Esquerda bobeia e o Chile volta a ser governado pela direita radical

Homem de cabelos grisalhos veste terno azul escuro e sorri com os olhos fechados enquanto é abraçado por mulher de cabelos castanhos e casaco branco. Fundo desfocado com luzes coloridas.

José Kast comemora a vitória com sua mulher, Maria Pia

Douglas Gavras
Folha

As urnas confirmaram o que as pesquisas eleitorais já apontavam, e o ex-deputado de ultradireita José Antonio Kast foi eleito neste domingo (14), derrotando a governista Jeannette Jara. Ele irá governar o Chile a partir do ano que vem.

Com 99% dos votos apurados, o candidato do Partido Republicano tinha 58,1% dos votos válidos, enquanto a candidata do Partido Comunista registrava 41,8%, de acordo com dados do Serviço Eleitoral do Chile. A participação eleitoral era de 85%.

TERCEIRA VEZ – Presidente mais à direita no Chile desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), Kast, 59, tentava, pela terceira vez, ser presidente. A ordem pública e o controle da imigração irregular foram temas decisivos para a vitória de Kast neste domingo, em eleições presidenciais que também marcaram a volta do voto obrigatório.

Embora o Chile tenha uma baixa taxa de homicídio em comparação a vizinhos, é um dos países que mais se preocupa com a questão da criminalidade.

Ambos os candidatos prometiam proteger a fronteira norte, controlar a entrada de imigrantes, sobretudo da Venezuela, e combater o crime organizado, mas Kast propôs ações mais severas. Ele chegou a prometer expulsões em massa de imigrantes, depois recuando para corte de acesso a serviços básicos a estrangeiros vivendo de forma irregular no país, e prisões isoladas para líderes do tráfico.

MAIS MODERADO – Ainda assim, em comparação com suas tentativas anteriores, desta vez ele moderou seu discurso. O advogado evitou entrar em questões de direitos humanos, casamento igualitário ou a ditadura de Pinochet. Ele prometeu buscar aliados para criar um “governo de emergência” e combater a criminalidade.

A eleição de Kast também representa o fim de um ciclo histórico para o país, iniciado após os protestos massivos de rua de 2019, que culminaram na vitória do esquerdista Gabriel Boric há quatro anos, e as tentativas de redigir uma nova Constituição.

Kast, que é advogado ultracatólico e ex-congressista, pode se tornar o primeiro presidente a apoiar publicamente o ex-ditador Augusto Pinochet. No entanto, sua estratégia nesta eleição foi não falar de suas convicções ultraconservadoras e enfatizar que o Chile enfrenta uma grande crise de segurança, atribuindo isso à administração de Gabriel Boric, da qual Jara fez parte, apesar de as taxas de homicídio serem baixas na região.

 

Homem com óculos escuros segura retrato de oficial em uniforme militar durante protesto. Ele está apoiado em grade metálica próxima a semáforo com sinal verde para pedestres e placa indicando ‘Para cruzar pulse botón’. Bandeiras e pessoas aparecem ao fundo.

PRIMEIRA FALA – Eram quase 22h quando Kast começou seu primeiro discurso como presidente eleito. A uma multidão que aguardava por ele, o político disse que este domingo “é o dia da alegria” e que sua vitória não é um triunfo pessoal. “Ganhou o Chile que trabalha, que acorda de madrugada, que cuida das pessoas mais velhas e que só quer ter uma vida tranquila.”

Kast agradeceu à família, em especial à sua mulher, Pía Adriasola, e aos candidatos derrotados no primeiro turno Kaiser e Matthei.

“Vamos ter momentos difíceis em que teremos de tomar decisões importantes e isso exige responsabilidade. Temos de instalar uma cultura de trabalho em conjunto e confiança para além das diferenças que tivemos em diferentes momentos.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula é um presidente tão irresponsável que os dirigentes que colocou no Banco Central têm de manter os juros nas alturas para compensar um pouco as insanidades do governo petista. Desse jeito, sua reeleição fica ameaçada, se a direita tiver um mínimo de união e organização. (C.N.)

Corrupção do Banco Master exibe a fragilidade da confiança institucional

Charge de Fred Ozanan (Instagram)

Pedro do Coutto

O episódio envolvendo o Banco Master, a Operação Compliance Zero da Polícia Federal e o contrato milionário com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — tornou-se um dos casos mais delicados do Brasil em 2025, não apenas por seus elementos jurídicos e econômicos, mas pelo impacto que exerce sobre a percepção pública das instituições democráticas.

A operação policial, que apura supostas fraudes bilionárias na emissão de créditos e vendas de ativos sem lastro, derrubou parte do véu de normalidade que por vezes envolve o sistema financeiro e suas relações com o mundo jurídico e político. Entre os documentos apreendidos pela PF no celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, havia um contrato de prestação de serviços jurídicos entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, no qual Viviane Barci de Moraes e dois filhos do casal atuam como sócios.

REMUNERAÇÃO – O contrato, assinado em janeiro de 2024, previa uma remuneração mensal de R$ 3,6 milhões pelo período de 36 meses, podendo totalizar R$ 129 milhões caso não tivesse sido interrompido pela liquidação extrajudicial da instituição financeira. Mensagens internas obtidas pelos investigadores apontam que os pagamentos eram tratados como prioridade absoluta dentro do banco, mesmo em meio à crise de liquidez que se avolumava.

Esse elemento — a magnitude dos valores e a posição institucional de uma das partes — foi destacado na coluna de Elio Gaspari na Folha de S.Paulo quando chamou a atenção para o fato de que, mesmo sem qualquer acusação formal de irregularidade contra o escritório ou sua sócia, o contrato revela zonas de tensão entre interesses privados e a confiança pública nas instituições de controle e no Judiciário. A crítica não se apoia necessariamente na imputação de crime, mas na sensibilidade institucional e na dissociação entre legitimidade legal e legitimidade percebida pela sociedade.

CHOQUE SIMBÓLICO –  Gaspari ressalta o choque simbólico que emerge quando figuras próximas a operadores do sistema jurídico aparecem associadas a contratos vultosos com agentes sob investigação. Esse choque não se confunde com prova de irregularidade, mas é um reflexo da fragilidade da confiança pública quando essas relações não são clarificadas de modo íntegro e transparente, sobretudo em um ambiente já marcado por descrédito e polarização.

Especialistas em governança corporativa e ética pública têm apontado que contratos desse tipo, ainda que legais, precisam ser avaliados sob o prisma não apenas jurídico, mas também da percepção de conflito de interesse — especialmente quando envolvem figuras ligadas ao mais alto escalão do Judiciário, mesmo que de forma indireta. A preocupação não é, necessariamente, que algo de ilícito tenha ocorrido, mas que a mera aparência de confluências entre poder econômico e proximidade institucional possa corroer a confiança dos cidadãos nas regras e mecanismos de fiscalização que deveriam ser imparciais e robustos.

