Papai Noel é um bom velhinho que conseguiu se apossar da festa do Natal

Nani Humor: TIRAS: Cartas ao Papai Noel

Charge do Nani (nanihumor.com)

Paulo Peres

Apesar de estarmos vivendo uma crise social, onde o desemprego, a miséria, as mazelas e a violência em todos os sentidos são incentivadas pelas elites políticas e administrativas do país, que não se preocupam com as desigualdades, a figura de Papai Noel ainda é destaque para quem ainda está empregado.

A classe média brasileira, geralmente, gasta 50% do valor que recebe do 13º salário com o pagamento de dívidas, mas vai às compras atendendo ao apelo do Papai Noel, um velhinho bonachão apenas para o comércio.

LIVRAR-SE DA CULPA – A chegada de Papai Noel na noite de Natal é esperada com ansiedade por crianças em todo o mundo, embora o mito do “bom velhinho” carregue outras versões em nada carismáticas ou bondosas, como revela Roland Barthers em seu livro “Mitologias”, que se ocupa com uma análise semiológica das mensagens veiculadas pelos meios de comunicação de massa.

Segundo o livro, Papai Noel funciona como imagem reparadora da sociedade. É um momento em que a sociedade se livra de sua culpa, através do presente e da imagem idealizadora do “bom velhinho”, do pai e do mundo adulto, pois a sociedade não aceita que se possa ter um lado bom e outro mau. Papai Noel surge, neste aspecto, como um personagem apenas bom e com ele a sociedade se redime.

A imagem da infância é feita de formulações ideais de bondade e inocência, afirmam os psicólogos, que veem, assim, um comportamento repressor do Papai Noel, na medida em que o presente, na verdade, é uma troca. Só recebe presente quem se comporta bem, uma maneira do pai lidar com a repressão que exerce sobre o filho.

SÃO NICOLAU – Não é muito aceita a ideia de que Papai Noel teve origem como sucessor de São Nicolau ou São Klaus, o que pode ter sido o início do hábito de dar presentes na Alemanha.

Para os psicólogos, Papai Noel, como se apresenta hoje, é uma construção moldada sobre fragmentos de mitos europeus. “Nessa construção encontramos, entre outros, o componente de humanização que é semelhante aos dos desenhos animados. Quer dizer, a figura do Papai Noel é acentuada pelos traços curvos, é engordada como acontece com os bichos”.

Na verdade, Papai Noel só existe como escamoteamento, porque o consumo continua sendo o objetivo, enquanto ele é o móvel justificador desse consumo, pois absolve sua culpa. Por outro lado, ele é um dos muitos mitos do poder em sua imagem dadivosa. Por isso, “ele é Papai Noel, um substituto do pai, porque é o pai quem realmente traz o presente.

AUTOGRATIFICAÇÃO – No Brasil, o incremento da propaganda do mito Papai Noel, a partir de 1930, associa-se à industrialização e ao acréscimo de dependência externa. Vale ressaltar que, na década de 30, em todo o mundo, Papai Noel assumiu a feição que tem hoje, esse caráter bonachão, no quadro de uma crise econômica duradoura, quando foi necessária a intervenção do Estado em todos os setores da economia (a política do New Deal reproduzida nos países europeus de diferentes formas).

O Brasil, pelo processo de colonização, vinha desenvolvendo várias representações natalinas próprias, que se centravam nas Festas de Reis. Estas festas, apesar dos folguedos de representações religiosas de origem ibérica, eram de realização brasileira, um ritual que variava de região para região.

Não havia no país unidade nacional para manter uma só representação. Mas essas festas foram sendo esmagadas em função da sociedade de consumo, surgindo, então, a imagem definitiva e alienígena de Papai Noel, puxando seu trenó em pleno verão tropical.

DETURPAÇÃO – O Natal (data do nascimento de Jesus Cristo) foi deturpado pelo mito Papai Noel, pois sua importância como instituição comercial na sociedade brasileira é notável, uma vez que se reflete nos próprios ciclos de consumo. Mesmo porque uma boa parte dos brasileiros que vive ao nível de subsistência tem como único recurso de compra a gratificação do Natal.

O Buda sorridente ou Hotei no Japão

O Budai, com o saco de presentes nas costas

Por fim, existe uma teoria alternativa, apontando que Papai Noel pode ter sido criado à imagem e semelhança de Buda. Mas a figura do “Buda gordo carregando um saco” não é o Buda histórico (Sidarta Gautama), mas sim Budai, representado com um grande saco de pano, que distribuía presentes e doces para crianças, sendo considerado uma encarnação do futuro Buda. 

Minas no tabuleiro: Lula insiste em Pacheco mesmo após ele ser preterido ao STF

Centrão barra avanço bolsonarista e isola Tarcísio em disputa pela liderança da direita

Como o Congresso reescreve penas e reabre caminhos para a violência política

Justiça italiana julga nesta quinta-feira se Zambelli será extraditada para o Brasil

Justiça italiana pede informações sobre prisões brasileiras

Deu no O Globo

Em meio ao processo de extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde julho, a Justiça do país europeu enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista de questionamentos sobre o sistema prisional brasileiro. Antes de dar um veredito, o Judiciário italiano quer garantias do Brasil de que as condições carcerárias serão adequadas, como informou a coluna de Lauro Jardim na semana passada.

Uma nova audiência da Corte de Apelação foi marcada para o próximo dia 18, quando finalmente deve decidir se acata o pedido brasileiro. Segundo a Agência Brasil, que detalhou o pedido de informações, a Justiça italiana questionou para onde Zambelli seria levada caso a extradição fosse aceita.

