Em meio à crise, ministros do STF se unem em defesa de Moraes

Delação meia-sola, que deixa de lado Supremo e governo, é imunda e ignóbil

Defesa de Vorcaro começa a negociar a delação premiada

Caio Junqueira
CNN

O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, ofereceu ao ministro relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, um formato conjunto de delação premiada de Daniel Vorcaro envolvendo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

O ministro sinalizou positivamente a ideia, cujo objetivo é promover algo que não seja passível de questionamentos no futuro. O modelo é inédito em grandes delações feitas no Brasil, inclusive durante a Operação Lava Jato.

RIVALIDADE – Os dois órgãos historicamente se rivalizam sobre a quem cabe o protagonismo da investigação e há inclusive uma discussão jurídica ainda em curso no Supremo Tribunal Federal sobre isso.

No caso Master, o desafio seria ainda maior, dado o caráter suprapartidário e amplo das relações de Vorcaro, o que demandaria um alinhamento fino entre a defesa, os dois órgãos e o ministro André Mendonça — que ainda não há. As conexões de cada um deles é, nesta largada, um empecilho.

DELAÇÃO – O plano inicial de Vorcaro é delatar políticos e poupar Alexandre de Moraes e Toffoli justamente porque se acredita que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não aceitaria uma delação contra o STF. Além disso, a relação entre Mendonça e Gonet é distante, ainda mais depois da última fase da operação, na qual Mendonça considerou “lamentável” Gonet não ter se manifestado sobre a recondução à prisão de Vorcaro.

Ambos também veem com apreensão as conexões, consideradas muito próximas do Palácio do Planalto, do diretor-geral da Polícia Federal. Apesar de tudo isso, a avaliação de quem conversou com o advogado de Vorcaro e Mendonça após o encontro de ambos é a de que seja apresentada uma delação premiada “séria”, entendida como algo que atingirá quem de fato cometeu irregularidades com Vorcaro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEra só o que faltava. Depois de usufruir do convívio e da complacência de ministros do Supremo, agora Vorcaro quer fazer uma delação meia-sola, somente pegando políticos (parlamentares e alguns governadores) e deixando de fora o Supremo e o Planalto. Sinceramente, a delação meia-sola de Vorcaro é ignóbil, imunda e asquerosa. Seria a completa desmoralização do Judiciário, um poder que se corrompe, deprava e perverte cada vez mais. (C.N.)

Kassab, dono do PSD, antecipa movimento e deve lançar Ratinho Júnior à Presidência

Kassab indica que anunciará Ratinho Jr. como pré-candidato

Raphael Di Cunto
Folha

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou a aliados que deve anunciar na próxima semana o nome do governador Ratinho Jr. como o pré-candidato à Presidência do partido. A informação foi confirmada por três integrantes da cúpula da legenda que o apontam como favorito para vencer a disputa interna. Ainda assim, eles evitam cravar a escolha pelo receio de que conversas finais mudem o desfecho.

A ideia da direção do partido e dos governadores é acelerar a divulgação do nome para que o escolhido possa estruturar sua campanha e se apresentar ao país, uma vez que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou seu nome de forma mais rápida do que era esperado na sigla.

PESQUISAS – Integrantes da direção do PSD imaginavam que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho mais velho demoraria mais, e por isso tinham marcado a escolha do candidato a presidente para abril, depois da janela partidária para quem for candidato definir seu partido –que acaba dia 4. No entanto, o senador cresceu rapidamente nas pesquisas, se aproximou do presidente Lula (PT) no primeiro turno e já se encontra empatado com o petista no segundo turno.

Dirigentes do partido dizem que Ratinho virou o favorito dentro do PSD para assumir a candidatura por algumas razões: por estar filiado há mais tempo, aparecer melhor nas pesquisas e conseguir uma boa aceitação entre os eleitores de menor renda por causa do pai, o apresentador de TV e empresário Ratinho. Seria um nome também com baixa rejeição, além de ser debatido há meses entre os filiados.

Em entrevista para jornais de Santa Catarina, o presidente estadual do partido e integrante do conselho político do PSD, Jorge Bornhausen, afirmou que se reuniu com Kassab e ouviu que a decisão já está tomada. “Ficou ajustado que no dia 25 de março será anunciado o nome do Ratinho Júnior. Eu faço parte da comissão de escolha. Evidentemente, respeitando os outros dois grandes governadores, eu optei pelo Ratinho Júnior, que é de centro-direita como eu. Esse é o caminho que o eleitorado deseja”, declarou Bornhausen.

