Esse tal Decreto da Desburocratização é tão falso e mentiroso quanto Temer

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Charge do Alves (Arquivo Google)

Jorge Béja

Fui ler o tal Decreto (nº 9094, de 17.7.2017), que Temer e dois outros parasitas da administração pública federal (Dyogo de Oliveira e Wagner Rosário) assinaram e que já está em vigor. A redação do objetivo é tão pomposa quanto mentirosa: “dispõe sobre a simplificação do atendimento prestado ao usuário dos serviços públicos e dispensa o reconhecimento de firma e da autenticação em documentos produzidos no país e institui a Carta de Serviços do Usuário”. São 25 artigos, inúteis e mentirosos, porque o tempo mostrará que nenhum deles será cumprido pelo serviço público. Quando li o artigo 10, parei. Vivência, experiência e o conhecimento da realidade da vida do povo brasileiro é que não me faltam para não prosseguir lendo esta “Cartilha de Mentiras” que Temer, rejeitado e reprovado por 93% dos brasileiros, pretende tornar menos dolorosa a vida do povo.

Parei por várias razões. Logo de cara me deparei com esta tremenda contradição, ou mentira. Sim, mentira, porque o artigo 10 diz textualmente: “A apresentação de documentos por usuários dos serviços públicos poderá ser feita por meio de cópia autenticada, dispensada nova conferência com o documento original“.

CONTRADIÇÕES – Ué, o decreto não dispensa a autenticação de cópias? Aí está a primeira das muitas mentiras e contradições deste enganador decreto. Essa tal “Carta de Serviços do Usuário”, que o decreto manda que todo serviço público edite, publique, divulgue e entregue ao povo, é de uma patifaria tão mentirosa que chega a dar raiva para quem conhece o dia-a-dia das torpezas que o povo sofre.

Ou alguém acredita que o INSS, a Receita Federal, os ministérios, os bancos estatais, os serviços públicos de passaporte, portuários, judiciários e centenas de outros mais vão tratar o povo-usuário com urbanidade, presteza, eficiência e tudo mais que deveria ser comezinho e não é, nunca foi e nunca será?

Tudo vai continuar como está: filas e demoras intermináveis. Isso quando o serviço existe e funciona. Ou parece que existe. Ou parece que funciona. As mais descabidas exigências continuarão a existir. E não será este decreto que vai acabar com a burocracia.

LEMBRANDO BELTRÃO – De 1979 a 1985, o respeitabilíssimo doutor Hélio Beltrão, pai da nossa queridíssima apresentadora da GloboNews, jornalista Maria Beltrão, e com quem tive a honra de dividir a mesa de debates durante muitos anos no programa Haroldo de Andrade, da Rádio Globo, ele foi nomeado ministro da Desburocratização, ministério então recém criado.

Hélio Beltrão arregaçou as mangas, saiu em campo e baixou logo uma portaria muito mais ampla e abrangente do que este falacioso decreto do fracassado Temer. Naqueles dias a portaria ministerial causou muita esperança, que durou pouco. O próprio Poder Público não cumpriu o que determinou o ministro. E a portaria foi parar no lixo. E no lixo continua, sem a medida ter sido revogada, porque desobediência e desuso não revogam as leis nem o ordenamento público.

ONLINE? -Neste enganador decreto de Temer, tem lá um artigo que diz que se alguém do povo for a uma repartição pública dar entrada em requerimento e se este depender de informação de outro órgão da administração, esta será dada, prestada e fornecida, online, por solicitação da própria repartição. O usuário não precisa ir lá, na outra repartição, pedir, esperar, buscar e voltar para entregar.

Exemplo: Tício vai à Receita Federal para requerer algo que precisa. Mas seu requerimento está desfalcado de uma certidão do INSS. Segundo o decreto, Tício não precisa ir ao INSS requerer e obter o documento faltante. É a própria Receita Federal que cuidará de requerer ao INSS o tal documento! Não. Isso nunca vai acontecer.

TUDO REGRIDE – Não somos o Reino Unido, nem Canadá nem Finlândia. Somos Brasil, um país que em nada cresce e em tudo regride. País em que servidores públicos dos Estados não recebem seus salários. País em que 94 policiais militares foram assassinados de Janeiro de 2017 até hoje, 22 de Julho, só no Estado do Rio de Janeiro, sendo que nesta semana que hoje termina foram 4 Pms mortos.!

Que moral e que autoridade Michel Temer tem para baixar um decreto como este, se o próprio governo não presta ao povo o serviço de atendimento médico-hospitalar, nem de segurança, minimamente aceitável e eficaz? Que “Carta de Serviços do Usuário” os governos e suas entidades vão imprimir e fornecer ao povo brasileiro, se grande parte da população não tem onde morar, não tem o que comer e não encontra trabalho para sobreviver?

Joelsey Batista escreve artigo na Folha sobre as consequências da delação

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Charge do Kacio (kacio.art.br0

Joesley Batista

Dezessete de maio de 2017, aniversário de 12 anos de um dos meus filhos – que deixaria a escola e sairia do país a meu pedido -, foi também o dia do meu renascimento. Senti-me um novo ser humano, com valores, entendimento e coragem para romper com elos inimagináveis da corrupção praticada pelas maiores autoridades do nosso país.

Em vez de comemorar seu aniversário, minha filha juntou-se a milhões de brasileiros que tomavam conhecimento de episódios de embrulhar o estômago. Naquele dia vazou para a imprensa o conteúdo do acordo de colaboração premiada que havíamos assinado com a Procuradoria-Geral da República. Confesso que minha reação foi de medo, preocupação e angústia.

VAZAMENTO – Afinal, uma semana antes estivera em audiência no Supremo Tribunal Federal para cumprir os ritos necessários à homologação do acordo. Era essa a notícia que eu estava ansiosamente aguardando, não a do súbito vazamento.

Desde então, vivo num turbilhão para o qual são arrastadas minha família, meus amigos e funcionários. Imagens minhas e da minha família embarcando num avião, tiradas do circuito interno do Aeroporto Internacional de Guarulhos, foram exibidas na TV, como se estivéssemos fugindo. Um completo absurdo.

Políticos, que até então se beneficiavam dos recursos da J&F para suas campanhas eleitorais, passaram a me criticar, lançando mão de mentiras. Disseram, por exemplo, que, depois da delação, eu estaria flanando livre e solto pela Quinta Avenida, quando, na verdade, nem em Nova York eu estava.

INIMIGO Nº 1 – Para proteger a integridade física da minha família, decidi ir para uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos, longe da curiosidade alheia. Nessa altura, porém, eu já havia sido transformado no inimigo público número um, e nada do que eu falasse mereceria crédito.

Minha exata localização nem seria assim tão relevante, a não ser por revelar uma estrutura armada com o objetivo de transformar a realidade complexa, plena de nuances, num maniqueísmo primário, em que eu deveria ser o mal para que outros pudessem ser o bem.

Mentiras foram alardeadas em série. Mentiram que durante esse período eu teria jantado no luxuoso restaurante Nello, em Nova York; mentiram que eu teria viajado para Mônaco a fim de assistir ao GP de Fórmula 1; mentiram que eu teria fugido com meu barco.

MAIS MENTIRAS – A lista das inverdades não parou por aí. Mentiram que eu estaria protegendo o ex-presidente Lula; mentiram que eu seria o responsável pelo vazamento do áudio para imprensa para ganhar milhões com especulações financeiras; mentiram que eu teria editado as gravações.

Por fim, a maior das mistificações: eu teria estragado a recuperação da economia brasileira, como se ela fosse frágil a ponto de ter que baixar a cabeça para políticos corruptos.

De uma hora para outra, passei de maior produtor de proteína animal do mundo, de presidente do maior grupo empresarial privado brasileiro, a “notório falastrão”, “bandido confesso”, “sujeito bisonho” e tantas outras expressões desrespeitosas. Venderam uma imagem perfeita: “Empresário irresponsável e aproveitador toca fogo no país, rouba milhões e vai curtir a vida no exterior”.

270 MIL EMPREGOS – A única verdade que sei é que, desde aquele 17 de maio, estou focado na segurança de minha família e na saúde financeira das empresas, para continuar garantindo os 270 mil empregos que elas geram. Por isso, demos início a um agressivo plano de desinvestimento que tem tido considerável êxito, o que demonstra a qualidade da equipe e das empresas que administramos.

De volta a São Paulo, onde moro com minha mulher e meus filhos, vejo na imprensa políticos me achincalhando no mesmo discurso em que tentam barrar o que chamam de “abuso de autoridade”.

