Moraes perseguiu e destruiu Ramagem, sem encontrar provas concretas contra ele

Alexandre Ramagem recebe primeiro voto no STF

Moraes destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagen

Carlos Newton

Respeitado como um templo da justiça, que corrigia os erros judiciários cometidos em instâncias inferiores, o Supremo Tribunal Federal acabou se tornando uma instituição desmoralizada, na qual a maioria dos brasileiros não mais acredita.

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, feita em março, indica que a desconfiança no STF atingiu 60%, o pior índice da série histórica, e apenas 34% dos brasileiros ainda demonstram confiar no mais importante tribunal do país.

DECISÃO POLÍTICA – O desgaste começou lá atrás, em 2019, quando a maioria dos membros do Supremo resolveu desprezar as leis e passar a reinterpretá-las, para conseguir soltar um criminoso chamado Lula da Silva.

Foi uma imensa vergonha internacional, pois o Brasil passou a ser o único país da ONU a deixar em liberdade os criminosos condenados em segunda instância colegiada, quando se esgota o exame do mérito da questão. E Lula já estava condenado em três instâncias, sempre por unanimidade.

Dois anos em seguida, outro vexame mundial. Uma nova “reinterpretação” limpou a ficha de Lula, para permitir sua candidatura, com uma justificativa patética, pois tornou o Brasil o único país a anular condenação sob alegação de “incompetência territorial absoluta” (julgamento por tribunal errado), uma possibilidade só existente em ações imobiliárias, jamais em processos criminais.  

EM QUEDA LIVRE – Assim, Lula conseguiu voltar ao poder e a derrocada do Supremo foi ganhando cada vez mais velocidade, como se estivesse em queda livre. Vieram a libertação de narcotraficantes, a proteção a réus amigos, os penduricalhos salariais, um verdadeiro festival.

Depois, ocorreu o inacreditável julgamento do 8 de Janeiro. Para aumentar artificialmente as penas, o relator Alexandre de Moraes duplicou crimes que são excludentes entre si, como “Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito” (art. 359-L) e “Golpe de Estado” (art. 359-M). No caso, seria um crime ou o outro, jamais os dois somados.

Da mesma forma, Moraes duplicou outros d ois crimes – “Dano Qualificado” (art. 163) e “Deterioração de Patrimônio Tombado” (art. 62 da Lei nº 9.605. Também são crimes excludentes, porque só se pratica um deles, jamais os dois ao mesmo tempo.

QUADRILHA ARMADA? – Ainda insatisfeito com as duplicações de crimes, Moraes inventou  aplicar mais dois. Um deles foi “Associação Criminosa Armada” (Art. 288), embora os réus nem se conhecessem entre si, morassem em cidades diferentes etc., além de não ter sido usada ou apreendida nenhuma arma em poder deles.

Por fim, o criativo relator também arrolou “Incitação ao Crime” (Art. 286) para punir os atos realizados em frente ao QG do Exército.

Com isso, conseguiu prender e condenar a penas exageradíssimas cerca de 1,5 mil pessoas comuns, inclusive idosos e idosas, todas sem antecedentes criminais e sem haver provas individuais de terem cometido os delitos mencionados e acumulados, inclusive usando armas – à exceção, é claro, daquela bela cabeleireira que sacou o batom da bolsa para escrever “Perdeu, Mané!”.

CASO RAMAGEM – Agora, surge a notícia da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem  nos Estados Unidos, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Na matriz USA, eles não sabem que na filial Brazil o ex-parlamentar foi vítima de um dos maiores erros judiciários do Supremo, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição do estado de direito e organização criminosa armada.

Provas contra ele? Nenhuma, porque o então presidente da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), uma espécie de CIA tropical, não participou da trama golpista. Motivo: em março de 2022 Ramagem pediu demissão do governo e se desligou, para ser candidato a deputado federal.

Durante as articulações do golpe, estava a mil quilômetros de distância de Brasília, porque voltara a morar no Rio, para dedicar-se à campanha eleitoral. Portanto, só poderia ter participado do golpe por telefone, e-mail ou sessão espírita, e isso nunca ficou provado.

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P.S. 1
– Algum fã de Moraes pode alegar que Ramagem foi condenado a 16 anos por formar uma Abin Paralela. Mas isso é uma farsa, uma indiscutível Piada do Ano. Por que ele criaria uma Abin Paralela, se podia usar a Abin verdadeira? Onde estão as provas? Padre Quevedo encerraria a questão, dizendo: “Esse crime non ecziste”.

P.S. 2 – Realmente, não existe, porém Moraes o inventou. Com isso, destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagem, tirou-lhe o mandato popular conquistado nas urnas, jogou no lixo sua impecável carreira de delegado federal, sem jamais receber sequer advertência, transformou num inferno a vida da família dele.

P.S. 3 – É um problema que deixa terríveis sequelas, especialmente nos filhos. Mas tem solução. Se os advogados de Ramagem entrarem com pedido de revisão criminal, último recurso a que ele tem direito, certamente conseguirão absolvê-lo na Segunda Turma do STF, que será encarregada do julgamento revisional, nos termos do Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é entusiástico signatário. Nem é preciso redigir um longo recurso; basta exigir as provas da condenação.

P.S. 4Quanto a Moraes, já está pagando aqui na Terra as perversidades cometidas apenas por vaidade e ambição. Ficou rico e famoso, mas sua vida não vale nada. (C.N.)