CONDIÇÕES – Também foram feitos questionamentos sobre a condição dos presídios femininos, se há atos de violência e de intimidação praticados contra detentas e se a polícia penal tem capacidade para manter a ordem nas penitenciárias, reportou. O ministro do STF Alexandre de Moraes poderá respondê-los até o próximo dia 14.

O Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição e rechaçou que a deputada seja perseguida política. Em seu parecer, a Procuradoria afirmou que Justiça brasileira se baseou em “diversas e coerentes provas testemunhais e documentais”. As partes ainda poderão recorrer à Corte de Cassação. A expectativa é que o veredito final saia no início de 2026.

Antes uma das deputadas mais próximas de Jair Bolsonaro, Zambelli foi condenada por unanimidade em maio pelo Supremo a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto com o hacker Walter Delgatti. Com a condenação, ela ficou inelegível por oito anos. Além disso, a Corte determinou a perda automática do mandato.

PELA FRONTEIRA – A deputada deixou o Brasil em 24 de maio através da fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR), onde não há controle migratório. De Buenos Aires, foi para a Flórida, nos Estados Unidos, em um voo comercial. No início de junho, embarcou para a Itália, onde se julgava “intocável” por também ter cidadania italiana.

A parlamentar prometia repetir na Europa a campanha de Eduardo Bolsonaro contra o STF. Mas, no mesmo dia em que pisou na Itália, seu nome foi incluído na lista de difusão da Interpol.

Zambelli também foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio em que a deputada perseguiu um homem com uma arma em punho na véspera do segundo turno da eleição de 2022 em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA questão agora é complicada, porque o Supremo faz uma leitura da Constituição e o Congresso faz outra. Quem estará certo: os representantes do povo (Congresso) ou os representantes do Banco Master e das empreiteiras da Lava Jato? Ou um ou outro não sabem ler direito ou são tão canalhas que fingem nao saber ler? (C.N.)

“Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar…”

Após 22 anos, Chico Buarque e Francis Hime se reúnem em novo disco do  pianista - Jornal O Globo

Chico e Hime, grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O arranjador, pianista, cantor e compositor carioca Francis Victor Walter Hime, em parceria com Chico Buarque, compôs “Trocando em Miúdos”, cuja letra mostra a desilusão de uma pessoa que se doou a alguém e deste só teve desilusões. A música faz parte do LP Passaredo gravado, em 1977, pela Som Livre.

TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque e Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde…

Relator defende anistia e Senado acelera ofensiva para reduzir penas do 8 de Janeiro

Lula precisa definir Haddad como herdeiro de seu espólio político no PT

Lula e Haddad: reúnem-se no Alvorada sem definir corte de gastos

Lula já está com a data de validade praticamente vencida

Roberto Nascimento

Fernando Haddad é o substituto natural de Lula da Silva no PT e na Esquerda. Mas  a cegueira política do partido, constituído de frentes e tendências desagregadoras, só sobreviveu até aqui, por causa de Lula.

Ocorre que o atual presidente não é eterno e já está bastante idoso. Portanto, é urgente ser destacada uma nova liderança capaz de aglutinar a multiplicidade de egos inflados. Nesse quadro, Haddad emerge como único nome em condições de substituir o cacique, nos próximos anos. No entanto, não observo movimentos nesse sentido. E a direita agradece essa lacuna da esquerda.

DOIS ESPÓLIOS – Importante salientar que a direita brasileira também patina e se divide, sem saber qual figura política herdará o espólio de Bolsonaro, que mingua a olhos vistos. Até Donald Trump, o pragmático milionário, presidente dos EUA, abandonou essa família complicada.

Eles brigam entre si para receberem o aval do réu preso na PF. Será Flávio, o Zero Um, a receber a indicação definitiva, ou a esposa Michelle? O racha na família é de conhecimento público.

E o Centrão tem candidato ungido nesse grupo monetarista e interesseiro. Trata-se de Tarcísio de Freitas, que diz em público que não quer, mas, trabalha nos bastidores pela candidatura, seu sonho de uma longa noite de verão. Esperto, só vai para a guerra se tiver o apoio dos bolsonaristas, porque ainda não confia no seu taco numa carreira solo.

NÓ GÓRDIO – Aceitar ou não o lançamento do governador Tarcísio de Freitas é o nó górdio, que a direita não está conseguindo desatar.

A família Bolsonaro prefere perder com Flávio Bolsonaro, do que ganhar com Tarcísio de Freitas, porque uma vez sentado naquela cadeira, estará decretado o fim do grupo Bolsonaro.

Do lado do PT, Haddad deveria ser candidato a vice-presidente, porque se Lula vencer, já estará com 81 anos, ou seja, com quase 8 anos acima da expectativa de vida do homem brasileira, que é de 73,3 anos.  Homem que passa dessa idade está fazendo hora extra…

No fim de ano, o isolamento bolsonarista e as zonas de sombra institucionais

A silenciosa ofensiva da extrema-direita contra a democracia europeia

O dilema centrale travar a ameaça enquanto ainda é possível

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Há momentos na história em que o perigo não se anuncia por explosões de violência, mas por rupturas discretas: votos que desestabilizam equilíbrios duradouros, discursos que corroem instituições e uma normalização gradual da intolerância.
A Europa vive hoje exatamente esse momento. A ascensão da extrema-direita — antes vista como um fenômeno periférico — tornou-se força estrutural, capaz de influenciar governos, reescrever agendas e mexer profundamente com o imaginário democrático.