IMPLICAÇÕES – O caso também transitou para o campo político, com parlamentares da oposição pedindo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise o contrato em sua amplitude, incluindo possíveis implicações de atuação junto a órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional, como consta no escopo do acordo. Esse movimento evidencia que, mesmo sem condenações, o episódio é politicamente sensível e suscita debates sobre transparência e limites éticos em relações jurídicas de grande vulto.

Enquanto o Banco Master segue em liquidação e suas irregularidades financeiras são investigadas sob rigor técnico e jurídico, o episódio do contrato com o escritório da mulher de um ministro do STF se instala no debate público como um caso emblemático. Ele exige que o Brasil reflita não apenas sobre aspectos legais, mas sobre percepções de integridade e os mecanismos pelos quais instituições públicas protegem sua credibilidade, até porque, em democracias saudáveis, a confiança pública é tão essencial quanto a legalidade dos atos.

Master: Contrato de mulher de Moraes previa atuação no Cade, mas órgão diz desconhecer lobby

Corrupção envolve Davi Alcolumbre com patrocinador de Roberto Carlos

Alcolumbre, a esposa e o pai confraternizam com o cantor

Breno Pires, João Batista Jr. e Arthur Guimarães
Da revista piauí

O Amapá celebrou os últimos dias de 2024 com uma programação que incluiu shows de astros da música como João Gomes, Alceu Valença, Pablo do Arrocha, Alok e a maior estrela, Roberto Carlos. Em um texto de divulgação, o governo do Estado celebrou o próprio governador, Clécio Luís, do Solidariedade, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP).

Dizia: “O trabalho sério e com responsabilidade de divulgação do Amapá feito pelo governador Clécio, com apoio do senador Davi, vem chamando a atenção da iniciativa privada e garantindo investidores para os eventos”. Não há detalhes de como o parlamentar, que não tem nenhum cargo no governo do Amapá, participou dos preparativos.

VERSÃO CRIMINAL – Uma versão muito menos congratulatória está detalhada em uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República. Os candidatos a delator são dois investigados em fraudes bilionárias no setor de combustíveis: o empresário Roberto Leme — conhecido como Beto Louco, controlador da Copape, fabricante de gasolina — e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”.

A dupla propõe revelar como abasteceu boa parte do panteão do Congresso Nacional com dezenas de milhões de reais em troca de influência, entre 2021 e 2025, com destaque para Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.

No episódio dos shows em Macapá, Beto Louco conta que desembolsou 2,5 milhões de reais, a pedido de Alcolumbre, para bancar o show de Roberto Carlos. A piauí apurou que a proposta de delação diz que a tratativa foi realizada no dia 20 de dezembro de 2024, em reunião presencial no gabinete do senador, em Brasília.

DIZ A PROPOSTA – O dinheiro, afirma a proposta de delação, era a forma encontrada por Beto Louco para tentar reverter uma decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a Copape de produzir combustível, sua principal atividade. O empresário reclamou que o fechamento fora resultado de “perseguição regulatória” e pediu ajuda.

Na conversa, Beto Louco lembrou que o senador tinha meios de pressionar por uma reversão. Afinal, naquele mês de dezembro, o governo Lula havia indicado dois nomes para integrar a diretoria da ANP. E os nomes seriam submetidos a uma sabatina no Senado, momento em que Alcolumbre podia exercer sua influência.

De acordo com o relato entregue à PGR, Alcolumbre sinalizou disposição para ajudar. Em dado momento da reunião, ainda segundo o documento, o senador mudou de assunto e contou que ele próprio estava com um problemão de outra natureza. Com a desistência de um patrocinador, ficou faltando dinheiro para bancar os custos do show de Roberto Carlos, já anunciado pelo governo amapaense. Faltavam precisamente 2,5 milhões de reais.

TUDO CERTO – Segundo a proposta de delação, Beto Louco concordou em pagar o valor, e o senador pediu que a transferência fosse feita por intermédio de um contato chamado “Cleverson”.

Segundo os documentos apresentados à PGR, o intermediário enviou os dados de duas contas bancárias para o depósito de duas parcelas, cada uma no valor de 1,25 milhão. Uma conta era da CINQ Capital Instituição de Pagamentos, no Banco do Brasil. A outra era da QIX Transportes Logística Ltda, na Sicredi.

Conforme o combinado, as duas transferências foram realizadas por uma empresa da dupla na véspera do show do Rei, que aconteceu no dia 28 de dezembro. A piauí teve acesso ao número de contato de “Cleverson”. O DDD é do Ceará e o dono do número chama-se Kleryston Pontes Silveira, um empresário do ramo musical de Fortaleza, que trabalha para nomes como Xand Avião, Zé Vaqueiro, Nattan e Mari Fernandez. Roberto Carlos não está entre seus agenciados.

“TAMO JUNTO” – Ainda segundo o material de posse da PGR, Beto Louco ligou para Alcolumbre para avisar que os depósitos haviam sido feitos. A ligação estava falhando, mas logo o senador respondeu com uma mensagem: “Tamo junto sempre!”. Em seguida, o senador emendou uma outra mensagem com o desenho de um gesto de prece seguido de um “Muito obrigado!”.

Procurado pela piauí, Alcolumbre respondeu por meio de sua assessoria que “as empresas mencionadas [refere-se à QINC e à QIX] nunca patrocinaram o Réveillon do Amapá nem qualquer evento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não mantém relação comercial ou empresarial com os citados”, diz, acrescentando:

“É fato público que o presidente Davi sempre buscou, de forma institucional, correta e transparente, apoio de empresas para iniciativas que fortalecem a cultura e geram empregos no Amapá”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria, enviada por José Peres, de Brasília. Mostra a que ponto chega a promiscuidade entre a corrupção, as autoridades e até o show business. É triste ter um político como Alcolumbre em posição tão destacada. (C.N.) 

Renúncia de Carla Zambeli evita uma gravíssima crise entre Câmara e Supremo

Altamiro Borges: A pressão pela queda de Alexandre de Moraes

Charge reproduzida da revista Fórum

Carlos Newton

A renúncia da deputada Carla Zambelli foi providencial e evitou uma gravíssima crise institucional que iria acontecer entre o Congresso e o Supremo para discutir duas questões verdadeiramente inquietantes:

1) A Câmara tem o direito de cumprir o que a Constituição lhe determina? 2) O Supremo tem o direito de anular votação dos deputados, feita para cumprir mandamento constitucional?

