CNJ investiga juízes e desembargadores por venda de sentenças

Silêncio de Jorginho Mello alimenta guerra entre Carlos Bolsonaro e Carol de Toni

Jorginho Mello evita se posicionar em disputa pelo Senado

Yago Godoy
O Globo

Em meio à acirrada disputa entre o vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) para concorrer ao Senado Federal por Santa Catarina, o governador do estado, Jorginho Mello (PL), permanece sem se manifestar abertamente sobre o imbróglio.

Principal parte interessada no assunto, o mandatário começou a ser cobrado por bolsonaristas por seu apoio ao atual senador Esperidião Amin (PP-SC), que concorrerá à reeleição, deixando apenas uma vaga para o PL na chapa. Ao mesmo tempo, no final de semana, ele elogiou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), uma das principais críticas no partido à candidatura de Carlos.

“MENTIROSA” – O acordo com Amin e o PP busca garantir a Jorginho mais tempo de TV e o palanque de um dos políticos mais experientes do estado, na tentativa de conquistar um novo mandato no ano que vem. No fim de outubro, o vereador carioca chamou Campagnolo de “mentirosa” quando ela explicou a apoiadores que o acordo de Jorginho foi uma negociação do próprio PL com o PP, e que Carlos estaria tirando a vaga de Carol de Toni.

Bolsonaristas têm acusado Jorginho, no entanto, de quebrar outro acordo. Em um vídeo publicado no sábado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, sem citar o governador, ser “martelo batido” que seu pai poderá indicar Carlos para uma das vagas. Um eventual “recuo”, segundo o parlamentar, poderia ser visto como uma derrota para o ex-presidente Jair Bolsonaro e um convite para que outros políticos “se rebelem” e deixem de seguir as ordens e acordos firmados com a principal liderança do partido.

— Ana Campagnolo está praticamente, talvez não intencionalmente, convidando todo mundo a se rebelar. Imagina nos 27 estados ter o problema de Santa Catarina, de o deputado estadual mais votado (Campagnolo) não seguir uma diretriz do líder do movimento, e acontecendo isso tudo — frisou o parlamentar em outro momento.

CRÍTICAS – Com o avanço da crise e o silêncio de Jorginho, as redes sociais do governador passaram a ser alvo de críticas de apoiadores, que apontam “decepção” por não endossar a candidatura de Carlos. Outra crítica pública foi do deputado estadual por São Paulo Gil Diniz (PL), que cobrou “explicações aos bolsonaristas de por que deixou Bolsonaro ser tão desgastado” com a indefinição.

Na publicação mais recente do governador na rede social X, sobre a entrega de materiais escolares para estudantes do estado, grande parte dos comentários foi em tom de cobrança a Jorginho. “A culpa dessa briga também é sua, não fuja da responsabilidade”, escreveu um apoiador. “Só aceitamos o que foi combinado com Bolsonaro, você não vai querer os bolsonaristas todos os dias em suas publicações”, publicou outro internauta.

ELOGIO – No evento Rota 22, promovido pelo PL em Blumenau (SC), Jorginho abraçou e elogiou Campagnolo no palco após a deputada discursar. Ele destacou que a parlamentar faz um “grande trabalho” no estado e afirmou que sua votação “vai dobrar” nas eleições de 2026. Também estiveram no local os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Rogério Marinho (PL-RN) e os deputados federais Ricardo Ghidi (PL-SC) e Zé Trovão (PL-SC).

— Essa moça bonita e querida aqui, Ana Campagnolo, inteligente, escritora, orgulha o parlamento de Santa Catarina pelo que representa. Eu gosto muito de ouvi-la. Ela tem cultura, sabe colocar as palavras. Eu tenho muito prazer e muito orgulho em ela ser nossa deputada — ressaltou o governador, sob aplausos.

No discurso, a deputada também fez declarações direcionadas a Jorginho. Segundo ela, o estado tem um governador que “gera vida” e faz de Santa Catarina “o melhor lugar do mundo para se viver, não só do Brasil”. Nas redes sociais, ao publicar o vídeo da declaração, a parlamentar também escreveu que os catarinenses têm a “tradição da política propositiva, na qual o Estado serve aos interesses do cidadão, e não o contrário”.

DISCUSSÃO – O afago do governador aconteceu horas depois de Campagnolo discutir com a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), em uma live nas redes sociais, sobre a disputa interna no partido. Zanatta defendeu uma “chapa pura”, ou seja, com as duas vagas para o Senado sendo ocupadas por membros do PL — Carlos e Carol de Toni.