O que está em jogo já não é apenas o crescimento eleitoral de partidos radicais, mas a transformação silenciosa da ordem democrática em algo mais vulnerável, permeável a um autoritarismo difuso e à política do medo. A linguagem que estigmatiza minorias, desumaniza imigrantes, desacredita o jornalismo e tenta subjugar magistrados tornou-se, em muitos países, parte do cotidiano político. O extremismo não avança com rupturas bruscas; infiltra-se aos poucos, como uma rachadura que se estende silenciosamente até comprometer toda a estrutura.

ABANDONO  – A origem dessa crise não está apenas no mal-estar social acumulado. Está, sobretudo, no abandono prolongado de setores que se sentiram deixados para trás por modelos econômicos desiguais, promessas governamentais descumpridas e lideranças políticas que perderam contato com a vida real das populações. É nesse vazio que a extrema-direita floresce, oferecendo respostas aparentemente simples para problemas complexos e apontando inimigos convenientes para canalizar frustrações.

Mas há um fenômeno ainda mais preocupante: a erosão moral e política do centro democrático. Por décadas, governos sucessivos evitaram enfrentar contradições estruturais de suas sociedades — a precariedade laboral, o abandono de regiões periféricas, o envelhecimento populacional, os custos da transição energética. Ao não responderem a essas tensões, deixaram vagas áreas essenciais do debate político, prontamente ocupadas por atores que transformam ressentimento em arma e conflito identitário em estratégia eleitoral. A extrema-direita prospera porque ocupou territórios que o centro abandonou.

À medida que acumula influência, essa nova direita radical segue uma lógica consistente: primeiro, ataca a independência da imprensa, acusando-a de parcialidade; depois, questiona a legitimidade do Judiciário; por fim, tenta redesenhar regras eleitorais, restringir direitos fundamentais e ocupar instituições de controle democrático.
A democracia não desmorona de uma vez; degrada-se por meio de pequenas mudanças estratégicas, sempre justificadas como medidas “necessárias”, “urgentes” ou “em nome do povo”. Assim é que o autoritarismo se normaliza.

SINAIS – A Europa enfrenta esses sinais em várias frentes. Em diversos países, há tentativas discretas de influenciar nomeações de juízes, limitar a atuação de órgãos de fiscalização, pressionar veículos de comunicação críticos ou reescrever regras eleitorais sob o pretexto de garantir “estabilidade governamental”. Ao mesmo tempo, pressões migratórias, desigualdades territoriais, insegurança econômica e os efeitos persistentes da guerra criam um ambiente em que discursos radicais ganham terreno com facilidade.

A crise climática — com seus custos elevados e impactos desiguais — intensifica percepções de injustiça. Paralelamente, a proliferação de desinformação digital e o aumento da polarização reduzem a capacidade coletiva de diálogo, compromisso e moderação.

O maior perigo, no entanto, não está apenas no sucesso eleitoral da extrema-direita. O risco real surge quando partidos democráticos passam a adotar parte de sua retórica — normalizando ideias antes inaceitáveis e empurrando todo o espectro político para posições mais duras. Quando o discurso do medo se torna parâmetro de governança, até a política tradicional se contamina. O extremismo vence não apenas quando chega ao poder, mas quando redefine os limites do possível.

INSTABLIDADE – Portugal — como qualquer país europeu — não está imune a essas forças. A instabilidade do continente influencia o ambiente interno, molda expectativas e pressiona instituições. A crise da habitação, a desigualdade econômica, a fragmentação partidária e a crescente polarização tornam o país vulnerável às mesmas dinâmicas que já remodelam democracias vizinhas. Proteger a democracia exigirá, portanto, muito mais do que declarações formais: é preciso reformas profundas, vigilância cívica e capacidade de antecipação política.

A resposta necessária deve ser firme e estrutural. Passa pelo fortalecimento das instituições públicas, pelo combate efetivo à corrupção, por políticas sociais que reduzam desigualdades e por um compromisso inequívoco com o pluralismo democrático. Inclui também a revalorização do espaço público como ambiente de debate racional e informado — algo impossível sem imprensa forte, educação cívica robusta e transparência governamental.

A democracia não está perdida — mas está fragilizada. E é na fragilidade que os autoritarismos prosperam. Evitar uma regressão democrática passa por reconstruir a confiança dos cidadãos, devolvendo-lhes segurança econômica, expectativas realistas e a convicção de que o sistema democrático ainda é capaz de entregar justiça.

CONSEQUÊNCIA POLÍTICA – A ascensão da extrema-direita não é destino inevitável; é consequência política. E tudo aquilo que é consequência pode ser transformado. A questão essencial já não é “como chegamos aqui?”, mas “quais escolhas faremos agora?”.

O futuro da democracia europeia não depende apenas das urnas, mas da determinação coletiva em proteger seus alicerces — antes que o silêncio da resignação se torne o som final de uma era que acreditávamos ter superado.

Motta desprezou o prazo fixado por Moraes e vai reunir a Mesa Diretora

Justiça italiana marca audiência para julgar Carla Zambelli | Jovem Pan

Zambelli será julgada 5ª feira e espera um milagre de Natal

Carlos Newton

Conforme anunciamos aqui na Tribuna da Internet com absoluta exclusividade, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não aceitou cumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para cassar o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e dar posse ao suplente, Adilson Barroso, que já está em Brasília desde sábado, na expectativa de assumir no final de semana.

