Imposição de candidatos por Lula e Bolsonaro desafiam o humor das urnas

Lula e Bolsonaro estão empatados no Rio, diz pesquisa Genial/Quaest

Lula e Bolsonaro decidem sozinhos e não ouvem ninguém

Dora Kramer
Folha

O “dedazo” eleitoral de Luiz Inácio da Silva (PT) funcionou há 16 anos quando conseguiu eleger e reeleger Dilma Rousseff (PT) presidente, mas nem sempre o método da unção deu certo.

No final dos anos 1990, a imposição de uma aliança com Anthony Garotinho (então no PDT) marcou o início da derrocada do PT no Rio de Janeiro, da qual o partido não se recuperou. Garotinho se elegeu e rompeu; em 1998 o pedetista Leonel Brizola foi vice de Lula e a chapa perdeu no primeiro turno.

DECISÃO UNILATERAL – A dinâmica da decisão unilateral de líderes agora se repete nas duas pontas do espectro ideológico. O presidente fez valer sua vontade na disputa pelo governo de São Paulo e caminha para conseguir o mesmo em Minas Gerais, com a anuência relutante do senador Rodrigo Pacheco (PSB). O antecessor, Jair Bolsonaro (PL), ungiu o filho mais velho candidato sem consultar os correligionários.

Ambos têm força nos respectivos partidos para decidir em nome deles. Antes de se dar o cenário como consolidado, resta saber se eles terão tido perspicácia suficiente para compatibilizar suas ofertas com as demandas do eleitorado. Fernando Haddad (PT) carrega o capital da legenda, para o bem e para o mal. Já Pacheco é solução improvisada à falta de petistas de peso em Minas.

INCÓGNITAS – Flávio Bolsonaro (PL) tem ido bem na largada a bordo do sobrenome, mas como o que importa é ter sucesso na chegada, por ora ele ainda está na antessala das incógnitas. Não se sabe se terá estofo para convencer como presidente nem se atrairá o centro vestido em pele de cordeiro ou se sustentará o embate de ideias nos debates.

A entrada de Ronaldo Caiado (PSD) em cena para brigar por uma vaga no segundo turno e a corrida por fora de Renan Santos (Missão), que alia conservadorismo à representação do candidato antissistema, dão à corrida eleitoral um toque de charada a ser desvendada: terão feito os grandes chefes as escolhas certas ou faltou a eles uma melhor escuta sobre o que deseja dizer a voz das ruas quando chegar a vez das urnas?

Eleição no TCU vira teste de força para Hugo Motta e expõe divisão na Câmara

Moraes e o STF se tornaram uma carga pesada para o candidato Lula carregar

Charge do Zé Dassilva: Ninguém precisa saber - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC)

Eliane Cantanhêde
Estadão

O presidente Lula errou duas vezes. A primeira, ao colar no Supremo e em Alexandre de Moraes na época das vacas gordas, a da resistência, do julgamento e da condenação de Bolsonaro e generais do golpe. A segunda, agora, ao tentar se descolar da época das vacas magras, com um ministro atrás do outro caindo na esparrela do Master e a imagem do Supremo definhando com a seca.

Fez sentido Lula assumir a liderança pró-democracia contra o quebra-quebra de Planalto, Supremo, Câmara e Senado no fatídico 8/1, reunindo presidentes dos demais Poderes e governadores de toda a federação para dizer “não”, condenar os atos e atrair a repulsa da população contra a barbárie. Apesar da natural casquinha política, ele estava no seu papel de chefe de Estado e da Nação.

LEVAR VANTAGEM – O problema começou quando Lula, o Planalto e o PT quiseram tirar casquinha também dos louros do Supremo, porque embolaram decisões jurídicas com política, puseram o pé no Supremo e sugaram não só a Corte, mas principalmente Moraes, para o balaio petista, esquerdista, governista. Como se tudo não passasse de um conluio político – versão maliciosa que as redes bolsonaristas se esgoelam para ratificar.

Por mais que Moraes risse quando “acusado” até de comunista nas redes – “Nunca fui nem esquerdista”, me disse certa vez –, o carimbo ficou, as redes colaram sua imagem à de Lula e à esquerda. Juiz com lado, ministro do Supremo com partido? Foi péssimo para Moraes, porque reforçou a falsa sensação de que era movido por interesses políticos, mas foi péssimo também para Lula.

Quando a chuva passou, o terreno secou, a grama queimou sob as revelações destruidoras dos contratos, jatinhos, jantares e intimidades de ministros com Vorcaro. Assim, Lula foi pego de calça curta e reagiu com uma fórmula velha, esgotada: “vazando” para a mídia e as redes que estava “irritado” com seu apadrinhado Dias Toffoli e “incomodado” com Moraes.