DISPUTA – Ratinho disputa com outros dois governadores, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), a pré-candidatura à Presidência. Aliados afirmam que eles procuraram Kassab para questioná-lo sobre a escolha e ouviram que o martelo ainda não está batido e que a decisão ocorrerá até o fim do mês.

Kassab tem conversado com os três para garantir que renunciem ao governo local até 4 de abril e se candidatem nas eleições de outubro. A estratégia é que aqueles preteridos para a Presidência disputem o Senado ou como vice, numa chapa pura do PSD.

De acordo com dirigentes e parlamentares da sigla, a preferência sempre foi por Ratinho, mas dependia de uma decisão dele próprio de concorrer. Flávio ainda tenta demovê-lo, ao ameaçar com um rompimento do acordo no Paraná, onde o PL apoiaria o sucessor escolhido pelo governador em troca da vaga para o Senado.

MORO – Com a candidatura presidencial de Ratinho, o PL afirma que terá o senador Sergio Moro (União Brasil) como candidato ao Governo do Paraná. Isso pode ocorrer pelo próprio PL ou pelo União Brasil, caso Moro consiga convencer a federação do partido com o PP a lançá-lo candidato. A campanha de Flávio terá uma reunião com os dois partidos nesta semana.

Apesar de figurar melhor do que os concorrentes internos nas pesquisas, Ratinho está bem atrás de Lula e de Flávio no primeiro turno. O PL tenta convencê-lo a se aliar a Flávio, com a possibilidade de ser vice, mas no PSD o discurso é de que há espaço para crescimento até outubro e que uma aliança com a direita ou a esquerda racharia o partido nos estados.

A pesquisa Datafolha mais recente mostra Ratinho com 7% das intenções de voto no primeiro turno, no cenário estimulado (quando são apresentados os candidatos). Lula teria 38% e Flávio, 32%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), teria 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Outros 11% dizem que votariam em branco ou nulo e 3% afirmam estarem indecisos.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

A criatividade do poeta Jorge Ventura, ao brincar com palavras emolduradas

Nenhuma descrição de foto disponível.

Ventura, com a poeta e atriz Elma Alegria

Paulo Peres 
Poemas & Canções)

O publicitário, ator, jornalista e poeta carioca Jorge Ventura, no poema “Emoldurados”, brinca com as palavras e se inspira em telas da natureza morta para compor um cenário de alta criatividade. .

EMOLDURADOS
Jorge Ventura

a laranja cortada à faca
sobre a mesa (gomos e gumes)
não exala mais o cheiro das manhãs

móveis da sala cozinha e quarto
abrigam tardes e noites imóveis
como cestas de nozes e avelãs

restam flores palavras secas
migalhas rostos tristes
expectativas inanimadas

afora o sol pela porta pintada a óleo
o  silêncio dos olhos e a certeza
de que a natureza agora é morta

Pagamentos cruzados expõem o senador Ciro Nogueira em relatório bancário do Coaf

Ciro diz que renunciará, se provarem algo contra ele

Caetano Tonet,
Vinícius Cassela,
Sara Curcino,
Vladimir Netto
G1

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve faturas de cartões de crédito pagos por dois deputados federais do Partido Progressistas (PP), partido que preside. As informações constam em um comunicado feito ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e revelam faturas de 2024 de cerca de R$ 17 mil pagas por Átila Lira (PP-PI) e Júlio Arcoverde (PP-PI), aliados de Nogueira na política piauiense.

O documento compõe o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) feito pelo COAF a respeito da BK Instituição de Pagamento, fintech conhecida como BK Bank e apontada pelas investigações da Polícia Federal como um dos núcleos financeiros usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro.

“ABSURDO” – De acordo com a Receita Federal, o crime organizado movimentou R$ 46 bilhões apenas no BK. A comunicação das movimentações aparece relacionada ao BK Bank porque o senador enviou R$ 12.297,92 para contas da fintech. A Caixa Econômica Federal classificou o comportamento da conta de Ciro como “inusitado”. O período analisado foi de janeiro a junho de 2024. Procurado, o senador Ciro Nogueira classificou os questionamentos como “absurdo” e disse que não vai responder sobre o assunto.