Durante a live, Campagnolo reclamou dos ataques e acusações de “traição” que passou a sofrer de bolsonaristas por conta da discordância. Zanatta, por sua vez, defendeu que a deputada estadual deve se desculpar com Carlos, já que teria angariado a maioria de seus votos apenas pelo apoio da família Bolsonaro.

Eduardo, que em outro momento já teceu críticas a Campagnolo por conta das divergências em relação à candidatura do irmão, já destacou que Jorginho “mostra disposição” para atender aos pedidos do clã Bolsonaro, segundo informou a colunista Bela Megale em maio deste ano. Apontado como um nome com o qual a família do ex-presidente pode contar, ele é um dos poucos governadores de direita poupados por Eduardo nos últimos meses e, ao mesmo tempo, mantém relação próxima com os gestores estaduais já atacados pelo parlamentar.

VISITA – No final de outubro, em meio à disputa, Jorginho foi visitar Bolsonaro em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. Após o encontro, Carol de Toni informou à rádio catarinense Princesa Xanxerê que, caso não consiga resolver a questão dentro do partido, irá buscar outra legenda para concorrer. De acordo com a deputada, Bolsonaro irá apoiá-la mesmo em outra sigla, mas sem abrir mão de ter Carlos na chapa do PL.

No início deste mês, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado “independentemente da sigla partidária”. Já no próximo dia 21, Campagnolo estará com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Florianópolis, para o lançamento de um livro de autoria de ambos direcionado ao público infantil.

Aliados de Lula articulam superagência antimáfia com modelo internacional

TCU ignora área técnica e arquiva denúncia de fantasmas no gabinete de Hugo Motta

João amava Teresa, que amava Raimundo que amava Maria, que não amava ninguém…

A minha vontade é forte, porém minha... Carlos Drummond de Andrade - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Coligações, campanhas, promessas, pesquisas e debates com acusações, até certo ponto criminosas, trocadas entre os políticod são elementos que, ironicamente, lembram-me muito o poema “Quadrilha”, do bacharel em farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira.

Detalhe: décadas depois, Chico Buarque praticamente repetiu o poema de Drummond na música Flor da Idade, sem registrar a parceria.

QUADRILHA
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim
que amava Lili

que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

####  ####
Na letra de “Flor da |Idade”, Chico Buarque termina a canção incluindo os seguintes versos:

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

Liderança do governo diz que Haddad precisa assumir a disputa em São Paulo

Até que enfim! Maioria dos eleitores quer Bolsonaro e Lula fora da política

Horário eleitoral: Lula prega união e destaca apoio de Tebet; propaganda de  Bolsonaro cita Neymar e critica pesquisas

Ninguém sabe qual é o pior dos dois, que não se mancam

Caio Sartori
O Globo

Apesar de pintar cenários em que o presidente Lula da Silva segue na liderança e só é ameaçado quando Jair Bolsonaro, inelegível, está entre os candidatos testados, a nova pesquisa Genial/Quaest evidencia um desgaste das duas maiores figuras da política brasileira.

Para maioria confortável dos entrevistados, eles não deveriam concorrer no ano que vem. No caso do petista, que já disse que disputará a reeleição, o percentual subiu três pontos entre um levantamento e outro e chegou a 59%. Para 67%, Bolsonaro deveria abrir mão e apoiar outro nome — embora o patamar tenha diminuído na comparação com outubro, o resultado ainda é sintomático do rechaço à volta dele ao jogo.

ELEITOR INDEPENDENTE – As variações no novo levantamento também apontaram o peso do eleitor independente — aquele que não se define “nem de direita, nem de esquerda” — na escolha do vencedor em 2026. É esse eleitor que defende um nome “nem ligado a Lula, nem a Bolsonaro” ou “de fora da política”.

Em outra pergunta da pesquisa que testa o humor do eleitorado sobre os dois, há divisão entre os entrevistados sobre qual seria o melhor resultado da eleição.

Chegam a 28% os que citam a vitória de Lula ou de alguém apoiado por ele, 26% os que querem Bolsonaro ou um político abraçado pelo ex-presidente e 24% os “nem-nem”, que preferem um quadro de fora da polarização entre os dois. Há ainda 17% que gostariam de ver no Palácio do Planalto alguém de fora da política, o que faz com que as duas opções que não envolvem o petista e o maior nome da direita ultrapassem os 40.

OS BOLSONARO – A sondagem mostra ainda que o sobrenome Bolsonaro, quando o escolhido é alguém da família do ex-presidente, perde para a soma de governadores da direita e de outros nomes como Ciro Gomes nas simulações de primeiro turno.