ESTÁ ENCURRALADO – O presidente, porém, não tem opção. Não pode atacar Moraes diretamente, muito menos defendê-lo. Então, tenta sair de fininho do campo de batalha e lavar as mãos, sem passar pelo ridículo de combater a seca feroz com um pequeno regador.

Não há até agora, pelo menos, um fiapo de ligação de Lula com Master, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e Augusto Lima, a não ser uma conversa no Planalto, dessas que acontecem toda hora, em todo governo, aparentemente, neste caso, sem causa e efeito.

E Lula fez um movimento arriscado ao classificar o escândalo como “ovo da serpente” do governo Bolsonaro e do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.

SUJEIRAS E MANCHAS – Ou seja, tentou empurrar o escândalo para o lado oposto da polarização. O foco nem é Jair Bolsonaro, mas seu oponente de outubro, Flávio. Tudo que suja o pai respinga no filho. Aliás, como tudo que suja o filho Lulinha mancha o pai.

O escândalo, porém, atinge em cheio é o Supremo, apesar de afetar a política e contaminar a eleição de outubro. Depois de Toffoli, Moraes, agora Nunes Marques e os filhos em jatinhos, além do filho de Fux em camarotes da Sapucaí…

O que arranha Lula não é um ato dele, do Planalto ou do governo favorecendo ilegal ou ilegitimamente Master ou Vorcaro, é a ligação com o Supremo e Moraes. Além de atingir o Supremo, o ministro que liderou a resistência ao golpe tornou-se um fardo para o candidato Lula.

Juros altos e promessas frustradas: o peso do crédito sufoca o Brasil

Charge do Cícero (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

O Brasil atravessa um daqueles momentos em que diferentes crises, aparentemente desconectadas, começam a se entrelaçar e produzir um efeito cumulativo sobre a vida cotidiana da população. Da pressão das dívidas familiares à insegurança urbana, passando por tensões internacionais e promessas políticas não cumpridas, o cenário revela um país que luta para equilibrar suas contas — financeiras e sociais.

Um dos dados mais alarmantes vem do peso do endividamento: famílias brasileiras chegam a comprometer cerca de 29% de sua renda mensal apenas com o pagamento de juros de dívidas acumuladas. Trata-se de um nível de comprometimento que não apenas limita o consumo, mas compromete a própria capacidade de reorganização financeira de milhões de pessoas. Instituições como o Banco Central do Brasil e a Confederação Nacional do Comércio já vinham alertando para o crescimento do endividamento e da inadimplência, fenômenos que se retroalimentam em um ambiente de crédito caro e renda comprimida.

PROMESSA DE CAMPANHA – Durante a campanha eleitoral, o presidente Lula da Silva assumiu o compromisso de reduzir o custo do crédito no país. No entanto, na prática, a estrutura de juros permanece elevada, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial, cujas taxas podem ultrapassar, em alguns casos, a marca de 400% ao ano. Esse nível é amplamente considerado distorcido até mesmo em padrões internacionais, refletindo uma combinação de risco, estrutura bancária concentrada e ineficiências regulatórias.

O impacto dessa engrenagem é direto e profundo. Com uma fatia significativa da renda comprometida com o pagamento de dívidas, o consumo das famílias desacelera. O comércio sente, a indústria retrai e o crescimento econômico perde fôlego. Trata-se de um efeito em cadeia que ajuda a explicar a dificuldade do país em sustentar ciclos mais robustos de expansão.

O ponto mais sensível — e talvez mais decisivo —  está na estrutura de juros do país. O Brasil convive há décadas com um dos custos de crédito mais elevados do mundo, um fenômeno que não pode ser explicado apenas pela taxa básica definida pelo Banco Central do Brasil. Há uma camada mais profunda, estrutural, que mantém o crédito caro mesmo quando há movimentos de queda na política monetária.

DESCONEXÃO – Na prática, o que se observa é uma desconexão entre a taxa básica de juros e aquilo que efetivamente chega ao consumidor. Enquanto a Selic oscila conforme o ciclo econômico, o crédito ao cidadão comum — especialmente nas linhas mais acessadas, como cartão de crédito rotativo e cheque especial — permanece em patamares extraordinariamente elevados. Em alguns casos, ultrapassando 400% ao ano, o que transforma dívidas relativamente pequenas em compromissos praticamente impagáveis ao longo do tempo.

Esse cenário revela uma distorção que vai além da política econômica conjuntural. Ele reflete uma combinação de fatores: elevada concentração bancária, baixo nível de concorrência, riscos de inadimplência, custos operacionais e um ambiente jurídico ainda considerado incerto para a recuperação de crédito. O resultado é um sistema que precifica o risco de forma extremamente conservadora — e, na prática, penaliza o tomador final.

PRODUTO DE ALTO RISCO – Além disso, há um componente cultural e histórico. O crédito no Brasil sempre foi tratado como um produto de alto risco, o que levou instituições financeiras a adotarem margens amplas como forma de proteção. Esse comportamento, ao longo dos anos, acabou se cristalizando, criando uma espécie de “normalização” de juros elevados, mesmo em momentos em que outras economias operam com taxas significativamente menores.

