Lula entre a crise dos combustíveis, a busca de votos e o exercício do poder

Governo tenta segurar preços para conter desgaste

Pedro do Coutto

Em ano eleitoral, a política brasileira abandona qualquer tentativa de disfarce técnico e assume sua natureza mais direta: governar também é disputar. É nesse contexto que o governo de Lula da Silva se move com intensidade, articulando medidas para conter a inflação dos combustíveis ao mesmo tempo em que reorganiza sua base política e consolida sua estratégia de reeleição.

A preocupação central está no impacto do diesel, do gás de cozinha e do querosene de aviação sobre o custo de vida e sobre a engrenagem econômica do país, especialmente porque o diesel sustenta o transporte de alimentos, a logística e a circulação urbana. Em um país que, na prática, “se move a diesel”, qualquer alta no preço rapidamente chega ao bolso do consumidor — e, consequentemente, ao humor do eleitor.

CONTENÇÃO – Diante disso, o governo aposta em uma combinação de subsídios e ajustes tributários para evitar oscilações bruscas. Trata-se de uma escolha política clara: segurar preços para conter desgaste. Estados são chamados a participar dessa equação, já que parte relevante da carga tributária sobre combustíveis está sob sua responsabilidade, o que exige coordenação e negociação. No fundo, o que está em jogo é mais do que economia — é percepção. Inflação alta corrói apoio, enquanto estabilidade de preços pode preservar capital político em um momento decisivo.

Essa movimentação revela o uso estratégico dos instrumentos de governo. A chamada “caneta” presidencial continua sendo uma ferramenta poderosa, capaz de alterar políticas, reduzir impostos e direcionar incentivos. Não há ingenuidade nesse processo. Em Brasília, decisões econômicas e cálculos eleitorais caminham juntos, e a ofensiva sobre os combustíveis mostra um Executivo disposto a agir para evitar turbulências que possam comprometer seu projeto político.

VICE – No campo eleitoral, a confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula reforça a busca por estabilidade. Ao manter Alckmin, o presidente sinaliza continuidade e evita riscos desnecessários.

O vice, que deve deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para cumprir a legislação eleitoral, representa uma ponte com setores moderados e empresariais, ampliando o alcance político da chapa. A decisão encerra especulações sobre mudanças e indica que, diante de um cenário sensível, o governo prefere apostar no equilíbrio a promover rupturas.

Ao mesmo tempo, Lula intensifica um movimento estratégico menos visível, mas crucial: a construção de maioria no Senado. A lógica é conhecida no núcleo do poder. Sem uma base sólida na Casa, o governo fica vulnerável em temas centrais, como indicações ao Judiciário e votações de alto impacto institucional.

ALIANÇAS – Por isso, o presidente admite a necessidade de ampliar alianças e dividir espaços, reconhecendo que o PT não pode concentrar todas as posições. Compartilhar poder, nesse caso, não é concessão ideológica, mas uma exigência prática da governabilidade.

Enquanto o Executivo se articula, o Judiciário também se movimenta. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defende a criação de um código de ética mais claro para a magistratura, em resposta a pressões e questionamentos recentes. A proposta busca reforçar mecanismos internos de controle e preservar a credibilidade da Corte em um ambiente cada vez mais tensionado, onde temas como desinformação e fake news colocam o tribunal no centro do debate político.

O cenário, portanto, é de múltiplas frentes em movimento. O governo atua para conter a inflação e proteger o consumo, reorganiza alianças para garantir sustentação política e acompanha, com atenção, o comportamento das instituições. Tudo isso ocorre sob a sombra do calendário eleitoral, que amplifica o peso de cada decisão. No fim, o que se vê é uma engrenagem complexa em funcionamento, onde economia e política se entrelaçam de forma inseparável. Em Brasília, especialmente em tempos de eleição, governar nunca é apenas administrar — é, acima de tudo, calcular.

Fachin admite erros no STF e abre debate sobre limites do inquérito sem fim de Moraes

Caso Master: 8 mil vídeos nos celulares podem redesenhar conexões com o poder

Volume de dados inclui registros pessoais e profissionais

Patrik Camporez
O Globo

Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.

O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.

CONEXÕES – Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades. Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.

A avaliação de pessoas com acesso ao material é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de apuração possam ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados nas etapas iniciais do caso.

Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa entre pessoas envolvidas no processo é que a eventual delação contribua para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação, especialmente aqueles que não puderam ser totalmente reconstruídos a partir do material apreendido.

DESAFIO DA TRIAGEM –  O volume de dados é apontado como um dos principais desafios do processo. Segundo relatos, o material apreendido inclui milhares de arquivos sem relação direta com os fatos apurados, o que impõe um trabalho de filtragem para separar conteúdos pessoais de possíveis evidências.

Integrantes da investigação afirmam que, embora a delação seja considerada relevante, boa parte das informações já está contida nos dispositivos apreendidos. Nesse cenário, a expectativa é de que a colaboração traga elementos inéditos, capazes de lançar luz sobre pontos ainda não alcançados pelos policiais.

