Testemunha do caso do golpe, ex-chefe da FAB rejeita Lula e Flávio Bolsonaro em 2026

Brigadeiro Baptista Júnior defende reforma na Defesa

Marcelo Godoy
Estadão

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, de 65 anos, está preocupado. Diante do conflito no Oriente Médio e na Ucrânia e da ação do governo de Donald Trump na Venezuela, o homem que comandou a Força Aérea Brasileira (FAB) deu a primeira entrevista a um jornal desde que deixou o comando da Força, ao término do governo de Jair Bolsonaro.

Tornou-se, então, uma das principais testemunhas sobre a tentativa de golpe, que levou o ex-presidente e outros 16 militares à condenações que, somadas, chegam a 348 anos e 7 meses de prisão. BJ, como é conhecido, manifestou-se após os chefes das Forças Armadas terem entregado ao governo um plano de investimentos de R$ 800 bilhões para até 2040, para o Ministério da Defesa enfrentar a era dos drones.

UNIFICAÇÃO – Disse que só investimentos não bastam e apontou a necessidade de um comando unificado na guerra moderna, como o adotados pelos EUA em 1986. Durante a entrevista, o brigadeiro tratou da nova estratégia americana para a Segurança Nacional e o uso das Forças Armadas no combate ao narcotráficos.

Também tratou do processo no STF, de suas relações com oficiais do Exército para impedir o golpe e contou sua avaliação sobre o papel dos militares na República, inserindo nela a atuação de alguns personagens, em 2022.

POSTURA DE GARNIER – Ele defendeu a legalidade, a hierarquia e a disciplina e revelou o que mais o preocupou na tentativa de golpe em 2022: a postura do almirante Almir Garnier, que rompeu a unidade dos comandos das três Forças. Garnier foi condenado a 24 anos de prisão. Baptista Júnior também tratou dos ataques ordenador pelo general Walter Braga Netto à sua família. E defendeu a revisão de algumas condenações, como a do general Paulo Sérgio de Oliveira.

O ex-comandante da FAB definiu-se como um liberal, um homem de direita. E anunciou: vota em 2026 em qualquer candidato, menos em Lula e em Flávio Bolsonaro. “É preciso romper com os populismos.”

O presidente Lula citou os riscos à soberania nacional pela falta de investimentos na área e o senhor o criticou. Qual é a parcela de responsabilidade dele e do Congresso na atual condição da Defesa Nacional?
O presidente Lula tem uma característica de adequar o discurso à audiência. Nessa reunião com o presidente da África do Sul ele combateu a ideia que, para se ter a paz, é preciso se preparar para a guerra. E, logo depois, ele falou em dissuasão. Realmente, eu acho que o papel do Brasil tem de ser de dissuasão. Como o próprio Celso Amorim, quando era ministro da Defesa, falou: “Nós podemos ser um tigre manso, mas não desdentado”.

A dissuasão é muito importante e o ponto focal do problema, para mim, é a percepção de ameaça, porque o brasileiro não tem a percepção de ameaça, a classe política e o governo não têm. É muito difícil, a partir de um orçamento que tem apenas 8% de despesas discricionárias e entre elas, R$ 50 bilhões são para emendas parlamentares. O que sobra para as Forças Armadas e para os outros ministérios, logicamente, é muito pequeno.

A partir desse orçamento engessado, vejo com muita felicidade iniciativas como, por exemplo, a do ministro José Múcio, tentando de alguma forma vincular as despesas da Defesa a algum índice. Fala-se em 2% do PIB, ou 2% da da Receita Corrente Líquida. Isso é muito importante. O fato é que nós estamos – as três forças, o sistema de defesa brasileiro – em uma situação descendente preocupante já há algum tempo, e não é deste governo, é nos últimos 30 anos. Outro fator tão importante quanto o dinheiro é o tempo. Há os projetos estratégicos já em andamento e ações que devem ser empreendidas.

O que mudou para que algumas autoridades estejam buscando soluções para a atual situação das Forças Armadas?
Certamente, a percepção de ameaças à soberania brasileira. A América do Sul tem sido caracterizada como uma região de paz prolongada, com exceções de conflitos fronteiriços bilaterais e esporádicos. No Brasil, nosso último conflito armado foi a Guerra da Tríplice Fronteira, ocorrida em meados do século 19. Tal fato desenvolveu em nossa população, inclusive em grande parte de nossos militares, uma baixa percepção de que o País poder ser ameaçado por outra nação ou atores não estatais ou transnacionais.

Junte-se a isso o entendimento das enormes carências sociais da população brasileira, e teremos o resultado atualmente bastante visível: nossas Forças Armadas não estão preparadas adequadamente para o cumprimento de sua missão-fim. Em síntese, nossa capacidade militar está, já há algum tempo, incompatível com o bem maior que deve proteger: o Brasil.

Essa mudança em busca de soluções foi iniciada ainda durante a campanha presidencial nos Estados Unidos, com as ideias expansionistas do então candidato Trump, como podemos exemplificar pelas propostas relacionadas ao México, Canadá e Groenlândia. Já após tomar posse, o presidente Trump, quase que em uma reedição da Doutrina Monroe – A América para os Americanos, emitiu a nova Estratégia de Segurança Nacional 2025. O documento é descrito por analistas como uma “declaração de missão” pessoal do presidente, focada no realismo ofensivo. Ele ignora o tom diplomático tradicional e foca em resultados transacionais imediatos, refletindo muito mais a visão direta da ala mais fiel ao America First do que o consenso burocrático das agências de inteligência.

Some-se a isso a operação feita em território venezuelano, para captura do ditador Nicolás Maduro, os ataques ao Irã e os primeiros movimentos para uma nova guerra ao narcotráfico na América Latina, e temos nos ofuscando uma “luz vermelha” nos lembrando que “a guerra é a continuação da política por outros meios”, como ensinou Carl von Clausewitz.

O que significa esta “luz vermelha”?
A difícil constatação de que nossas Forças Armadas não estão minimamente preparadas para os conflitos modernos. Que o grau de dissuasão militar está muito reduzido.

O senhor acredita que o País tem essa percepção de ameaça?
Não, o Brasil não tem. Inclusive, muitos oficiais e oficiais-generais não têm. Então, se nós não tivermos essa percepção de que o ticket deste seguro chamado Forças Armadas tem que ser compatível com o bem que nós estamos protegendo, a área de defesa jamais terá a prioridade necessária. Sei que o Brasil está cheio de carências sociais, né? E é muito difícil convencer as pessoas sobre essa “luz vermelha”, mas é necessário e urgente.

O senhor está falando sobre um possível conflito com uma grande potência?
No caso brasileiro, a emissão da Estratégia Nacional de Defesa de 2008 trouxe uma evolução na doutrina de emprego das Forças Armadas brasileiras, que deixaram de planejar para “hipóteses de guerra” para confrontos diretos com vizinhos para “hipóteses de emprego”, base para a obtenção das capacidades necessárias a diversas características do emprego das Forças Armadas. A partir do processo de “planejamento baseado em capacidades” e da disposição do governo em aportar mais recursos para as Forças Armadas, certamente, iremos melhorar a situação atual, mas penso que outras decisões são pré-requisitos para uma aplicação eficiente dos recursos e do tempo disponível.

O Exército apresentou um plano ao governo de investimentos de R$ 456 bilhões. Ao todo, a Defesa afirma que seriam necessários R$ 800 bilhões até 2040. Mas o senhor diz que não basta só dinheiro. O que precisa mudar na estrutura das Forças Armadas?
Servi dois anos como Chefe de Operações Conjuntas no Ministério da Defesa, podendo constatar que, a exemplo do processo ocorrido nos Estados Unidos, a partir de 1986, precisamos de alterações na estrutura de Defesa do Brasil, na qual cada Força ainda detém poderes da época anterior à criação do Ministério da Defesa, em 1999, quando tínhamos quatro ministérios militares. Arrisco-me a dizer que, em muitos aspectos, as forças individualmente têm mais poder do que o próprio Ministério da Defesa.

Sei da contrariedade que muitas dessas minhas visões causam nos oficiais-generais da ativa e da reserva, de todas as Forças, mas a subordinação da Marinha, do Exército e da Força Aérea a um Estado-Maior Conjunto seria a primeira e mais importante modificação. O chefe deste Estado-Maior deveria ter precedência sobre todos os demais militares do Brasil.

Em segundo lugar, é preciso definir de forma precisa as missões das Forças Armadas, que, ao meu ver, seriam apenas de organizar, treinar e equipar nossa Marinha, Exército e Força Aérea; elas não teriam mais nenhuma missão de emprego, que passariam a ser executadas por comandos operacionais conjuntos permanentes.

