Em matéria de política externa, Lula segue Amorim e faz tudo errado

Celso Amorim – CartaCapital

Ceso Amorim é um bajulador de ditadores sanguinários

Vicente Limongi Netto

Bajulado pela imprensa dócil, deslumbrada e patrulheira, o decrépito embaixador Celso Amorim leva Lula a erros e mancadas inacreditáveis. Repete as pérolas de bobagens do gênio da lâmpada enferrujada Amorim, fantasiado de ministro de fato das Relações Exteriores, já que o ministro de direito, Mauro Vieira, é uma omissão completa. Figurante de terceiro time. Não se impõe. 

Nessa linha, o conceituado jornalista Cláudio Humberto revela, no excelente portal Diário do Poder, que petistas qualificados querem que Lula reavalie as sandices sobre política externa que o patético Celso Amorim despeja nos ouvidos dele, sem nenhuma cerimônia.

DO LADO ERRADO – O colunista salienta que a série de baboseiras de Celso Amorim” fazem com que Lula esteja sempre do lado errado em política externa”.  É inacreditável que Celso Amorim fique contra o bom senso mundial, afirmando a colossal asneira, que dói nos nervos: “Trump errou por matar o líder de um país”.

Certamente a pobreza de raciocínio de Amorim chegará a Casa Branca fazendo com que Trump tome mais cuidado nos próximos ataques ao Irã. Quem sabe, até peça desculpas ao fóssil Amorim.

O mesmo elenco de petistas graduados exige que Amorim pare de encher os ouvidos de Lula com idiotices.

MODERNIZAÇÃO – Segue Cláudio Humberto: “Querem que Lula se modernize em relação a política externa. Priorizando os reais interesses do Brasil. Que Lula pare de seguir a ideologia decadente de Celso Amorim”.

Cláudio Humberto também critica a imprensa brasileira, parte dela também precisa progredir e crescer, sacudir os neurônios, livrar-se dos traços irretocáveis de Celso Amorim:

“Com 83 anos, acometido por um radicalismo tardio, vai ficando cada vez pior, a medida que a vida encurta”, diz o jornalista.

Pânico geral! Nova prisão de Vorcaro aumenta a possibilidade de delação

Com Bíblia na mão e usando tornozeleira eletrônica, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixa a prisão

Vorcaro queria mandar espancar o jornalista Lauro Jardim

José Marques e Adriana Fernandes
Folha

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero. A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada, entre outros motivos, porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

QUEBRAR OS DENTES – “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse Vorcaro em uma mensagem. Outro alvo de mandado de prisão foi Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro. Ele é apontado como um dos principais operadores do banqueiro.

Também foram presos Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro do grupo, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

A PF disse ao ministro que “há vasta prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria, bem como se encontra devidamente evidenciado o perigo concreto gerado pelos investigados se permanecerem em liberdade”.

INTIMIDAÇÃO – Segundo a decisão de Mendonça, “identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça”.

O Globo divulgou nota de repúdio às iniciativas criminosas planejadas contra o colunista. “A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”, afirma.

FOI AVISADO – Também foram identificados registros que indicam que Vorcaro “teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento”.

A PF também fez operação de busca e apreensão na casa do ex-diretor de fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e do servidor Bellini Santana. Ambos já estavam afastados de suas funções na autoridade monetária, decisão agora reforçada por ser ordem judicial.

A decisão de Mendonça diz que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”.

ERA ORIENTADO – “Nesse contexto, foram identificadas comunicações nas quais o investigado solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias.”

A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

Maurício Campos e Juliano Brasileiro, advogados de Fabiano Zettel, disseram que seu cliente se apresentou à Polícia Federal. “Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”, diz a defesa, em nota.

PGR INDECISA…  – A ordem de prisão não chegou a ser requisitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que pediu mais tempo para se manifestar, e disse que não via perigo iminente para que as medidas fossem tomadas com urgência.

“Não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral da República, a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”, disse a PGR.

“Assinalo que antes dessa análise, a Procuradoria-Geral da República não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los.” Mendonça disse que deu prazo de 72 horas para a análise.

INVASÃO DE SISTEMAS – Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, do Ministério Público Federal e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público, segundo as investigações.

Um grupo chamado de “A Turma”, liderado por Luiz Phelippe Mourão, que tinha o apelido “Sicário”, fez ameaças a integridade física também de outras pessoas consideradas oponentes.

Foram cumpridos os quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais. As investigações tiveram o apoio do Banco Central.

BLOQUEIO DE BENS – Também foram determinadas ordens de sequestro e de bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas, segundo a PF.

De acordo com a Polícia Federal, são investigadas suspeitas da prática de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa.

Vorcaro havia sido preso pela primeira vez na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto dez dias depois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Acabou a brincadeira e agora já podem ser encomendados os caixões de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, que serão sepultados da vida pública e expulsos do Supremo por falta de vergonha na cara, segundo a Constituição de Capistrano de Abreu. Apenas isso. E já ia esquecendo: a desfaçatez de Paulo Gonet, da Procuradoria-Geral da República, é incomensurável. (C.N.)

Ormuz sob ameaça: alta do preço do petróleo, a guerra e os reflexos no Brasil

Irã fechou Estreito de Ormuz e ameaça navios

Pedro do Coutto

 

O conflito no Oriente Médio voltou a ganhar contornos de guerra regional. Os bombardeios de Israel em Beirute, onde o Hezbollah mantém bases de operação, e o lançamento de drones contra território israelense recolocam o Líbano no epicentro da tensão. Ao mesmo tempo, o Irã eleva o tom e ameaça incendiar petroleiros que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz — corredor por onde escoa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Quando Ormuz entra no noticiário, o mundo prende a respiração.

Não é retórica vazia. Desde a guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, quando a chamada “guerra dos petroleiros” transformou o Golfo em zona de risco, qualquer sinal de bloqueio na região provoca reação imediata nos mercados. Relatórios recentes de agências internacionais de energia e análises de grandes bancos globais já indicam o efeito preventivo: o barril, que orbitava a casa dos US$ 68, passa a incorporar um “prêmio de risco” que o empurra para perto de US$ 80 — uma alta da ordem de 20% em poucos dias. Em cenários de escalada, a volatilidade costuma preceder os fatos.