Barroso já ocupou na Câmara a vaga de Guilherme Derrite (PP-SP) de 2023 a 2025, quando o deputado se licenciou para comandar a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, mas o titular reassumiu o mandato no fim de novembro. Por conta disso, Barroso voltou à suplência.

ORDEM DESCUMPRIDA – Como se sabe, na quinta-feira o ministro Alexandre de Moraes decretou nula a decisão da Câmara que preservara o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália.

Na decisão, Moraes determinou a perda imediata do mandato da deputada paulista e ordenou que a Câmara efetuasse a posse do suplente no prazo máximo de 48 horas, conforme o artigo 241 do Regimento Interno da Câmara.

Motta não deu importância ao decreto de Moraes e preferiu convocar os líderes partidários da Casa para uma reunião em Brasília na sexta-feira, com objetivo de discutir outro importante assunto – a operação da Polícia Federal com relação à funcionária Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL).

OUTRO EXAGERO – Os líderes criticaram fortemente a operação, falando em “outro exagero” e classificando como mais uma tentativa de o Supremo fragilizar o Congresso. Atribuíram também ao Planalto parte da culpa pelas operações policias que atingem os parlamentares de oposição.

Ficou acertado que, a partir de agora, o Congresso passará a dificultar o andamento de matérias prioritárias para o governo, enquanto os líderes não decidem uma maneira de dar uma resposta institucional em defesa do Legislativo como poder da República.

Segundo os líderes, não havia motivos para esse estardalhaço, porque a servidora Mariângela Fialek nem trabalha mais no setor de emendas e jamais cometeu irregularidades.

PERFIL TÉCNICO – Tuca, como é conhecida na Câmara, tinha um comportamento ético e recebia em sua sala deputados de todos os partidos. Apenas operava a distribuição e liberação desses recursos, seguindo a orientação da Mesa Diretora, que era presidida por Arthur Lira (PP-AL).

Não havia motivos para uma hollywoodiana operação destinada a apurar suspeitas de desvios de emendas parlamentares, com buscas e apreensão em uma sala na Câmara e também na residência da servidora, apreendendo bens pessoais, como diversas joias de baixo valor.

O mais incrível é que a Mariângela Fialek é investigada pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção, mas o ex-presidente Arthur Lira não é alvo da apuração.

ORDEM DE DINO – A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem a menor necessidade, pois os documentos oriundos do serviço da funcionária são de livre acesso.

Os advogados Luis Inácio Lucena Adams e Maria Claudia Bucchianeri, que defendem a servidora, distribuíram nota lamentando o exagero da operação policial. “Ela era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que era decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes). Sua atuação era estritamente técnica, apartidária e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada em cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota, acrescentando:

“Todas as informações dali constantes, sobre indicações de emendas, são encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde podem também ser encontradas, além de serem publicadas no Portal da Transparência, tal como determinou o Supremo Tribunal Federal”.

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P.S.
É claro que, na reunião de sexta-feira, foi tratada também a cassação de Carla Zambelli, que, nesta segunda-feira, passa a ser o assunto principal. Não se sabe se Motta vai reunir apenas a Mesa Diretora e a Assessoria Jurídica, ou se vai incluir também os líderes. A única coisa que todos sabem, sem medo de errar, é que se trata de uma crise institucional gravíssima e não há clima de Natal que dê jeito. Podem comprar pipocas. (C.N.)

O que a punição a militares golpistas revela sobre o Brasil de hoje

Golpismo persiste, mas o país amadureceu, afirma Fico

Míriam Leitão
O Globo

O historiador Carlos Fico acha que ainda não se pode dizer que o golpismo militar acabou, mas admite que o país amadureceu. Ele dá uma lista de medidas que precisam ser tomadas para fortalecer a democracia brasileira e conta o que deve ser mudado no artigo 142 da Constituição, que tem sido visto pelos militares como dando poder a eles de tutelar o poder civil.

Fico começou a escrever anos atrás um livro de História sobre todas as ameaças feitas pelos militares contra a ordem democrática durante a República, o “Utopia Autoritária Brasileira”. Acabou escrevendo um livro que trata do tempo presente, porque houve novo atentado à democracia.

Miriam – Por tudo o que o senhor estudou para escrever este livro e viu agora dos acontecimentos recentes, como responde à pergunta: o golpismo acabou?

Fico: Infelizmente, eu acho que não. A gente precisaria ainda de várias coisas para mudar essa cultura política muito entranhada não todos, mas em alguns setores militares.

Acho que ainda há risco enquanto a gente não operar essas mudanças. Não tenho dúvida que agora esse último episódio com o julgamento e sobretudo com o julgamento que ainda virá no Superior Tribunal Militar, isso tem funcionado como um alerta para as Forças Armadas.

Algo mudou, porque pela primeira vez militares golpistas, que tentaram, efetivamente, dar um golpe, foram devidamente punidos. No ambiente da democracia, com um processo regular na justiça, com a garantia de ampla defesa contraditória. Então, isso nunca aconteceu antes, é inédito, funciona como um alerta, mas infelizmente eu acho que outras medidas seriam necessárias.

Esse devido processo legal é importante, porque no seu livro mesmo você lembra de outros casos de ex-presidente que foram presos como Hermes da Fonseca, Arthur Bernardes….

Fico: Hermes da Fonseca era militar e ficou preso só 24 horas. Foi preso depois da tentativa de golpe 1922, mas isso não prosseguiu, ele inclusive morreu em 1923, ainda com o inquérito em andamento. O Artur Bernardes também foi preso, mas foi pelo poder executivo, foi exilado arbitrariamente em 1932.