De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, a apuração ainda está em fase intermediária, com diversas frentes abertas e pontos pendentes de aprofundamento. Assim, investigadores afirmam que medidas “mais incisivas” só são adotadas quando há robustez suficiente nos elementos reunidos, de forma a evitar fragilidades processuais. A preocupação é garantir que eventuais pedidos à Justiça sejam sustentados por provas consistentes, reduzindo o risco de questionamentos ou nulidades no curso do processo.

Ao confirmar Alckmin como vice, Lula está contribuindo para extinção do PT

Charge do Zé Dassilva: Lula e Alckmin juntos? - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

Já tínhamos abordado na Tribuna da Internet, diversas vezes, a importância da escolha do candidato a vice-presidente na chapa de Lula da Silva. O motivo, é claro, todos sabem. O criador do Partido dos Trabalhadores é muito mais importante do que a sigla, porque jamais permitiu que surgisse um novo líder que pudesse vir a substituí-lo no comando do PT.

Em sua surpreendente trajetória política, Lula sempre fez questão de se isolar no poder. desde os tempos de metalúrgico, quando usava o codinome  “Barba” e prestava serviços ao delegado federal Romeu Tuma, como agente infiltrado no sindicalismo pelo regime militar, fato denunciado por várias fontes e jamais desmentido pelo petista. 

CRIAÇÃO DO PT – É também bastante conhecido o fato de o PT ter sido criado por Lula sob os auspícios do general Golbery do Coutto e Silva, o grande ideólogo do regime militar, que foi ministro-chefe do temido Serviço Nacional de Informações.

Autor de importantes estudos sobre a Geopolítica do Brasil, inicialmente publicados em 1959 como “Aspectos Geopolíticos do Brasil” e depois ampliados sob o título “Conjuntura Política Nacional – O Poder Executivo & Geopolítica Do Brasil”), o general Golbery defendia a ligação do Brasil ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.

Preocupado com o fortalecimento da União Soviética e da China, o criador do SNI mandou Lula fundar o PT para evitar que o PTB ficasse hegemônico no sindicalismo e elegesse Leonel Brizola, cuja candidatura a presidente era então considerada imbatível.

LULA/BARBA – O PT foi criado em 1980 e cumpriu fielmente o objetivo de Golbery. Assim, nove anos depois, o próprio Lula/Barba derrotava Brizola no photochart e ia ao segundo turno contra Fernando Collor, que venceu com inestimável ajuda da Organização Globo, na tristemente famosa edição do debate, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz.

Mas tudo isso é passado distante. Quando chegou ao poder em 2003, Lula da Silva já não era mais Barba, tinha vida própria, comandava o PT com mão de ferro e impedia que qualquer outro petista se destacasse no partido.

Esmagado por um eterno complexo de inferioridade, Lula jamais leu um livro e abominava os intelectuais atuantes no PT, como o sociólogo Francisco Oliveira, o jurista Helio Bicudo, o jornalista e escritor Nilmário Miranda e o economista Aloizio Mercadante, que nunca conseguiram se destacar no partido e dois deles até desistiram de apoiar Lula e o PT (Oliveira e Bicudo). 

ELEIÇÃO DERRADEIRA– Esta é a última eleição a ser disputada por Lula, que já está meio depauperado e não diz mais coisa com coisa. Mesmo assim, corre o risco de se eleger aos 81 anos, e será o mais velho presidente a tomar posse no mundo democrático, eleito pelo povo. Jamais se viu nada igual.

Como a vida média do homem brasileiro é de 74 anos, na eleição Lula estará fazendo hora extra há sete anos. Suas chances de sobrevivência diminuem a cada dia, porque o tempo não para, como lembrava o cantor Cazuza, que procurava uma ideologia para viver e não encontrou.

Se ficar impossibilitado de exercer a presidência em função da idade, o criador do PT será substituído por Geraldo Alckmin, que é sete anos mais jovem, mas nunca foi, não é nem jamais será petista. Isso significa que o partido ficará sem voz, futuro ou destino. Sem Lula, o PT “non ecziste”, diria padre Quevedo, o velho desmistificador de charlatães.

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P.S. –
Perto dos 81 anos, mais cansado de guerra do que a Tereza Batista criada por Jorge Amado, Lula terá de esgotar suas energias em mais uma campanha. Será que vale a pena gastar assim a fase final da vida? É um político milionário, enriquecido ilicitamente e que hoje diz ser “um socialista refinado”, mas não tem como aproveitar o que resta pela frente… E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta, especialmente em ano de Copa. (C.N.)

Condenado por plano contra Lula e Alexandre de Moraes, agente é expulso da Polícia Federal

Com a entrada de Caiado na disputa, Lula tenta atrair apoio de dissidências do PSD

Flávio Bolsonaro atropela aliados e redesenha o PL em busca de palanques para 2026

Após meses de trava política, Lula envia indicação de Messias ao STF sob pressão do Senado

Nome de Messias será avaliado pelos senadores

Ivan Martínez-Vargas
Sérgio Roxo
Luísa Marzullo
O Globo

Mais de 24 horas depois de a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência ter comunicado que o governo enviaria ao Senado a mensagem presidencial que oficializa a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o documento foi enviado ao Legislativo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia anunciado, no dia anterior, que enviaria a documentação ao Senado na terça-feira, após quatro meses de espera.

