STF promete economia bilionária, mas mantém penduricalhos de até R$ 32 mil

Charge do Jean Galvão (Arquivo do Google)

Deu no G1

Os novos critérios estabelecidos na última quarta-feira (25) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o pagamento das verbas indenizatórias – chamadas de “penduricalhos” – e do adicional por tempo de serviço para os juízes e os integrantes do Ministério Público levarão a uma economia de R$ 7,3 bilhões em 12 meses.

O cálculo foi apresentado pelos ministros relatores das ações que tratavam do pagamento de verbas acima do teto constitucional, fixado atualmente em R$ 46.366,19. Segundo o voto conjunto dos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, as diretrizes farão com que o Poder Judiciário e o Ministério Público deixem de gastar R$ 560 milhões por mês.

VIGÊNCIA – Desse total, R$ 326 milhões estão relacionados a 19 mil juízes e R$ 240 milhões a 13 mil membros do MP. A tese aprovada pelos ministros terá vigência a partir do mês-base abril de 2026 para a remuneração referente ao mês maio de 2026, até que o Congresso Nacional aprove lei sobre o assunto.

Foram autorizados alguns pagamentos indenizatórios, até o limite de 35% do valor do teto constitucional, correspondente ao valor da remuneração dos ministros do Supremo. Isso significa que os penduricalhos podem chegar a até R$ 16.228,16.

TEMPO DE CARREIRA – O STF liberou ainda o benefício por tempo de carreira, também limitado a 35% do teto constitucional. Na prática, somando os dois tipos de verbas, foi permitido o pagamento de até R$ 32.456,32 mais o salário mensal, podendo chegar a R$ 78.822,32.

Eles também fixaram que esses valores serão padronizados e seguirão a regras de transparência detalhadas em resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Restabelecer a moral e a ética no Supremo tornou-se um sonho para o povo brasileiro

Charge do Duke (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Sonhei que o esperançoso povo brasileiro acordou feliz. Abriu a janela. O sol brilhava intensamente e os passarinhos cantavam a sinfonia da libertação. Razão da euforia: o bem comum, senhor de todas as forças do universo, lacrou as portas do Supremo Tribunal Federal (STF) e implodiu o prédio da safadeza jurídica.

Com o rabo entre as pernas, tentando manter o habitual nariz empinado de vestais grávidas, os togados e a togada pegaram às pressas papéis comprometedores e vazaram pelas portas dos fundos. Em vão.

Ganharam estrondosas  vaias do público amontoado na Praça dos Três Poderes. Seguranças deram no pé. Cansaram de carregar malas pesadas, com  alças.

REVERTÉRIO TOTAL – Meu patriótico sonho disse que, nesta linha, iria finalmente acabar a avacalhação jurídica no Brasil. Será mesmo?, poderei com meus botões.

Será mesmo que abutres togados como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli vão admitir, pelo menos, que erram muito mais do que acertam?

Manda a Constituição que os três Poderes precisam trabalhar irmanados. Respeitando o bem público. Colaborando para o desenvolvimento do Brasil e pelo bem-estar do povo.

RINGUES MONTADOS – Mas o que se vê são ringues montados para agressões e ameaças mútuas, com arranca-rabos nada republicanos entre magistrados, senadores e deputados. Todos se acham donos da razão.

O povo que se lixe. Jogaram no lixo o decálogo da harmonia, do bom senso e da responsabilidade. Caneladas entre eles aumentam.

Moraes e Toffoli estão adorando. Formam uma dupla que produziu muito para a outrora Suprema Corte ter virado um reduto de camelôs, um antro de trambiqueiros que envergonha a nação.

VIROU UM CHIQUEIRO – A outrora  respeitada guardiã do bem público virou um chiqueiro. Lama virou perfume. Todo dia o presidente da corte, ministro Edson Fachin discursa. Se esgoela, seja em feira, batizado ou treino do Flamengo. Insiste em dizer que os colegas dele são formidáveis e inatacáveis. Merecem ser canonizados. São vítimas de exploração política.

Mas a podridão do Master que atingiu ministros do STF e grandes setores da vida pública é mais candente e descarada. Tolice atroz tentar esconder o sol com a peneira.

As manchas indecorosas das digitais imundas da escória togada e de banqueiros facínoras jamais  se apagarão.

Mesmo isolada no Continente, a ex-presidente chilena Bachelet segue com respaldo de Lula

Para Lula, Michelle Bachelet tem o ‘melhor currículo’ 

Deu na CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o apoio à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

“Bachelet é altamente qualificada, com o melhor currículo para a função, tendo sido duas vezes presidenta de seu país, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e Diretora Executiva da ONU Mulheres”, escreveu Lula em publicação no X (antigo Twitter).

CREDENCIAIS – “Ela tem todas as credenciais para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização, promovendo a paz, fortalecendo o multilateralismo e recolocando o tema do desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional”, acrescentou.

A decisão acontece após o governo chileno anunciar a retirada do apoio à candidatura de Bachelet, promovida inicialmente em conjunto com o Brasil e o México. Em comunicado, o Poder Executivo explicou que concluiu que o atual cenário eleitoral tornava inviável o sucesso desta candidatura. Entre os motivos citados estavam a dispersão de candidatos de países latino-americanos e divergências com alguns dos principais atores envolvidos na condução do processo.

Na última quarta-feira (28), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, informou que o país continuaria apoiando a candidata. “Ela ⁠é uma ‌mulher que busca a paz no mundo, que tem uma visão para a construção de direitos, para a resolução ⁠pacífica de conflitos, para a ⁠reconstrução da ONU como uma organização dedicada à resolução de conflitos internacionais ‌e para o estabelecimento de uma declaração de direitos para todas as pessoas do mundo”, disse Sheinbaum.

O que a ética escandinava poderia ensinar ao Supremo no caso do banco Master

Credibilidade da Corte brasileira vem sendo abalada

Diogo Schelp
Estadão

Em dezembro de 2021, Ann-Christine Lindeblad, juíza da Suprema Corte da Suécia, foi flagrada tentando sair de um supermercado, sem pagar, com um pacote de almôndegas, um presunto natalino, salsichas e queijos. Foi aberta uma investigação policial e, menos de dois meses depois, Lindeblad renunciou ao cargo que exerceu por quase vinte anos.

Posteriormente, ela foi punida com multa (uma decisão anterior da própria Suprema Corte considerou de menor gravidade furtos a lojas com valores abaixo de 1.250 coroas suecas, algo como 710 reais). O episódio das almôndegas, um escândalo raro na Suécia, foi tratado com transparência e sem a condescendência dos colegas de Lindeblad.

CÓDIGOS DE CONDUTA – Essas são características comuns nos tribunais superiores dos países escandinavos — e a maneira como elas são reforçadas por códigos de conduta e mecanismos de prestação de contas poderia servir de inspiração para o nosso Supremo Tribunal Federal (STF).