REFLEXOS – O impacto não é apenas financeiro; é político. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra pode se estender por mais cinco semanas — tempo suficiente para transformar escaramuças em um teatro de operações mais amplo. Cinco semanas, no calendário geopolítico, são uma eternidade: bastam para realinhar alianças, tensionar cadeias logísticas e pressionar governos que dependem da estabilidade energética.

Para o Brasil, os efeitos chegam pela via clássica: combustível e inflação. A Petrobras, mesmo com política de preços mais flexível nos últimos anos, não opera isolada do mercado internacional. Se o Brent sobe de forma consistente, a defasagem se abre e o dilema reaparece: reajustar e pressionar o IPCA ou segurar preços e comprometer caixa e governança.

A literatura econômica e os comunicados de bancos centrais são claros ao apontar o petróleo como um dos principais vetores de choques inflacionários de oferta. Em um país ainda sensível à memória inflacionária, gasolina e diesel funcionam como multiplicadores — atingem transporte, alimentos e expectativas.

DIMENSÃO ESTRATÉGICA – Há também a dimensão estratégica. O Estreito de Ormuz não é apenas uma rota; é um gargalo. Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa por ali diariamente. Qualquer interrupção — ainda que parcial — obriga a redirecionamentos custosos e pressiona prêmios de seguro marítimo. A história recente mostra que mesmo ataques pontuais a navios elevam o frete e o preço final da energia. Não é preciso um bloqueio total para produzir turbulência.

No tabuleiro regional, a entrada mais direta do Líbano, via Hezbollah, amplia o risco de transbordamento. Israel já demonstrou que responde com intensidade às ameaças em sua fronteira norte. O Irã, por sua vez, usa a dissuasão no Golfo como instrumento de pressão estratégica. Entre ambos, as grandes potências acompanham, calibrando mensagens para evitar que o conflito escale a níveis incontroláveis — mas sem abrir mão de suas posições.

O mundo já viveu momentos semelhantes e sabe que, quando o petróleo sobe por causa da guerra, os efeitos não respeitam fronteiras. O Brasil, embora produtor relevante, não está imune. O desafio é duplo: proteger a estabilidade macroeconômica sem ignorar a realidade dos mercados globais. Em tempos de tensão, prudência e previsibilidade valem tanto quanto barris. Se as próximas cinco semanas confirmarem a escalada, o preço não será apenas o do Brent. Será o da incerteza — e ela costuma cobrar caro.

Para proteger seus ministros, o Supremo continua afrontando normas da Constituição

Blog do Guara: Vão mudar o nome da Praça do Três Poderes - charge do Luscar

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

Os advogados dos irmãos de Toffoli recorreram ao Supremo para evitar que a Maridt, da qual são proprietários no papel, tivesse os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados pela CPI do Crime Organizado.

Para alcançar o seu objetivo, eles usaram um estratagema que pareceu combinado: entraram com o pedido no âmbito de uma ação que jazia arquivada havia três anos nos escaninhos do STF, cujo relator é Gilmar.

BLINDAGEM ANTIGA – Na ação ressuscitada, a Brasil Paralelo requeria a anulação de requerimentos da CPI da Covid que determinavam as quebras de sigilo da empresa acusada de fazer campanha antivacina.

Gilmar concordou com o pleito da Brasil Paralelo em 2021 — e criou o precedente para a Maridt em 2026. Dessa maneira para lá de esperta, ele pôde blindar a empresa da qual Toffoli admitiu ser sócio também e que foi usada para as operações de venda do resort Tayayá, todas elas envoltas em suspeitas de lavagem de dinheiro com a participação indireta de Vorcaro, dono do Banco Master.

Antes disso, Toffoli já havia tido outra boa notícia: Mendonça, que herdou a relatoria do caso Master, já havia autorizado que os irmãos do colega não comparecessem à CPI do Crime Organizado. Eles foram convocados na condição de investigados.

AUTOPROTEÇÃO – O STF foi usado mais uma vez, portanto, para proteger os ministros que o integram, bem como os seus parentes, como se eles estivessem acima dos demais cidadãos brasileiros, ao arrepio da Constituição e em atropelo aos outros poderes, nesse caso o Legislativo.

A conclusão lógica é que, ao contrário do que dizem, se é que eles acreditam mesmo nas suas próprias palavras, o grande entrave à normalidade democrática é o Supremo,  um tribunal que rasga o texto constitucional para adaptar as leis à jurisprudência de ocasião, que faz tábua rasa das regras processuais e que persegue cidadãos por suas opiniões, como assistimos desde a instauração do inquérito das fake news, lá se vão sete anos.

O país conta com o desfavor de um Supremo que golpeia os fundamentos da democracia, e isso já salta aos olhos de quem defendia o tribunal até pouco tempo atrás, fazendo vista grossa aos abusos cometidos por seus integrantes.

Entre bets e maioridade penal, Câmara enfrenta dia decisivo para a PEC da Segurança

Se continuar foragido, Lulinha vai implodir a candidatura de seu pai

Charge do JCaesar: 3 de março | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Carlos Newton

Na folha de antecedentes criminais do presidente Lula da Silva, consta sua condenação a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, decidida por dois juízes criminais e confirmada por três desembargadores federais e cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça, sempre por unanimidade.

Cumpriu apenas 580 dias, porque o Supremo mudou a jurisprudência e tornou o Brasil o único país que não prende criminoso após condenação em segunda instância, uma situação assaz vexaminosa. Depois, limpou a ficha dele, anulando as condenações por erro no CEP, sob alegação de que deveria ter sido julgado em Brasília e não em Curitiba.

FICHA LIMPA – Relator da Lava Jato, o ministro Edson Fachin foi o operador desse esquema de limpeza da ficha. Como se sabe, Fachin era conhecido militante petista, fez campanha para Dilma Rousseff em 2010 e cinco anos depois ela o nomeou para o STF.

