
Pai e filhos preferiam se unir num silêncio constrangedor
Matheus Tupina
Folha
Após 72 horas da operação da Polícia Federal contra aliados no caso das joias, Jair Bolsonaro (PL) manteve silêncio em redes sociais sobre o caso das vendas de relógioe e joias, que pela primeira vez expõe digitais do ex-presidente na suspeita de desvio de bens públicos para enriquecimento pessoal.
A postura de discrição, destoante da adotada por ele e seus filhos em assuntos de antes, durante e depois da passagem pelo Palácio do Planalto, se dá depois da Polícia Federal pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na investigação do caso.
BOM SÁBADO… – O ex-mandatário utilizou as redes sociais no sábado (dia 12) para publicar um vídeo abraçando uma criança, e desejou “bom sábado a todos”, ignorando as diligências de busca e apreensão cumpridas contra seus aliados na sexta-feira (dia 11).
Somente a defesa dele lançou nota, afirmando disponibilizar às autoridades a movimentação bancária de Bolsonaro e ressaltando que ele “jamais apropriou-se ou desviou quaisquer bens públicos”.
Na nota, a defesa argumenta ainda que Bolsonaro “voluntariamente” pediu ao TCU (Tribunal de Contas da União) em março deste ano a entrega de joias recebidas “até final decisão sobre seu tratamento, o que de fato foi feito”.
FELIZ DIA DOS PAIS – Na manhã deste domingo, Bolsonaro voltou a fazer uma publicação em redes sociais, mas ignorando o assunto das joias. Ele postou um vídeo com imagens de familiares e uma saudação de Dia Dos Pais. “Um Domingo repleto de momentos inesquecíveis a todos!”, escreveu.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou a nota de defesa do pai, e no sábado, utilizou as redes para criticar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), relançado pelo presidente Lula (PT) no dia em que a operação, chamada de Lucas 12:2, foi deflagrada.
Já o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usaram no sábado as plataformas sociais para criticar o governo petista. Neste domingo, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente, fez uma publicação referente ao tema das joias com a reprodução de um post de uma apoiadora, sem maiores detalhes.
RECOMENDAÇÕES DO TCU – Ainda no domingo, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) continuou sem abordar a venda das joias. Mas publicou um tuíte alegando que seu pai cumpriu “todas as recomendações” do Tribunal de Contas da União .
Na postagem, a primeira da família Bolsonaro sobre o tema após a operação da PF, Carlos não toca no assunto da venda dos relógios e joias. Apenas alega que o entendimento sobre o que é item de “natureza personalíssima ou de consumo direto do presidente” mudou e que, a partir disso, Bolsonaro devolveu os presentes recebidos.
A devolução das joias, no entanto, só se deu após a revelação de que representantes do governo tentaram trazer os presentes de forma ilegal para o Brasil. Em março, depois da repercussão, o plenário do TCU determinou por unanimidade que o ex-titular do Planalto devolvesse os itens.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como cantava Lupicinio Rodrigues, “um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar…”. (C.N.)



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Denise Rothenburg
Luiz Carlos Azedo



Carlos Newton

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