É acertada a participação de forças militares na segurança do Rio e de São Paulo

Além da Caixa Econômica, o Centrão quer diretorias de Petrobras e Banco do Brasil

Charge do JCaesar | VEJA

Charge do JCaesar | VEJA

Vera Rosa
Estadão

Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu o sincericídio de dizer que o governo pode descumprir a meta de déficit zero para 2024, o apetite dos partidos do Centrão só aumentou. Em público, o discurso oficial é o de que o Executivo precisa fazer o ajuste das contas públicas. Nos bastidores, porém, a conversa é outra.

A cúpula do Centrão não se contentou com o comando dos ministérios do Esporte, dos Portos e Aeroportos nem com a presidência da Caixa Econômica Federal. Quer as 12 vice-presidências da Caixa, a Funasa ressuscitada e também diretorias do Banco do Brasil e da Petrobras, estatal que foi pivô do escândalo do petrolão.

PETROBRAS NO JEITO – A convocação de uma assembleia extraordinária da Petrobras para o próximo dia 30, com o objetivo de avaliar mudanças no estatuto social da empresa, foi interpretada no Congresso como a oportunidade para derrubar de vez os vetos estabelecidos pela Lei das Estatais a indicações políticas.

Em março, um mês antes de se aposentar, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski já havia suspendido, em decisão liminar, a regra que proíbe a nomeação de políticos (ministros, secretários e dirigentes de partidos, entre outros) para a direção de estatais.

Diante da confusão provocada pela notícia de mudança no estatuto da Petrobras, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, assegurou, na semana passada, que “não há qualquer redução nas exigências em relação à Lei das Estatais”.

EMENDAS OBRIGATÓRIAS – Nos últimos dias, o Centrão tem atuado, ainda, para embutir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) um dispositivo que obriga o governo a pagar emendas de liderança e de comissões, faça chuva ou faça sol.

Se prosperasse a meta de déficit zero, coisa em que ninguém mais acredita, Lula fatalmente teria de cortar algo em torno de R$ 53 bilhões do Orçamento no início de 2024, ano de eleições municipais. Nesse cenário, as emendas que destinam recursos para redutos eleitorais de parlamentares virariam pó.

Na sexta-feira, Lula admitiu naquele encontro, no Palácio do Planalto, que 2024 será um ano muito difícil. Não foi só: disse estar disposto a mudar a percepção da sociedade de que o governo “só pensa em pobre”. Há tempos o PT tenta, sem sucesso, conquistar a classe média.

INGENUIDADE – Lula critica a “ganância” do mercado, mas não a do Centrão. Nesta terça-feira, o presidente defendeu, mais uma vez, a aliança com esse grupo, que tem à frente o PP do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL). E indicou, de novo, que o País não precisa zerar o déficit.

”O fato de revisar a meta não significa que se vá gastar mais. Afinal, votamos o arcabouço fiscal para ter estabilidade econômica”, concordou o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias. “Mas o que dá estabilidade política é a execução do Orçamento. Não somos ingênuos de achar que não haverá problema em ano eleitoral.”

Ingenuidade, aliás, é uma palavra que não consta do dicionário político do Centrão. Por isso mesmo, a guerra continua.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que faz a tradução simultânea do que Lula diz, afirmou que “o problema é que o Centrão é insaciável”, como se ninguém ainda tivesse notado isso. (C.N.)

“Senhora Liberdade”, uma canção de amor que virou hino nas Diretas Já

A Arte Negra De Wilson Moreira E Nei LopesA Arte Negra De Wilson Moreira E Nei LopesPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes, em parceria com Wilson Moreira, na letra de “Senhora Liberdade”, postula a sua soltura, visto que o crime por ele cometido foi se apaixonar intensamente. Vale ressaltar que, esse samba de duplo sentido virou hino na campanha das diretas e faz parte do LP A Arte Negra de Wilson Moreira & Nei Lopes lançado, em 1980, pela EMI-Odeon.

SENHORA LIBERDADE

Wilson Moreira e Nei Lopes

Abre as asas sobre mim
Oh senhora liberdade
Eu fui condenado
Sem merecimento
Por um sentimento
Por uma paixão
Violenta emoção
Pois amar foi meu delito
Mas foi um sonho tão bonito
Hoje estou no fim
Senhora liberdade abre as asas sobre mim

Congresso está correto em tentar conter os exageros que o Supremo vem cometendo

Charge do Bier (Arquivo Google)

Conrado Hübner Mendes
Folha

O Supremo Tribunal Federal recebeu da Constituição de 1988 uma lista inédita de poderes e deveres. E a missão de proteger o projeto jurídico mais ousado da história nacional. O constituinte tinha razões históricas e institucionais para suspeitar que o Parlamento eleito, sozinho e sem constrangimento constitucional, não faria esforço pelas promessas de progresso.

Passados 35 anos, a desconfiança do constituinte no Parlamento provou-se um acerto. O excesso de confiança nos ministros do STF, um erro grosseiro.

PODERES INEXISTENTES – A maioria dos ministros do STF avacalhou essas responsabilidades. Construíram, na prática, poderes individuais não autorizados constitucionalmente. Praticaram a obstrução do colegiado e da agenda constitucional do país. Por meio do pedido de vista, fizeram valer a máxima “quando um não quer, 11 não decidem”; por meio da liminar monocrática, a máxima “quando um quer, decide sozinho, bota na gaveta e sonega do plenário”.

Para completar o pacote da autoimolação do STF, ministros normalizaram costumes promíscuos, suspeições e conflitos de interesse. Ridicularizaram a ética judicial.

Se a vida é a arte do encontro, a vida magistocrática é a arte do encontro privado contra o interesse público. Reuniões festivas e mui inocentes do Lago Sul à Praia do Forte, de Nova York a Lisboa. Têm até patrocínio para cobrir as despesas.

MINISTROS ABUSARAM – A democracia brasileira tolerou abusos de ministros contra a instituição do Supremo por tempo demais. Ministros se fizeram surdos às críticas contra arbitrariedades procedimentais e se encastelaram no autoelogio invocando decisões que tomaram na defesa de direitos sem reconhecer, em paralelo, o quanto corroboraram com violações de outros direitos e com a proteção consistente de certos interesses sociais e econômicos em prejuízo de outros.

Rosa Weber, em seu mandato na presidência da corte, conseguiu aprovar resolução “revolucionária” para mitigar o uso indiscriminado e injustificado de pedidos de vista. Estabeleceu prazo e rito que dificultam obstrução.

Ainda não se sabe o quanto essa resolução vai se fazer respeitar. Um estoque de pedidos de vista do passado remoto continua na gaveta.