Ao O Globo, ministros do governo e aliados de Messias dizem desconhecer a razão pela qual o prazo estipulado pelo próprio Planalto demorou para ser cumprido, afirmam estar surpresos com a demora e atribuem o problema à Casa Civil. Integrantes da pasta, que será comandada por Miriam Belchior após a saída do ministro Rui Costa, oficializada nesta semana, dizem que a demora se deve simplesmente a trâmites burocráticos. O ministro da AGU já mandou a documentação necessária à pasta.

ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO – Em nota, no começo da tarde, a Casa Civil confirmou o envio. “A Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República acaba de realizar a entrega da documentação do ministro Jorge Messias para a indicação à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota.

Nesta terça-feira, Lula anunciou a seus auxiliares que enviaria o nome do chefe da AGU ao Senado durante a reunião ministerial que oficializou a saída de ministros que devem disputar as eleições em outubro.

COBRANÇA – De acordo com relatos de pessoas presentes na reunião, o presidente desejou êxito a Messias e cobrou empenho do ministro nessa nova etapa junto aos senadores. O chefe do Executivo também pediu que os ministros trabalhem junto a seus aliados no Senado para garantir a aprovação do nome de Messias.

O presidente anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte, aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em 20 de novembro do ano passado, mas não enviou a mensagem presidencial ao Senado como forma de contornar a resistência de parlamentares ao nome do chefe da AGU.

A indicação de Messias contrariou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que fez campanha pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto — o senador foi um dos principais aliados que garantiram a governabilidade do Executivo no Congresso neste terceiro mandato de Lula.

SABATINA – O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa para 10 de dezembro de 2025, prazo que, na leitura de governistas, inviabilizava a aprovação do nome de Messias.

Diante do cenário desfavorável para o indicado por Lula, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo. Com o envio da mensagem, é esperado que o rito regimental seja destravado.

Após ser preterido, Eduardo Leite critica polarização e evita declarar apoio a Caiado

Senador Contarato reage à decisão de Moraes e vê restrição ao Coaf como “muito grave”

Senador alertou que decisão é retroativa

Deu no O Tempo

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou, nesta terça-feira (31/3), que a restrição da produção de relações financeiras (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como “muito grave”. A decisão foi proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na sexta.

As restrições também passam a se aplicar à CPI e às CPMIs. Moraes autorizou o Coaf a produzir RIFs apenas de pessoas formalmente investigadas. Os pedidos vão ter que indicar, de “forma concreta, individualizada e objetiva a real”, a necessidade dos RIFs e a pertinência entre as informações solicitadas e o objetivo do pedido.

EFEITO RETROATIVO – Contarato ressaltou que a decisão proferida pelo ministro tem efeito retroativo. “Todas aquelas transferências de sigilo que nós aprovamos, que tinham como base um requerimento fundamentado aprovado e vieram os dados, agora, sob pena de nulidade de todos os atos, têm que ser revistas”, questionou.

O presidente voltou a criticar a decisão do ministro Gilmar Mendes em anular o RIF da empresa do também ministro Dias Toffoli e de seus irmãos. “Quando há decisões do órgão máximo do Poder Judiciário que ressuscita mandado de segurança arquivado e é direcionado para determinado ministro para uma concessão de habeas corpus para pessoa jurídica, fico estarrecido”, disse.

DOIS PESOS – O senador ainda acusou o STF de ter dois pesos, mas duas medidas ao interpretar as votações em bloco de requerimentos como inconstitucionais. “Se você verificar, até órgãos superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgam em bloco, mas ninguém questiona que tem que ser julgada uma a uma”, apontou.

Em tom de desabafo, Contarato defendeu que os senadores têm prerrogativas e têm que ter responsabilidade com os próprios eleitores. “Nós somos 81 senadores. Tenho que ter responsabilidade com a população capixaba que me elegeu, assim como todos os senadores que aqui estão. CPI é um instrumento de minoria e uma das funções do parlamento é essa”, acrescentou.

O grito de revolta de Caetano Veloso que marcou o início do Tropicalismo

Festival de 1967, da Record - 20/10/2017 - Banco de Dados - Fotografia -  Folha de S.Paulo

Pela primeira vez, houve guitarras nos festivais

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o genial Caetano Veloso, na letra de “Alegria, Alegria” apresentada no III Festival de MPB da TV Recor, em 1967, rompeu com todos os estilos até então escritos e consegue burlar a censura do  regime ditatorial no Brasil.

Com essa música, que marcou o início do Tropicalismo, Caetano procura conscientizar e incentivar a população a se rebelar e protestar contra o governo da época. Em consequência, foi perseguido e teve de viver na Inglaterra, junto com Gilberto Gil, até a situação melhorar.

A música “Alegria, Alegria” foi gravada por Caetano Veloso em Compacto simples, em 1967, pela Philips.