Eles até levam vantagem nos cenários em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não disputa, mas a junção dos percentuais dos outros candidatos — que representam hoje uma “terceira via” mais de direita — supera os filhos de Bolsonaro e a mulher dele, Michelle, em mais de um cenário.

Historicamente, os candidatos de terceira via no país estão mais ao centro do que os atuais cotados para tentar substituir o clã Bolsonaro como segundo colocado e avançar para o segundo turno contra Lula, que pontua mais de 30% em todos os cenários e não vê a liderança ameaçada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente análise de Caio Sartori. Mostra que Lula e Bolsonaro já eram, porém insistem em se vender com a validade vencida. Pensar nos dois disputando as eleições é um tremendo retrocesso. (C.N.)

O mito do voto independente e os limites reais da sucessão presidencial

Charge do Cazo (Facebook)

Pedro do Coutto

As pesquisas mais recentes sobre a disputa presidencial de 2026 revelam um fenômeno que parece novo, mas que, ao ser confrontado com a lógica institucional brasileira, perde muito da força narrativa que lhe tem sido atribuída. Segundo dados da Quaest, cresce a parcela do eleitorado que afirma estar cansada da polarização permanente entre Lula e Bolsonaro — ou, em termos mais amplos, entre lulismo e bolsonarismo — e que declara preferir um nome “independente” para a sucessão do próximo ano.

Esse sentimento, compreensível diante do desgaste acumulado de uma década de conflitos políticos incessantes, vem sendo lido apressadamente como indício de que os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema poderiam encarnar essa alternativa “fora dos extremos”.

CONTRADIÇÃO – Mas a própria noção de voto independente carrega uma contradição estrutural: na prática, nenhuma candidatura presidencial se sustenta sem articulação partidária, alianças nacionais e musculatura eleitoral, elementos que, por definição, anulam qualquer pretensão de independência absoluta.

A ideia de que um eleitorado “autônomo” poderia migrar em bloco para uma candidatura alternativa e, assim, inviabilizar Lula da Silva nas urnas é sedutora como hipótese, mas irreal quando confrontada com o desenho institucional do pleito brasileiro.

A eleição é em dois turnos, e o segundo turno funciona como um mecanismo de reenquadramento político: nele, necessariamente, haverá Lula — ou alguém sustentado pelo lulismo — enfrentando um antagonista viável. Pesquisas que testam apenas cenários de primeiro turno, sem projetar combinações plausíveis de segundo, podem induzir a leituras equivocadas sobre a real capacidade de esse “centro independente” romper a polarização.

PRINCIPAL ATOR POLÍTICO – No Brasil, não existe sucessão presidencial sem enfrentar o protagonista; e Lula, goste-se ou não, permanece o principal ator político do país. Além disso, o desempenho dos chamados nomes alternativos não confirma, por ora, a narrativa da ruptura. Embora pesquisas registrem desejo por renovação, os governadores que surgem como alternativas continuam exibindo níveis de intenção de voto significativamente inferiores e não demonstram possuir, até o momento, a capacidade de agregar coalizões nacionais sólidas.

A distância entre o desejo por novidade e a materialização de uma candidatura competitiva é larga — e, historicamente, poucos conseguiram transpor esse desfiladeiro. Em cenários simulados, Lula segue liderando todos os confrontos diretos, o que reforça a ideia de que o antipetismo, isoladamente, não estrutura mais uma candidatura suficientemente ampla.

SATURAÇÃO – O discurso do “voto independente” opera, então, mais como diagnóstico emocional do eleitorado do que como indicador eleitoral concreto. Ele expressa saturação, fadiga, talvez anseio por um pacto político menos tóxico. Mas não oferece, ainda, um caminho institucional viável. Sem partido, sem alianças, sem palanque nacional — e sem protagonismo claro no segundo turno — nenhuma alternativa se consolida. E mesmo quando se apresenta como “anti-polarização”, esse conjunto de nomes inevitavelmente se alinha, na prática, a um dos blocos já existentes.

Em síntese, o país vive um paradoxo: o eleitor quer se libertar da polarização, mas o sistema eleitoral, a força dos partidos, a dinâmica dos dois turnos e o peso de lideranças estabelecidas mantêm a disputa ancorada na velha arquitetura. A sucessão de 2026 pode até acolher novos personagens, mas dificilmente romperá — ao menos com os dados atuais — a estrutura binária que marca o debate político nacional há anos. O voto independente existe como desejo; como projeto de poder, ainda não.