CONTROLE DO DESCALABRO – O Congresso Nacional resolveu, mais uma vez, tentar controlar o descalabro. A PEC 08/2021 enfrenta duas aberrações bastante elementares: limita a concessão de liminar monocrática e o pedido de vista.

Não proíbe a concessão de liminares, apenas as monocráticas (sem impedir que situações de excepcional urgência ainda as justifiquem); não proíbe pedidos de vista, apenas o engavetamento sem prazo para voltar.

Curiosamente, a Lei 9868/99 já limitava o poder de liminar monocrática; o regimento interno do STF já dava prazo para o pedido de vista (mesmo antes da resolução de Rosa Weber). Mas o STF passou a desobedecer rotineiramente a essas regras. E nem sequer prestou contas. A iniciativa atual do Congresso é esforço inusitado e redundante para dizer ao STF que leis precisam ser obedecidas. Até mesmo pelo STF.

REAÇÕES DESTEMPERADAS – Não foi surpreendente que alguns ministros tenham reagido a essas medidas de modo destemperado. Os ministros de sempre. Por economia argumentativa, alegaram que tais regras violariam a independência judicial e a separação de Poderes. Portanto, claro, inconstitucionais. Raciocínio jurídico que cabe num meme.

Mais um hábito excêntrico da antiética judicial: antecipar aos microfones uma declaração de inconstitucionalidade de caso que ainda não surgiu. Mas o meme autoritário, assinado por ministro, já vai circulando nas redes.

IMPRENSA AMESTRADA – Parte do jornalismo se deixou enganar mais uma vez e repetiu os termos usados por ministros para distorcer. Acreditaram que essas regras “limitam poderes do STF”. Não perguntaram nem perceberam que, de fato e de direito, as regras fortalecem o STF ao controlar a arbitrariedade de ministros.

As falas e movimentos de atores jurídicos interessados (advogados, juízes etc.) seguem um certo padrão ilusionista, já não muito difícil de detectar e prevenir.

Quando repercute essas palavras e gestos de modo preguiçoso e servil, o jornalismo presta um desserviço cognitivo à esfera pública. E um serviço valioso à farra magistocrática.

Carne está mais barata, Lula e PT fazem alarde, mas não contribuíram com nada

preços da carne bovina

Com excesso de oferta, o preço da carne agora está caindo

Marcos Tosi
Gazeta do Povo

O mercado brasileiro vive um período de queda nos preços da carne bovina devido a um fenômeno conhecido pelos técnicos como ciclo pecuário. A oferta maior de boi gordo, que Lula e o PT trombeteiam como uma “promessa de campanha cumprida”, não tem qualquer relação com ações do atual governo.

Trata-se principalmente, dentre outros motivos, de resultado da ampliação dos rebanhos feita pelos pecuaristas há dois ou três anos, quando os preços da carne estavam em alta e uma nova administração petista ainda era apenas uma hipótese remota.

O ciclo atual, de aumento de oferta, coincide com redução dos preços pagos pelo boi-China (animal mais jovem) e com milho mais barato devido à safra histórica de 130 milhões de toneladas. Recebendo menos por arroba, os criadores temem entrar no vermelho e acabam se desfazendo de matrizes (fêmeas), o que resulta em ainda mais carne lançada no mercado.

QUEDA DOS PREÇOS – Diferentes projeções do IBGE, do banco Santander Brasil e da LCA Consultores apontam que 2023 deve fechar com deflação dos preços da carne entre 10% e 11,35%. Seria a maior queda desde o início do Plano Real, em 1994.

Uma tendência de mudança de ciclo pecuário que os petistas logo trataram de relacionar às promessas de campanha de Lula, que, em agosto de 2022, em entrevista ao Jornal Nacional, afirmou: “O povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha”.

Diante da deflação da proteína animal, o site do PT reproduz um tuíte do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta: “Lula prometeu e cumpriu (…) Prepara a brasa que o preço da carne despencou e vai cair mais!”. Outro que buscou faturar em cima dos preços do filé foi o deputado Rogério Correia (PT-MG), que também postou: “Lembra durante a campanha quando Lula dizia que o preço da carne ia cair? Pois é, ele cumpriu e prometeu”.

DISCURSO POPULISTA – Os petistas, assim, tentam faturar em cima do que não construíram, e nem sequer contribuíram para o resultado. “Foi uma grande sorte deles, pegaram o governo com esse discurso da picanha e com o ciclo pecuário ajustando para baixo. Seria especulação dizer que o Lula tinha conhecimento do ciclo pecuário, acho que foi um discurso populista mesmo (de carne mais barata), de prometer sem medir qualquer consequência”, avalia Lygia Pimentel, analista-chefe da consultoria Agrifatto (SP).

Lygia Pìmentel, que é economista e médica veterinária, lembra que a mesma retórica foi utilizada pelo presidente Alberto Fernandez, na Argentina, que prometeu baixar o preço da carne, mas se deu mal porque por lá o ciclo pecuário estava em viés de alta de preços.

Ironicamente, o mesmo governo petista que comemora agora a queda do preço da carne, sem ter contribuído para isso, poderá enfrentar em 2026, ano de eleição presidencial, uma situação oposta: bife mais caro, pressionado pelo ciclo pecuário de alta. Se isso se confirmar, o assunto “picanha”, festejado agora, poderá virar uma pedra no sapato da campanha eleitoral petista.

John Gray imita teses da “nova direita” e equipara liberalismo e totalitarismo

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O pensador John Gray encara a política com pessimismo

João Pereira Coutinho
Folha

Certa vez, em Lisboa, um historiador brasileiro fez-me uma pergunta interessante. Se eu pudesse salvar um só livro da história do pensamento político antes de um grande desastre, qual seria? Pensei uns segundos. Depois disse, naturalmente: “O ‘Leviatã’, do Hobbes”. Ele admitiu que era uma boa escolha, embora a sua opção fosse “Democracia na América”, de Alexis de Tocqueville.

Eis a diferença entre um pessimista (eu) e um otimista moderado (ele). Mas será que Hobbes era um pessimista? Depende da perspetiva. Se ficarmos no estado da natureza, onde a vida é “solitária, pobre, sórdida, brutal e curta”, não há motivos para festejar.

LEVIATÁ HUMANO – Mas a mensagem de Hobbes contém o gérmen da ordem liberal posterior. O Leviatã existe porque os homens quiseram que ele existisse, ou seja, é uma criação humana, fruto do consentimento humano.