ALEGRIA, ALEGRIA
Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e brigitte bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não…

Fantasma do golpismo volta assustar e expõe fragilidade da direita brasileira

PT difama Andréia Sadi e GloboNews devido ao PowerPoint do caso Master

GloboNews admite erro em arte que ligou Lula ao caso Banco Master e Andréia  Sadi pede

Petistas procuram desconhecer suas ligações com Vorcaro

Mario Sabino
Metrópoles

Petistas usam as redes sociais e os seus blogs sujos para atacar a jornalista Andréia Sadi, que apresenta um programa diário na GloboNews. O motivo foi a exibição de um PowerPoint que mostrava as conexões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, com personalidades impolutas da vida nacional.

Como no PowerPoint apareciam destacados Lula, Guido Mantega, Gabriel Galípolo e a estrela do PT, sem que nele figurassem figuras da direita, os petistas ficaram tiriricas. Disseram que a GloboNews fez associações indevidas para colocar o governo e o partido no centro do escândalo, ao passo que a emissora teria omitido cinicamente Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto, Flávio Bolsonaro, e por aí vai.

RADICALISMO – Reclamar é legítimo; o que não é aceitável — ou não deveria ser — é partir para a difamação, a calúnia, a intimidação, os métodos habituais dessa gente que adora liberdade de expressão e de imprensa.

Não adiantou Andréia Sadi pedir desculpas no ar, nem a GloboNews demitir a editora supostamente responsável pelo PowerPoint (na minha opinião, uma providência injusta na sua drasticidade): a jornalista continua a ser xingada e ameaçada. Ela e a emissora foram puxadas para ao meio da batalha entre petismo e bolsonarismo sobre a paternidade de mais essa sem-vergonhice bilionária.

Conheço bem o amor petista, e ele dura para sempre, a menos que você passe vergonhosamente para o lado do partido.

PERSEGUIÇÃO – Sou objeto desse amor desde os meus tempos de Veja, quando fui apontado como se fosse a origem de todas as reportagens da revista sobre o mensalão e outras roubalheiras perpetradas durante os dois primeiros mandatos de Lula.

Em geral, os jornalistas ficam com receio de que essas campanhas difamatórias e caluniadoras lhes causem um desgaste de imagem irreparável; os mais assustados temem pela sua própria integridade física.

É compreensível, mas dou um conselho que ninguém pediu: se você acertou, tome os ataques como homenagem e siga adiante sem dar bola para essa gente. Lembre-se de que, quando todo mundo é corcunda, a bela postura torna-se o defeito (d’après Balzac).

SEM HUMILHAR-SE – No caso de você ter errado, peça desculpas, mas sem humilhar-se ou fazer concessões a partir daí, e vá em frente. Não se renda. Até porque, em se tratando de políticos, os fatos lá adiante podem provar que você estava em boa parte certo, não completamente errado.

Uma última observação em relação ao PowerPoint da GloboNews: os petistas o compararam com o PowerPoint de Deltan Dallagnol, exibido na oferecimento da denúncia contra Lula, no âmbito da Lava Jato. O PowerPoint de Deltan estava completamente certo, apesar de toda a demonização de que foi alvo. Além disso, é a mais bela obra de arte brasileira, como escrevi anos atrás. Vale bem mais do que os R$ 100 mil que Deltan teve de pagar a Lula de indenização.

A sua tosquice ilustra melhor o nosso caráter nacional do que a do Abaporu, de Tarsila do Amaral, “o quadro mais feio do mundo”, na definição de Millôr Fernandes. O feio é bonito

Lula mira controle do Senado, critica poder dos parlamentares e amplia alianças

Caiado ataca a polarização, mas a anistia abre o risco de agravar a crise institucional

Pedro do Coutto

Ao se lançar como pré-candidato à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentou ocupar um espaço cada vez mais raro no cenário político brasileiro: o de quem promete romper a lógica binária que domina o debate público desde 2018. Em seu discurso, apresentou-se como alternativa à disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, afirmando que é preciso “encerrar a polarização” entre lulismo e bolsonarismo.

A proposta, à primeira vista, dialoga com um sentimento real de fadiga do eleitorado. Pesquisas recentes de institutos como Quaest e Datafolha têm apontado que uma parcela significativa dos brasileiros demonstra cansaço com o confronto permanente e deseja uma agenda mais pragmática. No entanto, o próprio Caiado parece tropeçar na sua principal promessa ao anunciar que, caso eleito, pretende decretar anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

PARADOXO – A contradição é evidente. Ao mesmo tempo em que critica a radicalização política, o pré-candidato adota uma bandeira que está no centro das tensões institucionais do país. A anistia, além de juridicamente controversa, colide diretamente com decisões já consolidadas do Supremo Tribunal Federal, que vem julgando e condenando envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Mais do que um gesto político, trata-se de um tema sensível para o Estado de Direito — e, portanto, pouco compatível com a ideia de pacificação. Na prática, a proposta tende a reacender, e não a dissipar, os conflitos. Isso porque qualquer tentativa de anular ou relativizar decisões judiciais definitivas inevitavelmente será interpretada como afronta institucional. A história recente do Brasil mostra que o embate entre Executivo e Judiciário tem alto potencial de instabilidade, algo que o próprio Caiado diz querer evitar.