Eles estão em modo de negação. Não os julgo. Sei o que é isso. Antes de me decidir pela colaboração premiada, eu também fazia o mesmo. Achava que estava convencendo os outros, mas na realidade enganava a mim mesmo, traía a minha história, não honrava o passado de trabalho da minha família.

UMA LIÇÃO – Poucos mencionam a multa de R$ 10,3 bilhões que pagaremos, como resultante do nosso acordo de leniência. Essa obrigação servirá para que nossas próximas gerações jamais se esqueçam dessa lição do que não fazer.

Não tenho dúvida de que esse acordo pagará com sobra possíveis danos à sociedade brasileira.

Hoje, depois de 67 dias e 67 noites da divulgação da delação, resolvi escrever este artigo, não para me vitimar – o que jamais fiz -, mas para acabar com mentiras e folclores e dizer que sou feito de carne e osso. E entregar ao tempo a missão de revelar a razão.

“Veja” revela negócios milionários de Temer com seu ex-assessor José Yunes

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Temer e Yunes criaram seu próprio ‘Banco Imobiliário’

Deu em O Globo

A família do presidente Michel Temer é dona de imóveis comprados do empresário José Yunes, investigado por suspeita de corrupção na Lava-Jato, segundo reportagem publicada neste fim de semana pela revista “Veja”. Dois escritórios, uma casa e o andar de um prédio em áreas nobres de São Paulo valem atualmente R$ 18,4 milhões e foram comprados entre os anos 2000 e 2010, quando Temer era deputado federal.

De acordo com a publicação, o imóvel mais valioso é um andar do prédio Spazio Faria Lima, no bairro Itaim Bibi, zona nobre de São Paulo, comprado por Temer três anos antes do seu lançamento, em 2003.

NO NOME DA FILHA – Segundo o registro, o político do PMDB teria pagado R$ 2,2 milhões à Yuny Incorporadora, empresa fundada por Yunes, responsável pela construção do edifício e atualmente controlada pelos seus filhos. Nos dias atuais, o andar valeria R$ 14 milhões, segundo corretores imobiliários consultados pela revista, não identificados na reportagem. O imóvel está registrado em nome de uma empresa administrada por uma filha do presidente.

Yunes é um dos citados da delação da Odebrecht como beneficiário de pagamentos em dinheiro destinados a políticos do PMDB. O caso ainda está sob investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e levou o empresário a pedir, no fim do ano passado, demissão do cargo de assessor especial da Presidência. Ele nega ter recebido valores da Odebrecht, mas apenas um pacote entregue pelo doleiro Lúcio Funaro, operador do PMDB investigado na Lava-Jato e que está preso há um ano em Brasília.

EM NOME DA MULHER – De acordo com a “Veja”, em junho de 2010, Yunes comprou uma casa no bairro Alto de Pinheiros, também zona nobre, por R$ 750 mil. Um mês depois o imóvel foi vendido à atual primeira-dama Marcela Temer por R$ 830 mil, quantia doada a ela pelo marido antes da compra, segundo informou a assessoria do Planalto à revista. Consultores imobiliários disseram que a casa valia, à época, pelo menos o dobro do que foi declarado. Atualmente o imóvel tem valor estimado em R$ 2,4 milhões, de acordo com a reportagem.

O terceiro negócio foi registrado no ano 2000: trata-se da venda de duas salas comercias do Edifício Lugano, no Itaim Bibi, comprado por R$ 380 mil quando a estimativa de mercado apontava R$ 900 mil como valor dos imóveis. A “Veja” estimou em R$ 2 milhões o valor atual do patrimônio, doado para o filho de Temer, Michelzinho, de 8 anos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam como a política pode ser um ramo muito lucrativo. O ex-presidente Lula se dava ao Lula de manter mais de R$ 600 mil na conta corrente, sem fazer aplicação. E mantinha mais de R$ 9 milhões em fundos de previdência, que rendem mais de 1% (R$ 90 mil) por mês. Quanto a Temer, em sua amizade financeira com o ex-assessor José Yunes, o céu é o limite. O atual presidente mostra ser uma águia em negócíos imobiliários, nos quais investiu as propinas recebidas no apoio ao Porto de Santos. Quanto a Lula, tinha dinheiro para comprar tríplex, sítio e tudo o mais, porém apostou na impunidade e se deu mal. (C.N.)

Antes de haver decisão no Congresso, o Supremo vai restringir o foro privilegiado

Charge do Mário (Humor Político)

Alessandra Azevedo e Marlla Sabino
Correio Braziliense

Já aprovada no Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende acabar com o foro privilegiado, em relação a crimes comuns para quase 55 mil políticos e agentes públicos, não tem data para sair da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, onde está desde o início de junho, ainda sem relator. O foro privilegiado não tem sido discutido apenas no Congresso. Enquanto os deputados hesitam em votar as mudanças, o Supremo Tribunal Federal (STF) julga a possibilidade de limitar o direito dos parlamentares de serem investigados e processados criminalmente apenas na Corte.

Até agora, quatro dos 11 ministros já se disseram favoráveis a restringir o benefício apenas aos atos ligados ao mandato atual, como defende o relator, Luís Roberto Barroso. O placar está 4 a 0, faltando apenas dois votos para aprovar a limitação.

MAIOR RAPIDEZ – De acordo com levantamento feito pelo relator Barroso, uma denúncia na primeira instância é aceita 88 vezes mais rápido do que no Supremo, para onde vão as ações contra os parlamentares. A demora, em média, é de mais de 600 dias para aceitá-la.

Ele acredita que, com essa mudança, mais de 90% dos processos contra políticos atualmente em trâmite no STF seriam enviados a instâncias inferiores. Também defendem as mudanças os ministros Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e a presidente da Corte, Cármen Lúcia. O processo está, atualmente, nas mãos de Alexandre de Moraes, que pediu mais tempo para analisá-lo. Não há prazo para que volte ao plenário.

O foro privilegiado permite que as autoridades sejam julgadas por instâncias superiores. As únicas exceções previstas pela PEC, de autoria do senador Álvaro Dias (PV-PR), são o presidente e o vice-presidente da República, os presidentes do Senado e da Câmara, e os ministros do STF.

LIMITAÇÃO – A proposta aprovada pelos senadores também prevê que um juiz de primeiro grau poderá decretar a prisão de um parlamentar, mas caberá à Câmara ou ao Senado analisar a medida, em 24 horas. Na visão do cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, o foro privilegiado realmente precisa ser limitado aos atos praticados em decorrência do mandato. Casos corriqueiros e quaisquer infrações que a autoridade cometa que não seja relacionada ao exercício do cargo, devem ser tratados como uma questão típica do direito penal e julgada pela 1º instância.

A mudança proposta pela emenda de Álvaro Dias impactaria não apenas na vida dos políticos que já estão sendo investigados, mas também nas prerrogativas de quase 55 mil autoridades que são beneficiadas, sendo que 513 dessas autoridades são deputados federais. É deles que depende, agora, a aprovação da PEC. Pelo menos 308 deputados precisam ser favoráveis à mudança, em dois turnos de votação no plenário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O foro privilegiado é uma vergonha nacional. Já que nossos parlamentares gostam tanto de imitar os EUA nas leis trabalhistas, deveriam também imitar na questão do foro privilegiado, aprovando, na mesma velocidade da reforma da CLT, a extinção dessa odiosa jabuticaba política, que eterniza a impunidade de criminosos notórios e seriais. (C.N.)

Coração de poeta uniu Paulinho Tapajós e Nelson Cavaquinho

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Paulinho Tapajós deixou belas canções

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O arquiteto, produtor musical, escritor, cantor e compositor carioca Paulo Tapajós Gomes Filho (1945-2013), em parceria com Nelson Cavaquinho, revela a dádiva divina existente quando se tem um “Coração Poeta”. Este samba foi gravado por Beth Carvalho no LP Traço de União, em 1982, pela RCA Victor.