PRAZO DE MORAES – Com a renúncia, o embate institucional foi apenas adiado, Como se sabe, na quinta-feira, dia 11, o corruptível ministro Alexandre de Moraes, aquele que vende “proteção” a banqueiros fraudadores como Daniel Vorcaro, deu prazo de 48 horas para a Câmara anular a votação sobre a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e dar posse ao suplente Adilson Cardoso, que está em Brasília desde sábado e toma posse nesta segunda-feira.

DIREITOS E DEVERES – Na avaliação dos ministros do Supremo, tudo o que eles decidem é correto e sagrado, tem de ser cumprido. Mas não é isso que a Constituição determina. Por exemplo: no artigo 55, que regula cassações, existe uma ressalva, que atribui à Câmara e ao Senado a última palavra nessas questões.

É o parágrafo 2º, que determina: “A perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”.

Essa ressalva foi introduzida por emenda constitucional, para evitar que parlamentares perdessem o mandato por condenação injusta ou perseguição política. Era justamente o caso de Carla Zambelli, que errou, merece ser punida, mas os deputados acharam que a cassação de mandato seria exagerada e arbitrária.

CONDENADA SEM PROVAS – Segundo a comissão criada para analisar os autos, não há nenhuma prova contra a deputada, apenas a delação  de um criminoso notório e reincidente, que declarou ter sido contratado por Zambelli, mas não apresentou nenhuma prova sobre como se deu a contratação nem o pagamento, nada, nada. E como diz a lei, delação sem provas não tem valor.

A Câmara não cassa parlamentares sem provas contundentes, em nenhuma hipótese, e absolveu Zambelli por larga margem.

Se ela não tivesse renunciado, a Câmara certamente poderia enfrentar o Supremo, para recuperar o direito de rever cassações, conforme estipula a Constituição.

MINISTRO SUJO –A emenda constitucional foi aprovada em 2013. Ainda continuam no Congresso muitos parlamentares que naquela época votaram pela aprovação. E agora o corruptível Moraes decreta que o voto deles não vale nada.

O pior é que Moraes já devia ter sido afastado por má conduta, mas continua dando as cartas e sujando ainda mais a imagem do Supremo, cujos ministros fingem desconhecer o  contrato da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, prevendo o pagamento de espantosos R$ 129,6 milhões por serviços que pouco têm a ver com advocacia.

O contrato prevê proteção total, através da organização e coordenação de cinco núcleos de atuação estratégica, consultiva e contenciosa, perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária, órgãos do Executivo, como Banco Central, Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Cade e Legislativo, ufa!

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P.S.  1 –
Como se vê, a família Moraes sabe como seduzir criminosos para lhes vender proteção, exatamente como os milicianos agem nas comunidades dominadas por eles. A única diferença é que milicianos não celebram contratos por escrito. 

P.S. 2 – Por fim, quanto ao caso de Carla Zambelli, não se tratava de lhe preservar o mandato. O que está em jogo é algo muito maior e importante – a independência dos apodrecidos poderes da República e o respeito mútuo que precisa existir. (C.N.)

PT tenta transformar “falha” no Instagram em ataque à esquerda brasileira

Meta afirma que problema técnico foi pontual

Artur Búrigo
Folha

Integrantes do PT avaliam ir à Justiça para cobrar a Meta, dona de Facebook, WhatsApp e Instagram, sobre o sumiço de perfis de autoridades e personalidades no sistema de buscas do Instagram.

Uma reunião entre as bancadas do partido na Câmara e no Senado está marcada para segunda-feira (15) para definir uma representação judicial junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

PROBLEMA TÉCNICO – Nas redes sociais, usuários relataram problemas para encontrar perfis na aba de busca na última quarta-feira (10). A Meta disse em nota ter investigado o ocorrido, reconheceu que um problema técnico afetou o sistema de pesquisa da rede social e pediu desculpas pelo inconveniente.

Integrantes do PT disseram que a falha teria ocorrido principalmente em perfis de políticos de esquerda e chamaram a atenção para a data do incidente, no dia seguinte à aprovação do PL da Dosimetria e da retirada à força do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da cadeira da presidência da Câmara.

PERFIS – A Meta disse que o problema atingiu uma ampla variedade de contas, inclusive fora do espectro político. Na quarta, a coluna Mônica Bergamo identificou que perfis da direita, como do pastor Silas Malafaia, também não eram localizados. Perfis como os de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Bolsonaro (PL) seguiam aparecendo.

Dirigentes do PT afirmam temer pela repetição do ocorrido nas eleições do próximo ano e, por isso, avaliam recorrer ao TSE para que haja um monitoramento das redes. Eles afirmaram que a Meta prometeu encaminhar um relatório técnico sobre o ocorrido, mas que o documento não havia sido enviado até o momento.

Papai Noel é um bom velhinho que conseguiu se apossar da festa do Natal

Nani Humor: TIRAS: Cartas ao Papai Noel

Charge do Nani (nanihumor.com)

Paulo Peres

Apesar de estarmos vivendo uma crise social, onde o desemprego, a miséria, as mazelas e a violência em todos os sentidos são incentivadas pelas elites políticas e administrativas do país, que não se preocupam com as desigualdades, a figura de Papai Noel ainda é destaque para quem ainda está empregado.

A classe média brasileira, geralmente, gasta 50% do valor que recebe do 13º salário com o pagamento de dívidas, mas vai às compras atendendo ao apelo do Papai Noel, um velhinho bonachão apenas para o comércio.

LIVRAR-SE DA CULPA – A chegada de Papai Noel na noite de Natal é esperada com ansiedade por crianças em todo o mundo, embora o mito do “bom velhinho” carregue outras versões em nada carismáticas ou bondosas, como revela Roland Barthers em seu livro “Mitologias”, que se ocupa com uma análise semiológica das mensagens veiculadas pelos meios de comunicação de massa.

Segundo o livro, Papai Noel funciona como imagem reparadora da sociedade. É um momento em que a sociedade se livra de sua culpa, através do presente e da imagem idealizadora do “bom velhinho”, do pai e do mundo adulto, pois a sociedade não aceita que se possa ter um lado bom e outro mau. Papai Noel surge, neste aspecto, como um personagem apenas bom e com ele a sociedade se redime.

A imagem da infância é feita de formulações ideais de bondade e inocência, afirmam os psicólogos, que veem, assim, um comportamento repressor do Papai Noel, na medida em que o presente, na verdade, é uma troca. Só recebe presente quem se comporta bem, uma maneira do pai lidar com a repressão que exerce sobre o filho.

SÃO NICOLAU – Não é muito aceita a ideia de que Papai Noel teve origem como sucessor de São Nicolau ou São Klaus, o que pode ter sido o início do hábito de dar presentes na Alemanha.