No dia 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira quitou um boleto de R$ 3.457,00 referente a um cartão de crédito do BRB que tem o senador como titular. Questionado pelo G1, o deputado negou ter feito o pagamento e disse que o comunicado, feito pela Caixa Econômica Federal, está errado. “Essa informação não é verdadeira. Nunca houve pagamento por minha parte de fatura de cartão de crédito de ninguém. Nem a da minha esposa”, afirmou.

ENCOMENDA – Em 19 de junho, 15 dias depois, o senador teve outra fatura paga, dessa vez de R$ 13.693,54 pelo deputado federal Júlio Arcoverde, presidente do Progressistas no Piauí.

Ao G1, Arcoverde afirmou que o pagamento pode ser relativo a alguma encomenda feita a Ciro Nogueira durante alguma viagem internacional do presidente do PP.

“Tem que saber dele. Se ele consegue resgatar isso daí. Às vezes ele viaja e eu peço algum remédio, alguma coisa, e aí ele passa o cartão para eu fazer o pagamento”, declarou. No dia 17 do mesmo mês, Ciro Nogueira pagou uma fatura de R$ 120.839,96 que tem com o Banco de Brasília (BRB), que está no centro dos escândalos do caso Master.

APONTAMENTOS –  A Caixa informou ainda que a conta do senador Ciro Nogueira apresenta movimentações de recursos incompatíveis com o patrimônio, atividade econômica ou a ocupação profissional. Além disso, apontou a existência de operações que configurem artifício para burla da identificação da origem, do destino, dos responsáveis ou dos destinatários finais.

A Caixa ainda informou que a conta do senador apresenta: movimentação habitual de recursos financeiros para pessoas politicamente expostas, não justificada por eventos econômicos; transferências internacionais nas quais não se justifique a origem dos fundos envolvidos ou que se mostrem incompatíveis com a capacidade financeira ou com o perfil do cliente.

Este último apontamento foi feito pela Caixa porque também em junho, o senador recebeu uma remessa de recursos em dólares, equivalente a R$ 25.821,19. O valor foi transferido por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, onde o banqueiro Daniel Vorcaro era dono de uma cobertura. O imóvel foi avaliado em R$ 180 milhões, de acordo com a declaração de Imposto de Renda do banqueiro. A operação foi classificada pelo condomínio como “doação ou transferência sem contrapartida” e, por isso, não teve a origem do repasse justificada.

EXPOSIÇÃOAo apontar os pagamentos feitos pelos deputados, o relatório informa que tratam-se de pessoas politicamente expostas (PEPs) e destaca que o filho de Arcoverde, Júlio Ferraz Arcoverde Filho é funcionário do gabinete de Ciro Nogueira.

O filho do deputado está lotado desde 2020 no gabinete de Nogeuria, onde atua como auxiliar parlamentar no escritório de apoio do senador, no Piauí, e tem um salário bruto de R$ 12.360,33. Pela legislação brasileira, o pagamento de obrigação por terceiro — como a quitação de boleto de cartão de crédito — é admitido. O Código Civil prevê a possibilidade de cumprimento da obrigação por pessoa diversa do devedor, desde que não haja impedimento legal ou contratual.

Por outro lado, a Lei de Lavagem de Dinheiro tipifica como crime ocultar ou dissimular a origem, a localização ou a propriedade de bens, direitos ou valores. Assim, o uso de terceiros para quitar despesas pode ser enquadrado na norma caso seja utilizado como meio para dificultar a identificação do real responsável pelos recursos.

VANTAGEM PATRIMONIAL –  No caso de agentes públicos, a Lei de Improbidade Administrativa estabelece que constitui ato de improbidade a obtenção de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício do cargo, bem como a violação aos princípios da administração pública. Além disso, o Código Penal, tipifica a corrupção passiva, que pode ocorrer quando o agente público recebe vantagem indevida, ainda que de forma indireta.