APROXIMAÇÃO – Há, ainda, um componente estratégico nessa equação. Ao defender a anistia, Caiado parece buscar aproximação com parcelas do eleitorado conservador que orbitam o campo bolsonarista. É um movimento compreensível do ponto de vista eleitoral, mas arriscado do ponto de vista narrativo: ao tentar dialogar com esse público, ele pode acabar reforçando exatamente a polarização que afirma combater. Em outras palavras, ao estender a mão a um dos polos, enfraquece sua pretensão de equidistância.

Além disso, o debate sobre anistia não é apenas jurídico ou político — é também simbólico. Ele toca diretamente na percepção de justiça, responsabilidade e memória institucional. Países que enfrentaram rupturas democráticas costumam tratar esse tipo de questão com extremo cuidado, justamente para evitar a banalização de episódios que colocaram em risco a ordem constitucional. No caso brasileiro, ainda recente, a discussão ganha contornos ainda mais delicados.

ARTICULAÇÃO – Outro ponto que merece atenção é a viabilidade prática da proposta. A concessão de anistia ampla, nos moldes sugeridos, dependeria de articulação com o Congresso Nacional e enfrentaria forte resistência não apenas no Judiciário, mas também em setores relevantes da sociedade civil. Não se trata, portanto, de uma medida simples ou unilateral, como pode parecer no discurso de campanha.

No fundo, o movimento de Caiado expõe uma dificuldade recorrente na política brasileira contemporânea: a de construir uma alternativa fora da polarização sem, ao mesmo tempo, ser capturado por ela. O espaço existe, mas é estreito e exige coerência rigorosa entre discurso e prática.

Ao iniciar sua caminhada presidencial com essa proposta, o governador de Goiás sinaliza ambição e disposição de confronto — mas também revela um risco: o de que sua candidatura, em vez de inaugurar um novo caminho, acabe apenas reorganizando as tensões já existentes. Porque, no Brasil de hoje, romper a polarização não é apenas uma promessa. É, sobretudo, uma prova de consistência.

Aproximação de ACM Neto com Ronaldo Caiado acirra disputa com Flávio Bolsonaro

ACM Neto diz que tem relação histórica com Caiado

Luísa Marzullo
O Globo

Pré-candidato ao governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) sinalizou nesta terça-feira que vai apoiar a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD), mas afirmou que ainda vai ouvir o União Brasil. Ele atribuiu essa inclinação à relação de longa data entre os dois.

— Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos de amizade, o que nos aproxima, o que torna muito difícil não estar com ele. A pré-candidatura dele até foi lançada em Salvador — disse ao GLOBO, ressaltando que vai respeitar o posicionamento de seus aliados assim como dos demais partidos da aliança.

APOIO – A sinalização ocorre após Caiado afirmar que pretende apoiar ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia. Na segunda-feira, ao lançar sua candidatura à Presidência, o governador de Goiás declarou que estará com o ex-prefeito no estado.

No União Brasil, não há definição sobre o apoio presidencial. De um lado, há um grupo que defende o alinhamento com Caiado. De outro, aliados que trabalham pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Há ainda uma terceira ala que prefere deixar os diretórios regionais livres para decidir. Caiado deixou o União Brasil neste ano rumo ao PSD com o objetivo de se cacifar na corrida pelo Planalto.

No grupo de ACM, também há dispersão. Parte dos aliados, como o ex-ministro João Roma, já sinalizou que estará com Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, interlocutores vislumbram um cenário de palanque duplo, em que ambos os candidatos passem pelo estado, em eventos da chapa. No entanto, ainda não há definição de como será este arranjo na prática.

STF chama Lavareda para se tratar, mas não existe analista que dê jeito…

Cientista político que trabalhou com Temer e FHC é citado em relatório do  Coaf - Época

Lavareda tentou atender, mas nem Freud poderia explicar

Eliane Cantanhêde
Estadão

Atingido em cheio pelo escândalo Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu consultar um psicanalista, ops!, o analista político e do humor popular Antonio Lavareda, que passou uma receita paliativa: os ministros precisam falar menos e a instituição tem de dialogar mais com a sociedade, especialmente com o centro, ou “os independentes”.

Segundo a coluna apurou, Lavareda defendeu que é perda de tempo tentar separar o STF, de um lado, de erros de ministros, do outro, para lulistas incondicionais, acuados e sem reação em casos assim desde mensalão e Lava Jato, ou para bolsonaristas, que são “antissistema” (logo, antiJudiciário) e usam a crise, eleitoralmente, contra Lula e o governo.

“INDEPENDENTES” – O foco da defensiva do STF tem de ser os “independentes”, não dogmáticos, que preservam alguma racionalidade e flutuam menos ao condenar ou aplaudir o que quer que seja. Mas, para isso, e para melhorar o “diálogo”, o STF precisa corresponder às expectativas, com pautas de grande apelo e aprovando mudanças de atitudes e regras, por exemplo, com um código de conduta a ser levado a sério.

Os últimos movimentos do STF resvalam nisso, como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, defendida além da bolha bolsonarista, e a intervenção que Flávio Dino tentou fazer, e o plenário amenizou, contra os “penduricalhos” que fazem a festa e a fortuna de juízes e procuradores e se estende aos demais poderes, driblando o teto constitucional

O resultado, porém, foi decepcionante, cortando uma parte, mantendo outra e até recriando o velho “quinquênio” (extras por tempo de serviço).