Além disso, o seu fim é bastante limitado: garantir a paz e a segurança, nem que para isso tenha de “prender e arrebentar”, como dizia um antigo presidente brasileiro. O seu poder (quase) ilimitado procede desse fim. Hoje, rodeado por paternalismos de Estado em quase todas as áreas da minha vida, suspiro por uma versão democrática do Leviatã original: paz e segurança. O resto é comigo.

O filósofo John Gray também suspira no seu mais recente ensaio, sintomaticamente intitulado “The New Leviathans”. Mas Gray vai mais longe e escreve, sem sombra de ironia, que as nossas democracias liberais fazem lembrar os antigos regimes totalitários do século 20. Ou, para não irmos tão longe, estamos cada vez mais indistinguíveis da Rússia ou da China de hoje. Em quê?

MODUS VIVENDI – Voltemos a Hobbes: o Leviatã original estava apenas preocupado com a manutenção de um “modus vivendi” entre os diferentes indivíduos, deixando as suas almas em paz.

Os novos Leviatãs querem ir além disso. Querem controlar o que dizemos, pensamos e vivemos. São “engenheiros de almas humanas”, para usar as palavras do camarada Stálin.

Em vez de produzirem segurança, os novos Leviatãs produzem insegurança, porque induzem nos indivíduos o medo da discórdia e da “heresia”. Para Gray, isso não é defeito do liberalismo; é o resultado da sua evolução histórica.

PRIMEIRAS VÍTIMAS – O que começou por ser um projeto de limitação do poder, para que cada um perseguisse os seus fins de vida, acabou virando um projeto de libertação racional da humanidade rumo a um único fim. O pluralismo foi a primeira vítima. A tolerância foi a segunda.

Entendo o argumento de Gray: no clima censório em que vivemos, com meio mundo tentando cancelar outro meio, espíritos mais primitivos dirão que estamos de volta às ditaduras do passado.

Mas a comparação é tão absurda que bastaria apontar o óbvio: nas ditaduras do passado, ou até do presente, John Gray não veria o seu livro publicado. O mais provável, como livre-pensador, era estar na cadeia ou na sepultura por contestar a verdade incontestável do Estado.

ÚNICA VERDADE – A observação é óbvia, exceto quando não é. Sim, sou insuspeito de simpatias pela ideologia woke, pelas “políticas de identidade” e pela cultura de cancelamento que tenta fechar o debate pela imposição de uma única verdade.

Mas, ao mesmo tempo, sou capaz de reconhecer que essas paixões funestas são a expressão mais genuína de um universo pluralista, só possível em sociedades abertas.

Sou livre de ignorar essas paixões. Sou livre de criticá-las com as minhas paixões. Sou livre de me rir dos dois lados, optando sensatamente pela sensatez. Tudo privilégios interditos a quem viveu nos regimes totalitários. Além disso, se o Estado decide optar por um dogma único, atraiçoando a neutralidade liberal, sou ainda livre de participar do jogo democrático, de votar em alternativas, de mudar.

NOVA DIREITA – No fundo, John Gray, outrora um pensador sofisticado, apenas imita os panfletos da “nova direita”, que todos os meses decretam a morte do liberalismo e das democracias em que vivemos.

A única diferença é que Gray, no seu niilismo chique, nada propõe como alternativa. A “nova direita”, pelo menos, ainda alimenta a fantasia de um retorno a um passado mitificado, moralmente coeso, sem os excessos do individualismo.

São duas formas de absurdo. E o absurdo, já avisava Thomas Hobbes, é aquele privilégio “ao qual nenhuma criatura viva está sujeita, exceto o homem. E, entre os homens, os que professam a filosofia são os mais sujeitos a ele”. É uma pena que John Gray tenha escolhido essas frases como epígrafe do novo ensaio sem perceber a ironia que elas encerram sobre o seu triste caso.

Valdo Cruz ainda acha que Haddad vai insistir no déficit zero para 2024

Charge do JCaesar | VEJA

Charge do JCaesar | VEJA

José Carlos Werneck

Segundo informou o jornalista Valdo Cruz, em seu Blog em “O Globo”, o Ministério da Fazenda vai insistir na meta fiscal de 2024 com déficit zero. O jornalista diz que Fernando Haddad começou a semana em desvantagem, com a ala que defende um déficit de 0,25% do PIB para evitar cortes ganhando a disputa, mas vai terminando com novos adeptos e aliados, e a tendência é que a meta fiscal seja mantida.

Valdo Cruz diz que Lula deve voltar a discutir o tema nesta sexta-feira, com seus ministros. Ele quer saber se há viabilidade de o Governo conseguir aprovar as medidas de aumento de arrecadação para garantir zerar o rombo das contas públicas no ano que vem.

NOVAS PROPOSTAS – O artigo assinala que Haddad quer apresentar novas propostas para gerar aumento de receitas em 2024. Se tudo for possível, ele decidirá pela meta zero.

Segundo assessores do presidente da República, Haddad realmente ganhou força ao longo da semana, depois de ficar em desvantagem nessa discussão após o chefe ter praticamente jogado a toalha e dito que não quer cortar gastos.

Dentre os que defendem que não sejam feitos cortes no Palácio do Planalto, estão os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Esther Dweck, da Gestão.

MEXER NA LDO – Valdo Cruz vai além e diz que Lula vai ser aconselhado a não enviar uma mensagem modificativa do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) alterando a meta fiscal. O governo tem prazo até o início da semana que vem para tomar essa decisão, porque o relator da LDO, deputado Danilo Forte, vai apresentar seu relatório para ser votado ainda na primeira quinzena de novembro.

O relator espera os cálculos da equipe de Fernando Haddad sobre as perdas da União com as subvenções de ICMS concedidas pelos governadores, que derrubam a arrecadação federal desde 2017.

Antes, Haddad quer aprovar a MP 1185, que limita em 25% os efeitos das subvenções na arrecadação de IR e CSLL. O governo espera arrecadar R$ 35 bilhões com a MP. Até lá, o Ministério da Fazenda vai manter a sua meta de déficit zero. Se perder a batalha interna, a equipe de Haddad ainda vai manter o trabalho para tentar zerar o déficit no ano que vem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Valdo Cruz é um jornalista de coragem. Enquanto toda a imprensa aponta numa direção (traçada por Lula), ele aposta na direção contrária. Disse que Haddad tem “novos adeptos e aliados”, mas não mencionou nenhum deles. (C.N.)

Preferência atual por “populistas autoritários” está relacionada à criminalidade e corrupção

Charge de Iotti publicada em 18 de setembro  de 2019

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Marcos André Melo
Folha

Os resultados das eleições na Argentina e na Polônia levaram analistas a decretarem a morte do chamado voto econômico. Na Argentina, Massa logrou sair da terceira posição nas primárias para a primeira em um quadro de inflação de 140%, e expectativas de debacle financeira. Na Polônia, o PiS foi defenestrado, a despeito do PIB per capita ter aumentado inacreditáveis 31% nos últimos 8 anos que governou.