O senador também possui relações com o dono do Banco Master. Na quebra de sigilo telemático de Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira é descrito pelo dono do Master como “um grande amigo de vida”. Em agosto de 2024, o banqueiro comemorou a atuação do senador no Congresso ao comentar com a companheira uma emenda apresentada por Nogueira que aumentava em quatro vezes o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Dez dias antes, Vorcaro esteve no casamento da filha de Nogueira, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Além disso, um e-mail no telefone de Vorcaro mostra uma viagem de helicóptero reservada por uma empresa do banqueiro, na data de 2 de novembro de 2024, para Ciro Nogueira e Antônio Rueda, que comanda o União Brasil. O destino foi o autódromo de Interlagos onde naquela data foi realizado o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ciro Nogueira é aquele tipo de político que confirma a velha piada árabe. Qualquer um pode bater nele à vontade, sem saber o motivo, mas Ciro Nogueira certamente saberá porque está  apanhando. Um parlamentar que tem um jatinho, mas paga o combustível com verba do Senado, não tem a menor vergonha na cara, diria o grande historiador Capistrano de Abreu. (C.N.)

Sergio Moro deixa União Brasil e se filia ao PL para concorrer ao Governo do Paraná

Crise no STF se agrava e ala da Corte já vê saída de Toffoli como inevitável

Piada do Ano! Vorcaro quer fazer delação meia-sola, sem envolver Moraes e Toffoli

Gilmar Fraga: Vorcaro preso... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Mônica Bergamo
Folha

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não pretende envolver ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em um eventual acordo de delação premiada no processo que apura a gestão fraudulenta do Banco Master. Fará isso apenas se for inevitável.

Ele manifestou a intenção a diversas pessoas antes mesmo de decidir partir de vez para um acordo de colaboração com a Justiça.

EXIBIR PROVAS – Em primeiro lugar, Vorcaro dizia ter a consciência de que, para arrastar um magistrado da mais alta Corte do país para o centro do furacão, precisaria ter provas irrefutáveis do cometimento de crimes — sob o risco de sua delação ser sumariamente rejeitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), por setores da PF (Polícia Federal) e pelo próprio STF.

Depois de ouvir conselhos de interlocutores que conhecem os meandros do poder e do Judiciário, ele manifestava também a certeza de que envolver um magistrado na colaboração poderia despertar o espírito de corpo da maioria da Corte, dificultando a solução de seus problemas criminais.

Ele só deve falar da relação com magistrados em depoimentos, portanto, caso seja pressionado pelas autoridades a discorrer sobre essa convivência.

AMIGO DE MORAES – A interlocutores que recebia com frequência antes de ser preso pela segunda vez, no começo do mês, Vorcaro sempre manifestava apreço, por exemplo, pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Ele dizia que o magistrado era um amigo. E defendia a contratação, pelo Banco Master, do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, por R$ 129 milhões no período de três anos.

Vorcaro afirmava que ela de fato trabalhou para o banco, mobilizando dezenas de advogados para cuidar dos mais diversos temas —da elaboração de cartilhas de compliance para a instituição a processos previdenciários.

TOFFOLI E MARQUES – Dias Toffoli, que é sócio da Maridt, empresa que vendeu a um fundo ligado ao Master a participação que tinha em um resort no Paraná, era poucas vezes citado por Vorcaro nas conversas.

O ex-banqueiro ficou especialmente contrariado quando soube que o ministro Kassio Nunes Marques votou pela manutenção de sua prisão, na semana passada. Ele acreditava que líderes do Centrão de quem é próximo, e que têm amizade com o magistrado, pudessem convencê-lo a votar por sua liberdade.

O sentimento negativo, no entanto, não seria suficiente para que ele decidisse envolver o STF na delação.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Impressionante este artigo enviado pelo jornalista e advogado José Carlos Werneck, sempre atento ao lance. O objetivo é aliviar a barra de Moraes e Toffoli, que não têm mais a menor condição de julgar nada nem ninguém, pois suas simples presenças nas sessões já sujam a imagem do Supremo. O mais curioso do artigo é a menção aos supostos “serviços prestados” pela advogada Viviane de Moraes, especialmente quanto ao “Manual de Compliance” para um banco cuja especialidade era iludir os clientes e fazer “pirâmides” financeiras maiores do que as de Queóps, Quéfren e Miquerinos. Essa Piada do Ano é realmente sensacional. (C.N.)

Gilmar barra quebra de sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli e reprova CPI

Com apoio de 178 deputados, ofensiva no STF pede prisão domiciliar para Bolsonaro

Racha interno, com saída de chefe antiterror, revela crise na estratégia dos EUA

Alcolumbre reage e acusa Valdemar de “mentiras” em meio à crise da CPI do Master

Para defender Toffoli e Moraes, o voto de Gilmar será uma tese contra vazamentos

Tribuna da Internet | Tentativa de blindagem vai fracassar e a CPI conseguirá incriminar Toffoli

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

​Como diria o jornalista, publicitário e compositor Miguel Gustavo, nosso vizinho no Edifício Zacatecas, o suspense é de matar o Hitchcock… Em Brasília não se fala em outra coisa e todos aguardam com ansiedade o voto que o ministro Gilmar Mendes tem de apresentar até esta sexta-feira, dia 20, à Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, sobre um pedido para colocar o banqueiro Daniel Vorcaro em prisão domiciliar.