Outro ponto a ser resolvido como pré-requisito à alocação de novos recursos é a discussão das capacidades necessárias de cada Força, decididas com base nos interesses do emprego, do tempo necessário, das possibilidades de inclusão das indústrias nacionais como beneficiárias de acordos de offset. Precisamos sentar os almirantes, generais e brigadeiros em um mesmo ambiente, a fim de priorizar projetos estratégicos como o submarino, o Sisfron, sistemas de defesa antiaérea, mísseis hipersônicos ou para aviões de reabastecimento aéreo e aeronaves de alerta aéreo.

Diante do que observamos na Ucrânia e no Oriente Médio, a antiaérea não seria uma necessidade urgente?
Em 1995, definiu-se que a defesa antiaérea no Brasil seria de responsabilidade do Exército, cabendo à Marinha e à FAB a autodefesa de seus pontos sensíveis. Ouço que a FAB pensa em comprar o sistema alemão, e o Exército, o italiano. Mas, antes de escolher qual sistema e quais camadas ele terá, é necessário decidir se essa defesa será de dentro para fora ou de fora para dentro, quais áreas sensíveis ela vai proteger, se ela servirá para atacar os meios ou os armamentos em si, como mísseis e drones? Se é melhor ter um Gripen lá na fronteira, ou ter uma antiaérea de grande alcance? Porque o Brasil é muito grande.

Primeiro temos de rediscutir e redefinir as responsabilidades de cada Força antes de pensar quais são as infraestruturas críticas, o que a gente vai defender. Só dinheiro não resolve o problema. É preciso que haja entendimento entre as três Forças. É preciso definir as hipóteses de emprego e quais inimigos se pretende dissuadir. Trata-se de uma ameaça regional de médio porte, por exemplo? Você tem o Plano de Defesa Aeroespacial do Brasil. Esse plano não é um plano só do Exército; é um plano do Comando de Operações Aeroespaciais, um comando conjunto responsável pelo comando da defesa do espaço aéreo brasileiro, que utiliza meios das três Forças Armadas.

A experiência do senhor no Ministério da Defesa o convenceu da necessidade de um Estado-Maior Conjunto?
É necessário redistribuir o poder em diversas decisões que ficaram nas forças e colocá-lo embaixo de uma pessoa. Uma vez dei uma palestra aqui no Comando Militar do Planalto e eu falei isso. Era uma sexta-feira. Quando cheguei em casa, o general Fernando, que era o ministro, me ligou e falou: “Pô, BJ, faz um favor, alguém apresentou um troço lá, que três ex-comandantes da Marinha já me ligaram para reclamar”. Falei: “De quê?” “Negócio de subordinação, das Forças”. Eu falei: “Não precisa, fui eu que falei de verdade”. “Ah, então tá bom, então eu não quero saber nada não.” Então, essa é uma discussão muito difícil. Mas eu acho que a gente tem de encarar isso, sabe?

Nessa minha experiência no CHOC (Comando de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa), eu vi que é muito mais fácil. Era eu e o general José Eduardo (Pereira), depois, ele foi comandante aí em São Paulo, grande amigo. Ele era meu vice e depois ele virou CHOC. Nós cunhamos o slogan de que “juntos somos mais fortes” e fizemos isso porque não tínhamos absolutamente nenhum problema de tenente-coronel para baixo. Mas a força institucional, a dificuldade do oficial general entender que juntos nós somos mais fortes era um problema que foi, talvez, o que um general americano quis dizer para mim sobre esse mesmo processo, que eles enfrentaram nos anos 1980: ele só acaba quando aquele cara que entrou na Academia Militar antes da mudança for embora. É um problema cultural.

Apesar disso, o senhor acha que a interoperabilidade das Forças Armadas evoluiu com o Ministério da Defesa?
Certamente esse é o ponto de maior destaque nesta fase após 1999, quando foi criado o MD. Entretanto, há dois aspectos que gostaria de destacar: a maior integração e crença no lema de que “juntos somos mais fortes” entre os oficiais de menor patente em comparação aos oficiais generais e a grande importância aos recursos que os exercícios e operações conjuntas podem representar para a sobrevivência de cada Força. Necessário, entretanto, serem integrados não apenas a doutrina de planejamento e emprego, mas equipamentos, como rádios e IFF (Identification Friend or Foe, sistema de identificação para evitar fogo amigo), sistemas de comando e controle e processos decisórios sem os quais as decisões poderão não ser as melhores para o todo, mas para uma determinada Força Armada. A falta de recursos não favorece a confiança mútua.

Ao mesmo tempo que buscam mais recursos, as Forças têm procurado fabricantes nacionais para garantir autonomia e desenvolver a base industrial da Defesa. Como o senhor analisa esse movimento?
Essa pergunta me exige fazer uma análise inicial sobre o papel da SEPROD (Secretaria de Produtos de Defesa), do MD (Ministério da Defesa). A SEPROD foi criada na reestruturação do Ministério da Defesa, pelo então ministro Nelson Jobim, com base na Direction Générale de l’Armement (DGA). A DGA é a agência governamental francesa responsável pela aquisição de equipamentos de defesa, desenvolvimento de novas tecnologias e exportação de armamentos. Diversos países têm, em suas estruturas estatais, agências similares à DGA francesa. Infelizmente, e após mais de quinze anos, a SEPROD não conseguiu se contrapor ao poder decisório das Forças Armadas, não tendo atingido, até o momento, os objetivos vislumbrados por Nelson Jobim. São 27 anos de Ministério da Defesa. Não é pouco. Essa reestruturação depende de um poder político para impor isso às Forças, pois ninguém abre mão do poder facilmente.

O que seria necessário para FAB garantir um mínimo de dissuasão?
Eu não falo em nome da FAB, mas acredito que o número adequado de Gripens seria de 66 aviões, divididos em três bases, com 22 aeronaves cada. No caso da FAB, isso significa um poder de dissuasão. Mas ele depende de inteligência operacional, de sensoriamento remoto e de aviões reabastecedores. Se temos poucas aeronaves, quanto mais tempo elas puderem permanecer em voo sem gastar tempo para reabastecer no solo, melhora o uso do caça. Em razão disso, o Brasil precisa priorizar os aviões de reabastecimento, além de caças e aviões de patrulha. Outro ponto que devemos enfrentar é a visão e percepção das missões subsidiárias. As Forças não devem ter a preocupação de usar seus recursos para aquisição de meios para essas missões.

Comandante, um outro tema está consumindo o debate no País: a nova estratégia nacional de defesa dos EUA que priorizou a segurança do hemisfério ocidental e transformou o narcotráfico em ameaça à segurança nacional, tratando-o como organização terrorista. Isso pode ter consequências para o Brasil. O que o senhor acha da pressão para que as Forças Armadas da América Latina sejam usadas no combate ao crime?
A FAB já abateu diversos aviões do narcotráfico. Um deles vinha do Peru. No governo Obama, todo mês de outubro, o governo americano emitia um documento dizendo que o nosso processo era muito bom. Nós nunca acertamos um avião errado. Até porque nós temos uma inteligência e uma proximidade com a Polícia Federal muito boa. É um procedimento com radar, com inteligência. Você imagina isso numa estrada no interior do Mato Grosso, ou seja, é muito preocupante colocar as Forças Armadas no nível de combate ao narcotráfico mais baixo, por problemas de corrupção, por problemas de perda da visão de missão. A Força Aérea, na verdade, não combate o narcotráfico, ela combate a utilização ilegal do espaço aéreo, tanto que, se o avião pousar, a Força Aérea não pode atirar no avião que está no chão.

Além de não ser apropriado esse uso das Forças Armadas, como por exemplo o México fez, esse desejo americano também é uma política que não interessa ao Brasil?
No sentido de uso do instrumento não. É evidente que a gente tem que combater o narcotráfico. E acho que nós ficamos refém da interpretação que os Estados Unidos possam dar de nossa decisão com consequências ruins para o Brasil. Porque ele pode usar essa ou outra lei no dia que acertar um alvo errado ou no dia em que não houver erro, entendeu? Acho que podemos ficar refém da aplicação de sanções com base em leis americanas, não ao bel prazer do governo dos Estados Unidos, mas por questões políticas e não técnicas. Mas o principal seria que nossos militares perderiam o foco de qual é a missão deles, que é a defesa da Pátria. Mas o Brasil tem sabido como tratar essa situação e será respeitado.

Seria quase que a transformação das Forças Armadas em forças policiais?
Sim, em forças policiais.

Comandante, agora, sobre o processo do STF. Sei que o senhor pode dizer: “tudo o que tinha para dizer, já disse no Supremo”. Mas eu queria saber qual o custo pessoal desse processo para o senhor e o custo para as Forças Armadas de todo esse processo que o senhor vivenciou? Foi um processo doloroso?
Eu vou falar sobre isso, mas vou falar de uma pessoa só. Eu não sei te precisar, mas vou dizer que foi um processo que durou uns 6 meses… Logicamente, que todos nós vemos o que acontece no Brasil. E eu fui reler o livro – e até botei na minha mídia aqui – 1889. Reli muito nesse ano passado, sabe? Porque eu precisava refletir sobre tudo o que aconteceu. Então, li alguns livros: li 1889, li A Democracia na América e um livro maravilhoso: O Soldado Absoluto.