Em 2021, Fachin então teve a oportunidade de retribuir a gentileza partidária e conduziu a aprovação da tese que anulou ilegalmente as condenações de Lula. Sem o menor pudor, aceitou o argumento da defesa, que ele próprio já havia rejeitado, e o advogado voltou a apresentar.

A tese era ridícula, alegando “incompetência territorial absoluta”, algo inexistente no Direito Universal, pois todos os países da ONU adotam a “incompetência territorial relativa” em processos criminais, e jamais se anula condenação, hipótese só cabível em ações imobiliárias.

FILHO FENÔMENO – Cinco anos depois, o presidente Lula corre riscos políticos em plena campanha eleitoral, por causa do filho que ele considera “fenômeno”, Fábio Luís, chamado de Lulinha.

Nesta segunda-feira, dia 2, oportuna reportagem de Luiz Vassallo e Aguirre Talento, no Estadão, revela que Lulinha já admite a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em viagem a Portugal, conforme a Polícia Federal está apurando (ou já apurou, pois a investigação é muito fácil).

Até agora, o filho do presidente jamais reconhecera ter relações com o lobista do esquema de desviar dinheiro de aposentados e pensionistas, mas passou a alegar que viajou com ele para avaliar negócios com plantação e industrialização de cannabis.

MESADA GORDA – As investigações sobre Lulinha foram abertas porque seu nome foi mencionado por um ex-funcionário do Careca do INSS, Ao depor à Polícia Federal, ele revelou que os dois eram sócios e que o lobista pagava R$ 300 mil mensais ao filho do presidente.

As investigações também encontraram trocas de mensagens em que Careca providenciava pagamentos de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, e a PF abriu investigação para confirmar se o tal “filho do rapaz” é Lulinha.

O Careca está preso em razão de pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS e Lulinha teve o sigilo bancário quebrado pelo ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal e virou prato feito na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, em razão de sua relação com o lobista. A chapa está esquentando cada vez mais.

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P.S.
Lulinha está foragido na Espanha, onde se relaciona com os dirigentes da ONG Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), uma falsa instituição internacional que no governo Lula passou a faturar mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil, prestando desnecessários “serviços” ao Planalto, a governos estaduais e a prefeituras, como a do Rio de Janeiro. A OEI recebeu cerca de R$ 400 milhões, limpos e sem impostos, para “organizar” o fracasso da CPO30 em Belém, conforme denunciamos aqui na Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, e ninguém teve coragem de nos processar. Detalhe importante: Desde 2023, Janja da Silva é a coordenadora da OEI no Brasil. Neste cenário, se Lulinha não voltar e continuar foragido, vai explodir a candidatura do pai. Comprem pipocas. (C.N.)

“Ninguém acima da lei”: juristas pressionam por código de ética para o STF

Gilmar cometeu “fraude processual” ao blindar Toffoli, denuncia senador

Alessandro Vieira (@AlessandroVieiraSE) • FacebookGiovanna de Souza
Estado de Minas

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes cometeu “fraude processual” ao suspender a quebra de sigilo da empresa do também ministro Dias Toffoli.

A declaração foi feita no programa “Roda viva”, da TV Cultura, nessa segunda-feira (2/2). Segundo Vieira, a decisão deveria ter sido tomada pelo ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master na Corte, constatando-se que Gilmar tenha “atropelado a competência” de Mendonça.

QUESTÃO BÁSICA – “Basta ser aluno do primeiro ano de Direito que você vai saber que você não pode escolher o julgador”, afirmou.

A suspensão da decisão da CPMI do Crime Organizado no Senado, que tinha autorizado a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da Maridt, empresa da qual Toffoli e seus irmãos são sócios, se deu na última quarta-feira (25/2).

Segundo o decano, a medida do ministro, adotada na sexta-feira (27/2), configura “desvio de finalidade” e “abuso de poder”. Na decisão, Gilmar argumentou que o sigilo é garantido pela Constituição e que funciona como “importante mecanismo de preservação de direitos fundamentais, visando a impedir a instauração de um poder absoluto, genérico ou inquisitorial”.

VAI RECORRER – O senador Alessandro Vieira afirmou que são estudadas alternativas jurídicas para reverter a situação, que podem ser adotadas via um requerimento autônomo, recurso ou o flagrante de problema de competência. Ele ainda afirmou que a atuação de Gilmar é “grotesca” e “piorou tudo o que Toffoli esteve fazendo”.

Para o senador, o Poder Judiciário não é confiável, enquanto o Poder Legislativo, composto pelo Senado e Câmara dos Deputados, “vive inibido de sua atuação”.

“Inibido por falta, às vezes, de conhecimento, mas muito mais porque você tem pessoas comprometidas, que não têm envergadura para poder enfrentar um debate com o ministro, porque o ministro pode abrir uma gaveta e tirar lá dentro um processo que está comodamente esquecido. Essa é uma realidade do Parlamento brasileiro. A gente não pode tapar o sol com a peneira”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
É muito bom quando a gente encontra e ouve um parlamentar competente e comprometido com o interesse público. Alessandro Vieira é um dos parlamentares mais respeitados do momento. Ele também afirmou no ‘Roda viva’ que se arrependeu de ter votado em Bolsonaro e trabalha por uma terceira via em 2026. (C.N.)

Governo eleva imposto de importados, recua e alega que é apenas “fake news”

Alckmin diz que EUA só tem a ganhar com Brasil e defende diálogo sobre  comércio – Money Times

Alckmin inventou uma fake news para poupar Lula e Haddad

Roberta Ribeiro e Hermano Freitas
Gazeta do Povo

Após elevar, na semana passada, o Imposto de Importação de mais de 1.200 produtos, incluindo eletrônicos e itens de informática, o governo federal recuou parcialmente e, na sequência, passou a classificar veiculações sobre o aumento na tributação como “fake news”.

A alta no imposto gerou forte repercussão negativa para o governo, principalmente nas redes sociais, o que levou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a reverter o aumento na taxação de 120 produtos, incluindo smartphones e peças de computador.