PL Antifacção expõe a contradição estratégica da direita

STF encurrala Eduardo Bolsonaro e acirra disputa na direita por 2026

STF formou maioria para aceitar a denúncia contra Eduardo

Daniel Gullino,
Mariana Muniz e
Bernardo Mello
O Globo

Em meio à expectativa sobre uma eventual ordem de prisão contra Jair Bolsonaro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria na sexta-feira para aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra um dos seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar foi acusado de coação no curso do processo, devido à sua atuação nos Estados Unidos em favor de sanções contra autoridades brasileiras.

O avanço do cerco judicial à família vem ampliando as pressões da centro-direita para que haja uma definição para 2026. Esse grupo vê no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a melhor opção para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em campanha à reeleição. O clã, por outro lado, se movimenta para que a família esteja na corrida presidencial. O ex-presidente, por sua vez, evita dar sinais claros de quem será o seu escolhido para as urnas.

CANDIDATURA – Na sexta-feira mesmo, com o objetivo de marcar posição sobre o tema, Eduardo fez movimento de endossar publicamente o lançamento de um dos seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência. Antes disso, o deputado se dizia uma alternativa ao Palácio do Planalto, pretensão que o levou a ter um embate direto com Tarcísio.

A partir da confirmação do resultado do STF, Eduardo Bolsonaro se tornará réu e será aberta uma ação penal. Só a partir daí que o mérito do processo será analisado, com absolvição ou condenação do deputado federal.

CONDUTA CRIMINOSA –  O ministro Alexandre de Moraes, que é o relator, votou pelo recebimento da denúncia e foi acompanhado por Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ainda falta o voto da ministra Cármen Lúcia.

O julgamento começou na sexta-feira, no plenário virtual do STF, e está programado para durar até o dia 25 de novembro. “A Procuradoria-Geral da República demonstrou presença da justa causa necessária para a instauração de ação penal contra o acusado Eduardo Nantes Bolsonaro, tendo detalhado sua conduta criminosa”, escreveu Moraes em seu voto.

De acordo com a PGR, Eduardo e o influenciador de direita Paulo Figueiredo atuaram pelas sanções como forma de atrapalhar o andamento do processo conduzido pelo STF que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. A atuação ajudaria ainda o próprio blogueiro, alvo de denúncia também pela trama golpista.

“GRAVE AMEAÇA” – Para Moraes, a “grave ameaça”, que faz parte do crime de coação no processo, “materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras nos Estados Unidos da América e a aplicação da Lei Magnitsky a este ministro relator”.

O ministro ainda disse que Eduardo tentou “criar ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Messias Bolsonaro” e também para “as autoridades responsáveis por um possível projeto de anistia”. Embora tenha sido denunciado junto com Eduardo, pelos mesmos fatos, a acusação contra Figueiredo foi desmembrada e será analisada em outro momento.

A defesa de Eduardo está sendo feita pela Defensoria Pública da União (DPU), já que ele não apresentou resposta à acusação. O deputado federal está morando nos Estados Unidos. A DPU defendeu a rejeição da denúncia, alegando que as manifestações atribuídas ao parlamentar são declarações públicas sobre política externa, sanções econômicas e críticas a decisões judiciais, sem qualquer ato de violência ou grave ameaça.

“VÍTIMAS” – “O tipo penal exige violência ou grave ameaça como requisito objetivo do crime. No caso em tela, a denúncia não descreve qualquer ato de violência praticado pelo denunciado contra qualquer autoridade”, diz a Defensoria. Em nota conjunta divulgada após a denúncia, em setembro, Eduardo e Figueiredo afirmaram atuar para “corrigir abusos e injustiças” e se disseram “vítimas de “perseguição política”.

“Se eu estiver cometendo um crime nos Estados Unidos, Moraes está acusando os Estados Unidos de proteger um criminoso”, escreveu Eduardo no X: “Eu nunca trabalhei pela absolvição do meu pai. Eu trabalho pela anistia para ser votada por um Congresso livre das ameaças de Alexandre de Moraes”.

A denúncia utilizou principalmente declarações públicas de Eduardo e Figueiredo. Gonet destacou que os dois reconheceram, em publicações em redes sociais, entrevistas e outras falas a própria atuação para levar autoridades americanas a aplicarem sanções. Também foram utilizadas como provas trocas de mensagens entre Eduardo e Bolsonaro.

SANÇÕES – Na denúncia, o procurador-geral afirmou que “os fatos expostos” estão lastreados em “sólido acervo probatório”. “A dupla denunciada anunciava as sanções previamente, celebrava quando eram impostas e as designava, elas próprias, como prenúncio de outras mais, caso o Supremo Tribunal não cedesse. As providências foram obtidas com porfiado esforço pela dupla, conforme os denunciados — eles próprios — triunfalmente confessam”, escreveu Gonet.