Depois a gente teve também o caso do presidente Carlos Luz em 1955, que foi deposto pelo General Lott e o Café Filho também, que foi ficou “preso” em seu apartamento em Copacabana, uma coisa totalmente irregular. A gente nunca teve um processo efetivo pela justiça regular contra pessoas militares acusadas de golpe de Estado.

Dessa vez teve a investigação, teve a denúncia do Ministério Público, teve amplo direito de defesa, todo o processo e o julgamento. Nesse aspecto é realmente inédito na história do Brasil. Foram presos não só o ex-presidente, como vários dos seus auxiliares militares e também civis, mas militares de alta patente, ex-ministro da defesa, ex-comandante do exército, ex-comandante da Marinha.

Fico: Oficiais generais serem punidos pela justiça civil diante de um processo regular, é totalmente inédito, ainda mais em se tratando do crime de golpe, de tentativa de golpe. Então isso mostra um certo amadurecimento.

Desde a Constituição de 88, com todas as mudanças que houve no Ministério Público, na própria Polícia Federal, o empoderamento do Supremo Tribunal Federal, tudo isso garantiu paulatinamente o que eu chamo de pedagogia democrática, fortalecimento das instituições. O governo Bolsonaro teve esse problema de ter interrompido essa experimentação democrática, com ataque a direitos humanos, com toda aquela anarquia institucional que foi o governo dele. Além da epidemia mal conduzida, além dessa coisa autoritária e golpista, a interrupção dessa vivência, dessa experiência democrática que vinha desde o fim da ditadura militar, foi um prejuízo tremendo.

Os movimentos do ex-presidente Jair Bolsonaro, eles eram óbvios, principalmente para quem viveu uma ditadura militar. Ele ia sempre a todas festividades militares, lembrava a posição de comandante supremo, chamava de “meu exército”. Claramente ele estava fazendo a cooptação. E e muitos se deixaram cooptar, muitos quadros de elite das Forças Armadas se deixaram levar. Por que foi foi fácil produzir uma coisa assim?

Fico: Porque existe, infelizmente, em alguns setores militares, sobretudo das gerações mais antigas, os oficiais generais em geral, essa cultura política, essa interpretação equivocada do artigo 142 que eles muitos ainda entendem como um direito de intervenção na política. É um ambiente em que é fácil prosperar esse tipo de ativismo político, quando se trata de um governo militarista como foi o governo Bolsonaro. E por isso que é preciso fazer uma série de coisas. Por exemplo, a gente precisaria ter comissões no Senado e na Câmara mais atuantes. Comissões de defesa nacional do Senado e da Câmara não têm parlamentares no momento, que conheçam profundamente essa realidade. Precisaria para fiscalizar as atividades, o Plano Nacional de Defesa e tudo mais. A gente precisaria que o sistema de ensino militar fosse mais, pelo menos, permeável a críticas.

Porque a gente tem situações, por exemplo, as interpretações de geopolítica no ensino militar são muito precárias em função do que eles aprendem com história, sociologia, relações internacionais. Isso precisaria mudar, ser mais permeável para que a sociedade civil pudesse pelo menos criticar. Não é para fazer proselitismo esquerdista na AMAN, é para a gente poder ver e criticar esse tipo de sistema de ensino.

O Congresso Nacional, o sistema de ensino, uma coisa importantíssima, até pelos meus contatos com oficiais mais jovens, seria o reconhecimento do erro, o reconhecimento da realidade. A ditadura militar existiu. O golpe de 64 foi um golpe. Houve tortura, reconheçam isso. Nem estou falando em perdão, mas reconhecer o óbvio. A verdade histórica. Isso permitiria que os oficiais mais jovens que têm vocação dessem um passo à frente, deixassem de lado esse passivo tão negativo.

Já perguntei a militares, a generais, porque vocês carregam esse peso. Por que carregar?

Fico: Por que é importante mudar essa cultura política? Muita gente fala que não é importante mudar as disciplinas. Bom, tem essa importância que eu mencionei, mas essa interpretação equivocada se reproduz no ambiente da caserna, no ambiente dos quartéis. Algumas coisas, digamos, mais fortes precisariam ser feitas. Uma delas, que eu sempre repito, é mudar o trecho do artigo 142.

O historiador José Murilo de Carvalho dizia que, desde a primeira Constituição da República, vem a ideia de que o poder moderador que era do imperador foi herdado pelos militares. E esse tipo de equívoco ambíguo sempre esteve nas constituições. Como mudar o artigo 142 sem o risco de piorar, quer dizer, abrir uma caixa de pandora?

Fico: Acho muito simples, porque na verdade a passagem problemática do artigo 142 é apenas a expressão garantia dos poderes constitucionais. Tire-se isso. Porque ninguém sabe o que é. A garantia da lei da ordem, tem uma lei. A lei complementar regulamenta essa passagem da, agora garantia os poderes constitucionais é o quê? Ninguém sabe. Tem lei complementar? Não tem lei complementar.

Eu vou mostrar que isso aconteceu em praticamente todas as tentativas de golpe. Porque o atual 142 teve outros números em outras constituições da república. Com a mesma ideia, desde a primeira Constituição republicana. Isso sempre foi o pretexto e daí a importância que haveria em se alterar essa essa passagem.

Na apresentação do livro, você afirma: “O exército brasileiro sempre desrespeitou a democracia. As Forças Armadas violaram todas as Constituições da República”.