NOTÍCIA FALSA? – O recuo parcial foi divulgado à imprensa pela assessoria do MDIC no meio da tarde de sexta-feira (27). No mesmo dia, às 22h, o perfil oficial do governo publicou um vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin alegando serem falsas as notícias sobre a alta no imposto.

Até a publicação desta reportagem, o vídeo de Alckmin já somava mais de 6,5 milhões de visualizações nas diferentes redes sociais. Nele, o vice-presidente diz que a alta nos preços dos produtos se tratava de notícia falsa, e que não haveria aumento do imposto de importação para “celular, notebook, gabinete, memória, roteador, processador, placa-mãe, LED”.

“Nada disso vai ter aumento de imposto. Essa semana circularam muitas notícias falsas, vídeo que inventa história para assustar as pessoas. Isso não é verdade”, disse.

TUDO MENTIRA – A resposta de parlamentares da oposição ao governo Lula não tardou. O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) foi um dos primeiros a se manifestar. “Mentirosos. Foi depois que propus na Câmara a revogação dos aumentos que vocês cancelaram. Agora, virou fake news”, questionou o deputado em comentário no vídeo de Alckmin.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a publicação. “Aumentaram a tarifa de mais de 1.200 produtos, recuaram sobre apenas 105 [na verdade, foram 120] envolvendo um grupo específico, e ainda tem coragem de vir com papo de ‘fake news’. Desrespeito total com os brasileiros”, publicou em seu perfil no X.

Em sua conta no Tik Tok, o também deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que, na verdade, Alckmin e o governo são os responsáveis por espalhar fake news. Em seu vídeo, o deputado inseriu imagens do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando a alta nos impostos.  “Mentira, notícia falsa? Está em documento oficial, assinado por você”, afirma Kataguiri mencionado Alckmin.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importante reportagem, enviada por José Guilherme Schossland, Procurada, a assessoria de comunicação de Alckmin disse que o vídeo “combate uma desinformação”, porque “não haverá aumento de impostos sobre aqueles produtos citados”. Ora, com um governo mentiroso desse jeito, aonde iremos parar? (C.N.)

Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha e impõe derrota ao governo

Alcolumbre se manifestou em plenário nesta terça-feira

Camila Turtelli
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta terça-feira confirmar a votação da CPI do INSS que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao anunciar o resultado de uma questão de ordem em plenário, Alcolumbre impôs ao PT e ao governo uma derrota.

“Adianto desde logo que este não é um caso de flagrante desrespeito ao regimento interno ou à Constituição Federal. Não há aqui situação que justifique a excepcional atuação desta presidência para anular a deliberação da CPMI”, afirmou.

VOTAÇÃO SIMBÓLICA – O recurso foi protocolado após a aprovação, em votação simbólica, de mais de 80 requerimentos em bloco, entre eles o pedido de quebra de sigilo de Fábio Luís e solicitações de informações e convocações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Parlamentares governistas alegaram que houve erro na contagem dos votos durante a sessão conduzida pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (PSD-MG), e pediram a anulação da deliberação. Após a votação, houve protestos no plenário da comissão e o pedido de verificação nominal, que foi rejeitado sob o argumento de que o regimento permite votação simbólica.

O requerimento aprovado de quebra de sigilo de Lulinha foi enviado aos órgãos responsáveis na semana passada, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão deve respondê-lo até esta semana, apesar da tentativa do PT de anular a votação.

VÍCIO FORMAL – Ao anunciar a decisão, Alcolumbre afirmou que não identificou vício formal capaz de justificar a anulação do ato. O ponto central da controvérsia foi o quórum da sessão. Na primeira votação — nominal — foram registrados 31 parlamentares no painel eletrônico, com 18 votos favoráveis e 12 contrários. Em seguida, a comissão deliberou simbolicamente sobre o pacote de 87 requerimentos. Governistas alegaram que 14 integrantes se manifestaram contra e que, considerado o número de presentes naquele momento, o resultado deveria ter sido diferente.

Alcolumbre sustentou que o quórum válido é o da sessão regularmente aberta, com 31 votantes registrados, e que não houve maioria suficiente para rejeitar os requerimentos. “O trabalho das comissões parlamentares de inquérito deve observar um princípio fundamental para o funcionamento do Parlamento: a obediência à decisão da maioria”, disse.

INTERVENÇÃO – Ele também afirmou que a intervenção da Presidência só se justifica em situações excepcionais. “A intervenção da Presidência do Senado só se justifica em situações excepcionais, quando houver flagrante desrespeito às normas constitucionais, legais ou regimentais”, afirmou.

Ao tratar especificamente da modalidade de votação, explicou que a votação simbólica considera o quórum de presença registrado no painel eletrônico e não a contagem individual de votos: “Numa votação simbólica, a apuração dos votos resulta de uma apreciação do presidente a respeito do posicionamento do plenário em face do quórum de presença computado no painel”.

“Proceder de forma diferente implica na transformação da votação simbólica em votação nominal. E isso somente é possível com prévia determinação regimental de votação nominal ou com verificação de votação”, acrescentou.

SEM ALTERAÇÃO – Segundo o presidente do Senado, mesmo que se considerasse o número de votos contrários alegado pelos autores do recurso, o resultado não seria alterado: “Ainda que se considere eventual equívoco na contagem daqueles que se levantaram contra os requerimentos, o número de votos contrários demonstrado não seria suficiente para ganhar a deliberação”.

Os requerimentos foram aprovados em bloco pela comissão presidida pelo senador Carlos Viana (PSD-MG) e incluem, além da quebra de sigilo de Lulinha, pedidos de informações e convocações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Na semana passada, a CPI notificou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para que envie, no prazo de cinco dias úteis, Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre Fábio Luís. O envio ocorreu mesmo enquanto a Presidência do Senado analisava a validade da votação.

REQUERIMENTOS –  Viana já havia encaminhado os requerimentos aprovados às autoridades competentes e declarado que não aguardaria eventual decisão de Alcolumbre para dar seguimento às medidas.