O impacto disso sobre a economia real é profundo. Juros altos não apenas encarecem o crédito, mas alteram o comportamento das famílias. Ao perceberem que o custo da dívida é elevado e persistente, os consumidores reduzem o consumo, adiam investimentos pessoais e passam a priorizar a liquidez — quando possível. Para aqueles já endividados, a realidade é ainda mais dura: grande parte da renda passa a ser destinada ao pagamento de encargos financeiros, reduzindo drasticamente a capacidade de recuperação.

Para o setor produtivo, o efeito também é negativo. Empresas dependem de crédito para investir, expandir e gerar empregos. Quando o custo desse crédito é elevado, projetos deixam de sair do papel, a produtividade estagna e o crescimento econômico perde tração. Forma-se, assim, um ciclo vicioso: juros altos reduzem o crescimento, e o baixo crescimento, por sua vez, mantém elevado o risco percebido, justificando a manutenção de juros altos.

DESAFIO – Do ponto de vista político, a questão se torna ainda mais sensível. A promessa de redução do custo do crédito, feita pelo presidente Lula da Silva durante a campanha, dialoga diretamente com essa realidade. No entanto, a dificuldade em produzir resultados concretos evidencia o tamanho do desafio. Reduzir juros no Brasil não depende apenas de vontade política, mas de reformas estruturais que envolvem o sistema financeiro, o ambiente regulatório e a própria dinâmica econômica do país.

Sem enfrentar essas distorções de forma mais profunda, o risco é de perpetuar um modelo em que o crédito, em vez de ser instrumento de desenvolvimento, se transforma em mecanismo de aprisionamento financeiro. E, nesse contexto, o peso dos juros deixa de ser apenas um indicador econômico para se tornar um dos principais fatores de pressão sobre a vida cotidiana dos brasileiros.

Após viagem com Nunes Marques, desembargador decide a favor de filho do ministro

Irã dos aiatolás caminha para se tornar “sucursal” da China no Oriente Médio

IRÃ : O LABIRINTO DOS AIATOLÁS - Tecnodefesa

Líderes do Irã fazem o país retroceder cada vez mais

Luiz Felipe Pondé
Folha

Ouço as gargalhadas dos aiatolás quando vem a mídia de muitos países ocidentais, incluindo o Brasil, torcendo por eles. Os aiatolás e sua Guarda Revolucionária contam com esse apoio. Ódio ao Trump, amor ao Irã dos aiatolás, ainda que disfarçados em análises de especialistas. Ouvimos os gritos de “bem feito” quando aviões americanos são destruídos ou Israel é bombardeado pelos iranianos.

Lembro de quando criança, sendo criado num ambiente no qual os adultos discutiam política durante a ditadura, de como a inteligência de então torcia pelos vietcongues, Vietnã do Norte, URSS e China na guerra contra os EUA, guerra esta vencida pelos comunistas, apesar de que hoje, longe daquele tempo, vimos o capitalismo vencer tanto na Rússia, quanto na China – ambos regimes ainda totalitários – e no próprio Vietnã, hoje destino turístico de gente chique e metida. A mesma reação é vista com relação a Cuba ainda hoje, uma ditadura mentirosa e miserável. Nada mudou.

ANJOS E INTERESSES – Não se trata de dizer que o capitalismo ou os americanos são anjos. Em geopolítica não há anjos, só interesses pragmáticos e violentos. Não há por que torcer por ninguém, afinal de contas, não é um videogame. Pergunto-me se quem torce pelo Irã preferiria ir para Nova York ou Teerã? Há uma grave dissociação cognitiva nessa torcida pelo Irã.

O regime do Irã pratica feminicídio, perseguição a gays —toco nesses temas porque estão na moda na imprensa— tortura da sua população, corrupção em larga escala.

Há poucos dias vimos milhares de pessoas protestando contra a guerra nos Estado Unidos. Alguém preso? Torturado? Internet cortada? Virou moda dizer, com sustentação supostamente científica, que a democracia americana está em declínio, que a democracia brasileira é melhor. A democracia brasileira é corrupta em todos os poderes, funcionando sob a eterna “lei” de para os amigos tudo, para os inimigos a lei. Vivemos sob ameaça de censura jurídica e acumulam-se leis para processar todo mundo por qualquer coisa que escreva ou fale. O STF hoje é um abraço de afogado para o Lula e o PT.

FEDERAÇÃO DE ARAQUE – A democracia americana é uma federação real, os estados têm enorme autonomia em sua legislação – todo mundo sabe que soberania descentralizada fortalece a democracia – enquanto o Brasil é uma federação de araque em que todo o dinheiro e o poder estão nas mãos de Brasília. Quando os democratas ganharem as eleições americanas, tudo muda, e o Irã poderá fazer sua bomba atômica em paz.