Maioria dos brasileiros defende Bolsonaro em prisão domiciliar, aponta Datafolha

37% acham que Bolsonaro deve cumprir a pena na prisão

João Ker
CNN

A maioria dos brasileiros é a favor de que o ex-presidente Jair Bolsonaro continue em prisão domiciliar, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (12).

O levantamento mostra que 59% dos entrevistados defendem o regime atual, enquanto 37% acham que ele deve cumprir a pena na prisão; 5% não souberam responder.

DOMICILIAR – A maior parte dos eleitores de centro e dos bolsonaristas também defendem que Bolsonaro seja mantido em prisão domiciliar. O índice de preferência pelo regime atual é alto até entre os que se declaram petistas.

Entre os que se declaram eleitores de centro, 53% acham que Bolsonaro deve continuar em prisão domiciliar, 41% são a favor de que ele volte ao regime fechado e 6% não souberem responder à pergunta. O índice de aprovação da prisão domiciliar é quase absoluto entre bolsonaristas: 94% defendem que ele cumpra a pena em casa e apenas 3% acham que ele de voltar à prisão; outros 2% não souberam responder.

Para a maioria dos eleitores do PT, entretanto, Bolsonaro deve ficar em regime fechado: 68% acreditam que ele deve voltar à prisão, 28% defendem que ele cumpra a pena em casa e 4% não souberam responder. A pesquisa foi feita com 2.004 pessoas em 134 cidades entre as últimas terça e quinta-feira (7 e 9).

GOLPE DE ESTADO – Bolsonaro foi condenado de forma unânime pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.

O ex-presidente passou 125 dias cumprindo a pena em regime fechado. Ao longo do período, ele passou pelas celas da Superintendência da PF (Polícia Federal) e do Complexo da Papuda, ambos em Brasília. Ele também passou duas semanas em internação hospitalar após ser diagnosticado com um quadro de broncopneumonia bilateral, ele passou duas semanas internado.

NOVA TORNOZELEIRA – Em 27 de março, Bolsonaro recebeu alta e voltou para casa. Sua transferência para a prisão domiciliar foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou também o uso de uma nova tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente.

Inicialmente, Bolsonaro ficou em prisão domiciliar entre agosto e novembro de 2025, por descumprir medidas cautelares fixadas pelo STF. Ele foi transferido para o regime fechado depois que tentou remover a tornozeleira com um ferro de solda e, segundo a PF (Polícia Federal), apresentou risco de fuga do país.

PF convoca mais de 30 no caso INSS e ligação com Lulinha entra no radar político

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Banco Master lucrou mais com revenda de consignados do que com juros

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Vítima de erro judiciário no STF, Ramagem é preso pela Polícia de Imigração nos EUA

Preso pelo ICE, Ramagem disse que tinha "anuência" do governo Trump

Ao ser preso, Ramagem disse ter “anuência” de Trump

Felipe Igreja
CBN

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Ramagem, que também foi diretor da Abin, deixou o Brasil antes da conclusão do julgamento. Saiba mais abaixo.

PRESO EM ORLANDO – Segundo informações preliminares obtidas pelo g1, Alexandre Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, e encaminhado a um centro de detenção na cidade. A detenção ocorreu por questões migratórias, e o governo brasileiro ainda aguarda detalhes sobre como será conduzido o processo de retorno ao país.

De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a prisão é resultado da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. “Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou à GloboNews.

Alexandre Ramagem fugiu do Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, em setembro de 2025, atravessando o estado de Roraima sem passar por qualquer posto de controle migratório. Foi o que apurou a Polícia Federal.

COM PASSAPORTE – Após cruzar a fronteira, Ramagem embarcou no aeroporto de Georgetown, capital da Guiana, com destino aos Estados Unidos. As investigações apontam que ele entrou no país usando seu passaporte diplomático, ates de o documento ser cancelado.

A fuga ocorreu no mesmo período em que o STF condenou integrantes do núcleo central da trama golpista. Ex-diretor-geral da Abin, Ramagem recebeu pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.

Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição de Alexandre Ramagem foi oficialmente encaminhado ao governo dos Estados Unidos.

LISTA DA INTERPOL – A documentação havia sido enviada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro de 2025.

O ministro Alexandre de Moraes então determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista de difusão da Interpol, o que abriu caminho para sua eventual detenção por autoridades estrangeiras.

Mesmo fora do país, Ramagem passou a sofrer sanções administrativas e políticas. A Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático após a cassação do mandato e, por determinação do STF, também realizou o bloqueio dos seus vencimentos parlamentares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Embora ninguém se interesse por isso, é preciso lembrar que o julgamento de Ramagem foi totalmente irregular, consagrando um tremendo erro judiciário, pois o delegado federal não participou da trama golpista. Motivo: durante as articulações do golpe, estava a mais de mil quilômetros de distância de Brasília. Como se sabe, em março de 2022 Ramagem pediu demissão do governo e se desligou, para ser candidato a deputado federal. Na mesma época, voltou a morar no Rio, para dedicar-se à sua campanha eleitoral. Portanto, só poderia participar do golpe por telefone ou e-mail, e isso nunca ficou provado. Vamos voltar ao assunto, que precisa ser muito bem esclarecido. (C.N.)