A relação entre economia e voto é um tópico clássico da pesquisa empírica em ciência política. O conhecimento acumulado é que a economia é o mais importante preditor em qualquer modelo. Mas a questão é complexa. Não se trata apenas da economia real, mas a percebida pelos eleitores, a qual expressa viés partidário.

POUCA INFLUÊNCIA – A avaliação da economia por eleitores do governo e da oposição pode variar em mais de 40%. Os eleitores não conseguem distinguir o efeito de políticas de outros fatores (choques).

Para além das respostas às pesquisas de opinião, a economia real influencia o voto de forma indireta porque produz sentimentos de mudança ou continuidade. O efeito é defasado: há evidências de memória curta por parte dos eleitores.

Pesquisas de séries temporais cobrindo décadas mostram que os eleitores reagem ao desempenho da economia no semestre anterior, e não ao mandato como um todo.

OUTROS FATORES – A escolha eleitoral tampouco é unidimensional: outros fatores importam. A disputa política é também uma disputa de narrativas rivais. Na Argentina, uma entre opção autoritária e semente do caos vs status quo. A arquitetura da escolha também importa. A proposta de mudança estava dividida, a continuidade unificada. O peronismo perdeu, embora Massa tenha ganho.

Na disputa de narrativas, Milei e o PiS são apontados como ameaças à democracia. Parece ter funcionado. Mas a demanda por líderes autoritários seria produto da crise econômica?

A questão é controversa. As evidências empíricas mais robustas sugerem que, como regra geral, o apoio normativo ao sistema democrático não é afetado pelo comportamento da economia, mas a satisfação com a democracia —que tem uma dimensão instrumental, de como ela está funcionando—, sim.

SÉRIES TEMPORAIS – Claaseen e Guimarães examinaram a questão utilizando séries temporais cobrindo 91 democracias, de 1988 a 2018.

O achado mais instigante é que há dois outros fatores que afetam o apoio à democracia: a criminalidade violenta e a corrupção. O desempenho dos serviços de saúde, questão central para o bem-estar dos eleitores, não se mostrou significativo.

Para os brasileiros, não é novidade que a demanda eleitoral por “populistas autoritários” está relacionada com a criminalidade violenta e corrupção.

Racha familiar entre Ciro e Cid causa debandada no PDT, que teve 12 baixas

Cid rompeu com Ciro e vai sair do PDT com seu grupo

Cid rompeu com Ciro e vai sair do PDT com seu grupo

Luísa Marzullo
O Globo

A guerra interna entre o ex-ministro Ciro Gomes e seu irmão, o senador Cid Gomes, gerou uma debandada no PDT no Ceará. Desde que as alas comandadas pela família Ferreira Gomes travaram uma disputa nas eleições do ano passado, 12 políticos já deixaram a sigla.A tensão entre os irmãos cresceu desde a última sexta-feira, quando eles protagonizaram uma discussão acalorada durante evento da sigla, com gritos e dedos em riste.

Com o agravamento da crise, o senador não nega uma eventual desfiliação, assim como seu outro irmão, Ivo Gomes, prefeito de Sobral (CE).

CONVITE DO PSB – Até o momento, o PSB fez um convite para receber Cid e seu grupo, mas nada foi formalizado. O senador já marcou uma reunião do diretório estadual para o dia 9, na qual irá discutir “coletivamente a situação do partido”.

Atualmente, a ala de Cid conta com ao menos dez deputados estaduais, cinco federais e mais de 25 prefeitos. Em um ano de disputas entre Ciro e Cid, dez prefeitos deixaram o PDT para se aliar ao PT. A maioria, cinco, segue sem partido, mas três migraram para o PT, um para o PSB e um para o Podemos. Ao total, somam-se mais duas desfiliações.

Sob o risco de nova debandada, logo após a reunião no Rio, a direção nacional, comandada pelos aliados de Ciro, expediu uma resolução em que dificulta a concessão de anuências, ou seja, a saída do partido.

JANELA PARTIDÁRIA – As mudanças da resolução miram nos parlamentares eleitos no ano passado. A próxima janela partidária ocorrerá em 2026 e, por isso, dependem das permissões para não perderem seus mandatos.

“O filiado eleito pela legenda do PDT reconhece, como pressuposto, que ao partido pertencerá o mandato, devendo ao partido lealdade, fidelidade e disciplina”, diz trecho da resolução que também destaca que a função de liberar as desfiliações cabe apenas ao diretório nacional e determina nulidade nas que descumprirem esses termos.

A medida também é uma reação do grupo de Cid que, no mês passado, liberou o presidente da Assembleia Legislativa cearense, Evandro Leitão, para se desfiliar do PDT.

DISPUTA JUDICIAL – O episódio gerou uma disputa judicial entre os grupos e, na última segunda-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) decidiu, por unanimidade, pela autorização da saída. A ala de Ciro recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Leitão deseja sair do PDT para concorrer à prefeitura de Fortaleza. Dentro da legenda, aliados de Ciro formaram um consenso pela reeleição do atual prefeito, José Sarto, desafeto de Cid.

A desfiliação do deputado Evandro Leitão, próximo ao senador Cid Gomes, pode permitir que ele concorra contra o seu atual correligionário, já que o político recebeu convites de PT e PSB.

CONFUSÃO TOTAL – Alguns filiados, no entanto, alegam que a resolução não vai frear apenas os aliados de Cid, já que o grupo de Ciro também estaria saturado com as crises. O conflito entre os irmãos começou quando seus grupos discordaram sobre quem seria o candidato a governador.

Na ala de Cid, estava a ex-governadora Izolda Cela, a primeira a deixar o PDT quando os aliados de Ciro optaram pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, que terminou em terceiro lugar na disputa.

O movimento não agradou a ala do senador Cid Gomes que então se aproximou do atual governador Elmano de Freitas (PT) com dez prefeitos.

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NOTA DA REDAÇÃO
Muita gente reconhece a capacidade de Ciro Gomes, mas não vota nele devido a seu temperamento irascível. Ele envelhece, mas não muda, decepcionando seus supostos eleitores. Desse jeito, não tem o menor futuro na política. (C.N.)

Quem acha que a opinião de Haddad tem importância, quando Lula diz o contrário?