Fico: Está na Constituição, é claro que isso vem desde o fim da da guerra do Paraguai, por isso que no livro, logo no início, eu recuo um pouco antes da proclamação da República, porque eles voltaram da guerra, se o desprestigiados e houve uma série de crises políticas que levaram, inclusive, à proclamação da República que foi um primeiro golpe militar.

Quando foi redigida a primeira Constituição, eles estavam assim à frente de toda a cena política e tiveram, inclusive, muitos militares na Constituinte de 1891 e, por isso, essa prerrogativa, o artigo que hoje é o 142, na primeira Constituição republicana, aparece numa posição nobre, que é o artigo número 14 e lá já está que eles só obedecem ao poder civil dentro dos limites da lei.

Essa passagem, inclusive, só conseguiu tirar na Constituição de 1888. É porque até então existia além da tal garantia dos poderes constitucionais. Quem que julgava? Eles. “Ah, essa ordem não vamos obedecer porque não é legal”. Um absurdo.

O que você acha que vai acontecer no Superior Tribunal Militar, que vai julgar esses militares, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro por indignidade para oficiais. Não é o mesmo crime sendo julgado pela segunda vez, que isso não é permitido. Mas é o outro crime, é o crime dentro do código militar.

Fico: Indignidade ou incompatibilidade com o oficial é o que vai ser julgado. Se eles considerarem que os condenados são dignos ou compatíveis com o oficialato, não vai deixar de ser uma contestação, uma confrontação da própria pena, da decisão do Supremo Tribunal Federal. Sempre disse, muito antes do término desse julgamento, que esse posterior julgamento, que só deve ocorrer no ano que vem, vai ser muito mais polêmico, muito mais até interessante de acompanhar, porque provavelmente alguns ministros, especialmente os ministros militares do STM, vão ver com alguma benevolência esses condenados. Vários desses ministros conviveram com os militares condenados.

Esse julgamento tem um peso muito grande, eu diria até que maior do que o julgamento civil para os militares. Perder o posto e a patente é um julgamento quase que de honra.

A gente vai ter uma prévia disso, quando houver o trânsito em julgado dos coronéis da polícia militar do Distrito Federal, que já tem o voto do ministro Moraes. Se houver a condenação em definitivo, eles perdem automaticamente o posto a patente sem precisar ir ao STM.

Porque se trata de uma sentença que já menciona a perda do posto a patente, no caso da PM, quando se trata de ações iniciadas em outra instância, vai ao tribunal. São Paulo, Minas Gerais estados de Rio Grande do Sul têm tribunais estaduais militares. Nesses casos há julgamento nessa instância. No caso atual, como se trata de uma sentença que provavelmente transitará em julgado pelo próprio Supremo, isso vai como uma condenação, como uma decisão anexa.

Agora, olhando para a história do Brasil e para todas as vezes em que situações semelhantes foram deixadas passar, por que desta vez fomos tão longe? Isso se deve ao ministro Alexandre de Moraes ou ao contexto? Em outras palavras: é o homem ou as circunstâncias?

Fico: Tem um aspecto que é a abundância de evidências. O governo Bolsonaro e todo esse ativismo político dos militares, a militarização do governo, o excesso de cargos e as iniciativas golpistas tão claras, evidentes e públicas. A contestação de decisões do Supremo Tribunal Federal, as ameaças à institucionalidade, as ameaças a pessoas. Tudo isso foi feito de maneira pública e depois ainda a abundância de provas que eles próprios produziam que foram sendo conhecidas, graças ao inquérito da Polícia Federal. Quer dizer, é uma coisa tão óbvia.

No caso em questão, houve produção de diversas evidências — e-mails, áudios, conversas, croquis, planos e gravações. Fiquei refletindo sobre o motivo de terem acumulado tanto material e preservado minutas e documentos. Uma hipótese é que havia um elevado grau de confiança na própria impunidade, o que poderia explicar por que mantiveram esses registros por tanto tempo

Fico: Isso é realmente uma coisa absurda. Não havia como só uma pessoa muito ingênua poderia supor que não houvesse condenação. É, porque os vitoriosos adoram ter esse tipo de prova para dizer: “A iniciativa foi minha”. É incrível, nessa sucessão de 15 golpes que eu que eu descrevo nesse livro, sempre houve uma exuberância de produção de material que depois ou desaparece quando ele são derrotados ou são usados para demonstrar o predomínio dessa ou daquela iniciativa. Então, isso acontece sempre e aconteceu agora também.

Você acha que o STF tem exercitado de suas funções? Tem críticas de que o julgamento não podia ser a primeira turma, tinha que ser o plenário.

Fico: Não. O que acontece é o seguinte, essa história dos militares considerarem poder moderador, tem uma fundamentação em ciência política, em história constitucional e tudo mais, que é o seguinte: na democracia tem que ter algum tipo de arbitramento de conflitos quando eles surgem é entre os poderes.

E a única solução possível para uma existência efetivamente democrática é que esse arbitramento seja feito pela justiça, pelo poder judiciário, melhor dizendo, pela Suprema Corte, pelo Supremo Tribunal Federal. É assim que funciona nas democracias consolidadas, democracias ocidentais e tal.

As decisões do Supremo Tribunal Federal podem passar por essas críticas todas, mas não há como contestá-las porque não há outra saída. Vai se dar esse arbitramento a quem? Aos militares, por exemplo, que consideram, interpretam equivocadamente a tal passagem do 142?