No campo político, Eduardo republicou na sexta-feira no X mensagens que sugerem a escolha de Flávio como sucessor do seu pai. Uma dessas mensagens, justamente de Figueiredo, afirmava que Flávio e Eduardo “atendem o requisito” de uma candidatura que “represente o nosso movimento e não algo escolhido pelo centrão e o STF”. Outra mensagem republicada pelo deputado na sexta-feira sugeria que os “isentões (…) que hoje forçam uma candidatura de algum apadrinhado por (Gilberto) Kassab e Ciro (Nogueira)” poderiam não apoiar Flávio em uma disputa contra Lula.

SOBRENOME NA RUA –  Em outras publicações, o mesmo perfil teceu críticas à movimentação dos caciques de PSD e PP, que já endossaram publicamente uma candidatura de Tarcísio, e defendia a presença do “sobrenome Bolsonaro nas urnas” em 2026.

Em entrevistas recentes, Eduardo tem evitado criticar o governador de São Paulo diretamente, mas passou a contrapor esta hipótese a uma candidatura de algum familiar, que tenha “uma conduta próxima à de Jair Bolsonaro”. Na quinta-feira, à rádio Jovem Pan, o deputado disse que estará em lado oposto ao de Lula na eleição de 2026, mas que não deixará de “discutir com pessoas do espectro da direita”. “Não vou pontuar minhas diferenças com o Tarcísio, mas vamos esperar. O próprio Tarcísio diz que é candidato à reeleição”, afirmou.

O alinhamento entre Flávio e Eduardo na escolha do candidato à Presidência em 2026 passou a ficar mais nítido no fim de outubro. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, ambos planejam visitar o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, neste mês.

Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será decidido na gestão de Gilmar

Arquivos #MinistroGilmarMendes - Blog do Ari Cunha

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal trava-se uma corrida contra o tempo, com os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli tentando encontrar uma maneira de impedir o julgamento do recurso derradeiro a ser apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro. Trata-se de embargos divergentes, que podem ser impetrados quando não existe unanimidade na condenação, que é exatamente o caso do ex-presidente, devido ao voto de Luiz Fux, favorável à absolvição, na Primeira Turma.

As equipes de Mendes e Toffoli estão dedicadas a encontrar alguma brecha na legislação ou no regimento do tribunal, para impedir que o recurso de Bolsonaro seja admitido e entre em julgamento. Se não conseguirem evitar a votação, o ex-presidente será absolvido, pois na Segunda Turma ele conta com três votos a seu favor, de Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, restando derrotados os dois votos pela condenação, a serem emitidos por Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

NOVO PRESIDENTE – Para evitar o novo julgamento, Gilmar e Toffoli estão espalhando a notícia de que o recurso poderá ser evitado liminarmente, devido a um precedente no caso de um dos processos contra Paulo Maluf por corrupção e lavagem de dinheiro. Para que esse veto ocorra, porém, é preciso saber quem estará na presidência da Segunda Turma quando for apresentado o recurso derradeiro de Bolsonaro.

Por enquanto, o presidente é Gilmar Mendes, que deve acelerar ao máximo o andamento, para que ocorra ainda no decorrer de seu mandato, que termina em 31 de dezembro. A dúvida é saber quem será o substituto de Gilmar na Segunda Turma: Dias Toffoli ou Nunes Marques?

A dúvida é cabível porque existe lacuna no Regimento. Diz apenas que a substituição será por antiguidade. Assim, Gilmar vai tentar empurrar a presidência para Toffoli, mas há controvérsias, porque Toffoli é antigo no Supremo, mas ainda é um novato na Segunda Emenda, onde só entrou em maio de 2023. Portanto, o mais antigo, no caso, é Nunes Marques, que deve dirigir os trabalhos no julgamento final de Bolsonaro.

DIZ O REGIMENTO – Como se dizia antigamente, essa discussão pode até ser bizantina, porque o presidente de Turma somente manda quando tem maioria. No caso de Gilmar ou Toffoli, são minoritários e mandam ao estilo do Rei da Inglaterra. O Regimento do Supremo é claro sobre isso:

Art. 135 § 2º Da decisão que não admitir os embargos, caberá agravo, em cinco dias, para o órgão competente para o julgamento do recurso.