Para os psicólogos, Papai Noel, como se apresenta hoje, é uma construção moldada sobre fragmentos de mitos europeus. “Nessa construção encontramos, entre outros, o componente de humanização que é semelhante aos dos desenhos animados. Quer dizer, a figura do Papai Noel é acentuada pelos traços curvos, é engordada como acontece com os bichos”.

Na verdade, Papai Noel só existe como escamoteamento, porque o consumo continua sendo o objetivo, enquanto ele é o móvel justificador desse consumo, pois absolve sua culpa. Por outro lado, ele é um dos muitos mitos do poder em sua imagem dadivosa. Por isso, “ele é Papai Noel, um substituto do pai, porque é o pai quem realmente traz o presente.

AUTOGRATIFICAÇÃO – No Brasil, o incremento da propaganda do mito Papai Noel, a partir de 1930, associa-se à industrialização e ao acréscimo de dependência externa. Vale ressaltar que, na década de 30, em todo o mundo, Papai Noel assumiu a feição que tem hoje, esse caráter bonachão, no quadro de uma crise econômica duradoura, quando foi necessária a intervenção do Estado em todos os setores da economia (a política do New Deal reproduzida nos países europeus de diferentes formas).

O Brasil, pelo processo de colonização, vinha desenvolvendo várias representações natalinas próprias, que se centravam nas Festas de Reis. Estas festas, apesar dos folguedos de representações religiosas de origem ibérica, eram de realização brasileira, um ritual que variava de região para região.

Não havia no país unidade nacional para manter uma só representação. Mas essas festas foram sendo esmagadas em função da sociedade de consumo, surgindo, então, a imagem definitiva e alienígena de Papai Noel, puxando seu trenó em pleno verão tropical.

DETURPAÇÃO – O Natal (data do nascimento de Jesus Cristo) foi deturpado pelo mito Papai Noel, pois sua importância como instituição comercial na sociedade brasileira é notável, uma vez que se reflete nos próprios ciclos de consumo. Mesmo porque uma boa parte dos brasileiros que vive ao nível de subsistência tem como único recurso de compra a gratificação do Natal.

O Buda sorridente ou Hotei no Japão

O Budai, com o saco de presentes nas costas

Por fim, existe uma teoria alternativa, apontando que Papai Noel pode ter sido criado à imagem e semelhança de Buda. Mas a figura do “Buda gordo carregando um saco” não é o Buda histórico (Sidarta Gautama), mas sim Budai, representado com um grande saco de pano, que distribuía presentes e doces para crianças, sendo considerado uma encarnação do futuro Buda. 

Minas no tabuleiro: Lula insiste em Pacheco mesmo após ele ser preterido ao STF

Centrão barra avanço bolsonarista e isola Tarcísio em disputa pela liderança da direita

Como o Congresso reescreve penas e reabre caminhos para a violência política

Justiça italiana julga nesta quinta-feira se Zambelli será extraditada para o Brasil

Justiça italiana pede informações sobre prisões brasileiras

Deu no O Globo

Em meio ao processo de extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde julho, a Justiça do país europeu enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista de questionamentos sobre o sistema prisional brasileiro. Antes de dar um veredito, o Judiciário italiano quer garantias do Brasil de que as condições carcerárias serão adequadas, como informou a coluna de Lauro Jardim na semana passada.

Uma nova audiência da Corte de Apelação foi marcada para o próximo dia 18, quando finalmente deve decidir se acata o pedido brasileiro. Segundo a Agência Brasil, que detalhou o pedido de informações, a Justiça italiana questionou para onde Zambelli seria levada caso a extradição fosse aceita.

CONDIÇÕES – Também foram feitos questionamentos sobre a condição dos presídios femininos, se há atos de violência e de intimidação praticados contra detentas e se a polícia penal tem capacidade para manter a ordem nas penitenciárias, reportou. O ministro do STF Alexandre de Moraes poderá respondê-los até o próximo dia 14.

O Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição e rechaçou que a deputada seja perseguida política. Em seu parecer, a Procuradoria afirmou que Justiça brasileira se baseou em “diversas e coerentes provas testemunhais e documentais”. As partes ainda poderão recorrer à Corte de Cassação. A expectativa é que o veredito final saia no início de 2026.

Antes uma das deputadas mais próximas de Jair Bolsonaro, Zambelli foi condenada por unanimidade em maio pelo Supremo a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto com o hacker Walter Delgatti. Com a condenação, ela ficou inelegível por oito anos. Além disso, a Corte determinou a perda automática do mandato.

PELA FRONTEIRA – A deputada deixou o Brasil em 24 de maio através da fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR), onde não há controle migratório. De Buenos Aires, foi para a Flórida, nos Estados Unidos, em um voo comercial. No início de junho, embarcou para a Itália, onde se julgava “intocável” por também ter cidadania italiana.

A parlamentar prometia repetir na Europa a campanha de Eduardo Bolsonaro contra o STF. Mas, no mesmo dia em que pisou na Itália, seu nome foi incluído na lista de difusão da Interpol.

Zambelli também foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio em que a deputada perseguiu um homem com uma arma em punho na véspera do segundo turno da eleição de 2022 em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA questão agora é complicada, porque o Supremo faz uma leitura da Constituição e o Congresso faz outra. Quem estará certo: os representantes do povo (Congresso) ou os representantes do Banco Master e das empreiteiras da Lava Jato? Ou um ou outro não sabem ler direito ou são tão canalhas que fingem nao saber ler? (C.N.)

“Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar…”

Após 22 anos, Chico Buarque e Francis Hime se reúnem em novo disco do  pianista - Jornal O Globo

Chico e Hime, grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O arranjador, pianista, cantor e compositor carioca Francis Victor Walter Hime, em parceria com Chico Buarque, compôs “Trocando em Miúdos”, cuja letra mostra a desilusão de uma pessoa que se doou a alguém e deste só teve desilusões. A música faz parte do LP Passaredo gravado, em 1977, pela Som Livre.

TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque e Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde…

Relator defende anistia e Senado acelera ofensiva para reduzir penas do 8 de Janeiro

Lula precisa definir Haddad como herdeiro de seu espólio político no PT

Lula e Haddad: reúnem-se no Alvorada sem definir corte de gastos

Lula já está com a data de validade praticamente vencida

Roberto Nascimento

Fernando Haddad é o substituto natural de Lula da Silva no PT e na Esquerda. Mas  a cegueira política do partido, constituído de frentes e tendências desagregadoras, só sobreviveu até aqui, por causa de Lula.

Ocorre que o atual presidente não é eterno e já está bastante idoso. Portanto, é urgente ser destacada uma nova liderança capaz de aglutinar a multiplicidade de egos inflados. Nesse quadro, Haddad emerge como único nome em condições de substituir o cacique, nos próximos anos. No entanto, não observo movimentos nesse sentido. E a direita agradece essa lacuna da esquerda.