A credibilidade da Corte brasileira vem sendo abalada por sua própria “almôndega”: uma mistura composta por transações comerciais, viagens em jatinhos, honorários milionários para familiares e supostas trocas de mensagens informais com um investigado, formando um bolo cuja liga é dada por um único ingrediente, o Banco Master.

No centro da crise estão dois ministros do STF. É cedo para tirar conclusões sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Não há dúvida, porém, de que faltou transparência por parte deles e sobrou complacência de seus pares.

EXEMPLOS – Dois exemplos vindos da Noruega poderiam ajudar a evitar situações como essa. O primeiro é a exigência de que todos os juízes, inclusive os da Suprema Corte, divulguem suas atividades paralelas em um registro público de empregos secundários. Ali, descobre-se de quais associações e conselhos os magistrados fazem parte, em que empresas aparecem como sócios ou investidores e quando recebem pagamentos por qualquer trabalho extra, como cursos, arbitragens e edições de livros.

O segundo é o “dever de intervenção”, contido no 15º princípio ético da Associação de Juízes do país, segundo o qual o magistrado que tome conhecimento de um desvio de conduta cometido por um colega “deve tratar do assunto de forma apropriada e intervir se a violação for significativa”.

O Brasil está longe de ser uma Suécia ou uma Noruega, mas a transparência total e o desestímulo ao corporativismo são dois bons pontos de partida para a recuperação da imagem do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO pior de tudo isso é que os ministros do Supremo são tão vaidosos que não estão nem aí para o democrático exemplo que os países escandinavos têm dado ao resto do mundo. E o pior analfabeto é aquele que não quer aprender, digamos assim, na desesperança nossa de cada dia. (C.N.)

Caso Master: “Sicário” teve salto patrimonial de R$ 1,2 milhão para R$ 8,4 milhões em quatro anos

Auxiliar do dono do Master acumulou relógios milionários

Camila Turtelli
Eduardo Gonçalves
O Globo

A declaração de Imposto de Renda (IR) de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, apontado como um dos auxiliares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revela um salto patrimonial entre 2021 e 2024: o total de bens declarados saiu de R$ 1,2 milhão para R$ 8,4 milhões no período.

Entre os bens, está um acervo de relógios de luxo que ultrapassa cerca de R$ 5,8 milhões. A lista inclui marcas como Rolex, Patek Philippe, Richard Mille e Audemars Piguet. As informações constam em documento obtido pelo O Globo que está sob análise da Polícia Federal e da CPI do Crime Organizado, do Senado.

“FORTES INDÍCIOS” – Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, Mourão era suspeito de coordenar um grupo que coletava informações sobre desafetos de Vorcaro e pessoas que contrariavam os interesses do Banco Master. Segundo a PF, há “fortes indícios” de que Sicário recebia um milhão por mês de Vorcaro. Procurado, o banqueiro não se manifestou.

Mourão morreu após tentar se suicidar na carceragem da PF, em Minas Gerais, para onde ele foi levado. Procurada, a defesa dele não se pronunciou. Anteriormente, os advogados disseram que não iriam comentar as suspeitas porque não tiveram acesso aos autos do inquérito.

Na declaração de IR entregue em 2025, há registro de cinco Rolex, com valores entre R$ 91 mil e R$ 306 mil; dois Patek Philippe, um de R$ 800 mil e outro de R$ 900 mil e três Richard Miller, que foram estimados entre R$ 800 mil e R$ 2 milhões. Também consta um Audemars Piguet de cerca de R$ 450 mil, que foi vendido posteriormente.

QUANTIA EM ESPÉCIE – No ano passado, Mourão também reportou ter uma quantia em espécie de R$ 180 mil e US$ 174 mil e cotas de 1 milhão na sua empresa, a King Motors Locação de Veículos e Participações, que foi fundada em 2020 e se localizava em Belo Horizonte.

No dia 4 de março, os agentes da PF apreenderam relógios, dinheiro em espécie, carros e uma pistola durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Os objetos estão sob posse da Justiça. A investigação aponta que Mourão comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para realizar atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo.

De acordo com a PF, Mourão realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para acessar bases de dados ligadas a instituições de segurança e investigação. A Polícia Federal afirma que houve acessos indevidos a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até a bases internacionais.

A felicidade eterna com que Lupicínio sonhava, porém jamais iria encontrar

Terceiro painel da série traz Lupi Rodrigues | Por amor a Porto AlegrePaulo Peres
Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs músicas que expressam fortes sentimentos, conforme a letra de “Felicidade” que segundo o próprio Lupicínio, fala da saudade por ele sentida quando viveu na cidade de Santa Maria, no serviço militar, de 1932 a 1935 e, esperava, ansiosamente, retornar ao campo onde nasceu e foi criado. Esta canção foi gravada por Lupicínio Rodrigues, em 1952, pela Star.

FELICIDADE
Lupicínio Rodrigues

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Lá onde eu moro tem muita mulher bonita
Que usa vestido sem cinta e tem na boca um coração
Cá na cidade se vê tanta falsidade
Que a mulher faz tatuagem até mesmo na pensão

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

A minha casa fica lá detrás do mundo
Mas eu vou em um segundo quando começo a cantar
E o pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Na minha casa tem um cavalo tordilho
Que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
Quando eu agarro seus arreios e lhe encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Mais um vexame! Base aliada derrota oposição e joga no lixo a CPI do INSS

Lulinha aciona Dino no STF para suspender quebras de sigilo

Lulinha, o fenômeno empresarial, hoje vive na Espanha

Augusto Tenório e Laura Scofield
Folha

A base do governo derrotou a oposição na CPI Mista do INSS ao rejeitar o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) na madrugada deste sábado (28). O texto sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Apesar da oposição deter os cargos chaves da CPI, que é presidida por Carlos Viana (Podemos-MG), o governo obteve maioria e o relatório foi rejeitado por 19 votos a 12. A sessão começou por volta das 9h30 de sexta (27) e seguiu até 1h de sábado, data-limite para a conclusão dos trabalhos. O texto analisado foi apresentado minutos antes do início da sessão.

FRAUDES NO INSS – A comissão foi criada para investigar um esquema que teria retirado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024, por meio de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

Esses descontos vêm de gestores anteriores, mas atingiram patamares bilionários após 2022, explodindo durante o governo Lula.

O texto do relator também sugeria o indiciamento do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e de Augusto Lima, que foi sócio da instituição financeira. Além do pedido de indiciamento, o relatório também pedia a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o único citado nominalmente nesse trecho.

PREFERÊNCIA POR LULA – Recém-filiado ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado buscou vincular as fraudes a aposentadorias e pensões ao governo Lula (PT), com diversas citações ao petista em seu relatório, enquanto praticamente ignorou a cúpula da gestão anterior. O nome Bolsonaro aparece cinco vezes nas 4.340 páginas do relatório, enquanto o presidente Lula é citado 37 vezes.