Sobre o marechal Lott?
Sim. Porque eu precisava degustar isso. Eu precisava digerir isso. Há uns seis meses – acho que no programa do William Waack – esteve o presidente da Atlas/Intel. E aí, no meio da discussão, ele estava apresentando uma pesquisa e trouxe um número preocupante porque mostra como está a nossa sociedade. Ele disse que tinha um número que nunca havia divulgado, que naquele período, que nós estamos tratando aqui, de novembro e dezembro de 2022, 30% da população adulta do Brasil não encararia qualquer artifício que fosse usado pelo ex-presidente Bolsonaro para se manter no poder como um golpe de Estado. Isso é muito sério. Se tivesse decretado Estado de Sítio, Estado de Defesa, GLO (Garantia de Lei e Ordem), qualquer coisa para não passar o poder no dia 1.º de janeiro. Veja: 30% da população adulta não encarava isso como algo inconstitucional. Isso para mim foi, de tudo o que eu vivi, o mais perigoso, porque 30% é muita gente. O risco é identificar uma parcela com o povo. Povo não é bolsonarista, não é lulista, não é esquerda, não é católico. Povo somos nós: 212 milhões.

A palavra povo passou a ser usada por todas essas bolhas, como se este ou aquele representasse o povo. O povo somos nós todos, que, como diz aqui Locke, fizemos um contrato social para a gente viver em sociedade. E olha que você sabe, você me criticou algumas vezes sobre isso, eu era muito alinhado com os princípios, que eu sou um homem de direita…

O senhor sabe que lembrei do exemplo do brigadeiro (José Ribeiro) Meira (de Vasconcelos), que sofreu muito em razão da invasão da política nos quartéis da FAB depois de voltar pluriconderado da guerra na Itália…
Sim. Meira era amigo de Moreira Lima, de Rui Moreira Lima (brigadeiro, também veterano do 1º Grupo de Aviação de Caça e condecorado na Itália, Lima foi cassado pelo regime militar, em 1964). O próprio Nero Moura (comandante do 1º Grupo de Avição de Caça, na Itália), que deixou de ir à Santa Cruz (Base Aérea), falou: “Enquanto uns que combateram na minha ala não puderem entrar numa base aérea, eu também não entro”. Não entrou. Meu pai morreu no dia 13 de janeiro (brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, que comandou a FAB de 1999 a 2003). E meu pai é um grande exemplo da minha vida. Isso aqui é a dedicatória que ele escreveu nesse livro (o brigadeiro abre o livro 1889) assim: “1889, o modo pelo qual o Exército brasileiro foi entronizado como Poder Moderador da República Federativa do Brasil”. Então, 30% queriam um golpe.

E eu tinha o meu limite. Algumas coisas, a maneira como nós três (almirante Almir Garnier, general Paulo Sérgio de Oliveira e o brigadeiro) assumimos estará no livro que estou escrevendo, a maneira como foi trocado o general Fernando (Azevedo e Silva, então ministro da Defesa, e os 3 chefes das Forças foram demitidos por Jair Bolsonaro em 29 de março de 2021), cada um tem a sua leitura.

O senhor está escrevendo um livro?
Comecei a rascunhar aqui… Mas, então, 30% queriam. Então, tinha muita gente que queria. Como disse lá no meu depoimento, mantive o Alto Comando informado do que estava acontecendo, entendeu? Falei (aos brigadeiros): “Vou dar um exemplo do meu pai. Meu pai, na Revolução de 64, estava no Congo e o comandante do esquadrão sumiu. E nós não podemos sumir. Então, eu quero saber o que vocês acham de cada coisa.”

Eu tinha muito bem estabelecido qual era o meu limite como cidadão, como legalista. E eu tinha deixado isso muito claro em algumas entrevistas que eu dei para Andrea Jubé, logo no início do meu comando, depois para Tânia Monteiro e no final, acho que deixei muito clara a minha posição numa entrevista que eu dei para o Igor Gielow, cujo título foi: “Brig Baptista Jr – Militares vão prestar continência a Lula ou a qualquer outro”.

Eu acho que a partir desse momento, todo mundo sabia a minha opinião, inclusive os demais comandantes. E que, isso daí, essa discussão, começou desde que Lula foi solto, foi “descondenado”. Então, esses 30% fizeram muita pressão, a reserva fez muita pressão. Recebo muitos ataques até hoje, inclusive em grupos com membros de oficiais da reserva e da ativa, com mais antigos dando péssimos exemplos aos mais novos. São, em sua maioria, viúvas do golpe que sonharam e apoiaram pelas suas telas de celular, que pensam representar todos os patriotas do País. Outros, são apenas “bobos da corte”, míopes quanto ao seu poder de influenciar os que se mantêm nos limites legais, acreditando no sistema democrático de freios e contrapesos.

Como é que foi conviver com isso e como o senhor imagina que isso impactou as Forças?
Eu falei que eu fui reler alguns livros aqui, né? Algumas coisas me incomodavam. Você já leu A Trincheira Tropical, do Ruy Castro? Foi o melhor livro que eu li no ano passado. Uma pena que meu pai já estava no hospital. O primeiro capítulo fala do movimento integralista. O capítulo 2 fala da Aliança Libertadora Nacional. Aí eu falo com os bolsonaristas radicais, o que vocês acham que era a história do movimento integralista, baseado no fascismo? Você sabe como é que eles se chamavam? Os patriotas. Vocês sabem como era o lema deles? Deus, Pátria e família. Eu fui ler alguns livros, como a biografia do Eduardo Gomes. E eu digo para você que não consigo, baseado em hierarquia e disciplina, ler este livro e ver até 1930, o papel e a maneira como oficiais de diversos níveis hierárquicos se imiscuíram na política, patrocinaram quarteladas, como foi a Proclamação da República.

E os 18 do Forte, depois de 1924, e isso vai até 1932. Esses tenentes que saíram do Forte de Copacabana atacaram o Exército. E os dois que não foram mortos, Eduardo Gomes e Siqueira Campos, não foram porque se jogaram na areia da praia.

Em 1955, era Exército contra Exército. A Revolta da Armada, as revoltas que oficiais da Aeronáutica promoveram em Jacareacanga e Aragarças, tudo. Essas coisas, a gente tinha de ter estudado mais, sabe? Eu fico com vergonha ao estudar a segunda revolta da Armada, Aragarças e Jacareacanga.

E agora eu vou voltar para 2022: eu falei para você que ia citar uma coisa que me machucou. Nenhum desses ataques me incomodou a ponto de ter qualquer fissura nas convicções sobre o que eu fiz. Era eu que estava lá. E a posição foi muito clara. Lógico que a ação contra minha a família me machucou, mas o que mais me incomodou – e eu não vou falar da Marinha, pois estou falando de uma pessoa –, porque isso é tão sério, foi a tentativa de quebrar a unidade de pensamento das três Forças. Isso para mim foi o mais sério de todo esse processo.

Eu estou falando de uma pessoa. Você nunca me ouviu falar que a Marinha era a favor de qualquer coisa errada. Eu nunca falei da Marinha. Mas a tentativa de romper o consenso, a unidade de pensamento das Forças e dos seus comandantes, isso para mim é um problema. Eu acho que isso é muito sério. Tão sério como a Revolta da Armada, como os 18 do Forte do Exército ou de Jacareacanga e Aragarças: o papel do Garnier (Almir Garnier, então comandante da Marinha).

Eu pensava que o senhor ia falar do Braga Netto, em função daqueles ataques à sua família?
Eu tinha relação pessoal; eu, ele, meu pai, a família.

Como é que fica isso, brigadeiro, dentro da família militar?
Eu trabalhei na presidência do Fernando Henrique, no projeto Sivam. Minha mesa era do lado dele (Braga Netto). É lógico que sinto. Acho que algumas punições, só que eu não sou juiz, mas posso achar, foram exageradas. E acho que isso aí vai acabar sendo repensado, revisado. Eu nunca achei que o Paulo Sérgio (de Oliveira, ex-ministro da Defesa) tivesse queda para qualquer virada de mesa. Eu temo que o Paulo Sérgio seja injustiçado, porque em todas as relações que nós tivemos, ele foi para baixar a bola, foi para acalmar.

Brigadeiro, o caso dele seria diferente de quem executou a operação psicológica para tentar encurralar o Alto Comando do Exército? Algo que o camarada sabe desde o momento que entra por aquele portal, ali em Resende (Academia Militar das Agulhas Negras), que isso ele não pode fazer?
O sujeito não pode. Não. Eu fui ler esses livros aqui porque fiquei abismado de ver todos esses movimentos. Se você olhar o tenentismo era isso, era um tenente conspirando para derrubar o coronel. Isso é muito sério. Hierarquia, é isso aí. Passou no portal, é hierarquia e disciplina.