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Não existe entrosamento entre Lula e o ministro Hddad

Merval Pereira
O Globo

A tentativa de aparentar entrosamento entre o que disse o presidente Lula sobre a desnecessidade de zerar o déficit fiscal e a meta que persegue o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, só piorou a situação, com consequências óbvias no mercado financeiro. Muita ingenuidade do ministro ao tentar desviar do assunto na apresentação de novos diretores do Banco Central. Era evidente que o interesse geral seria saber como andava a relação dele com o presidente.

O máximo que Haddad conseguiu dizer é que sua meta estava mantida: déficit zero. Mas, se Lula acha desnecessário, quem acredita que a opinião de Haddad tem importância?

QUESTÃO DE IGNORÂNCIA – Lula diz que é a “ganância do mercado” que fixa a necessidade de zerar o déficit, mas demonstra ignorância ao dizer isso. O mercado financeiro é essencialmente, acreditam os economistas liberais, um instrumento democrático como transmissor das expectativas da opinião pública.

Nem mesmo o capitalismo de Estado da China, que não se pode classificar de país democrático como entendemos aqui no Ocidente, prescinde do mercado financeiro. Por pragmatismo.

Lula começou seu governo disposto a restaurar a imagem do Brasil no exterior e a recriar programas sociais de antigos governos petistas. Obteve sucesso na empreitada, embora a maioria dos brasileiros, segundo pesquisas de opinião, considere que ele dá demasiada importância ao resto do mundo e deveria se dedicar mais ao país que preside.

INSERIR-SE NO MUNDO – Concordo com as críticas apenas em parte, porque considero que o Brasil precisava voltar ao convívio global civilizado e mostrar-se um país relevante no cenário internacional. Mesmo que essa relevância seja relativa, e não absoluta, como quer Lula.

Para que o Brasil seja relevante internacionalmente, não basta apenas a presença de Lula, que já foi considerado “o cara” por Obama, mas isso quando a imagem do operário que virou presidente da República ainda deslumbrava o mundo.

É preciso que o Brasil demonstre responsabilidade fiscal, que tenha um governo que combata a corrupção, que tenha uma visão holística do desenvolvimento social, que englobe também economia e meio ambiente. Se abrir mão do equilíbrio para tentar acelerar o desenvolvimento, acabará produzindo inflação, não bem-estar.

ANIMAL POLÍTICO – Vinte anos depois, Lula já não é o mesmo, nem sua imagem a mesma. Continua um animal político nato, mas já sem a agilidade na fala e nos gestos. No currículo leva controvérsias e pendências que somente os fanáticos não querem ver.

Livrou-se das acusações de corrupção por manobras jurídicas, não por provas, e mesmo os desvios de conduta apontados contra seus acusadores de Curitiba não apagam as denúncias e as confissões obtidas pela Operação Lava-Jato. Nem os bilhões devolvidos deixam dúvidas sobre o que aconteceu.

Sua relação com o Congresso, que anteriormente manobrava apenas com o verbo e a verba, hoje lhe custa mais caro, porque os parlamentares ganharam poderes nos últimos anos, e o relacionamento entre Executivo e Legislativo mudou de patamar. Da mesma maneira que mudaram as relações de poder entre Supremo e Congresso.

NOVA REALIDADE – A democracia brasileira hoje é outra, também o Supremo subiu de patamar, enquanto o Executivo vai tendo de se adaptar a um jogo mais equilibrado.

O Brasil já foi um hiperpresidencialismo, hoje é um simulacro de parlamentarismo, e essas distorções dificultam a governabilidade. Lula já não tem os instrumentos necessários para enfrentar um presidente da Câmara como Arthur Lira, que não tem limites nem pudores exagerados, não teme enfrentar os demais Poderes para colocar o Congresso como peça fundamental no jogo de disputa de espaço no tabuleiro político. “Verba é poder” parece ser seu lema.

Como todos os Poderes da nossa combalida República têm interesses próprios, que se colocam, não raramente, acima do interesse coletivo, fica impossível saber o rumo que o país tomará.

Desautorizado por Lula, agora Haddad acha que o país está virado pelo avesso

Questionado, Haddad não responde sobre se Lula pediu alteração da meta fiscal | Brasil | Valor Econômico

Fernando Haddad está um pote até aqui de mágoas…

José Casado
Veja

O ministro Fernando Haddad está incomodado. Não deixa claro se a amolação é com Lula, um presidente preocupado em reafirmar seu poder a cada dia e que, aparentemente, se diverte tanto com as reações às suas impropriedades retóricas quanto com as crises estimuladas no Palácio do Planalto.

Lula fulminou a ideia de “déficit zero” com cinco palavras: “A gente não precisa disso”. Foi na sexta-feira (27/ 10), quando completou 78 anos (dezenas de convidados da presidência foram ao Palácio da Alvorada para saudá-lo em torno de uma longa mesa com vários bolos; ele passou de carro, acenou pela janela e seguiu. A festa acabou, sob vento e chuva.)

CONTRADITÓRIO – Pode-se achar que foi realista sobre o “déficit zero”, mas, na essência, foi contraditório. Lula apresentou-se na campanha do ano passado como fiador de um governo supostamente empenhado na busca do equilíbrio fiscal perdido há décadas, até para “pôr os pobres no orçamento”. Por enquanto, a maioria pobre continua onde sempre esteve — à distância da lista de prioridades nos gastos públicos.

Se não gosta ou não quer meta de “déficit zero”, poderia ter poupado o ministro da Fazenda liquidando o plano no início do governo, mas deixou fluir negociações com o Congresso sobre o equilíbrio fiscal e o orçamento durante dez meses.

Nesse período, o mundo ganhou uma nova guerra, no Oriente Médio, e o principal mercado do Brasil na América do Sul, a Argentina, entrou em colapso.

CRISE INÚTIL – Lula atropelou Haddad numa crise inútil, porque desnecessária. Diante das reações, apelou à sua porta-voz informal para circunstâncias inconvenientes, a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Ao repórter Guilherme Pimenta, ela deu uma interpretação curiosa ao contrapor a sensatez de Lula à do ministro da Economia: “[Lula] chamou para si a responsabilidade, inclusive para manter a responsabilidade do governo.”

O efeito prático foi a semeadura de desconfiança sobre a consistência do projeto econômico do próprio governo. E isso, por óbvio, tem custo político e econômico.

Haddad não costuma vazar insatisfação. Nesta segunda-feira, porém, mostrou-se exasperado com jornalistas que lhe perguntaram sobre o assunto.

PAÍS PELO AVESSO – Habituado à ambiguidade, Haddad também não indicou se a gênese da amolação está na atitude de parte da cúpula do Partido dos Trabalhadores que decidiu atrelar sua expectativa de poder à desidratação do ministro da Fazenda na condução da política econômica.