Processualmente, este voto é inócuo, porque Dias Toffoli se absteve e os outros três ministros (Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques) já decidiram manter o estelionatário em penitenciária de segurança máxima. O placar está em 3 a 0 e o máximo que pode acontecer é passar para 3 a 1, nada de novo no front ocidental.

FAZER PRESSÃO – O objetivo de Gilmar Mendes, portanto, não é libertar ou não Vorcaro, ele pouco está ligando para o banqueiro corrupto. Seu propósito é apenas defender uma tese que possa justificar o anulamento de provas do inquérito sobre o banco Master, para ajudar a defesa dos ministros envolvidos – Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Gilmar está dedicado ao assunto desde a semana passada, quando publicou um texto nas redes sociais que já apontava o caminho que pretende seguir. Disse o ministro que a exposição de conversas privadas sem qualquer relação com crimes investigados é uma “gravíssima violação ao direito à intimidade” e uma “barbárie institucional” que extrapola os limites da lei e da Constituição.

E apoiou entusiasticamente a decisão de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro, que anunciou a abertura de processo contra a exposição de suas trocas de mensagens com o dono do banco Master.

DANDO RECADO – Segundo a jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, Gilmar Mendes tem dito nos bastidores que a gravidade do vazamento de informações de inquéritos transcende a situação individual da prisão de Vorcaro. A tendência, portanto, é que o decano produza um voto para servir de recado à Polícia Federal e ao Judiciário como um todo, incluindo o Supremo.

O detalhe é que a investigação do escândalo do banco Master é diferente da Lava Jato, porque atinge autoridades dos três Poderes, inclusive do Judiciário, com envolvimento de ministros do Superior Tribunal de Justiça e do próprio Supremo, algo jamais ocorrido na História Republicana.

Como desta vez não existe qualquer relacionamento entre procuradores e juízes, não vai colar o argumento usado contra a força-tarefa de Curitiba, que teve as condenações anuladas por artimanhas do Supremo, que apontou “incompetência territorial absoluta”, alegando ilegalmente que os réus foram julgados em Curitiba e não nas cidades onde moravam. Ou seja, teria havido um erro de CEP…

###
P.S. – O Supremo é criativo e a justificativa foi aceita em 2021 para anular as condenações de Lula e possibilitar sua candidatura no ano seguinte. Acontece que “incompetência territorial absoluta” não existe na legislação brasileira nem de qualquer outro país, pois no Direito Universal a incompetência só é “absoluta” em caso de ações imobiliárias. Em processos criminais, como os da Lava Jato, a incompetência é sempre “relativa” e não provoca anulação de condenações, como a que beneficiou Lula em 2021, limpando sua ficha suja. Recordar é viver, e eu não esqueci. (C.N.)

Mendonça prorroga inquérito do Banco Master enquanto suspeições abalam o STF

Ministro do STF atendeu a pedido da Polícia Federal

Pepita Ortega
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu pedido da Polícia Federal (PF) e prorrogou por mais 60 dias o inquérito sobre as fraudes relacionadas à compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

Os investigadores haviam sustentado que a extensão do prazo era necessária para “diligências imprescindíveis para o esclarecimento” do caso.

LIGAÇÕES COM VORCARO – A decisão foi proferida no bojo do inquérito que passou para o gabinete de Mendonça em fevereiro, em meio à crise gerada na Corte máxima em razão das investigações. O caso foi redistribuído após o ministro Dias Toffoli abrir mão da relatoria, em meio a questionamentos sobre suas ligações com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.

No início do mês, o ministro do STF determinou a abertura da mais recente fase ostensiva do inquérito, a terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro pela segunda vez. A decisão foi submetida ao crivo da Segunda Turma da Corte, que já tem maioria para manter o ex-dono do Master preso. Ainda resta votar o decano, Gilmar Mendes. Toffoli se declarou suspeito para analisar as investigações daqui em diante.