As propostas de indiciamento, se tivessem sido aprovadas, seriam encaminhadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por decidir se de fato indicia ou não os alvos.

Como o texto não foi aprovado, há o risco de comissão acabar sem uma conclusão da investigação que durou sete meses. Isso se o presidente decidir não pautar o relatório paralelo, elaborado pelo PT, que sugere o indiciamento, por exemplo, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “chefe da organização criminosa” e excluía Lulinha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Diz o ditado, que agora se confirma: “Quem tudo quer, tudo perde”. O relator entrou em delírio e acabou possibilitando a reação da base aliada. É claro que isso não significa que não haja culpados, porque a investigação prossegue na Polícia Federal, que saberá apontar os culpados, na forma da lei. Apesar da promiscuidade entre as instituições públicas, sempre há alguma esperança de que se faça justiça. (C.N.)  

Giorgia Meloni barrada — o referendo que expôs os limites das maiorias na Europa

Voto popular mostrou que governar tem limites

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Na Itália, o voto popular mostrou que governar tem limites — e que nem mesmo maiorias eleitas podem redesenhar, sem resistência, as regras do jogo

Não foi apenas uma derrota. Foi um freio. A rejeição, ainda que apertada, da reforma da Justiça proposta pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni marca um daqueles momentos raros em que o regime democrático deixa de ser apenas um mecanismo de escolha de governos para se afirmar como instrumento efetivo de contenção do poder.

LIMITE VISÍVEL – Em um tempo marcado por erosões institucionais graduais — muitas vezes legitimadas pelo voto —, o referendo italiano operou como um limite visível, quase pedagógico: há fronteiras que nem mesmo maiorias eleitas podem ultrapassar sem resistência. E isso, hoje, está longe de ser trivial.

Sob o argumento da modernização e da eficiência, a proposta de reforma incidia sobre o ponto mais sensível de qualquer arquitetura institucional: a autonomia do sistema judicial, em particular a independência do Ministério Público. Na prática, os críticos sustentavam que as mudanças abririam caminho para uma reorganização hierárquica capaz de aproximar os procuradores do Poder Executivo, direta ou indiretamente.

Não se trata necessariamente de um controle explícito, mas de algo potencialmente mais profundo e duradouro: a criação de incentivos institucionais que, ao longo do tempo, podem alinhar investigações sensíveis com as prioridades do governo. O risco, portanto, não é abstrato. Ele se traduz na possibilidade concreta de processos envolvendo autoridades políticas, contratos públicos ou redes de influência enfrentarem obstáculos invisíveis — atrasos, reinterpretações, prioridades seletivas.

GARANTIA – Não é a supressão da Justiça, mas sua reconfiguração silenciosa. Como destaca o jurista Luigi Ferrajoli, a independência do Ministério Público não constitui um privilégio corporativo, mas uma garantia essencial do cidadão frente ao arbítrio. Fragilizá-la é atingir o eixo que sustenta o Estado de Direito.

A preocupação italiana não surgiu no vazio. Dialoga diretamente com experiências recentes no espaço europeu. Na Hungria, sob a liderança de Viktor Orbán, reformas sucessivas reduziram a autonomia de instituições de controle e ampliaram a influência política sobre o sistema judicial.

Na Polônia, mudanças semelhantes desencadearam um dos mais intensos conflitos institucionais da história recente da União Europeia, levando a Comissão Europeia a acionar mecanismos formais por violação do Estado de Direito.

EQUÍLIBRIO DE PODERES – Esses precedentes consolidaram um diagnóstico hoje amplamente compartilhado em meios acadêmicos e institucionais: regimes democráticos raramente colapsam de forma abrupta; transformam-se, antes, de modo gradual, por meio de reformas legais que, isoladamente, parecem técnicas, mas que, em conjunto, alteram o equilíbrio de poderes. O referendo italiano foi, nesse sentido, um voto informado pela experiência alheia.

O resultado, embora apertado, revela um país dividido, mas atento. A vitória do “não” está longe de representar uma rejeição absoluta do governo ou uma ruptura com sua base de apoio. O que emerge é algo mais exigente: a capacidade do eleitorado de distinguir entre governabilidade e mudança estrutural das regras do jogo.

Uma parcela significativa da sociedade italiana parece ter afirmado um princípio simples, mas decisivo: governar, sim — redesenhar os limites institucionais, não sem um consenso mais amplo. Essa distinção, cada vez mais rara em contextos de polarização, representa um sinal de maturidade cívica e talvez o elemento mais relevante de todo o processo.

AUTORITARISMO – Há, além disso, um fator histórico que ajuda a compreender essa reação. A Constituição italiana de 1948, concebida no pós-Segunda Guerra Mundial, foi moldada pela memória do autoritarismo e pela experiência do regime de Benito Mussolini. Não por acaso, instituiu um sistema robusto de freios e contrapesos, com especial ênfase na independência das instituições judiciais.

Essa memória funciona ainda hoje como um verdadeiro anticorpo institucional: reformas que afetam esse equilíbrio não são percebidas como meros ajustes técnicos, mas como potenciais inflexões estruturais. O debate, assim, ultrapassou o plano jurídico para se tornar, essencialmente, uma discussão sobre o próprio significado do regime italiano.

Para Meloni, essa derrota representa mais do que um revés político; traduz um limite conceitual. A ideia de que uma vitória eleitoral confere legitimidade para reconfigurar profundamente as instituições — a chamada tentação majoritária — encontra aqui uma barreira concreta.

FRAGILIDADE – Como observa o cientista político Steven Levitsky, as democracias contemporâneas não tendem a desaparecer por rupturas abruptas, mas por processos de erosão gradual conduzidos por líderes eleitos. São transformações juridicamente enquadradas, muitas vezes sustentadas por maiorias, mas que fragilizam, por dentro, os mecanismos de controle. O caso italiano sugere que esse caminho não é inevitável. Há resistência. E, sobretudo, há consciência.

O alcance desse referendo ultrapassa, portanto, as fronteiras italianas. Em um contexto internacional marcado por tensões recorrentes entre poder Executivo e Judiciário, o episódio oferece uma leitura menos fatalista sobre o futuro dos sistemas políticos abertos. Demonstra que as sociedades continuam sendo capazes de atuar como instâncias ativas de contenção institucional.

Para a própria União Europeia, frequentemente confrontada com dificuldades na defesa de padrões democráticos entre seus Estados-membros, o resultado serve como um lembrete claro: a proteção do Estado de Direito não depende apenas de mecanismos formais, mas também da vitalidade cívica dos cidadãos.