APENAS REMENDO – A sociedade apoia o fim de mamatas, mas não é boba. Sabe o que é “fim” e o que é remendo para inglês ver. Se era para apagar o incêndio do Master no STF, virou gota d’água.

A reunião com Lavareda foi na presidência do STF, com Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Christiano Zanin.

Tão curioso como a presença de Moraes é a ausência de Dino, que mais dialoga com a sociedade, ao combater emendas, supersalários e penduricalhos e não ouviu Lavareda dizer que o estrago das ligações de ministros com Daniel Vorcaro, do Master, foi de bom tamanho, mas a imagem do Supremo já foi pior.

DIZ O RIVAL – Pode não ser o pior momento, mas, pela pesquisa do AtlasIntel, instituto rival do Ipespe de Antonio Lavareda, 47% consideram que o STF está “totalmente envolvido” com o Master, 60% não confiam e só 34% confiam na instituição.

Entre os atuais dez atuais ministros, apenas um, André Mendonça, novo relator do caso Master, consegue ter aprovação superior à desaprovação: 43% a 36%.

Está feia a coisa e não há remédio, propaganda, psicanalista e mandinga que deem jeito. A ferida está aberta.

Com Caiado, Kassab abre o baú de surpresas e mostra que a terceira via é viável

PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a 'terceira via'... #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Desde a eleição de 2018 já se sabia que a polarização entre Lula e Bolsonaro despertava muita insatisfação. Mesmo assim, acabou prevalecendo, devido às circunstâncias do momento. E o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883/1955) já definiu que “o homem é o homem e suas circunstâncias”, pois tudo depende da época e do contexto em que se vive.

Assim, a polarização levou a política brasileira ladeira abaixo, apesar do inconveniente radicalismo de Bolsonaro e da alta rejeição ao PT desde o fracasso de Dilma Rousseff e seu impeachment, em função das pedaladas do irresponsável Guido Mantega.

IMPUNIDADE – Aliás, Mantega foi o ministro que ficou à frente da Fazenda por mais tempo (9 anos), mas escapou ileso e não sofreu a menor punição pelos crimes de responsabilidade cometidos ao maquiar as contas públicas, vejam como a impunidade é uma circunstância do Brasil.

Quanto ao primeiro turno da eleição de 2018, a facada desferida por Adélio Bispo influiu no resultado e Jair Bolsonaro (PSL) liderou com 46,03% dos votos válidos, seguido por Fernando Haddad (PT) com 29,28%, levando a disputa para o segundo turno.

No total, 13 presidenciáveis concorreram, mas a polarização falou mais alto e destruiu a terceira via. Entre os onze candidatos restantes, somente Ciro Gomes (PDT) obteve uma votação razoável, com 12,47%, enquanto o quarto colocado, Geraldo Alckmin (PSDB) não passava de 4,76%.

DESCONTAMENTO – O fato é que realmente a polarização desperta desagrado desde 2018, pois no segundo turno a abstenção surpreendeu, atingindo 21,30% dos eleitores, enquanto os votos nulos foram 7,43% e os brancos, 2,14%. Ou seja, mais de 30% dos eleitores não aceitaram votar em Bolsonaro ou em Lula.

O desagrado com a polarização na verdade deve ser considerado ainda maior, porque muitos descontentes acabaram optando por Bolsonaro ou Haddad, pela circunstância de votar no menos pior, digamos assim.

Com a pandemia e o flagrante despreparo político-administrativo de Bolsonaro, que rivaliza com Lula neste quesito, em 2022 a insatisfação continuava latente, mas não teve força para derrotar a polarização, porque os candidatos da terceira via eram tão fracos que a senadora Simone Tebet (MDB) foi a terceira colocada, com apenas 4,16% dos votos válidos, à frente de Ciro Gomes (PDT), que teve escassos 3,04%.

OUTRA REALIDADE – Quatro anos se passaram e agora é outra realidade. Muitos políticos perceberam que a polarização está enfraquecida. Essa condição animou os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) a se apresentarem como pré-candidatos, por entenderem que a terceira via tem chances.

Mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também percebeu e usou a força crescente de seu partido para atrair Leite e Caiado para disputar a candidatura com Ratinho. Com isso deu um tranco enorme na política, o PSD ganhou visibilidade jamais imaginada e Caiado já mostra ser um candidato com possibilidade de vitória.

Nessas manobras, Kassab traiu Ratinho e Leite, por saber que ambos são independentes e jamais aceitariam ser conduzidos por ele. É claro que Caiado também não aceita, somente se filiou ao PSD no último dia 14, mas já vai fazer 77 anos, é sua última eleição e, se vencer, não perturbará Kassab de forma alguma, muito pelo contrário.

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P.S. –
Lula e Flávio Bolsonaro estão apavorados com a estratégia de Kassab, o senhor dos anéis, que sabe como o jogo deve ser jogado. O próximo lance é a escolha dos vices. No desespero, Lula se curvou diante de Geraldo Alckmin, sonhando em captar novamente os votos do centro. Quanto a Flávio Bolsonaro, está de bobeira e já deveria ter convidado a senadora Tereza Cristina, líder do PP. Por fim, circulam informações de que Caiado e Kassab vão convidar Romeu Zema, do Novo, para ser vice. Se tiver juízo, Zema deve aceitar. Por enquanto é só isso, mas já dá para sentir um cheiro de queimado lá pelos lados da polarização. (C.N.)