O clima ficou tenso. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), julgou necessário recomendar ao governo “seguir a orientação e as diretrizes do ministro da Fazenda”. Acrescentou: “Ir na contramão disso colocaria o país em rota perigosa.”

À noite, em Brasília, Haddd foi comer um sanduíche com assessores e Gabriel Galípolo, diretor de política monetária do Banco Central. “Este país está pelo avesso”, disse ao passar por uma mesa no jardim do restaurante. Mencionou uma época em que “éramos felizes e não sabíamos”. Pela ambiguidade, a referência abrange os últimos 34 anos de regime democrático — em 44% dessa linha do tempo o PT governa o país.

Refinaria privatizada de Manaus vende gás 72% mais caro do que a Petrobras

Privatização da refinaria foi um crime contra o consumidor

Guilherme Seto
Folha

Privatizada em dezembro de 2022, a Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus (AM), hoje pratica o preço mais alto do país na venda do botijão de gás de 13 kg, a R$ 54, enquanto nas unidades da Petrobras o vasilhame sai por R$ 31. A diferença atual, medida pelo Observatório Social do Petróleo, é a maior desde que a refinaria foi desestatizada.

Segundo levantamento do OSP, entre 1º de julho e 18 de outubro o preço do botijão da Ream ultrapassava em 44% o da Petrobras e já registrava diferença recorde.

MAIS AUMENTO – No dia 19 de outubro, a refinaria amazonense aumentou em 19% o preço do gás de cozinha, ampliando ainda mais essa margem. Os dados mostram ainda que Ream foi responsável por 24% da oferta de GLP no Norte do país em 2023 e a Petrobras por 75,8%.

No comparativo com as refinarias privadas, o botijão da Ream custa, em média, R$ 13,34 (32,5%) mais caro.

A Refinaria de Mataripe, na Bahia, vende o vasilhame de GLP a R$ 39,14, e a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), no Rio Grande do Norte, a R$ 43, ou seja, R$ 15,27 (28,1%) e R$ 11,41 (21%) a menos, respectivamente, do que o cobrado pela Refinaria da Amazônia.

TRAGÉDIA ANUNCIADA – Para o economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), entre todas as refinarias da Petrobras que foram privatizadas, a venda da Reman, atual Ream, foi certamente a mais trágica para a população local.

“Todos os produtos hoje vendidos por ela são mais caros do que os da concorrência e até do Preço de Paridade de Importação, o PPI. Isso contrasta com o período anterior à privatização, quando os preços dessa refinaria eram inferiores aos das outras unidades da Petrobras. Atualmente, vemos uma diferença exagerada no preço do GLP. Como o botijão pode ser 72% mais caro? É difícil encontrar uma justificativa”, afirma Dantas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É inacreditável que ainda exista quem defenda a privativação da Petrobras, alegando que o consumidor será beneficiado. (C.N.)

Estados Unidos propõe controle internacional do território de Gaza

Um amor mágico, intenso e perfeito, nas asas da poesia de Thais Beija-Flor

Casal de namorados opta por não fazer sexo antes do casamento e fica 2 anos sem se beijar

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta paulista Thais Silva Francisco, pseudônimo Thais Beija-flor, no poema “A Sinfonia das Horas”, procura e encontra o tempo certo para o amor.

A SINFONIA DAS HORAS
Thais Beija-Flor

Na sinfonia das horas
Nosso Amor encontra o tempo certo.
Brincamos com os ponteiros
Acertamos nossos minutos
Nos amamos sem pensar nas horas.

As horas são nossas amigas.
Vez ou outra dão uma paradinha,
ou, se deixam somar ao nosso fuso horário
para que nosso tempo ganhe
um pouco mais de tempo,
pois as horas entendem que é Mágico
este momento de Amor!

É Mágico e Abençoado este Amor
que vive intensamente a pulsar
dentro do nosso peito
seja noite ou seja dia…aqui ou aí.

Nada importa se há distância
a separar nossos corpos,
pois nossas almas se encontram
em fração de segundos
se entrelaçam e nos fazem sentir este amor
sublimemente vivido!

Que horas são?
Não importa, meu amor querido,
Os ponteiros do nosso relógio se aquietaram
e ficarão assim pelo tempo necessário,
até que me ajudes a voltar a respirar
pois este amor paixão tirou-me o fôlego
e do teu ar estarei a precisar…

Ah!… Sinfonia das horas.
Cante ao Universo
esta nossa melodia de Amor!

No governo, Lula parece um urso que come os donos e depois segue sozinho

Charge do Fred Ozanan (Paraíba Online)

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Lula diz que é uma metamorfose ambulante e é mais que isso. É também, desde sempre, um urso que come seus donos. Na galeria desse urso há várias cabeças, e as de Antonio Palocci, seu ministro da Fazenda, e José Dirceu, o “capitão” de seu time, são as mais conhecidas. Em algum momento, por boas razões, eles acreditaram na imagem que projetavam. Palocci expeliu-se e Dirceu sofreu em silêncio.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não cabe nesses dois figurinos, mas só o tempo dirá o que Lula pretendeu ao se afastar da meta do déficit zero para 2024. Ela estava bichada desde o primeiro momento, desde a hora em que Haddad prometeu um crescimento inviável da arrecadação. Deu-se um caso de perigosa manipulação de expectativas. Lula, Haddad, o mercado e a torcida do Flamengo sabiam que a meta estava bichada, mas confiavam numa expectativa.

“É RUDIMENTAR” – O risco embutido no episódio do café da manhã com os jornalistas é a possibilidade de repetição da joelhada que o ministro Antonio Palocci levou da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2005. Na ocasião, o Ministério do Planejamento anunciou um plano de ajuste fiscal de longo prazo, e Dilma fulminou-o com duas palavras: “É rudimentar.”

Haddad prometia um déficit zero graças ao aumento da arrecadação. Era sonho, mas como a arrecadação patinou, o controle do déficit deveria vir pelo controle de gastos. Qualquer semelhança com o dilema de 2005 não é coincidência. A joelhada de Dilma marcou o início do ocaso de Palocci. Ela falava por Lula.

Quando Lula se dissociou da quimera, nada disse de novo. A questão está em se saber quanto ele quer de déficit. A defesa dos gastos de Dilma/Lula daria no que se viu, uma amarga recessão.

HADDAD SEM APOIO – O Lula de 2023 tem um Congresso mais voraz e uma oposição mais intransigente. Quando Haddad diz que precisa de apoio político, a vaca olha para o brejo. Se ele não tem apoio em casa, do outro lado da rua é que ele não virá.