Congresso avança novamente sobre o Orçamento e concentra R$ 61 bilhões em emendas

Charge do Nani (Nani Humor)

Vanessa Araujo
Folha

O volume de recursos do Orçamento da União de 2026 sob influência direta do Congresso Nacional chegou a R$ 61 bilhões durante a tramitação da proposta no Legislativo, montante superior ao orçamento anual previsto de 20 estados brasileiros. As informações foram obtidas a partir de levantamento com informações oficiais dos governos e Assembleias Legislativas.

Lula sancionou a Lei Orçamentária Anual em 14 de janeiro, com veto a uma parte menor das dotações alteradas pelo Congresso para ampliar o espaço das emendas parlamentares. À época, o governo também anunciou o bloqueio e o remanejamento de recursos que haviam sido incorporados ao cálculo durante a tramitação do texto.

PREVISÃO – Formalmente, o Orçamento aprovado prevê R$ 49,9 bilhões em emendas. Parlamentares, porém, haviam incluído no cálculo outros R$ 11,393 bilhões em despesas discricionárias, recursos originalmente sob controle do Executivo, elevando a reserva sob influência de deputados e senadores para cerca de R$ 61 bilhões. O Planalto vetou em janeiro R$ 393 milhões dessas dotações e informou que pretendia bloquear e redistribuir o adicional incorporado.

Os R$ 61 bilhões reservados pelos parlamentares são quase equivalentes ao orçamento total do estado de Pernambuco, que tem despesas previstas de R$ 60,7 bilhões para 2026. A população do estado é de 9 milhões de habitantes. Em seguida aparecem Santa Catarina (R$ 57,93 bilhões), Pará (R$ 54,2 bilhões), Goiás (R$ 53,4 bilhões), Ceará (R$ 48,2 bilhões) e Mato Grosso (R$ 40,7 bilhões).

DESPESAS PERMANENTES – Os orçamentos estaduais incluem todas as despesas de atribuição, nos três Poderes. Diferentemente das emendas, que financiam ações pontuais e de execução fragmentada, sustentam despesas permanentes, como folha de pagamento, previdência, manutenção das Polícias Militares e escolas estaduais.

A comparação aponta que esses governos administram compromissos contínuos com volumes inferiores ao montante hoje concentrado sob influência parlamentar no Orçamento federal.

O contraste entre o volume de emendas e os orçamentos locais é ainda mais acentuado em estados com menor capacidade fiscal. Roraima terá orçamento de R$ 9,92 bilhões em 2026, enquanto Amapá (R$ 12,42 bilhões) e Acre (R$ 13,8 bilhões) também ficam muito abaixo do valor concentrado nas emendas. Tocantins e Sergipe integram o grupo, ao lado de Amazonas, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Mato Grosso do Sul.

EQUILÍBRIO DE FORÇAS – O avanço das emendas ao longo da última década está associado a uma mudança no equilíbrio de forças entre Executivo e Congresso. O processo ganhou força no período do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi aprofundado com a ampliação das emendas impositivas e se consolidou como instrumento central de negociação política, especialmente em momentos de fragilidade do governo.

Para o economista e professor do Insper Marcos Mendes, que é colunista da Folha, a escalada das emendas reflete conflitos recorrentes entre os Poderes. “Houve um desequilíbrio no jogo de forças em momentos em que o Executivo não teve habilidade para negociar com o Congresso. Isso ocorreu nos governos Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. A resposta do Congresso foi alterar a Constituição para se apropriar de parte do Orçamento”, afirma.

Segundo Mendes, embora a comparação com os orçamentos estaduais ajude a dimensionar o fenômeno, o impacto mais relevante aparece dentro do próprio Orçamento federal. “As emendas representam cerca de 25% das despesas discricionárias da União [aquelas de livre uso dos governantes]. É um percentual absurdamente alto. Em outros países, quando existem emendas, elas não passam de 1%”, diz.

DESEQUILÍBRIO –  O economista avalia que o modelo compromete a coordenação de políticas públicas. “As emendas desestruturam o planejamento da despesa federal. No caso da saúde, por exemplo, o SUS é um sistema integrado. Quando parlamentares pulverizam recursos sem planejamento, isso gera desperdício”, afirma.

A economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo e ex-economista-chefe da XP Investimentos, afirma que a dimensão atingida pelas emendas já produz efeito comparável ao de uma reforma estrutural. “Se você considerar o tamanho que isso alcançou, o impacto fiscal é equivalente ao de uma reforma”, diz.

Para ela, embora a comparação com os orçamentos estaduais tenha valor didático, o parâmetro mais adequado é observar o peso das emendas nas despesas discricionárias da União.

MARGEM ESTREITA – “O governo já opera com margem muito estreita. Quando você pulveriza recursos em grande escala, reduz a capacidade de financiar projetos estruturantes e aumenta a ineficiência”, afirma.

Zeina avalia que eventual mudança exigirá negociação gradual. “Um governo que precise aprovar reformas estruturais não consegue, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente as emendas. A diminuição teria de ser paulatina e negociada ao longo do mandato.”

Mantida a trajetória atual, afirma, o risco recai sobre o espaço discricionário já comprimido da União. “Empurra o fiscal para patamares cada vez mais difíceis. O Estado brasileiro tem despesas obrigatórias crescentes. Sem margem, compromete-se a execução de políticas públicas.”

Na poesia de Raimundo Correia, um monge se transforma ao falar do amor

Se se pudesse o espírito que chora Ver... Raimundo Correia - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Motta de Azevedo Correia Sobrinho (1859-1911), autor parnasiano e sócio-fundador da Academia Brasileira de Letras, conta poeticamente que na infância fez um monge se transformar ao lhe falar sobre o amor.

