A revolta contra a exploração humana, na poesia satírica de Gregório de Mattos

O poeta Gregório de Mattos, o "Boca do Inferno", teve ordem de prisão após dois séculos de sua morte! | Espaço Literário Marcel ProustPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Gregório de Mattos Guerra (1636-1695), alcunhado de “Boca do Inferno ou Boca de Brasa”, é considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. Gregório ousava criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras. Criticava também a “cidade da Bahia”, ou seja, Salvador, como neste poema “Triste Bahia”.

TRISTE BAHIA
Gregório de Mattos

Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos.
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.

One thought on “A revolta contra a exploração humana, na poesia satírica de Gregório de Mattos

  1. “Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
    E é que quem o dinheiro nos arranca,
    Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.”
    Atualíssimo!

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