Logo a sociedade civil americana tirará os Estados Unidos da guerra, como fez com o Vietnã, com a ajuda massiva da mídia. Os aiatolás “celebrarão a resistência” contra americanos e israelenses, graças a pressão do petróleo. E os defensores da democracia poderão ficar felizes com a vitória da “democracia iraniana”.

O livro de Mohsen M. Milani, “Iran’s Rise and Rivalry with the US in the Middle East”, lançado em 2025, pode nos ajudar a entender a geopolítica de fundo desta guerra, ao invés de ficarmos xingando Trump como adolescentes jogando War.

PODER INIMIGO – Desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979, o país se definiu como um poder inimigo e competidor dos Estados Unidos na disputa pelo poder no Oriente Médio, poder esse atravessado pelo seu fanatismo religioso.

Nunca houve confronto direto entre os dois países até agora, mas o conflito sempre foi indireto, “by proxies” –por procuração – como se diz. O Irã, país agressivo geopoliticamente na região, alimenta e alimentou vários grupos violentos e terroristas: Houthis no Iêmen, o ex-governo da Síria que massacrava sua população, grupos armados xiitas no Iraque, Hezbollah que visa destruir Israel e destruiu o Estado Libanês, Hamas em Gaza.

O Irã, ao longo dos anos, buscou tornar-se a maior potência da região, mesmo contra a Arábia Saudita, aliado dos EUA, além de Israel. Portanto, o Irã dos aiatolás, sim, é um regime agressivo que invade e interfere nos Estados a sua volta.

AÇÃO ESTRATÉGICA – Como escreve o analista geopolítico Marco Vicenzino no jornal português Expresso, “O que está a surgir é uma nova forma de ação estratégica: a geopolítica das cadeias de abastecimento – o uso da infraestrutura econômica como instrumento de poder”.

Agora a coisa pegou: o Irã caminha para se tornar um “proxy” da China na região. Todo mundo sabe disso, por isso Trump foi pra guerra.

Controlar a região é controlar o petróleo iraniano e pressionar a China nos seus recursos energéticos. A história dos adultos voltou. O problema com as análises geopolíticas ideologicamente enviesadas é que ignoram a realidade em favor do “parquinho anti-imperialista”.

Se o STF ‘inocentar’ Vorcaro, Moraes e Toffoli, a crise poderá ser incontrolável

JUDICIÁRIO REGADO À PRIVILÉGIOS. Dos 82 juízes punidos no Brasil desde 2005, 53 continuam recebendo super-salários

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Carlos Newton

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro completou neste Sábado de Aleluia (dia 4) um mês de prisão, mas continua embromando, na esperança de fazer uma delação do tipo meia-sola ou meia-bomba, sem ter de denunciar nenhum dos membros do Supremo que estão envolvidos (Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques).

Delirante, ele acha que os próprios ministros do STF podem encontrar uma brecha nas leis que consiga anular o processo, o que garantiria também sua libertação com o resto da fortuna ilícita que amealhou dando golpes na praça.

TUDO É POSSÍVEL – Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Mas Vorcaro tem motivos para alimentar esperanças. Realmente, tudo pode acontecer na Justiça, porque os criminosos da elite sempre conseguem  dar “um jeito lá em cima”, como dizia o empresário e banqueiro Daniel Dantas, que revelava só ter medo dos juízes de primeira instância, por serem menos subornáveis.

Vorcaro se inspira no exemplo da Lava Jato, porque o Supremo conseguiu libertar todos os empresários incriminados e até devolver-lhe as fortunas que confessaram ter amealhado mediante suborno, corrupção e lavagem de dinheiro.

O banqueiro do Master está animado com a repetição da farsa e contratou o advogado Oliveira Lima, que libertou o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, aquele empreiteiro que causou a condenação e prisão de Lula da Silva por 580 dias.

HÁ CONTROVÉRSIAS… – Vorcaro não percebeu que há muitas diferenças entre as duas situações. Na Lava Jato, o juiz e os procuradores deram bobeira, o Supremo (leia-se: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski & Cia) teve condições de abrir a brecha e anular tudo, inclusive as confissões dos empresários corruptores, vejam a que ponto de desmoralização este país chegou.

Agora, o cenário é outro. Os ministros Gilmar Mendes, Toffoli e Moraes, que integram a nova troika que comanda o Supremo, continuam tentando desesperadamente encontrar algum motivo para anular o inquérito, que nem ainda processo é.

Mas está difícil. Uma coisa é encontrar uma brecha externa, como o suposto conluio entre juiz e procurador na Lava Jato. Outra coisa, muito diferente, é forçar uma brecha dentro da lei e da jurisprudência do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça.   