Após a sessão tumultuada, governistas se reuniram com o presidente do Senado e protocolaram recurso com anexos, incluindo registros e imagens. Alcolumbre determinou que a Advocacia da Casa, a Secretaria-Geral da Mesa e a Polícia Legislativa analisassem os aspectos fáticos e jurídicos do caso antes de decidir.

TENSÃO – A decisão ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o Senado e o Palácio do Planalto. Nos últimos meses, houve acúmulo de desgastes, entre eles a caducidade da medida provisória que instituía o programa Redata, voltado à instalação de data centers. Oficialmente, a justificativa foi o prazo exíguo para análise da proposta.

Mais cedo, antes de anunciar o desfecho, Alcolumbre afirmou que ouviria a Advocacia do Senado antes de decidir. “Estou querendo decidir; vou ouvir a advocacia”, disse. Com a manutenção da votação, o presidente do Senado reafirma que não houve irregularidade formal no procedimento adotado pela comissão e que prevalece a deliberação colegiada da maioria.

“Adianto desde logo que este não é um caso de flagrante desrespeito ao regimento interno ou à Constituição Federal. Não há aqui situação que justifique a excepcional atuação desta presidência para anular a deliberação da CPMI”, destacou.

ANÁLISE TÉCNICA –  Ao comunicar sua decisão, o presidente do Senado relatou que foi procurado por parlamentares após a sessão da comissão e determinou a análise técnica do caso. “Na última semana, fui procurado por diversos parlamentares que trouxeram ao meu conhecimento os fatos ocorridos na comissão. Diante da gravidade das alegações, solicitei à Advocacia da Casa e à Secretaria-Geral da Mesa que examinassem todos os aspectos fáticos e jurídicos do caso”, afirmou.

Alcolumbre sustentou que o funcionamento das CPIs deve observar a regra da maioria e a deliberação colegiada prevista na Constituição: “O trabalho das comissões parlamentares de inquérito deve observar um princípio fundamental para o funcionamento do Parlamento: a obediência à decisão da maioria”.

Ele também afirmou que a intervenção da Presidência só se justifica em situações excepcionais: “A intervenção da Presidência do Senado só se justifica em situações excepcionais, quando houver flagrante desrespeito às normas constitucionais, legais ou regimentais”.

ERRO NA CONTAGEM – O recurso foi protocolado após a aprovação, em votação simbólica, de mais de 80 requerimentos em bloco, entre eles o pedido de quebra de sigilo de Fábio Luís e solicitações de informações e convocações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Parlamentares governistas alegaram que houve erro na contagem durante a sessão conduzida pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (PSD-MG), e pediram a anulação da deliberação.

Ao tratar especificamente da modalidade de votação, Alcolumbre afirmou que a votação simbólica considera o quórum de presença registrado no painel eletrônico e não a contagem individual de votos.

“Numa votação simbólica, a apuração dos votos resulta de uma apreciação do presidente a respeito do posicionamento do plenário em face do quórum de presença computado no painel”, disse.

PREVISÃO REGIMENTAL – Ele acrescentou que transformar a votação simbólica em nominal só é possível mediante previsão regimental ou pedido de verificação: “Proceder de forma diferente implica na transformação da votação simbólica em votação nominal. E isso somente é possível com prévia determinação regimental de votação nominal ou com verificação de votação”.

Segundo o presidente do Senado, mesmo que se considerasse o número de votos contrários alegado pelos autores do recurso, o resultado não seria alterado. “Ainda que se considere eventual equívoco na contagem daqueles que se levantaram contra os requerimentos, o número de votos contrários demonstrado não seria suficiente para ganhar a deliberação”, afirmou.

PROTESTOS – Após a votação na comissão, houve protestos e pedido de verificação nominal, rejeitado sob o argumento de que o regimento permite a votação simbólica. Os requerimentos já haviam sido encaminhados aos órgãos competentes na semana passada, inclusive ao Coaf.

A decisão ocorre em um momento de tensão entre o Senado e o Palácio do Planalto. Nos últimos meses, interlocutores relatam acúmulo de desgastes, entre eles a caducidade da medida provisória que instituía o programa Redata, voltado à instalação de data centers. Oficialmente, a justificativa foi o prazo exíguo para análise da proposta. Aliados de Alcolumbre afirmam que a decisão foi regimental.

Resistência do MDB mineiro complica o plano de Lula para lançar Rodrigo Pacheco

Oposição acusa base de tentar barrar quebra de sigilo de Lulinha na CPI do INSS

Em São Paulo, alguma coisa acontecia com o coração de Caetano Veloso…

São Paulo, 467 anos: Caetano Veloso, antes e depois de Sampa - PCdoB

Caetano criou um belíssimo hino para São Paulo

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, na letra de “Sampa”, traduz as impressões que a capital paulista causa ao imigrante, que se traduz num hino de amor à cidade, pois a letra também deve ser analisada levando-se em conta o contexto da época e do próprio momento da vida do autor. A música foi gravada por Caetano Veloso no LP Muito (dentro da estrela azulada), em 1978, pela Philips.

SAMPA
Caetano Veloso

Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia
Concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas…

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga
E a Avenida São João…

Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora
O que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes…

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te
De realidade
Porque és o avesso
Do avesso, do avesso, do avesso…

Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva…

Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos
Passeiam na tua garoa
E novos baianos
Te podem curtir numa boa…               

Haddad diz que não queria disputar SP, mas admite peso da decisão de Lula

Alcolumbre vai decidir se a quebra  de sigilo de Lulinha está valendo

De 'VAR' de Alcolumbre a recurso no STF: o que pode acontecer com decisão da CPI do INSS sobre sigilos de filho de Lula

A decisão será baseada nas imagens da votação na CPI

Camila Turtelli e Victoria Azevedo
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai decidir se mantém ou anula a votação da CPI do INSS que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente Lula, em meio a uma nova onda de descontentamento com o Executivo.

A deliberação foi contestada por parlamentares governistas, que apontam irregularidade na contagem dos votos e pediram a invalidação do resultado. A análise, segundo interlocutores, será técnica — embora inserida em um contexto mais amplo de atrito entre o Senado e o Palácio do Planalto.