Obs. – a palavra cérulas, raramente usada, significa da cor azul do céu.

O MONGE
Raimundo Correia

—”O coração da infância”, eu lhe dizia,
“É manso.” E ele me disse:—”Essas estradas,
Quando, novo Eliseu, as percorria,
As crianças lançavam-me pedradas…”

Falei-lhe então na glória e na alegria;
E ele — alvas barbas longas derramadas
No burel negro — o olhar somente erguia
Às cérulas regiões ilimitadas…

Quando eu, porém, falei no amor, um riso
Súbito as faces do impassível monge
Iluminou… Era o vislumbre incerto.

Era a luz de um crepúsculo indeciso
Entre os clarões de um sol que já vai longe
E as sombras de uma noite que vem perto!…

Tarso Genro critica Lula por demora e expõe racha no PT no Rio Grande do Sul

Banco Central mantém sob sigilo aprovação que permitiu ascensão do Banco Master

Caso Master expõe silêncio do Banco Central

Malu Gaspar
O Globo

Muitos detalhes da história de como Daniel Vorcaro criou o Master e o transformou em uma usina de fraudes se tornaram públicos nos últimos meses. Mas uma lacuna importante permanece, por determinação do Banco Central.

Até hoje não se sabe como Vorcaro conseguiu aprovação do BC para assumir o controle de outro banco encrencado, o Máxima, em outubro de 2019, oito meses depois de a mesma operação ter sido vetada pela mesma autoridade monetária.

SIGILO – O mistério permanece porque o BC se recusa a fornecer as informações que mostrariam quanto foi empregado na compra e a origem dos recursos. A guinada do veto para a autorização ocorreu depois que Ilan Goldfajn deixou o comando do banco e foi substituído por Roberto Campos Neto.

O fato de Campos Neto ser o presidente do BC quando Vorcaro passou a ser dono do Master tão pouco tempo depois de a operação ter sido vetada, tem sido usado por ministros como Rui Costa e pelo próprio presidente Lula, que afirmou na semana passada que “o Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”.

No início de março, em uma reunião no Palácio do Planalto, Lula chegou a pedir ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, produzir um documento oficial sobre medidas tomadas por Campos Neto que teriam ajudado o Master.

NENHUM PROCESSO – Mas Galípolo não só não fez o documento como disse, na CPI do Crime Organizado,que “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”. Galípolo também negou que o antecessor tivesse atuado para impedir uma intervenção ou liquidação do Master ao longo de 2024.

As duas respostas provocaram bastante irritação entre auxiliares mais próximos de Lula. Mas é difícil saber quem tem razão, porque o BC se recusa a fornecer até mesmo informações básicas sobre o processo pelo qual Daniel Vorcaro se tornou banqueiro. A equipe da coluna tenta desde 11 de fevereiro obter, via Lei de Acesso à Informação, a íntegra dos dois votos da diretoria: o que negou a transferência de controle e o que aprovou.

O BC, porém, enviou apenas os extratos dos votos. No primeiro documento, de 13 de fevereiro de 2019, a transferência de controle foi negada por unanimidade pela diretoria, porque de acordo com o resumo Vorcaro e seus sócios não conseguiram demonstrar a origem dos recursos utilizados na operação nem que tinham capacidade econômica e financeira para realizá-la.

DECLARAÇÃO – Naquela altura, de acordo com reportagem do Valor, Vorcaro já havia apresentado a declaração de propósito de compra do Máxima ao BC três vezes desde setembro de 2017, mas só tinha recebido negativas.

Em 14 de outubro de 2019, Vorcaro finalmente conseguiu assumir o Máxima. Mas no extrato liberado pelo BC consta apenas que a diretoria aprovou a transferência de controle por unanimidade porque o pedido atendia o disposto em lei. Só isso. Pelo resumo, não é possível saber de onde vieram os recursos que faltavam antes, nem qual a sua origem.

JUSTIFICATIVA – Essas informações estão na íntegra dos votos, mas o BC se negou a oferecer o material, alegando que ele contém informações protegidas por sigilo bancário e dados estratégicos que poderiam gerar “vantagem competitiva indevida a terceiros e possivelmente comprometer a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional”.

Considerando que se está falando de um banco em liquidação por fraudes, é difícil entender de que forma a divulgação dessas informações poderia favorecer concorrentes ou comprometer a estabilidade do sistema financeiro.

Nós recorremos, solicitando que se avaliasse a possibilidade de encobrir com tarjas as informações pessoais protegidas por sigilo, mas o BC repetiu a mesma justificativa. Depois das duas negativas, no último dia 7, solicitamos novamente as informações ao BC via assessoria de imprensa e pedimos para entrevistar o técnico que redigiu os dois pareceres – o que vetou a transferência e o que autorizou. Não recebemos nem sequer uma resposta.

MISTÉRIO – Um email apreendido com Vorcaro que veio à tona por uma reportagem do Valor sugere que, em fevereiro, ele teria apresentado dois títulos lastreados em imóveis cujo valor o BC considerou superfaturado. O que ele fez para superar a resistência, porém, permanece um mistério.

No início de 2019, Vorcaro já estava na gestão do Máxima, que vivia uma série de problemas de liquidez. O dono era Saul Sabbá, que viria a ser denunciado em 2021 por gestão fraudulenta pelo Ministério Público Federal. De acordo com o MPF, entre 2014 e 2016 ele fez manobras contábeis fictícias para simular a valorização dos ativos do banco e dissimular a insuficiência de capital. Sabbá confessou os crimes e fechou um acordo com a Justiça no início de 2025, poucos meses antes de Vorcaro ser preso e o Master liquidado.

