ciência política: de um lado, considerações que dizem respeito a princípios morais universalmente aceitos, isto é, valores que se aplicam igualmente a todos, como a justiça ou a caridade; de outro, valores que correspondem à lealdade a um determinado grupo da sociedade.

O autor mostra, por meio de minuciosa análise de dados, que o comportamento do eleitorado norte-americano em 2016 esteve fortemente associado a essa moralidade tribal, ao sentimento de fidelidade e responsabilidade dos eleitores com seu grupo ou comunidade – ainda que os valores desse grupo pudessem apresentar algum conflito com os valores universais.

E NO BRASIL? – Não temos o mesmo tipo de análise para o comportamento dos eleitores no Brasil, mas a polarização evidente e crescente sugere que as próximas eleições poderão ser influenciadas por elementos semelhantes. Basta considerar os argumentos dos que se dizem a favor de Bolsonaro. Para esses eleitores, o discurso inflamado contra criminosos e corruptos (na linha “bandido bom é bandido morto”) supera a contradição com valores supostamente universais.

O fato de ter Bolsonaro defendido a saída do Brasil de tratados internacionais de direitos humanos não parece influenciar a visão sobre o candidato – ou, se o faz, influencia de forma inversa: “defesa de direitos humanos é coisa da esquerda”. A recente guinada aparentemente liberal do candidato tem forte apelo para aqueles que acreditam que o Brasil precisa de uma “direita forte” para combater a praga de uma suposta “esquerdopatia” tupiniquim.

E OS OUTROS? –  Do outro lado do espectro, entre os defensores de candidatos que se posicionam à esquerda de Bolsonaro – Lula é um caso à parte de tribalismo –, estão  os que enxergam nos movimentos autodenominados de direita uma afronta aos valores de seu grupo.

Independentemente de Lula vir ou não a ser candidato, o fato é que Bolsonaro parece até agora ter tido mais sucesso em apelar diretamente para os valores comunitários do grupo que se identifica com sua linha de raciocínio do que os candidatos representantes de outros moldes de pensamento.

Caso a importância dos valores morais de grupo nas eleições de 2018 se sobreponha à evolução da economia – espelhando o ocorrido nos EUA e em outros países – qualquer análise que desconsidere as chances reais de Bolsonaro em 2018 estará cometendo o profundo e mais humano dos erros: o autoengano. O mesmo vale para todos os que acreditam que Bolsonaro será o reformista de segunda mão, caso não vinguem as candidaturas de centro-direita. (Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Juninho Pernambucano afirma que Gilmar Mendes é “o melhor zagueiro” do ano

Juninho Pernambucano foi apresentado no Vasco no início de junho

Juninho tem forte atuação política nas redes sociais

Heitor Mazzoco
O Tempo

Ex-jogador de futebol, Juninho Pernambucano voltou a opinar sobre política nas redes sociais e causou polêmica entre os seguidores nesta quinta-feira (16). Desta vez, o atual comentarista esportivo da Rede Globo disse que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes é “o melhor zagueiro da temporada”.

“Agora na hora de escolher os melhores, não esqueçam do melhor zagueiro da temporada. Protegeu seu time, não deixou passar nada, nem por cima nem por baixo e ainda liberou seus atacantes pra ficarem bem livres no jogo. Parabéns Gilmar Mendes, jogou demais…”, disse o ex-atleta na publicação.

Mendes recebe críticas sobre seu posicionamento ao julgar habeas corpus contra políticos. A maioria das decisões do ministro nos últimos meses foi favorável aos políticos.

CONTRA BOLSONARO – Em outubro, o atual comentarista esportivo da Rede Globo causou polêmica ao dizer que não aceita seguidores no Twitter que sejam favoráveis ao deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2018.

À época, Juninho disse que “não sabia que bolsominions me seguiam. Por favor, não me sigam. Não quero quantidade de seguidores e sim qualidade humana e caráter deles!”, afirmou.

Congresso vai abrir 567 vagas, com salário de R$ 33,7 mil e muita mordomia

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Charge do Dum (Arquivo Google)

José Casado
O Globo

O relógio marcava 14h, quando o deputado do PSB alagoano João Henrique Holanda Caldas, que prefere ser chamado de JHC, sentou-se na cadeira de presidente da Câmara. Sete parlamentares haviam registrado presença, mas só ele apareceu no plenário. “Não havendo quórum, aguardaremos até meia hora”, disse lendo uma ficha. Um garçom serviu-lhe água e café. JHC nem olhou, buscou o telefone, dedilhou o teclado, pôs no ouvido e enfadou-se com a ausência de resposta. Tamborilou os dedos na mesa, sorveu o café, telefonou de novo. Nada. Girou na cadeira para conversar com o assistente.

O tempo corria. Aos 10 minutos e 34 segundos, recebeu um telefonema. Depois, curvou-se para cochichar com o secretário. Aos 20 minutos e sete segundos, ajeitou o cabelo e animou a conversa. Riram até a chegada de uma assessora portando uma pasta branca. Abriu, examinou algumas folhas, devolveu com fastio.

SESSÃO ENCERRADA – Olhou a tela do telefone e puxou o microfone. Aos 29 minutos e 46 segundos, falou para as cadeiras vazias no plenário: “Tendo persistido a falta de número regimental para a abertura da sessão, declaro que ela deixa de ser realizada.” JHC se retirou. Foi curtir o feriadão de dez dias decretado no Congresso semana passada.

Mais movimentado estava o Senado, do outro lado do edifício que é o cartão-postal do poder em Brasília. Oito senadores passaram pelo plenário, mas somente três ficaram para assistir ao senador do PPS candango Cristovam Buarque anunciar a candidatura à Presidência da República.

Em 2006, ele disputou com o favorito Lula (reeleito) e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ficou com 2,5% dos votos. “Agora, eu acho que está muito mais vazio o cenário das candidaturas”, argumentou. “Não quer dizer que se ganhe por causa disso, quer dizer que é uma obrigação ser candidato neste momento.”

CUSTA CARO – Manter 513 deputados e 81 senadores custa R$ 10,4 bilhões por ano à sociedade. É um volume de dinheiro cinco vezes maior que o disponível em uma capital como Maceió, onde vivem um milhão de alagoanos com suas rotineiras agruras nos serviços públicos em educação, saúde, saneamento e segurança. Na conta final, essa folga no Congresso custa R$ 110 milhões aos contribuintes, segundo a ONG Contas Abertas.

Emprego de parlamentar federal é coisa fina: remuneração de R$ 33,7 mil, mais R$ 100 mil mensais extras para o gabinete, casa, carro, motorista e plano de saúde exclusivo. Em tese, exige-se presença de terça a quinta na capital do país.

Dá direito a duas férias por ano, e o calendário ajuda. Exemplo: o atual feriadão de dez dias acontece a apenas cinco semanas do recesso de verão, que começa na semana do Natal e se estende até a sexta-feira pré-carnaval.

UM BOM EMPREGO – Depois da folia, tem-se quatro paradas para celebrações cívico e religiosas. Aí é junho, época das convenções para definição de candidatos às eleições gerais — e ainda tem as festas juninas. Daí até a eleição de outubro é só campanha.

Para quem procura um bom emprego no setor público, pode ser uma opção. O Congresso vai abrir 567 vagas em 2018. A dificuldade é que cada candidato novato precisa disputar com deputados e senadores veteranos — famintos de votos, porque perder a reeleição sempre foi o seu pior pesadelo.