Piada do Ano!!! Moraes e sua mulher costumavam “alugar” jatos de Vorcaro

Caiu tudo: entenda o que derrubou o site da esposa do ministro Moraes

O casal Moraes parece já ter perdido a noção do ridículo

Lucas Marchesini e Mônica Bergamo
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos executivos de empresas do dono do Banco Master , Daniel Vorcaro , ou ligadas a ele, entre maio e outubro de 2025, indicam documentos obtidos pela Folha. E, para encontrar os voos, foram feitos cruzamentos de três bancos de dados.

O primeiro é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e contém os nomes de todas as pessoas que foram registradas nas listas de embarque do terminal executivo do Aeroporto de Brasília. O segundo é o registro de todos os voos que decolam do mesmo local e é compilado pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), vinculado ao Comando da Aeronáutica. Por fim, a reportagem consultou os donos das aeronaves no Registro Aeronáutico Brasileiro, mantido pela Anac.

OITO VIAGENS – Os cruzamentos revelam que Moraes e Viviane foram registrados pela Anac como passageiros do hangar de jatos executivos de Brasília oito vezes.

Em sete delas, houve decolagens na sequência de aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio através do fundo Patrimonial Blue. Os aviões da empresa têm autorização para realizar táxi aéreo. A casa utilizada pelo banqueiro em Brasília também pertence à Prime.

A única exceção é um voo de 7 de agosto de 2025. Nessa ocasião, o avião que decolou foi um Falcon 2000 da Dassault prefixo PS-FSW. Ele pertence a uma empresa chamada FSW SPE, administrada pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e que foi preso na mesma operação.

NOS JATINHOS – O primeiro voo identificado pela Folha nos documentos ocorreu em 16 de maio de 2025, uma sexta-feira. Moraes e Viviane foram os únicos registrados pela Anac como passageiros no terminal executivo às 9h30. Só um avião decolou de Brasília até as 11h daquele dia: o de prefixo PR-SAD, da Prime Aviation, às 9h37, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Em 22 de maio, uma quinta-feira, o nome de Moraes foi registrado como passageiro no hangar de jatos privados de Brasília, com entrada às 19h, segundo documentos da Anac. Às 19h33, uma aeronave operada pela Prime decolou para o aeroporto de Catarina, em São Paulo, que recebe exclusivamente aviões executivos.

Na semana seguinte, em 29 de maio, a Anac registrou o nome do ministro e de sua esposa na lista de passageiros do terminal executivo do Aeroporto de Brasília, às 19h30, com outros cinco passageiros. O único voo para São Paulo feito depois desse horário foi o de prefixo PT-PVH, também da Prime Aviation, segundo registros oficiais do Decea.

LISTA DE EMBARQUE – Em 9 de julho, o nome de Moraes aparece no registro de embarques da Anac das 22h. Além dele, no mesmo horário consta somente o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e um terceiro passageiro. Ambos decolaram em uma aeronave do governo para Goiânia às 22h25, segundo confirmado pela assessoria de imprensa do agora candidato a presidente. O voo seguinte, com Moraes, foi o da aeronave prefixo PP-NLR, da Prime Aviation, realizado às 22h34, para o Aeroporto de Catarina, em São Paulo.

Em 1º de agosto, uma sexta-feira, o casal e uma terceira pessoa foram os únicos registrados pela Anac na lista de passageiros do hangar, às 12h40. O avião prefixo PR-SAD, um Embraer 505 operado pela Prime, decolou quatro minutos depois rumo a Congonhas (SP), de acordo com o Decea.

NO AVIÃO DE ZETTEL – Os nomes de Moraes e Viviane aparecem de novo nos registros da Anac às 19h de 7 de agosto, uma quinta-feira. O único voo para São Paulo na próxima hora foi o PS-FSW, às 19h16. O Falcon 2000 está registrado em nome da empresa SPE FSW, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre os sócios.

Às 19h30 de 20 de agosto, uma quarta-feira, o casal foi colocado pela Anac na lista de passageiros do hangar. Alexandre e Viviane foram os únicos registrados no horário. O avião PT-PVH, operado pela Prime Aviation, decolou na sequência para Congonhas.

De acordo ainda com o que indicam os documentos, Moraes e Viviane foram registrados como passageiros do hangar pela Anac também no dia 16 de outubro, uma quinta-feira. A aeronave PP-BIO, operada por uma empresa de Vorcaro, decolou às 19h26 para o aeroporto de Catarina.

ALEGA O MINISTRO – Em nota, o gabinete do ministro disse que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. “O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, acrescentou.

Já o escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”.

E alega que “em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”.

SEM VÍNCULO PESSOAL– Afirma ainda que “a contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”. E diz que nenhum dos advogados do escritório conhece Zettel.

A Prime disse que por questões de confidencialidade dos contratos e da Lei Geral de Proteção de Dados ela não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio “sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo”.