CORAÇÃO POETA
Nelson Cavaquinho e Paulinho Tapajós

Deus me deu um coração poeta
E a alma inquieta de um cantor
Pra que eu vigiasse a madrugada
Acordasse o sol e o beija-flor
Cantar me faz
Viver bem mais
Soltar a voz
Que nem um passarinho
Que ninguém prenderá jamais
Se eu sou feliz
Ou infeliz
São lindas minhas penas
Vale a pena ser quem sou
Se eu tenho o céu
Aqui no chão
Se eu tenho o mel no coração

No desespero, ministro da Defesa “inventa” um falso plano contra o crime no Rio

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Jugmann não tem o que dizer, fica inventando

Carlos Newton

Esta quinta-feira, em viagem à Argentina, o presidente Michel Temer voltou a se elogiar e disse que “esse governo não mente”. Mas o velho ditado ensina que “mentira tem perna curta”, e não deu outra. No dia seguinte, para criar uma “agenda positiva”, Temer reuniu no Planalto seis ministros, o presidente da Câmara e o governador do Rio de Janeiro, com a finalidade de encontrar uma solução contra o avanço da criminalidade no Estado. E o governo que não mente logo passou a contar uma mentira atrás da outra, num verdadeiro festival.

O encontro terminou sem nenhuma medida tomada, mas o governador Luiz Fernando Pezão deu entrevista para dizer que o governo liberou mais 800 homens para reforçar a segurança no Estado. Quando os jornalistas lhe disseram que quase toda essa tropa já estava na Rio e só faltavam chegar 140 agentes da Polícia Rodoviária, Pezão demonstrou surpresa, tipo Piada do Ano: “Eu não sabia”, balbuciou.

SUCESSÃO DE MENTIRAS – Depois dessa mancada de Pezão, o ministro da Defesa Raul Jungmann foi assediado pelos repórteres e não parou mais de mentir. Teve de inventar um plano mirabolante, dizendo que as Forças Armadas serão enviadas ao Estado a qualquer momento e de surpresa. “Estamos mudando a cultura. As operações serão feitas sobre três pilares: inteligência, integração (com Força Nacional e polícias) e surpresa, surpresa, surpresa“, afirmou.

Disse que a estratégia é semelhante à adotada pela Polícia Federal em operações especiais. “Nem o governador vai saber antes. Vai saber na hora. Vamos chamar uma coletiva de imprensa e comunicar no momento ou após a operação“, detalhou, acrescentando que as ações realizadas anteriormente, com antecipação da notícia do envio das tropas, só “baixavam a febre”, mas não resolviam os problemas.

ALTA CRIATIVIDADE – Como se vê, quando passa ao ataque o ministro da Defesa se torna altamente criativo e inventivo. Na manhã de sábado, seguiu na mesma balada, ao declarar ao programa RJ-TV que a atuação dos militares será permanente, mas descontínua, em conjunto com os policiais. “No momento seguinte se interrompe essa operação e se iniciam outras e mais outras”, imaginou.

O pior viria a seguir, ao dizer o seguinte: “No caso das Forças Armadas, nós não precisamos de muitos recursos de fora. Só para dar um exemplo, a Vila Militar, que é a maior unidade militar da América do Sul, tem 12 mil homens. Na totalidade das três Forças, temos 35 mil homens”.

Foi uma declaração irresponsável e mentirosa. As tropas militares não estão preparadas para o combate ao crime. Somente podem ser acionadas as unidades que contam com militares de carreira, profissionais. Recrutas de 18 anos não devem participar desse tipo de ação. Portanto, jamais se poderia considerar que há 35 mil homens disponíveis, conforme o ministro anunciou ao RJ-TV.

GUERRA DE MARKETING – Fica claro que o governo está tentando usar o marketing como arma numa guerra civil não declarada, em que mais dois policiais militares foram mortos, já são 90, e ninguém sabe como isso vai parar.

Leonel Brizola e Darcy Ribeiro queriam construir escolas, para evitar construir mais presídios. Agora, não há vagas no sistema carcerário, presos perigosos são soltos irresponsavelmente, porque as leis não são rigorosas e os juízes não estão nem aí. Agora, uma da alternativas é aumentar o rigor das penas, como ocorre no Japão, que assim conseguiu dominar a mais sangrenta máfia mundial, a Yakuza. Além disso, é preciso construir cadeias-oficinas, onde os presos sejam obrigados a trabalhar para custear o sustento de suas famílias.

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P.S –
No Japão os agentes penitenciários trabalham com máscaras, os presos são proibidos de olhar para eles. Aqui no Brasil os agentes são facilmente cooptados pelas facções criminosas, que dominam os presídios, onde existem cantinas e tráfico de drogas. O sistema brasileiro está todo errado, mas quem se interessa? (C.N.)

 PT e PCdoB apoiam Nicolas Maduro, que conduz a Venezuela à ditadura

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Gleisi, do PT, discursa no evento em Manágua

Pedro do Coutto

O PT, de Lula, e o PCdoB de Jandira Fegali – reportagem de Pedro Venceslau, Gilberto Amêndola e Valmar Hupsel Filho, O Estado de São Paulo deste sábado – manifestaram surpreendentemente em favor do presidente Nicolas Maduro, que está lutando para implantar uma ditadura na Venezuela, a base da violência oficial, desejando perpetuar-se no poder. O apoio do PT foi encaminhado pela presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann. O PCdoB manifestou-se através do Secretário Geral do Partido, Edmilson Costa. O PDT de Ciro Gomes e o PSOL de Chico Alencar também participaram do evento. Tudo isso aconteceu num evento do Foro de São Paulo, realizado na cidade de Manágua, capital da Nicarágua.

Caiu a máscara das agremiações que se apresentam como sendo de esquerda e defensoras da liberdade, e que na hora de comprovarem o que dizem representar apoiam efetivamente os regimes ditatoriais que sufocam as liberdades do povo, como é o caso de Nicolas Maduro na Venezuela. Basta se confrontar as mortes, as prisões, a censura aos jornais e o exercício do poder para se chegar à conclusão de que Nicolas Maduro atua no lado absolutamente oposto da democracia.

DIREITA E ESQUERDA – Maduro não está sozinho na busca de uma ditadura a seu favor. No continente já temos o exemplo de Cuba com Raúl Castro. Entretanto, Cuba se apresenta com o manto do comunismo declarado. Maduro luta por si próprio no poder que projeta no fundo um regime fascista, portanto, alinhando-se na extrema direita, numa contradição total entre a palavra e o gesto, entre o projeto e a realidade no fundo almejada.

O comunismo no mundo hoje só está restrito à Coreia do Norte. Existem países como a China, segunda potencia econômica do mundo, que se apresentam como comunistas, mas que na realidade são comunistas no campo político e capitalistas no plano econômico. Com um PIB superior a 10 trilhões de dólares, a China inclui grande número de empresas privadas operando a níveis do mercado internacional. Portanto, está em posição contrária à do comunismo tradicional. Cuba também se apresenta como comunista, porém em seu território atuam empresas privadas.

PRINCÍPIOS DOGMÁTICOS -Assim confunde-se exatamente as suas realidades com os princípios dogmáticos do comunismo, que partiu do pensamento de Karl Marx, saindo dos livros do século XVIII para a Revolução liderada por Lenin em 1917.

Fácil é alguém dizer-se comunista. Difícil é ser comunista de forma concreta. Dá a impressão de que as lideranças atuais do comunismo desejam o capitalismo para suas economias e o comunismo para o povo. A Rússia sequer se apresenta hoje como um país comunista. O comunismo caiu com a derrubada do Muro de Berlim e a política de distensão de Gorbachev. Mas esta é outra questão.

Voltando-se ao comportamento do PT, PCdoB e do PDT, verifica-se que abandonaram totalmente as teses básicas, não do comunismo, mas do reformismo social que sustentavam como um objetivo de ação. Espanta mais a posição do PCdoB porque possui a palavra comunista na sua legenda.

HUMANISMO – As esquerdas atuais nada têm de extremistas. Porque ser reformista é uma coisa, seR extremista outra. Reformistas são aqueles que atuam inspirados no humanismo, valorização do ser humano e do trabalho, não rejeitando o capital, como força produtiva, porém desejando uma participação maior dos trabalhadores e trabalhadoras no crescimento econômico.

Há alguns exemplos marcantes, não apenas no campo social, mas também no plano da religião e da ciência. Grandes exemplos de reformistas são Martinho Luthero, Karl Marx, Freud, Einstein, Ghandi, Roosevelt, para citarmos apenas as figuras que se eternizaram na história. No fundo bateram-se pela liberdade e pelo princípio, nem tanto da igualdade, mas do equilíbrio entre os limites da remuneração do capital e os salários dos que trabalham.

No Brasil, infelizmente, não se percebe qualquer atuação política para obter o equilíbrio que cito no texto.