SIMBOLOGIA – Há algo de profundamente simbólico no que ocorreu na Itália. A própria democracia, tantas vezes reduzida a um procedimento eleitoral, revelou-se aqui como um sistema capaz de impor limites a si mesma. Não se trata de uma vitória definitiva — o resultado apertado indica que a tensão persiste e que o debate continuará —, mas de uma afirmação inequívoca de princípio.

Nem todas as maiorias são soberanas. E, em um tempo em que o poder tende a testar seus próprios limites, talvez a função mais exigente desse regime seja não permitir que ele avance sem restrições, mas garantir, com clareza, onde deve parar.

Carla Zambelli e o limite das manobras institucionais

Em maio em 2025, Zambelli foi condenada pelo STF

Pedro do Coutto

A trajetória recente de Carla Zambelli oferece um retrato emblemático de como estratégias políticas que tensionam instituições podem produzir efeitos exatamente opostos aos pretendidos. Ao tentar deslocar o eixo de responsabilização e, ao mesmo tempo, fragilizar a credibilidade de órgãos de controle, a ex-deputada acabou consolidando sua própria derrocada política e jurídica. O episódio, mais do que um caso individual, lança luz sobre os limites — cada vez mais evidentes — das manobras que buscam instrumentalizar o sistema de Justiça.

A tentativa de acionar o Conselho Nacional de Justiça em uma estratégia que, na prática, buscaria constranger o Supremo Tribunal Federal e atingir diretamente o ministro Alexandre de Moraes revelou-se não apenas juridicamente frágil, mas politicamente contraproducente.

COLISÃO – Ao sugerir um cenário em que o magistrado figuraria como uma espécie de “acusador de si mesmo”, a narrativa colidiu com princípios elementares do devido processo legal e da separação de funções no sistema de Justiça — pilares que não se flexibilizam ao sabor de conveniências circunstanciais.

O desfecho foi contundente. A perda do mandato e a imposição de pena privativa de liberdade não apenas encerram um ciclo político, mas também sinalizam um endurecimento institucional diante de práticas que buscam corroer a integridade das investigações.

Não se trata de um movimento isolado. Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um reposicionamento das instituições de controle e do próprio Judiciário no enfrentamento de condutas que atentam contra a lisura do processo democrático e a confiabilidade das estruturas estatais.

FRAUDE – O episódio ganha contornos ainda mais graves quando se considera a tentativa de recorrer a expedientes técnicos para dar aparência de legitimidade a uma prática ilícita. A menção ao envolvimento de um suposto especialista em fraudes, levado a interlocução em ambiente de alta relevância política — com a presença do então presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto — reforça a percepção de que houve uma escalada deliberada na busca por soluções fora dos limites legais. Quando a técnica é mobilizada não para esclarecer, mas para distorcer, o resultado tende a ser devastador.

Mais do que a queda de uma figura política, o caso expõe um padrão: a tentativa de transformar acusações em instrumentos de contra-ataque institucional. Trata-se de uma lógica que inverte a ordem natural do Estado de Direito, substituindo a defesa nos autos por movimentos paralelos que buscam deslegitimar os próprios julgadores. Essa estratégia, no entanto, encontra barreiras cada vez mais sólidas em instituições que, pressionadas por crises recentes, passaram a reagir com maior assertividade.

MANIPULAÇÃO – Há, nesse contexto, uma lição mais ampla. O sistema democrático comporta tensão, crítica e até enfrentamento — mas não tolera a manipulação de seus mecanismos essenciais. Quando atores políticos cruzam essa linha, o custo tende a ser elevado, não apenas em termos individuais, mas também em reputação, legado e capacidade de reinserção no debate público.

O caso de Zambelli, portanto, não deve ser lido apenas como um episódio de responsabilização pessoal. Ele marca um ponto de inflexão: o momento em que o uso instrumental das instituições deixa de ser uma aposta de risco calculado e passa a ser um caminho quase certo para o isolamento político e a sanção jurídica. Em um ambiente institucional mais vigilante, a margem para esse tipo de manobra simplesmente encolheu — e tende a continuar encolhendo.

Moro reage à Ditadura do Judiciário e propõe emenda para proteger CPIs

Charge do Zé Dassilva: balanço da CPI - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Gabriel Sabóia
Veja

O senador Sergio Moro (PL-PR) protocolou uma proposta de PEC que tornaria obrigatória a presença de investigados e testemunhas em CPIs. Pelo texto, seria mantido o direito ao silêncio quando as respostas puderem levar à autoincriminação. O não comparecimento, entretanto, poderia gerar condução coercitiva e multa.

A proposta tenta evitar interferência de outros poderes no andamento dos trabalhos CPIs. Até o momento, o texto conta com a adesão da maioria de 41 senadores, o que confere maioria, e aguarda despacho da Mesa Diretora da Casa para em seguida ser encaminhada a análise da Comissão de Constituição e Justiça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O direito de todo réu ao silêncio, para não criar provas que o incriminem, é uma norma universal, adotada em todos países democráticos. No Brasil, a regra se faz presente na Constituição (art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal), como parte dos direitos humanos. O que o senador Moro pretende é acabar com a interferência do Supremo, que passou a brecar a obrigatoriedade de o envolvido comparecer à CPI, quando convocado. Os ministros do Supremo estão equivocadíssimos e o ex-juiz Mora está corretíssimo, porque, na maioria das vezes, quando o réu resolve se calar, esse silêncio se transforma em indício de sua culpa.  (C.N.

Estadão diz que Supremo debochou do Brasil ao julgar os penduricalhos

Tribuna da Internet | Esses ministros do Supremo fazem por merecer algum respeito da sociedade?José Carlos Werneck

Está viralizando na web o editorial do Estadão nesta sexta-feira, 27, sobre o julgamento dos chamados penduricalhos, que elevam a patamares inaceitáveis e jamais vistos a remuneração dos servidores públicos que trabalham na cúpula da Justiça, como magistrados, procuradores, advogados e defensores públicos.

Em resumo, o texto destaca que, se a intenção dos ministros do STF era arrefecer o mal-estar da sociedade, o novo teto remuneratório para o Poder Judiciário e só corroeu ainda mais a credibilidade da Corte. Vale a pena ler o editorial na íntegra.

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O SUPREMO DEBOCHOU DO BRASIL

A um só tempo, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu a proeza de parir uma aberração jurídica e ofender a inteligência alheia numa única sessão. Quarta-feira, Suas Excelências validaram, sob nova roupagem, os chamados penduricalhos, vedados expressamente pela Constituição.

Ao extinguir alguns desses privilégios e preservar outros tantos, fixando-lhes um limite de 35% do subsídio pago aos ministros da Corte, o STF criou um novo teto remuneratório à margem do Congresso. Para piorar, um teto que, na prática, só beneficia as castas do Poder Judiciário e do Ministério Público.