Para o advogado especialista em direito público Bruno Morassuti, diretor da entidade dedicada ao acesso a informações públicas Fiquem Sabendo, a informação sobre que garantias Vorcaro deu ao BC em outubro de 2019 para ser autorizado a montar o próprio banco não deveria ser protegida por sigilo.

PRAXE – Morassuti diz que o sigilo em processos de transferência de controle é praxe no Banco Central, mas no processo do Master essa proteção não se aplica. “É um caso clássico de informação de interesse público, porque estamos falando de um tema que é alvo de investigação em que já se sabe que há agentes públicos envolvidos, inclusive no Banco Central”, explica Morassuti. “A lei de acesso à informação proíbe o uso do sigilo para acobertar ilícitos. E mesmo a gente não sabendo se houve algum ilícito nesses atos, é importante entender com base em quê essas decisões foram tomadas”

De acordo com Morassuti, “havendo interesse do Banco Central, há base legal para afastar o sigilo, dado o interesse público relacionado ao caso. O BC tem autoridade para definir o alcance desse sigilo”. Isso quer dizer, segundo Morassuti, que a gestão Galípolo poderia decidir tornar públicos os dados sobre a formação do Master. “ A questão é ter alguém com a caneta e a coragem de fazer”, diz ele.

Lula aconselha seu “companheiro Alexandre” a colocar a culpa a própria mulher

Moraes descarta ação na Justiça dos EUA durante jantar com Lula

Lula tem motivos para jogar aos leões seu “companheiro”

Thais Oyama
O Globo

O presidente Lula, em entrevista ao ICL Notícias, referiu-se ao ministro do STF Alexandre de Moraes como “companheiro Alexandre” para, três frases depois, jogá-lo literalmente aos leões. Dois dias após a CPI do Banco Master revelar que o patrimônio do magistrado triplicou desde a sua chegada ao STF — e que só os 17 imóveis que possui com a mulher estão avaliados em R$ 31,5 milhões —, Lula afirmou que quem quer “ficar milionário não pode ser ministro da Suprema Corte”.

Disse ainda que “salário de deputado, governador, e presidente da República não permite que ninguém seja rico”. E acrescentou: se alguém enriquece durante o mandato, é “porque teve outras coisas para ficar rico”. Um pouco mais e Moraes ficaria tentado a enquadrar Lula num de seus inquéritos imorríveis.

RAZÕES ELEITORAIS – O presidente tem vários motivos — até onde a vista alcança, todos de natureza eleitoral — para largar a mão daquele a quem, por mais de uma ocasião, chamou de “salvador da democracia” — uma das togas mais poderosas do tribunal que foi o parceiro institucional e instância de sustentação de seu governo nos choques com o Congresso.

A primeira razão para Lula descartar o até aqui aliado Moraes é que a sucessão de revelações sobre as ligações cada vez mais escancaradas entre o Banco Master e os cada vez menos egrégios ministros do Supremo tornou improvável a contenção do escândalo — e Lula não pode se dar ao luxo de ficar na contramão da opinião pública.

Segundo a última pesquisa Quaest, mais brasileiros não confiam no STF (49%) do que confiam (43%); e 66% querem votar em candidatos ao Senado que apoiem o impeachment de ministros. O pior dado para Lula: 59% veem a Corte como aliada do governo.

OUTRO MOTIVO -Há uma segunda razão para ele abandonar Moraes — cuja biografia disse ter tentado salvar sugerindo ao ministro uma declaração de impedimento e um truque retórico (“Diga textualmente: ‘Minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença pra mim, ela faz as coisas…’.”).

Essa razão passa pelo fato de, assim como Lula, Flávio Bolsonaro dar um braço para não ter de subir num palanque e falar sobre o envolvimento de ministros do STF no caso Master.

O filho de Jair Bolsonaro segue com o freio de mão puxado no assunto não apenas por ter pai presidiário e à mercê da Corte, mas por temer pela própria sorte. Assombra-o a hipótese — até agora nem cogitada, nem fundamentada — de integrantes da Corte produzirem um fato jurídico que leve o TSE a indeferir o registro de sua candidatura.

PONDERADO DEMAIS – Por isso, até aqui, o bolsonarista vem tratando com ponderada distância os passivos de Moraes e Dias Toffoli. E o combinado é que, provocado, ele jogue para os candidatos ao Congresso a resposta sobre eventuais impeachments.

Próceres do PL receiam ainda pelo destino de cinco pré-candidatos do partido ao Senado que respondem a ações no Supremo, entre eles Carlos Bolsonaro.

Por motivos distintos, tanto Lula quanto Flávio pretendiam manter a maior distância possível do inconveniente assunto dos magistrados radioativos. A entrada de Caiado na eleição, porém, tende a obrigar os dois a mudar o jogo.

CAIADO NO ATAQUE – Na semana passada, o candidato do PSD declarou que, antes mesmo de um eventual impeachment de ministros, o STF deveria “cortar na própria carne” e afastar os nomes envolvidos no escândalo.

Ao arrastar o tema para a arena presidencial, Caiado obriga Flávio a segui-lo, ao mesmo tempo que força Lula a se mexer para não ficar com o mico na mão.