Ou seja, isso não tem relação com o sujeito ser de esquerda ou de direita. Isso tem relação com a instituição militar, com você querer degradar ou não a instituição?
Exatamente. Você sabe que eu tinha muita preocupação dessa não unanimidade. As Forças Armadas precisavam de unanimidade. Para mim, isso sempre foi muito claro. O Exército é muito grande. Eu conheço mais a Força Aérea, sentava na cabeceira daquela mesa e olhei nos olhos de todos eles e tivemos uma conversa. Por isso que, quando acabou meu depoimento na Polícia Federal, lá em março de 24, o delegado perguntou: “O senhor quer adicionar mais alguma coisa?” Eu falei: “Quero. Quero que o senhor deixe aí registrado que foi uma posição minha e unânime do Alto Comando da Força Aérea”. Eu acho que isso eu devia a eles e à nossa unanimidade. E, logicamente, eu escutava essas coisas do Exército. Sei que o Exército é muito grande, é muito espalhado e tem um uma postura mais subjetiva.

Vou usar agora a expressão do (cientista político Samuel) Huntington que você usa: o Exército tem uma subordinação mais subjetiva ao Poder Civil. São culturas diferentes, entendeu? E, então, acho que a dita não unanimidade do Alto Comando do Exército, isso me preocupava bastante. Porque eu sei que lá, em 64, muitas pessoas foram traídas, caíram, foram cassadas, não sabia nem onde que estava. Mas eu conversei com alguns oficiais, logicamente além do Freire Gomes (general Marco Antonio Freire Gomes, comandante do Exército), como o (Valério) Stumpf (então chefe do Estado-Maior do Exército), o (Guido) Amin (então integrante do Alto Comando do Exército) e com uma outra pessoa que eu tenho muito respeito, o general (Sérgio) Etchegoyen (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional). Conversei umas duas vezes longamente com ele (Etchegoyen) e eu sei que ele conversava com oficiais do Exército e me deixou muito tranquilo.

E em relação ao senhor, aos ataques ao senhor naquela época?
Acho que o que ajuda a levar porrada são as suas convicções. No STF, fui depor no processo do núcleo do (ex-major) Ailton Barros, aquele que o Braga Netto manda mensagem sobre mim. Ele me arrolou como testemunha de defesa dele. Foi uma página triste, mas só para ficar claro: aprendi que o que faz os Estados Unidos serem os melhores são duas palavrinhas: law enforcement (cumprimento da lei). Isso serve para (Daniel) Vorcaro, serve para STF, serve para qualquer um de nós, no trânsito ou sentado em um tribunal.

Recentemente o senhor afirmou em uma rede social que votaria em qualquer candidato da direita, menos no filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por quê?
É porque eu acho que ele não está preparado para ser presidente. Aí também alguém me atacou. Eu acho que o Flávio é o mais ponderado dos filhos do Jair Bolsonaro. Talvez, durante o governo dele, eu achasse que o que tinha mais potencial – não acho mais – era o Eduardo. Hoje eu acho Flávio o mais ponderado. A esposa dele foi dentista da Força Aérea. Eu tenho, ou tinha, não sei, uma relação boa com ele. Como o próprio (Mauro) Cid (tenente-coronel) falou lá atrás, ele foi ponderado nesse período, nunca foi de inflamar para fazer nada de errado. Mas acho que nós temos de sair desses dois populismos (lulismo e bolsonarismo).

Eu pessoalmente acho que o Brasil tem de se livrar desses populismos que estão parasitando nossa sociedade. Porque o populismo é antes de mais nada, o populista é egoísta. Não há interesse público, há só o interesse deles, o interesse político de manutenção de poder, de roubar.

Acho que o Brasil merecia um outro. O Flávio tem um sobrenome que leva a gente a não sair dessas bolhas, sabe? Eu acho que quem perde são os 212 milhões (de brasileiros). Então, eu acho (Ronaldo) Caiado um bom candidato, Ratinho (Júnior), um bom governador, assim como o do Rio Grande Sul (Eduardo Leite) e o de Minas, o Romeu Zema. Acho que temos bons candidatos e uma boa oportunidade para não sermos algozes e vítimas do nosso futuro.

Mendonça enfrenta Alcolumbre (e Lula) e manda que CPI do INSS seja prorrogada

André Mendonça é relator do pedido de prorrogação e da investigação sobre irregularidades no INSS.

Mendonça está mostrando que é um ministro de verdade

Levy Teles
Estadão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), faça a leitura do pedido de prorrogação dos trabalhos da CPI do INSS. Mendonça deu 48 horas para Alcolumbre atender a determinação.

Caso não o presidente do Senado não faça a leitura prorrogando os trabalhos da comissão, Mendonça determinou que a CPI ficará autorizada a continuar os trabalhos. A decisão do magistrado diz que a prorrogação deverá observar o tempo que a minoria no Congresso considerar necessário para concluir as investigações.

120 DIAS – No pedido de prorrogação da comissão, o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG) sugeriu 120 dias, para ter mais segurança. No entendimento dele, porém, o prazo de mais 60 dias já poderia ser o suficiente para a conclusão dos trabalhos.

A aliados, Alcolumbre disse que a prerrogativa de adiar os trabalhos ou não é dele. Ele irá aguardar a comunicação formal para decidir o que fará. Viana inicialmente protocolou o pedido de prorrogação da CPI a Alcolumbre. O presidente do Congresso optou por não se posicionar sobre o tema, causando queixas de Viana.

No começo deste mês, Viana deu um ultimato a Alcolumbre: ou ele analisava o pedido ou o presidente da CPI iria pedir para que o STF agisse. Sem posição do presidente do Congresso, o senador foi à Suprema Corte na semana seguinte ao ultimato.

OTIMISMO NA CPI – Tanto Viana como o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), manifestavam otimismo com a prorrogação após Mendonça ter sido confirmado como relator do pedido de prorrogação da CPI.

No cronograma inicialmente previsto, Viana determinou esta quarta-feira, 25, para a leitura do relatório e o dia seguinte para a votação. Mas o otimismo era tamanho que ele planejava até mesmo interromper da leitura do relatório de Gaspar para anunciar a continuidade dos trabalhos se a decisão chegasse ao mesmo tempo.

Com a prorrogação, Viana apresentará um novo calendário para a CPI, dando continuidade a requerimentos já aprovados, como as oitivas do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-chefe da autarquia Roberto Campos Neto.

PT TENTA MELAR – Nesta segunda-feira, 23, o governo já tentava engatar negociações com o relator. O líder do grupo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que planeja um relatório paralelo para derrotar o parecer do relator, conversou com Viana e Gaspar.

Gaspar trabalha intensamente na elaboração do relatório final. Ele permaneceu em Brasília neste final de semana para revisar o documento ainda em elaboração, que já tem mais de 5 mil páginas.

Servidores que trabalham com o relator dizem que o texto já tem mais de 200 indiciados. Gaspar, porém, analisa cada um deles para saber se poderão ser acusados de algum crime no documento final.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O objetivo do Planalto é evitar a incriminação de Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, e de Frei Chico, que é irmão do presidente. Mas há evidências de que os dois realmente se envolveram na fraude sinistra e impiedosa, que desviou dinheiro de aposentados e pensionistas. Vamos aguardar. (C.N.)

Outubro longe, mas Lula não esconde o nervosismo e anda chutando o vento 

Altos índices de rejeição deixam Lula nervoso e irritadoVicente Limongi Netto

Lula anda dando coices em aliados pertos ou distantes. Fez check-up recentemente, nada de doenças graves, apenas catarata, já removida. Mas os 80 anos nas costas desde já fazem parte do vasto arsenal de maldades dos adversários contra ele.

Bolsonaro doente, perto de cumprir pena em casa. Petistas, aliados, seguidores, correligionários, admiradores e o próprio Lula pedem a Deus para o ex-presidente doente não partir agora para outro plano da vida. 

VÍTIMA E MÁRTIR – Se morrer antes das eleições, Bolsonaro será uma dor de cabeça ainda maior para Lula, porque vira vítima e mártir.  Há  poucos dias, frisei e lamentei aqui na Tribuna que Lula, no Rio, foi duro sem necessidade com Bolsonaro.

Deu tiros no próprio pé, liquidando o tal contraditório que defendo, julgo indispensável, sensato e justo, porque, muito doente, Bolsonaro não pode retrucar os insultos de Lula. Os filhos respondem por ele. Levam Lula para as cordas do ringue.

Impossível negar, as eleições estão nas ruas. Palanques bons e ruins montados. Quem for podre que se quebre. PT joga duro. Mas os adversários não temem mais repudiar as agressões do petista.

Cunhado de Vorcaro injetou R$ 48,5 milhões em empresa usada para pagar ‘Sicário’

Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024

Vinícius Cassela
Vladimir Netto
G1

O empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma aplicação na Super Empreendimentos no valor de R$ 48,5 milhões em 2022, de acordo com a declaração de Imposto de Renda.