DUAS CONSTITUIÇÕES – Espremendo-se os votos supostamente virtuosos em defesa da moralidade pública e do erário, o que sai é o Supremo dizendo à Nação, de forma inequívoca, que há uma Constituição válida para a esmagadora maioria dos cidadãos e outra, bem mais generosa, à qual estão submetidos magistrados, procuradores e promotores.

O art. 37, inciso XI, da Lei Maior estabelece, em português cristalino, que nenhuma remuneração no serviço público pode ultrapassar o salário bruto dos ministros do STF. Hoje, isso corresponde a R$ 46.366,19.

Não há margem para acrobacias semânticas nem para a multiplicação de pagamentos adicionais que, embora travestidos de “indenizatórios”, funcionam, a bem da verdade, como clara burla do limite constitucional.

TETO EXTRAOFICIAL – A esse novo teto “extraoficial”, digamos assim, que conviverá com o teto constitucional até que o Congresso edite uma lei definindo que verbas podem ser classificadas como indenizatórias, o Supremo deu o nome de “regime de transição”. Ora, não se negocia uma inconstitucionalidade flagrante. Não se transige com privilégios que afrontam a própria ideia de República.

Fosse mais cioso de seu papel no Estado Democrático de Direito, o Supremo teria extinguido todo e qualquer penduricalho, de forma que nenhum servidor público no Brasil pudesse receber mensalmente mais do que R$ 46,4 mil.

E os que não ficarem contentes com esse patamar de remuneração, que peçam exoneração e busquem condições melhores na iniciativa privada. É tão simples quanto isso.

ABUSO DE PODER – Ao estabelecer parâmetros arbitrários e autorizar pagamentos fora do texto constitucional, o STF não apenas usurpou uma prerrogativa do Poder Legislativo, como o condicionou.

Se o Congresso nada fizer, a elite de servidores do Poder Judiciário e do parquet continuará a receber suas benesses – talvez um pouco menores em valores, mas igualmente imorais e inconstitucionais – como se nada de errado houvesse. Mais bem dito: além de legislar, o STF criou um fato consumado, qual seja, um modelo de remuneração sui generis que relativiza o teto constitucional e normaliza a exceção.

A alegação de economia para o erário chega às raias do deboche. Não se economiza ao validar pagamentos inconstitucionais que nem sequer devem ser realizados. Se determinadas verbas indenizatórias violam o teto, têm de ser eliminadas, não limitadas.

PRIVILÉGIOS ABUSIVOS – Ao estabelecer um porcentual aceitável de penduricalhos, o Supremo ignorou deliberadamente que o problema não está nos excessos, mas na própria existência desses privilégios.

Se a afronta ao texto constitucional por seu maior guardião já é perturbadora, o desdém do STF pela realidade da esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros, que nem sonha com férias de dois meses anualmente, é ofensivo.

Cidadãos comuns não dispõem de expedientes corporativistas para engordar seus holerites. Já no topo do funcionalismo público, consolida-se um sistema paralelo, no qual o teto só existe como referência formal, contornado por uma infame arquitetura de vantagens.

SEM CREDIBILIDADE – Não é improvável que os ministros do STF acreditem piamente que a decisão irá arrefecer o mal-estar da sociedade diante dos abusos e mau comportamento de alguns deles.

O efeito, porém, é diametralmente oposto: a corrosão ainda maior da credibilidade da Corte, vista como uma ermida para o corporativismo.

É preciso afirmar sem rodeios: o teto constitucional não comporta puxadinhos. É o limite absoluto para a remuneração do funcionalismo público. Que isso não tenha sido declarado pelo Supremo com todo o vigor que a questão exige é uma submissão inaceitável do melhor interesse público ao patrimonialismo e ao espírito de corpo.

Lula, Planalto e PT temem que ex-sócio de Vorcaro também faça delação premiada

Augusto Lima pode ser obrigado a fazer delação premiada

Carlos Newton

Em meio ao enorme suspense sobre a delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, o Palácio do Planalto agora tem uma preocupação adicional, com a possibilidade de haver também outro acordo de colaboração com o empresário Augusto Ferreira Lima, que era sócio de Vorcaro e é considerado a segunda carta do baralho do banco Master, 

Augusto Lima, conhecido como Guga, contratou o escritório Figueiredo & Velloso Advogados, um dos mais influentes de Brasília, que desde 2010  atende a acusados de corrupção que sofreram operações de busca e apreensão, realizadas pela Polícia Federal.

RELAÇÕES COM O PT – A situação de Guga Lima preocupa demais o Planalto e o PT. De todos os envolvidos no caso Master, ele é o que mais tem relações com os petistas, iniciadas lá atrás, em 2018, quando o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia,  durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro-chefe da Casa Civil.

Augusto Lima se ligou aos petistas baianos ao entrar na disputa pelo chamado crédito consignado, para descontar empréstimos diretamente no salário dos servidores públicos e aposentados estaduais. Isso ocorreu ao  vencer uma licitação de venda da Empresa Baiana de Alimentos, quando criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros abaixo do mercado.

A iniciativa rendeu frutos e Augusto Lima resolveu implantar o esquema do cartão em outros estados. Foi nessa época, em 2020, que ele se aproximou de Vorcaro, que agredia o mercado pagando altos juros nos CDBs. Assim, Guga Lima entrou, em 2020, na sociedade do Master levando o CredCesta, que virou um dos principais ativos do banco.

FORA DA SOCIEDADE – Agora, Guga Lima está apavorado e tenta escapar das investigações, alegando  que se afastou do Master e de Vorcaro antes da crise, 

O advogado Pedro Ivo Velloso, um dos sócios do escritório que defende Guga Lima, faz o que pode em favor do cliente. Diz que a situação dele é bem diferente do envolvimento de Vorcaro. Açega que a  relação com Vorcaro nunca foi próxima e o próprio Lima pediu para deixar a sociedade no Master, em maio de 2024, porque descobrira irregularidades de Vorcaro.

Bem, tudo isso tem de ser provado, porque Augusto Lima também está na mira da Polícia Federal. Após sair do Master, ele assumiu o controle do banco Voiter, que mudou seu nome para banco Pleno, e também foi liquidado pelo Banco Central.

FAZER DELAÇÃO – Os advogados de Augusto Lima jamais fizeram acordo de delação, mas na situação atual pode ser que não haja alternativa.

Na verdade, o sócio de Daniel Vorcaro é discreto e recolhido. Sentiu o cheiro de queimado e pulou fora antes do barco afundar, mas isso não significa que tenha recebido um alvará antecipado de inocência.

Não se pode esquecer que ele esteve unido a Vorcaro na época em que o Master pagavam juros superfaturados nos CDBs para atrair otários, digo, clientes, e fazia pirâmides colossais com troca-troca de papéis para lavagem de dinheiro. (C.N.)