Desde que a relatoria do caso passou para Mendonça, o ministro chegou a reavaliar algumas das decisões de Toffoli, como com relação à perícia dos aparelhos apreendidos durante as fases anteriores da Compliance Zero. Toffoli tem argumentado que, enquanto a investigação estava em seu gabinete, atendeu a todos os pedidos feitos pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

Flávio rompe com PSD e arma aliança com Sérgio Moro em jogada estratégica no Sul

Apoio a Moro expõe guerra por palanque

Lauriberto Pompeu
Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, decidiu romper com o PSD do governador do Paraná, Ratinho Júnior, e vai apoiar o senador Sergio Moro (União-PR) na eleição para governador do estado.

Moro se reuniu nesta quarta-feira com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília, em um encontro que vinha sendo costurado há dias por interlocutores dos dois lados. Segundo relatos, a conversa avançou rapidamente para um entendimento político e ocorreu em clima descrito como “pragmático”, com Valdemar deixando claro que o PL não esperaria indefinições do PSD.

APOIO NO PARANÁ – O PL dará apoio à candidatura de Moro no Paraná, e o senador se comprometeu a garantir palanque para Flávio no estado, considerado peça-chave no Sul. Auxiliares de Valdemar dizem que o acordo foi tratado como “prioridade” diante do impasse com o PSD.

Mais cedo, antes do encontro com Valdemar, Moro já havia feito um gesto público ao dirigente do PL durante reunião da CPI do Crime Organizado no Senado. Ao comentar um requerimento que pedia a quebra de sigilo do presidente da sigla, o senador saiu em sua defesa, o que foi visto pela cúpula do PL como uma sinalização de aproximação: “Outro caso aqui é Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal. O que ele tem a ver com o escândalo do Banco Master?”,questionou o senador.

No entorno do governador Ratinho Júnior, porém, a leitura é de que a reunião, que durou cerca de 40 minutos, não selou um acordo definitivo, mas manteve aberta uma margem de pressão dos dois lados. Interlocutores avaliam que tanto Moro quanto o PL preservaram espaço de manobra: o senador não formalizou sua filiação à legenda, enquanto o partido também não fechou completamente a porta para rever o apoio. Na prática, o movimento é visto como instrumento de pressão sobre Ratinho, em meio à disputa por seu apoio na eleição presidencial.

RODADA DE CONVERSAS – A decisão de Flávio foi tomada após Ratinho recusar abrir mão de uma candidatura presidencial própria em troca do apoio do PL ao PSD na disputa no Paraná. Nos bastidores, aliados de Flávio relatam que houve mais de uma rodada de conversas com o entorno do governador, inclusive um contato direto na semana passada, nas quais o PL chegou a sinalizar apoio a Guto Silva (PSD) no Paraná como parte do pacote.

A resposta de Ratinho, segundo esses relatos, foi de que não abriria mão de um projeto nacional caso fosse escolhido pelo partido. O diagnóstico no PL foi de que o governador “jogou para ganhar tempo” e não daria garantias. Desde então, o governador viajou para a Suíça, dando poucos sinais ao pré-candidato. Em meio a isso, Kassab passou a indicar a aliados que Ratinho deve, de fato, ser o nome do partido à Presidência, reforçando a resistência interna a um acordo com o PL.

O acordo entre PL e Moro também ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelo senador para se viabilizar candidato a governador pelo União Brasil. Ele avalia se filiar ao PL, mas ainda não há martelo batido.

TENSÃO – Integrantes da cúpula do PL afirmam que a filiação de Moro chegou a ser discutida na reunião com Valdemar, mas foi tratada como etapa posterior, para evitar tensionar ainda mais o União Brasil neste momento. A avaliação é que, mesmo permanecendo na sigla, Moro já passa a operar politicamente alinhado ao PL no estado.

Moro disse a integrantes do União Brasil que se sente inseguro dentro do partido, que deve formar uma federação com o PP. Ele avalia sair da sigla diante de resistências de setores do PP-União a dar legenda para ele concorrer ao governo do Paraná.

Relatos de dirigentes apontam que Moro tem reclamado de “falta de previsibilidade” dentro da federação em negociação e teme ser preterido por acordos locais costurados pelo PP.