DOIS ESPÓLIOS – Importante salientar que a direita brasileira também patina e se divide, sem saber qual figura política herdará o espólio de Bolsonaro, que mingua a olhos vistos. Até Donald Trump, o pragmático milionário, presidente dos EUA, abandonou essa família complicada.

Eles brigam entre si para receberem o aval do réu preso na PF. Será Flávio, o Zero Um, a receber a indicação definitiva, ou a esposa Michelle? O racha na família é de conhecimento público.

E o Centrão tem candidato ungido nesse grupo monetarista e interesseiro. Trata-se de Tarcísio de Freitas, que diz em público que não quer, mas, trabalha nos bastidores pela candidatura, seu sonho de uma longa noite de verão. Esperto, só vai para a guerra se tiver o apoio dos bolsonaristas, porque ainda não confia no seu taco numa carreira solo.

NÓ GÓRDIO – Aceitar ou não o lançamento do governador Tarcísio de Freitas é o nó górdio, que a direita não está conseguindo desatar.

A família Bolsonaro prefere perder com Flávio Bolsonaro, do que ganhar com Tarcísio de Freitas, porque uma vez sentado naquela cadeira, estará decretado o fim do grupo Bolsonaro.

Do lado do PT, Haddad deveria ser candidato a vice-presidente, porque se Lula vencer, já estará com 81 anos, ou seja, com quase 8 anos acima da expectativa de vida do homem brasileira, que é de 73,3 anos.  Homem que passa dessa idade está fazendo hora extra…

No fim de ano, o isolamento bolsonarista e as zonas de sombra institucionais

A silenciosa ofensiva da extrema-direita contra a democracia europeia

O dilema centrale travar a ameaça enquanto ainda é possível

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Há momentos na história em que o perigo não se anuncia por explosões de violência, mas por rupturas discretas: votos que desestabilizam equilíbrios duradouros, discursos que corroem instituições e uma normalização gradual da intolerância.
A Europa vive hoje exatamente esse momento. A ascensão da extrema-direita — antes vista como um fenômeno periférico — tornou-se força estrutural, capaz de influenciar governos, reescrever agendas e mexer profundamente com o imaginário democrático.

O que está em jogo já não é apenas o crescimento eleitoral de partidos radicais, mas a transformação silenciosa da ordem democrática em algo mais vulnerável, permeável a um autoritarismo difuso e à política do medo. A linguagem que estigmatiza minorias, desumaniza imigrantes, desacredita o jornalismo e tenta subjugar magistrados tornou-se, em muitos países, parte do cotidiano político. O extremismo não avança com rupturas bruscas; infiltra-se aos poucos, como uma rachadura que se estende silenciosamente até comprometer toda a estrutura.

ABANDONO  – A origem dessa crise não está apenas no mal-estar social acumulado. Está, sobretudo, no abandono prolongado de setores que se sentiram deixados para trás por modelos econômicos desiguais, promessas governamentais descumpridas e lideranças políticas que perderam contato com a vida real das populações. É nesse vazio que a extrema-direita floresce, oferecendo respostas aparentemente simples para problemas complexos e apontando inimigos convenientes para canalizar frustrações.

Mas há um fenômeno ainda mais preocupante: a erosão moral e política do centro democrático. Por décadas, governos sucessivos evitaram enfrentar contradições estruturais de suas sociedades — a precariedade laboral, o abandono de regiões periféricas, o envelhecimento populacional, os custos da transição energética. Ao não responderem a essas tensões, deixaram vagas áreas essenciais do debate político, prontamente ocupadas por atores que transformam ressentimento em arma e conflito identitário em estratégia eleitoral. A extrema-direita prospera porque ocupou territórios que o centro abandonou.

À medida que acumula influência, essa nova direita radical segue uma lógica consistente: primeiro, ataca a independência da imprensa, acusando-a de parcialidade; depois, questiona a legitimidade do Judiciário; por fim, tenta redesenhar regras eleitorais, restringir direitos fundamentais e ocupar instituições de controle democrático.
A democracia não desmorona de uma vez; degrada-se por meio de pequenas mudanças estratégicas, sempre justificadas como medidas “necessárias”, “urgentes” ou “em nome do povo”. Assim é que o autoritarismo se normaliza.

SINAIS – A Europa enfrenta esses sinais em várias frentes. Em diversos países, há tentativas discretas de influenciar nomeações de juízes, limitar a atuação de órgãos de fiscalização, pressionar veículos de comunicação críticos ou reescrever regras eleitorais sob o pretexto de garantir “estabilidade governamental”. Ao mesmo tempo, pressões migratórias, desigualdades territoriais, insegurança econômica e os efeitos persistentes da guerra criam um ambiente em que discursos radicais ganham terreno com facilidade.

A crise climática — com seus custos elevados e impactos desiguais — intensifica percepções de injustiça. Paralelamente, a proliferação de desinformação digital e o aumento da polarização reduzem a capacidade coletiva de diálogo, compromisso e moderação.

O maior perigo, no entanto, não está apenas no sucesso eleitoral da extrema-direita. O risco real surge quando partidos democráticos passam a adotar parte de sua retórica — normalizando ideias antes inaceitáveis e empurrando todo o espectro político para posições mais duras. Quando o discurso do medo se torna parâmetro de governança, até a política tradicional se contamina. O extremismo vence não apenas quando chega ao poder, mas quando redefine os limites do possível.

INSTABLIDADE – Portugal — como qualquer país europeu — não está imune a essas forças. A instabilidade do continente influencia o ambiente interno, molda expectativas e pressiona instituições. A crise da habitação, a desigualdade econômica, a fragmentação partidária e a crescente polarização tornam o país vulnerável às mesmas dinâmicas que já remodelam democracias vizinhas. Proteger a democracia exigirá, portanto, muito mais do que declarações formais: é preciso reformas profundas, vigilância cívica e capacidade de antecipação política.

A resposta necessária deve ser firme e estrutural. Passa pelo fortalecimento das instituições públicas, pelo combate efetivo à corrupção, por políticas sociais que reduzam desigualdades e por um compromisso inequívoco com o pluralismo democrático. Inclui também a revalorização do espaço público como ambiente de debate racional e informado — algo impossível sem imprensa forte, educação cívica robusta e transparência governamental.

A democracia não está perdida — mas está fragilizada. E é na fragilidade que os autoritarismos prosperam. Evitar uma regressão democrática passa por reconstruir a confiança dos cidadãos, devolvendo-lhes segurança econômica, expectativas realistas e a convicção de que o sistema democrático ainda é capaz de entregar justiça.