Se Lula e Haddad pensam que podem administrar a economia com os truques que aplicam à questão da segurança pública, vem coisa ruim por aí. Na segurança, o governo anuncia reuniões e mudanças burocráticas inócuas. Isso não funciona para a economia.

Falar em “ralos tributários” equivale a incensar operações policiais espetaculares contra bandidos. Aliviam a pressão e satisfazem os ministros, mas têm pouca serventia.

CORTAR DESPESAS – Qualquer família sabe como lidar com déficit: se a arrecadação é insuficiente, deve-se cortar despesas. Lula e o comissariado petista não gostam dessa ideia.

A sensibilidade que acompanha o debate econômico é compreensível, mas está exacerbada pela falta de ideias e iniciativas do governo. O Lula 1 teve o Prouni, o Luz para Todos e a defesa das cotas em universidades públicas. Isso para não falar nos programas tucanos reciclados com criatividade no Bolsa Família. A Reforma Tributária tem muitas virtudes e tantas exceções que ainda é prematuro avaliá-la.

Não faz sentido que em quase um ano de governo o Planalto reine num deserto de ideias novas. Governo sem ideias novas vê-se obrigado a discutir as ideias dos outros.

Um dia para lembrar os mortos e atender também a quem precisa do nosso apoio

Dor não tem nada a ver com amargura.... Adélia Prado - Pensador

Frase de Adélia Prado (reproduzida do Pensador)

Vicente Limongi Netto

Amo meus mortos. Trago no coração a dor da perda infinita. Meus mortos são inesquecíveis e sublimes. Amor inquebrantável que retempera o ânimo de viver. Tem momentos que não acreditamos que perdemos um ser amado. A insistência pela vida permanece. Prantos e preces confortam o coração e a alma.

A dor insiste. Não aceita tornar-se invisível. Almas e corações andam juntos. Nossa afeição é eterna. Nossos mortos são bálsamos de ternura e sabedoria. Semearam emoções e encantamento. Do céu, mandam pétalas de esperanças. Abrandando nossas saudades no Dia de Finados.

Mas é importante lembrar também os que ainda estão vivos e precisam de nosso amor, apoio, carinho e compreensão. Como diz a Bíblia, “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros” (João 13:34).

CRITICA AO CENTRÃO – Honrado com palavras firmes e contundentes da leitora Lenira Maia, em O Globo do dia 30:

“Faço coro e concordo, como a maioria dos brasileiros, com o leitor Vicente Limongi Netto: O centrão é uma esmerada e azeitada milicia de engravatados. Unha encravada de Lula sem data para sarar!!! Uma vergonha para todos os brasileiros!”

Lenira Maia se referia a um trecho do meu artigo que eu tinha publicado antes na Tribuna da Internet.

Arquiteta que reformou casa de Dirceu é absolvida pelo novo juiz da Lava Jato

Arquiteta nada tinha a ver com as pilantragens de Dirceu

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

A arquiteta Daniela Leopoldo e Silva Facchini foi absolvida em ação penal da Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro. Ela reformou a casa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula I) em um condomínio de luxo em Vinhedo, no interior de São Paulo, e foi acusada de intermediar o pagamento de propinas.

Zé Dirceu foi alvo da Lava Jato em 2015.A reforma na chácara foi custeada pela Engevix Engenharia em troca de vantagens em contratos com a Petrobras, segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba, na época.

CITADA EM DELAÇÃO – A acusação sustentou que os operadores Milton Pascowitch e seu irmão, José Adolfo Pascowitch, usaram uma empresa deles, a Jamp Engenharia, para fazer os pagamentos à arquiteta, em 22 transferências bancárias. Ela foi arrastada na Lava Jato após ter sido citada na delação dos irmãos.

A defesa alegou que a denúncia foi baseada exclusivamente na colaboração premiada e que as acusações não foram comprovadas. Inicialmente, o então juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, hoje senador, rejeitou a denúncia do MPF contra Daniela Facchini. Mas o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região mandou abrir a ação penal.

Agora, o juiz Fábio Nunes de Martino, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, concluiu que não ficou provado que Daniela sabia a origem do dinheiro que lhe foi repassado. Ela recebeu R$ 1,8 milhão entre maio de 2012 e dezembro de 2014.

SEM VINCULAÇÃO – “O fato de que a reforma foi efetuada em benefício de José Dirceu é insuficiente para demonstrar que Daniela sabia da origem ilícita dos recursos – especialmente considerando que o pagamento foi feito por Milton, conhecido de Daniela – ou que havia a intenção de lavar os valores advindos dos crimes constatados”, escreveu o magistrado.

A sentença diz ainda que a defesa da arquiteta comprovou que o projeto foi entregue e que todas as notas fiscais foram emitidas regularmente.

“Em verdade, parece-me que Daniela, arquiteta de formação e atuante no mercado, foi simplesmente contratada por um conhecido para a realização de uma obra, cuja execução e pagamento se deram de acordo com o amplamente praticado, inclusive seguindo procedimentos já adotados anteriormente pela acusada”, diz outro trecho da decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A decisão é um tapa na cara de quem acusa Moro de parcialidade e pede a cassação de seu mandato. A sentença mostra que o então juiz da Lava Jato não condenava réus por “presunção de culpa”, como o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo fizeram ao cassar o então deputado Deltan Dallagnol. Como diz a Bíblia, “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). (C.N.)

Jinping se permite até sorrir, animado para reunião com Joe Biden nos EUA

Gavin Newsom e Xi Jinping

Governador Gavin Newsom foi recebido por Xi Jinping

Nelson de Sá
Folha

Na foto distribuída pela agência de notícias Xinhua, como poucas vezes se vê, Xi Jinping aparece sorrindo ao receber de “surpresa” o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, no Grande Salão do Povo, em Pequim.

Na sequência, Joe Biden recebeu o chanceler Wang Yi por uma hora na Casa Branca, em Washington. Depois Wang relatou que China e EUA “concordaram em trabalhar juntos para a realização da cúpula de San Francisco”, daqui a duas semanas, segundo o relato do ministério.

VISÃO RACIONAL – Mas “o caminho para San Francisco” não será tranquilo, acrescentou ele, na expressão que se tornaria título de editorial no Global Times, do PC Chinês. O tabloide pediu uma “visão racional da China” por parte dos EUA, dando o governador Newsom como modelo.

O jornal que importa de fato é o Renmin Ribao ou Diário do Povo, porta-voz do partido e ao qual o Global Times é vinculado. Em comentário destacado pela Bloomberg, ele publicou nesta terça (31), defendendo “coexistência pacífica”:

“Atualmente, a situação internacional é caótica, e as relações China-EUA também estão em uma encruzilhada crucial. As duas partes devem agir de forma responsável para com o mundo e a história.’