SEM PRAZO – Alcolumbre orientou os governistas a formalizar o pedido por escrito, com imagens e documentos, e indicou que o material será examinado com apoio da Secretaria-Geral da Mesa, da Advocacia do Senado e da Polícia Legislativa. A assessoria informou que ele ouvirá os dois lados antes de decidir. Não há prazo definido.

Após o tumulto na sessão da CPI, na quinta-feira, parlamentares da oposição e da base foram à residência oficial do Senado apresentar suas versões. A ambos os grupos, o presidente teria reiterado que as comissões têm autonomia, mas que a chefia da Casa pode ser acionada diante de eventual descumprimento regimental. Um aliado do parlamentar diz que Alcolumbre ouviu, pediu que houvesse uma formalização da contestação e afirmou que analisará o caso com cautela.

O episódio soma-se a desgastes acumulados nos últimos meses. A decisão de deixar caducar a medida provisória que criava o Redata — programa voltado à instalação de data centers — foi lida por interlocutores como um gesto deliberado de insatisfação política, e não apenas como divergência procedimental.

MP CADUCOU – Oficialmente, a justificativa foi o tempo exíguo para análise da proposta, aprovada pela Câmara poucas horas antes do vencimento. Aliados lembram que Alcolumbre havia declarado em plenário, no ano passado, que não pautaria matérias complexas enviadas às vésperas do prazo final.

O compromisso teria sido assumido após pressão de senadores que reclamavam de prazos apertados e da expectativa de que a Casa atuasse apenas como instância homologatória.

Ao descrever o sentimento predominante, um interlocutor de Alcolumbre diz que o Senado não pode ser apequenado. Outra crítica recorrente é que o Senado não deve ser apenas um chancelador das decisões da Câmara. A avaliação é que, diferentemente da Câmara — onde votações costumam ocorrer sob orientação partidária —, no Senado cada voto é tratado individualmente, o que exige negociação mais demorada. Submeter temas estruturais à deliberação de última hora, argumentam, fragiliza a autoridade da presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Davi Alcolumbre sempre foi o principal aliado de Lula, que retribuía o apoio dele nomeando adoidado e liberando emendas do Orçamento Secreto. O afastamento começou no final do ano passado, quando o presidente escolheu Jorge Messias para o Supremo, contrariando Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado. Desde então Lula e Alcolumbre estão rompidos e não há nada de novo no front ocidental. Se ele anular a quebra do sigilo de Lulinha vai provocar uma guerra do Planalto contra o Congresso, e a primeira vítima será o próprio Alcolumbre, cujo caráter tem o valor de uma nota de três dólares. (C.N.)

Ruas, bandeiras e geopolítica: quando a política externa vira arma na disputa interna

Manifestações reduzidas insistiram em pautas desgastadas 

Pedro do Coutto

As manifestações bolsonaristas do último fim de semana, relatadas por reportagens de bastidores políticos, trouxeram à superfície um fenômeno recorrente na política brasileira contemporânea: a instrumentalização da política externa como extensão da polarização doméstica.

Em cidades como São Paulo, protestos reuniram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro empunhando bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, além de cartazes em inglês pedindo “liberdade para Bolsonaro”. O alvo retórico foi o governo de Lula da Silva, acusado de supostamente alinhar o Brasil ao regime do Irã em meio às tensões no Oriente Médio.

NÃO INTERVENÇÃO – A acusação, porém, revela mais sobre a disputa interna do que sobre a real posição diplomática brasileira. Historicamente, o Brasil tem mantido, por meio do Itamaraty, uma linha de política externa baseada no princípio da não intervenção e da defesa de soluções negociadas para conflitos internacionais. A nota oficial citada nas discussões políticas enfatizou exatamente isso: a crítica ao recurso à força militar em detrimento de processos diplomáticos ainda em curso. Trata-se de uma tradição que remonta a décadas e atravessa governos de diferentes orientações ideológicas, sustentando a imagem do país como ator moderador no sistema internacional.

O que se observa, entretanto, é a transformação dessa postura diplomática em narrativa de confronto ideológico. Lideranças da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, reagiram à posição brasileira com críticas duras, sugerindo que a condenação do conflito equivaleria a uma escolha de lado na disputa geopolítica. Esse enquadramento simplifica deliberadamente a complexidade das relações internacionais, convertendo nuances diplomáticas em slogans mobilizadores para consumo interno.

CÁLCULO POLÍTICO – Há, nesse movimento, um cálculo político evidente. Ao associar o governo brasileiro a regimes vistos negativamente pelo eleitorado conservador, a oposição busca reforçar a narrativa de que o atual governo estaria desalinhado dos valores ocidentais e democráticos. O uso de bandeiras norte-americanas nas manifestações, por sua vez, sinaliza não apenas afinidade ideológica, mas também a tentativa de construir um eixo simbólico entre bolsonarismo e o conservadorismo internacional que teve como expoente figuras como Donald Trump. A geopolítica vira, assim, linguagem de pertencimento político.

Do ponto de vista institucional, contudo, a posição brasileira permanece coerente com a tradição de condenar a escalada militar e defender soluções multilaterais. Ao negar legitimidade ao conflito e destacar a existência de negociações diplomáticas em curso, o governo busca preservar o papel do Brasil como mediador potencial, evitando alinhamentos automáticos que reduziriam sua margem de manobra internacional. Essa estratégia não é inédita: já foi adotada em crises anteriores no Oriente Médio, em governos de matizes ideológicos distintos, demonstrando que a diplomacia brasileira opera, muitas vezes, em lógica de Estado, e não apenas de governo.

O problema surge quando a política externa deixa de ser debatida em termos estratégicos e passa a ser absorvida pela lógica da polarização. Nesse ambiente, nuances são descartadas e substituídas por dicotomias simplificadoras: pró-Ocidente ou pró-Irã, pró-democracia ou pró-ditadura. Tal redução empobrece o debate público e obscurece o fato de que a diplomacia brasileira, ao condenar conflitos armados, não necessariamente endossa regimes, mas reafirma princípios jurídicos internacionais como a soberania, a negociação e a resolução pacífica de controvérsias.