Por fim, a terceira razão para o petista buscar distanciamento sanitário do ex-aliado Moraes nasce do solo fértil da especulação: é que um passarinho, altamente informado sobre o andamento das investigações do Master, contou a Lula que mais coisa pesada vem por aí — e que não há salvação para a biografia do companheiro Alexandre.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os astros estão entrando em conjunção e Moraes vai apodrecer dia-a-dia, em público, sendo torturado aos poucos, com a mesma desumanidade que ele demonstrou ao julgar os terríveis terroristas do 8 de Janeiro. O ministro-companheiro já não serve mais ao amigo Lula e precisa pagar os pecados. Vida que segue, diria João Sadanha, de olha na Copa. (C.N.)

Entre o empate e o desgaste: Lula diante de um novo campo de batalha eleitoral

Lula empataria com Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno

Pedro do Coutto

A política raramente oferece sinais isolados. Quando uma pesquisa, um escândalo e uma mudança de discurso surgem ao mesmo tempo, o que se tem não é coincidência — é sintoma. O empate registrado pelo Datafolha entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno projeta exatamente esse tipo de inflexão: um momento em que a disputa deixa de ser confortável para se tornar estruturalmente incerta.

O dado em si já é eloquente. Pela primeira vez, o presidente aparece numericamente atrás — ainda que dentro da margem de erro — com 45% contra 46% do adversário . Mais do que um empate técnico, trata-se de um empate político. Ou seja, não é apenas a fotografia de um momento, mas a indicação de que o campo eleitoral se reorganiza e que o lulismo já não opera com a vantagem psicológica que marcou o início do ciclo.

SINAIS DE DESGASTE – Esse movimento não surge no vazio. Ele dialoga diretamente com a deterioração de indicadores mais amplos de percepção pública. A avaliação do governo, por exemplo, mostra sinais de desgaste: a reprovação já supera a aprovação e há estabilidade em patamares elevados de avaliação negativa . Em política, esse tipo de erosão não é abrupto — ele se acumula. E, quando encontra um vetor de crise, acelera.

É nesse ponto que entra o chamado “caso Banco Master”. O escândalo, que envolve cifras bilionárias, conexões com o sistema financeiro e repercussões no Judiciário, ultrapassa o campo técnico para se tornar um fato político de primeira grandeza. Investigações e revelações associadas ao banco ampliaram a desconfiança pública em relação às elites institucionais e criaram um ambiente de suspeição difusa . Ainda que não recaia diretamente sobre o presidente, o episódio contamina o entorno do poder — e, na percepção do eleitor, o entorno muitas vezes se confunde com o próprio governo.

Dentro do próprio campo governista, essa leitura já está consolidada. Dirigentes do partido atribuem parte do desgaste recente à combinação de denúncias envolvendo o Banco Master e outros ruídos institucionais, reconhecendo que tais fatores elevaram a rejeição ao governo . É o tipo de diagnóstico que revela mais do que uma crise pontual: indica que o governo passou a reagir, e não mais a conduzir a agenda.

ESPAÇO ABERTO – A ascensão de Flávio Bolsonaro, por sua vez, deve ser entendida menos como um fenômeno isolado e mais como a ocupação de um espaço político aberto. Em um ambiente de alta rejeição mútua — em que ambos os polos enfrentam resistência relevante do eleitorado — cresce quem consegue dialogar com o sentimento predominante do momento. E hoje esse sentimento é atravessado por insegurança, desconfiança e fadiga institucional.

Nesse cenário, a resposta de Lula começa a tomar forma: endurecer o discurso, especialmente na área de segurança pública. Trata-se de uma tentativa clara de reconexão com o eleitorado de centro, que historicamente oscila entre a busca por estabilidade social e a demanda por ordem. No entanto, essa guinada carrega um risco inerente. Ao adotar um tom mais punitivista, o presidente tensiona sua própria base e relativiza bandeiras que sempre foram identitárias do campo progressista.

É, portanto, uma operação de alto custo político. Se for tímida, não produz efeito eleitoral. Se for intensa, pode gerar ruído interno. Esse é o dilema clássico de governos que enfrentam desgaste em meio à polarização: precisam ampliar sua base sem perder sua identidade — tarefa que raramente se resolve sem contradições.

SINAL DE ALERTA – O empate apontado pelo Datafolha, nesse contexto, não é apenas um número. É um sinal de alerta. Ele indica que a eleição de 2026, ao contrário do que se projetava meses atrás, não será decidida por inércia ou memória recente, mas por capacidade de adaptação. Lula, experiente e resiliente, já demonstrou ao longo de sua trajetória habilidade para recalibrar discurso e estratégia. Mas desta vez o terreno é mais instável.

Entre o peso do passado, o ruído do presente e a incerteza do futuro, a disputa começa a assumir contornos mais imprevisíveis. E, como costuma acontecer na política brasileira, é nesse espaço de instabilidade que as eleições deixam de ser previsíveis — e passam a ser verdadeiramente disputadas.

Além do Master, outras delações devem influir no resultado da sucessão de Lula

Delacao premiada charge – Bem Blogado

Charge do Dé (Arquivo Google)

Deu em O Globo

Depois que o banqueiro Daniel Vorcaro anunciou que pediria delação premiada, outros envolvidos em diversos tipos de fraudes e crimes se animaram a seguir o exemplo. Um deles é o empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado por suspeita de ser um dos operadores do esquema de fraudes do INSS, que  já fechou um acordo de delação premiada com a PF.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Globo.