Também na terça, o general chinês He Lei afirmou, com destaque no South China Morning Post, que o general americano Lloyd Austin, secretário de Defesa, deveria ter ido ao fórum estratégico Xiangshan, em Pequim.

Frisou que foi uma “oportunidade perdida” —e que “provavelmente” ele seria recebido por Xi Jinping.

Citando autoridade americana, a Bloomberg confirma que os dois “concordaram em princípio com a cúpula” na reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, a partir do dia 15, em San Francisco.

‘INVASÃO’ EM GAZA – Após resistir por três dias, o New York Times manchetou que a “invasão de Israel começou”, ainda que “sob o manto do segredo”.

Israel “tornou deliberadamente difícil contar o que está acontecendo”, justificou. Na segunda chamada, “a visão detalhada por satélite da invasão de Israel”.

Também em destaque, depois, o NYT destacou que é uma “tentativa de isolar a parte norte do território, dizem autoridades de Gaza”.

Copom reduz a Selic em 0,5%, mas o Brasil ainda lidera o ranking dos juros reais

Ainda mais difícil explicar nossas altíssimas taxas de juros – blog da kikacastro

Charge do Glauco (Arquivo Google)

Ana Paula Castro
g1 Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (01), reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, de 12,75% ao ano para 12,25% ao ano. Este foi o terceiro corte seguido na taxa básica de juros, que começou a recuar em agosto deste ano. A decisão foi unânime. Ou seja, todos os membros do Copom votaram pela redução de 0,5 ponto percentual.

No comunicado emitido após a reunião, o colegiado sinalizou que poderá cortar novamente a Selic neste mesmo patamar – 0,5 ponto percentual – no próximo encontro.

RITMO APROPRIADO – “Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”.

A Selic chegou agora ao menor nível desde o início de maio de 2022 — quando estava em 11,75% ao ano.

Neste ano, só haverá mais uma reunião do Copom, marcada para os dias 12 e 13 de dezembro. Ou seja, se a previsão de redução se concretizar, a Selic deve terminar 2023 no patamar de 11,75% ao ano.

COPOM E SELIC – O Copom é formado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e por oito diretores da autarquia. Cabe ao comitê definir o patamar da Selic a cada 45 dias.

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação. A taxa influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras.

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o BC faz projeções para o futuro. Neste momento, a instituição já está mirando na meta do ano que vem, e também para o primeiro semestre de 2025 (em doze meses). Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As aparências enganam. Na matriz USA o Banco Central americano (Fed) mantém juros dos Estados Unidos na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. Aqui na filial Brazil, mesmo após este novo corte; voltamos a ter a maior taxa de juros reais do mundo. Segundo levantamento compilado pela consultoria financeira MoneYou, os juros reais do país ficaram agora em 6,90%, no topo do ranking. Em seguida veio o México, com taxa real de 6,89%. Nos juros somos imbatíveis. Enquanto isso, no futebol… (C.N.) 

Não deixe a Reforma Tributária te fazer de otário, é você quem vai pagar a conta

Charge do Fred Ozanan (@humorcomrumor)

Joel Pinheiro da Fonseca
Folha

Eu era um membro conformado do grupo dos otários que pagam inteira no cinema. Sim, otário: graças ao desconto concedido a estudantes, idosos e outros, gente como eu pagava mais caro. Mas eis que, neste fim de semana, vim para o lado vantajoso da força: minha operadora de celular tem um convênio com uma rede de salas, o que me valeu o direito à meia. Muito em breve, absolutamente todo frequentador de cinema terá sua meia entrada.

O resultado disso, é claro, não será uma economia para todos, e sim uma entrada que simplesmente custará o dobro. Toda isenção ou desconto estendido a um grupo é pago por aqueles que ficaram de fora. Se ninguém ficar de fora, o benefício se extingue.

EM OUTRO GRUPO – Se já conquistei a meia entrada no cinema, ainda pertenço a outro grupo de otários: os que, sem lobby em Brasília, não terão alíquota especial na Reforma Tributária, e portanto pagarão um IVA mais alto para custear o desconto amigo dos demais.

Justificativas não faltam, a começar pela social: vamos desonerar, por exemplo, os itens da cesta básica. O primeiro sinal de que isso não era uma boa ideia foi a voracidade com que resolveram adicionar produtos à cesta básica, colocando até capacete e tijolo entre os itens necessários para alimentar uma família. A solução foi criar duas cestas, cada uma com sua alíquota especial. Definir qual produto entra em qual cesta promete muita judicialização futura.

A segunda distorção é que o benefício da isenção nunca vai inteiro para o público-alvo, o povo pobre que precisa comer. Uma parte fica com as próprias empresas, que não abatem a isenção completa do preço final do produto. Outra parte vai para a classe média e o rico, que também consomem arroz, feijão e farinha. Isso reduz a parte que sobra ao pobre.

SERIA MAIS JUSTO… – E quem paga a conta desse benefício mal focalizado? Todos os outros setores, que arcarão com um IVA mais alto, além, é claro, de seus consumidores. Seria socialmente mais eficaz arrecadar o imposto da cesta básica normalmente e daí transferir essa arrecadação aos consumidores pobres. Algo me diz, no entanto, que isso não interessaria tanto aos lobistas empresariais.

Até aqui estamos falando das isenções que ao menos têm um verniz social. Outras não têm nem mesmo isso — são a defesa aberta de privilégios corporativistas.

Médicos e advogados com faturamento milionário, o sofrido agro. Será uma boa ideia o Estado criar uma bolsa especial para eles? Depositar todo mês um extra na conta bancária dos médicos que já faturam acima do Simples? É o que vai ocorrer, embora com menos transparência para a opinião pública, posto que não haverá uma transferência do Tesouro para a conta deles.

REFORMA INÓCUA – É deprimente defender a Reforma Tributária nos termos de que “mesmo assim será melhor do que a situação atual”. Isso só indica que ainda há espaço para outros cavarem sua boquinha. Insatisfeitos com a isenção de 60%, representantes do agro já pleiteiam 80%. E se deixarmos, não vão parar até tornar a reforma inócua.

Não se engane: toda vez que o representante de um setor ou classe defende uma alíquota especial para si, o que ele está dizendo é que ele quer tirar seu dinheiro e te tratar como otário, ainda tornando toda a economia menos eficiente e a legislação tributária mais complexa, contrariando a razão de ser da reforma.

Reconhecer isso com clareza é, quem sabe, o primeiro passo para impedi-lo.