E o órgão competente é justamente a Segunda Turma, reforçada com o processualista Luiz Fux. Se Gilmar ou Toffoli recorrerem, basta a defesa de Bolsonaro apresentar agravo e a Segunda Turma será obrigada a julgar os embargos infringentes de Bolsonaro, com o resultado que todos já sabem – 3 a 2 a favor da absolvição do ex-presidente.

###
P.S.
A situação está nesse pé. Virou um assunto-tabu, nenhum ministro dá entrevistas a respeito. É uma questão complicadíssima. A grande mídia divulga pitacos de advogados de todo tipo, mas nenhum deles sabe o que dizer, porque a maioria tem preguiça de ler o Regimento do Supremo. Os que conseguem ler, muitas vezes não entendem nada, mas ficam dando pitacos e peruadas. Chega a ser ridículo o comportamento desses advogados. (C.N.)

Sem estratégia e sem debate, o crime organizado avança onde o Estado recuou

Mundo político trata o crime organizado pelo cálculo eleitoral

William Waack
Estadão

O sistema político brasileiro parece viver para si mesmo sem se dar conta de que o crime organizado se transformou no fator de risco número 1 para a própria política e a governabilidade. Entende-se aqui por sistema político não só os grupos e partidos mas também as estruturas formais do Estado, como o STF.

A erosão do monopólio do Estado na aplicação da violência já tem mais de quarenta anos e a acomodação das autoridades a essa situação idem. Em muitas das áreas sob domínio territorial do crime organizado duas gerações de brasileiros cresceram sem conhecer outro estado de coisas.

“CULTURA PRÓPRIA” – No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, desenvolveu-se até o que se poderia chamar de “cultura própria” – que (goste-se disso ou não) são canais de integração e solidariedade dentro de comunidades, capazes de conviver com a ferocidade dos traficantes e a dos agentes do Estado, visto em boa parte simultaneamente como ausente e inimigo.

Existe o que se poderia chamar nessas áreas até de “visão de mundo”, com nítida expressão na produção musical de grande propagação no mundo digital, por exemplo. Na qual figuras de projeção acusados de “apologia do crime” por uns simbolizam para grande parcela o sucesso a ser alcançado. O que é crime ou ilegal é coisa muito diferente dependendo de onde se anda hoje em algumas grandes cidades.

CÁLCULO ELEITORAL – Sem compreensão da gravidade desse contexto, o mundo político trata o fenômeno abrangente do crime organizado exclusivamente pelo cálculo eleitoral. No qual o governo federal está claramente em desvantagem – sua imagem continua associada a escândalos de corrupção e os cacoetes ideológicos o impediram durante décadas de entender que pobreza e desigualdade social não explicam necessariamente o crime (muito menos a penetração das instituições de Estado).

Não só o governo federal parece perdido, e incapaz de propor “coisas práticas” que permitam diminuir na população (não só nas áreas sob controle do tráfico) o sentimento de que “está tudo dominado”. A questão da segurança pública hoje no Brasil é de natureza política no seu sentido mais amplo, e não há sinais convincentes de que esteja sendo enfrentada com um mínimo de estratégia e esforço comum entre os entes da federação.

Ao contrário. O debate sério está interditado pela polarização política. Ações como a megaoperação do Rio – independentemente da sua letalidade ou eficácia na eliminação de combatentes adversários, e de seu maior ou menor planejamento – são antes uma expressão do não se saber o que fazer.

Se as forças de direita se unirem, a carreira de Lula termina nas eleições de 2026

Queda de Lula chama atenção para os riscos de traumatismo craniano em  idosos | O Imparcial

A idade avançada está influindo na decadência de Lula

Vicente Limongi Netto

Notícia alvissareira da colunista Denise Rothenburg (Correio Braziliense – 14/11), ponderando e salientando que, se as forças da direita se unirem em torno de um nome, poderá trazer problemas gravíssimos à campanha do presidente Lula da Silva, candidato novamente em 2026. 

Nessa linha, a propósito, escrevi lamentando, na Tribuna da Internet,  de 31 de agosto: “Em ano eleitoral, o PT e seguidores costumam ir com tudo. Governadores adversários, alguns qualificados, não pensam em chegar em apenas um nome, para enfrentar Lula. Já vimos este filme. O ego pessoal fala mais alto. Desunião dilui votos. Agradando o PT, Lula e aliados. Ano que vem vai ferver. Chutes na virilha serão afagos do céu”.

Quando Bolsonaro foi eleito em 2018, se governadores da oposição já tivessem tido a grandeza de cerrar fileiras, unidos em torno de apenas um nome, o resultado das urnas poderia ter sido diferente. O mesmo quadro se desenha para 2026, em que Lula hoje é o grande favorito, mas apenas por enquanto e dependendo de como a oposição vai se comportar.