ESTUPRO DA LEI – O que Gilmar, Moraes e Toffoli estão pretendendo é arrombar a lei, cometendo um estupro coletivo à luz do dia, em via pública, sob as vistas da sociedade brasileira.

Vorcaro já completou um mês de prisão, no âmbito da terceira fase da operação Compliance Zero. Deu tanto azar que em seu inquérito foi sorteado para relator justamente o ministro André Mendonça, o único que até agora se revela verdadeiramente ético e incorruptível, na companhia apenas de Cármen Lúcia.

Mendonça é pastor presbiteriano, tem demonstrado que procura sempre fazer o que é certo, recentemente foi ovacionado em evento na Ordem dos Advogados. Não é possível acreditar que ele vá deixar em liberdade esses vendilhões do templo, digamos assim.

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P.S.
É claro que a troika pode conseguir maioria no Supremo, atraindo mais dois ou três votos para fazer a vontade de Vorcaro. Mas o escândalo será tamanho que certamente causaria uma crise institucional com gravíssimas consequências, que é preciso evitar a todo custo. (C.N.) 

Flávio Bolsonaro amplia palanques, mas enfrenta incertezas em estados-chave da eleição

Janela partidária redesenha forças: PL de Bolsonaro cresce e partidos governistas recuam

Maior partido da Casa, a bancada do PL saiu fortalecida, chegando a 100 integrantes. A legenda foi uma das que mais conquistou novas filiações e recuperou perdas registradas ao longo dos últimos anos. A sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro elegeu 99 deputados em 2022, mas contava com 87 integrantes antes do período de trocas. O União Brasil foi a bancada que mais perdeu nomes — 28, no total —, mas conseguiu equilibrar as perdas com 21 novas adesões. A sigla tem agora 51 integrantes, sete a menos do que no período pré-janela, mas ainda segue como o terceiro maior partido da Casa.

MUDANÇAS – Legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT teve ao menos uma baixa, a deputada Luizianne Lins (CE), que deixou a sigla após 37 anos para se filiar à Rede. A bancada petista também filiou Paulo Lemos (AP), antes do PSOL, e se mantém como o segundo maior partido da Câmara, com 67 integrantes. As mudanças também deram fôlego para o PSDB, que registrou 11 entradas e sete saídas, chegando a 19 integrantes na Câmara. Já o PDT, proporcionalmente, foi uma das siglas com saldo mais negativo, filiando apenas um deputado e perdendo outros oito.

Partidos como PP, PSD e Republicanos registraram números semelhantes de saídas e novas filiações. A estimativa de ganhos e perdas por sigla aponta: União Brasil, com 28 saídas e 21 adesões; Republicanos, com 15 saídas e 15 adesões; PSD, com 13 saídas e 9 adesões; MDB, com 13 saídas e 7 adesões; PP, com 9 saídas e 6 adesões; PL, com 7 saídas e 20 adesões; PDT, com 8 saídas e uma adesão; PSDB, com 7 saídas e 11 adesões; PSB, com 5 saídas e 6 adesões; Avante, com 4 saídas e uma adesão; PRD, com 3 saídas e uma adesão; Podemos, com duas saídas e 13 adesões; Solidariedade, com três saídas e quatro adesões; Rede, com uma saída e duas adesões; PT, com uma saída e uma adesão; Cidadania, com uma saída e nenhuma adesão; MISSÃO, com nenhuma saída e uma adesão; PC do B, com nenhuma saída e uma adesão; PSOL, com uma saída e uma adesão; e PV, com nenhuma saída e uma adesão.

TROCA-TROCA – A janela partidária tem duração de 30 dias e, neste ano, começou em 5 de março. Previsto na legislação eleitoral, o período permite que deputados federais, estaduais e distritais mudem de sigla sem sofrer punições. O princípio da fidelidade partidária estabelece que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito, razão pela qual a janela para esses cargos é aberta apenas em anos eleitorais e seis meses antes das eleições. Após o período de trocas, o próximo passo das articulações envolve as convenções partidárias, nas quais os candidatos serão escolhidos. Em 2026, os brasileiros irão às urnas para o primeiro turno das eleições em 4 de outubro.

No Senado, onde os cargos são majoritários e eleitos os mais votados independentemente do desempenho partidário, não há necessidade de janela para mudanças de legenda. Prefeitos, governadores, senadores e o presidente da República podem trocar de partido a qualquer momento, desde que respeitem o prazo mínimo de seis meses de filiação antes da eleição. Ainda assim, a corrida eleitoral também motivou trocas recentes na Casa.

O PSD perdeu três integrantes: Rodrigo Pacheco, cotado para disputar o governo de Minas Gerais, deixou a legenda para se filiar ao PSB; a senadora Eliziane Gama (MA), aliada do governo, também saiu do PSD rumo ao PT; e o senador Angelo Coronel (BA), que mira a reeleição, migrou para o Republicanos. O PSD, por sua vez, ganhou um novo integrante com a filiação de Carlos Viana (MG), vindo do Podemos. O PL ampliou sua presença com a chegada de dois senadores oriundos do União Brasil, Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB), mas perdeu a senadora Dra. Eudócia Caldas (AL), que se filiou ao PSDB.

Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos 5 anos

Ao ampliar adoção de sigilo e decisões individuais, o STF agrava sua própria crise

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Hugo Henud
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou, a partir de 2022, uma forma de atuação marcada por decisões sigilosas, individuais e pela distribuição de processos sem sorteio – modelo que, na avaliação de especialistas, não ficou restrito àquele momento e chega às eleições de 2026 sob risco de questionamentos. Ao mesmo tempo, apontam, esse padrão afeta garantias do processo e a confiança na instituição, em meio a uma crise de credibilidade.

Levantamento do pesquisador e professor do Insper Ivar Hartmann mostra que essa forma de atuação se sustenta em três mecanismos centrais: o aumento do sigilo, a predominância de decisões individuais e a crescente distribuição por conexão, em que processos são direcionados, sem sorteio, a um mesmo ministro por estarem ligados a outras investigações.

A PARTIR DE 2019 – O modelo ganhou força com medidas adotadas pelo tribunal a partir de 2019, quando Lula foi solto, e se consolidou durante a disputa eleitoral de 2022, em meio à polarização e a ataques às instituições. À época, essas medidas foram justificadas como resposta a uma situação considerada excepcional.

“Já passaram quatro anos daquela eleição e esses poderes especiais se consolidaram para além do período eleitoral. Foram normalizados. O Supremo só ganhou poder e ficou menos sujeito à responsabilização e à prestação de contas”, diz Hartmann.

Aquele ano foi marcado por investigações sensíveis, como casos envolvendo desinformação e ataques às instituições, que resultaram em suspensão de plataformas digitais e a remoção de perfis e conteúdos em redes sociais ligados a aliados de Bolsonaro e a outros políticos e influenciadores de diferentes espectros políticos. Parte desses processos tramitou sob algum grau de sigilo.

CASOS CRIMINAIS – Dados do STF indicam que 36% das decisões em investigações criminais estiveram sob essa condição em 2022, porcentual que se manteve em patamares semelhantes em 2025 e chegou a 46,2% nos primeiros meses de 2026, com base ainda reduzida de casos.

A exceção foi 2023, quando a abertura de um número atipicamente elevado de inquéritos relacionados à tentativa de golpe do 8 de Janeiro inflou o total de casos no ano, reduzindo proporcionalmente a fatia sob sigilo.

Para a diretora da Transparência Brasil, Juliana Sakai, a manutenção desse padrão ao longo dos anos exige maior rigor na avaliação do uso do sigilo. “O sigilo tira a transparência e a possibilidade de acompanhamento pela sociedade”, diz, ao ressaltar que a medida deve ser justificada somente em casos específicos, como para proteger investigações em curso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Notem que 2019 foi o ano- chave do desvirtuamento do Supremo, quando “interpretaram” a lei para soltar Lula (além de milhares de criminosos de larga estirpe), fazendo o Brasil se tornar o único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância. Uma vergonha. De lá para cá, a esculhambação se instalou e está difícil de consertar. A verdade é essa. (C.N.)

Derrota por 8 a 2 freia ascensão de Mendonça e revela guerra interna no STF

CPI do Crime busca sobrevida e intensifica pressão após freios impostos pelo STF

Galípolo impôs sigilo aos documentos do banco Master e colocou BC sob suspeitas

BC blinda documentos do caso Master e impõe sigilo de oito anos

Galípolo, do Banco Central, deveria estar sob investigação

Jonatas Martins,
CNN Brasil

O BC (Banco Central) classificou como secretos os documentos relacionados à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, impondo sigilo de oito anos sob os processos. A informação consta em resposta a um pedido feito pela CNN via LAI (Lei de Acesso à Informação).

De acordo com o Banco Central, a divulgação imediata dos documentos do caso Master iria contra o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”.

TUDO EM SIGILO – A classificação do sigilo foi indicada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025. Sendo assim, os arquivos sobre a interrupção das atividades do Banco Master devem permanecer secretos até novembro de 2033.

A autarquia federal também fundamentou, juridicamente, a aplicação do segredo com o argumento de que os documentos podem comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.

No final de março deste ano, conforme apuração da CNN, o Tribunal de Contas da União questionou o BC. O ministro Jhonatan de Jesus, relator das investigações no TCU sobre a conduta do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master, acionou a autoridade monetária sobre a eventual retirada de sigilo das documentações anexadas ao processo.