CONSEQUÊNCIA POLÍTICA – A ascensão da extrema-direita não é destino inevitável; é consequência política. E tudo aquilo que é consequência pode ser transformado. A questão essencial já não é “como chegamos aqui?”, mas “quais escolhas faremos agora?”.

O futuro da democracia europeia não depende apenas das urnas, mas da determinação coletiva em proteger seus alicerces — antes que o silêncio da resignação se torne o som final de uma era que acreditávamos ter superado.

Motta desprezou o prazo fixado por Moraes e vai reunir a Mesa Diretora

Justiça italiana marca audiência para julgar Carla Zambelli | Jovem Pan

Zambelli será julgada 5ª feira e espera um milagre de Natal

Carlos Newton

Conforme anunciamos aqui na Tribuna da Internet com absoluta exclusividade, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não aceitou cumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para cassar o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e dar posse ao suplente, Adilson Barroso, que já está em Brasília desde sábado, na expectativa de assumir no final de semana.

Barroso já ocupou na Câmara a vaga de Guilherme Derrite (PP-SP) de 2023 a 2025, quando o deputado se licenciou para comandar a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, mas o titular reassumiu o mandato no fim de novembro. Por conta disso, Barroso voltou à suplência.

ORDEM DESCUMPRIDA – Como se sabe, na quinta-feira o ministro Alexandre de Moraes decretou nula a decisão da Câmara que preservara o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália.

Na decisão, Moraes determinou a perda imediata do mandato da deputada paulista e ordenou que a Câmara efetuasse a posse do suplente no prazo máximo de 48 horas, conforme o artigo 241 do Regimento Interno da Câmara.

Motta não deu importância ao decreto de Moraes e preferiu convocar os líderes partidários da Casa para uma reunião em Brasília na sexta-feira, com objetivo de discutir outro importante assunto – a operação da Polícia Federal com relação à funcionária Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL).

OUTRO EXAGERO – Os líderes criticaram fortemente a operação, falando em “outro exagero” e classificando como mais uma tentativa de o Supremo fragilizar o Congresso. Atribuíram também ao Planalto parte da culpa pelas operações policias que atingem os parlamentares de oposição.

Ficou acertado que, a partir de agora, o Congresso passará a dificultar o andamento de matérias prioritárias para o governo, enquanto os líderes não decidem uma maneira de dar uma resposta institucional em defesa do Legislativo como poder da República.

Segundo os líderes, não havia motivos para esse estardalhaço, porque a servidora Mariângela Fialek nem trabalha mais no setor de emendas e jamais cometeu irregularidades.

PERFIL TÉCNICO – Tuca, como é conhecida na Câmara, tinha um comportamento ético e recebia em sua sala deputados de todos os partidos. Apenas operava a distribuição e liberação desses recursos, seguindo a orientação da Mesa Diretora, que era presidida por Arthur Lira (PP-AL).

Não havia motivos para uma hollywoodiana operação destinada a apurar suspeitas de desvios de emendas parlamentares, com buscas e apreensão em uma sala na Câmara e também na residência da servidora, apreendendo bens pessoais, como diversas joias de baixo valor.

O mais incrível é que a Mariângela Fialek é investigada pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção, mas o ex-presidente Arthur Lira não é alvo da apuração.

ORDEM DE DINO – A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem a menor necessidade, pois os documentos oriundos do serviço da funcionária são de livre acesso.

Os advogados Luis Inácio Lucena Adams e Maria Claudia Bucchianeri, que defendem a servidora, distribuíram nota lamentando o exagero da operação policial. “Ela era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que era decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes). Sua atuação era estritamente técnica, apartidária e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada em cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota, acrescentando:

“Todas as informações dali constantes, sobre indicações de emendas, são encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde podem também ser encontradas, além de serem publicadas no Portal da Transparência, tal como determinou o Supremo Tribunal Federal”.

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P.S.
É claro que, na reunião de sexta-feira, foi tratada também a cassação de Carla Zambelli, que, nesta segunda-feira, passa a ser o assunto principal. Não se sabe se Motta vai reunir apenas a Mesa Diretora e a Assessoria Jurídica, ou se vai incluir também os líderes. A única coisa que todos sabem, sem medo de errar, é que se trata de uma crise institucional gravíssima e não há clima de Natal que dê jeito. Podem comprar pipocas. (C.N.)

O que a punição a militares golpistas revela sobre o Brasil de hoje

Golpismo persiste, mas o país amadureceu, afirma Fico

Míriam Leitão
O Globo

O historiador Carlos Fico acha que ainda não se pode dizer que o golpismo militar acabou, mas admite que o país amadureceu. Ele dá uma lista de medidas que precisam ser tomadas para fortalecer a democracia brasileira e conta o que deve ser mudado no artigo 142 da Constituição, que tem sido visto pelos militares como dando poder a eles de tutelar o poder civil.

Fico começou a escrever anos atrás um livro de História sobre todas as ameaças feitas pelos militares contra a ordem democrática durante a República, o “Utopia Autoritária Brasileira”. Acabou escrevendo um livro que trata do tempo presente, porque houve novo atentado à democracia.

Miriam – Por tudo o que o senhor estudou para escrever este livro e viu agora dos acontecimentos recentes, como responde à pergunta: o golpismo acabou?

Fico: Infelizmente, eu acho que não. A gente precisaria ainda de várias coisas para mudar essa cultura política muito entranhada não todos, mas em alguns setores militares.

Acho que ainda há risco enquanto a gente não operar essas mudanças. Não tenho dúvida que agora esse último episódio com o julgamento e sobretudo com o julgamento que ainda virá no Superior Tribunal Militar, isso tem funcionado como um alerta para as Forças Armadas.

Algo mudou, porque pela primeira vez militares golpistas, que tentaram, efetivamente, dar um golpe, foram devidamente punidos. No ambiente da democracia, com um processo regular na justiça, com a garantia de ampla defesa contraditória. Então, isso nunca aconteceu antes, é inédito, funciona como um alerta, mas infelizmente eu acho que outras medidas seriam necessárias.

Esse devido processo legal é importante, porque no seu livro mesmo você lembra de outros casos de ex-presidente que foram presos como Hermes da Fonseca, Arthur Bernardes….

Fico: Hermes da Fonseca era militar e ficou preso só 24 horas. Foi preso depois da tentativa de golpe 1922, mas isso não prosseguiu, ele inclusive morreu em 1923, ainda com o inquérito em andamento. O Artur Bernardes também foi preso, mas foi pelo poder executivo, foi exilado arbitrariamente em 1932.