Sem dinheiro para manutenção, Eike pede permissão para vender seus bens

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Eike separa documentos para delação premiada

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Em prisão domiciliar e afastado de seus negócios, o empresário Eike Batista quer evitar a deterioração de bens bloqueados pela Justiça e, ao mesmo tempo, busca se livrar do custo de sua manutenção. Carros e embarcações que eram símbolo de seu antigo império – como o Lamborghini Aventador branco que enfeitava a sala de sua casa – estão na lista dos bens que o fundador do Grupo X tenta se desfazer, conforme documentos obtidos pelo Estado/Broadcast. Para isso, o empresário vai precisar antes da autorização da Justiça.

“Além da questão da deterioração, Eike está com os bens bloqueados, impossibilitado de arcar com as despesas deles”, afirmou o advogado do empresário, Fernando Martins. A defesa do fundador do Grupo X já anexou aos processos propostas de interessados em diversas embarcações, entre lanchas e jet skis.

PAGAR A FIANÇA – O primeiro pedido para a venda antecipada dos bens foi feito no começo do ano. Desde então, surgiram novos candidatos a comprar a frota do empresário. Eike tem os esportes náuticos como uma de suas paixões. O empresário bateu, em 2006, o recorde de velocidade da travessia Rio-Santos com uma de suas lanchas.

O dinheiro levantado ficará bloqueado na Justiça e parte pode ser usado pelo empresário no plano de pagamento da fiança de R$ 52 milhões, acertado em maio com o juiz da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato no Estado.

Além da 7.ª Vara, Eike tem bens bloqueados em processos na 3.ª Vara Federal Criminal. “A juíza da 3.ª Vara (Rosália Monteiro Figueira) autorizou a avaliação dos bens. Na 7.ª Vara já há autorização para a venda de uma das embarcações”, disse Martins, sem detalhar qual delas.

LANBORGHINI – Em 2014, quando Eike tentou vender pela primeira vez o Lamborghini Aventador modelo 2012 o preço estimado era de R$ 2,5 milhões. Entre as lanchas e jet skis do empresário, ao menos quatro deles já foram avaliados, em um total de R$ 3,6 milhões. A mais cara é a lancha Spirit of Brazil Intermarine 680, avaliada em R$ 3,5 milhões. A embarcação já tem um candidato a dono, que ofereceu R$ 2,5 milhões à vista.

Há ainda uma lancha de pequeno porte batizada de Thorolin, em referência aos filhos do empresário Thor e Olin, e dois jet skis, um de R$ 42 mil e outro de R$ 52 mil. A avaliação foi entregue neste mês. Uma segunda proposta foi feita por uma lancha da italiana Ferretti. Nesse caso, foram oferecidos R$ 400 mil, mas o valor de avaliação não foi informado.

O empresário tem embarcações no Rio e em Angra dos Reis, onde paga pelas vagas nas marinas e manutenção. Outro problema é que a documentação delas está fora da validade, o que impede que os parentes de Eike as usem e que sejam testadas pelos compradores

DOCUMENTAÇÃO – A defesa de Eike também está pedindo a atualização dos documentos na Marinha do Brasil. “Para efetivar o negócio, é necessário que a embarcação seja colocada no mar para realização de testes pelo pretenso comprador”, disse Martins.

Em 2013, quando teve início o desmanche de seu império, o empresário precisou se desfazer do barco Pink Fleet. O projeto de Eike era ganhar dinheiro com eventos corporativos a bordo do navio na Baía de Guanabara, mas a ideia não deslanchou. A embarcação, inaugurada como atração turística em 2007, vinha dando prejuízo ao empresário. Ao final, foi desmanchada e as peças vendidas.

O ex-magnata, que já fez parte da lista de bilionários da Forbes, foi preso em janeiro na Operação Eficiência, desdobramento da Lava Jato no Rio. Após três meses, foi para prisão domiciliar. O fundador do Grupo X foi indiciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado US$ 16,5 milhões em propina ao esquema liderado por Sérgio Cabral (PMDB-RJ), ex-governador do Rio, para ter benefícios em seus negócios.

DELAÇÃO PREMIADA – Como antecipou o jornal O Estado de S.Paulo, ele prepara documentos para um acordo de delação premiada. Na 3.ª Vara Federal Criminal, Eike é réu por supostas irregularidades em sua atuação à frente de duas empresas do seu grupo, a petroleira OGX e a empresa de construção naval OSX.

US$ 16,5 milhões teriam sido pagos pelo empresário Eike Batista em propina no esquema do ex-governador Sérgio Cabral, segundo investigação da Operação Eficiência, desdobramento da Lava Jato. Eike está em prisão domiciliar; Cabral continua preso no Rio.

Da série: “Lula, o PT e o cerco ao presidente Temer”

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Charge do Aroeira (site Tijolaço)

Ronaldo Conde

Nos anos 1980, fui presidente da Associação dos Servidores do CNPq. Ajudei a criar o Sindsep, que seria o sindicato dos servidores públicos do Distrito Federal. Era um sindicato dominado pelas diferentes tendências do PT – mas, tudo bem, naquele tempo o PT tinha outro discurso e vendia a imagem de partido sério e ético. Ajudei a constituição do Sindsep política e financeiramente. Não me arrependo, era a minha obrigação. Na época, eu era do PDT, partido que eu ajudei a criar – e que hoje, sem Brizola, Darcy, Doutel de Andrade, Brandão Monteiro e outros, todos falecidos, transformou-se numa lata de lixo, tal como aconteceu com o PT, sob o tacão de um aventureiro chamado Lupi ou coisa parecida.

Bem, nos anos 1980 estávamos felizes. Fizera-se a abertura, pensava-se numa Constituinte, em eleições diretas – o Brasil, mais uma vez, parecia que ia dar certo. Nós, do PDT, elegêramos o Brizola, o que, para nós, era mais que um êxito político: era a oportunidade de, mais adiante, eleger o gaúcho presidente da República.

CONTRA A CLT – Na época, fomos procurados pelo pessoal do Sindsep (em fase de constituição) e nos espantava o quanto eles se opunham à CLT, que afirmavam ter sido inspirada na Carta del Lavoro, documento fascista, imposto ao povo italiano por Benito Mussolini. Durante nossos papos, eu insistia que a CLT era um documento positivista, nada tendo a ver com a Carta del Lavoro. Eu argumentava que a CLT tinha sido um avanço e garantira direitos aos trabalhadores. Os condestáveis do Sindsep riam de mim. Paciência.

Era inútil. A rapaziada do PT, tendo seus líderes nacionais (Lula, Dirceu, o bigodudo do Rio Grande do Sul, Jacó Bitar) como guias, não perdiam chance de atacar a CLT – segundo eles, produto do “ditador fascista” Getúlio Vargas, que a criara para anestesiar a consciência do povo, de um lado, e para atrelar a classe operária ao Estado burguês/patronal, de outro. O Sindsep era absolutamente contrário ao imposto sindical, arma dos sindicatos pelegos subordinados aos patrões e fonte da mais deslavada corrupção. O Sindsep defendia uma contribuição mensal, definida pelo próprio trabalhador, segundo suas possibilidades. Imposto sindical era coisa de pelego – proclamavam.

POSE DE GANGSTER – Quando voltou do exílio, Brizola fez questão de ir a São Bernardo conhecer Lula, que o recebeu sentado, com os pés trançados sobre a mesa, numa pose típica de gangster. Lula, sempre mal educado e vulgar, sequer levantou-se para cumprimentar o visitante. Durante o encontro, Lula postou-se com absoluta arrogância e atacou Getúlio Vargas, chamando-o de “mãe dos ricos e dos banqueiros”. Brizola foi embora decepcionado. Brizola contou-me isto na casa do então governador Cristovam Buarque – e disse: “Lula pensa que a história começou com ele”.

Então, reparem: o PT sempre foi contra a CLT, o imposto sindical, o FGTS – e agora, para justificar o que fez no país, destroçando-o moral, política e economicamente, afirma que a CLT foi uma conquista do povo brasileiro que o presidente Temer quer liquidar. É um partido arrivista, pois sabe que está dizendo uma baita mentira: a reforma trabalhista, recém-aprovada, não tira um único direito dos trabalhadores. Leiam a lei e textos a respeito – e não digam besteiras.

Lula chegou ao ponto de se comparar a Getúlio Vargas, a quem, tempos atrás, ele chamava de “fascista”, “mãe dos ricos e banqueiros”. É um inconsequente. Será condenado. (artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

 

Qual é o plural correto de gol? Gois, golos, goles ou gols?