LIMITES DO SIGILO – No despacho, assinado em 24 de março, o ministro Jhonatan solicitou que o BC indique especificamente quais peças ou trechos do processo precisam permanecer sob restrição de acesso ou se todos os documentos podem ser liberados publicamente.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A decisão foi motivada por “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou a autoridade monetária em nota na época.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O sigilo compromete diretamente Gabriel Galípolo. Na reunião com jornalistas, antes do Natal, ele se jactou de ter sido pressionado para proteger o Master, acrescentando que tinha documentado todas as pressões. Até hoje ele não informou o autor das pressões, mas todo mundo sabe de quem ele está falando. Ao que parece, o país não tem mais homens públicos, apenar um bando de aproveitadores, e Galípolo deveria estar sendo investigado. (C.N.)

Uma canção de amor que jamais será esquecida e foi gravada por Nat King Cole

IMMuB | Compositor - Antônio Maria

Maria não acreditava no sucesso da música

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cronista, comentarista esportivo, poeta e compositor pernambucano Antônio Maria de Araújo Morais (1921-1964), entusiasta de vida noturna carioca da década de 50, juntamente com seu parceiro Fernando Lobo,  lançaram uma das mais famosas canções de amor – “Ninguém Me Ama”.

Este samba-canção, gravado por Nora Ney, em 1952, pela Continental, foi composto somente por Antônio Maria, que não acreditava que a música fizesse sucesso e ofereceu parceria a Fernando Lobo, em troca de outra canção escrita por Lobo, que todos achavam que ia fazer sucesso, mas isso não aconteceu. Naquela época era comum a troca de parcerias entre amigos, como Maria e Lobo.

A canção fez enorme sucesso, teve várias regravações, inclusive pelo cantor americano Nat King Cole. 

NINGUÉM ME AMA  
Antônio Maria e
Fernando Lobo 

Ninguém me ama, ninguém me quer
Ninguém me chama de meu amor
A vida passa, e eu sem ninguém
E quem me abraça não me quer bem

Vim pela noite tão longa
De fracasso em fracasso
E hoje descrente de tudo
Me resta o cansaço
Cansaço da vida,
Cansaço de mim
Velhice chegando
E eu chegando ao fim

Perícias apontam suicídio de “Sicário”, mas PF ainda busca respostas sobre últimas ligações

Após troca de farpas entre Eduardo e Nikolas, Michelle compartilha vídeo de deputado

BRB de Ibaneis “investiu” R$ 30,4 bilhões no Master, mesmo sabendo da fraude

🏛️ 𝐃𝐄𝐂𝐈𝐒𝐀̃𝐎 | O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha  (MDB), afirmou que irá recorrer da decisão liminar da Justiça que proibiu o  Governo do Distrito Federal (GDF) de utilizar imóveis públicos

Reprodução do Instagram

Demétrio Vecchio e Isadora Teixeira
Metrópoles

O Banco Regional de Brasília (BRB) comprou R$ 30,4 bilhões em carteiras do Banco Master desde o dia 1º de julho de 2024, como mostram planilhas de prestação de contas obtidas com exclusividade pelo Metrópoles com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

A este valor somam-se outros R$ 10,8 bilhões em carteiras adquiridas pelo BRB a partir de “substituições”, em que o Banco de Brasília devolvia uma carteira podre do Credcesta ao Master e recebia no lugar novos ativos. A partir desta segunda-feira (6/4), o Metrópoles vai mostrar que esses ativos hoje em posse do BRB também são de baixíssima qualidade.

DESDE 2024 – As compras de carteiras do Master começaram em julho de 2024 e se dividiram em crédito de varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. A partir de março de 2025, quando o BRB detectou que parte das carteiras adquiridas do Master era fraudulenta, o banco não interrompeu os negócios – pelo contrário: comprou mais R$ 20,7 bilhões em produtos do Master.

Outro sinal de alerta ao BRB foi a negativa, pelo Banco Central, à compra do próprio Master, em setembro de 2025. Após a rejeição do pedido pelo BC, o BRB repassou ao Master mais R$ 1,9 bilhão.

As aquisições dos ativos seguiram até outubro de 2025, um mês após o Banco Central ter impedido a compra e pouco antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

TIPOS DE ATIVOS – No total, o BRB informou à CVM ter realizado 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo do Master. A maior parte das compras foi de consignados da Credcesta, mas as negociações também envolviam carteiras de “PIX Crédito”, de parcelamento de faturas e de empréstimo rotativo, por exemplo.

Outros ativos bilionários foram comprados junto ao Master no que o BRB classificou como “crédito atacado”. São basicamente Cédulas de Crédito Bancário (CCB), títulos que registram dívidas assumidas em operações de crédito feitas por empresas e até por uma pessoa física, Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

Por fim, o BRB informou à agência fiscalizadora que realizou 44 aquisições de CDI (Certificado de Depósito Interbancário), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e fundos diversos do Master, em transações que somam R$ 8,1 bilhões.

CRÉDITOS PODRES – Metade desse montante diz respeito a substituições de créditos podres, que ocorreram todas entre maio e o começo de agosto de 2025, quando o Banco Central já dava indícios de que não aprovaria a compra do Master pelo BRB.