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P.S. –
Isso significa que Lula, o Planalto e o PT não devem alimentar ilusões sobre a suposta “inocência” de Guga Lima, que pode ficar envolvido de tal forma que somente lhe reste a delação premiada. (C.N.)

PL entra em rota de colisão após filiação de Moro e ameaça perder lideranças

PSD fecha com Tarcísio, mas vaga de vice expõe racha e ambições para 2030

Apoio de Flávio Bolsonaro a projeto sobre misoginia gera atrito entre aliados

Nikolas criticou senadores de direita que apoiaram a iniciativa

Lauriberto Pompeu
O Globo

O voto favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo provocou insatisfação em parte dos bolsonaristas, que trabalham para derrubar o projeto na Câmara. A iniciativa foi aprovada na última terça-feira por unanimidade no Senado e contou com o aval também de outros parlamentares da oposição, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

O relatório é da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que reuniu projetos feitos pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo nas redes sociais em que critica o projeto. Na postagem, o deputado não cita Flávio Bolsonaro, mas reclama de senadores de direita que apoiaram a iniciativa.

DECEPÇÃO – “Estou extremamente decepcionado com o nosso Senado. Afinal de contas, ninguém se opôs a isso e viu o real perigo do que estava acontecendo. Ou seja, só mostra que muitos, inclusive da própria direita, estão em um berço infantil da guerra cultural. Não tem justificativa para poder não ter batalhado contra esse projeto”, afirmou.

Deputados bolsonaristas alegam que o projeto se tornaria um instrumento de censura. Por outro lado, parlamentares que articularam a iniciativa dizem que o texto delimita bem os casos que deverão ser punidos e descartam o uso para restringir a liberdade de expressão.

COBRANÇA – O influenciador Paulo Figueiredo, próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), disse que Flávio precisa ser cobrado pelo voto. “Não conversei com o Flávio para saber o que se passou na mente dele pra votar favoravelmente por essa abominação da ‘misogenia’. Tudo que eu ouvi até agora torna totalmente injustificável, mas gostaria muito de ouvi-lo antes de emitir uma opinião definitiva. Ao eleitor, cabe cobrá-lo”.

Por sua vez, a deputada Julia Zanatta (PL-SC), também crítica do projeto, evitou se posicionar contra o apoio dado pelo pré-candidato do PL à Presidência. Ela declarou que Flávio ainda atuou para impedir que o texto tivesse uma tramitação acelerada no Congresso. “Foi o Senado todo (que apoiou o projeto). O Flávio ainda assinou o recurso que levou o projeto ao plenário. Ele poderia ter terminado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)”, disse a deputada.

OFENSAS – Além de equiparar a misoginia ao crime de racismo, o projeto aumenta as penas para ofensas contra mulheres. Pela proposta, a injúria motivada por ódio ou aversão ao gênero feminino passa a ser punida com reclusão de dois a cinco anos e multa.

Hoje, casos de ofensas contra mulheres por razão de gênero são enquadrados como injúria no Código Penal, com pena que pode chegar a um ano de detenção — ou até o dobro quando há contexto de violência doméstica. Com a mudança, a conduta passa a ser tratada como crime mais grave, com pena maior e enquadramento na Lei do Racismo. Ainda não há previsão de quando o texto vai ser analisado pela Câmara.

Moraes restringe acesso a relatórios financeiros e reage a abusos no uso de dados sigilosos

Eduardo Bolsonaro diz que pai continua sendo líder da direita mesmo preso

Ex-deputado participa de evento conservador em Dallas

Isabella Menon
Folha

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que participa nesta semana do CPAC, considerado o maior evento conservador do mundo, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue como principal liderança da direita no Brasil e “claro que fala de política com visitas” na prisão.

O evento ocorre em um hotel em Dallas, no Texas, até o fim de semana. Eduardo está nos Estados Unidos há um ano e se tornou réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de coação. O filho do ex-presidente evita comentar quem deveria ser o vice em uma eventual chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e diz preferir, no PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em vez do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como nome de uma terceira via.

DOMICILIARApós a decisão de Alexandre de Moraes de conceder a prisão domiciliar ao ex-presidente Bolsonaro por 90 dias, Eduardo diz que o ministro “já conseguiu o tempo de vida de Bolsonaro com esse estresse todo que ele levou em uma condenação surreal e uma prisão ainda mais desnecessária”.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo por comandar uma tentativa de golpe. O ex-deputado afirma que, com a domiciliar Bolsonaro, vai ter acesso a “um acompanhamento médico mais próximo de casa e, eventualmente, ir para o hospital na mesma hora”.

LIDERANÇA – A decisão aconteceu após o ex-presidente ter sido diagnosticado com pneumonia bacteriana por broncoaspiração. Eduardo admite que não está ciente quais os detalhes das condições para visitas, mas afirma que, com Bolsonaro na prisão, “a vida privada e pública dele se confundem”. “É claro que vão falar de política”, disse ele. “Bolsonaro continua sendo o líder da direita.”

Como a Folha mostrou, no início do ano, enquanto cumpria pena na Papudinha, Bolsonaro foi procurado por 25 pré-candidatos em um mês que buscavam a bênção do ex-presidente. Agora, de acordo com a decisão do STF, estão autorizadas somente visitas de filhos e advogados, além de médicos e fisioterapeuta.

VICE DE FLÁVIOEduardo se esquiva de apontar quem deve ser o nome indicado para ser o vice de Flávio e não comenta as chances de Tereza Cristina (PP) e o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo). “Depende mais do entorno dele, do Rogério Marinho [coordenador da campanha do PL]. A minha parte é internacional”, afirma ele.

Flávio já afirmou que, se eleito, o irmão será o chanceler do Brasil. O ex-deputado, porém, afirma que é cedo para falar sobre o cargo, que “recebe com alegria” a possibilidade. “Mas, não tem nada certo.” Ainda sobre a equipe que pode ser formada em um eventual mandato do irmão, ele diz que “Flávio tem uma excelente relação com Paulo Guedes”, ex-ministro da Economia. “Não sei o apetite para retornar à vida pública”.

Sobre a relação da ex-primeira-dama Michelle com o presidenciável, Eduardo diz que, “se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, eles têm que sentar para conversar e se entender”. “Eu acho que a decisão para a Presidência do Jair Bolsonaro não via, essencialmente, que tivesse que passar por ela. Um partido é uma hierarquia.”

CAIADO X LEITE –  Com a saída de Ratinho Junior da disputa presidencial, Eduardo acredita que o caminho esteja pavimentado para Ronaldo Caiado assumir a chapa do PSD. “Caiado é da direita. Não considero o Eduardo Leite direita. Ele é um social-democrata, que é um nome bonitinho para socialista, que é igual ao comunista. O comunista fala que vai te matar amanhã e o socialista fala que vai te matar semana vem.”