FRAUDES NO INSS – Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também mirou o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os dois são apontados como os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões.

Os advogados que negociaram a delação de Camisotti com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi, que já intermediaram outros acordos do gênero.

Vilardi atuou na colaboração de diretores da Hypermarcas (atual Hypera Pharma), acusados pela Operação Lava-Jato de pagar propinas a políticos. Já Machado participou do caso envolvendo o doleiro Dario Messer, também no âmbito da Lava-Jato. Procurada, a defesa do empresário não se manifestou.

MENDONÇA RELATOR – Para firmar o acordo, Camisotti precisou admitir envolvimento no esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS. Caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, analisar a legalidade das tratativas e homologar ou não a delação.

As investigações apontam que sindicatos e associações cobraram de aposentados e pensionistas descontos indevidos e sem autorização no período de 2019 a 2024. De acordo com a PF, o valor do prejuízo pode chegar a mais de R$ 6 bilhões.

Camisotti é citado no inquérito como beneficiário direto das fraudes e sócio oculto de entidades ligadas às associações que promoveram os descontos indevidos. A PF sustenta que tanto ele quanto Antunes — o Careca do INSS, figura conhecida nos círculos de Brasília e com ampla rede de contatos no mundo político — tinham papel essencial no funcionamento do esquema.

CARBONO OCULTO – Já a delação do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, está nas mãos do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa.

Ele foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, sob suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustível. Os documentos referentes ao acordo já foram entregues ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Fontes relatam que Silva forneceu informações preliminares sobre o que as autoridades podem conseguir com suas revelações. Interlocutores contam, por exemplo, que ele revelou nomes de magistrados e de servidores responsáveis por fiscalizações no setor de combustíveis supostamente associados ao esquema. Também colocou à disposição celulares usados por ele, em que podem ser obtidos dados importantes sobre as fraudes e os envolvidos.

POSTOS DO PCC – A PF apura a relação entre esse esquema e postos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Cerca de mil estabelecimentos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

Segundo as investigações da Carbono Oculto, Beto Louco ficava responsável por gerir as empresas Copape e Aster, pelas quais o grupo cometia as fraudes fiscais e viabilizava a lavagem de dinheiro.

As tratativas para uma eventual colaboração também incluem Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são considerados foragidos desde agosto, quando foi desencadeada a Carbono Oculto, e foram localizados por autoridades brasileiras na Líbia. É de lá que os dois, atualmente na lista da Interpol, negociam a delação premiada com o MPSP através de seus advogados. Procurada, a defesa afirmou que não poderia comentar sobre o caso em razão do sigilo.

OUTRA TENTATIVA – Antes, entretanto, Roberto Silva chegou a procurar o Ministério Público Federal para tentar um acordo mais amplo, que pudesse lhe gerar mais benefícios. Interlocutores do investigado buscaram a PGR no ano passado sob o pretexto de citar autoridades com prerrogativa de foro junto ao STF, mas a avaliação foi a de que as informações iniciais apresentadas foram inconclusivas, sem menção a elementos que pudessem eventualmente corroborar os relatos.

Além da avaliação, pela PGR, de que os relatos eram incipientes, o que abortou as conversas ainda no início, também foi feita a ponderação de que a investigação sobre a Carbono Oculto está sob a alçada do Ministério Público estadual, em primeira instância, sem contato com as equipes em Brasília. No MPSP, no entanto, o acordo também vem dividindo opiniões.

Enquanto um grupo de promotores vislumbra a relevância de uma visão interna do esquema e a possibilidade de ressarcimento de valores bilionários sonegados, outros avaliam ser possível que os investigadores cheguem às mesmas conclusões pelas vias normais do inquérito. Internamente, a expectativa é que o parecer sobre a colaboração de Beto Louco possa sair já na próxima semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de O Globo mostra que outras importante delações já estão no forno e suas revelações certamente vão influir na sucessão do presidente Lula da Silva, aquele que diz ainda não ter decidido se será candidato, mas já escolheu o vice, fazendo uma tremenda Piada do Ano. (C.N.)

Flávio usa imagens do governo Bolsonaro para atacar Lula sobre miséria

Senador atribuiu imagens à notícia veiculada este ano

Deu no O Globo

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, neste domingo, em que faz críticas ao atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, com um vídeo sobre fome gravado na época do governo do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No início do vídeo, Flávio fala sobre a inadimplência e fome no Brasil e compartilha uma notícia do Diário do Nordeste, veiculada em março deste ano, sobre famílias coletarem comida descartada no lixo por um supermercado em um bairro nobre de Fortaleza, no Ceará.

SETEMBRO DE 2021 – Junto à notícia, porém, o senador utiliza imagens que foram gravadas em setembro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, que viralizaram pelo país. O vídeo mostra um grupo de pessoas à procura de alimentos dentro de um caminhão de lixo na porta de um supermercado no Bairro Cocó, área nobre de Fortaleza.

As imagens foram gravadas pelo motorista de aplicativo André Queiroz e compartilhadas nas redes sociais na época. “Pois é, muito triste. Existem cenas como essa sempre naquela região. Sempre vejo, mas não como essa daí. Por isso resolvi filmar. É bem impactante”, disse o motorista na ocasião.

Na época, um funcionário do supermercado que preferiu não se identificar afirmou ao G1 que a cena acontecia todas as semanas, e que crianças também buscavam comida que seria jogada em um lixão: “É isso aí que você vê no vídeo. Faz pena ver essas pessoas nessa situação humilhante. São idosos e até crianças, algumas vezes. As crianças chegam a entrar no caminhão. Os próprios lixeiros ficam sensibilizados. Alguns chegam até ajudar”, contou.