IMPACTOS – Além disso, o impacto econômico e social das tensões internacionais — mencionado de forma difusa nas discussões políticas — raramente é tratado com a mesma intensidade que as disputas narrativas. Guerras no Oriente Médio afetam cadeias de energia, comércio e preços globais, com reflexos diretos sobre o custo de vida no Brasil. No entanto, esses efeitos concretos cedem espaço, no debate político, a batalhas simbólicas voltadas mais para a mobilização de bases eleitorais do que para a compreensão das implicações estratégicas de longo prazo.

O episódio recente ilustra, portanto, um padrão mais amplo: a política externa brasileira tornou-se mais um campo de disputa identitária interna. Ao transformar a diplomacia em arma retórica, atores políticos reforçam clivagens ideológicas e deslocam o debate de seus fundamentos técnicos para o terreno emocional. No curto prazo, isso mobiliza militâncias; no longo prazo, pode corroer a credibilidade internacional do país, caso a percepção externa seja de volatilidade ou instrumentalização das posições diplomáticas.

Em última instância, as manifestações revelam menos uma ruptura na política externa e mais a continuidade da polarização que domina o cenário político nacional. A disputa não é apenas sobre o que o Brasil diz ao mundo, mas sobre o que cada campo político deseja que o país represente simbolicamente. Entre bandeiras estrangeiras e acusações geopolíticas, o risco é que o debate sobre interesses nacionais concretos se perca na arena das narrativas, onde a política externa deixa de ser estratégia de Estado e passa a ser mais um capítulo da guerra política interna.

Valdemar chama Michelle de “fenômeno”, mas Bolsonaro veta candidatura a cargo executivo

Declaração foi dada em entrevista ao Canal Livre

Rafaela Gama
O Globo

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, classificou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como um “fenômeno político”, mas afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não queria que ela se candidatasse a um cargo no Executivo.

A declaração foi dada em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na noite de domingo. Dentro do bolsonarismo, Michelle chegou a ter o apoio de Valdemar e de nomes como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, para disputar como vice de uma chapa para o Planalto encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“FENÔMENO” – “O Bolsonaro nunca quis que ela estivesse num cargo no Executivo porque ela nunca teve mandato, nunca passou por um cargo, então ele achava que assumir um cargo no Executivo seria muito difícil para ela”, disse. “Ela é um fenômeno e tem no Brasil o mesmo prestígio do Lula, do Bolsonaro e do Tarcísio. Ela se promoveu muito na liderança do PL Mulher, trouxe as mulheres para a política e fez um trabalho maravilhoso”, acrescentou.

Na ocasião, Valdemar também reafirmou que a ex-primeira-dama tem enfrentado “uma situação muito difícil por ter que cozinhar para o marido de manhã para levar comida para o presídio todos os dias”. Perguntado sobre qual cargo ela deverá disputar neste ano, ele reafirmou que ela será candidata ao Senado pelo Distrito Federal (PL).

Na unidade federativa, o partido também tem como pré-candidata a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). O arranjo, por sua vez, escanteia o governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), que pretende se lançar ao Senado e tornar a vice-governadora, Celina Leão (PP), como sucessora.

CENÁRIO EM MINASDurante a entrevista, Valdemar também respondeu questionamentos sobre o posicionamento do PL em Minas Gerais. No estado, o vice-governador Mateus Simões (PSD) deverá sair candidato ao comando do estado e tem expectativa de ter o apoio do PL em sua chapa, reservando espaço para o partido na indicação para o Senado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, manifestou interesse em lançar na disputa pelo Executivo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem reiterado a intenção de concorrer à reeleição. Em paralelo, Flávio tem considerado lançar um outsider na disputa estadual: o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.

“Eu quero ver a confusão que vai dar lá em Minas, porque, se ele vai ser candidato [à presidência], como que vamos apoiar o candidato a governador dele, que é o vice, Simões? Eu queria saber como e se eles vão ter outro candidato à presidência da República. Lá pode acontecer uma coisa muito curiosa, porque o Mateus é do PSD, partido que pode ter como candidato o governador [do Paraná] Ratinho Júnior”, afirmou.

Jatinho de Vorcaro levou Nikolas em caravana pró-Bolsonaro pelo Nordeste

“Blindar” Toffoli foi o maior erro que Gilmar cometeu atuando no Supremo

Só PGR pode pedir impeachment de ministro do STF, decide Gilmar Mendes

Gilmar se expôs demais e colocou a própria cabeça na forca

Carlos Newton

Não há dúvida de que Gilmar Mendes se tornou o mais importante ministro do Supremo, demonstrando uma capacidade de liderança que realmente faz a diferença. Formado na Universidade de Brasília, passou em concurso para a Procuradoria-Geral da República e deslanchou sua carreira ao se ligar aos tucanos no governo de Fernando Henrique Cardoso, que o nomeou para a Advocacia Geral da União e depois o indicou ao STF em 2002, pouco antes de deixar a Presidência.

Como diria Caetano Veloso, desde então Gilmar Mendes esteve no fundo de cada verdade encoberta na Suprema Corte, tornando-se aquele que conhece o jogo do fogo das coisas que são.

POLÊMICAS – Na História Republicana, jamais houve no STF um agente provocador como ele, que causa uma polêmica atrás da outra.  Nesses quase 24 anos como membro do tribunal, o que mais houve foram polêmicas, discussões com colegas e engajamento político.

Nos primeiros anos, quando o PSDB ainda era poderoso, Gilmar Mendes atacava impiedosamente o então presidente Lula da Silva. Depois, dirigiu sua metralhadora giratória contra a sucessora Dilma Rousseff.

Como grande defensor de Lava Jato, vetou a nomeação de Lula para a Casa Civil, armada por Jorge Messias para evitar a prisão dele. Disse que a nomeação de Lula era “uma bizarrice que nos enche de vergonha”. E completou: “É preciso muita desfaçatez para obrar desta forma com as instituições. É preciso ter perdido aquele limite que distingue civilização de barbárie”.