Tropeço no PL Antifacção enfraquece ofensiva da direita para 2026

Charge do Bruno Struzani (Instagram)

Ana Luiza Albuquerque
Bruno Ribeiro
Marianna Holanda
Folha

Com o tropeço do relator do PL Antifacção, Guilherme Derrite (PP), que avançou o sinal contra a Polícia Federal e precisou recuar dias depois, a direita arriscou a vantagem que avalia ter nas discussões em torno da segurança pública, pauta que candidatos do grupo pretendem usar como vitrine nas eleições de 2026.

O movimento, visto como atropelado até por aliados, atrasou a votação do projeto e levou Derrite a recuar das propostas iniciais e se explicar reiteradamente. “Vocês sabem quem está do lado da população e quem acha que bandido é um coitadinho vítima da sociedade”, disse ele em vídeo na última quarta-feira (12), numa menção velada ao presidente Lula (PT), que chamou traficantes de vítimas e teve de se retratar depois. “Repito, é hora de descer do palanque e atender o grito de socorro da população.”

SUBMISSÃO – O relatório inicial apresentado no último dia 7 por Derrite, que é secretário de Segurança do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reduzia as competências da PF e a submetia aos governos dos estados. Por isso foi amplamente criticado não apenas na corporação e no governo Lula, que apresentou o projeto, mas também por integrantes do Ministério Público, juristas, especialistas e até mesmo outros políticos da direita.

A condução do PL e as mudanças propostas no texto por Derrite —pré-candidato ao Senado no próximo ano por indicação de Tarcísio— abriram espaço para que o governo federal pudesse avançar na discussão, com acusações de que a direita teria tentado tirar proveito eleitoral do episódio.

Vice-líder da oposição e policial federal de carreira, o deputado Sanderson (PL) avaliou que o relatório gerou ruídos que precisaram de ajustes. “Faltou um pouco de comunicação e objetividade na construção do relatório”, afirmou. “A proposta de redução de atribuições da PF, a necessidade de autorização dos governadores, não seria votada por nós na Comissão de Segurança Pública.”

EQUÍVOCO – Um deputado próximo a Derrite também afirmou à reportagem, sob anonimato, que houve equívoco na formulação e na forma de divulgação. Para esse aliado, o modo como a PF foi tratada deu margem ao Planalto para bloquear a iniciativa da oposição.

Segundo essa leitura, a tentativa do secretário de limitar a atuação da corporação seria uma resposta à PEC da Segurança, defendida pelo governo e criticada pela oposição, que centralizaria as ações do órgão.

Desde a mais letal operação policial da história do país, levada a cabo pelo governador Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro ao fim de outubro, governadores de direita se uniram para pautar o debate nacional em torno da segurança pública, tema que veem como o ponto fraco do governo Lula e da esquerda.

NOVA NARRATIVA – Com isso, conseguiram liderar uma nova narrativa com potencial de representar ganhos eleitorais em 2026. Políticos de direita, inclusive aliados de Jair Bolsonaro (PL), já admitiam, sob reserva, cansaço com a pauta da anistia ao ex-presidente e aos participantes do 8 de Janeiro.

Há sinais de que, por enquanto, a exploração do tema da segurança pública surtiu efeito ao interromper uma sequência de resultados positivos na evolução da popularidade de Lula. Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest indicou um freio nessa recuperação, com 31% de avaliação positiva e 38% de negativa.

A indicação de Derrite para a relatoria do PL Antifacção, decidida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), foi uma vitória para a direita, cujos partidos se uniram em torno do nome do secretário de Tarcísio.

“FAKE NEWS” –   A eleição presidencial será daqui a quase um ano, mas todos os movimentos de hoje já antecipam o debate. Neste caso, PP, PL, Republicanos e União Brasil, que devem caminhar juntos em 2026, também abraçaram as mudanças iniciais propostas por Derrite e classificaram as críticas como “narrativas” e “fake news”.

O próprio Tarcísio participou de um podcast ao lado do secretário para defender a proposta de equiparar facções criminosas a organizações terroristas, discurso encampado pela direita brasileira em alinhamento ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo norte-americano tem justificado ações militares em território internacional, especialmente no mar do Caribe, sob o pretexto de combater o que chama de narcoterroristas.

“Isso [a ação de facções] tem que ser classificado como terrorismo, como forma também de aumentar o custo do crime. É esse entendimento que a gente tem”, disse o governador, cotado para disputar a Presidência, possibilidade que ele publicamente nega.