Depois a gente teve também o caso do presidente Carlos Luz em 1955, que foi deposto pelo General Lott e o Café Filho também, que foi ficou “preso” em seu apartamento em Copacabana, uma coisa totalmente irregular. A gente nunca teve um processo efetivo pela justiça regular contra pessoas militares acusadas de golpe de Estado.

Dessa vez teve a investigação, teve a denúncia do Ministério Público, teve amplo direito de defesa, todo o processo e o julgamento. Nesse aspecto é realmente inédito na história do Brasil. Foram presos não só o ex-presidente, como vários dos seus auxiliares militares e também civis, mas militares de alta patente, ex-ministro da defesa, ex-comandante do exército, ex-comandante da Marinha.

Fico: Oficiais generais serem punidos pela justiça civil diante de um processo regular, é totalmente inédito, ainda mais em se tratando do crime de golpe, de tentativa de golpe. Então isso mostra um certo amadurecimento.

Desde a Constituição de 88, com todas as mudanças que houve no Ministério Público, na própria Polícia Federal, o empoderamento do Supremo Tribunal Federal, tudo isso garantiu paulatinamente o que eu chamo de pedagogia democrática, fortalecimento das instituições. O governo Bolsonaro teve esse problema de ter interrompido essa experimentação democrática, com ataque a direitos humanos, com toda aquela anarquia institucional que foi o governo dele. Além da epidemia mal conduzida, além dessa coisa autoritária e golpista, a interrupção dessa vivência, dessa experiência democrática que vinha desde o fim da ditadura militar, foi um prejuízo tremendo.

Os movimentos do ex-presidente Jair Bolsonaro, eles eram óbvios, principalmente para quem viveu uma ditadura militar. Ele ia sempre a todas festividades militares, lembrava a posição de comandante supremo, chamava de “meu exército”. Claramente ele estava fazendo a cooptação. E e muitos se deixaram cooptar, muitos quadros de elite das Forças Armadas se deixaram levar. Por que foi foi fácil produzir uma coisa assim?

Fico: Porque existe, infelizmente, em alguns setores militares, sobretudo das gerações mais antigas, os oficiais generais em geral, essa cultura política, essa interpretação equivocada do artigo 142 que eles muitos ainda entendem como um direito de intervenção na política. É um ambiente em que é fácil prosperar esse tipo de ativismo político, quando se trata de um governo militarista como foi o governo Bolsonaro. E por isso que é preciso fazer uma série de coisas. Por exemplo, a gente precisaria ter comissões no Senado e na Câmara mais atuantes. Comissões de defesa nacional do Senado e da Câmara não têm parlamentares no momento, que conheçam profundamente essa realidade. Precisaria para fiscalizar as atividades, o Plano Nacional de Defesa e tudo mais. A gente precisaria que o sistema de ensino militar fosse mais, pelo menos, permeável a críticas.

Porque a gente tem situações, por exemplo, as interpretações de geopolítica no ensino militar são muito precárias em função do que eles aprendem com história, sociologia, relações internacionais. Isso precisaria mudar, ser mais permeável para que a sociedade civil pudesse pelo menos criticar. Não é para fazer proselitismo esquerdista na AMAN, é para a gente poder ver e criticar esse tipo de sistema de ensino.

O Congresso Nacional, o sistema de ensino, uma coisa importantíssima, até pelos meus contatos com oficiais mais jovens, seria o reconhecimento do erro, o reconhecimento da realidade. A ditadura militar existiu. O golpe de 64 foi um golpe. Houve tortura, reconheçam isso. Nem estou falando em perdão, mas reconhecer o óbvio. A verdade histórica. Isso permitiria que os oficiais mais jovens que têm vocação dessem um passo à frente, deixassem de lado esse passivo tão negativo.

Já perguntei a militares, a generais, porque vocês carregam esse peso. Por que carregar?

Fico: Por que é importante mudar essa cultura política? Muita gente fala que não é importante mudar as disciplinas. Bom, tem essa importância que eu mencionei, mas essa interpretação equivocada se reproduz no ambiente da caserna, no ambiente dos quartéis. Algumas coisas, digamos, mais fortes precisariam ser feitas. Uma delas, que eu sempre repito, é mudar o trecho do artigo 142.

O historiador José Murilo de Carvalho dizia que, desde a primeira Constituição da República, vem a ideia de que o poder moderador que era do imperador foi herdado pelos militares. E esse tipo de equívoco ambíguo sempre esteve nas constituições. Como mudar o artigo 142 sem o risco de piorar, quer dizer, abrir uma caixa de pandora?

Fico: Acho muito simples, porque na verdade a passagem problemática do artigo 142 é apenas a expressão garantia dos poderes constitucionais. Tire-se isso. Porque ninguém sabe o que é. A garantia da lei da ordem, tem uma lei. A lei complementar regulamenta essa passagem da, agora garantia os poderes constitucionais é o quê? Ninguém sabe. Tem lei complementar? Não tem lei complementar.

Eu vou mostrar que isso aconteceu em praticamente todas as tentativas de golpe. Porque o atual 142 teve outros números em outras constituições da república. Com a mesma ideia, desde a primeira Constituição republicana. Isso sempre foi o pretexto e daí a importância que haveria em se alterar essa essa passagem.

Na apresentação do livro, você afirma: “O exército brasileiro sempre desrespeitou a democracia. As Forças Armadas violaram todas as Constituições da República”.

Fico: Está na Constituição, é claro que isso vem desde o fim da da guerra do Paraguai, por isso que no livro, logo no início, eu recuo um pouco antes da proclamação da República, porque eles voltaram da guerra, se o desprestigiados e houve uma série de crises políticas que levaram, inclusive, à proclamação da República que foi um primeiro golpe militar.

Quando foi redigida a primeira Constituição, eles estavam assim à frente de toda a cena política e tiveram, inclusive, muitos militares na Constituinte de 1891 e, por isso, essa prerrogativa, o artigo que hoje é o 142, na primeira Constituição republicana, aparece numa posição nobre, que é o artigo número 14 e lá já está que eles só obedecem ao poder civil dentro dos limites da lei.

Essa passagem, inclusive, só conseguiu tirar na Constituição de 1888. É porque até então existia além da tal garantia dos poderes constitucionais. Quem que julgava? Eles. “Ah, essa ordem não vamos obedecer porque não é legal”. Um absurdo.

O que você acha que vai acontecer no Superior Tribunal Militar, que vai julgar esses militares, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro por indignidade para oficiais. Não é o mesmo crime sendo julgado pela segunda vez, que isso não é permitido. Mas é o outro crime, é o crime dentro do código militar.