LAVA JATO – Mas a verdade encoberta do ministro mudou quando a Lava Jato começou a destruir o chamado quadrilhão do MDB e passou a incriminar tucanos. A gota d’água foi a investigação sobre atos de corrupção do então senador Aécio Neves, crise que levou Gilmar Mendes se reposicionar no tabuleiro político.

Passou então a criticar os procuradores e o juiz Moro por “delírios autoritários” após a revista Veja citar uma informação que implicava seu colega Dias Tofolli.

Foi subindo o tom e investiu também contra a Lei da Ficha Limpa durante um julgamento. “Sem querer ofender ninguém, mas já ofendendo, parece que foi feita por bêbados. É lei mal feita”, disse ele.

VIROU PETISTA – Desde então, Gilmar Mendes mudou de lado e se aproximou de Lula, a tal ponto que sua segunda mulher, Guiomar Feitosa, de quem acaba de se separar, tornou-se uma das melhores amigas da primeira-dama Marisa da Silva.

Para libertar Lula em 2019, quando o Supremo era presidido pelo petista Dias Toffoli, o ministro articulou nova votação sobre prisão após condenação em segunda instância, mudou seu voto e garantiu o placar de 6 a 5. E assim o Brasil passou a se tornar o único país da ONU que somente prende criminosos após trânsito em julgado na última instância, uma vergonha internacional.

Dois anos depois, o antigo tucano trocou definitivamente de plumagem e apoiou a anulação das condenações de Lula, para que o petista pudesse voltar à Presidência.

ERRO MONUMENTAL – Em sua carreira, o ministro acumulou decisões polêmicas e altamente questionáveis, mas até agora se mantinha preservado. Mas a vaidade falou mais forte e ele passou a defender dois ministros absolutamente indefensáveis, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes,  envolvidos no escândalo do Banco Master, que nas festas de Daniel Vorcaro foi apimentado com sexo, drogas e rock ‘n’ roll.

Exibindo inacreditável ousadia, Gilmar Mendes ressuscitou um processo que ele mesmo arquivara em 2021 e invadiu uma questão que era claramente da competência do ministro André Mendonça. Assim, com o maior descaramento, mandou proibir a quebra de sigilo da empresa da família Toffoli e destruir qualquer documento já apreendido.

Com isso, Gilmar Mendes virou alvo. Até então, dificilmente se poderia imaginar a abertura de processo de impeachment contra ele. Mas sua desfaçatez foi realmente suicida e ele agora se junta aos ministros Dias Toffoli e Moraes, como mais um forte candidato a ser expulso da Suprema Corte.

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P.S.  1 –
Em dezembro, Gilmar Mendes já sentia o cheiro da pólvora e decidiu que apenas o procurador-geral da República poderia fazer pedidos de impeachment de integrantes do STF ao Senado, responsável por julgá-los. O ministro também aumentou o quórum para abertura de processos. Em vez de maioria simples, passariam a ser necessários dois terços dos votos. A medida será levada a referendo do plenário. Sua aprovação, se ocorrer, será mais um vexame mundial.

P.S. 2 – Nesta quarta-feira o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e seu cunhado e operador Fabiano Zettel, devem depor à CPI do Crime Organizado. Se não comparecem, não faz mal. A Polícia Federal já tem provas para condená-los a muitos anos de cadeia. A cada dia, aumenta a possibilidade de que façam delação premiada, o que abreviará o trabalho da PF e da CPI para incriminar também a troika formada por Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes (não necessariamente nesta ordem). Comprem pipocas. (C.N.)

Moraes mantém Jair na Papudinha e nega prisão domiciliar por falta de motivos

Moraes diz que visitas atestam ‘boa saúde’ do ex-presidente

Pepita Ortega
Mariana Muniz
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta segunda-feira, 2, mais um pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O magistrado ressaltou a “total adequação” da Papudinha, onde Bolsonaro está custodiado, às necessidades médicas do ex-presidente. “Condições plenamente satisfatórias do cumprimento da pena”, anotou o ministro.

Moraes chegou a citar a “grande quantidade de visitas” de deputados, senadores, governadores e figuras públicas que Bolsonaro recebe como um comprovante da “intensa atividade política” do ex-presidente, ainda que preso. Na visão do ministro, tal rotina corrobora os atestados da “boa condição de saúde física e mental” do ex-mandatário.

RELATÓRIOS – O ministro do STF também citou relatórios encaminhados pelo 19º Batalhão da Polícia Militar sobre as atividades de Bolsonaro entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro. Segundo Moraes, as informações mostram que a custódia do ex-presidente se dá “em absoluto respeito à sua saúde e à dignidade da pessoa humana”, vez que Bolsonaro tem atendimento médico contínuo e permanente, faz sessões de fisioterapia e atividades físicas, tem integral assistência religiosa, além de visitas permanentes da esposa, filhos, filha e enteada, fora “numerosas visitas” de advogados e terceiros.

Além de destacar a “total adequação” da Papudinha às necessidades do ex-presidente, Moraes argumentou que não estavam preenchidos os “requisitos excepcionais” para a concessão de prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro em razão dos “reiterados descumprimentos” de medidas cautelares por parte do ex-mandatário.

CONDUTA ILÍCITA – Nessa linha, Moraes reforçou ainda que a conversão da prisão domiciliar de Bolsonaro em prisão preventiva “foi derivada única e exclusivamente pela conduta ilícita” do ex-presidente. O ministro apontou que, “com o intuito de fugir”, Bolsonaro rompeu sua tornozeleira eletrônica, usando um ferro de solda.

“Na presente hipótese não se aplica a excepcionalidade admitida por esta Suprema Corte, pela ‘concessão de prisão domiciliar humanitária ao condenado acometido de doença grave que necessite de tratamento médico que não possa ser oferecido no estabelecimento prisional ou em unidade hospitalar adequada’, mesmo para os condenados em regime fechado uma vez que, ‘ausente comprovação da excepcionalidade da situação concreta apta a flexibilizar a regra, não há como deferir a pretensão de cumprimento de pena em regime domiciliar’”, anotou Moraes.