Ilustração sem autoria (arquivo Google)

Antonio Rocha

Veja no magnífico Dicionário Houaiss o vocábulo gol, que  entrou para a nossa língua portuguesa em 1904. Mestre Antonio Houaiss esclarece quanto ao plural: “Gols é um barbarismo consagrado pelo uso”. Já outro mestre, Aurélio Buarque de Holanda, em seu também excelente Dicionário, ensina que “barbarismo é erro de pronúncia, grafia, forma gramatical ou significação”. Interessante que todo mundo lê, fala, escreve, comenta os “gols da partida” e ninguém fica escandalizado.

Ainda sobre o plural de gol, o Dicionário Aurélio afirma as duas formas certas: “Gois e golos. É incoerente o plural gols, para uma palavra aportuguesada. Contudo, parece-nos difícil que se venha a fugir desse barbarismo, tão arraigado está”.

E OS GOLES? – Para colocar mais lenha nessa fogueira do barbarismo, os professores gaúchos Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd, em “Escreva Certo”, L&PM Pocket, 2002, explicam:

O vocábulo inglês goal, há muito tempo, foi aportuguesado para gol (ou golo). Mas… e o plural? Goles, gois, golos ou gols?

Todas essas formas, exceto a última, são coerentes com os processos de formação do plural, segundo nossa gramática. Goles ajusta-se à norma pela qual substantivos terminado em L podem formar o plural com o acréscimo de es. Exemplos: Cônsul, cônsules; mal, males; gol, goles.

Gois enquadra-se no princípio de acordo com o qual os substantivos terminados em L também podem formar o plural em ois. Exemplos: farol, faróis; álcool, álcoois; gol, gois.

Golos, supondo-se para o singular na forma golo, é também perfeitamente aceitável. Exemplos: rolo, rolos; bolo, bolos; golo, golos.

 A única forma incoerente em relação à nossa tradição gramatical é, infelizmente, aquela que o uso consagrou: gols. Em Português é tão absurdo dizer gols como dizer farols e álcools. Entretanto, esse fato está tão arraigado em nossa língua, que será muito difícil superá-lo. (páginas 83 e 84)”.

Como dizia o grande poeta Manuel Bandeira (1886-1968): “a língua certa do povo, a língua errada do povo”. E, pensando nisso, escrevi os versos abaixo:

CARTA AOS GRAMÁTICOS

Queridos gramáticos:
Como os senhores bem sabem
Não há jeito que dê jeito
Da gente falar direito.

É tanta regrinha
Impossível gravar
Ninguém mesmo usa
Na hora de falar.

Os senhores também sabem
Que o falar muito varia
De pessoa, de lugar
Da noite para o dia.

Por que essa fixidez?
Normas tão duras !
Não é uma beleza
O falar das ruas?

Seja lá o que for
Fenômeno ou evolução
É falar e ouvir
Criar a oração

Então, essa tal de
Louçania da linguagem
No fundo, no fundo
Me cheira a bobagem

Pois como disse
Manuel Bandeira:
“A língua errada do povo,
A língua certa do povo”.

Não me levem a mal, mas
Não sejamos radicaes
Nem tantas, nem tão poucas
Convenções gramaticaes

Gramática e cachaça
É tudo uma coisa só
Queridos senhores
De nós, tenham dó.

Não adianta fardão
Sem ser, erudito,
É o povo quem decide.
É só, tenho dito.

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P.S
. – Segundo o “Dicionário Aurélio Século XXI”, gramática e cachaça são sinônimos. Você sabia? (A.R.)

 

Forças Armadas serão enviadas ao Rio “de surpresa”, diz o ministro da Defesa

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Jungmann diz que o governador nem será avisado

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Diante da crise de segurança pela qual passa o Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que as Forças Armadas serão enviadas ao Estado a qualquer momento e “de surpresa”. Ele afirmou que as ações realizadas anteriormente – com a antecipação da notícia do envio das tropas publicamente – só “baixavam a febre”, mas não resolviam os problemas.

A estratégia do governo para as operações de Garantia da Lei da Ordem (GLO) vão mudar. Antes, o envio das tropas era autorizado por decreto presidencial após pedido do governo do Estado e comunicado publicamente. A partir de agora, segundo o ministro, militares serão enviados sem comunicação prévia e para ações pontuais.

EDIÇÃO EXTRA – O decreto continua sendo necessário, pois é exigido por lei, e será feito em publicação extraordinária do Diário Oficial da União. “Estamos mudando a cultura. As operações serão feitas sobre três pilares: inteligência, integração (com Força Nacional e polícias) e surpresa, surpresa, surpresa”, afirmou.

Ele disse que a estratégia é semelhante à adotada pela Polícia Federal (PF) em operações especiais. “Nem o governador vai saber antes. Vai saber na hora. Vamos chamar uma coletiva de imprensa e comunicar no momento ou após a operação”, detalhou.

O prazo para vigência do decreto também pode ser diferente. “Eu, particularmente, prefiro que esteja valendo até o fim do governo e que nesse período realizamos ações pontuais”, disse. Jungmann também relatou que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), pede, constantemente, o envio das Forças Armadas ao Estado. “Ele já pediu, sempre pede.”

BAIXANDO A FEBRE – Para o ministro da Defesa, as ações realizadas anteriormente não cumpriram o objetivo plenamente. “Só estava baixando a febre. Os militares ficavam nas ruas, dava uma sensação de segurança e depois o problema voltava.” Com o novo modelo, será possível se precaver de vazamentos e frustrações nas operações, ressaltou.

Em reunião na quinta-feira (20/7) entre o presidente Michel Temer, Pezão e ministros, foi comunicada a criação de um Estado-Maior de Comando no Rio, que há dois dias foi formulado para integrar as operações do Exército, Marinha e Aeronáutica. “Isso já mostra que vamos enviar (as tropas)”, declarou Jungmann.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ministro da Defesa adora um holofote e está dando uma declaração atrás da outra, mas até agora não houve nenhum ação efetiva. Vamos aguardar, para ver se não é conversa fiada. (C.N.)

Um País falido, jogando dinheiro fora!

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Charge do Wilmarx (Humor Político)

Percival Puggina

O governo federal anuncia aumento de impostos para compensar um gasto público que está ampliando o déficit previsto. Ah! Que coisa! Quem poderia imaginar qualquer desses dois fatos, ou seja, o gasto “superior ao previsto” e a solução fiscal encontrada? Estamos diante de uma situação recorrente, apenas agravada pela prolongada recessão que só as toupeiras não anteviam diante do regime de Copa franca e Olimpíada por conta da casa, que vigorou nisso e em tudo mais ao longo dos últimos oito anos do governo petista. Quem dizia que tudo acabaria em roubalheira e prejuízo era muito mal visto.  Faz 10 anos, mas eu lembro.

Era o tempo das vacas gordas e a nação jazia sob um governo, partidos e corporações funcionais suficientemente tolos para imaginar que aquilo iria durar para sempre. Como resultado dessa malfadada conjugação, a despesa continuou crescendo mesmo quando a receita começou a cair.

COMPARAÇÃO – Em sua coluna de sexta-feira (21/07) no site “Diário do Poder”, o jornalista Claudio Humberto registra algo que mencionei durante recente palestra que fiz a um público convidado por entidades empresariais de Passo Fundo. O número é impressionante: o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, tem 10 vezes mais servidores do que a Casa Branca, sede do governo dos EUA. São 3,8 mil no Planalto, 377 no staff de Trump e na cúpula do seu governo.

Não tenho os números do Congresso deles, mas duvido que a proporção seja muito diferente. Nossas duas Casas, juntas, têm 28 mil servidores, na soma dos efetivos, comissionados e terceirizados. Não é diferente a situação, com mordomias e penduricalhos, nos órgãos do Poder Judiciário, seus conselhos e no TCU. Nem é diferente a explicação para o “fundão” de R$ 3,5 bilhões que deverá irrigar a campanha eleitoral do ano que vem.

A questão que proponho aos leitores é esta: houve algum movimento, por menor que seja, no sentido de reduzir os custos fixos nessas posições privilegiadas do serviço público? O contexto de dificuldades que afeta postos de saúde, hospitais, escolas, obras de infraestrutura tem algum reflexo no topo das instituições? Nada! Restrições passam longe dessas cadeiras de espaldar alto.

EXEMPLO CLARO – Observem a Venezuela. Enquanto incendeia sua miséria na valeta do comunismo caudilhesco, Maduro proclama que as dificuldades da economia são resultado da resistência dos empresários e do capitalismo. Aqui, seus parceiros ideológicos não ensinam diferente: a culpa dos problemas do país é do tal mercado e sua lógica. No entanto, a situação nacional seria bem outra se o setor público respeitasse a lógica de mercado na composição de seus quadros e na remuneração de seu pessoal.