SEM LEGENDA – O União Brasil ainda tenta manter Moro em seus quadros. Os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União, Antonio Rueda, conversam para tentar chegar a um entendimento. Apesar disso, no fim do ano passado, Ciro chegou a dizer publicamente que Moro não teria legenda, posição que passou a ser revista diante do assédio de outros partidos.

Até então, havia entre dirigentes da federação a avaliação de que o governador conseguiria concentrar os principais apoios no estado, amparado por sua alta aprovação e pelo controle da máquina local. Esse cenário, porém, começou a se alterar quando os partidos passaram a considerar a alternativa de apoiar Moro — que lidera as pesquisas para o governo do Paraná —, abrindo uma disputa mais competitiva e reduzindo o poder de barganha do grupo de Ratinho nas negociações nacionais.

PP e União Brasil devem formar uma federação e precisam seguir a mesma posição nas eleições. Dentro do grupo há resistência para que o senador seja candidato a governador. O principal foco de insatisfação é o deputado Ricardo Barros (PP-PR), adversário de Moro e que articula contra a candidatura dele. Barros deverá ter grande influência no diretório estadual da provável federação.

COMPETITIVIDADE – Apesar do imbróglio, o comando do União Brasil ainda tenta convencer o grupo do PP a dar legenda para Moro disputar o governo pela federação. Há a avaliação de que o senador é um nome competitivo e pode ajudar os partidos a terem bom desempenho também na formação de bancada no Congresso.

As articulações entre PL e Moro também envolveram uma tentativa de composição nacional entre Flávio e o PSD. Flávio Bolsonaro e o PL tentaram pressionar o partido a não ter candidatura própria a presidente. Aliados de Flávio já viam o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como o mais viável dos pré-candidatos do PSD antes mesmo de um anúncio formal e o procuraram para um acordo.

A ideia seria Ratinho abrir mão da candidatura em troca do apoio do PL a seu candidato ao governo do Paraná, que deverá ser o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD). Ratinho negou o acordo e disse que, se for escolhido candidato pelo PSD, irá aceitar a designação do partido. Sem selar a aliança, o PL decidiu apoiar Moro, rival de Ratinho, para o governo do Paraná.

CPI localiza novo contrato milionário que incrimina Ibaneis Rocha no caso Master

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em entrevista ao GLOBO: ele ambiciona concorrer ao Senado, em dobradinha com o PL, em 2026

Ibaneis Rocha, um corrupto perseguido pela própria sombra

Johanns Eller
O Globo

A Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS localizou em relatórios de inteligência do Coaf dois repasses que somam quase R$ 43 milhões ao escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), feitos por um fundo administrado na ocasião pela Reag, gestora investigada pela Polícia Federal (PF) no âmbito do caso Master.

Os pagamentos, realizados no segundo semestre de 2023, se referem a contratos de venda de honorários advocatícios no recebimento de precatórios, assim como em outros três contratos firmados entre o escritório e fundos geridos pela Reag ou pela corretora Planner identificados nos últimos dias. A banca de advocacia é comandada pelo filho do governador, Caio Barros.

WESLEY E JOESLEY – O fundo Laguz I tem como único cotista o Banco Original, ligado aos irmãos Wesley e Joesley Batista, da J&F. As duas operações, uma de R$ 32.541.248 e outra de R$ 10.394.973, constam no acervo da CPI do INSS.

Em nota, o escritório que leva o nome do governador informou ter recebido um total de R$ 15.241.561,10 do Laguz I pela negociação. A cifra seria menor porque os papéis em geral são vendidos com deságio, ou seja, desconto sobre o valor base.

Somados os cinco valores que constam nos termos de cessão destes direitos revelados pela equipe da coluna e o jornal Estado de S. Paulo, já são cerca de R$ 95 milhões em direitos vendidos a fundos administrados pela gestora do ecossistema Master. Desse total, o escritório alega ter recebido R$ 27,2 milhões.

BANCO ORIGINAL – Como publicou a coluna Capital do GLOBO em maio do ano passado, o BRB, banco estatal do DF no centro do escândalo Master, tentou comprar o principal ativo do Original, o PicPay, dos irmãos Batista em 2022, mas as conversas não avançaram.

Em setembro de 2024, o Original firmou um acordo com o governo Ibaneis para oferecer serviços de consignado a servidores do Distrito Federal, um modelo similar ao que o Master implementou inicialmente na Bahia, e posteriormente expandiu para outros 23 estados.