A Super é uma empresa apontada pela Polícia Federal como sendo utilizada pelo grupo para “prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro” para a “turma”, que seriam as pessoas que faziam o trabalho miliciano de Vorcaro, como os que eram prestados pelo “Sicário”, Luiz Felipe Mourão. De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024.

DECLARAÇÃO DO IR – A informação consta na declaração de Imposto de Renda de 2022 feita pelo próprio Zettel. O documento foi solicitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado à Receita Federal.

Na declaração, Zettel informa que fez o aporte de R$ 48,5 milhões na forma de um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Na prática, ele transferiu dinheiro para a empresa sem precisar pagar o imposto sobre transações financeiras (IOF), cobrado quando o envio de dinheiro do sócio é para aumento do patrimônio social da empresa, por exemplo. O G1 entrou em contato com as defesas de Vorcaro e Zettel, mas nenhuma delas respondeu.

PATRIMÔNIO –  A declaração do Imposto de Renda de Zettel ainda aponta que, em 2022, ele tinha um patrimônio de R$ 189 milhões. Os bens eram constituídos, principalmente, de imóveis e participações em empresas, como a Super. Só naquele ano, adquiriu R$ 15 milhões em relógios e joias. A declaração ainda mostra que o patrimônio dele quase que triplicou entre 2021 e 2022, saltando de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões.

A declaração ainda diz que o pastor faturou R$ 139 milhões naquele ano por meio de lucros em seu escritório de advocacia e que doou R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“SICÁRIO”Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, ficou conhecido como “Sicário” de Vorcaro, após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. As investigações apontam que “Sicário” tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Os investigadores mencionam também uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, e indica que ele atuaria como ‘longa manus’ (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização.

O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.

Ratinho Jr. desiste de disputar Presidência em 2026 e diz que cumprirá mandato no PR

Governador filiado ao PSD disse que tomou decisão no domingo

Sérgio Quintella
Samuel Lima
O Globo

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desistiu de concorrer à Presidência da República nesta segunda-feira, 23. Em nota enviada pela Secretaria de Comunicação de sua gestão, o político disse que tomou a decisão no domingo à noite “após profunda reflexão com sua família”. Ele já teria comunicado a decisão ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Segundo o colunista Lauro Jardim, o favorito para a vaga agora é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A decisão do governador ocorre quatro dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, informar que decidiu apoiar o lançamento como postulante ao governo do estado o nome do senador Sergio Moro (União), que deverá se filiar ao PL em breve. “O Ratinho é um grande quadro, inegavelmente, com uma boa avaliação, mas cada partido tem direito de lançar seus pré-candidatos. A informação que nós temos é que ele será o candidato pelo PSD, portanto, temos que tomar decisões a partir do posicionamento dele”, disse Flávio.

FAVORITISMO – Como mostrou O Globo na semana passada, Ratinho era o favorito para ser o escolhido entre um trio de governadores presidenciáveis do PSD, que contava, além de Caiado, com o gaúcho Eduardo Leite. Era quem, dos três, estava filiado há mais tempo à sigla de Kassab.

O paranaense também aparecia numericamente melhor colocado do que a dupla em pesquisas como o Datafolha, no início deste mês, em que marcou 7% das intenções de voto — mas ainda distante dos favoritos ao segundo turno, o presidente Lula (PT), com 46%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, com 43%, em cenários com margem de erro de dois pontos percentuais.

ANTECIPAÇÃO – Kassab deve anunciar quem será o candidato a presidente da sigla ainda esta semana, possivelmente na próxima quarta-feira, 25, mas a assessoria evita dar detalhes do evento. Inicialmente, a ideia era definir a questão até dia 15 de abril, mas os pré-candidatos pressionaram pela antecipação, alegando que era preciso reduzir a distância para o prazo de desincompatibilização dos cargos.

Ratinho Júnior é filho do apresentador de televisão Carlos Massa, o Ratinho, que fez carreira no SBT e possui outorgas de radiodifusão no Paraná e em São Paulo. O político diz que, após concluir o mandato em dezembro deste ano, presidirá o Grupo Massa, retornando ao setor privado.

NOTA:

“O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.

Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.

O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações. Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.

Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.

Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.

CGU abre investigação contra ex-diretores do BC por ligação com Daniel Vorcaro

Servidores  estão sendo investigados na esfera criminal

Camila Bomfim
Márcio Falcão
Isabela Camargo
G1

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu nesta segunda-feira (23) uma investigação interna para apurar a conduta de ex-diretores do Banco Central apontados como “consultores” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A investigação mira atos e decisões tomadas por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, no período de 2019 a 2023. O objetivo da investigação é apurar a conduta administrativa de ambos. Na esfera criminal, eles já estão sendo investigados.

SANÇÕES – O Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) vai durar dois meses e, se confirmadas as suspeitas, vai levar a sanções no serviço público. A depender da gravidade das condutas apuradas, o processo pode resultar em advertência, suspensão ou até mesmo na demissão do serviço público.

No caso de Paulo Sérgio, as investigações se baseiam na suspeita de simulação de operações societárias e patrimoniais, incluindo a possível venda fictícia de uma fazenda para uma empresa ligada ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

IRREGULARIDADES – Já com relação a Belline Santana, as suspeitas têm relação com supostas irregularidades na prestação de consultoria privada para o Leonardo Palhares, um dos alvos da Operação Compliance Zero. A empresa dele, a Varajo Consultoria,é apontada como “conta de passagem” para ocultar a origem ilícita dos pagamentos.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, descreveu os funcionários do Banco Central como uma espécie de consultores privados de Daniel Vorcaro.

Sem Bolsonaro, comando da direita vira campo de batalha entre Michelle e Flávio

Michelle assume articulação no DF após desgaste de Ibaneis

Luísa Marzullo
O Globo

O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação de Jair Bolsonaro produziram, em poucos dias, um deslocamento no comando do bolsonarismo.

No DF, onde o escândalo atingiu o entorno do governador Ibaneis Rocha e desmontou o principal eixo de organização da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar o espaço de articulação e a interferir diretamente na definição de candidaturas. Ao fazer isso, entrou no mesmo terreno de Flávio Bolsonaro e transformou uma disputa até então restrita aos bastidores em conflito concreto sobre os palanques de 2026. Procurados, Michelle e Flávio não comentaram.

BANCO MASTER – O ponto de inflexão foi a crise envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo local, especialmente no caso do BRB, banco estatal de Brasília. O desgaste se agravou após a revelação de que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38 milhões relacionado à venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por participação no esquema associado ao banco de Daniel Vorcaro.

A reação foi imediata: o PL protocolou na Câmara Legislativa um pedido de CPI para apurar a atuação do BRB e cobrar explicações do governo. Na prática, o movimento selou o rompimento com Ibaneis, até então aliado do bolsonarismo e interessado em disputar o Senado com apoio da sigla.

Sem o governador como polo organizador, a articulação no DF mudou de mãos. Parlamentares passaram a procurar diretamente Michelle, que assumiu a interlocução com pré-candidatos e passou a dar aval próprio a cenários eleitorais. Esse avanço ocorreu ao mesmo tempo em que Flávio mantinha, a partir de Brasília, a condução da estratégia nacional do partido, baseada na montagem de palanques mais amplos.

INCOMPATIBILIDADE  – No Distrito Federal, a divergência já se traduz em projetos incompatíveis. Michelle passou a sustentar uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis e a defender a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) ao Buriti. O desenho é visto por aliados como mais conectado à base bolsonarista e ao eleitorado evangélico, mas enfrenta resistência de dirigentes que veem risco de contaminação eleitoral pelo desgaste do governo Ibaneis.

— A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente — afirmou Bia Kicis.

ALTERNATIVA – Do outro lado, aliados de Flávio trabalham para viabilizar o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita capaz de reduzir a exposição do grupo ao caso Master. A hipótese é rechaçada pelo entorno de Michelle:

— Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora — disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos).

REARRANJO – A carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão, no início do mês, reforçou esse rearranjo. No texto, o ex-presidente pede que aliados parem de pressionar Michelle, critica ataques vindos da própria direita e afirma que orientou a ex-primeira-dama a se envolver mais diretamente na política apenas após março. A mensagem foi lida no partido como um sinal verde para que ela assumisse protagonismo.

O protagonismo de Michelle pode ser reforçado se a prisão domiciliar para Bolsonaro for concedida. Aliados relatam que a eventual concessão do benefício é vista como ponto de virada para sua atuação política. Fora do hospital e com Bolsonaro em casa, ela ganharia margem para intensificar agendas, organizar encontros e retomar a articulação de forma mais sistemática.