Qual é o artifício capaz de justificar o fato de que, no Primeiro Mundo, certas funções tenham um décimo do número de servidores custeados pelo pagador de impostos brasileiro? Isso descreve uma das essências do socialismo: o Estado como grande empregador, remuneração privilegiada para o topo do poder político e o restante trabalhando para pagar a conta. Tudo bem de esquerda, não é mesmo?

Prefeito aliado de Doria se diz envergonhado com a atuação do PSDB

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Morando imita Doria até nas críticas ao PSDB

Thais Bilenky
Folha

Aliado de João Doria (PSDB), o prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Orlando Morando, engrossa o coro dos descontentes com a permanência de ministros do PSDB no governo Michel Temer. Diz que o partido o “envergonha” pela indefinição e está acéfalo. O presidente afastado, senador Aécio Neves (MG), para ele, é página virada.

Com iniciativas parecidas com as de Doria, como vestir-se de gari e usar com frequência redes sociais, Morando é citado como possível candidato a governador e deixa subentendida a pretensão do aliado de se lançar ao Planalto. Ele nega ambas as possibilidades, mas considera ter, como Doria, vantagens competitivas para 2018.

O senhor disse que estava com vergonha do partido.
O PSDB simboliza o melhor, livre dos rolos. Devemos uma satisfação à sociedade sobre aquilo que representamos, e essas mudanças deixaram dúvidas. Aconteceram percalços.

Após a delação da JBS, o partido tinha de sair do governo?
Após a delação.

Ao ficarem no governo, o que ministros do PSDB sinalizam?
Essa coisa de cargo está desassociada do interesse partidário. Se o partido decidir sair e o ministro falar que não sai, você vai expulsá-lo? Não.

Por que disse que está com vergonha do partido?
Por não dar uma resposta. A impressão que dá é que estamos ligados ao governo Temer por conta dos cargos, e não é isso. A permanência se dá pelas reformas.

E por que o partido não consegue tomar uma posição?
Ter posição unificada depende de ter liderança nacional, e não tem. Estamos muito próximos do pleito no ano que vem. Acaba contaminando.

Tasso [Jereissati, presidente interino do PSDB] tem liderança nacional?
Quando definirmos o presidente, ele pode buscar ter.

E o Aécio? Deveria sair em definitivo da presidência?
Ele teve a grandeza de se afastar no momento que veio a denúncia [da JBS], esse episódio triste para a trajetória dele e do nosso partido. Não fala pelo PSDB. O fato está superado, consumado.

Doria disse que o sr. representaria os prefeitos em eventual nova Executiva. Qual cargo?
Nada mais justo do que levar os problemas das prefeituras ao âmbito nacional do partido. Fico honrado. Pode ser vice-presidente, secretário-geral, um vogal.

A que atribui as críticas de caciques a Doria? Há a leitura de que possam furar a fila?
Jamais. O que ninguém pode negar é que existe um novo formato de político, e o PSDB teve a felicidade de dar brilho a esses quadros. A safra nova vem oxigenar o partido, por mais que uma ala conservadora possa não gostar. O que nos diferencia? Nós nos atualizamos. Transparência. Não tem tapinha nas costas, sorrisinho amarelo e enganação.

O sr. também tem marketing com apelo eleitoral, faz ação com roupa de gari.
Usar uniforme me dá um baita orgulho, já fui açougueiro, padeiro. Criamos o programa Parede Limpa, que começou com voluntários. Depois, havia populares querendo participar. Isso é liderança. Trajado adequadamente, estimula. Não é só marketing.

Se o partido achar que é um bom nome para disputar o governo, o sr. aceita?
A eleição está distante. Foco no trabalho, foco na gestão.

O sr. está com o mesmo discurso que o João Doria.
Não estou, não estou…

Fará diferença em 2018 ser novo, sem citação na Lava Jato?
Lógico que faz toda a diferença. Doria e eu temos alto índice de aprovação. Mas isso não é sinônimo de que tenhamos de ser os candidatos.

E o PSDB em 2018?
Alckmin é capacitado, testado. Nome forte. E Doria também desponta. Não sei das reais pretensões dele.

A citação de Alckmin na Lava Jato atrapalha?
Tem de apurar. Meu apelo é para o partido não se desintegrar esquecendo a sociedade.

Como sustentar o discurso crítico à corrupção do PT com quadros do PSDB envolvidos?
Não dá para comparar. Na administração do PT, tinha determinação partidária para roubar dinheiro público.

Aécio, Serra, Alckmin e Aloysio foram citados na Lava Jato…
Ninguém denunciado, ninguém condenado, ninguém preso. Se tiver, aquilo que defendo para o meu adversário defendo para o meu aliado.

E a imagem fica prejudicada?
Você acha que o Aécio não está pagando o preço desse erro da conversa com aquela dupla de bandidos da família Batista? Tem prejuízo de imagem [ao PSDB], mas o eleitor diferencia pessoas de partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom tantas críticas repetitivas, fica parecendo que Doria e seu aliado estão querendo arranjar justificativas para abandonar o PSDB e se candidatar por outro partido. Se realmente o caminho é esse, terão de deixar as prefeituras no final de abril. Vamos aguardar. A única coisa certa até agora é que os dois adoram aparecer. (C.N.)

Até o New York Times enfim percebeu o “golpe branco” na Arábia Saudita

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O príncipe MBS é  patrocinador de terroristas

Pepe Escobar
Asia Times

O que já era segredo escancarado em todo o mundo árabe, já não é segredo sequer nos EUA: o que houve mês passado no recesso mais profundo da Casa de Saud, com a ascensão do príncipe coroado Mohammad bin Salman, codinome MBS, foi, sim, um golpe branco. Há quase um mês, como já comentei, alta fonte no Oriente Médio, próxima da Casa de Saud disse-me: “A CIA está muito insatisfeita com a demissão do [ex-príncipe coroado] Mohammad bin Nayef.

APOIO A TERRORISMO – O sucessor Mohammad bin Salman é visto como patrocinador de terroristas. Em abril de 2014 todas as famílias reais dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita estiveram à beira de serem derrubadas pelos EUA, por causa do terrorismo. Fez-se então um acordo, pelo qual Nayef assumiria o Reino, para pôr fim ao terrorismo.”

A fonte também falou de uma narrativa insistente, que circula em seletos círculos geopolíticos no Oriente Médio, segundo a qual a inteligência norte-americana havia contido “indiretamente” outro golpe contra o jovem emir do Qatar, Xeique Tamim al-Thani, orquestrado por Mohammed bin Zayed, príncipe coroado de Abu Dhabi, com ajuda do exército de mercenários da Blackwater/Academi de Eric Prince nos Emirados Árabes Unidos. Zayed, por falar dele, é o mentor de MBS.

A CIA EM AÇÃO – Mas em vez de golpe em Doha, o que realmente aconteceu foi golpe em Riad. Segundo a fonte, “os eventos estão conectados. Prince/Blackwater é CIA, mas provavelmente conteve qualquer atentado contra o Qatar. A CIA bloqueou o golpe no Qatar e os sauditas reagiram derrubando o eleito da CIA, Mohammed bin Nayef, que deveria ser o próximo rei. Os sauditas estão assustados. A monarquia está em dificuldades, porque a CIA pode pôr o exército na Arábia contra o rei. O príncipe MBS fez um movimento defensivo.”

Agora, quase um mês depois, vem a confirmação do golpe branco/mudança de regime em Riad, estampada na primeira página do The New York Times, atribuída principalmente aos proverbiais “atuais e ex-funcionários dos EUA”.

Trata-se, essencialmente, de mensagem em código dirigida ao estado profundo nos EUA, e confirma o quanto a CIA está extremamente incomodada pela derrubada de Nayef, parceiro no qual EUA confiavam e ex-czar do contraterrorismo. A CIA, por sua vez, simplesmente não confia em MBS, arrogante, sem experiência, embriagado de húbris.

GUERRA AO IÊMEN – O príncipe guerreiro MBS foi responsável por fazer guerra ao Iêmen, que não apenas matou milhares de civis, mas, além disso, também gerou gigantesca e trágica crise humanitária e fome generalizada. Como se não bastasse, MBS foi também o arquiteto do bloqueio contra o Qatar, seguido pelos Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito, e hoje já totalmente desacreditado, depois que Doha recusou-se a ceder às desatinadas “demandas” cozinhadas, em essência, em Riad e Abu Dhabi. O príncipe Nayef, crucialmente importante, opôs-se ao bloqueio contra o Qatar.