Moraes precisa agradecer muito a Galípolo, que mentiu sobre ele ao depor na CPI

Galípolo nega ligações com Moraes e diz que encontros no STF foram  institucionais

Gabriel Galípolo mentiu na CPI “só um pouquinho assim”…

Carlos Newton

Foi constrangedor ver o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao depor quarta-feira, dia 8, perante a CPI do Crime Organizado, quando tentou a missão impossível de proteger a honra de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que já está mais do que desonrado.

Com a maior desfaçatez, o economista negou que tenha tratado com o STF sobre a liquidação do Banco Master, tema central das investigações da CPI. E os senadores, distraídos e despreparados, engoliram a farsa e não criticam a desfaçatez do depoente.

MEIA-VERDADE – Na CPI, o presidente do BC jurou dizer a verdade, mas mentiu, ao buscar criar o que seria uma meia-verdade muito mal engendrada.

Realmente, seria impossível ele ter tratado do assunto com o Supremo, até porque o STF é igual aos três macaquinhos – não fala, não ouve nem vê. É apenas um prédio, uma instituição, eternamente imóvel.

Ele mentiu, porque até as paredes do Senado sabem que Moraes procurou Galípolo diversas vezes para fazer pressão em favor do Master. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes chamou Galípolo a seu gabinete no STF para conversar sobre os problemas de Daniel. Vorcaro.

SEIS LIGAÇÕES – David Friedlander e Eliane Cantanhêde, do Estadão, foram muito além e apuraram que Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo, num só dia…

Apesar desse noticiário, o presidente do Banco Central alegou que as sanções norte-americanas a Moraes, com a Lei Magnitsky) geraram uma crise sistêmica que exigiu “reuniões institucionais”, mas negou que o caso do Master tenha sido abordado nesses encontros.

Ou seja, mesmo jurando dizer a verdade, repetindo o artigo 203 do Código de Processo Penal (“Prometo dizer a verdade, somente a verdade, sobre o que me for perguntado”), o presidente do BC mentiu ostensivamente.

VIROU CÚMPLICE – Ao confirmar a versão fajuta de Moraes, Galípolo demonstra uma cumplicidade altamente suspeita. Em 18 de dezembro, logo após a intervenção no Master, Galípolo tomou a inicialmente de dizer que havia sido pressionado a favor de Vorcaro e estava à disposição para prestar todos os esclarecimentos.

Os jornalistas gravaram sua afirmação: “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”.

Agora, ele muda a versão, dando um alívio ao amigo Moraes, que ainda tem esperança de colocar a culpa na própria mulher, para manter sua posição no Supremo. Mas é um alívio apenas passageiro.

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P.S.
Se as investigações da Polícia Federal se aprofundarem e o relator André Mendonça não vender a alma, Gabriel Galípolo e seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, podem ser incriminados juntos, porque está mais do que claro o acobertamento conseguido por Vorcaro junto à direção do BC e a pressão feita por Moraes para proteger o amigo fraudador, que enriqueceu ilicitamente a família do ainda ministro do Supremo. Podem aguardar, tudo depende da Polícia Federal. (C.N.)

Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de ‘Vovozinha’ e vai perder muitos votos

Tereza Cristina sofre resistência para ser vice de Flávio: 'preferida do centrão' - Portal TOP Mídia News

Flávio Bolsonaro ofendeu Tereza Cristina gratuitamente

Vicente Limongi Netto

“Vovozinha é o escambau”, protesto de milhares de senhoras do país inteiro, que explode nos ouvidos do candidato Flávio Bolsonaro. O senador quis comparar a senadora Tereza Cristina, cotada para vice-presidente na chapa do senador, com a falecida vovó dele e se deu mal.  A própria Thereza Cristina não gostou.

Ficou a conotação de que toda vovó é velha, cansada e improdutiva. Pisada na bola oceânica do senador com a colega de plenário, pois há dois dias ele disse que Tereza Cristina era a vice ideal para qualquer candidato, classificando-a de “sonho de consumo”. 

Lembrando que a senadora tem vida ativa, foi ministra da Agricultura e se tornou uma das maiores referências do agronegócio no Brasil. É apenas um pouco mais velha que a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, que tem 65 anos.

MUITA SAÚDE – Aliás, a senadora tem a mesma idade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que completou 71 anos em março, mas está em perfeito estado de saúde, tendo sido incentivada por partidos a liderar uma frente para disputar, como cabeça de chapa, a Presidência da República.

Com essa mancada, o candidato Flávio ficou com a pecha de misógino, que será difícil modificar durante a árdua campanha presidencial.  O ex-presidente Bolsonaro, pai de Flávio. tem extensa folha de maus tratos, na chefia da nação, com deputadas e jornalistas. Tratava muitas delas com indiferença, risos debochados e grosserias. Parece que nasceu com raiva das mulheres.

Na pandemia, Flávio Bolsonaro foi ardoroso defensor, no Senado, a série de barbaridades do pai dele, que era contra a vacinação dos brasileiros. Hoje tenta passar a imagem de bonzinho e educado. Convenhamos, a culpa não é toda dele. O DNA é que não ajuda. É muito ruim.

Caso Master: Defesa de Vorcaro corre contra o tempo para fechar delação bilionária