Eduardo nega que ele dividiria os votos da direita. “É mais um no debate para elogiar Lula”, ironiza ele, que prefere não o comparar com Padre Kelmon, candidato do PTB em 2022. “O nível de pancada do Caiado, com todo respeito ao Padre Kelmon, é muito maior.”

TRUMP –  “Ele confirmou que não vem? Tô sabendo agora”, indaga Eduardo surpresa com a ausência de Trump no evento conservador. “Então, vou ter que ir na Casa Branca”, ri ele que admite que o fato do presidente não estar presente é uma frustração.

“É sempre bom encontrar ele. Poxa, está em meio a uma guerra com o Irã. Certamente é um assunto mais prioritário. Mas isso não tira aqui a oportunidade de falar com vários brasileiros e estrangeiros e até trocar experiências”, afirmou o ex-deputado —no evento, estão presentes nomes como os deputados federais Julia Zanatta (PL-SC), Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado na trama golpista e foragido da Justiça brasileira.

ENCONTRO –  Sobre a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem na Casa Branca, ele diz que é “uma relação entre os dois países”. Uma reunião com o republicano era esperada pelo governo petista, mas uma data ainda não foi confirmada. Porém, na visão de Eduardo, Lula estaria tentando o contrário. “Está tentando provocar o Trump para iniciar o conflito e depois tentar aumentar o seu capital político, dizendo-se detenção da soberania brasileira”, diz ele.

A fala do ex-parlamentar é relacionada aos discursos do petista com a imposição do tarifaço sobre os produtos brasileiros no ano passado. Eduardo desdenha da posição. “Acho que não vai colar”, diz. À época, o filho de Bolsonaro foi criticado até por aliados à direita pelas articulações que levaram à sanção econômica do Brasil.

MORAESCom a imagem desgastada pelo escândalo do Banco Master, o ministro do STF Alexandre de Moraes voltou a mira de Eduardo para que seja, novamente, alvo da Lei Magnitsky, que aplica sanções financeiras nos Estados Unidos. Moraes e sua mulher, Viviane, foram sancionados no ano passado com a medida, que foi revista em dezembro.

“Ela pode retornar. Assim como ela saiu pela vontade do presidente, basta o presidente Trump querer que ela pode voltar. Por onde eu passo, eu tenho falado e pedido para esse retorno.”

Moraes, no ano passado, disse que havia indícios relevantes de que o filho de Bolsonaro agia para “a criação de um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil”.

FACÇÕES –  Na iminência de os Estados Unidos classificarem as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, Eduardo se diz a favor da medida e pretende usar o evento para conversar com autoridades do governo americano para que a designação seja confirmada. “Todas as oportunidades que tiver para transformar a vida do bandido em pior, contem comigo para fazê-lo”, diz ele.

O governo Lula é contra e tem trabalhado para evitar que ela ocorra com medo de que a medida possa interferir nas eleições e também abra a possibilidade de que os Estados Unidos interfiram militarmente. Para Eduardo, porém, o governo Trump estaria oferecendo “equipamentos e inteligência” para combater as facções.

O ex-deputado federal ainda disse que o governo de Joe Biden tentou pressionar o governo Bolsonaro na época da campanha eleitoral de 2022 e que a próxima eleição será “muito mais livre agora”. Antes das eleições em 2022, autoridades americanas expressaram preocupação com as ameaças de Bolsonaro.

CPMI indicia Lulinha, Vorcaro e mais 214 pelas fraudes nas aposentadorias

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão  tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente #charge  #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Levy Teles e Vinícius Valfré
Estadão

O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e da deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e de mais 211 pessoas em seu parecer final.

Para Gaspar, o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “fundamenta-se nos elementos probatórios colhidos ao longo dos trabalhos desta CPMI, bem como nas informações constantes da decisão proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal”.

DIVERSOS CRIMES – Gaspar indicou que Lulinha teria cometido os crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa e participação em corrupção passiva.

“À luz de todo o exposto, e considerando a gravidade dos elementos reunidos ao longo das investigações conduzidas por esta CPMI, pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle, conclui-se pelo indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva pelos crimes acima”, afirmou o relator.

“Os indícios reunidos apontam que Fábio Luís não foi um mero conhecido de Antônio Camilo, mas alguém que, valendo-se de seu prestígio familiar e de sua capacidade de trânsito em instâncias governamentais, teria atuado como facilitador de acesso e possível sócio oculto do lobista em empreendimentos cuja viabilidade dependia de decisões administrativas no âmbito do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Como contrapartida, teria recebido vultosos repasses financeiros intermediados por Roberta Luchsinger”, acrescentou.

SENADOR ENVOLVIDO – Em relação ao senador Weverton Rocha, o relatório aponta que o parlamentar teve “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa”.

Segundo Gaspar, Weverton atuou como o articulador que garantia a fluidez dos interesses do grupo dentro da administração pública, permitindo a manutenção e expansão do sistema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A ele foram imputados os crimes de advocacia administrativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Procurado, o senador disse que não há “qualquer elemento” que justifique a inclusão do nome dele no texto” e que o indiciamento é “arma de baixíssimo calibre para atingir adversários”. “Há fragilidades gritantes na investigação: não há qualquer ato identificado que indique participação, facilitação ou integração em eventual estrutura criminosa, nem o menor indício de recebimento de valores supostamente desviados”, afirmou.

FIGURA ESSENCIAL – O deputado Euclydes Pettersen teve o pedido de indiciamento sob a alegação de que ele foi figura essencial no esquema de fraudes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) e um dos destinatários de propinas. Os crimes imputados a ele são de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato.

Outra deputada, Gorete Pereira, foi incluída na lista. Gaspar aponta que ela foi “procuradora estratégica, articuladora política e integrante do núcleo de comando da organização criminosa responsável por fraudes previdenciárias no âmbito do INSS”.

A parlamentar teve o pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, falsidade ideológica, fraude eletrônica e furto eletrônico.

PRINCIPAIS OPERADORES – Outros dois apontados em investigação da Polícia Federal como principais operadores do esquema de descontos ilegais de aposentadorias tiveram pedido de indiciamento no relatório final da comissão. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico.

O Careca do INSS é chamado pelo relator de “principal operador financeiro” do esquema fraudulento de descontos não autorizados em aposentadorias. “Antônio Camilo se consolidou como um dos cérebros da engrenagem criminosa, responsável por movimentar milhões de reais desviados por meio de descontos ilegais em benefícios previdenciários”, afirmou.

Já o empresário Maurício Camisotti teve pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico. “O indiciamento de Maurício Camisotti fundamenta-se em sua posição de liderança estratégica e como beneficiário final de uma das maiores estruturas de arrecadação ilícita contra o INSS, operada por meio do Grupo Total Health (THG)”, disse Gaspar.