PROPOSTA – Com o PL Antifacção, a direita planeja se unir em torno de uma primeira proposta concreta para a segurança pública, tema que políticos do grupo querem que seja o principal durante a campanha de 2026.

Professor de ciência política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Jorge Chaloub afirma que a segurança virou a grande aposta da direita para frear a popularidade de Lula e para as eleições presidenciais, mas ainda é preciso tempo para entender como a opinião pública se desenhará.

Ele diz não ter dúvidas de que a maioria da população aprova medidas duras contra o crime, como mostrou pesquisa Datafolha após a operação policial no Rio de Janeiro, mas afirma que a extensão desse apoio ainda será disputada pelos atores políticos. “A depender de como for se desdobrando, não acho que seja tão simples e automática [a ideia de] que é só sair matando que vai ter o apoio da população.”

AVALIAÇÃO – Chaloub lembra que a popularidade do presidente autoritário de El Salvador, Nayib Bukele, frequentemente reverenciado por figuras da direita brasileira, não é consequência de assassinatos pelo Estado, mas sim da avaliação do eleitorado de que o governo conseguiu retomar territórios antes tomados pelo crime.

Neste sentido, afirma, ainda que a segurança pública não seja o ponto forte do governo Lula, mesmo governadores de direita não têm casos de sucesso para apresentar ao eleitorado. “Segurança pública nunca é um tema tão confortável para ninguém.”

PF pede proteção total a Mauro Cid e família, e decisão vai para Moraes

Mauro Cid vira caso de segurança nacional para a PF

Daniel Gullino
O Globo

A Polícia Federal (PF) sugeriu a inclusão do tenente-coronel Mauro Cid e de seus familiares no programa federal de assistência às testemunhas. A solicitação será analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).  

Há duas semanas, Moraes autorizou o início do cumprimento de pena de Cid, que foi condenado a dois anos de prisão, em regime aberto, no processo que analisou uma tentativa de golpe. O militar foi o único dos oito condenados a não recorrer contra a sentença, já que a pena seguiu o que foi acertado em sua delação premiada.

“AÇÕES NECESSÁRIAS” – O ministro também estabeleceu que a PF deveria tomar as “ações necessárias” para “manter a segurança” de Cid e sua família. Em despacho na quinta-feira, Moraes afirmou que a corporação informou que, “como ação indispensável à preservação da integridade física do réu e de seus familiares, revela-se possível a inclusão destes no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas”.

O ministro pediu um posicionamento da PGR, em até cinco dias, antes de decidir. O programa de assistências a testemunhas é regulamentado por uma lei de 1999 e é destinado a “testemunhas de crimes que estejam coagidas ou expostas a grave ameaça em razão de colaborarem com a investigação ou processo criminal”.

À sombra da inelegibilidade de Bolsonaro, Michelle testa protagonismo na direita

Pizzaria, fachada e propina: Stefanutto é apontado como peça-chave do esquema de descontos ilegais

No “Ponteio”, de Edu e Capinam, uma mensagem contra o regime militar

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico, publicitário, poeta e letrista baiano José Carlos Capinam explica que, a vitória de “Ponteio” no III Festival da Record, em 1967, música de raiz sertaneja, trazia na letra uma interação política bem ao gosto da plateia mais politizada, com alusões certeiras ao desejo de mudança.

Certo dia que sei por inteiro/ eu espero, não vá demorar/ este dia estou certo que vem/ digo logo o que vim pra buscar (…) / vou ver o tempo mudado/ e um novo lugar pra cantar” — era o bordão contra a ditadura militar, então,  vigente no pais desde 1964. Esta música foi gravada no LP Edu Lobo, Marília Medalha, grupo Momento Quatro e grupo Quarteto Novo, em 1967, pela Philips.

PONTEIO
Edu Lobo e Capinam

Era um, era dois, era cem
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse ou amor ou dinheiro
Era um, era dois, era cem
Vieram pra me perguntar
Ô, você, de onde vai, de onde vem
Diga logo o que tem pra contar

Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem vento

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar

Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto calado, sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era morte em redor, mundo inteiro
Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não lembro de dor nem receio
Só sabia das ondas do mar

Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se eu tomo a viola ponteio
Meu canto não posso parar, não

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar

Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar já convém
Prometendo um novo ponteio

Certo dia que sei por inteiro
Eu espero, não vá demorar
Este dia estou certo que vem
Digo logo o que vim pra buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar pra cantar

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar

Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, recorre a vaquinha para pagar defesa

Pressão nos EUA e trama golpista: STF decide futuro de Eduardo Bolsonaro