A defesa de Daniel Vorcaro disse que não se pronunciará. O advogado de Fabiano Zettel não respondeu à mensagem enviada às 14h50 do dia 27 de março.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É mais uma Piada do Ano do criativo casal Moraes. Em tradução simultânea, pode-se dizer que a dra. Viviane e seu amado esposo, que tinham aquele modesto contrato de R$ 129,6 milhões com o banco Master, costumavam “alugar” jatinhos pertencentes a Daniel Vorcaro e seu cunhado Fazenda Zettel, para circular pelo Brasil. A piada é mesmo excelente e está decolando em velocidade supersônica. Como dizia Ibrahim Sued, pé no jato!!! (C.N.)

Flávio Bolsonaro tenta se moderar para atrair o Centrão, mas o discurso segue radical

Flávio não é um candidato de direita moderada

Diogo Schelp
Estadão

Os marqueteiros do PL terão muito treinamento a fazer com o senador Flávio Bolsonaro após o seu discurso no fórum da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), que reuniu a direita trumpista no último sábado, 28, em Grapevine, no Texas.

Inquieto, o pré-candidato à Presidência balançava o corpo incessantemente para a esquerda e para a direita, e da direita para a esquerda, enquanto lia o discurso no teleprompter.

INSEGURANÇA – Especialistas em oratória diriam que esse comportamento transmite nervosismo e insegurança, além de desviar a atenção do público. Flávio talvez se sinta desconfortável em discursar em inglês. Mas a inquietude do senador e a dificuldade de manter os dois pés firmemente plantados no chão, com o peso do corpo bem distribuído entre eles, também podem ser uma metáfora para os dilemas que se impõem a ele na tentativa de construir a imagem de um político moderado.

Com a perspectiva de uma disputa eleitoral equilibrada, Flávio precisa conquistar o voto dos independentes, aqueles que não se consideram nem petistas, nem bolsonaristas, para vencer. Segundo pesquisa Genial/Quaest de início de março, porém, mais da metade dessa fatia do eleitorado considera o filho “01″ tão radical quanto o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até agora, o que se viu de moderação na postura de Flávio está mais na forma do que no conteúdo.

Ele fala de um jeito mais manso e menos agressivo do que Jair. Não é tão comum ouvir dele comentários ultrajantes ou ofensivos como os que o ex-presidente costuma (ou costumava) disparar, inclusive quando na Presidência, sobre jornalistas mulheres, gays, vítimas da covid-19 e adversários políticos. Em algumas dessas ocasiões, Flávio apareceu para defender, contextualizar ou minimizar as declarações do pai, geralmente com a ideia de “traduzir” para uma linguagem mais moderada o que Jair, de fato, queria dizer.

BOLSONARISTA ATÉ A MEDULA – Mas o conteúdo, ou seja, as ideias que Flávio sempre defendeu e segue defendendo, pelo menos até agora, não são capazes de transformá-lo em um pré-candidato de direita moderada. Ele é bolsonarista até a medula, e não só no sobrenome. O discurso na CPAC é uma prova disso. Flávio afirmou que o pai está preso por se opor ao sistema e que as mesmas pessoas que o condenaram à cadeia tiraram Lula da carceragem e o colocaram de volta na Presidência (mas o senador omitiu que, entre uma coisa e outra, houve uma eleição incontestável que deu vitória a Lula contra um Bolsonaro com alto índice de rejeição).

Ao elencar o que ele considera serem os grandes feitos do seu pai, Flávio afirmou que ele lutou contra a “tirania da covid”, contra os interesses da “elite global”, contra a “agenda ambiental radical” e contra a pauta woke. Ou seja, focou nas guerras culturais que estabelecem um fosso entre as duas principais forças políticas do País, mas não disse uma única palavra sobre a defesa de uma política econômica liberal.

O substituto de Jair Bolsonaro na disputa presidencial também deu asas à teoria conspiratória de que o “Estado profundo” do ex-presidente americano Joe Biden, adversário de Donald Trump, interferiu nas eleições brasileiras para levar o “socialista” Lula de volta ao poder. E pediu que os americanos monitorem as eleições deste ano, dando a entender que, se não vier a ser declarado vencedor, é porque os votos não foram contados corretamente.

VALORES CONSERVADORES – O discurso na CPAC serviu para relembrar o fato de que Flávio Bolsonaro não pertence à direita moderada – que, entre outras coisas, se caracteriza por defender os valores conservadores de forma negociada, com respeito ao pluralismo existente na sociedade, e por colocar a agenda econômica liberal e o compromisso com o jogo democrático em primeiro plano.

A retórica antissistema, conspiracionista e de culto personalista a um líder carismático, como se viu no discurso de Flávio, não é um traço da direita tradicional e moderada. Tampouco o é a estratégia de lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, que em 2022 evoluiu para uma tentativa fracassada de golpe de Estado.

Os marqueteiros provavelmente vão treinar Flávio Bolsonaro em oratória e postura de palco, para não mais balançar de um lado para o outro enquanto discursa. Mas transformá-lo em um moderado, no “Flávio paz e amor”, vai ser uma tarefa bem mais desafiadora. O conteúdo contradiz a forma.