Não, a única solução é a atuação arbitral do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição. Então, não há como. O que a gente pode fazer é discutir uma série de coisas e esperar que a harmonia entre os poderes, portanto, com a participação também do Congresso e da próprio poder judiciário resolva alguns aspectos que nos pareçam. Por exemplo, excesso de decisões monocráticas ou é que a decisões fundamentais não sejam tomadas pelo plenário. Tudo isso tem de ser discutido e eventualmente reformado. Mas o questionamento das decisões do Supremo é é inviável para democracia.

Você anunciou que será seu último livro. Por que com uma pessoa no auge da sua capacidade intelectual, resolve que vai parar de escrever?

Fico: Não vou parar de escrever, eu vou continuar escrevendo artigos acadêmicos, mas dão livros de grande fôlego. Para não me tornar repetitivo e para ter uma saída, vamos dizer assim, elegante, eu decidi fazer esse livro voltado para o grande público, dialogando com o grande público, tentando fazer uma escrita não acadêmica, como uma espécie de fecho da minha carreira também como historiador público. Eu sempre investi muito nisso. Fazer a história acadêmica, mas também estar na imprensa, estar conversando com o público, estar nas redes sociais.

Prefeitos do Norte exigem revisão urgente do cálculo de repasses federais aos municípios

“Carta de Manaus” será enviada ao governo federal e ao Congresso

Deu na Folha

Prefeitos de capitais e cidades médias da região Norte do país redigiram na última sexta-feira (12) um documento que será encaminhado ao Congresso e ao governo federal, em que questionam o modelo de financiamento do pacto federativo. 13Eles afirmam que suas cidades são responsáveis por manter grandes extensões de floresta preservada, mas estão entre as que recebem as menores receitas per capita do país em recursos de impostos destinados aos municípios.

Os gestores citam estudos da plataforma Ifem (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal), da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), de que cerca de 70% da população da Região Norte vive em municípios que estão entre os 20% piores do país em receita per capita.

“CARTA DE MANAUS” – O documento, chamado de “carta de Manaus”, foi feito em conjunto com parlamentares da bancada amazônica na Câmara. O texto propõe um novo modelo de financiamento que reconheça peso demográfico, extensão territorial, preservação ambiental e desigualdades internas.

Há ainda a reivindicação da mudança no cálculo do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), para que sejam incorporados no cálculo de distribuição de recursos os critérios de território e preservação.

“A Amazônia não pode ser tratada como prioridade ambiental e problema fiscal ao mesmo tempo. O país cobra metas de preservação, carbono e biodiversidade e, em troca, entrega alguns dos menores orçamentos municipais da federação”, afirmou o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

A dança das cadeiras no governo Tarcísio: secretários abandonam cargos de olho em 2026

Moro acusa juiz que o sucedeu na Lava Jato de ser um ‘ladrão aloprado’

E foi para o espaço a apregoada amizade entre Eduardo Bolsonaro e Trump…

Tribuna da Internet | PL descobre brecha da Constituição para salvar  mandato de Eduardo Bolsonaro

Charge do Nando Motta (247)

Vicente Limongi Netto

Acabou-se o que era doce. Química azedou. Derrota implacável para o clã Bolsonaro. Foi para o espaço a apregoada amizade do deputado fujão, leviano e torpe, Eduardo Bolsonaro, com o governo dos Estados Unidos. Trump finalmente constatou quem realmente manda e tem autoridade no Brasil.

Foi para o lixo da amargura e tristeza a munição covarde e irresponsável do ainda deputado contra a democracia brasileira. Lula e PT têm razão de comemorar a decisão de Donald Trump, tirando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, da lista de sanções da lei Magnitsky.

Vitória da soberania brasileira, enfatizaram Lula e Moraes. O tema vai continuar rendendo frutos políticos e eleitorais para o governo e para o judiciário brasileiros. Seguramente outros ministros da suprema corte ainda pendurados na lei norte-americana, breve também serão perdoados. O chão abriu, nos pés de rancorosos falastrões parlamentares do PL. Manda quem pode, obedece quem tem tutano. Vão passar o Natal estrebuchando. Alguns, mais inconformados, pensam em atear fogo às vestes ou cortar os pulsos.

LINDA LOURA – Na Câmara dos deputados a Tuca é loira, cabelos longos. Sorridente e atenciosa. Vai virar capa de revistas. Trabalha sem tréguas, cuidando e zelando pelas famosas emendas parlamentares.  Imprensa descobriu a Tuca e colocou Artur Lira no script. O alagoano não teve como fugir das perguntas e insinuações. 

Repórteres mais afoitos, ávidos por boas notícias, agora apuram e vasculham se o Senado também tem alguma preciosa servidora Tuca. Onde tem emendas, tem uma cuidadosa Tuca por perto.  Quem descobrir vai ganhar do editor um jogo da Mega Sena da Virada. 

Racha no comando da Câmara: crise das cassações isola Motta e irrita Lira

Moreira da Silva acertou no milhar, mas era só um sonho, minha gente…

Moreira era o rei do samba de breque

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor mineiro Geraldo Theodoro Pereira (1918-1954) e seu parceiro Wilson Batista (1913-1958)usaram um dos temas mais populares, o jogo do bicho, para fazer a letra do samba de breque “Acertei No Milhar”, gravado por Moreira da Silva, em 1940, pela Odeon.