PEÇA ESSENCIAL – Figuras próximas de Lulinha e do PT também figuram na lista. Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, é uma delas. “Roberta é apontada como peça essencial para a ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos, atuando em ‘sociedade de fato’ com o líder do esquema para capturar estruturas estatais”, justificou Gaspar.

“Um dos aspectos mais graves que emerge da investigação é a possibilidade de que Roberta Luchsinger tenha explorado sua amizade com Fábio Luís (Lulinha) e tenha utilizado o prestígio do filho do Presidente da República para facilitar o acesso de Antônio Camilo a órgãos do Governo Federal, notadamente o Ministério da Saúde e a Anvisa”, prosseguiu o relator.

Os crimes imputados a ela são de organização criminosa, lavagem de dinheiro, participação em corrupção passiva, falsidade ideológica e tráfico de influência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
É um verdadeiro festival de indiciados. Um detalhe curioso foi a exclusão de Frei Chico, irmão de Lula, embora seja vice-presidente de um dos
sindicatos envolvidos. Vamos aguardar
. (C.N.)

Sob prisão domiciliar, Jair Bolsonaro é afastado da política e fica sob controle de Michelle

‘Política zero por enquanto’, diz Michelle

Bruna Lessa
Luísa Marzullo
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro não deve se envolver em temas políticos durante o período de recuperação após deixar o hospital e iniciar o cumprimento de prisão domiciliar. “Política zero por enquanto. Estou ainda de licença. Estou aqui para cuidar dele. Minha prioridade sempre vai ser meu marido e minhas filhas”, disse.

Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, após duas semanas internado no hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma broncopneumonia decorrente de broncoaspiração, e passou a cumprir prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o médico Brasil Ramos Caiado, da equipe que acompanha o ex-presidente, a evolução clínica recente foi “tranquila, sem intercorrências”.

“PEQUENAS VITÓRIA” – Michelle classificou a recuperação como uma sequência de “pequenas vitórias” e ressaltou a gravidade do quadro enfrentado pelo ex-presidente. “Deus foi bom mais uma vez e livrou meu marido da morte. É uma alegria, é incrível. A gente se alegra nas pequenas vitórias. Eu sei que Deus está no controle de todas as coisas. É o lugar certo: um ex-presidenciável, 71 anos, com todas as comorbidades”, afirmou.

Ao detalhar o episódio que levou à internação, a ex-primeira-dama reiterou que a alimentação na noite anterior não contribuiu para o quadro de broncoaspiração — fator que, segundo médicos, pode influenciar. “Ele tinha até tomado um caldo super leve na noite anterior. Isso realmente foi uma fatalidade” disse.

Segundo ela, o problema ocorreu porque Bolsonaro permaneceu deitado de forma inadequada após se alimentar, o que aumenta o risco desse tipo de complicação. “Ele não pode ficar em decúbito. Ele precisa ter ali esse auxílio. Acho que naquele dia ele entrou numa zona de conforto, ficou reto e acabou tendo uma broncoaspiração de uma quantidade grande de líquido”, relatou.

TRATAMENTO – Michelle também afirmou que o ex-presidente deverá retornar ao hospital no próximo mês para dar continuidade ao tratamento, mas que o procedimento foi adiado porque o pulmão esquerdo ainda não está completamente recuperado. Segundo ela, exames apontaram ainda um quadro grave no ombro, com obstrução de 99%.

“Ele vai ter que voltar para o hospital mês que vem. Não pode fazer agora porque o pulmão esquerdo não está completamente curado. Eu acho que é todo um desgaste da vida dele, das viagens, e se agravou mesmo com a queda. Então como ele toma muita medicação, camuflou. Ele sentia dores e aí resolvemos fazer um check-up e ele está com 99% de obstrução. Então realmente está grave o ombro dele”, disse.

O médico Brasil Ramos Caiado afirmou que a previsão é de que Bolsonaro passe por cirurgia no ombro no fim de abril, seguindo um protocolo de cerca de quatro semanas após a alta da pneumonia.

RESTRIÇÕESAo conceder a prisão domiciliar por ao menos 90 dias, Moraes estabeleceu um conjunto de restrições com foco em manter um “ambiente controlado” para a recuperação do ex-presidente, incluindo a suspensão geral de visitas, com exceções restritas a familiares, advogados e equipe médica.

Nos bastidores, aliados avaliam que o novo cenário amplia o poder de Michelle, que passa a concentrar o acesso cotidiano ao ex-presidente dentro de casa. Com Bolsonaro isolado e sem interlocução política direta, a tendência é que decisões sejam filtradas por ela durante o período de recuperação.

Ao mesmo tempo, o senador Flávio Bolsonaro mantém agenda intensa fora de Brasília, em meio à pré-campanha. Embora esteja autorizado a visitar o pai diariamente, por ser advogado no processo, a rotina de viagens deve limitar essa presença. Nesta sexta-feira, ele está nos Estados Unidos e tem participação prevista para amanhã no evento conservador CPAC.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMichelle sabe que Bolsonaro isolado, sob o seu controle, amplia ainda mais o seu poder político, sobretudo em possíveis intermediações com a direita. Além disso, fica claro que se o ex-presidente tentar transformar a prisão domiciliar em centro de debate político, indicará que já está bem e poderá voltar para a prisão. Em tradução simultânea, terá que ficar pisando miúdo para tentar manter o que já conseguiu por determinação de Moraes, ainda que provisoriamente. (M.C)

“Há entre o tempo e o destino um caso antigo, um elo, um par…”

Sexta e sábado, Nilson Chaves, Vital Lima e Marco André celebram 40 anos de  parceria – Hiroshi Bogéa On line

Vital Lima e Nilson Chaves, grandes compositores

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor paraense Carlos Nilson Batista Chaves, na letra de “Tempo e Destino”, em parceria com Vital Lima, retrata etapas, acontecimentos e conquistas que obtemos no passar do tempo. Essa música foi gravada por Sebastião Tapajós e Nilson Chaves no CD Amazônia Brasileira, em 1997, pela editora Outros Brasis.

TEMPO E DESTINO
Vital Lima e Nilson Chaves

Há entre o tempo e o destino
Um caso antigo, um elo, um par
Que pode acontecer, menino,
Se o tempo não passar?
Feito essas águas que subindo
Forçaram a gente a se mudar
Que pode acontecer, meu lindo,
Se o tempo não passar?

O tempo é que me deu amigos
E esse amor que não me sai,
Que doura os campos de trigo
E os cabelos de meu pai.
Faz rebentar as paixões,
Depois se nega às criações
E assim mantém a vida…

Que acontecerá aos corações
Se o tempo não passar?
Não mato o meu amor, no fundo,
Porque tenho amizade nele,
Que já faz parte do meu mundo
O tempo entre eu e ele…