Em parte dessas transações para devolver carteiras podres, o BRB recebia de volta novos ativos do Credcesta, uma linha de crédito consignado voltada principalmente a beneficiários do INSS, em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício.

Em fevereiro, o presidente Nelson Antônio de Souza disse ao Metrópoles que buscava compradores para toda a carteira comprada do Master. Segundo ele, o pacote – que agora se sabe que custou R$ 30,4 bilhões ao Banco de Brasília – estava avaliado em R$ 21,9 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente e reveladora matéria, enviada por José Perez, sempre atento ao apodrecimento dos Três Poderes. Aliás, em maio de 2025, já se sabia que o Master estava quebrado e Tribuna da Internet havia enviado dossiês ao Banco Central, à CVM e ao TCU. Mesmo assim, os estelionatários a serviço de Ibaneis Rocha continuaram “investindo” recursos públicos no Master. E até agora ninguém foi preso em Brasília. Que país é esse, minha gente? (C.N.)

O pacote da sobrevivência: Lula entre a urgência eleitoral e os limites da realidade

Movimentos incluem até reverter a “taxa das blusinhas”

Pedro do Coutto

A seis meses de uma eleição decisiva, o presidente Lula da Silva se move com a urgência de quem enxerga o tempo político encurtar. Diante de uma desaprovação crescente e disseminada em diferentes estratos sociais, o governo prepara um amplo conjunto de medidas — um “pacotão” — com foco direto no bolso do eleitor: combustíveis, energia elétrica e custo de vida. A estratégia é clara, quase clássica: reverter desgaste econômico com alívio imediato e visível.

O Palácio do Planalto avalia intervenções para conter preços de combustíveis e reduzir o impacto da conta de luz, dois dos fatores mais sensíveis na percepção popular sobre a economia. A lógica é simples: inflação percebida pesa mais do que indicadores técnicos. Quando o diesel sobe ou a energia encarece, o efeito político é direto — e muitas vezes devastador.

POPULARIDADE – O problema para Lula não é apenas econômico; é, sobretudo, político. Pesquisas recentes mostram uma inflexão relevante em sua popularidade, com índices de reprovação superando aprovação em alguns levantamentos — algo incomum em seus mandatos anteriores. O desgaste atinge inclusive segmentos historicamente favoráveis, como eleitores de menor renda e regiões tradicionalmente alinhadas ao lulismo.

Nesse contexto, o pacote de medidas assume contornos que vão além da gestão econômica: trata-se de uma tentativa de reconstrução narrativa. Lula aposta em um retorno à sua marca registrada — o Estado como indutor do bem-estar imediato —, reforçando políticas que dialogam diretamente com o cotidiano da população. A ideia não é apenas melhorar indicadores, mas restaurar uma sensação de proteção social.

DILEMA – Há, no entanto, um dilema evidente. Medidas de curto prazo, especialmente aquelas que envolvem subsídios ou controle indireto de preços, tendem a gerar alívio imediato, mas levantam dúvidas sobre sustentabilidade fiscal e efeitos futuros. A história econômica brasileira — inclusive em governos do próprio PT — mostra que esse tipo de intervenção pode produzir ganhos políticos rápidos, ao custo de pressões posteriores sobre as contas públicas ou distorções de mercado.

Além disso, o cenário internacional não colabora plenamente. Tensões geopolíticas recentes têm pressionado o preço do petróleo, impactando diretamente os combustíveis no Brasil. Isso reduz a margem de manobra do governo e aumenta o custo político de qualquer fracasso na contenção de preços.

TIMING – Outro ponto crucial é o timing. Ao lançar medidas tão próximas do calendário eleitoral, o governo inevitavelmente alimenta críticas de oportunismo. Adversários devem explorar a narrativa de uso da máquina pública com fins eleitorais — uma acusação recorrente na política brasileira, independentemente de quem esteja no poder.

Ainda assim, seria ingênuo ignorar a racionalidade da estratégia. Eleições, especialmente em países com histórico de volatilidade econômica, costumam ser decididas por percepções concretas do dia a dia. O preço do gás, da gasolina ou da conta de luz tem, muitas vezes, mais impacto eleitoral do que debates abstratos sobre reformas estruturais.

APOSTA – Lula, político experiente, parece apostar exatamente nisso: na capacidade de reverter o humor social por meio de ações tangíveis e de rápida repercussão. Resta saber se o eleitor enxergará essas medidas como solução legítima ou como remédio tardio.

No fim, o “pacotão” não é apenas um conjunto de políticas públicas — é, acima de tudo, um teste de eficácia política. E, como em todo teste desse tipo, o resultado não será medido apenas na economia, mas nas urnas.

Dirceu critica o Supremo e diz que Lula ainda liderará o país, mesmo se perder