PESO POLÍTICO – Michelle acompanha de perto o tratamento à pneumonia que o marido contraiu, organiza a rotina do ex-presidente e mantém o envio diário de refeições preparadas por ela, encaminhadas por intermédio de seu irmão de consideração, Eduardo Torres. No entorno do PL, esse papel deixou de ser visto apenas como pessoal e passou a ter peso político: é ela quem controla o acesso, o ritmo e, em parte, a própria capacidade de Bolsonaro de voltar a se inserir no debate.

Enquanto isso, Flávio concentrou-se na interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes na terça-feira para fazer um apelo à domiciliar. Michelle abriu uma frente própria e acionou aliados como o governador Tarcísio de Freitas, que esteve com ministros do Supremo na quinta-feira e levou o tema à mesa.

PONTO DE RUPTURA –  O Ceará virou o caso mais explícito do choque entre as duas estratégias. Flávio decidiu retomar a aproximação com Ciro Gomes e planeja viajar ao estado em abril para tentar fechar o apoio do PL ao ex-ministro. A negociação envolve a composição da chapa majoritária, com discussão sobre a vice, e espaço ao partido na disputa pelo Senado. A aposta do senador é usar a aliança para abrir caminho no Nordeste, onde o PL ainda tem dificuldade de estruturação. O movimento, porém, encontrou resistência direta de Michelle.

Alinhada ao senador Eduardo Girão (Novo) e a nomes do PL local, como a vereadora Priscila Costa, a ex-primeira-dama passou a atuar contra o acordo. Nos bastidores, a avaliação é que ela considera a associação com Ciro incompatível com a base bolsonarista e tem pressionado para que o partido mantenha um palanque próprio ou alinhado a nomes mais identificados com o eleitorado conservador.

Apesar da resistência, a tendência dentro do partido é que o movimento de Flávio avance. O senador tem viagem prevista para a primeira semana de abril ao Ceará, quando deve anunciar o apoio a Ciro.

ALIANÇA –  Em Minas Gerais, o conflito aparece no desenho do palanque. Flávio tenta estruturar uma chapa competitiva com o senador Cleitinho (Republicanos) e ampliar interlocução com setores do empresariado, incluindo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Michelle, por sua vez, mantém proximidade com o deputado Nikolas Ferreira, que prefere o vice-governador Mateus Simões (Novo).

Em São Paulo, a disputa se concentra no tamanho do espaço que o PL deve ocupar no principal palanque da direita no país. Flávio tem pressionado para ampliar a presença do partido na chapa de Tarcísio de Freitas, com foco na vice-governadoria, hoje ocupada por Felicio Ramuth (PSD). Interlocutores relatam que o senador passou a defender, nas últimas semanas, a substituição do vice por um nome do PL, como André do Prado, ou a filiação de Ramuth à legenda.

CRISE – Michelle atua na direção oposta. No entorno da ex-primeira-dama, o argumento é que a vontade de Tarcísio deveria ser respeitada. O governador argumenta que mexer na vice pode abrir uma crise desnecessária com o PSD e desgastar um palanque que hoje funciona.

No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida diretamente por Flávio e por Valdemar Costa Neto, sem participação de Michelle. O episódio reforçou, entre aliados da ex-primeira-dama, a percepção de que decisões relevantes vêm sendo tomadas sem sua participação. A madrasta de Flávio não tem participado de nenhuma das reuniões que ele tem conduzido na sede do PL e no QG da campanha, no Lago Sul. Publicamente, contudo, o discurso é de unidade:

— Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro — disse o deputado Cabo Gilberto Silva.

PGR muda posição e apoia prisão domiciliar para Jair Bolsonaro por razões de saúde

Decisão será do ministro Alexandre de Moraes

Mariana Muniz
O Globo

A Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta é a primeira vez que a PGR é favorável à mudança de regime mais benéfica para o ex-presidente.

“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, diz a manifestação.

FLEXIBILIZAÇÃO – Ainda de acordo com a PGR, a evolução clínica de Bolsonaro, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, “recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas”.

“Aqui também se impõe conciliar o regramento genérico da legislação infraconstitucional com as características peculiares do caso concreto, sob o enfoque das exigências elementares que decorrem dos princípios constitucionais da preservação da vida e da dignidade da pessoa humana”, apontou Gonet.

Segundo o procurador-geral da República, atualmente existe um quadro em o atendimento do que é postulado pelo ex-presidente “encontra apoio no dever dos Poderes Públicos de preservação da integridade física e moral dos que estão sob a sua custódia, até como projeção concretizadora dos fundamentos estruturantes do Estado Democrático de Direito”.

ATENÇÃO CONSTANTE – “Está demonstrado que o estado de saúde do postulante da prisão domiciliar demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”, escreveu.

A manifestação foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. O ministro abriu prazo para manifestação após o envio, pelo Hospital DF Star, de informações detalhadas sobre a internação do ex-presidente.

Bolsonaro foi transferido para a unidade de saúde no último dia 13, depois de apresentar um mal-estar na cela onde está custodiado, no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília.

CONCESSÃO – Na quarta-feira, a defesa do ex-presidente havia solicitado a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando o quadro clínico de Bolsonaro. Diante do pedido, Moraes determinou que o hospital encaminhasse, em até 48 horas, o prontuário médico completo, incluindo exames realizados, medicações administradas e avaliação das condições gerais de saúde.

Com o recebimento dos documentos, o ministro decidiu ouvir a PGR antes de analisar o pedido da defesa. Caberá ao órgão se manifestar sobre a eventual concessão da domiciliar, à luz das informações médicas apresentadas.

REGIME FECHADO – Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, após condenação em ação penal julgada pelo STF. A análise do pedido de prisão domiciliar ocorre em meio a avaliações dentro da Corte sobre os impactos jurídicos e políticos de uma eventual mudança no regime de cumprimento da pena.

Como mostrou O Globo, um grupo de ministros do STF avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa.

O Brasil aprendeu muito com a Arte Matuta do poeta Patativa do Assoré

PATATIVA DO ASSARÉ, O POETA QUE CANTAVA "AS VERDADES DAS COISAS DO  NORDESTE" - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções 

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Arte Matuta”.

ARTE MATUTA
Patativa do Assaré

Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra.
Foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.

Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais,
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.

Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo.
Aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou,
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.

Jingle de Flávio Bolsonaro ataca Centrão e chama terceira via de “sequelada”

Primeira derrota no STM amplia risco de Bolsonaro ter cassada a patente de capitão

Às vésperas da prisão, Daniel Vorcaro buscou na internet quem julgava seu caso

Jogo de poder por trás do silêncio de Vorcaro indica uma delação sob medida

Vorcaro tenta organizar delação em “capítulos”

Pedro do Coutto

O avanço das negociações para a delação premiada de Daniel Vorcaro revela mais do que um escândalo financeiro de grandes proporções — expõe, sobretudo, a tentativa de controle narrativo em uma das crises mais sensíveis do sistema político-institucional brasileiro recente.

Em artigo publicado simultaneamente no O Globo e na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari toca num ponto central: a delação não é apenas um instrumento jurídico, mas também uma disputa estratégica sobre o que será dito — e, principalmente, sobre o que ficará de fora.

“EM CAPÍTULOS” – Vorcaro, no epicentro do colapso do Banco Master, tenta organizar sua colaboração em “capítulos”, separando os eixos de corrupção que teriam sustentado o esquema que levou à quebra da instituição. Não se trata de mero detalhe técnico. Trata-se de um movimento calculado para compartimentar responsabilidades, diluir conexões e, eventualmente, proteger áreas mais sensíveis de sua atuação.

O problema é que a própria natureza do escândalo dificulta qualquer tentativa de isolamento narrativo. As investigações da Polícia Federal apontam para uma estrutura complexa, com múltiplos núcleos — financeiro, político, institucional e até de obstrução de justiça — operando de forma interligada . Em outras palavras, não há “capítulos independentes” quando o enredo é sistêmico.

Enquanto isso, a Polícia Federal ainda assimila o volume de informações e tenta reconstruir o fluxo das operações que, segundo estimativas, podem configurar a maior fraude bancária da história do país . Nesse intervalo, Vorcaro busca reposicionar-se: de operador central do esquema a colaborador-chave capaz de direcionar o foco das investigações.

INEDITISMO – Essa tentativa de pautar a própria delação não é inédita na política brasileira, mas ganha contornos mais delicados quando envolve relações com o Judiciário e o núcleo do poder em Brasília. Há indícios de conexões com autoridades e movimentações que ultrapassam o campo estritamente financeiro, alcançando zonas de influência institucional .

É nesse ponto que o alerta de Gaspari se torna particularmente relevante. Ao discutir decisões e movimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, o colunista sugere que a forma como certos processos são conduzidos — inclusive com eventuais bloqueios de acesso a informações — pode reforçar a percepção pública de opacidade e seletividade. Não se trata apenas de legalidade, mas de legitimidade.

A delação de Vorcaro, caso homologada, terá efeito cascata. Poderá abrir novos inquéritos, fortalecer investigações em curso e atingir figuras que hoje orbitam fora do alcance direto das apurações . Mas esse potencial explosivo depende de um fator essencial: a integridade do conteúdo revelado.