ACERTEI NO MILHAR
Wílson Batista e Geraldo Pereira

– Etelvina, minha filha!
– Que há, Jorginho?
– Acertei no milhar
Ganhei 500 contos
Não vou mais trabalhar
E me dê toda a roupa velha aos pobres
E a mobília podemos quebrar
Isto é pra já
Passe pra cá

Etelvina
Vai ter outra lua-de-mel
Você vai ser madame
Vai morar num grande hotel
Eu vou comprar um nome não sei onde
De marquês, Dom Jorge Veiga, de Visconde
Um professor de francês, mon amour
Eu vou trocar seu nome
Pra madame Pompadour
Até que enfim agora eu sou feliz
Vou percorrer Europa toda até Paris

E nossos filhos, hein?
– Oh, que inferno!
Eu vou pô-los num colégio interno
Telefone pro Mané do armazém
Porque não quero ficar
Devendo nada a ninguém
E vou comprar um avião azul
Pra percorrer a América do Sul

Aí de repente, mas de repente
Etelvina me chamou
Está na hora do batente
Etelvina me acordou
Foi um sonho, minha gente

Trump enterra estratégia do clã Bolsonaro e expõe fiasco da ‘Operação Eduardo

Decisão ocorre quando bolsonarismo tentava respirar

Igor Gielow
Folha

Numa dessas ironias da política, coube ao ídolo do clã Bolsonaro assentar o último prego no caixão da tática encontrada pelo grupo para tentar salvar o patriarca da cadeia e punir seus adversários por meio de pressão externa.

Quando ficou claro que Jair Bolsonaro (PL) iria ser condenado pela trama golpista de 2022 no Supremo Tribunal Federal, a família enviou o filho deputado Eduardo (PL-SP) para os Estados Unidos para também engendrar uma maquinação.

ANALOGIA – Apoiado pelas franjas extremistas encarnadas por Steve Bannon e outros, Eduardo conseguiu ser ouvido na Casa Branca. Apresentou o caso de seu pai como análogo aos processos a que Trump foi submetido na Justiça americana, tendo sido eleito presidente com uma condenação criminal.

Na teoria, pressionar o Brasil com a guerra comercial seria uma forma de colocar na conta de Lula (PT) a suposta caça às bruxas contra o seu antecessor —na fantasia comprada por Trump, Executivo e Judiciário são a mesma coisa nos trópicos, um ente dedicado a perseguir a direita.

Na salva econômica, o impacto da ação dos Bolsonaros foi enorme. Eles tentaram um duplo carpado retórico dizendo que os EUA estavam punindo o antiamericanismo de Lula, mas as digitais ficaram expostas na carta com que Trump anunciava as sanções: ele queria Bolsonaro solto.

CASSAÇÕES – Depois, vieram cassações de vistos de ministros do governo e do Supremo e, cereja do bolo, a inclusão da nêmesis do bolsonarismo, Alexandre de Moraes, na draconiana Lei Magnitsky.

Desenhada para punir violadores de direitos humanos, ela tem alcance amplo na vida financeira de seus alvos: mesmo bancos brasileiros que operam bandeiras de cartões de crédito americanas ficaram sujeitos a sanções secundárias.

O bolsonarismo ficou em delírio nas suas redes, mas de curta duração e míope observação política. Primeiro, o trabalho do vice-presidente Geraldo Alckmin, empresários e do Itamaraty para reabrir canais com o governo Trump deu resultado. Do melhor clima e do caráter mercurial do americano saíram o esbarrão na ONU com Lula e a subsequente reunião entre ambos na Malásia.

CRISE – Mais algumas conversas e as sanções econômicas começaram a ser amainadas, um processo que deverá continuar salvo reviravoltas —como a crise entre Trump e a ditadura da Venezuela, que pode acabar em guerra.

A suspensão da Magnitsky nesta sexta-feira (12), também para a mulher de Moraes, mata o lado político da “Operação Eduardo”, que já havia fracassado no objetivo principal. Todo o trabalho do diligente deputado e seus associados nos EUA poderá ao fim apenas resultar a eles condenações judiciais por coação e talvez, no caso do filho presidencial, uma hoje improvável cassação de mandato.

Para Moraes, é um alívio que ocorre no momento em que as relações do escritório de advocacia de sua família com o malfadado Banco Master o colocaram na berlinda.

TIMING –  Do lado do clã, o “timing” é péssimo: pressionado com Bolsonaro preso, o lançamento da candidatura presidencial do filho Flávio bagunçou o jogo de uma direita que trabalhava para migrar para um Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), original ou genérico, em 2026.

Agora, mais um pedaço da propaganda eleitoral de uma eventual campanha do senador pelo PL-RJ foi jogado ao mar, justamente pelo homem que inspirou todo o movimento que assumiu o poder em 2019.

VITÓRIA DE LULA – O corolário de tudo isso seria uma vitória política de Lula, ainda que, por óbvio, Executivo e Judiciário sejam independentes. Afinal, qualquer derrota de Bolsonaro cai no crédito do petista, mas o problema é que as pesquisas mostram que esse efeito já se diluiu.

Na mais recente rodada de avaliação de governo do Datafolha, o gás que o combo “Brasil Soberano” e condenação de Bolsonaro havia dado a Lula se mostrou exaurido. Além disso, a eleição está a séculos de distância no tempo da política.

Isso dito, ao fim o ônus do fracasso está com os Bolsonaros: ganharam a pecha de traidores da pátria, desfraldando bandeiras americanas no 7 de Setembro, e nem a vingança pessoal contra Moraes conseguiram sustentar.

Revelações sobre vínculos do Master com ministros abalam imagem do STF