Não surpreende que a Casa de Saud e os Emirados Árabes Unidos já estejam voltando atrás no Qatar, nem tanto por pressões aplicadas recentemente pelo secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson em campo, mas, sobretudo, por causa do jogo de sombras: o estado-profundo nos EUA está garantindo que seus interesses no Golfo – a começar pela base de Al-Udeid no Qatar – não sejam misturados naquela confusão.

‘JOGADOR’ TEMERÁRIO  – O príncipe MBS, embora tratado com luvinhas infantis de veludo em toda a Av. Beltway, por causa do velho meme “Arábia Saudita é nossa aliada”, é, para todos os efeitos práticos, o homem mais perigoso de todo o Oriente Médio.

Exatamente o que já se lia no famoso memo da inteligência alemã (BND): O jovem “jogador” vem para causar muitos problemas. Círculos financeiros na União Europeia estão absolutamente apavorados ante a possibilidade de que os jogos geopolíticos de MBS acabem por jogar no lixo milhares de poupanças para aposentadorias.

Também muito importante, o memo da BND alemã detalhava o modo como a Casa de Saud financiara na Síria a criação do Exército da Conquista – basicamente reedição da Frente al-Nusra, também chamada al-Qaeda na Síria – e de grupos gêmeos de Ahrar al-Sham. Trata-se, em resumo, de a Casa de Saud promover, apoiar e armar o terrorismo salafista-jihadista. E isso, vindo de um regime que, depois de seduzir o presidente Donald Trump dos EUA para que participasse de uma embaraçosa dança de espadas, sentiu-se livre para acusar o Qatar de ser nação terrorista.

CAMPO DE GÁS – O bloqueio determinado por MBS contra o Qatar nada tem a ver com silenciar a rede de TV al-Jazeera; tem a ver, sim, com a derrota dos sauditas na Síria, e com o fato de que Doha abandonou a causa perdida de “Assad tem de sair”, para aliar-se com Teerã para vender gás natural liquefeito para a Europa, a partir do campo de gás gigante Dome Norte/Pars Sul, que os dois países partilham.

O príncipe MBS – assim como seu pai, doente – não apareceram na cúpula do G-20 em Hamburgo; a presença do Qatar seria embaraçosa demais, considerando por exemplo a posição de Doha como poderoso investidor tanto na França como no Reino Unido. Mesmo assim, todos os olhos estão sobre ele: MBS prometeu turbinar o confronto doentio entre sunitas e xiitas, levando a guerra “para dentro do Irã”.

E adiante há a questão de como MBS enfrentará a abertura de capital da Aramco, ameaçada de mil perigos por todos os lados.

A democracia está sob ataque em todo o mundo, inclusive no Brasil

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Charge sem autoria (blog Boca Maldita)

Leonardo Boff
O Tempo

O pressuposto básico de toda democracia é: o que interessa a todos deve poder ser decidido por todos, seja direta, seja indiretamente, por representantes. Como se depreende, democracia não convive com a exclusão e a desigualdade. Verdadeiro é o juízo de Pedro Demo, brilhante sociólogo da Universidade de Brasília, em sua “Introdução à Sociologia”: “Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis ‘bonitas’, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim. Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”.

Não obstante, não desistimos de querer gestar uma democracia enriquecida, especialmente a partir dos movimentos sociais de base, proclamando o ideal de uma sociedade na qual todos possam caber, a natureza incluída.

O REGIME IDEAL – Será uma democracia sem fim, conforme Boaventura de Souza Santos, cotidiana, vivida em todos os relacionamentos: na família, na escola, na comunidade, nos movimentos sociais, nos sindicatos, nos partidos e, evidentemente, na organização do Estado democrático de direito. Portanto, pretende-se uma democracia mais que delegatícia, que não comece e termine no voto, mas uma democracia como modo de relação social inclusiva, como valor universal (vide Norberto Bobbio) e que incorpore os direitos da natureza e da Mãe Terra – uma democracia ecológico-social.

Esse último aspecto nos obriga a superar um limite interno do discurso corrente da democracia: o fato de ser ainda antropocêntrica e sociocêntrica, vale dizer, centrada apenas nos seres humanos e na sociedade. O antropocentrismo e o sociocentrismo representam um reducionismo. Pois o ser humano não é o centro exclusivo, nem mesmo a sociedade, como se todos os demais seres não entrassem em nossa existência, não tivessem valor em si mesmos e somente ganhassem sentido e valor enquanto ordenados ao ser humano e à sociedade.

CORRENTE DA VIDA – Ser humano e sociedade constituem um elo, entre outros, da corrente da vida. Sem as relações com a biosfera, com o meio ambiente e com as precondições físico-químicas, não existe nem subsiste. Na era da nascente geossociedade e da conscientização ecológica e planetária, a natureza, o ser humano e a sociedade estão indissoluvelmente relacionados: possuem um mesmo destino comum, como bem dizem a encíclica do papa Francisco “Cuidando da Casa Comum” e a “Carta da Terra”.

A perspectiva ecológico-social tem, ademais, o condão de inserir a democracia na lógica geral das coisas. Sabemos hoje pelas ciências da terra e da vida que a lei básica que subjaz à cosmogênese e a todos os ecossistemas é a cooperação de todos com todos, a sinergia, a simbiose e a inter-relação entre todos, e não a vitória do mais forte.

IDEAL BUSCADO – A democracia é o valor e o regime de convivência que melhor se adéqua à natureza humana cooperativa e societária. Realizar a democracia significa avançar mais e mais no reino do especificamente humano. Significa religar-se também mais profundamente com a Terra e com o Todo.

É o ideal buscado. No entanto, o que estamos vendo nos dias atuais é o contrário: um ataque à democracia em níveis mundial e nacional. O avanço do neoliberalismo ultrarradical, que concentra poder em pouquíssimos grupos, radicaliza o consumismo individualista e alinha os países à lógica do império norte-americano, solapa as bases da democracia. O golpe parlamentar dado no Brasil se inscreve dentro desse ideário.

Emenda que extingue o foro privilegiado está engavetada na CCJ da Câmara

Charge do Oliveira (Humor Político)

Alessandra Azevedo e Marlla Sabino
Correio Braziliense

Os políticos que têm processos correndo no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes comuns, como corrupção, roubo e lavagem de dinheiro, podem respirar tranquilos, pelo menos por enquanto. O fim do foro privilegiado, embora tenha avançado no primeiro semestre, ainda é uma realidade distante, avaliam especialistas. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que pretende acabar com tratamento judicial especial em relação a crimes comuns para quase 55 mil políticos e agentes públicos, não tem data para sair da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, onde está desde o início de junho, ainda sem relator.

Além de ser um tema pouco priorizado pelos deputados, a proposta esbarrou na tumultuada análise da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. De maio até o fim do semestre passado, as atenções do Congresso Nacional acabaram voltadas ao arquivamento da denúncia, esforço que esgotou boa parte do capital político do governo.

NA GAVETA – Agora, em meio às pendências relativas às reformas tributária, previdenciária e política, entre outros temas focados principalmente no ajuste fiscal, a agenda do próximo semestre legislativo não deve ter espaço para continuar o debate sobre o foro privilegiado.

Quanto mais tempo passa, menores as chances de que o assunto seja colocado em pauta pelos deputados, que tentarão retardar a votação da matéria, avaliou o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice. “A forma como a proposta passou pelo Senado deve prevalecer na tramitação na Câmara, favorecendo aos políticos, de certa forma. Eu não sei se é do interesse dos deputados avançar nessa questão, não vai andar se não houver uma pressão por parte da população”, observou.

O cientista político Everaldo Moraes ressaltou que, diante da crise política, o governo deve se concentrar nas matérias vistas como prioritárias, lista na qual não entra o foro privilegiado. “Os deputados governistas dificilmente gastarão o pouco capital político que têm fazendo mudanças que não os beneficiarão”, explicou.

LONGO CAMINHO – Mesmo que o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, indique o relator e coloque a pauta em votação pelo colegiado assim que o recesso parlamentar acabar, em 1º de agosto, a matéria ainda tem muito caminho a percorrer antes de sair do papel.

A proposta segue empacada na CCJ da Câmara. » Para que seja aprovada a admissibilidade, o regimento prevê cinco sessões para apreciação. Ainda não foi designado um relator.  Ao sair da CCJ, a Mesa Diretora criará comissão especial para analisar o mérito, que tem, no máximo, 40 sessões para apreciar um parecer. Aprovado na comissão, o texto vai a plenário para ser apreciado em dois turnos, com prazo mínimo de cinco sessões entre eles. A proposta deve receber pelo menos 308 votos do total de 513 deputados.  Caso o texto aprovado no Senado seja alterado na Câmara, é necessário que o projeto volte para análise dos senadores.