RISCO DE RUÍDO – Se o acordo nascer fragmentado, guiado por interesses de sobrevivência política e jurídica, corre-se o risco de produzir mais ruído do que esclarecimento. Se, por outro lado, vier acompanhado de provas consistentes e sem blindagens seletivas, poderá reconfigurar o tabuleiro político nacional.

O Brasil já assistiu a esse roteiro antes. A diferença, agora, é a escala — e o nível de interdependência entre os atores envolvidos. O caso Banco Master não é apenas um escândalo financeiro. É um teste de resistência das instituições. E, como todo teste dessa natureza, seu resultado dependerá menos do que se sabe até aqui — e mais do que ainda se tenta evitar que venha à tona.

Na História da Humanidade, é preciso cultuar heróis como Daniel Ellsberg

Morre aos 92 anos Daniel Ellsberg, que vazou os 'Papéis do Pentágono' e  expôs a verdade sobre a Guerra no Vietnã

Sozinho, Ellsberg enfrentou o governo dos EUA e venceu

Deu no site
Estudos Históricos

Outubro de 1969. Daniel Ellsberg estava em um escritório emprestado, depois da meia-noite, passando documentos confidenciais por uma copiadora, página por página. Cada folha era um crime federal. Cada cópia podia significar prisão por toda a vida.

Ele não era um radical. Nem imprudente. Era um ex-fuzileiro naval, doutor por Harvard, analista de alto nível do Pentágono. Tinha acesso aos maiores segredos do país. E acabara de ler 7 mil páginas que provavam que seu próprio governo mentia há 25 anos.

PAPÉIS DO PENTÁGONO – Os documentos ficaram conhecidos como Pentagon Papers — um histórico confidencial da participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, encomendado pelo secretário de Defesa Robert McNamara.

O que revelavam era devastador. Quatro presidentes — Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson — sabiam que a guerra era impossível de vencer. E ainda assim enviaram jovens para morrer. Diziam ao público que a vitória estava próxima, enquanto, em privado, admitiam que nunca viria. Em 1969, mais de 40 mil americanos já haviam morrido.

Ellsberg tinha uma escolha: proteger sua carreira, sua liberdade, sua família… ou expor a verdade. Ele escolheu a verdade.

TOP SECRET – Mas copiar 7 mil páginas sozinho, durante a noite, era lento e angustiante. Qualquer carro passando poderia ser o fim. Então ele tomou uma decisão extraordinária: chamou seus filhos para ajudar: Robert, 13 anos. Mary, 10.

Enquanto o filho operava a copiadora, Mary se sentava no chão com uma tesoura, cortando cuidadosamente os carimbos “TOP SECRET” de cada página.

Anos depois, ele explicaria que esperava ser preso em breve. Queria que seus filhos vissem que ele fazia algo necessário — com calma, consciência e propósito. Queria que entendessem que, às vezes, a consciência exige sacrifício.

CAMINHOS OFICIAIS – Durante dois anos, tentou os caminhos “oficiais”. Procurou senadores, congressistas. Todos recusaram. Então, em 1971, entregou os documentos ao The New York Times.

Quando começaram a ser publicados, o governo reagiu com fúria. Pela primeira vez na história dos EUA, tentou impedir judicialmente um jornal de publicar informações. O bloqueio ao NYT veio.

Ellsberg respondeu entregando os documentos ao The Washington Post, depois a outros jornais. A verdade se espalhou mais rápido do que podia ser censurada. O então presidente Richard Nixon não queria apenas conter o vazamento. Queria destruir Ellsberg.

INVASORES – Criou uma unidade secreta chamada “Plumbers”, que invadiu o consultório do psiquiatra de Ellsberg em busca de algo que pudesse desacreditá-lo. Não encontraram nada. Mas cruzaram uma linha.

Ellsberg foi acusado de espionagem, roubo e conspiração. Enfrentava até 115 anos de prisão. O julgamento começou em 1973. Mas, aos poucos, os abusos do próprio governo vieram à tona: invasões ilegais, manipulação, tentativa de suborno do juiz.

O caso desmoronou. Em 11 de maio de 1973, todas as acusações foram anuladas por má conduta governamental. Ellsberg saiu livre. O impacto foi gigantesco. Os documentos confirmaram o que muitos suspeitavam: o governo mentiu sistematicamente sobre a guerra.

WATERGATE – A confiança pública foi abalada. A pressão aumentou. O rumo do conflito começou a mudar. E houve uma consequência inesperada. A mesma equipe que invadiu o consultório de Ellsberg esteve envolvida depois no escândalo de Watergate — que acabaria derrubando Nixon.

Ellsberg não apenas expôs mentiras sobre a guerra. Ajudou, indiretamente, a revelar a corrupção no coração do poder.

Ele viveu até 2023, aos 92 anos, como ativista contra a guerra e defensor de denunciantes. Nunca se arrependeu. E aquelas crianças que o ajudaram? Cresceram entendendo algo raro, que ser cidadão, às vezes, exige coragem.

UMA LIÇÃO ETERNA – Aquelas duas crianças aprenderam que fazer o certo nem sempre é fazer o seguro. Que o pai delas escolheu a consciência acima do conforto — e elas viram isso de perto.

Os Pentagon Papers não acabaram imediatamente com a guerra. Mas mudaram para sempre a forma como as pessoas enxergam o poder.

Porque, às vezes, o ato mais patriótico não é obedecer ordens. É dizer a verdade — mesmo quando o próprio governo chama isso de traição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aqui na Tribuna da Internet não costumamos publicar textos sem assinaturas. Sempre procuramos identificar o autor, mas desta vez não conseguimos. O texto foi enviado por José Guilherme Schossland, sempre atento, que o extraiu do Facebook, no site Estudos Históricos. É uma lição emocionante, que mostra a importância da dignidade e do espírito público, que precisam ser valorizados neste mundo tão confuso, injusto e desigual. (C.N.)

Depois do Prerrogativas, site petista também ataca TV Globo e GloboNews

Relação dos ligado a Vorcaro está revoltando os petistas

Listagem dos ligados a Vorcaro está revoltando os petistas

Lucas Vasques
Fórum

Após a emissora de notícias das Organizações Globo, a Globo News, ter levado ao ar na tarde desta sexta-feira (20) uma ilustração sobre o escândalo do Banco Master distorcendo fatos e omitindo e minimizando o papel de personagens que seriam centrais no caso, diversas críticas têm sido feitas ao grupo de comunicação.

O formato utilizado pela emissora remete ainda ao PowerPoint utilizado pelo ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, que apontava o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como centro da suposta organização criminosa investigada pela força-tarefa. Pela apresentação, Dallagnol foi condenado pela Justiça a pagar R$ 146 mil em indenização por danos morais a Lula.

LULA E MANTEGA – Embora o escândalo do Banco Master tenha implicado até agora praticamente só nomes da direita e figuras ligadas ao bolsonarismo, a peça feita pela emissora mostrava próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro, no centro da imagem, fotos do presidente Lula, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do “PT da Bahia” e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda que tenha sido na gestão de Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro, que Vorcaro tenha conseguido autorização para assumir o controle do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Banco Master.

O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sergio Neves de Souza, também da gestão de Campos Neto, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, foram apontados pela Polícia Federal (PF) como “funcionários” ou “consultores informais” de Vorcaro. E o Master firmou convênio com o INSS para operar o crédito consignado em 2020, também no governo Bolsonaro.

MUITO GRAVE – Nada disso pareceu fazer com que a Globo fizesse a equivalência correta na sua ilustração. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como “muito grave” o episódio.

“É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint. Sinceramente, eu achei que depois do PowerPoint do Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa através de um PowerPoint”, declarou, em vídeo publicado nas redes sociais.

“As duas campanhas do Brasil que receberam mais dinheiro nas últimas eleições foram as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas. E eles não aparecem, não aparecem no PowerPoint da Rede Globo”, acrescentou, mencionando alguns nomes omitidos pela emissora.

PRÁTICA COMUM – Não é a primeira vez em que as Organizações Globo são acusadas de interferirem em processos eleitorais ou pré-eleitorais. A extrema direita costuma tecer teorias conspiratórias, mas os fatos apontam que é a esquerda quem foi alvo de coberturas enviesadas, falsificações e distorções.

Um dos casos emblemáticos envolve as primeiras eleições diretas para governador durante o processo de abertura política, no fim da ditadura iniciada com o golpe de 1964. No Rio de Janeiro, a empresa Proconsult, que contava com militares em sua direção, venceu a licitação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para totalizar os votos no estado, mesmo sem contar com nenhuma experiência no setor.

O professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Mauro José de Souza Silveira, analisava no trabalho “O caso Proconsult” os embates na apuração das eleições para o governo fluminense em 1982 a diferença entre a cobertura do Jornal do Brasil e do grupo Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem cita também outras distorções políticas e eleitorais das Organizações Globo, como a “edição” manipulada do debate entre Collor e Lula, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz, a campanha movida contra Brizola em toda a gestão, e a omissão da cobertura da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já. Esse ataque por parte do Fórum, um site intersindical apoiado pelo governo Lula, vem se somar às acusações do Grupo Prerrogativas para abrir, em ano eleitoral, uma desnecessária guerra contra as Organizações Globo, que deste o início vinha apoiando e poupando Lula e agora terá de mudar de lado, por óbvio. (C.N.).

Tudo por dinheiro! PT investiga um genro de Silvio Santos, envolvido no caso Master

PGR pede reabertura de inquérito contra Fábio Faria por propinas da Odebrecht – CartaCapital

Fábio Faria atuava no STF em defesa de Daniel Vorcaro

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais surrealista, devido à abrangência do escândalo do banco Master, que incrimina autoridades dos Três Poderes, incluindo dois ministros do Supremo – Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. E as apurações a cargo da Polícia Federal estão enveredando por cenários verdadeiramente inesperados.

É o caso da investigação sobre o ex-deputado Fábio Faria (PP-RN), casado com Patrícia Abravanel, apresentadora de programas no SBT. Segundo a força-tarefa que apura o escândalo, o genro de Silvio Santos era íntimo do banqueiro Daniel Vorcaro e aparece diversas vezes nas mensagens dos celulares do dono do Master.

FARIAS OU FARIA? – O ex-deputado Fábio Faria é filho do político Robinson Farias, que passou a assinar “Faria” para simular parentesco com Wilma Faria, então governadora do Rio Grande do Norte, e ganhar votos dos eleitores dela. Com essa manobra, cresceu na política como deputado, presidiu a Assembleia, foi eleito vice-governador e depois tornou-se governador.  

Robinson Farias (ou Faria) elegeu seu filho Fábio deputado federal em 2006 e lhe garantiu mais três mandatos. Em 2022, porém, Robinson sentiu que perderia a eleição ao Senado e decidiu se candidatar à Câmara, fazendo com que o filho abandonasse a política e passasse a se dedicar exclusivamente aos interesses da família Farias (ou Faria).

Na Câmara, Fábio foi um fracasso e só conseguiu aprovar um projeto que considera relevante – a lei 13.111, em 2015, obrigando as agências a informar ao comprador a situação de regularidade dos carros e motos usados, como eventuais multas, impostos e taxas a pagar etc. E era chamado de galã, devido a seu sucesso com mulheres famosas, como a atriz Priscila Fantin e as apresentadoras Adriane Galisteu e Sabrina Sato, antes de se casar em 2017 com Patrícia Abravanel.

TUDO EM FAMÍLIA – A Polícia Federal já levantou que Fábio operava diretamente para o Master representando não somente o pai, mas também o tio, Ricardo Mesquita de Faria (ou Farias), responsável pelos nebulosos negócios empresariais da família, que incluem projetos conjuntos com Vorcaro, como a empresa Super Empreendimentos e Participações S/A.

Esta sociedade anônima é sediada em São Paulo, atua no setor de participações societárias e era administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, embora esteja registrada em nome dos diretores Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva.

Os peritos da Polícia Federal já decifraram mensagens entre Fábio Faria e Vorcaro, que comprovam a atuação do ex-deputado como operador do banqueiro no Supremo e revelam sua intimidade também com o ministro Dias Toffoli. E surgem cada vez mais informações sobre a família Faria (ou Farias)

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P.S. –
É difícil saber se a arte imita a vida ou se ocorre o contrário, com a vida imitando a arte. Nesse intrigante episódio, é certo que vida e arte se misturam, com Fábio Faria demonstrando admiração enorme por Silvio Santos, a ponto de dar o nome de Senor Abravanel a um de seus filhos e também seguir o lema “Tudo por Dinheiro”. (C.N.)

Delirante, Vorcaro acha que vai mandar na delação e poupar ministros do STF

Daniel Vorcaro comandou 'organização criminosa' no Banco Master, diz PF Relatório citado em decisão do ministro Dias Toffoli revela que os crimes na mira do inquérito do STF envolvem uma longa lista

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Elio Gaspari
O Globo

Daniel Vorcaro é uma pessoa audaciosa e o que ele fez com o banco Master comprova essa característica. Da cadeia, ele sinalizou que partirá para a delação. Até aí, tudo bem, mas em apenas uma semana ele soltou sinais de fumaça, indicando que pretende ser o maestro do espetáculo.

Quando estava solto e tentava ser recebido pelo ministro Fernando Haddad, ele avisava: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.

PARECE BIPOLAR – Enquanto a Polícia Federal digere o conteúdo de seus oito celulares, os primeiros sinais revelaram-no simultaneamente ameaçador e conciliador. Ameaçou revelar suas conexões com o PT e levantou uma bandeira branca para as ligações com magistrados, revelando que não pretende envolver o Supremo Tribunal Federal na sua delação.

Vorcaro achou que controlaria o Banco Central dando capilés a pelo menos dois funcionários. Depois acreditou que paralisaria o BC indo a Lula com o consigliere Guido Mantega.

Quando deu tudo errado e o Master entrou em regime de liquidação, valeu-se de uma patrulha de blogueiros para intimidar o BC. Deu errado de novo e ele acabou preso pela segunda vez. Só então partiu para a delação, mas acredita que pode pautá-la.

UMA BOA PIADA – Vorcaro dizendo que não quer envolver magistrados com sua colaboração é uma piada. Uma delação controlada pelo delator é uma inversão dos papéis. Quem controla esse processo são funcionários da Viúva. Eles podem influir na fixação do tamanho da multa que será imposta a Vorcaro, bem como a extensão da pena que cumprirá.

Vorcaro tem um fraco por espetáculos, quer pelas suas festas, quer pelos seus patrocínios de farofas enfeitadas por parlamentares e magistrados. O melhor que pode lhe acontecer é transformar sua colaboração num espetáculo, colocando-se no papel principal.

Em 2013, quando a Receita dos Estados Unidos detonou a rede de roubalheiras no futebol, o empresário brasileiro José Hawilla foi preso e passou a colaborar com a polícia federal americana. Ele gravava conversas e era acompanhado por Jared Randall, um agente do FBI.

MULTA PESADA –  A certa altura depois de ter sido fixada uma multa de US$ 20 milhões a José Hawilla, garantida por um depósito de US$ 5 milhões, Randall sentiu-se na obrigação de lembrar ao colaborador: “Eu não sou teu amigo”.

O instituto da delação premiada não existe para fazer amizades/ e a colaboração de Vorcaro não pode avacalhar o processo.

Agora vai-se ver o que acontece com Vorcaro falando.

TSE barra ofensiva do PL contra Lula por fazer campanha no desfile do carnaval

Para se candidatar, Simone Tebet sai do MDB, mas no partido ninguém sentirá falta

Tebet: O Brasil não só tem tudo pra dar certo, como vai dar certo — Secretaria de Comunicação Social

Simone Tebet será uma ausência que preenche uma lacuna

Vicente Limongi Neto

É preciso ter grandeza para fazer política. Mas nem todo mundo entende isso. Simone Tebet deixa o MDB. Não fara a menor falta. Não deveria nem ter entrado no partido de Ulysses Guimarães, José Sarney, Mário Covas, Teotônio Vilela e Renan Calheiros. Como ministra do Planejamento, foi zero à  esquerda e à direita.

Simone cospe no prato que comeu e se lambuzou. No MDB, Tebet ganhou visibilidade. Que sirva de lição para o partido, que precisa passar a ser mais seletivo em suas escolhas.

A REBOQUE – Com mais de 800 prefeituras, não pode ficar eternamente a reboque do PT que tem menos de 300 prefeituras. O MDB precisa manter a dignidade e a grandeza, conquistadas em lutas democráticas.

Arrogante, dissimulada e pretensiosa, Simone Tebet foi para o PSB. Com apenas 15 prefeitos dos 645 em São Paulo. Não aparece nem com traço nas pesquisas para o senado. Mostra o que sempre foi.

Nas eleições para presidente do Senado, Renan Calheiros era o virtual eleito. Tebet disputou com Renan e perdeu na votação da bancada. No plenário, traiu Renan, que acabou perdendo para Davi Alcolumbre. O PSB, ao abrigar Simone Tebet, ganhou oceânico presente de grego. Bom proveito.

ELES TAMBÉM ACHAM… – Escrevi na Tribuna e reitero que, sem Neymar na seleção, o hexacampeonato fica ainda mais difícil.
Fico contente porque craques sem aspas, que deram glórias ao Brasil, como Romário, Ronaldo Gaúcho e Djalminha, também são taxativos e dizem que, sem Neymar, é melhor o Brasil nem ir  à Copa do Mundo.

Canetada de Fux trava nomes da direita e entrega vantagem a Paes na eleição indireta