O caso é investigado pelo Tribunal de Contas do DF, que apura se o acerto deveria ter passado por licitação e por que o BRB supervisionou o processo no lugar da Secretaria de Economia distrital.

DIZ O ESCRITÓRIO – Questionado se o governador do Distrito Federal participou da tratativa com o Laguz I, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria disse que o emedebista não assinou o contrato, “seja como representante do escritório” ou “na condição de avalista”.

A banca afirmou ainda não ter recebido “qualquer pagamento” da Reag ou de qualquer outra administradora, e que os pagamentos vieram sempre “diretamente dos fundos com os quais firmou contratos de cessão de crédito”. Informou também que representa o Original, único cotista do Laguz, “em ações trabalhistas perante o Tribunal Superior do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal”.

“Trata-se de negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia, credores da fazenda pública e instituições financeiras, como forma de abreviar o recebimento, com deságio, de valores decorrentes de ações judiciais contra entes públicos”, frisou o escritório.

SEM COMENTÁRIOS – Procurada pela equipe do blog, a Reag informou que não se manifestará sobre o contrato. A assessoria do Banco Original não retornou os e-mails até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Nós também questionamos o governador Ibaneis por meio de sua defesa acerca do contrato do escritório que leva seu nome com o fundo à época administrado pela Reag. Seus advogados reiteraram que ele está afastado da banca desde 2018, quando concorreu pela primeira vez ao Palácio do Buriti.

Os honorários negociados superam a primeira negociação revelada pela equipe do blog no último dia 10. No valor de R$ 38 milhões, a tratativa foi firmada em maio de 2024 com o Reag Legal Claims, administrado pela gestora liquidada pelo Banco Central (BC) em janeiro passado.

MESMO DIRETOR – Segundo o cadastro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Laguz I também tem como diretor Marcos Ferreira Costa, responsável pelo fundo da Reag que negociou os honorários de precatórios negociados em 2024 e pela própria gestora.

Costa também votou em assembleias de acionistas do BRB em nome da Reag e do Borneo, outro fundo investigado pela PF por ter sido usado em uma operação do Master e da administradora para comprar 25% do controle do BRB abaixo do preço do mercado, enquanto negociavam carteiras fraudulentas do banco de Vorcaro. Segundo a PF, o Borneo havia alcançado em junho participação de 4,5% do capital total do BRB e mais de 12% das ações preferenciais. As ações estão bloqueadas pela Justiça.

A PF e o Ministério Público Federal (MPF) apontaram a Reag como uma estrutura central do esquema de fraudes do Master. A gestora integra a complexa teia de fundos por onde o dinheiro captado pelo banco em transações irregulares era distribuído, dificultando a rastreabilidade e o destinatário final dos valores.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Aperta-se o cerco em torno do governador Ibaneis Rocha, que é mais um corrupto a ocupar o poder no Distrito Federal, como Joaquim Roriz, José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz e outros mais. Brasília, infelizmente, tornou-se uma Ilha da Fantasia, habitada por corruptos de todos os tipos, inclusive ministros do Supremo, como já está mais do que provado. É uma cidade linda e acolhedora, onde trabalhei por oito anos, e tenho saudades de lá, onde praticamente não existe inverno. Em junho e julho, as noites são geladas, mas durante o dia o sol nos aquece. (C.N.)

Sob pressão, Andrei Rodrigues eleva o tom e reforça cerco no caso Banco Master

À beira da delação, Vorcaro ameaça implodir conexões entre banco, poder e Centrão

Sob pressão, Lula articula saída de Toffoli para travar escalada da crise

As mudanças que permanecem, na poesia reflexiva do imortal Lêdo Ivo

Lêdo IvoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, cronista, romancista, contista, ensaísta e poeta alagoano Lêdo Ivo (1924-2012), membro da Academia de Brasileira de Letras e figura central da chamada geração de 1945, no soneto “A Mudança”, afirma que se pode mudar e permanecer bem longe das mudanças, mesmo sendo, ao mesmo tempo, quem vive e quem morre.

A MUDANÇA
Lêdo Ivo

Mudo todas as horas.
E o tempo, sem demora,
muda mais do que fia.

Mudo mas permaneço
bem longe das mudanças.
Como uma flor, floresço.
Sou pétala e esperança.

Mudo e sou sempre o mesmo,
igual a um tiro a esmo.
Como um rio que corre.

Sem sair de onde estou,
de tanto mudar sou
o que vive e o que morre.