Por isso, independentemente da boa vontade dos parlamentares, as chances de que o foro mude até as eleições de 2018 são mínimas, alertam os especialistas. “O projeto só seria concluído a partir de outubro, porque precisaria passar pela CCJ e por uma comissão especial, antes de ir ao plenário”, explicou o consultor Antonio Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O projeto é do senador Álvaro Dias (Podemos-PR), que é pré-candidato à Presidência em 2018. Antes da decisão do Congresso, o Supremo já terá mitigado o foro privilegiado, por proposta do ministro Luís Roberto Barroso, e vai limitá-lo apenas aos crimes ocorridos durante o atual mandato parlamentar. (C.N.)

Na modalidade conta corrente, Lula venceu o dono do Itaú

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Augusto Nunes
Veja

“Quanto o Olavão costuma manter na conta pessoal?”, perguntei a um amigo íntimo de Olavo Setúbal, dono do Banco Itaú. “Uns quinhentos mil reais”, ouvi de volta. Nesta quarta-feira, graças ao bloqueio determinado pelo juiz Sergio Moro, o Brasil ficou sabendo que a soma dos depósitos de Lula em quatro contas correntes ultrapassa a marca dos R$ 600 mil. Mais de meio milhão. O ex-metalúrgico fantasiado de pai dos pobres derrotou por uma diferença de 100 mil reais o maior banqueiro do pais.

Na quinta-feira, enquanto incontáveis brasileiros continuavam espantados com o tamanho das reservas bancárias do chefão, foram bloqueados 9 milhões de reais aplicados em dois planos de previdência privada. É um tipo de investimento estranho para quem já chegou aos 71 anos. Mas foi esse o destino de parte da fortuna presenteada a Lula pelas empreiteiras às quais serviu como camelô, despachante e facilitador de negócios. Aí tem.

PERSEGUIDO POLÍTICO – Condenado a 9 anos e meio de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, o chefão caprichou mais ainda de vítima de um juiz que o persegue por motivos políticos e da elite indignada com um ex-presidente que acabou com os pobres. A vigarice foi novamente à lona com o confisco determinado por Moro. Só se livraram da vida modesta que conheceram no século passado o próprio Lula, filhos, netos, alguns sobrinhos e outros tantos agregados.

O patriarca desfrutou da vida de ricaço até o aparecimento da Lava Jato. As palestras de 2 mil dólares sumiram, os patrocinadores foram engaiolados, as negociatas no exterior entraram em recesso. Até secar abruptamente, a fonte que irrigou com dólares os bolsos de Lula foi tão caudalosa que o palestrante sem convites desde dezembro de 2015 tem alguns milhões guardados. O confisco judicial talvez o ajude a preparar-se para as durezas da vida na cadeia.

O imposto e o abismo, na situação real da economia

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Charge do Cau Gomez (Charge Online)

Bernardo Mello Franco
Folha

O aumento do imposto do combustível mostra que existe um abismo entre a propaganda do governo e a situação real da economia. Diante dos microfones, o presidente Michel Temer diz que o país voltou aos trilhos. No silêncio dos gabinetes, a equipe econômica admite que as contas estão longe de fechar.

No ritmo atual, seria impossível cumprir a meta de R$ 139 bilhões de deficit. O governo asfixiou a máquina e parou até a emissão de passaportes, mas a arrecadação continuou muito abaixo do esperado. Para tapar o rombo, vai apelar ao remendo de sempre: tungar o contribuinte.

PRESERVAR O AJUSTE – Em nota conjunta, os ministérios da Fazenda e do Planejamento afirmaram que o aumento do imposto do combustível é “absolutamente necessário” para preservar o ajuste fiscal e manter a “trajetória de recuperação da economia brasileira”.

Todos sabem que a crise fiscal foi gerada no governo Dilma Rousseff, mas Temer já teve mais de um ano para mostrar resultados. Parte da encrenca atual é fruto da decisão do presidente de conceder aumentos polpudos ao funcionalismo.

Só neste ano, a despesa adicional com salários e aposentadorias de servidores já ultrapassou a casa de R$ 12 bilhões. Isso não inclui o gasto extra para agradar deputados e barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente.

Nesta quinta-feira, Temer voltou a vender otimismo e fazer elogios a si próprio. Em solenidade no Palácio do Planalto, ele disse que o Brasil “não parou” e chamou os críticos do governo de “arautos do catastrofismo”. Haja autoestima.

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P.S. –
Em maio, Sérgio Sá Leitão divulgou foto com um procurador da Lava Jato no lançamento do livro “A Luta Contra a Corrupção”. Dois meses depois, ele aceitou convite para ser ministro da Cultura. Vai integrar um governo repleto de investigados e terá como chefe um presidente acusado de corrupção. (B.M.F.)

Fernando Haddad é mesmo o Plano B do PT, caso Lula seja condenado pelo TRF-4

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Haddad já iniciou a sua campanha paralela

Mônica Bergamo
Folha

Fernando Haddad (PT-SP) já está percorrendo o Brasil, como preconizou Lula ao dizer que o ex-prefeito pode substituí-lo como candidato a presidente caso a Justiça o impeça de disputar a eleição em 2018. Desde junho, Haddad já foi ao Rio duas vezes, a Belo Horizonte e a Montes Claros, em Minas, a Goiânia e a Brasília. Tem outras dez viagens marcadas, para cidades como Campinas, Avaré, Florianópolis, São Luís, Recife, João Pessoa, Fortaleza e Natal. Quase sempre fala a estudantes em universidades, aproveitando para dar entrevistas à imprensa local.

“O Haddad pode ser uma personalidade importante, se ele se dispuser a percorrer o Brasil”, disse Lula na quinta-feira (dia 20) ao programa “Na Sala do Zé”, de José Trajano, quando questionado sobre possíveis nomes para substituí-lo na cédula de 2018. “Eu já falei ‘companheiro Haddad, é o seguinte: você tem que botar o pé na estrada, falar o que você fez na educação, Haddad’ “.

É LULA – Em conversas com outros políticos e dirigentes partidários, Haddad sempre evita responder se seria candidato no caso de impedimento de Lula. O ex-prefeito adota o discurso do PT, de que o partido não tem plano B.

Ainda sobre Lula, o PSDB nacional tirou do ar uma enquete realizada em seu site que perguntava a opinião do público sobre a condenação do ex-presidente. Até a tarde de quinta-feira (dia 20), a pesquisa apontava que 93% acreditavam que a sentença “foi uma decisão política”.

O partido diz que a enquete foi retirada porque houve a suspeita de que alguém acionou robôs virtuais para influenciá-la. Os administradores teriam ficado com medo de que o site saísse do ar por conta do número elevado de acessos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fazer enquete na internet é perda de tempo. Depois que inventaram os robôs cibernéticos, qualquer pesquisa pode ser facilmente manipulada. Foi por esse motivo que fizemos críticas à decisão do novo partido Podemos, que está definindo sua posição sobre Temer com base em enquete na web. Quanto ao candidato presidencial do Podemos, certamente é um dos melhores.  Basta lembrar que o senador Álvaro Dias é o autor da emenda para extinguir o foro privilegiado dos políticos e autoridades. (C.N.)

Uma cantiga de tropeiro, na visão de Paulinho Pedra Azul

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Paulinho Pedra Azu, compositor das Geraes

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O cantor, compositor e poeta mineiro Paulo Hugo Morais Sobrinho nasceu na cidade de Pedra Azul, a qual adotou como nome artístico. É um dos cantores mais conhecidos de Minas Gerais, depois de Milton Nascimento. Sua música registra influências que incluem os Beatles, o samba e o mineiro Clube da Esquina.

O sonhar de um vaqueiro através de mudanças no seu cotidiano é o teor principal na letra de “Tropeiro de Cantiga”, música que faz parte do LP “Tropeiro de Cantigas” gravado por Paulinho Pedra Azul, em 1982, produção independente.

TROPEIRO DE CANTIGA
Paulinho Pedra Azul

Eu sou um bom vaqueiro
Que dorme o dia inteiro
Pra poder laçar carneiros no céu
Lá eu tenho um mensageiro
Que faz da luz de um candeeiro
A chama do luar dentro de mim

Juro, eu sou assim
Tropeiro de cantiga
Que mudou de vida
Pra ser cantador
Passarim sem asa
Eu sou tudo e nada
Sou um sonhador