Fico: Indignidade ou incompatibilidade com o oficial é o que vai ser julgado. Se eles considerarem que os condenados são dignos ou compatíveis com o oficialato, não vai deixar de ser uma contestação, uma confrontação da própria pena, da decisão do Supremo Tribunal Federal. Sempre disse, muito antes do término desse julgamento, que esse posterior julgamento, que só deve ocorrer no ano que vem, vai ser muito mais polêmico, muito mais até interessante de acompanhar, porque provavelmente alguns ministros, especialmente os ministros militares do STM, vão ver com alguma benevolência esses condenados. Vários desses ministros conviveram com os militares condenados.

Esse julgamento tem um peso muito grande, eu diria até que maior do que o julgamento civil para os militares. Perder o posto e a patente é um julgamento quase que de honra.

A gente vai ter uma prévia disso, quando houver o trânsito em julgado dos coronéis da polícia militar do Distrito Federal, que já tem o voto do ministro Moraes. Se houver a condenação em definitivo, eles perdem automaticamente o posto a patente sem precisar ir ao STM.

Porque se trata de uma sentença que já menciona a perda do posto a patente, no caso da PM, quando se trata de ações iniciadas em outra instância, vai ao tribunal. São Paulo, Minas Gerais estados de Rio Grande do Sul têm tribunais estaduais militares. Nesses casos há julgamento nessa instância. No caso atual, como se trata de uma sentença que provavelmente transitará em julgado pelo próprio Supremo, isso vai como uma condenação, como uma decisão anexa.

Agora, olhando para a história do Brasil e para todas as vezes em que situações semelhantes foram deixadas passar, por que desta vez fomos tão longe? Isso se deve ao ministro Alexandre de Moraes ou ao contexto? Em outras palavras: é o homem ou as circunstâncias?

Fico: Tem um aspecto que é a abundância de evidências. O governo Bolsonaro e todo esse ativismo político dos militares, a militarização do governo, o excesso de cargos e as iniciativas golpistas tão claras, evidentes e públicas. A contestação de decisões do Supremo Tribunal Federal, as ameaças à institucionalidade, as ameaças a pessoas. Tudo isso foi feito de maneira pública e depois ainda a abundância de provas que eles próprios produziam que foram sendo conhecidas, graças ao inquérito da Polícia Federal. Quer dizer, é uma coisa tão óbvia.

No caso em questão, houve produção de diversas evidências — e-mails, áudios, conversas, croquis, planos e gravações. Fiquei refletindo sobre o motivo de terem acumulado tanto material e preservado minutas e documentos. Uma hipótese é que havia um elevado grau de confiança na própria impunidade, o que poderia explicar por que mantiveram esses registros por tanto tempo

Fico: Isso é realmente uma coisa absurda. Não havia como só uma pessoa muito ingênua poderia supor que não houvesse condenação. É, porque os vitoriosos adoram ter esse tipo de prova para dizer: “A iniciativa foi minha”. É incrível, nessa sucessão de 15 golpes que eu que eu descrevo nesse livro, sempre houve uma exuberância de produção de material que depois ou desaparece quando ele são derrotados ou são usados para demonstrar o predomínio dessa ou daquela iniciativa. Então, isso acontece sempre e aconteceu agora também.

Você acha que o STF tem exercitado de suas funções? Tem críticas de que o julgamento não podia ser a primeira turma, tinha que ser o plenário.

Fico: Não. O que acontece é o seguinte, essa história dos militares considerarem poder moderador, tem uma fundamentação em ciência política, em história constitucional e tudo mais, que é o seguinte: na democracia tem que ter algum tipo de arbitramento de conflitos quando eles surgem é entre os poderes.

E a única solução possível para uma existência efetivamente democrática é que esse arbitramento seja feito pela justiça, pelo poder judiciário, melhor dizendo, pela Suprema Corte, pelo Supremo Tribunal Federal. É assim que funciona nas democracias consolidadas, democracias ocidentais e tal.

As decisões do Supremo Tribunal Federal podem passar por essas críticas todas, mas não há como contestá-las porque não há outra saída. Vai se dar esse arbitramento a quem? Aos militares, por exemplo, que consideram, interpretam equivocadamente a tal passagem do 142?

Não, a única solução é a atuação arbitral do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição. Então, não há como. O que a gente pode fazer é discutir uma série de coisas e esperar que a harmonia entre os poderes, portanto, com a participação também do Congresso e da próprio poder judiciário resolva alguns aspectos que nos pareçam. Por exemplo, excesso de decisões monocráticas ou é que a decisões fundamentais não sejam tomadas pelo plenário. Tudo isso tem de ser discutido e eventualmente reformado. Mas o questionamento das decisões do Supremo é é inviável para democracia.

Você anunciou que será seu último livro. Por que com uma pessoa no auge da sua capacidade intelectual, resolve que vai parar de escrever?

Fico: Não vou parar de escrever, eu vou continuar escrevendo artigos acadêmicos, mas dão livros de grande fôlego. Para não me tornar repetitivo e para ter uma saída, vamos dizer assim, elegante, eu decidi fazer esse livro voltado para o grande público, dialogando com o grande público, tentando fazer uma escrita não acadêmica, como uma espécie de fecho da minha carreira também como historiador público. Eu sempre investi muito nisso. Fazer a história acadêmica, mas também estar na imprensa, estar conversando com o público, estar nas redes sociais.

Prefeitos do Norte exigem revisão urgente do cálculo de repasses federais aos municípios

“Carta de Manaus” será enviada ao governo federal e ao Congresso

Deu na Folha

Prefeitos de capitais e cidades médias da região Norte do país redigiram na última sexta-feira (12) um documento que será encaminhado ao Congresso e ao governo federal, em que questionam o modelo de financiamento do pacto federativo. 13Eles afirmam que suas cidades são responsáveis por manter grandes extensões de floresta preservada, mas estão entre as que recebem as menores receitas per capita do país em recursos de impostos destinados aos municípios.

Os gestores citam estudos da plataforma Ifem (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal), da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), de que cerca de 70% da população da Região Norte vive em municípios que estão entre os 20% piores do país em receita per capita.

“CARTA DE MANAUS” – O documento, chamado de “carta de Manaus”, foi feito em conjunto com parlamentares da bancada amazônica na Câmara. O texto propõe um novo modelo de financiamento que reconheça peso demográfico, extensão territorial, preservação ambiental e desigualdades internas.

Há ainda a reivindicação da mudança no cálculo do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), para que sejam incorporados no cálculo de distribuição de recursos os critérios de território e preservação.

“A Amazônia não pode ser tratada como prioridade ambiental e problema fiscal ao mesmo tempo. O país cobra metas de preservação, carbono e biodiversidade e, em troca, entrega alguns dos menores orçamentos municipais da federação”, afirmou o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

A dança das cadeiras no governo Tarcísio: secretários abandonam cargos de olho em 2026